Mês: maio 2008



CADÊ OS CRISTÃOS NESTE MUNDO?

CADÊ OS CRISTÃOS NESTE MUNDO?

Diante de certas estatísticas, como por exemplo, “O feriadão de Corpus Christi deixou um saldo trágico de 23 mortos e 290 feridos nas estradas que cortam o Paraná. Foram 326 acidentes, causados em sua maioria pela imprudência dos motoristas”(O Diário de 27.05.2008, pg A3). Isso é um escândalo que clama aos céus. É assustador o número de assassinatos principalmente de jovens, o mundo da droga e do narcotráfico que diabolicamente toma proporções incalculáveis; a insegurança, diante do ir e vir, seja para o trabalho, ao templo, ao merecido lazer; a proliferação cada vez maior do ateísmo prático; os pobres que aumentam a cada dia e os poucos cada vez mais ricos; enfim, uma ladainha de situações que contradizem totalmente os princípios do Evangelho. Eu me pergunto: cadê os cristãos? Esses que morreram são todos pagãos?
Somos hoje a maioria absoluta de cristãos; esperamos que pelos menos a metade freqüente as suas comunidades religiosas, que aos domingos freqüentem os templos para orar e refletir a Palavra de Deus. Ao mesmo tempo, penso nos centenas de presbíteros, pastores, missionários que, quase diariamente falam, instruindo, exortando, mostrando o caminho com a Sagrada Escritura na mão, com o catecismo da doutrina sempre aberto. As centenas e milhares de pregações pelos meios de comunicação social, desde o rádio, a TV, revistas, jornais, sites na internet. Isso sem contar as intermináveis campanhas do poder público.
Eu me pergunto para quem estamos falando? Para quem estamos dirigindo os milhares de discursos sobre a Palavra de Deus? Porque ainda não alcançamos os ouvidos dos marginais, dos violentos, dos que morrem e matam sem dó e piedade? Estamos falando para as paredes, ou nossa linguagem, a mensagem que estamos transmitindo, está numa freqüência e o povo está noutra? Porque aquele fiel participante, na vida prática não paga o salário justo, engana e corrompe em benefício próprio? Não é por falta de quem fala, e nem de quem escuta. Está faltando o quê? Aonde nós pregadores estamos errando? Aonde o povo de Deus, cristãos, discípulos de Jesus, vivem o que escutam?
Penso que não se trata de puxar a brasa para o seu assado e dizer aqui está tudo bem e que o problema é dos outros! Penso que nesta hora histórica de nossa caminhada precisamos rever na prática cotidiana, a nossa prática. No testemunho da fé que professamos falta vigor, entusiasmo, coragem de quem acredita de fato. A nossa vivência na fé ainda é vivência formal, ritualista, cumprir tabela para o desencargo de consciência por medo de Deus. Não posso afirmar que não exista testemunho e nem obras boas que provem a nossa fé. Fica sempre a pergunta: Como tocar o coração? Como fazer com que a mensagem de salvação entre na vida do dia a dia de nossos cristãos, com todas as suas conseqüências?
Não seria a hora de nos unirmos numa só voz, cada um no seu caminho de fé, para falar a mesma linguagem. Sintonizar na mesma freqüência sonora dos jovens e adolescentes e provocar uma verdadeira comoção evangélica no coração de nossas Igrejas? Certamente nós temos o melhor e mais valioso conteúdo para preencher qualquer coração vazio, do homem e da mulher, do passado, do presente e do futuro. Enquanto a nossa pregação não despertar um verdadeiro discipulado de Jesus, discípulos e missionários apaixonados pelo Mestre, Salvador e Redentor, estamos jogando as pérolas para ser pisada no chão manchado pelo sangue da violência e da falta de paz. Cadê os cristãos apaixonados por Cristo a fim de fermentar essa massa e dar sabor da paz e de fraternidade a este mundo em que habitamos? “Tende coragem, eu venci o mundo”(Jo 16,33)

