Mês: abril 2009



ASSEMBLÉIA DOS BISPOS

ASSEMBLEIA DOS BISPOS

Todos os anos, na segunda semana depois da Páscoa, os trezentos e trinta bispos de todo o Brasil se reúnem em Itaici (SP), para realizar a sua Assembléia Nacional dos Bispos (CNBB). Para representar as forças vivas de todo o processo evangelizador, participam também leigos, leigas, religiosos, religiosas, presbíteros e assessores especialistas em temas relacionados às ciências humanas e jurídicas, como também alguns membros do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs. Contando todos os participantes, somam ao redor de 400 pessoas. Acompanha também o Dom Lorenzo Baldisseri, Núncio Apostólico, representante do Papa no Brasil.

Este ano, o tema central será a aprovação das “Diretrizes para a Formação dos futuros Presbíteros da Igreja no Brasil”. Esse documento vem sendo elaborado desde 2006, passando por várias etapas, onde bispos, presbíteros formadores que trabalham nos seminários e casas de formação, contribuíram na elaboração deste documento, que está sendo coordenado por uma equipe de redação formada por bispos e presbíteros. Nesta Assembléia vamos trabalhar com a terceira redação do documento a fim de aperfeiçoá-lo e aprová-lo. Na Igreja do Brasil sempre existiram normas e diretrizes para a formação dos futuros presbíteros e diante das rápidas mudanças da época atual se faz necessário sintonizar o processo formativo com todas as exigências da Igreja e do mundo.

Na pauta, além do tema central contamos com mais de trinta assuntos que vão desde temas prioritários, como o Ano Catequético, a Iniciação Cristã, a Missão Continental; aos temas da conjuntura social e eclesial, a semana da Amazônia, a Pastoral Indígena, Missionários estrangeiros na evangelização no Brasil. Como todas as Assembléias, esta também tem os temas estatutários como o relatório do Presidente, assuntos de liturgia, relatório econômico, orientações sobre a doutrina da fé, acompanhamento do processo em desenvolvimento da Missão Continental. Também são enviadas várias mensagens, entre elas, para o Papa Bento XVI, ao povo brasileiro por ocasião do dia dos trabalhadores, lembrado no dia primeiro de maio, dia de São José Operário e algumas orientações pastorais sobre o ano sacerdotal.

Esses dias de Assembléia, são abençoados dias de convivência, troca de experiências, de oração e de conhecimento recíproco, criando e fortalecendo os laços de amizade neste caminho comum de evangelizar com renovado ardor missionário. No próximo sábado e domingo, faremos o nosso retiro espiritual, silêncio, reflexão e oração, concluindo, no domingo, com a missa na Catedral da Sé em São Paulo às 15hrs, comemorando assim o ano dedicado ao apóstolo Paulo. Assim queremos contar com as orações de todos para que não faltem as luzes do Espírito Santo, a fim de corresponder às necessidades e exigências da ação evangelizadora na Igreja do Brasil. Que a Mãe e Padroeira de nossa Pátria, Nossa Senhora Aparecida, nos acompanhe com sua ternura e nos entusiasme no seguimento de seu Filho Jesus.

