Mês: outubro 2008



E ELE CHOROU

E ELE CHOROU

Com os sentimentos não se brinca. Sentir algo por alguém ou por alguma coisa é o que de mais genuíno temos em nós. Saber respeitar o sentimento do outro é dar o valor que ele merece. Os sentimentos fazem parte integrante da vida humana. Em nenhum momento, temos o direito de reprimir ou negar os sentimentos e sim saber o que fazer com eles. Na vida tudo é marcado por algum sentimento, que vai desde a satisfação até a indignação. Somos completos quando soubermos aceitar e direcionar o nosso sentir sem criar drama ou desespero.
Na vida de Jesus um fato marcante e profundamente humano, que não diminuiu a grandeza do Homem Deus, e sim o elevou à mais alta dignidade, foi o fato de saber da morte de seu amigo Lázaro e ver Maria Madalena como amiga, triste e preocupada, chorando a partida do irmão. Ela não esconde a tristeza da separação e Jesus não nega a sua sincera amizade e chora por alguém que ele ama. Chorar por alguém é manifestar o mais nobre sentimento de carinho e apreço. Ninguém chora por qualquer coisa.
A vida é marcada por momentos que movem em nós todo tipo de reação; que se manifesta em nós em sentimentos que quando externados, fazem um bem enorme, e quando guardados provocam danos sem medida. Saber sentir, acolher os nossos sentimentos e encaminhá-los para o destino certo, produz equilíbrio humano e espiritual. Dar valor aos sentimentos é sinal de maturidade física e psicológica. Não é proibido sentir, é proibido deixar-se levar por eles como uma enxurrada incontrolável, que só provoca danos e às vezes danos irrecuperáveis.
Ao aproximar o dia de finados, quando prestaremos a nossa homenagem aos que partiram, certamente o sentimento mais forte é a saudade. Que coisa inexplicável essa tal de saudade. Ao mesmo tempo, ela é externada pela visita ao cemitério, recordando os momentos bonitos da vida, levando flores, elevando preces, orando e confiando na vida que não morre. O nosso destino é a eternidade, onde a ressurreição é o troféu que vamos receber por ter vivido de acordo com os princípios do evangelho. Como ele ressuscitou, nós também ressuscitaremos com ele para a vida eterna.
O sentir-se filho amado e com capacidade de amar, cuja herança é uma eternidade feliz, descarta qualquer doutrina sobre a reencarnação, não seremos espíritos vagantes, buscando alguém para repousar. A nossa morada é a Casa do Pai. Jesus afirma: “Eu vou para o meu Pai e vosso Pai. Vou preparar um lugar para que onde eu estiver, vós também estejais comigo”.(Jo 14, 2-3) O lugar já está preparado; depende de nós. Por isso, a vida é feita de tantos altos e baixos, de quedas e de soerguimento, nada pode manter-nos no chão da vida. Sempre estaremos dispostos a levantar e recomeçar o caminho. “O navio no estaleiro está seguro. Mas não foi feito para isto”(William Shed).
Como pessoas humanas, pessoas com coração movido por todo tipo de sentimentos, queremos fazer destes, um trampolim para conquistar uma melhor qualidade de vida. Por isso sentir-se humano, e não super homem, ou super mulher, é condição para uma existência equilibrada entre o que somos e o que gostaríamos de ser. Topar com meus sentimentos e não se assustar com eles nem deixar-se levar por eles, faz com os integremos de forma simples e tranqüila. Ele chorou, porque eu não?

Dom Anuar Battisti

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FAMINTOS NUM MUNDO QUE DESPERDIÇA COMIDA

