Mês: maio 2009



SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

Estamos em plena semana de oração pela unidade dos cristãos. Neste ano, o Conselho Nacional das Igrejas Cristãs(CONIC) que, todos os anos, organiza e coordena os trabalhos do ecumenismo no Brasil, escolheu como tema uma frase do profeta Ezequiel: ” Unidos na Tua mão” (Ez 37,17). Nesta busca de unidade, na diversidade de religiões cristãs, não contam as diferenças e sim as semelhanças. Buscar o que nos une e não o que nos divide. O nosso ponto de união está fundamentalmente na Palavra de Deus. Em Maringá participam: Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, IPU – Igreja Presbiteriana Unida (de Marialva). O Pastor Estives e sua esposa Maria, membros da Igreja Metodista, participam, por iniciativa própria, desde o início desta caminhada ecumênica. A nível nacional, além destas, participam a Igreja Cristã Renovada e a Igreja Siria Ortodoxa Antioquia. Além das Igrejas membros participam: a Igreja Batista, Assembléia de Deus, Metodista, Sara Nossa Terra e outras. “Na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos queremos esquecer nossas mínimas diferenças e relembrar as palavras de Jesus sobre a importância de nossas semelhanças como cristãos”. Para o Reverendo Luiz Alberto, secretário geral do CONIC: “As afinidades das Igrejas Cristãs em torno de Jesus são mais fortes do que as diferenças”. Ainda segundo o reverendo Luiz Alberto, o tema deste ano “Unidos na tua mão” (Ez 37, 17), foi proposto pela Conferência Episcopal da Coréia do Sul. A motivação para a escolha é a divisão das duas Coréias [Sul e Norte]. “Com a escolha os bispos daquele país lembram que há a necessidade urgente da unidade entre esses dois países”. O presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom José Alberto Moura, diz que o evento é a maior manifestação de unidade entre os cristãos do mundo inteiro. “A Semana é fundamental para os cristãos de todo o mundo. A celebração visa unir as Igrejas no seguimento de Jesus Cristo como um só pastor e nós como um só rebanho”. Certamente, com as semanas de oração pela unidade, é um bom inicio para reunir as nossa igrejas ao redor do clamor de Jesus em seu discurso de despedida. “Para que todos sejam um, como tu Pai, estás em mim e eu em ti…. para que o mundo acredite que tu me enviaste”(Jo 17,21) Esta semana é uma oportunidade para atar laços de comunhão, respeito pelas diferenças e para abrir espaços para o diálogo franco e aberto, a fim de, juntos, construirmos a unidade querida por Jesus. Nesta época de grandes avanços tecnológicos, nós precisamos avançar mais na direção da unidade e não ficar atacando como donos da verdade. Queremos mais uma vez estimular a formação de núcleos ecumênicos locais para celebrar a Semana, especialmente pensando em 2010, quando teremos mais uma Campanha da Fraternidade Ecumênica, com o tema Fraternidade e Economia.
Saudemos a todos com as palavras bíblicas que nos dizem:

“Que todos sejam um em tuas mãos” (Ezequiel 37.17).

