Mês: julho 2008



O MÊS DAS GRANDES RECORDAÇÕES

O MÊS DE GRANDES RECORDAÇÕES

Estamos por iniciar um novo mês. O mês de agosto está marcado pela recordação de várias vocações fundamentais para a sociedade e para a Igreja. Começamos lembrando a presença dos ministros ordenados, os presbíteros, chamados e escolhidos para servir o povo de Deus a tempo e fora de tempo. Presbíteros na Bíblia são os homens escolhidos pela vida exemplar, provação na fé e testemunhas de homens tementes a Deus. O primeiro domingo, dedicamos a recordar e orar pelos presbíteros, diáconos, que estão à frente das comunidades paroquiais, anunciando a Palavra, congregando os fiéis na mesma assembléia litúrgica, animando os irmãos no seguimento de Jesus.
No segundo domingo recordamos a família na figura do pai. Com isso abrimos a semana da família que, cada ano, desperta todas as comunidades para uma reflexão sobre esta indispensável instituição. O presente e o futuro está no coração de nossas famílias. Por isso celebrando o dia dos Pais, queremos chamar a atenção para a missão fundamental do pai na família, principalmente a capacidade de convocação, mostrando e motivando os filhos e toda a família para criar laços de amizade e doação no amor sem medida. O texto “A Hora da família” elaborado pela Comissão da família e Vida da CNBB nos leva a olhar e defender, com um renovado ardor missionário essa célula ameaçada por tantas agressões abusivas, colocando em risco permanente a estabilidade social, a segurança, a paz que deve brotar das nossas famílias.
Na terceira semana trazemos à memória de todos os maringaenses, a presença da Mãe de Deus e de nossa Mãe, a Senhora da Glória, padroeira da Arquidiocese e da cidade de Maringá. Desejamos fazer do dia 15 de agosto não só um feriado, mas um dia de homenagem e reconhecimento àquela que trouxe Jesus ao mundo fazendo acontecer a redenção de todo o gênero humano. Assim chamamos de Nossa Senhora, por que temos um Nosso Senhor, um duplo senhorio a fim de nos fazer herdeiros de uma vida que não tem fim. Certamente o que vale ao celebrar a Mãe é recordar as suas palavras nas bodas de Caná: “Façam tudo o que Ele vos disser”. Esse é o testamento que fica gravado no coração de cada um de nós. Por isso o dia da padroeira será um dia de oração, descanso e homenagem dos filhos que sabem agradecer, reconhecidos pelo amor maternal de Maria.
No terceiro domingo trazemos à memória a vida de todos os consagrados e consagradas que servem nos mais variados carismas e ministérios. São homens e mulheres que deixaram tudo para atender as mais variadas necessidades do povo em determinada situação da história. Assim temos hoje os Maristas, o Regina Mundi, o Santa Cruz, o Santo Inácio, O Albergue, a Obra Social João XXIII, o Carlos Demia, a Creche Menino Jesus, o Centro de Educação Infantil Madre Bernardete, O Lar Escola, instituições dirigidas por religiosos e religiosas que atraídas por um amor maior doam-se para a educação e promoção da vida de jovens e crianças.
Concluímos o mês, lembrando de todos os batizados, leigos e leigas, comprometidos na evangelização. O protagonismo de todos os batizados está no “ser missionário”. Não se faz missão com a Bíblia na mão e sim no coração. Irradiar vida, promover a paz, estabelecer vínculos de amizade, isto é ser missionário. Não será um mês de homenagens e sim de compromisso na missão de evangelizar.

Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

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FÉ E POLITICA

FÉ E POLÍTICA

Estamos vivendo um tempo em que as atenções se voltam para a campanha eleitoral, na busca de votos para prefeito e vereadores dos municípios de todo o Brasil. É uma verdadeira corrida na busca dos eleitores cujo poder de decisão está submetido a uma série de fatores que vão desde amizade até a real confiança na capacidade de legislar e governar. O mundo da política, para muitos, encanta; para outros, preocupa; para outros ainda, tanto faz…

A noção de “política” ou de “participar da política” nem sempre está muito clara na cabeça das pessoas. A política é tudo aquilo que interessa a todos nós, é o cuidado das coisas públicas. As pessoas que lutam pelos seus direitos e cumprem os seus deveres na cidade onde moram, que participam de associações de bairro, sindicatos e outras modalidades estão fazendo política. Política, portanto, não tem a ver somente com eleições, mandatos parlamentares, partidos políticos ou governo. Tudo o que fazemos tem uma conotação política.