Famintos num mundo que desperdiça comida

O noticiário Zenit do dia 16 de outubro divulgou dados fornecidos pela Cáritas Espanha por ocasião do dia Mundial da alimentação, a qual lançou a Campanha «Direito à alimentação. Urgente» denuncia que 923 milhões de pessoas passam fome e desnutrição em todo o mundo.São 75 milhões a mais que no ano passado, apesar de que o mundo é mais rico que nunca e que as colheitas de 2007 bateram recordes, segundo denuncia a Cáritas Espanha. O número de pessoas famintas passou, no último ano, de 854 milhões a 923 milhões, explica o informe. Por trás deste aumento está a subida do preço dos alimentos, que foi, em média, de 52% entre 2007 e 2008. Alguns produtos básicos como o arroz sofreram um aumento de mais de 200%.
A causa do aumento de preços, não está na redução das colheitas, pois em 2007 bateram recordes, a causa deve ser buscada nas políticas agrárias das últimas décadas, centradas na rentabilidade comercial dos alimentos, ao invés de garantir o direito à alimentação, e na especulação financeira em mercados de futuro e fundos de investimento com os produtos alimentícios, afirma a Cáritas. Graças às receitas das instituições financeiras como o Banco Mundial ou o Fundo Monetário Internacional, nos anos 80 a agricultura deixou de ser uma prioridade para a maioria dos países em desenvolvimento, que abandonaram os cultivos orientados à alimentação da população visando a produção destinada à exportação, explica a instituição de caridade católica.
Nos últimos anos, a instabilidade financeira das Bolsas internacionais dirigiu os investimentos de novo para as matérias-primas, que se converteram em valores seguros com os quais especular. Para protegê-los, foram colocadas em andamento medidas como a restrição das exportações, e o produto circulante se reduziu cada vez mais, diante da mesma demanda e, portanto, os preços aumentaram, explica a Cáritas.
«Quando três de cada quatro pessoas que passam fome, 75% dos famintos, são trabalhadores do mundo rural, ou seja, produtores de alimentos, e geram alimentos para o dobro de habitantes que atualmente há no planeta, evidencia-se que a violação do direito à alimentação é um problema de acesso aos produtos e recursos suficientes e adequados para satisfazer as necessidades alimentares de todos os habitantes do planeta.»
A Campanha «Direito à alimentação. Urgente», apoiada pela Cáritas, faz estas recomendações: Países com crescimento econômico sustentável não conseguiram melhorar seus dados de desnutrição porque lutar contra a pobreza não implica necessariamente lutar contra a fome. Enfrentar a violação do direito humano fundamental à alimentação requer medidas específicas, que devem ser tomadas no âmbito jurídico e político dos direitos humanos.
A crise alimentar deve ser vista como uma oportunidade para examinar a situação alimentar mundial, fazer um diagnóstico em um contexto de mudança climática e crescimento demográfico importante e, a partir daí, estabelecer um «mapa» desde a soberania alimentar, que inclua as dimensões social, política, ambiental e nutricional da alimentação. Ainda que a FAO identifique a bioenergia e a mudança climática como os principais desafios que a segurança alimentar mundial enfrenta, o desafio está em decidir o que, para que, para quem e como se quer produzir. O resto são circunstâncias a enfrentar, como foram outras no passado. www.derechoalimentacion.org
(Fonte WWW.zenit.org dia 16 outubro 2008

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EVANGELIZAR O JOVEM HOJE

EVANGELIZAR O JOVEM HOJE
Estamos às vésperas do dia Nacional da Juventude. No próximo domingo em nossa Arquidiocese , com a graça de Deus, queremos reunir grupos de jovens de toda a Arquidiocese, na praça da Catedral a partir das 13h30, para celebrar a caminhada de fé e suplicar o dom da perseverança no seguimento de Jesus a toda a juventude, com a missa às 16h30. O tema escolhido para reflexão foi : “Meios de comunicação e os jovens”. Esse constitui um dos grandes desafios na evangelização hoje seja do jovem como do adulto. Essa tarde será manifestação de fé e do trabalho das mais de 18 iniciativas de evangelização, incluindo além da pastoral da juventude, movimentos e associações. O setor juventude, onde participam muitas frentes de evangelização, está se manifestando forte e decidido na busca de caminhos comuns para encontrar os jovens e oferecer uma alternativa cristã, conhecendo a proposta do Evangelho e a pessoa de Jesus. João Paulo II afirmava: “É urgente colocar Jesus como alicerce da existência humana”. Por isso, recordo aqui o que o documento de evangelização da juventude mostrou como primeiro caminho para atrair os jovens: “Amemos o jovem não só porque ele representa a revitalização de qualquer sociedade, mas porque amamos nele, a morada de Deus em sua dimensão de mistério inesgotável e de perene novidade”. É o amor que atrai o jovem para Deus, a fim de ser discípulo apaixonado por Jesus, porque só Jesus é o “Caminho, a Verdade e a Vida”. Este é o grande desafio na evangelização. Escutar a voz do Mestre em meio a tantas vozes, constitui uma luta permanente de educar o ouvido para as coisas que realmente valem. O convite pessoal de Jesus “Vem e segue-me”(Lc 18,22) é hoje o método mais eficaz para despertar no coração do jovem o desejo de ser ele mesmo e dar sua resposta ao chamado. O chamado pessoal desperta um relacionamento pessoal, pois essa foi a pedagogia de Jesus com relação aos seus discípulos: “Vós sois meus amigos” (Jo 15,14); a amizade fundamenta a disposição de seguir o Mestre. Por isso, é que Jesus no caminho, pergunta aos discípulos “quem sou eu?(Mt.16,15)”. Essa pergunta “já transformou a vida de muitos jovens afirmou o Papa João Paulo II em Belo Horizonte em 1980. Conhecer Jesus e sua Palavra leva a uma paixão que “ ninguém rouba e nenhuma traça corroe” (Mt.6,19). Ao mesmo tempo o Mestre, exige fidelidade: “quem põe a mão no arado e olha para trás não é digno de mim”(Lc 9,62). Voltar ao passado significa perder a dignidade de ser discípulo, é buscar o que não se perdeu. Com o olhar na juventude do passado, temos a sensação de que era melhor. “Cada geração tem suas luzes e sombras. Essa geração não é pior ou melhor que outras gerações. A juventude de hoje é tão idealista quanto a anterior. O processo hoje leva mais tempo e exige investimento maior para penetrar as barreiras do individualismo e da indiferença”(Doc. 85 n.252). Acredito que precisamos ser mais ousados no caminho de evangelização da juventude. Criatividade, iniciativas novas, oportunidade de trabalho, políticas públicas que venham ao encontro das necessidades da juventude, encontros que provocam amizade verdadeira, busca de relacionamentos que dão satisfação de viver, contatos diretos com a Palavra de Deus, oportunidades para orar em silêncio, horas de adoração e encontros com a Eucaristia, levarão nossos jovens a preencher o vazio e encontrar sentido à vida.