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A POLITICA É UMA ARTE

A POLITICA É UMA ARTE
Na organização social a política, como arte de governar bem em vista do bem comum, passa a ser um instrumento fundamental, pois ela compreende estratégias, meios, caminhos, para ser efetivamente uma arte e não uma artimanha beneficiando a alguns em detrimento da maioria. Neste contexto quero partilhar com vocês uma reflexão de um político, comunicador, escritor, professor, Gabriel Chalita. Na última eleição foi o vereador mais votado da capital Paulista. Em seu livro “Os dez mandamentos da ética”, em sua quinta edição, faz uma reflexão interessante, principalmente vinda de um homem engajado na política: “A lei, ao garantir a eqüidade, faz com que o exercício do poder seja um serviço e não uma ostentação para perpetuar privilégios nefastos de quem não tem consciência da importância social dos cargos que exerce. O poder é efêmero. As pessoas que ocupam uma função pública não a ocuparão para sempre, e estarão apenas de passagem. Essa consciência é imprescindível. A coisa pública precisa ser respeitada para que a ética prevaleça. E esse é um exercício constante. Quando o administrador público transgride os valores e se distancia da ética, ele vai se acostumando com a situação e acaba incorrendo num perigo para si mesmo e para a comunidade que representa. A análise da história política no mundo nos faz vislumbrar exemplos de governantes que se distanciaram da ética por se sentirem acima das leis, do Estado. Governantes que não entenderam o mister de servir ao povo, de servir ao sonho de construir uma sociedade cada vez mais harmoniosa. E o vício do mau exercício do múnus público faz com que a essência da pessoa que governa se desfigure. Já não se sente um homem, mas um semideus capaz de fazer o que quer, de tratar o outro com arrogância, de se sentir eternamente num patamar superior. Tola visão de medíocres governantes que perdem a grande oportunidade de vivenciar a felicidade na arte de fazer uma política que seja afetiva e libertadora. Perdem a oportunidade de entender que o serviço é uma oferenda à magia do encontro humano na busca pela verdadeira paz. Não aquela que se firma pela ausência de guerra, mas aquela que se firma por uma elevação da pessoa humana que começa a entender melhor esse fascinante exercício da vida. Em campanhas políticas, em todos os cantos e recantos, percebe-se o olhar vibrante daqueles que almejam o cargo eletivo. Cumprimentam, sorriem, envolvem, prometem, emocionam. Captam o universo interno dos atentos eleitores que mais uma vez apostam na utopia. Tudo não passa de momentos que se destroem, logo depois da vitória alcançada. O sonho se desfaz mais uma vez. E por quê? Mentem esses políticos ou não encontram em si mesmos a defesa dos interesses públicos? De uma ou de outra forma, o auditório mais consciente e educado será menos enganado e poderá escolher, com mais critérios, aquele que poderá conduzir o pacto social. Evidentemente não se pode generalizar. A história sempre presenciou políticos heróicos, abnegados, que empunharam sua vida a serviço da ética e que entenderam que, muito mais importante do que os aplausos momentâneos ou o dinheiro corrompido, é o tempo capaz de notabilizar quem soube perceber o que é a felicidade na política.

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QUERO SER ESCRAVO

QUERO SER ESCRAVO

Diante da comemoração do dia da abolição da escravatura, realizada em 13 de maio 1888, pela Princesa Isabel e o Conselheiro Rodrigo Augusto da Silva, com a assinatura da lei áurea, pensei que essa data pudesse despertar, em todos nós, um reconhecimento, pelo direito à liberdade, mas principalmente nossa gratidão e pedido de perdão pelos milhares de escravos que derramaram o próprio sangue no trabalho forçado, em nosso país. Sei que ainda tem muitos, não só negros, vivendo em situação deprimente para arranjar riqueza para patrões ambiciosos. A escravidão não terminou, pelo contrário, é o grande desafio da sociedade moderna, fazer com que todos “ganhem o pão com o suor do próprio rosto”, com dignidade.
Hoje, constatamos uma série de novas escravidões que vai além do trabalho braçal. A técnica, os avanços da informática, os novos e modernos meios de comunicação social, como a internet, são sinais de progresso, de modernização cuja finalidade é aproximar pessoas, construir valores, criar relacionamentos verdadeiros. Ao mesmo tempo, gerou uma mentalidade que está cravada na mente e no coração desde os mais pequenos e humildes, de consumo desenfreado e absurdo. Somos hoje, escravos do celular, carregando até nos momentos mais sagrados, nos templos de oração, obrigando expor avisos de “desligue o celular por favor aqui é lugar de oração”.
Outra escravidão é a da internet, que trás mil e uma vantagem, mas que mal usada, cria dependência e escraviza de tal forma, que já não se dialoga mais com os da aldeia e sim com os da “aldeia global” . Os amigos já não são mais os pais ou os filhos, já não importa quem está ao lado e se dele precisar é para o estritamente necessário. As relações são frias e formais, não tem espaço para o afeto e o calor humano que forma a mente e o coração de quem ama e ensina a amar. Escravos porque queremos ser livres, livres para fazer o que mais convém ou para ser perfeitos à imagem e semelhança de quem nos criou? As coisas de Deus, nunca podem ocupar o lugar do Deus das coisas. Tudo tem como finalidade promover a dignidade de todos e Glória do Pai Deus.
Criados como seres livres e para a liberdade, nos sentimos escravizados pelo relógio que corre contra o tempo, pela agenda que transborda de compromissos, pelos desejos que se somam intermitentemente numa corrente sem fim, pela vontade de querer fazer tudo e mais um pouco, dentro do menor tempo possível. Assim, dominados pelas exigências da vida moderna, sentimos a necessidade de sermos escravos, não das coisas e dos desejos, mas sim dos deveres e dos direitos de ser gente capaz de trabalhar com dignidade, de cultivar auto-estima acreditando nos próprios talentos, o gosto de viver e defender a vida, de ter tempo para trocar idéias e criar relações de amizades que perduram,de ter um tempo para orar e medir com o criador a força da perseverança.
Esse é um tempo de nos deixar escravizar pela prática do bem e da verdade, pela busca incansável de justiça e de paz, pela capacidade de dialogar com o outro e com o totalmente outro. Esse é um tempo que jamais se repetirá em nossas vidas, seremos gente livre e com força de libertar quando formos escravos do amor a nós mesmos, para poder amar o outro, garantindo assim o maior amor ao Pai Deus. Quem sabe poderemos repetir como a menina de Nazaré: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra”(Lc 1,38).

