Mês: fevereiro 2009



MENSAGEM DO PAPA – CF 2009

Mensagem de SS o Papa Bento XVI por ocasião do início da CF de 2009

“Ao Venerável Irmão no Episcopado
D. Geraldo Lyrio Rocha
Presidente da CNBB
Arcebispo de Mariana (MG)

Ao iniciar o itinerário espiritual da Quaresma, a caminho da Páscoa da ressurreição do Senhor, desejo uma vez mais aderir à Campanha da Fraternidade que, neste ano de 2009, está destinada a considerar o lema “A paz é fruto da justiça”. É um tempo de conversão e de reconciliação de todos os cristãos, para que as mais nobres aspirações do coração humano possam ser satisfeitas, e prevaleça a verdadeira paz entre os povos e as comunidades.

Meu venerável predecessor, o Papa João Paulo II, no Dia Mundial da Paz de 2002, ao ressaltar precisamente que a verdadeira paz é fruto da justiça, fazia notar que “a justiça humana é sempre frágil e imperfeita” devendo ser “exercida e de certa maneira completada com o perdão que cura as feridas e restabelece em profundidade as relações humanas transtornadas” (n.3).

O Documento fina de Aparecida, ao tratar do Reino de Deus e a promoção da dignidade humana, recordava os sinais evidentes da presença do Reino na vivência pessoal e comunitária das Bem-aventuranças, na evangelização dos pobres, no conhecimento e cumprimento da vontade do Pai, no martírio por causa da fé, no acesso de todos os bens da criação, e no perdão mútuo, sincero e fraterno, aceitando e respeitando a riqueza da pluralidade, e a luta para não sucumbir à tentação e não ser escravos do mal (n. 8.1).

A Quaresma nos convida a lutar sem esmorecimento para fazer o bem precisamente por sabermos como é difícil que nós, os homens, nos decidamos seriamente a praticar a justiça – e ainda falta muito para que a convivência se inspire na paz e no amor, e não no ódio ou na indiferença. Não ignoramos também que, embora se consiga atingir uma razoável distribuição dos bens e uma harmoniosa organização da sociedade, jamais desaparecerá a dor da doença, da incompreensão ou da solidão, da morte das pessoas que amamos, da experiência das nossas limitações.

Nosso Senhor abomina as injustiças e condena quem as comete. Mas respeita a liberdade de cada indivíduo e por isso permite que elas existam, pois fazem parte da condição humana, após o pecado original. Contudo, seu coração cheio de amor pelos homens levou-o a carregar, juntamente com a cruz, todos esses tormentos: o nosso sofrimento, a nossa tristeza, a nossa fome e sede de justiça. Vamos pedir-lhe que saibamos testemunhar os sentimentos de paz e de reconciliação que O inspiraram no Sermão da Montanha, para alcançar a eterna Bem-aventurança.

Com estes auspícios, invoco a proteção do Altíssimo, para que sua mão benfazeja se estenda por todo o Brasil, e que a vida nova em Cristo alcance a todos em sua dimensão pessoal, familiar, social e cultural, derramando os dons da paz e da prosperidade, despertando em cada coração sentimentos de fraternidade e de viva cooperação. Com uma especial Bênção Apostólica.
Benedictus PP. XVI
Vaticano, 8 de dezembro de 2008.”

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CAMPANHA DA FRATERINIDADE 2009