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COMO É BOM SER IMPORTNTE, MAS…

COMO É BOM SER IMPORTANTE, MAS….

“Como é bom ser importante, mas o mais importante é ser bom”(Pe. Antonio Vieira). Certamente mais do que bonzinhos na família, na sociedade hoje, e de maneira especial nesta nova etapa da história do Brasil, quando as prefeituras se renovam para mais um mandato de quatro anos, precisamos de gente que se sintam importantes, mas principalmente de gente que sintam que o mais importante é serem bons. A característica fundamental de um líder está na capacidade de transmitir em tudo, desde um aperto de mão ou um sorriso a marca de um homem bom.
Há alguns anos, perdemos em Cascavel um grande sacerdote que sempre dizia: “Como é bom ser bom”. Essa marca até hoje está estampada no coração de quem o conheceu. A bondade traz dentro da pessoa importante uma característica que deixa sinal de satisfação em qualquer encontro. Isso acontece porque ela vem carregada de ternura. Quantos desafios enfrentados, quantos problemas resolvidos, quantos complexos superados quando vem em primeiro lugar uma carga de acolhida adornada de ternura. Por maior que sejam as responsabilidades ou o cargo a ser ocupado, o que marca e define a personalidade e os relacionamentos são os gestos concretos com a marca de bondade.
Sabemos que a vida não é um mar de rosas, e muito menos só de espinhos. Saber sentir o perfume e assumir as dores, no caminho da vida e das responsabilidades é a sabedoria de quem, antes de mais nada, sabe colocar cada momento nas mãos do criador, fonte da verdadeira sabedoria e luz plena de bondade. Se você está atarefado demais, tire meia hora de tempo para orar; tire uma hora para saborear a delícias de Deus, orando. Quanto mais trabalhos e responsabilidades, tanto mais necessitamos dobrar os joelhos e fechar-nos no quarto, no quarto do coração e, em silêncio, entregar a Ele a condução da vida e das responsabilidades.
É tempo de partilhar a bondade com os outros, mas principalmente de beber na fonte da Bondade para poder responder com eficiência e eficácia aos reclames de quem está subordinado, ou de quem você foi chamado a servir. Servo dos servos, promovendo a vida e a solidariedade, construindo o bem comum, sem medir esforços, buscando o equilíbrio de quem sabe que a força para cumprir a missão está em fazer tudo como se dependesse de nós e ao mesmo tempo como se tudo dependesse de Deus. Investidos de responsabilidades, não se resolve os problemas e conflitos colocando-os debaixo do tapete, ou empurrando com a barriga. Como afirma o monge Anselm Gruin: “Em vez de queixar-se das dificuldades, em tudo tome a iniciativa e, transforme com pulso firme e sabedoria o que é caótico e obscuro”.
Ir ao encontro das pessoas, estabelecer diálogos, transformar os limites, buscar a verdade, construir relacionamentos, algo dentro de você se moverá de maneira nova e renovadora e interiormente você se sentirá livre e de espírito aberto. Como é importante ser bom, mais do que sentir-se importante. O Mestre Jesus afirma: “Eu não vim para ser servido, mas para servir e dar a minha vida por muitos”.(MT 20,28) Essa missão é de todos, mas de maneira especial dos que foram escolhidos para governar e dirigir uma cidade, ou uma comunidade de fé. O caminho é um só para todos, não pode existir competição a não ser na capacidade de ser bom e na concretização do mandamento novo do amor. O verdadeiro líder é aquele que sabe amar e servir por primeiro, amar a servir a todos e amar e servir sempre. Como é importante ser bom!

