Mês: agosto 2008



EU SOU LEIGO NESTE ASSUNTO

EU SOU LEIGO NESTE ASSUNTO”

Quem sabe você já ouviu esta expressão, usada várias vezes para dizer que não se entende daquele assunto ou não sabe interpretar aquele tema proposto. Leigo, no vocabulário cotidiano, traz a conotação de ignorante, por fora da conversa. Talvez você também ainda pense assim. Dentro da linguagem de nossas comunidades eclesiais, entendemos exatamente o contrário. Leigo ou os fiéis leigos, são cristãos que pelo batismo fazem parte do Povo de Deus e participam da mesma missão de Cristo que é o serviço, o anúncio da boa nova do evangelho e a autoridade de governo para o bem comum.

Por isso, neste fim de semana, recordamos na Igreja, a missão de todos os batizados que, comprometidos com Cristo, querem assumir cada vez mais a transformação da realidade que vivemos, pela força da palavra e do testemunho. Batizados e batizadas que vivem a sua filiação divina, levando no coração a força evangelizadora para mudar o mundo em que vivemos. Então “os leigos são homens e mulheres da Igreja vivendo no coração do mundo, e homens e mulheres do mundo vivendo no coração da Igreja”. É neste caminho de mão dupla que entendemos a força e o protagonismo dos cristãos hoje. Como membros fiéis aos ensinamentos do Evangelho e da Igreja levam para dentro de todas as estruturas um estilo novo de vida.

Como diz o Documento de Aparecida: “Sua missão própria e específica se realiza no mundo, de tal modo que, com seu testemunho e sua atividade, contribua para a transformação das realidades e para a criação de estruturas justas segundo os critérios do Evangelho. O espaço próprio de sua atividade evangelizadora é o mundo vasto e complexo da política, da realidade social e da economia, como também da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos meios de comunicação social, e outras realidades abertas à evangelização. Como o amor, a família, a educação das crianças e adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento”(DA 210).

Recordo a missão e o protagonismo, mas recordo com gratidão todos os leigos e leigas da Igreja que vivem os mais variados ministérios dando o próprio testemunho dentro e fora da Igreja. Como é gratificante ver cristãos comprometidos com uma política séria, justa, buscando o bem comum de todos. Como é gratificante observar inúmeros leigos e leigas no mundo da educação vivendo na fé a missão de educar para a vida. Como é gratificante ver empresários fazendo de suas empresas não só lugares de trabalho, mas promotores da vida com dignidade. Como é gratificante ver leigos e leigas comprometidos nas obras sociais dando a vida diuturnamente para recuperar a cidadania e a dignidade humana de jovens, crianças e adultos. Como é gratificante ver leigos e leigas nos mais variados ministérios para anunciar com a vida e a palavra que um mundo diferente é possível. Essa é a missão urgente e necessária dos cristãos leigos e leigas.

Envio a minha saudação amiga a todos vocês, cristãos comprometidos na transformação das estruturas injustas, na busca de maior dignidade para todos, no compromisso de levar a vida do evangelho no coração do mundo, no esforço permanente de educar na fé todos os sedentos do pão da verdade. A todos os leigos e leigas principalmente os mais de três mil catequistas que dedicadamente doam tempo e experiência na transmissão dos valores evangélicos e cristãos, suplico a benção de Deus, para vossa perseverança e fidelidade a Jesus, caminho, verdade e vida, até o fim.