Artigos
2 Comentários


CORPUS CHRISTI

Hoje, a comunidade celebra a vida doada no Pão e no Vinho, que se transforma em cada missa em Corpo e Sangue de Cristo. “Isto é o meu corpo isto, é o meu sangue, fazei isto em memória de mim”. Essas palavras do Mestre garantem a sua permanência entre nós sempre que, em cada altar, o ministro ordenado pronuncia essas palavras recordando aquela ceia de despedida. Despede-se, mas permanece vivo nas espécies de pão e vinho, sinais visíveis para alimentar a todos no caminho da eternidade.
Seguindo o exemplo das primeiras comunidades cristãs (At. 2,46,47), a comunidade paroquial se reúne para partir o pão da Palavra e da Eucaristia, perseverar na catequese, na vida sacramental e na prática da caridade. A Eucaristia, na qual se fortalece a comunidade dos discípulos, é para a Paróquia uma escola de vida cristã. Nela, juntamente com a adoração eucarística e com a prática do sacramento da reconciliação para comungar dignamente, seus membros são preparados para dar frutos permanentes de caridade, reconciliação e justiça para a vida do mundo”(DA 175).
Por isso, comungar é um perigo, é um compromisso que vai além de uma cerimônia bonita e emocionante. Comungar significa receber, em nós, aquele que veio para dar a vida, criar fraternidade, praticar a justiça, tratar a todos com igualdade, deixar de lado os preconceitos de raça, religião, cor e posição social, que veio amar ao ponto de dar a própria vida por todos nós. Na Eucaristia, recebendo o corpo e sangue do Senhor, significa entrar em comunhão com Ele em corpo e sangue assumindo na prática diária os mesmos sentimentos, desejos e vontade Dele. Eucaristia não é um pão abençoado, um costume passado de geração em geração apenas. A Eucaristia, a Ceia do Senhor nos incomoda para poder incomodar o mundo e a realidade que nos rodeia.
“Bento XVI nos recorda que “o amor à Eucaristia leva também a apreciar cada vez mais o sacramento da Reconciliação”. Vivemos numa cultura marcada por forte relativismo e perda do sentido do pecado que nos leva a esquecer a necessidade do sacramento da Reconciliação para nos aproximarmos dignamente a fim de recebermos a Eucaristia”(DA 177). “A Eucaristia é o lugar privilegiado do encontro do discípulo com Jesus Cristo. Com este sacramento, Jesus nos atrai para si e nos faz entrar em seu dinamismo em relação a Deus e ao próximo. Existe estreito vínculo entre as três dimensões da vocação cristã: crer, celebrar e viver, o mistério de Jesus Cristo de tal modo que a existência cristã adquira verdadeira forma eucarística”(DA 251).
Para nós, cristãos católicos, a Eucaristia, a Festa do Corpo do Senhor, “Corpus Christi”, não é uma mera devoção que nos aliena da realidade e do compromisso evangélico de transformar-se e transformar a realidade onde vivemos. A procissão significa o dinamismo da vida, caminho se faz caminhando e nesta festa de hoje, caminhamos tendo na frente o Senhor Eucarístico, Pão descido do céu para a vida do mundo. Por isso comemos deste Pão e bebemos deste Cálice para que “tenhamos vida e vida em abundância”(Jo 10,10). Como povo Deus, queremos prestar nossa homenagem entregando o nosso coração, a nossa vida, mas ao mesmo tempo manifestamos externamente nossa gratidão, com os tapetes, com a música, o canto, e a adoração.. “Eu sou o pão vivo descido do céu, quem comer deste pão viverá eternamente”(…..).

