Mês: novembro 2008



REFUNDAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO

REFUNDAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO MUNDIAL

Diante da atual situação de crise financeira, a Santa Sé propõe uma «refundação do sistema» que coloque as finanças frente ao seu objetivo natural, que é servir ao desenvolvimento e ao bem comum. Este é um dos pontos centrais da nota divulgada pela Santa Sé diante da próxima Conferência de Doha (Qatar), que as Nações Unidas organizam sobre o financiamento para o desenvolvimento e que será realizada no final de novembro. O documento, muito extenso, foi elaborado pelo Conselho Pontifício Justiça e Paz e aprovado pela Secretaria de Estado.
Nele, expõe-se a necessidade de que as nações analisem «como se chegou à desastrosa situação atual da crise, após uma década na qual se multiplicaram os discursos sobre a ética dos negócios e das finanças, e na qual se difundiu a adoção de códigos éticos».
A Santa Sé afirma, em consonância com a opinião de muitos especialistas, que «a atual crise financeira é essencialmente uma crise de confiança». Em outras palavras, a busca de benefício a curto prazo fez que os financiamentos já não cumpram sua função de promover o desenvolvimento econômico e, portanto, mais que uma «revisão», a Santa Sé aponta para a necessidade de uma total «refundação» do sistema.
Paraísos fiscais
A Santa Sé aponta ainda, como uma das causas da crise a existência dos chamados «paraísos fiscais» ou «centros financeiros offshore», culpados tanto de transmitir a crise como de ter provocado seu desenvolvimento. Esses mercados, afirma o documento, «mantiveram uma trama de práticas econômicas e financeiras alocadas: fugas de capitais de proporções gigantescas, fluxos «legais» motivados por objetivos de evasão fiscal e canalizados também através da supra ou infra-faturação dos fluxos comerciais internacionais, reciclagem dos procedentes de atividades ilegais».
A utilização destes centros produziu um duplo efeito negativo: por um lado, beneficiou as rendas mais altas, que podem escapar do controle fiscal em seus próprios países, e penalizou as mais baixas, ou seja, os trabalhadores e as pequenas empresas; e por outro, «comportaram uma translação da taxação do capital à taxação do trabalho».
Desta forma, uma série de pessoas e instituições movem nestes centros «cerca de 860 bilhões de dólares por ano, e que corresponderiam a uma falta de entrada fiscal de quase 255 bilhões de dólares: mais de três vezes o montante inteiro da ajuda pública ao desenvolvimento por parte dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OSCE)».
Uma nova moral econômica
A solução da crise passa por um pacto internacional em matéria financeira e fiscal, de forma que se recupere a «confiança» e a «transparência». O bom funcionamento do mercado requer, portanto, um importante papel do Estado, e onde é apropriado, da comunidade internacional para fixar e fazer respeitar regras de transparência e de prudência.» Contudo, no fundo, não haverá solução enquanto não houver uma «formação da consciência moral das pessoas», já que as normas por si só «não podem garantir» o andamento da economia. «O homem nunca pode ser mudado ou redimido simplesmente desde o exterior», acrescenta o documento.
Por isso, aponta, «é necessário chegar ao ser moral mais profundo das pessoas, é necessária uma educação no exercício da responsabilidade para com o bem de todos, por parte de todos os sujeitos, em todos os níveis: operadores financeiros, famílias, empresas, instituições financeiras, autoridades públicas, sociedade civil».
Esta educação na responsabilidade «pode encontrar um fundamento sólido em alguns princípios indicados pela doutrina social, que são patrimônio de todos e base de toda a vida social: o bem comum universal, o destino universal dos bens, a prioridade do trabalho sobre o capital». (Resumo do texto publicado pela Agencia de noticias Zenit).

