Mês: dezembro 2008



COMBATER A POBREZA, CONSTRUIR A PAZ

COMBATER A POBREZA, CONSTRUIR A PAZ

Transcrevo aqui alguns pensamentos do Papa Bento XVI, contidos na sua mensagem para o dia primeiro de janeiro, dia Mundial da Paz. Ele começa dizendo: “Desejo no início do novo ano, fazer chegar os meus votos de paz a todos e, com esta mensagem, convidá-los a refletir sobre o tema: Combater a pobreza, construir a paz. “De fato, a pobreza encontra-se freqüentemente entre os fatores que favorecem ou agravam os conflitos, mesmo os conflitos armados. A disparidade entre ricos e pobres tornou-se mais evidente, mesmo nas nações economicamente mais desenvolvidas. Trata-se de um problema que se impõe à consciência da humanidade, visto que as condições em que se encontra um grande número de pessoas são tais, que ofendem a sua dignidade natural e, conseqüentemente, comprometem o autêntico e harmônico progresso da comunidade mundial”.
O Papa continua dizendo: Neste contexto, combater a pobreza implica uma análise atenta ao fenômeno complexo que é a globalização. A globalização deveria revestir também de um significado espiritual e moral, solicitando a olhar os pobres com a perspectiva de que todos somos participantes de um único projeto divino: chamados a construir uma única família, na qual todos, regulem o seu comportamento segundo os princípios da fraternidade e responsabilidade. Em tal perspectiva, é preciso ter uma visão ampla e articulada da pobreza. Se esta fosse apenas material, para iluminar as suas principais características, seriam suficientes as ciências sociais. Sabemos, porém, que existem pobrezas imateriais, isto é, que não são conseqüência direta e automática de carências materiais. Por exemplo, nas sociedades ricas e avançadas, existem fenômenos de marginalização, pobreza relacional, moral e espiritual. Quando o homem não é visto na integridade da sua vocação e não se respeitam as exigências duma verdadeira “ecologia humana”, desencadeiam-se também as dinâmicas perversas da pobreza… O extermínio de milhões de nascituros, em nome da luta à pobreza, constitui na realidade a eliminação dos mais pobres dentre os seres humanos. Outro âmbito de preocupação são as pandemias, como, por exemplo, a malária, a tuberculose e a AIDS…. É difícil combatê-las, se não se enfrentarem as problemáticas morais associadas com a difusão do vírus. É preciso, antes de tudo, fomentar campanhas que eduquem, especialmente os jovens, para uma sexualidade plenamente respeitadora da dignidade da pessoa. Outro âmbito é a pobreza das crianças. Quando a pobreza atinge uma família, as crianças são as suas vítimas mais vulneráveis: atualmente, quase metade dos que vivem em pobreza absoluta é constituída por crianças. Também, do ponto de vista moral, merece particular atenção, a relação existente entre desarmamento e progresso. Por isso, os Estados são chamados a fazer uma séria reflexão sobre as razões mais profundas dos conflitos. O âmbito da referida luta contra a pobreza material diz respeito à crise alimentar atual, que põe em perigo a satisfação das necessidades de base. Tal crise é caracterizada não tanto pela insuficiência de alimento, como, sobretudo, pela dificuldade de acesso ao mesmo e por fenômenos especulativos, aumentando o fosso entre ricos e pobres. Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lc 9, 13) Fiel a este convite do seu Senhor, a Comunidade Cristã não deixará, pois, de assegurar o seu apoio à família humana inteira nos seus impulsos de solidariedade criativa, mas, sobretudo, a alterar “os estilos de vida, os modelos de produção e de consumo, as estruturas consolidadas de poder que hoje regem as sociedades”. A cada discípulo de Cristo, bem como a toda a pessoa de boa vontade, dirijo, no início de um novo ano, um caloroso convite a alargar o coração às necessidades dos pobres e a fazer tudo o que lhes for concretamente possível para ir sem seu socorro. De fato, aparece como indiscutivelmente verdadeiro o axioma “combater a pobreza é construir a paz”. FELIZ 2009, combatendo a pobreza e construindo a paz.
(Resumo da mensagem do Papa Bento XV, para o 01 de Janeiro, dia mundial da paz)