CF 2009
Tema: Fraternidade e Segurança Pública
Lema: A Paz é fruto da Justiça(Is 32,17)
O objetivo geral da CF 2009 é suscitar o debate sobre a segurança pública, contribuir para a promoção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade para que todos construam a justiça social, garantia da segurança para todos. A paz construída é a paz positiva tendo presente os valores humanos como a solidariedade, a fraternidade, o respeito ao outro, a mediação pacifica dos conflitos. A paz negativa orienta-se pelo uso das armas, intolerância com os diferentes, os bens materiais. Todas as pessoas aspiram por segurança; porém essas se deparam pela falta de segurança pública manifestada pela violência no trânsito, nos cárceres, no tráfico de drogas, armas, desigualdades sociais, na fome, na miséria, na corrupção e em outras formas. Nós precisamos refletir sobre essa questão. Na realidade a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos. A segurança pública está ligada ao Estado Democrático de Direito não sendo uma função exclusiva do Estado mas refere-se às atitudes e valores dos cidadãos e a Constituição Federal fala em exercício pleno da cidadania. O Senhor salva o povo que nele confia. O anjo do Senhor vem para proteger dando plena segurança pois ele vai à frente como os profetas, protege pelo caminho como Moisés, introduz na terra prometida como Josué e carrega o nome do Senhor como os sacerdotes. A confiança em Deus não isenta a pessoa na construção da paz, da justiça e da segurança. A confiança em Deus conduz o irmãos para o Shalom, à paz. Este termo aparece 239 vezes na Escritura do qual abrange o bem-estar, felicidade, saúde, segurança, relações sociais equilibradas, harmonia consigo mesmo, com o próximo e com Deus. A paz na Bíblia é a aliança que Deus fez com o povo de Israel em vista da paz e para a paz(cf Nm 25,12). A paz é fruto da justiça(Is 32,17). O profeta Isaias fala do Messias como o Príncipe da Paz (cf Is 9,1-5): tudo se realiza em Jesus. O Príncipe da Paz afirma no alto da cruz: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!”(Lc 23,34). Ele reconcilia todas as coisas, as da terra e as do céu(cf Ef 1,10). Em Jesus nós descobrimos que segurança pública é mudança de critérios, pois a reconciliação é o caminho para a paz. A Igreja, sendo perita em humanidade, na expressão de Paulo VI em seu discurso na ONU (04/10/1965) deve ser a exemplo de seu divino Fundador e Mestre uma Igreja serva, samaritana no qual volta o seu olhar para aqueles que sofrem e passam por necessidades. Ela deve ser solidária para com todas as pessoas e deve usar bem o poder em vista do bem comum de uma forma diferente da vida civil. Algumas outras ações que podem ser desenvolvidas na comunidade eclesial e na sociedade:- assegurar serviços de caridade para com a vítimas da violência e seus familiares;- apoiar as associações que lutam para superar as causas da insegurança;- promover o diálogo com os poderes públicos, leis e políticas públicas que permitam a construção de uma sociedade mais segura; – organizar casas de acolhidas que atendam com compaixão e solidariedade as vítimas da violência e os grupos de risco;- privilegiar o tempo quaresmal em vista da conversão e da mudança de mentalidade na busca da coerência entre fé e vida;- fortalecer as pastorais sociais sobretudo a pastoral carcerária; – ter presente o diálogo ecumênico e inter-religioso e inter-cultural para a busca de caminhos na construção da vida segura;- difundir a espiritualidade da não violência, priorizando o diálogo, a solidariedade, o perdão;- promover dinâmicas de perdão entre as famílias; A Cf se expressa pela oferta em dinheiro na coleta da solidariedade. O gesto é concreto feito em âmbito nacional, nas comunidades, paróquias, dioceses. Desta forma se expressa a Coleta da Solidariedade:Domingo de Ramos, 05 de abril de 2009.

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OBRAS DE MISERICORDIA

OBRAS DE MISERICÓRDIA

Com muita freqüência somos convidados a usar ou ter misericórdia para com aqueles que de alguma forma nos ofenderam. Usar de misericórdia traz uma conotação de perdão, de reconciliação. No seu significado original, misericórdia significa trazer no coração a miséria, a limitação humana como caminho de identificação e de transformação do outro. Quero que o outro seja diferente, tenha mais vida e dignidade. Por isso que chamamos Jesus de misericordioso. Ele foi o único que assumiu a nossa miséria humana e a transformou em vida de plenitude e de graça, fazendo-nos herdeiros de uma eternidade feliz. Neste caminho, a igreja nos oferece sete obras que chamamos de “Misericórdia” que nos ajudam a viver e ser misericordiosos na prática do dia a dia.
Passo a elencar as sete obras de misericórdia, sete porque em seu significado bíblico significa sem limites, sem um número limitado:
“ Ensinar os que não sabem”, que obra maravilhosa essa, tantos educadores nesta semana recomeçam a missão de transmitir conhecimentos, mas principalmente ensinar a amar e defender a vida. Coragem professores, vocês tem em suas mãos a oportunidade de formar desde os mais pequenos até os universitários, não só a cabeça e sim os corações.
“Dar conselhos a quem dele necessita”, tem um ditado que diz assim: de bons conselhos o inferno está cheio; ou se conselho fosse bom ninguém daria. Não podemos esquecer que o Conselho é dom do Espírito Santo. Quanta coisa errada, deixaríamos de fazer se tivéssemos um bom conselheiro ao nosso lado.
“Corrigir as injúrias”, essa obra de misericórdia nos lembra que antes de qualquer atitude condenatória, a nossa atitude deve ser a de corrigir, alertar, reorientar a vida e as decisões do outro. A correção fraterna era uma das práticas mais comuns das primeiras comunidades cristãs, Ainda hoje existem comunidades e movimentos que fazem desta prática um verdadeiro trampolim em busca de perfeição. Eu já tive a graça de participar várias vezes desta prática, inclusive em grupo.
“Perdoar as injúrias”, Como é difícil ou até impossível recolher um saco de penas jogados do alto da Catedral em dias de vento forte. Uma injúria caluniosa traz conseqüências irreparáveis, porém o cristão é chamado a perdoar para poder entrar no Reino.
“Consolar os tristes”, como é bom sentir a presença de alguém quando estamos tristes, afinal a tristeza faz parte da vida. Como já escrevi em outra oportunidade uma amiga que nunca pode faltar é a alegria. Essa conquista se faz acontecer quando sentimos que não estamos sozinhos, que uma palavra, um abraço, um afeto de quem amamos, pode ser a saída de qualquer tristeza da vida.
“Sofrer com paciência os defeitos do outro”, tem situações que não tem solução. Tem gente, por mais próxima que esteja de nós, que não podemos mudar, mas devemos sofrer com paciência, suportar, servir de suporte, para que a vida seja menos dura. Ajudar a ser melhor, oferecer oportunidade de sair e superar os defeitos está na segunda obra que elencamos. Sofrer com paciência não significa ser omisso.
“Rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos” é profundamente bíblico, rogar, pedir, orar, pois foi uma prática muito freqüente na vida de Jesus, ele não só ensina a orar, com Ele também ora (Jo 17), pelos outros e pela humanidade. Saber elevar nossa prece, saber rogar pelos vivos e pelos mortos, nos identifica com a atitude mais profunda de intimidade de Jesus com o Pai Deus.
Que as obras de misericórdia nos ajudem a sermos mais perfeitos e assim construirmos um mundo cada vez mais justo e fraterno.