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

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UMA PALAVRA, DUAS LETRAS

UMA PALAVRA, DUAS LETRAS

Como viver sem ela? Como encontrar sentido à vida, aos problemas, aos desafios, às frustrações, ao nosso viver do dia a dia sem contar com ela? Nela tudo está envolvido e tudo depende dela: “A Fé”. Um médico, em uma conversa de amigos nesta semana, me dizia: “Os ateus estão com nada”. Chamou-me à atenção o fato dele ser um homem de fé, com um estilo próprio de cultivá-la: frequenta o templo, gosta de orar, lê muito, conhece a Palavra de Deus, mas não expressa nenhum fanatismo. Interessante também porque, hoje, a ciência está preocupada em desvendar os segredos de certas curas, não por serem milagrosas, mas por virem de pessoas que têm fé. Pessoas que acreditam têm maiores chances de superar enfermidades, até mesmo de gravidade intensa.
Este fenômeno intrínseco ao ser humano, que é a capacidade de acreditar, mesmo sem ter provas científicas, garante o êxito em todos os campos da existência humana e nos faz pessoas com capacidade de olhar além do cotidiano, complicado e tremendamente humano. A crise de fé de Tomé, ao saber que os colegas tinham visto o Senhor Ressuscitado, não é uma simples incredulidade; é, sim, uma vontade heróica de ver Jesus. “Vocês viram, eu também quero ver”. Jesus acaba dando esta chance a Tomé, para deixar-nos um segredo: “Felizes os que acreditaram sem ter visto”(Jo 20, 29) A Fé é um presente que Deus nos deu e que precisa ser cultivada sem meias medidas, caso contrário, nos deixamos envolver por sentimentos puramente humanos e por explicações subjetivas que não levam a nada, complicando cada vez mais a nossa existência.
Os grandes heróis da história e das religiões foram pessoas que souberam acreditar, sem nenhuma segurança humana. Lançaram-se, sem medida, na busca dos seus ideais e na realização de uma missão solicitada por Deus. Todos os personagens bíblicos são exemplos marcantes. Há um exemplo mais evidente, o de Maria. A menina que já tinha programado o seu futuro recebe a notícia de que iria ser mãe do Salvador, o que a deixa desconcertada. Mesmo duvidando, aceita a proposta, respondendo: “Aqui está a escrava do Senhor, faça-se em mim conforme a tua Palavra”(Lc 1, 38). Sobre isso, pedia João Paulo II: “Maria, ensina-nos a reconhecer, humildemente, quanto são ‘insondáveis os desígnios’ e ‘imperscrutáveis os caminhos’ de Deus.” Aquela que pela eterna vontade do Altíssimo veio a se encontrar, por assim dizer, no próprio centro dos ‘imperscrutáveis caminhos’ e dos ‘insondáveis desígnios’ de Deus, a eles se conforma, na obscuridade da fé. Aceitando plenamente e com o coração aberto tudo quanto é disposição dos desígnios divinos (Rm, 14).
A pessoa de fé não está predestinada a viver sempre na luz, ao contrário, é mais provada que outra que nunca acreditou. As provações são sinais de que a vida é feita de cruzes, sofrimentos, morte e ressurreição. Acabamos de celebrar o segredo central de nossa capacidade de crer, a razão profunda de nossa fé. A Páscoa existe para lembrar o espetáculo inigualável da fé chamado Ressurreição. “Se Cristo não tivesse ressuscitado vazia seria a nossa fé”(I Cor 15,14). Precisamos cultivar uma fé viva, desnudada de crendices e amuletos, para não titubear no caminho do seguimento do Mestre e Senhor. E ser capaz, como diria o Apóstolo Paulo aos Romanos, confessar e crer: “Se com sua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rm 10, 8).
Ó palavrinha, tão pequena e tão forte, saia de nossa boca como essa prece: “Senhor aumentai a minha Fé”!

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É DIFICIL SER BISPO?

É DIFICIL SER BISPO?

Nas visitas pastorais, diante de um grupo de estudantes do ensino médio, fui surpreendido por uma pergunta. É difícil ser bispo? Confesso que, na hora, só veio uma resposta: Quando fazemos as coisas por amor, nada é difícil. Assim penso e assim procuro viver cada dia que Deus me concede, nesta missão de pastor do rebanho que está em Maringá. Já se passaram quatro anos, posso dizer que me sinto feliz e realizado.

Com certeza não é mérito meu, mas é Ele que chama e quer contar com pessoas cheias de limites, mas dispostas a fazer a sua vontade, mesmo que às vezes não se entende e não se sabe bem o que Deus quer naquele momento. Tudo é graça, de graça recebi e de graça também procuro servir. Nunca me passou pela cabeça estar na frente desta Igreja que foi construída com tanto zelo e dedicação por pastores, presbíteros, leigos e leigas comprometidos com a proposta evangélica, de fazer aqui um lugar visível do Reino de Deus.

Tudo o que recebi foi herança de uma comunidade que soube acreditar sem ver. Tudo foi construído na base da fé de quem vê o invisível, Tudo foi estruturado na base da esperança de dias melhores. Tudo foi iluminado pela prática de Jesus, Mestre, Caminho Verdade e Vida. Tudo foi construído na base do suor derramado em meio a tantas dificuldades e contrariedades de todo tipo. Certamente não faltaram dores e alegrias para regar a fecundidade de um povo que nunca perdeu o gosto de viver e a vontade ver dias melhores.

Hoje posso dizer que a herança recebida vem regada de fé, de amor e de coragem, estampada nas obras visíveis de tantos belos templos, como é a nossa maravilhosa e simbólica Catedral, dedicada a Nossa Senhora da Glória. Símbolo e ícone desta Igreja, desta cidade e deste povo que em qualquer situação tem orgulho de dizer: esta é a minha cidade, esta é a minha Maringá. O santo orgulho vai sustentado pela solidariedade característica de uma comunidade que sempre soube repartir. Essa me parece ser uma das mais fortes características deste povo.