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AMOR DE DEUS E SEM MEDIDA

AMOR DE DEUS É SEM MEDIDA

“Deus amou tanto o mundo, que entregou seu Filho único, para que todo aquele que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna”(Jo.3,16).
Entre as muitas mensagens de Natal que recebi, e não sendo possível escrevê-las todas neste texto, quero partilhar com vocês apenas uma: “A luz e o canto anunciaram o choro da nova vida, o sorriso encantador da esperança, a certeza invencível da vitória. E tudo é, a um só tempo tão frágil e tão simples, tão grandioso e tão resplendente; o nosso Deus cabe numa manjedoura! Grandeza maior não há, pequenez tão grande alguém já viu? Quem nunca sentiu a força do amor”?
Ninguém e em nenhum lugar do mundo pode proclamar uma noticia tão grande e tão bonita. Um Deus feito carne, gente como nós, em tudo menos no pecado, vem do ventre de uma jovem menina para dar sentido à vida, vem da periferia para ocupar o centro da história, vem de um coxo de estrebaria, lugar de alimentos dos animais, para ser o pão da vida eterna, vem de uma noite fria e solitário para ser o calor e o elo de união de todos, vem de uma noite escura iluminada apenas pelas estrelas para ser a luz do mundo e das nações, vem do silêncio de uma madrugada fria, onde apenas Maria e José entrelaçam os olhares para ouvir a voz dos anjos a cantar: “Glória a Deus nas alturas e Paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade”.
Esse é o nosso Deus, vem para trazer a paz e plantar o mandamento novo no coração de todos aqueles que Nele depositarem a fé e a esperança. Por isso é que, o Natal não pode ser reduzido a um dia ou a uma festa de família apenas. O Senhor da manjedoura é o Deus conosco, o “Emanuel” que não tem tréguas em oferecer a todos e a cada um a oportunidade de se aproximar Dele preenchendo todo vazio de uma existência curta e estressada. O Senhor da manjedoura está sempre a lembrar: “Não tem maior prova de amor do que dar a vida”, “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, “amem a Deus sobre tudo e ao próximo como a ti mesmo”, esse é o resumo de toda a lei e os profetas.
Ouvindo assim, a voz do Mestre de Belém, o Natal vai além do consumismo atordoador que ocupa todo o espaço da mídia para convencer e vender, muitas vezes comprando sem necessidade. Ouvindo a voz do Mestre, a solidariedade e a partilha se fazem sentir de forma concreta com os pobres e excluídos. Ouvindo a voz do Mestre ficamos indignados com tantas notícias negativas e abusadas, de maneira especial envolvendo crianças, ou então agora, o aumento de vereadores como emprego nas Câmaras municipais, comendo o pão dos famintos e desempregados. Assim como a aprovação, na surdina, de aposentadoria especial para os nossos pobres deputados que lamentavelmente continuam sugando o sangue da maioria cada vez mais pobre e eles somando a minoria cada vez mais rica. Isso nunca foi Natal, que pena que muita gente ainda hoje, depois de mais de dois mil anos não entenderam o porquê celebrar o Natal, o nascimento na periferia do menino Deus. Um Deus tão grandioso, tão resplendente que coube numa manjedoura.
Quem sabe quando, vamos entender a lição do Natal! Quem sabe quando, vamos colocar em prática o mandamento novo e criar um mundo onde tenha lugar digno para todos, de maneira especial para as crianças, os pobres, os excluídos, os descartados pela sociedade cujo deus é o capital agonizante nesta crise econômica mundial. A lição do Natal só entenderá quem puder entender que nosso Deus é um Deus de amor. FELIZ NATAL!

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PARA QUE A ALMA POSSA RESPIRAR