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NÃO SOMOS OS MELHORES

NÃO SOMOS OS MELHORES

Como muitos são chamados e poucos são os escolhidos, certamente hoje, o Senhor continua chamando e escolhendo entre muitos, alguns. Muitas vezes já me perguntei: Por que eu? Porque não outro? Acredito que a resposta está na adesão ao chamado. Topar a parada sem medir as qualidades é o caminho para quem foi escolhido. O Senhor nunca escolhe os capacitados mas capacita os chamados, por isso não somos os melhores e sim os que acreditam ser instrumentos nas mãos do Mestre. Somente assim somos capazes de responder sem medo, sem mesmo saber o que vai acontecer.
No próximo sábado, dia 07 às 19h30 na Catedral em Maringá, receberão a Ordenação Diaconal mais quatro jovens, que dentre os chamados foram os escolhidos para o ministério presbiteral, na Igreja. O diaconato é o passo definitivo para quem topou a parada, não por serem os melhores e sim, por serem os mais corajosos em acreditar na graça de Deus que chama. Escolhidos para deixar tudo, casa, família, esposa, filhos, riquezas, para servir e não serem servidos. Homens de Deus a serviço do povo a tempo integral, sem medidas, sem acumular nada, sem pretensões e honrarias. Servos servidores para serem os maiores no exercício da missão.
De nada vale a filosofia, a teologia, os títulos alcançados durante anos de estudos. De nada valem os anos de formação vividos no ambiente acadêmico. De nada valem as horas incansáveis de leituras, principalmente em vésperas dos exames, enfim de nada vale os intermináveis anos de vida universitária, ou de seminário, para conseguir um diploma e alcançar uma profissão, ou exercer uma missão, se em primeiro lugar, tudo isso não seja marcado pelo amor. Nada e ninguém pode preencher o coração humano, senão o amor com que cobrimos os nossos afazeres de cada dia. O importante não é o que fazemos e sim o como fazemos.
Com certeza não foi a freqüência na escola dos rabinos e nem os estudos das leis que fizeram de Jesus, o Salvador, o Messias, o Cristo, o Filho de Deus, o Homem da Nazaré e sim o amor com que anunciou a boa noticia, com que fez os milagres, com que acolheu os doentes, cegos, aleijados, tuberculosos, os excluídos da sociedade. Foi o amor por cada um de nós, que fez Jesus passar pela morte de cruz e ressuscitar, dando-nos a graça de poder viver como ele viveu. Nos caminhos do Mestre do Amor, milhares de homens e mulheres encontraram o sentido da vida e a resposta a todos os porquês. Nos caminhos do Bom e Amado Pastor, ainda hoje jovens encontram o caminho da realização pessoal, dando-se totalmente a serviço dos irmãos, principalmente aos pobres e descartados da sociedade.
Esse caminho não foi feito para alguns privilegiados. O Senhor veio para todos os que Nele crerem, e crendo, vivam como ele viveu. Não existe outro caminho para a verdadeira vida já aqui nesta terra, a não ser a busca incansável do bem comum, procurando servir e amar sempre. Pagaremos aqui, ou na outra vida os pecados da omissão e do poder que oprime, destrói, acumula, discrimina e mata. Todo o poder vem de Deus e Ele deve voltar através do amor ao próximo. “Todo aquele que diz que ama a Deus e não ama o seu irmão é mentiroso”(Primeira Carta de João). Somente quem ama de verdade sem esperar nada em troca é capaz de viver com a consciência limpa e alcançar a recompensa final que só pode vir de Deus. Portanto não somos os melhores, mas podemos ser os maiores no Reino de Deus, porque acreditamos e vivemos no amor e por amor. Vamos orar para que o Senhor continue chamando jovens decididos a seguir a voz do Mestre.

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