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NAO VOS INQUIETEIS POR COISA ALGUMA

NÃO VOS INQUIETEIS POR COISA ALGUMA”(Fl.4,6)

Certamente nestes dias, vivendo às vésperas de mais um pleito eleitoral, vale recordar que antes de tudo devemos acreditar na força de um Deus que sabe e conhece as nossas necessidades. Sabe e conhece, por isso não precisamos fabricar e nem mesmo articular o que nós pensamos ser necessário. Mesmo fazendo tudo o que se pode e o que é permitido neste pleito, muitos vão ficar para outra vez. Sempre haverá decepções, frustrações, e diante de todo um jogo de interesses, cabe a nós, eleitores, votar com consciência, sem nos apegarmos a promessas pessoais.
Penso que a recomendação do Apóstolo Paulo, escrevendo aos Filipenses, nos recorda algo fundamental: “Não vos inquieteis por coisa alguma. Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas necessidades em orações e súplicas, acompanhada de ação de graças”(Fl 4,6). Como seria diferente se em tudo tivéssemos esta atitude sobrenatural, onde valesse a intervenção de Deus antes de qualquer cálculo humano. Como seria diferente se em tudo tivéssemos a ousadia de dar a Deus preferência e não às manipulações de quem deseja o poder; como seria diferente se antes de tudo pudéssemos olhar para o alto e colocar Nele todas as nossas preocupações, antes de buscar conchavos e alianças para conseguir a qualquer preço nossos fugazes propósitos.
Com certeza, muitos nestes dias perdem não só o sono, como também a própria dignidade fazendo coisas do “arco da velha”, coisas lícitas e ilícitas para alcançar êxito na eleição. O mais importante é que o candidato deve demonstrar interesse e disposição em trabalhar pela comunidade, em benefício de todos. Vale hoje e sempre, não a nossa petulância e muito menos a arrogância em ocupar cargos públicos e sim a humildade e a disposição em servir. Somos hoje um povo que caminha para a construção de uma sociedade justa e solidária. Que todos nós eleitores saibamos escolher com a consciência limpa aqueles que realmente merecem a nossa confiança e nossa plena credibilidade.
Esperamos e acreditamos que, além das promessas, existem pessoas comprometidas com a vida desde a concepção até a morte natural. Acreditamos que além dos projetos humanos as mentes e os corações estejam abertos ao infinito, à inspiração divina, cuja luz ultrapassa todo entendimento e faz enxergar o invisível aos olhos humanos. Esperamos que cada cidadão ou cidadã, seja capaz de um sério discernimento antes de depositar o seu voto na urna, no próximo domingo. Esperamos como alguém que sabe em quem depositou a sua esperança. Acreditamos que além de nosso pobre entendimento, saibamos buscar em Deus a luz para todas as nossas preocupações.
Assim estamos vivendo não só para o hoje, para o aqui e o agora. Somos um povo que sabe esperar, mas também que sabe cobrar de quem mereceu a nossa confiança. Ninguém tem aqui morada permanente, construímos aqui o que vamos receber na outra vida. Somos o que somos pela graça de Deus, diz ao Apóstolo da Nações. Então precisamos recordar o que diz Jeremias 17, 5: ”Maldito o homem que confia no homem”. A nossa confiança nunca decepcionará porque sabemos em quem depositamos o nosso presente e o nosso futuro. Precisamos contar com seres humanos, limitados e frágeis, mas ao mesmo tempo nunca faremos deles deuses ou semi-deuses, donos da verdade e da vida. Serão sempre limitados como é limitado o nosso entendimento. Vale apenas nos inquietar com as verdadeiras necessidades, dobrando os joelhos diante do Senhor, da vida presente e futura.

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