Como comunidade de irmãos, abertos para um caminho de comunhão e participação, cujo protagonismo está nas mãos dos homens e mulheres comprometidos com o evangelho, assumi a missão de pastor deste rebanho, consciente de que nada faria sozinho. Um princípio que sempre adotei como meta de vida foi: “Vale mais o menos perfeito feito juntos do que o mais perfeito feito sozinho”. Estou convencido que só evangelizamos se formos um corpo, unidos na diversidade. Somos muitos, mas formamos um só corpo.

Na disposição de servir e amar, mesmo quando precisa semear entre lágrimas, pois tenho a certeza que alguém colherá com alegria. Nada é difícil para quem ama. No caminho da vida não faltam espinhos, como também não falta o perfume das rosas. Por isso vale, para mim e para todos os que acreditam no amor; recomeçar sempre sem olhar para trás, fazendo tudo o que se pode no agora da vida, com o olhar firme nos grandes horizontes da vida. Tudo se transforma quando for regado pela doação sem medida. Como diz o Apóstolo Paulo: “Tudo posso naquele que me fortalece

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SEMANA SANTA OU SEMANA PECADORA

SEMANA SANTA OU SEMANA PECADORA

Estamos às vésperas de uma semana que para os cristãos é chamada de Semana Santa. Quem sabe, alguém possa ainda perguntar: Porque Semana Santa? Certamente não será tão difícil dar uma resposta que satisfaça o interlocutor. Eu quero ajudar você na resposta a esta pergunta tão simples, mas tão cheia de significado. Tudo o que somos, tudo o que temos como tesouro de fé, encontramos a razão e o significado nesta semana. O mistério, o segredo da Redenção de todo o ser humano, do presente, do passado e do futuro está resumido em uma semana. O Filho de Deus feito carne, gente como a gente, assumiu a nossa natureza pecadora e nos resgatou entregando-se totalmente até a morte em uma cruz, para no terceiro dia, ressuscitar vitorioso. Esse mistério é grande e é a razão principal da nossa fé. Afirma o Apóstolo “Se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria a nossa fé”.(I Cor 15,14)
Assim, todos os anos, paramos uma semana, para reconhecer agradecidos o dom da Salvação, revivendo cada passo deste segredo de um Deus apaixonado pelo ser humano. O primeiro passo da celebração da Páscoa do Senhor é a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, acompanhado pelo povo com ramos verdes, e com gritos de alegria: “Bendito o que vem em nome do Senhor, hosana nas alturas! Hosana no mais alto dos céus” (Mc 11,9-10). A multidäo reconhece a seu modo, a messianidade de Jesus, reconhece que Jesus é o Messias, o enviado do Pai. Nós também, cada ano, revivemos este fato que marcou o inicio do processo da Paixão, Morte e Ressurreição.
Na quinta-feira Santa, iniciamos com a celebração da missa do Santo Crisma pela manhã, na qual consagramos os óleos do batismo, da crisma e dos enfermos. Esta celebração é marcada pela presença de todos os Presbíteros da Arquidiocese de Maringá que, neste dia, recordam a Instituição da Eucaristia e, com ela, a Instituição do Presbiterato. Renovam, diante do Arcebispo Metropolitano, os compromissos assumidos no dia da ordenação presbiteral. Essa celebração é o momento mais importante da vida presbiteral, pois se renovam os compromissos e a comunhão na família presbiteral. Essa celebração acontece geralmente na Catedral de cada diocese. Na noite de quinta-feira Santa, em todas as igrejas, se celebra a missa da Ceia do Senhor, na qual Jesus lavou os pés dos discípulos, deixando-nos o exemplo: “Se eu vosso Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros”(Jo13,1-15). Com essa celebração inicia-se solenemente o Tríduo Pascal, que culminará na Vigília Pascal do Sábado Santo.
Depois da Ceia de quinta-feira, entramos no grande silêncio, onde em adoração permanecemos até às 15 horas de sexta-feira Santa, quando celebramos a Paixão e a Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. “Se o grão de trigo não morre, não produz fruto”(Jo 12,24). A vida é fruto do amor e germina lá onde o amor é pleno. “Não existe maior amor do que dar a vida pelos amigos”(Jo 15,13). A solene vigília no sábado é um reviver dos fatos, desde o antigo testamento até a vinda do Messias e sua imolação como Cordeiro de Deus. Os símbolos da água e do fogo remetem a Jesus a água viva, o fogo novo, luz para humanidade que caminhava nas trevas. Ainda não celebramos a ressurreição e sim, vigiamos em oração para gritar na madrugada do terceiro dia: “Ele não está mais aqui, ressuscitou! Aleluia” (Jo 20,1-9)!. Por isso, você é convidado a reviver, mais uma vez, a história da nossa redenção, fazendo desta semana, uma Semana Santa e não mais uma semana pecadora.

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