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CELIBATO NOS DIAS DE HOJE

CELIBATO NOS DIAS DE HOJE
De tempos em tempos, a mídia traz como manchete, este tema e quase sempre polemizando de forma a confundir as pessoas. O Papa João Paulo II, em sua carta de 1967 intitulada “Celibato Sacerdotal” afirma: “O celibato sacerdotal, que a Igreja guarda desde há séculos como brilhante pedra preciosa, conserva todo o seu valor mesmo nos nossos tempos, caracterizados por transformação profunda na mentalidade e nas estruturas(CS n.1) O que ficou na cabeça de muita gente depois da reportagem no Fantástico, domingo passado, foi de que a Igreja deveria abolir o celibato e assim resolveria todos os problemas. Afinal os sacerdotes são homens e, no mundo atual, é quase impossível viver este testemunho de renúncia e de entrega. O que nós entendemos é diferente.
No Novo Testamento vemos que, “ Jesus escolheu os primeiros ministros da salvação e quis que eles fossem participantes dos mistérios do reino dos céus (Mt 13,11; cf. Mc 4,11; Lc 8,10), cooperadores de Deus a título especialíssimo e seus embaixadores (2Cor 5,20), Jesus que lhes chamou amigos e irmãos (cf. Jo 15,15; 20,17), e se consagrou por eles para que também eles fossem consagrados na verdade (cf. Jo 17,19), prometeu superabundante recompensa a todos quantos abandonem casa, família, mulher e filhos pelo reino de Deus (cf. Lc 18, 29-30). E até recomendou, com palavras densas de mistério e de promessas, uma consagração mais perfeita ainda, ao reino dos céus, com a virgindade, em conseqüência de um dom especial (cf. Mt 19,11-12). A correspondência a este carisma divino tem como motivo o reino dos céus (ibid. v 12); e, do mesmo modo, é neste reino (cf. Lc 18,29-30), no evangelho (Mc 10, 29-30) e no nome de Cristo (Mt 19,29), que se encontram motivados os convites de Jesus às difíceis renúncias apostólicas no sentido duma participação mais íntima na sua própria sorte”(CS 28).
Celibato é dom e carisma, para poder servir mais e melhor. O chamado ao sacerdócio deve ser coroado pela entrega total como pessoa, mas vivido em comunhão com os demais membros do presbitério. O ministro consagrado vive livremente a sua entrega, na solidão fecunda, alimentada na oração pessoal, na Eucaristia, na Palavra e no amor pastoral a todos que encontrar pelo caminho. O Papa, na sua carta, entende o celibato como amor incondicional a Cristo e a sua Igreja. “Conquistado por Cristo Jesus” (Fl 3,12) até ao abandono total de si mesmo a Ele, o sacerdote configura-se mais perfeitamente a Cristo, também no amor com que o eterno Sacerdote amou a Igreja seu Corpo, oferecendo-se inteiramente por ela, para a tornar Esposa sua, gloriosa, santa e imaculada (cf. Ef 5,25-27). A virgindade consagrada dos sacerdotes manifesta, de fato, o amor virginal de Cristo para com a Igreja e a fecundidade virginal e sobrenatural desta união em que os filhos de Deus não são gerados pela carne e pelo sangue (Jo 1,13).(10) CS 28).
A Igreja tem consciência da escassez de sacerdotes em relação às necessidades da população do mundo. Ela sabe também que não é abolindo o celibato que vai resolver o problema. Hoje, há igrejas onde os ministros são casados e sentem a mesma dificuldade. Posso dizer, olhando a nossa realidade, que temos um bom número de sacerdotes, cinco em missão em outras Igrejas, e mais de trinta jovens se preparando para assumir a missão de evangelizar como sacerdotes celibatários. A promessa do Senhor não falha: “Vos darei Pastores segundo o meu coração”( Jr 3,15). “Para Deus tudo é possível”(cf. Mc 10,27). Vamos orar como disse Jesus: “A Messe é grande, os operários poucos, pedi ao Senhor que envie operários para sua messe”( Mt 9,37).

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ONDE VOCÊ GUARDA O RACISMO

ONDE VOCE GUARDA O SEU RACISMO?
No próximo domingo, o Brasil celebra o dia nacional de combate ao racismo. O nosso país tem marcas dolorosas, feridas que mancharam o passado de nossa história de forma bruta e cruel. No contexto atual, podemos dizer que não existe disciminação de cor ou de raça, de forma a ser um problema social. Veladamente, podemos afirmar que ainda existem atitudes, comportamentos e até maneira de ser, guardando um certo tipo de discriminação. A pesquisa realizada pela Fundação Perseu Abramo mostrou que grande parte dos brasileiros – 87% – admite que há discriminação racial no país, mas apenas 4% da população se considera racista. Somos um país que pode exibir para o mundo uma realidade modelo, de convivência social entre todas as raças.
“A Constituição de 1988 tornou a prática do racismo crime sujeito a pena de prisão, inafiançável e imprescritível. Mas a legislação brasileira já definia, desde 1951 com a Lei Afonso Arinos (lei. 1.390/51), os primeiros conceitos de racismo, apesar de não classificar como crime e sim como contravenção penal (ato delituoso de menor gravidade que o crime). Os agitados tempos da Regência, na década de 1830, assinalam o anti-racismo no seu nascedouro quando uma primeira geração de brasileiros negros ilustrados dedicou-se a denunciar o “preconceito de cor” em jornais específicos de luta (a “imprensa mulata”), repudiando o reconhecimento público das “raças” e reivindicando a concretização dos direitos de cidadania já contemplados pela Constituição de 1824”. Afinal de contas o que é o racismo? Vamos buscar na enciclopédia a definição.
“O racismo é a tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade”.
A harmonia que existe, apesar das diferenças sociais gritantes, faz com que o clima de relacionamentos entre as pessoas seja tranqüilo, sereno e direto. A diversidade racial, cultural, étnica faz a beleza deste país continente, cujo povo sabe conviver na fartura e na carestia. Mesmo agora com todo o clima de instabilidade econômica, que não oferece segurança para o futuro, onde a palavra doida e mais falada é recessão, o povo sabe como ultrapassar essas barreiras e reconstruir na fé e na garra de quem luta, sofre e acredita. Por isso o ódio, o desencanto, a discriminação são contra valores a serem jogados fora da convivência humana. A educação para a vida e para o amor devem se tornar prioridade desde o berço materno. “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da pele, por sua origem ou ainda pela sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar”(Nelson Mandela). Então “onde você guarda o seu racismo? Não guarde, jogue fora”!(Lema da campanha de combate ao racismo) .

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