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

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MANIFESTO EM FAVOR DA FAMILIA – CNBB

Manifesto em favor da família
Nós, Bispos do Brasil, reunidos na 47ª Assembleia Geral da CNBB, em Itaici, Indaiatuba (SP), nos dias 22 de abril a 1º de maio de 2009, a caminho da “Peregrinação Nacional em Favor da Família” ao Santuário Nacional de Aparecida, dia 24 de maio de 2009, nos deparamos com constantes ameaças à vida e à família. À luz da Palavra de Deus, do Magistério da Igreja e da experiência humana, reafirmamos que:
Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, homem e mulher ele os criou (cf. Gn 1,27), destinando-os à plena realização na comunhão de vida, de amor e de trabalho. Por essa razão, o matrimônio e a família constituem um bem para os esposos e a sociedade. O amor conjugal aberto à geração e educação dos filhos proporciona a experiência de paternidade e maternidade através das quais os pais se tornam colaboradores do Criador. “O futuro da humanidade passa pela família” (João Paulo II);
O Estado e outras organizações civis estão a serviço, defesa e promoção da vida e da família. Ela é sujeito titular de direitos naturais e invioláveis. Sua legitimação se encontra na natureza humana e não no reconhecimento do Estado. A família tem prioridade em relação ao Estado e à sociedade, pois ela é a primeira e mais decisiva fonte onde se transmitem a vida e o seu significado e se experimentam os valores humanos para alcançar o bem da comunidade.
A família goza do direito de ser assistida por políticas públicas governamentais e sociais que possibilitem o seu acesso à vida digna, à alimentação, à saúde, à moradia, ao salário justo, à educação e escola para os filhos, à formação profissional, ao descanso, ao lazer e à infra-estrutura sanitária;
Cabe ao Estado proteger a família estável fundada no matrimônio, não por razões religiosas, mas porque ela gera relações decisivas de amor gratuito, cooperação, solidariedade, serviço recíproco e é fonte de virtudes para uma convivência honesta e justa;
Os meios de comunicação, os poderes públicos, os profissionais de saúde, as universidades, o sistema educacional, as empresas, as instituições e os organismos não-governamentais e todas as igrejas são conclamados a promover os valores da família e agirem como seus amigos;
A Pastoral Familiar, Movimentos, Serviços e Institutos sejam uma força intensa e vigorosa para anunciar o “Evangelho da vida e da família” e acolher aquelas que se encontram em situações especiais. Na verdade, a família contribui para que todos os povos reconheçam os laços fraternos que os unem, pois o mundo é chamado a ser uma grande família, um mundo de irmãos.
Pedimos a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil, que abençoe e acompanhe a família brasileira a fim de que nela habitem a fé, a esperança e o amor tão próprios da Sagrada Família de Nazaré. “Dobremos os joelhos diante do Pai, de quem toda família no céu e na terra, recebe seu verdadeiro nome” (Ef 3,15).