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ECUMENISMO E POLÍTICA

ECUMENISMO E POLITICA

Ao se falar de Ecumenismo, se pensa logo em religiões que buscam caminhar juntas, deixando de lado as diferenças, buscando o que as une. Unidade é a palavra chave da caminhada ecumênica. Aqui em Maringá, o Movimento Ecumênico completa amanhã, 11 anos de organização. Certamente essa data não ficará no esquecimento, pois já foi marcada uma celebração na Igreja de Confissão Luterana no Brasil e uma jantar de confraternização. Que bom contar com gente de cabeça aberta e de visão futura, encarnando aqui o desejo de Jesus, que orando ao Pai, suplica: “que todos sejam um com nós somos um” (Jo17,21). Nesta caminhada, ainda pequena, participam as seguintes comunidades: Igreja de Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Metodista Central, Igreja Evangélica Luterana, Comunidade São Marcos, Membros da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana.
Neste contexto, é importante lembrar que a caminhada de unidade se faz com gente que pensa diferente, que tem uma maneira diferente de orar e crer, com uma organização diferenciada. Porém, descobriram no caminho muita coisa em comum e que podem unir esforços para ações conjuntas de fraternidade e solidariedade. Nestes anos, têm acontecido várias atividades, destacando de maneira especial a semana de oração pela unidade dos cristãos, e a reflexão conjunta sobre temas da atualidade. Neste caminho queremos estreitar laços e formar uma mentalidade onde o diferente deve ser amado e respeitado como sendo o próprio. Amar a religião do outro como amamos a nossa própria religião. Já passou o tempo de pregações agressivas e proselitistas que marcaram época no passado, mas que hoje não encontram espaço entre as pessoas mais esclarecidas.
Penso que neste tempo de pleito eleitoral, todas as religiões estão participando na conscientização dos leitores, a fim de depositar o voto em pessoas que tenham condições de construir o bem comum de todos, independentemente de religião, raça, cor ou condição social. É inconcebível e contradizem os princípios democráticos, qualquer campanha sobre candidatos enfatizando ser desta ou daquela religião. É desagregador da unidade e do bem de todos, uma religião apresentar um único candidato para que todos votem nele. Isso compromete a liberdade e a consciência da livre escolha do eleitor. Vale sempre e em todos os ambientes da convivência social o respeito pela diversidade e a pluralidade de pensamentos. Porque todos devem pensar e ver a realidade do mesmo ponto de vista?
O Conselho Mundial de Igrejas na Fórmula da Unidade de 1961 afirma: “Por isso é necessário conhecer com alegria e estimular os valores genuinamente cristãos, derivantes de um patrimônio comum, que se encontram entre irmãos de outras confissões, a fim de que todos possam agir no que diz respeito às tarefas para as quais Deus chama o seu povo”. Nosso Deus, o Deus da Bíblia tem como característica fundamental a comunhão entre as três pessoas da Santíssima Trindade. O povo que é Dele não pode viver a não ser na mesma comunhão. Portanto, o ecumenismo se caracteriza pela busca de entendimento, na aceitação do diferente, no respeito pela desigualdade. O ecumenismo também deve existir na prática da política partidária, de maneira especial no pleito eleitoral que estamos vivendo.

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O CORPO DE MARIA E O NOSSO CORPO

O corpo de Maria e o nosso corpo

Amanhã, dia 15, celebraremos a festa da padroeira da Arquidiocese de Maringá. A mãe do Caminho, da Verdade e da Vida; a Mãe elevada ao céu em corpo e alma. A festa da Assunção de Nossa Senhora, que o Papa Pio XII em 1950 proclamou como verdade de fé. Gloriosa e exultante Mãe de Deus, nos chama como discípulos amados de seu Filho, a participar do mesmo privilégio, dizendo: “Façam tudo o que Ele vos disser” !
Este é o único pedido da Mãe nos anos de vida pública, acompanhando Jesus.
A Mãe glorificada com seu corpo é sinal, é testemunho de que nós também exultaremos na glória do Pai, pois somos feitos para a ressurreição e para a vida.
“A glória de Deus é o homem vivo”, disse Santo Inácio. A pessoa humana foi feita para a vida. Por isto o nosso corpo precisa viver bem; todo cuidado é pouco e todo exagero é uma agressão ao precioso dom de Deus, que é a vida. Nada de belo, nada de grande se faz na terra, sem ser pelo sacrifício. Sacrifício é sinal de grandeza e beleza.
Neste tempo de Olimpíadas , vemos sacrifícios para em segundos, ganhar uma medalha. Sofrer por uma realização maior. Sofrer para viver melhor em todos os sentidos, às vezes chega à loucura, na tentativa de realizar o impossível. Neste contexto da festa do corpo glorificado de Maria, vale perguntar: O que estamos fazendo com o nosso corpo? Como cuidamos? Fomos feitos à imagem e semelhança de Deus, escolhidos para viver em plenitude o dom da vida, com as melhores possibilidades.
É bonito ver gente fazendo caminhadas, freqüentando academias, fazendo regimes, sem exageros, para viver com maior dignidade.
Entristece-nos porém, quando vemos gente de todas as idades, principalmente jovens, agredindo o corpo com exageros na comida, na bebida, nas drogas, na ociosidade. Quantas vidas perdidas no vício, na vida dos prazeres puramente humanos.
Devemos amar nosso corpo e o do outro, pois fomos criados para amar e sermos amados. “Deus se fez carne e habitou entre nós”. Nós não devemos dizer que amamos a Deus, que não vemos, se não formos capazes de amar os irmãos que vemos. O caminho da glória é o caminho do amor. Fazemos festa, deixamos de trabalhar, para manifestar o nosso amor ao corpo glorificado de Maria e para refazer em nós o amor ao nosso corpo e ao corpo do próximo. O culto que prestamos à Mãe da Glória é puro amor dos seus filhos, àquela que de maneira extraordinariamente simples e corajosa, soube ser Mãe e mulher, discípula radical de seu Filho. Tudo seria muito diferente, se cada um de nós, assumisse a radicalidade do seguimento a Jesus.
Tudo seria muito diferente se soubéssemos amar o nosso corpo como Deus nos ama.