Penso que para todos nós, eleitores, este período de campanha política é de fundamental importância, pois nos obriga a conhecer os candidatos, os programas de governo, os programas dos partidos, a história de cada um, a fim de exercer o direito de escolha, pelo voto, da forma mais consciente possível. Votar por votar, deixar de votar ou anular o voto é a atitude de quem não tem amor à própria casa. Afinal como vou dar o direito de governar, de quatro em quatro anos, para alguém que eu desconheço? Por isso queremos exercer a nossa cidadania de forma correta e plenamente livre. Em nenhum momento e por nenhuma oferta devo vender ou comprar o voto. A sua vida e a vida dos concidadãos não tem preço. As conseqüências virão sem sombra de dúvidas. Quatro anos não serão quatro cestas básicas ou quatro contas de luz e água pagas agora.

Muito mais que o voto, sua escolha representa o destino que pretende dar ao município. Neste sentido a CNBB, OAB, Ministério Público, e mais de 20 entidades participam do Movimento de Combate à Corrupção eleitoral (MCCE). Aqui em nossa cidade vamos lançar oficialmente o Comitê 9840, no próximo dia 28 às 10hrs na sala do Centro Pastoral da Catedral. O tempo da politicagem, do abuso do poder político e econômico, promovendo politiqueiros cujo trabalho é a auto promoção já não podem existir mais. Transparência, compromisso, justiça social, ética, igualdade e dignidade para todos deve ser a bandeira principal de todo homem e mulher que se coloca a serviço do bem comum.

O mundo da política nos envolve a todos, e nos faz participantes efetivos de um processo, que não termina no dia cinco de outubro. Por isso nossa permanente vigilância em todos os atos do Governo Municipal, da Câmara dos Vereadores, pois a democracia exige atitudes concretas, participação ativa antes, durante e depois do pleito eleitoral. O Apóstolo Tiago escreve: “A fé sem obras é morta”(Tg 2,26). Fé e Política são distintas, porém se complementam na prática da vida. A fé não se justifica sem obras. A vivência da fé é necessária e tem como conseqüência a ação prática da política. Fazer política é uma das formas mais nobres de amar o próximo.

Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

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A ECOLOGIA HUMANA

A ECOLOGIA HUMANA

Nunca sentimos tanta necessidade de cuidar da natureza como nestes últimos anos. Nunca se fez tanta campanha, como agora, para despertar a consciência no uso racional da água; a seleção do lixo reciclável; o cuidado com a poluição do ar e das nascentes; a preocupação crescente com relação ao aquecimento global, cujas conseqüências já sentidas de maneira tão forte e incidente. Tudo isso faz com que nos sintamos co-responsáveis no assumir com seriedade e perseverança as medidas que nos são propostas. A solução não está na cúpula e sim na base, onde todos vivemos.
Dada à urgência de medidas severas e rígidas em nome da defesa ecológica e do amor à natureza, usa-se de certos radicalismos que às vezes chega a ser ridículo. Certamente é uma questão que nos toca a todos, usando de toda criatividade, responsabilidade e equilíbrio. Medidas drásticas como até queimadas de capim em banhados, ou a derrubada de arbustos em praças ou jardins privados, ou a destruição de ovos de tartaruga podem ir de uma pesada multa ou à reclusão. Tudo feito por amor à natureza!
Ao mesmo tempo em que se defende tão drasticamente a natureza, se esquece de que a vida humana no ventre materno está sendo ameaçada pela descriminalização do aborto, pela recente aprovação da morte de embriões humanos em nome do progresso científico. Tudo como se o ser humano fosse um simples conjunto de células sem vida. A morte do ser humano está decretada antes de nascer. Aquele homem e aquela mulher feitos à imagem e semelhança do criador não têm valor, são apenas objetos a serviço da ciência, a qual diz não precisar de Deus.
A incoerência de uma luta justa pela ecologia da natureza, coloca-se à margem a defesa da ecologia humana. Isto mostra uma concepção deturpada da vida e da pessoa, percorrendo caminhos totalmente alheios ao plano de Deus sobre a humanidade. Não existe maior contradição na inteligência do homem e da mulher do que defender a natureza e aprovar a morte do próprio ser humano no ventre materno ou nos laboratórios. Essa é uma das mais graves características do homem moderno, ou pós-moderno. No evangelho, Jesus chama de hipócritas os Fariseus por que “filtram o mosquito, e deixam passar os elefantes”.
A vida humana em primeiro lugar. “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10), a vida e a dignidade em primeiro lugar para todos. Teremos um mundo de paz e de glórias se deixarmos de lado atitudes ridículas e assumirmos a defesa da vida sem agradar os interesses internacionais de grupos econômicos cuja finalidade é o lucro sem critérios éticos e morais. Amar e defender a vida significa apostar na dignidade do ser humano. Veremos uma real defesa da ecologia da natureza, quando o ponto número um da pauta, dos homens e mulheres eleitos para dirigir o país, for ocupada pela ecologia humana em todos os sentidos.Veremos um efetivo trabalho, na defesa da natureza, quando todos nós valorizarmos o dom da vida como presente de Deus, que deve ser cuidado custe o que custar. Presente é coisa que fica no coração para sempre.