Artigos
Comente aqui


DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA

DIA INTERNACIONAL DA FAMILIA

Hoje o mundo lembra que a família existe, é e continua sendo o tesouro mais importante de todos os povos e nações. Como não defender e promover a família com tantas situações adversas ameaçando! O Documento de Aparecida afirma: “Em nossos países, parte importante da população está afetada por difíceis condições de vida que ameaçam diretamente a instituição familiar. Em nossa condição de discípulos e missionários de Jesus Cristo, somos chamados a trabalhar para que tal situação seja transformada e a família assuma seu ser e sua missão no âmbito da sociedade e da Igreja”.
A responsabilidade é de todos. A sociedade não é mais do que o desenvolvimento da família: se o homem sai da corrupto, da família , corrupto estará na sociedade”(Lacordaire). Defender a família é defender segundo os planos de Deus. “A família cristã está fundada no sacramento do matrimônio entre um homem e uma mulher, sinal do amor de Deus pela humanidade e da entrega de Cristo por sua esposa que é a Igreja. A partir dessa aliança se manifestam a paternidade e a maternidade, a filiação e a fraternidade, e o compromisso dos dois por uma sociedade melhor”(DA.433). Não pode existir outro modelo de família a não ser aquela querida por Deus. Teremos um mundo melhor quando nossas famílias forem melhores.
No dia 07 deste mês, a família ganhou, o Brasil ganhou, a vida ganhou, quando votada a proposta de lei do aborto; a vitória foi de 33×0. A vida venceu a morte! Que pena não ter tido a cobertura dos meios de comunicação sobre essa vitória que alegrou o coração de milhares e milhões de crianças no ventre materno.Que pena não ter visto estampado nas primeiras páginas dos jornais e revistas, a vitória da vida. Que pena ver sempre as manchetes anunciando violência, ódio, para vender e ganhar em cima da desgraça alheia. Que pena não ter visto ao vivo essa vitória, como os meios fizeram e continuam fazendo com o caso Isabela. Porque a morte de Isabela chocou tanto os meios de comunicação e não chocam os milhares de abortos silenciosos de inocentes? Inocentes são tirados do útero materno e jogados nas lixeiras! Sem dúvida, tanto Isabela como os milhares de inocentes anônimos clamam e gritam pela vida.
Defender a família é defender a vida desde o ventre materno até a morte natural. Essa responsabilidade pesa sobre todos nós, principalmente sobre os “legisladores, governantes e profissionais da saúde, conscientes da dignidade da vida humana e do fundamento da família em nossos povos, a defendam e protejam dos crimes abomináveis do aborto e da eutanásia”(DA 436). Tudo o que pode fazer pela vida é sempre pouco diante da importância e significação para a sociedade e para o mundo. “No seio de uma família, a pessoa descobre os motivos e o caminho para pertencer à família de Deus. Dela recebemos a vida que é a primeira experiência do amor e da fé”(DA 118).
“Deus ama nossas famílias, apesar de tantas feridas e divisões. A presença invocada de Cristo, através da oração em família, nos ajuda a superar os problemas, a curar as feridas e abre caminhos de esperança”(DA. 119). Trazemos um tesouro em vaso de barro, expressão do Apóstolo Paulo, que nos faz cuidar e defender a todo custo esse tesouro, a Família, a minha família, a família de todos e cada um de nós. Nem Deus resiste a um homem ou uma mulher ajoelhado, orando, principalmente quando orar pela família.

Artigos
Comente aqui


NOVAS DIRETRIZES DA AÇÃO EVANGELIZADORA

No espírito da Conferência Latinoamericana em Aparecida, os Bispos  aprovaram as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora a fim de que a Igreja do Brasil viva uma forte comoção e experimente a alegria de ser discípulo e missionário, para que nossos povos em Cristo tenham vida. Neste caminho queremos nós também entrar de corpo e alma fazendo com que a Assembléia Arquidiocesana seja um novo impulso na direção de uma Igreja missionária a serviço da vida.