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SOU "PAI BANANA",PRESENTE OU AUSENTE

SOU “PAI BANANA”, PRESENTE OU AUSENTE

Essa expressão eu ouvi de um pai de família, que tem um alto grau de instrução e formação. Com sua esposa e seus dois filhos vive bem, e com certa harmonia em casa, porém o sentimento que invade o seu coração é de um pai que perdeu a autoridade diante dos filhos adolescentes. O sentir-se “banana” revela que a última palavra não é dele, pai e esposo, e sim, dos filhos. O falar, o orientar, o admoestar, o pedir, não passam de palavras sem sentido para o interlocutor, que neste momento são os próprios filhos. Entendi que a figura do pai, naquela família era mais um provedor das necessidades físicas do que um amigo, um companheiro, uma autoridade a indicar caminhos novos.
Quem sabe esse seja o sentimento de muitos outros, que no relacionamento familiar, perderam o lugar de referência; passaram a ser apenas uma figura que tanto faz estar presente ou ausente. Na missão de ser pai, em nenhum momento e por nenhuma circunstância, o pai pode deixar cair a sua autoridade característica de quem escolheu uma esposa para juntos formarem um lar. Longe pensar em autoritarismo, dominação, mesmo que às vezes seja necessário determinados posicionamentos bem definidos. Os limites fazem crescer desde o berço; não é atendendo todas as necessidades e desejos que se faz valer o amor e o carinho. As podas doem e a dor educa. Quem nunca sofreu, nunca vai aprender e aceitar as perdas, será sempre um ganhador e os pais sempre perdedores.
Penso que esta é a hora do pai não delegar a sua missão para a escola, os cursinhos particulares, as atividades extras, tratando de ocupar o tempo dos filhos com outras alternativas, imaginando que eles não tendo tempo livre, está tudo resolvido. Muito menos dar aos filhos desde a tenra idade todo o “bem estar” que a vida moderna oferece, como solução para uma verdadeira educação. É um absurdo saber que dentro de casa, o pai precisa bater na porta do quarto do filho para poder entrar. Naquele pequeno cubículo tem tudo, desde internet, TV, som, jogos modernos, só falta os pais. No jogo da vida, se não entrar em campo a figura e missão do pai, o placar será sempre a favor dos filhos e quem sabe, às vezes, da mãe.
Celebrando o dia dos pais, e a semana da família, quero dizer a todos os pais, que em nenhum momento da história se sentiu tão forte a necessidade da presença paterna no relacionamento familiar como agora. É insubstituível, em todos os momentos, a autoridade do homem, a fim de imprimir junto com a mãe um estilo de vida. Um relacionamento que faz vibrar os sentimentos, o afeto, o carinho, a vontade de estar juntos, o construir cada passo no entendimento e na valorização recíproca. O caminho é longo, mas vocês não estão sozinhos, a missão é sempre a três. “Onde dois ou mais estarão reunidos ali estarei eu com eles” (cf. MT,18,20).
Que a semana da família seja um recomeçar juntos, que pais e filhos sejam amados e capazes de amar. “Que nenhuma família termine por falta de amor”(Pe. Zezinho) “Tudo posso naquele que me fortalece”(cf.Fl 2). Tudo ou nada, as meias- medidas se tornam insuficientes e sem gosto. O radicalismo faz parte do seguimento de Jesus. Quem sabe, você pai, neste dia revisando a sua vida, se dê conta que não é um pai “banana”, que não é um pai autoritário, mas que precisa assumir a missão de educar amando,comendo no mesmo prato, caminhando juntos mesmo não tendo tempo. Pai presente nunca será um pai “banana”.

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