Mês: junho 2008



UMA CULTURA QUE FAZ HISTÓRIA

UMA CULTURA QUE FAZ HISTÓRIA

Com profundo sentido de gratidão e reconhecimento, este ano celebramos juntos o Jubileu de Ouro da presença do povo e da cultura Nipo-brasileira em nossa cidade, de maneira especial na Igreja Católica de Maringá. Foram anos de luta e de fé, plantando esperança em cada passo, em cada dia, construindo um sonho cujas raízes estavam na pátria de origem. Sonhos que para muitos se tornaram realidade, para outros frustração e desencanto.
Neste cinqüentenário, certamente mais do que olhar os fracassos, queremos abrir a voz em gratidão a Deus, o Senhor do céu e da terra, que nos fez à sua imagem e semelhança para dominar e povoar a terra. Somos o que somos por graça de Deus. Em segundo lugar, nossa gratidão aos pioneiros da fé e da luta, do trabalho e da garra que os fez vencer e conservar a cultura sem opressão e descaso do ambiente encontrado. A presença dos missionários vindos do Japão, acompanhando desde o início, foi a grande força para animar e entusiasmar no caminho difícil e penoso dos primeiros tempos.
Uma das maiores belezas desta pátria grande, o pais da cor de brasa, Brasil, está em ser um país multi-cultural, proporcionando uma convivência harmoniosa entre as mais variadas etnias, raças e culturas. Esse é um verdadeiro testemunho para a humanidade, principalmente neste Continente Latino Americano, o Continente da Esperança e que o Papa Bento XVI desejou que se torne também o “Continente do Amor”. As diferenças se transformam em riqueza e os pontos comuns constituem trampolins para superar os obstáculos de uma convivência cada vez mais fraterna e igualitária.
Em nenhum momento da história a uniformidade cultural e religiosa deu certo. Antes, pelo contrário, causou guerra e divisões, mortes inocentes e vítimas de sistemas opressores. Os Bispos reunidos em Aparecida na V Conferência Latino Americana afirmam: “Existem comunidades de migrantes que trouxeram as culturas e tradições de suas terras de origem, sejam cristãs ou de outras religiões. Assumir a diversidade cultural, que é imperativo do momento, envolve superar os discursos que pretendem uniformizar a cultura, com enfoques baseados em modelos únicos”. (DA 59).
Ao mesmo tempo em que reconhecemos a diversidade cultural e sua riqueza, também constatamos que as novas gerações têm dificuldade em aceitar os costumes, regras, normas de convivência, orientações religiosas, vindas das origens, preferindo deixar-se levar pela cultura do descartável, do que manter uma tradição rica e milenar que fez e faz história. A fidelidade aos valores éticos e religiosos, faz com que as tradições se fortaleçam e a cultura seja sempre atual. A sociedade, hoje, precisa de valores permanentes para matar a sede de paz e de convivência social.
Por isso, nada mais justo e verdadeiro do que fazer deste Jubileu um resgate cada vez mais forte, dos valores culturais e religiosos, buscando nas raízes a fonte segura, que cria identidade e dá força para continuar o caminho. Meus Parabéns à comunidade Nipo-brasileira da Paróquia Pessoal São Francisco Xavier; vocês dão testemunho de que é possível manter a cultura sem perder a identidade e a convivência fraterna e harmoniosa com todos. Que a celebração, no próximo sábado, seja um hino de louvor e gratidão a Deus e uma súplica de bênçãos sobre toda a comunidade Nipo-brasileira em Maringá.

Dom Anuar Battisti

Artigos
Comente aqui


CUIDAR-SE PARA PODER CUIDAR

CUIDAR-SE PARA PODER CUIDAR!