“Numa época de profundas e sucessivas mudanças a Igreja é chamada com coragem, entusiasmo e criatividade a proclamar a mensagem do Evangelho, para que nossos povos tenham vida e a tenham em abundancia, pois o Reino de Jesus é um Reino de Vida. As condições de vida de excluídos e ignorados, contradizem o projeto do Pai e nos desafiam a um maior compromisso em favor da cultura da vida. A evangelização é tarefa de todos. A missão não é tarefa opcional, mas integrante da identidade cristã e exige conversão pessoal e conversão pastoral. Só seremos “comunidade missionária”, na medida em que respondermos aos grandes problemas da sociedade. Somos conscientes de nossos limites, sobretudo da insuficiência de agentes de pastoral, mas não esmoreceremos, pois somos animados pelo mesmo espírito que impeliu os apóstolos à missão”. (DGAE 5 – 9)

“O desempenho da missão evangelizadora pede de cada um de nós uma profunda vivência de fé, fruto de uma experiência pessoal de encontro com a pessoa de Jesus Cristo, no seu seguimento. Nossa conversão pessoal nos possibilita impregnar, com uma firme decisão missionária todas as estruturas eclesiais e todos os planos pastorais(…) de qualquer instituição da Igreja, exigindo nossa conversão pastoral que implica escuta e fidelidade ao Espírito, impelindo-nos à missão e sensibilidade às mudanças socioculturais, animada por uma espiritualidade de comunhão e participação”(DGAE 7).

Para uma efetiva Ação Evangelizadora as Diretrizes continuam ressaltando o serviço, o diálogo, o anúncio, e o testemunho de comunhão como quatro exigências que fazem parte integrante da evangelização. “As quatro exigências intrínsecas da Evangelização se operacionalizam pastoralmente, pela presença da Igreja nos três âmbitos de ação, que constituem tanto o espaço como as realidades onde o evangelho precisa ser encarnado: pessoa, comunidade, sociedade. Não se trata de realidades separadas mas integradas e complementares”(DGAE 56). A igreja cumpre essa missão através de três ministérios: da Palavra, da liturgia, da caridade.

Para entrar em sintonia com os documento da Igreja, a Arquidiocese de Maringá iniciou um processo de avaliação e planejamento que desejamos culminar com a celebração da Assembléia, a qual marcará os rumos de toda a caminhada evangelizadora para os próximos anos. Iluminados pela parábola do bom samaritano, vamos continuar evangelizando a partir do encontro pessoal com Jesus, a fim de sermos capazes de nos identificar com os caídos, sentir compaixão, ungir as suas feridas e levá-los para a comunidade de fé. Ninguém pode dar-se o direito de cruzar os braços nesta hora. Vamos juntos em comunhão, levar a todos não uma teoria, mas uma experiência de discípulos e discípulas de Jesus, numa igreja missionária a serviço da vida.

Artigos
2 Comentários


CRISTÃOS ORAM PELA UNIDADE

CRISTÃOS ORAM PELA UNIDADE

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, organiza cada ano, na semana que antecede a festa de Pentecostes, uma semana de oração pela unidade dos cristãos. Aqui em nossa Arquidiocese, participam as Igrejas: Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Anglicana, Igreja Presbiteriana e Igreja Católica. A abertura foi no domingo passado na Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe. Todas as noites, em uma Igreja das que participam, se unem cristãos para orar atendendo o pedido de Jesus: “Pai Santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que eles sejam um assim como nós somos um”(Jo 17,11).
Esse caminho da unidade tem como princípio fundamental a busca do que nos une e não o que nos divide, Não é acentuando as diferenças que vamos encontrar a forma mais adequada para dialogar e trabalhar juntos. Infelizmente, ainda existem Igrejas cristãs que acentuam mais as diferenças, criticam e atacam, com a finalidade de angariar adeptos numa perspectiva proselitista que não favorece em nada, a realização do testamento de Jesus. É lamentável ver, em pleno século XXI, num mundo que grita pela paz, pelo entendimento entre os povos e nações, formas fortes de agressão religiosa em nome de Deus, entre nós cristãos.
Nesta semana em que dobramos os joelhos suplicando o dom da Unidade, desejamos reafirmar o nosso propósito, firme e decidido, na concretização da súplica de Jesus ao Pai pela unidade. Não se trata de uniformidade e sim de unidade na diversidade, somos diferentes, mas nos queremos bem e nos respeitamos. Para que o mundo creia em Jesus, como nosso Salvador e Redentor, não existe outro caminho. “Eu não te peço só por estes, mas também por aqueles que vão acreditar em mim por causa da palavra deles, para que todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti. Para que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste”(Jo 17,20).
Na busca da unidade, nós estamos orando também para que a cidade de Maringá, que nesta semana completa mais um ano de vida, se transforme em uma cidade cuja marca seja a união entre todas as religiões cristãs e não cristãs, na diversidade de raças e cores, nas diferentes culturas, entre ricos e pobres, entre homens e mulheres de todas as idades e categorias sociais. Queremos que todos sejam protagonistas de um novo tempo. Novo na esperança e na prática da justiça, novo no acreditar sempre na força dos pequenos e humildes, novo na fé de quem caminha tendo na frente o Senhor da vida e da história. Suplicamos ao Deus da vida para que Maringá seja a Feliz Cidade cuja marca principal seja a paz, a dignidade e a segurança social.
Como filhos e filhas nascidos do ventre de uma mulher, a mamãe que gerou a vida e deu na graça do Pai Deus, o sopro divino de uma herança eterna, elevamos sempre a prece de gratidão a todas e a cada uma delas. Somos filhos e filhas cuja marca é a capacidade de agradecer com o amor concreto, com o abraço da obediência, com o carinho do respeito, com beijo do reconhecimento, com o afeto da presença, com a lembrança eterna de quem nunca causou desgosto. Neste mês de maio, rico de comemorações, trazemos à memória as nossas queridas e sempre devotadas mamães.
Que o Deus da vida as cubra de bênçãos e nos faça caminhar sempre nos caminhos da unidade e da paz.