Para que a alma possa respirar

Às vésperas do Natal e em clima de final de ano, são muitas as necessidades e desejos a serem realizados. O consumismo toma conta do tempo e do descanso; toma conta do bolso e dos compromissos financeiros; toma conta inclusive do coração quando as preocupações não são mais a vida sobrenatural construída com uma fé simples e pequena como grão de mostarda.
O Papa Eugênio se queixou ao seu professor Bernardo de Claraval de que não conseguia mais rezar devido ao trabalho, de que era infeliz por causa de muitos afazeres. Seu professor não reagiu com compaixão. Ao contrário, passou-lhe uma bela lição, embora ele fosse o Papa. Ele mesmo era culpado por trabalhar tanto, por achar que devia ajudar a todos os pedintes, que devia interferir em todos os assuntos. Exatamente por ocupar uma posição de alta responsabilidade, era necessário cuidar de si mesmo. Pois se não cuidar de si mesmo, seu cuidado com os outros, não trará bênção. O trabalho excessivo o tornará duro e amargo interiormente. Dedicar-se a si mesmo, dar-se um tempo, dar-se a si mesmo, faz a alma respirar.
Para viver e viver bem, não se trata de ter e acumular coisas ou se afundar em compromissos por mais justos que sejam, deixando de cuidar do próprio coração. Deve dar a si mesmo, o seu amor, demonstrar a si mesmo, sua ternura. Somente assim teremos a tranqüilidade e o equilíbrio interior em todas as situações da vida, por mais difícil que sejam.
Ao se aproximar o Natal e o fim de ano, precisamos dedicar tempo ao descanso do corpo, mas não para a alma. Dar-se tempo para que o espírito respire, em consonância com o corpo.
Saber integrar a mente, o espírito, o corpo é uma ginástica que exige disciplina.
É bom lembrar que o próprio Jesus recomenda a seus discípulos atarefados: “Vinde vocês sozinhos para um lugar deserto e repousai um pouco” (Marcos 6-31) O grande e primeiro contemplativo da vida monástica, São Bento, dizia: “O administrador cuide de sua própria alma”.
Muitos perdem o gosto de viver e por aquilo que fazem, porque não cuidam de si mesmos. Os escravos de hoje são os que gritam para se libertar de uma sociedade consumista, hedonista, de compromissos que afastam de si mesmos e de sua alma que deseja respirar.
Este é o tempo para rever e recomeçar. “Eis agora o tempo da conversão, eis o dia da salvação”.
Nada nem ninguém preenche a sede de paz e de sentido da vida, a não ser o espaço que sou capaz de abrir para o Senhor da vida e da história, que se fez gente como nós.
Ainda há tempo, não percamos o rumo.
Temos tudo para dar um novo alento à nossa alma e ver novos horizontes surgindo para o Ano Novo 2009.

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QUE MULHER É ESSA?

Que mulher é essa?

Havia milhares de candidatas, muitas com mais capacidade e mais preparadas para assumir a missão de ser mãe daquele que seria o Mestre dos Mestres. Menina moça aparentemente frágil, jovem, inexperiente; o que ela tinha de diferente das demais para ser escolhida? Certamente, ela tinha um relacionamento com o Criador que as demais não tinham. Antes mesmo de aceitar o convite do anjo, ela recebe a notícia que seria a mais elogiada mulher de toda a humanidade. A sua resposta de entrega total pronunciando as palavras: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra”( Lc 1,38), a torna mais forte e plena da graça do Pai, trazendo ao mundo sem interferência humana, o Filho Redentor e Salvador de todos os que Nele crerem.
Augusto Cury , em seu livro “Maria, a maior educadora da história”, afirma:
“Muitos cristãos não sabem que Maria é a única mulher exaltada no Alcorão, o texto sagrado do islamismo. Inúmeras pessoas exaltam Maria diariamente, mas não percebem que as áreas mais íntimas da sua personalidade, permanecem desconhecidas”
O mesmo autor continua dizendo:
“Se fosse uma mulher frágil, assaltada pelo medo e pelo estresse, teria condições de educar o Filho de Deus, cuja história foi pautada por frustrações e rejeições? Se fosse insegura e super-protetora, não teria ela afetado o território das emoções do menino? Se amasse o exibicionismo e não a discrição, seu processo educacional não seria um desastre?”
Mulher, mãe e modelo de fé inquebrantável, escolhida e amada desde a sua concepção, não pode ficar de lado ao comemorar o nascimento do filho, o Natal do homem de Nazaré, o filho do carpinteiro, o Galileu, o Messias, o Enviado, o Senhor da história e do mundo.
Por isto, neste clima natalino, quero lembrar que amanhã, o Continente Latino Americano faz memória e festa à mãe de Guadalupe, assim invocada, principalmente pelo povo mexicano e por todos os latinos, cuja fé e esperança são animadas pela presença silenciosa e decidida da mãe. Ela que interveio no momento mais crítico da perseguição aos indígenas no México, mostrando a dignidade de todos, ficou gravada na história e na vida, como mãe que merece todo o carinho e respeito de seus filhos.
Um povo que celebra a vinda do Salvador é um povo que tem mãe, e nunca deixará de reconhecer que ela foi e continua sendo uma mulher especial. Como a mãe de Guadalupe, outros mil títulos são invocados fazendo realidade o cântico do Magnificat, quando ela mesmo cantou: “Todas as gerações me chamarão de bendita”(Lc 1,48). Essa profecia se realizou e continua sendo um clamor dos filhos que amam e respeitam aquela que gerou o “Caminho, a Verdade e a Vida”. Reconhecimento e gratidão à Mãe, devem ser os sentimentos de todos que desejarem homenagear o Filho que há mais de dois mil anos, marcou o rumo da humanidade.
Quem é esta mulher? É aquela que sem entender nada, sem nenhum privilégio, sem nenhuma garantia humana, aceita ser a ponte entre o céu e a terra. A mulher mais amada, a cheia de graça que recomenda a todos: “fazei tudo o que Ele vos disser”(João 2, 1-5).
Assim, teremos uma festa de Natal, do filho com a presença da Mãe, a Mulher mais amada , a bendita entre todas as mulheres.