Talvez sejam as primeiras palavras que escutamos, quando começamos a dar os primeiros passos: Cuidado, não coloque a mão! Cuidado, você vai cair! Cuidado! Cuidado! Quando adolescente, e o jovem começa a se tornar independente, os pais continuam a falar: Cuidado com as amizades! Cuidado, não volte tarde! Cuidado com o trânsito! Cuidado, não beba! Cuidado! Cuidado! E assim a vida se torna um contínuo preocupar-se em cuidar para não tropeçar naquilo que pode levar a um final infeliz. Ninguém quer ou deseja entrar no fracasso de uma decisão mal sucedida.
Penso que, nunca é tarde para recordar que é preciso cuidar-se. Toda a opção tem suas conseqüências tanto para o bem como para o mal. O Apóstolo Paulo recomenda “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho”(At 20,28). O Mestre Jesus em várias ocasiões recomenda: “Cuidado com o fermento dos fariseus, a hipocrisia!” Nunca é demais recomendar cuidado e pedir aos que amamos, que se cuidem. Nada e ninguém está isento de cair em qualquer armadilha. Muitos, no afã de acumular riquezas entram em negociatas e acabam, por falta dos devidos cuidados sendo corrompidos.
As coisas que nos rodeiam nos fascinam, porque são atraentes e provocam em nós a vontade incontrolável de possuí-las, pensando que elas irão satisfazer os nossos desejos e nos fazer feliz. E assim, não nos damos conta de que são passageiras. Quanto mais possuímos mais queremos possuir e numa espiral interminável acabamos embriagando-nos em um amontoado de coisas, provocando um profundo sentimento de frustração. O ser humano, já no Jardim do Édem, quis ser como Deus e acabou trazendo para a humanidade a marca perpétua do mal que enfrentamos, numa luta constante, a fim de dar vitória ao bem que também mora em nós.
Cuidado com a hipocrisia, cujos frutos são a falsidade, a corrupção e a mentira! Cuidado com a ganância, cujos frutos são o acúmulo, o poder que explora, mata e se não mata, escraviza! Cuidado com os desejos, cujos frutos são a busca desenfreada de bens desnecessários. Cuidado com a falsa modéstia, cujos frutos são a enganação e máscaras, escondendo a verdadeira face do ser humano. Cuidado! O que mais desagrada a Deus é precisamente a incoerência: zelosos na prática da oração e do louvor, mas indiferentes ou alheios à prática da justiça e do amor solidário. Certamente nunca seremos capazes de cuidar o suficiente. Porém, seremos o resultado das escolhas e opções que fazemos em cada momento.
Mesmo caindo na frustração e nos enganos que a vida nos reserva, nunca deixe de tomar o cuidado de recomeçar. Cuide para que as suas escolhas não o levem para baixo. Erga sempre os olhos para além dos seus limites e vai, para os grandes horizontes da vida. Somos feitos para as coisas do alto e não para as coisas da terra. Tudo passa, “tudo é vaidade das vaidades, só Deus permanece”. Coloque-se no lugar do outro e faça o que gostaria que fizessem a você. Tenha a certeza que as coisas tomarão novas cores. O ser humano será mais humano, na medida que souber cuidar de si e dos outros, da terra e do ar, da casa e da rua, do meu e do seu, do nosso e do particular, do que é bom e do que é mal. Nada mais importante do que fazer da vida um contínuo semear, sem saber quem vai colher. Acredite, você pode ser um grande semeador hoje, dos cuidados sobre si e sobre os outros.

Artigos
2 Comentários


NOTA CNBB – DECISÃO DO STF

Faço minhas, as palavras de Dom Geraldo Lyrio Rocha, Presidente da CNBB, a qual é um grito em favor da vida. O povo brasileiro mais esclarecido, não pode concordar com mais essa aberração do Supremo Tribunal Federal.

NOTA DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL SOBRE A DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lamenta a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgou a validade constitucional do artigo 5o e seus parágrafos da Lei de Biossegurança, n. 11.105/2005, que permite aos pesquisadores usarem, em pesquisas científicas e terapêuticas, os embriões criados a partir da fecundação in vitro e que estão congelados há mais de três anos em clínicas de fertilização.
A decisão do STF revelou uma grande divergência sobre a questão em julgamento, o que mostra que há ministros do Supremo que, nesse caso, têm posições éticas semelhantes à da CNBB. Portanto, não se trata de uma questão religiosa, mas de promoção e defesa da vida humana, desde a fecundação, em qualquer circunstância em que esta se encontra.
Reconhecer que o embrião é um ser humano desde o início do seu ciclo vital significa também constatar a sua extrema vulnerabilidade que exige o empenho nos confrontos de quem é fraco, uma atenção que deve ser garantida pela conduta ética dos cientistas e dos médicos, e de uma oportuna legislação nacional e internacional.
Sendo uma vida humana, segundo asseguram a embriologia e a biologia, o embrião humano tem direito à proteção do Estado. A circunstância de estar in vitro ou no útero materno não diminui e nem aumenta esse direito. É lamentável que o STF não tenha confirmado esse direito cristalino, permitindo que vidas humanas em estado embrionário sejam ceifadas.
No mundo inteiro, não há até hoje nenhum protocolo médico que autorize pesquisas científicas com células-tronco obtidas de embriões humanos em pessoas, por causa do alto risco de rejeição e de geração de teratomas.
Ao contrário do que tem sido veiculado e aceito pela opinião pública, as células-tronco embrionárias não são o remédio para a cura de todos os males. A alternativa mais viável para essas pesquisas científicas é a utilização de células-tronco adultas, retiradas do próprio paciente, que já beneficiam mais de 20 mil pessoas com diversos tipos de tratamento de doenças degenerativas.
Reafirmamos que o simples fato de estar na presença de um ser humano exige o pleno respeito à sua integridade e dignidade: todo comportamento que possa constituir uma ameaça ou uma ofensa aos direitos fundamentais da pessoa humana, primeiro de todos o direito à vida, é considerado gravemente imoral.
A CNBB continuará seu trabalho em favor da vida, desde a concepção até o seu declínio natural.
Brasília, 29 de maio de 2008.
Dom Geraldo Lyrio Rocha Dom Luiz Soares Vieira Dom Dimas Lara Barbosa
Arcebispo de Mariana Arcebispo de Manaus Bispo auxiliar RJ
Presidente da CNBB Vice-Pres CNBB Secret.-Geral da CNBB

Artigos
Comente aqui