Itaici, Indaiatuba-SP, 29 de abril de 2009
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana-MG
Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus-AM
Vice-Presidente da CNBB

Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro-RJ
Secretário Geral da CNBB

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MENSAGEM PARA O DIA DO TRABALHADOR – CNBB

MENSAGEM PARA O DIA DO TRABALHADOR – 1º DE MAIO
“O salário que vós deixastes de pagar está gritando
e o clamor dos trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor” (Tg 5,4).

Ao celebrar o Dia do Trabalhador, a CNBB confirma seu compromisso em favor dos direitos sociais do povo e, em especial, dos direitos trabalhistas e dos esforços para consolidar as suas organizações. Expressa também a solidariedade com todos os desempregados, vítimas da crise ou dos que se aproveitam dela. Os princípios da Doutrina Social da Igreja – a dignidade da pessoa humana, a destinação universal dos bens da terra e a prioridade do trabalho sobre o capital – inspiram alternativas para uma nova ordem econômica, em vista de um mundo justo e solidário.
Neste ano, o dia 1º de maio acontece no contexto da crise que assola o conjunto da economia mundial. A crise mostra a sua face mais cruel ao se deslocar do capital financeiro para o setor produtivo, dizimando milhares de postos de trabalho, na cidade e no campo. Os países e as populações pobres sofrem mais diretamente as conseqüências do atual modelo capitalista de desenvolvimento, incapaz de assegurar a dignidade humana, garantir os direitos sociais básicos e preservar a vida em nosso planeta.
Na origem da crise estão o sistema neoliberal globalizado e a falta de ética na economia e na regulamentação do mercado, gerando corrupção e especulação. O mercado financeiro, na medida em que comanda as relações dos seres humanos entre si e com a natureza, reforça o consumismo comprometendo a justiça social e o equilíbrio ambiental. A crise financeira e econômica é apenas uma parte da crise mais profunda que é social, política, cultural, ambiental, ética e espiritual. Todas essas dimensões devem ser consideradas com coragem e lucidez, na busca de uma saída sustentável.
A crise atinge, sobretudo, os trabalhadores, os pobres, as pequenas e médias empresas. Os bancos recebem verbas milionárias dos governos para salvar o sistema financeiro. No entanto continuam as demissões, levando muitas pessoas a buscarem sua sobrevivência no trabalho informal. Tal situação corre o risco de ser agravada, caso seja aprovada a Proposta de Emenda Constitucional sobre a Reforma Tributária, do modo como está sendo apresentada. Ela atingiria o cerne do sistema de Seguridade Social e reduziria gravemente a proteção de mais de 36 milhões de trabalhadores aposentados e pensionistas.
Os tempos atuais, mesmo difíceis, representam oportunidades para as mudanças necessárias em direção a uma nova ordem econômica. Nesse contexto, a Igreja faz ressoar o clamor dos trabalhadores por vida e dignidade. As aspirações do povo trabalhador, por meio de suas organizações, indicam caminhos para a consolidação dos direitos, tais como: não às demissões, valorização das aposentadorias, queda nos juros, redução da jornada de trabalho sem redução dos salários, reforma agrária e fortalecimento da agricultura familiar e agro-ecológica, combate ao trabalho escravo e degradante, valorização dos movimentos de trabalhadores desempregados, incentivo às iniciativas de economia popular solidária, investimento nas políticas públicas de saúde, educação e moradia.
A CNBB convida trabalhadoras e trabalhadores a manterem viva a fé, a esperança e a alegria em Jesus Cristo Ressuscitado. Que Nossa Senhora Aparecida e São José Operário, o Carpinteiro de Nazaré, intercedam junto a Deus, a fim de que as mais copiosas bênçãos sejam derramadas sobre todos os que, irmanados pelos laços do trabalho, constroem o nosso País.

Indaiatuba- SP, 28 de abril de 2009.

Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana-MG Dom Dimas Lara Barbosa
Presidente da CNBB Bispo Auxiliar do RJ
Secretário Geral da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus-AM
Vice-Presidente da CNBB

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