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SOLIDARIEDADE COM O POVO CATARINENSE

SOLIDARIEDADE COM O POVO CATARINENSE

Diante da triste realidade causada pelas enchentes, o povo brasileiro se sente solidário e disposto a colaborar, a fim de diminuir o sofrimento daqueles que, repentinamente perderam tudo, inclusive a vida de familiares. Neste sentido, quero trazer aqui a nota que a CNBB publicou recentemente. Na semana passada, falei com Dom Murilo, nosso segundo Arcebispo; ele dizia que realmente é uma situação profundamente dolorosa. Precisam de tudo, mas o mais importante necessário agora, são recursos financeiros. Por isso, a Arquidiocese de Florianópolis abriu uma conta bancária, cujos recursos serão destinados através da própria Arquidiocese. Ação Social Arquidiocese de Florianópolis/Flagelados SC 2008. Agência Banco do Brasil 3174-7 Conta Corrente 17611 – 7.
“O Conselho Episcopal de Pastoral da CNBB, reunido em Itaici durante esta semana, manifestou solidariedade a todos os atingidos pelas enchentes no Estado de Santa Catarina. Em nota, a CNBB diz que os bispos oferecem as preces da Igreja “pelos que perderam sua vida”. Que “a fé e a esperança cristã confortem a todos na reconstrução de suas vidas e de seus bens”, diz o documento.
Os bispos também chamaram a atenção para as questões ambientais. “As intempéries da natureza evocam os cuidados e a responsabilidade de todos nós para com a ecologia e o meio-ambiente, tão agredidos. A terra é dom de Deus e casa de todos e, como tal, deve ser preservada. Reafirmamos assim o valor fundamental e primário da vida, que a Campanha da Fraternidade deste ano fez ecoar em todos os recantos do Brasil: “Escolhe pois a Vida” (Dt 30,19).
Suplicamos as bênçãos de Deus, por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, em favor de todas as famílias enlutadas e de todos os que sofrem com as enchentes e suas conseqüências. Mesmo na provação e na experiência da cruz, nós cristãos, inspirados no ensinamento do Apóstolo Paulo, repetimos: “tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.” (Rm 8,28).””
Esta é a hora de ouvir do Mestre: Vinde benditos de meu Pai e tomai posse do Reino preparado para vós e seu anjos, porque tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber, estava nu e me vestistes, estava peregrino e me acolheste, estava doente e foste me visitar, preso e foste me ver. A pergunta não podia ser outra. Quando foi que te vimos com fome, com sede, nu, peregrino, doente ou preso? Jesus responde: “Tudo o que fizeste ao menor de meus irmãos, a mim fizeste(MT 25, 15). Não só em tragédias como esta de Santa Catarina ou de outras situações semelhantes. O Reino de Deus é uma conquista diária, amando concretamente a cada um, como presença viva concreta de Jesus.
O Natal está chegando, e a solidariedade é a manifestação mais forte de nossa fé em Jesus, que vive e está entre nós, principalmente nos pobres, flagelados e os descartados do convívio social. Preparar a festa do maior aniversariante da humanidade, significa dobrar os joelhos e orar, abrir as mãos e o coração e partilhar. Assim teremos um Natal diferente, que deixa marcas de felicidades para sempre e não somente enquanto duram as luzes, enfeites e comilanças. “Cuidado! Ficai atentos porque não sabeis quando chegará o momento”(Mc 13,33).

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