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CANTANDO A SOLIDARIEDADE

CANTANDO A SOLIDARIEDADE

Na somatória de esforços é que se consegue realizar grandes coisas. Por mais que se queira ninguém faz nada sozinho. A vida reserva certas surpresas quando, diante de grandes desafios, sabemos buscar soluções juntos. A surpresa vem, quando a solução chega. Assim, acreditamos que a providência divina não nos abandona. É neste rumo que estamos acreditando na solidariedade de todos.
Desde que aqui cheguei, percebi um povo aberto e altamente solidário. As causas justas levam sempre a um comprometimento sem medo e com entusiasmo, pois vale a pena investir naquilo que vem para promover a dignidade do jovem, do adulto, da família, das lideranças de nossas comunidades. Assim como existe um seminário para formar os futuros presbíteros, para a evangelização na Igreja, existe tambem o seminário para formar leigos e leigas despertando para o protagonismo real e comprometedor. O seminário dos leigos tem o nome de “Centro de Encontros” que está ao lado do Seminário de Filosofia. Este Centro de Encontros construído há mais de trinta e cinco anos, precisava de uma reforma geral. Foi assim que, em 2006, começamos o trabalho e nos surpreendemos desde a primeira martelada. Aos poucos nos demos conta de que não se tratava de uma reforma, mas de uma reconstrução. Depois de quase dois anos estamos na fase final da primeira parte onde se encontram os quartos, a sala de conferência, a capela e a recepção. Uma obra que compreende também uma sala de refeições, cozinha e alojamentos. Tudo na simplicidade e no conforto para que as pessoas se sintam bem, como se estivessem na própria casa.
Ao lado temos um auditório para oitocentas pessoas, que também deve passar por uma reforma ampla, adaptada às exigências e recursos modernos. Compreende também uma área de estacionamento para mil veículos. Na mesma área se encontra uma Capela grande que serve ao Seminário, mas que está à disposição para a celebração de matrimônios nos fins de semana. Quando vou ao Seminário tenho a impressão de estar em área rural, porque tudo é verde, silencioso e enriquecido por uma área de mata nativa espetacular. Tudo isso é para a comunidade e para a formação de líderes e cidadãos. No proximo sábado, contamos com você no Parque de Exposições para o grande show “Cantando a Solidariedade”, com a participação do Pe. Zezinho, Pe. Antonio Maria e a cantora Adriana. Este evento está destinado para a reconstrução do Seminário dos Leigos. Pela primeira vez, três grandes cantores numa mesma noite. Isto porque não queremos só o dinheiro, e sim a evangelização e o fortalecimento de nossas famílias. Será uma noite de evangelização através da música de quem canta e faz cantar, de quem comunica a fé e o gosto de viver, de quem ama a vida e faz amar, sem olhar a quem.
Obrigado Senhor pela solidariedade de nosso querido povo. Obrigado às empresas parceiras que sempre nos apóiam. Obrigado aos Meios de Comunicação Social, rádios, TVs locais que acreditam num mundo melhor. Obrigado a você que sabe ser solidário a todo e qualquer momento da vida.
“A solidariedade é o novo nome da paz”, afirmava João Paulo II. Por isso vamos cantar, e encantar a solidariedade no próximo sábado dia 12, a partir das 19h30. Deus abençoe a todos!