Dom Anuar Battisti

Artigos
Comente aqui


AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Prezados Senhores,
Quero manifestar o meu apreço e admiração pelos Meios de Comunicação Social que sempre tem cumprido a missão pela qual foram criados. Por ocasião do Dia Mundial dos Meios de Comunicação Social – 04.05, envio a minha saudação pessoal, recordando um trecho da mensagem que o Papa Bento XVI enviou. Dom Anuar Battisti – Arcebispo de Maringá
AOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO
Papa Bento XVI
É preciso evitar que a mídia se torne o megafone do materialismo econômico e do relativismo ético, verdadeiras chagas do nosso tempo. Pelo contrário, ela pode e deve contribuir para dar a conhecer a verdade sobre o homem, defendendo-a face àqueles que tendem a negá-la ou a destruí-la. Pode-se mesmo afirmar que a busca e a apresentação da verdade sobre o homem constituem a vocação mais sublime da comunicação social. Usar para tal fim as linguagens todas e cada vez mais belas e primorosas de que dispõem, a mídia é uma tarefa grandiosa, confiada em primeiro lugar aos responsáveis e operadores do setor. Mas tal tarefa, de algum modo, diz respeito a todos nós, porque todos, nesta época da globalização, somos utentes e operadores de comunicações sociais. Os novos meios de comunicação social, sobretudo telefonia e internet, modificam a própria fisionomia da comunicação, e talvez esta seja uma ocasião preciosa para redesenhar, ou seja, para tornar mais visíveis, como disse o meu venerado predecessor João Paulo II, os traços essenciais e irrenunciáveis da verdade sobre a pessoa humana (cf. Carta apostólica O rápido desenvolvimento, 10). O homem tem sede de verdade, anda à procura da verdade; demonstram-no nomeadamente a atenção e o sucesso registrados por muitas publicações, programas ou filmes de qualidade, onde são reconhecidas e bem apresentadas a verdade, a beleza e a grandeza da pessoa, incluindo a sua dimensão religiosa. Jesus disse: «Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará» (Jo 8, 32). A verdade que nos torna livres é Cristo, porque só Ele pode corresponder plenamente à sede de vida e de amor que está no coração do homem. Quem O encontrou e se apaixona pela sua mensagem, experimenta o desejo irreprimível de partilhar e comunicar esta verdade: «O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos…. (1 Jo 1, 1-3). Invocamos o Espírito Santo para que não faltem comunicadores corajosos e testemunhas autênticas da verdade que, fiéis ao mandato de Cristo e apaixonados pela mensagem da fé, «saibam tornar-se intérpretes das exigências culturais contemporâneas, comprometendo-se a viver esta época da comunicação, não como um tempo de alienação e de confusão, mas como um período precioso para a investigação da verdade e para o desenvolvimento da comunhão entre as pessoas e entre os povos» (João Paulo II, Discurso no Congresso Parábolas mediáticas, 9 de Novembro de 2002).
Com este votos, afetuosamente concedo a todos a minha bênção