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ACREDITAR SEM VER

ACREDITAR SEM VER

Vivemos em um mundo onde se faz necessário acreditar, cada vez mais, naquilo que fazemos, naquilo que somos e no porquê vivemos. Assim, é uma exigência natural de cada ser humano, viver da fé. Ninguém consegue viver sem ter um relacionamento humano, natural com outras pessoas, pois não somos ilhas. Ao mesmo tempo não conseguimos viver sem um relacionamento, por menor que seja, com o sobrenatural, que chamamos de Deus, de Ser Superior, de Arquiteto do Universo, de Pai Criador, enfim, o nome de Deus revela a nossa relação e o nosso jeito de ser aqui na terra.
O exemplo do incrédulo Tomé, cuja festa celebramos hoje, ilustra bem essa relação, que independe de uma experiência visível aos olhos humanos. As palavras de Jesus, ao encontrá-lo, é sem dúvida um chamado e uma exigência: “Não sejas incrédulo, toque aqui e veja” (Jo 20 27). O drama vivido por Tomé, em ver para crer, pode ser o drama de muitos, que hoje diante da vida tão materializada, acabam desejando materializar a própria fé. Se não vejo, se não toco, se não sinto, se não … não acreditarei. Com certeza a vida ensina e a fé se torna uma exigência natural para que nossas obras humanas tomem um sentido que vai além da realidade que vivemos.
Nada melhor do que ouvir do Mestre, as palavras dirigidas à comunidade reunida naquela noite da segunda aparição de Jesus aos apóstolos: “Bem aventurados os que crêem sem terem visto”(Jo 20,29). Penso que esta bem-aventurança deveria ser repetida em todos os momentos em que agimos com fé e pela fé. A vitória da nossa fé é a salvação. Por isso, esse elogio de Jesus a todos os que crêem sem ver, faz antecipar a certeza de uma recompensa ainda maior. Não fomos feitos para as coisas da terra, mas para as coisas do céu.
A existência humana é feita de permanentes saltos no escuro. Quantas vezes, as decisões tiveram que ser tomadas sem nenhuma segurança, a não ser aquela de dizer: Se Deus quiser! Queira Deus que isso aconteça! Vou fazer a minha parte bem feita e depois Deus sabe o que faz! Assim é a atitude de quem acredita, assim agem os prudentes e sábios, assim serão chamados de felizes porque souberam fazer tudo como se só eles existissem e ao mesmo tempo como se só existisse Deus. Por isso, fica muito difícil acreditar que existe gente que não tenha um mínimo de fé em si mesmo, nos outros e em Deus.
Hoje, as estatísticas mostram que o número dos indiferentes, cresce de forma acentuada. Isso revela uma profunda insatisfação humana, cuja origem está na falta de uma experiência de fé e na independência, misturada com auto-suficiência, onde o centro do mundo, da vida, e das decisões é o próprio ser humano. O Cardeal Newman, anglicano convertido ao Catolicismo afirmava: “O indiferente é aquele que não quer compreender e nem quer que lhe ajudem a compreender”. Assim se formam os donos da verdade, os donos do poder, capazes de determinar-se e determinar os outros. O perigo mora ao lado, porque ninguém sabe qual será a atitude no momento seguinte, de alguém que se confessa indiferente.
No momento atual precisamos acreditar cada vez mais em nós e nos outros, para poder acreditar cada vez mais no Pai Deus, que nos deu a capacidade de crer. A fé é presente e se não a temos é porque em algum momento esquecemos de colocá-la na bagagem. Não sejas incrédulo, mas fiel; assim tenho certeza que tudo será diferente.

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