Artigos
1 Comentário


FELIZ A CIDADE QUE ESCOLHE A VIDA

FELIZ A CIDADE QUE ESCOLHE A VIDA

Hoje, estamos celebrando a 19ª Romaria do Trabalhador em nossa Arquidiocese de Maringá. Neste ano, escolhemos como lema a “Felicidade está na escolha da vida”. Isto porque a Campanha da Fraternidade, deste ano, nos levou a refletir sobre o tema da defesa da vida desde o ventre materno até a sua morte natural. A vida está em primeiro lugar em todos os sentidos, porque somos criados à imagem e semelhança de Deus e o Senhor Jesus veio para que todos nós tivéssemos a Vida e a Vida em abundância(cf.Jo 10,10).
A felicidade do homem e da mulher se encontra no compromisso em defender a vida, que é lutar pela saúde, pela moradia, pela educação de qualidade, pela segurança, pela dignidade do trabalho, pelo bem estar e conviver, pela liberdade de escolha, pela prática da justiça e da solidariedade. Por isso é que neste ano, a Romaria quer ser um grito de esperança em meio a tantos sinais de morte. É uma bela manifestação de fé de um povo que quer continuar construindo uma sociedade onde a maioria do excluídos e descartados sejam colocados na fileira de frente de todos os projetos sociais. A escolha da vida deve ser o programa número um de todo aquele que busca o bem comum para os seus concidadãos. Vivemos em uma cidade que quer ser feliz sempre; por isso defende a vida e a dignidade. Escolhemos a Paróquia São Bonifácio e o bairro Santa Felicidade para somar na busca de soluções para os problemas sociais daquele bairro refletindo e orando a partir do exemplo da Santa Felicidade. Esta foi uma escrava que morreu mártir, entregou a sua vida defendendo a dignidade de mulher trabalhadora, morreu defendendo a sua fé em Deus que tudo pode e tudo faz. Uma mulher que deu um grito de liberdade e foi martirizada pelo poder opressor que não quer saber de alguém que pensa e age de maneira diferente. Estamos conscientes de que a cidade de Maringá quer a “vida” para todos, não só dos moradores do Santa Felicidade. Para iluminar essa procissão de romeiros trabalhadores e trabalhadoras, escolhemos o texto de Mateus capítulo 5 versículos de 1 a 12, onde Jesus do alto da montanha proclama as Bem-aventuranças. Um belíssimo texto evangélico que resume toda a mensagem de Jesus. Uma mística dos tempos modernos dizia: Se destruíssem todas as bíblias do mundo, e a comunidade começasse a viver as bem-aventuranças, poderiam reescrever todo o evangelho. Por isso são bem aventurados, “os pobres, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os que são perseguidos por causa da justiça, os insultados e perseguidos. “Fiquem alegres e contentes porque será grande a vossa recompensa no céu”(Mt 5,1,12). Neste contexto, queremos caminhar, realizando a 19ª Romaria do trabalhador, independentemente de toda e qualquer conotação política que queiram dar ao evento. É um evento onde participam representantes, trabalhadores e trabalhadoras de todas as paróquias da Arquidiocese. Não podemos transformar o dia do trabalhador e da trabalhadora em mera manifestação política. Queremos que seja uma caminhada de fé e de oração, buscando na tradição das romarias a forma mais adequada para revitalizar o seguimento de Jesus e do seu evangelho. Queremos construir juntos uma Feliz Cidade, uma Santa Felicidade, edificada sob a defesa dos direitos humanos, principalmente no direito à vida e a vida com dignidade. Dom Anuar Battisti

Artigos
1 Comentário