Mês: março 2011



A oração, o jejum e a misericórdia

Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e a perseverança à virtude. São elas: a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente.

O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum. Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse.

Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.

Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.

Homem, se para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza.

Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas. Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado (cf. Sl 50,19).

Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus. Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.

Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia”. (Carta de São Pedro Crisólogo, século IV)

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

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Deus descansou. E nós?

Artigo semanal de Dom Anuar Battisti com base no texto da Campanha da Fraternidade de 2011

“Deus nos dá este mundo para que vivamos numa solidariedade geradora de paz. “No sétimo dia, Deus concluiu toda obra que tinha feito; e no sétimo dia repousou de toda obra que fizera” (Gn 2,2ª). Este dia, o sétimo, reveste-se de grande importância no contexto do primeiro relato da criação, pois nele, Deus “concluiu” a sua criação.

Desta forma, é no dia chamado de sábado e através dele, que o homem e a mulher vão reconhecer a realidade na qual vivem e percebe-se criação de Deus”. (texto base da campanha da fraternidade/2011 –nº 119).

“Então podemos nos interrogar: o que Deus acrescentou com o descanso às obras da Criação, se já havia concluído no sexto dia? O que ainda faltava para a criação, se já se encontrava acabada? A resposta é o próprio descanso, do qual emergem a bênção e a santificação do sétimo dia, ou seja, deus conclui a criação com a sua bênção. É do repouso de Deus que emergem a bênção a santificação do sábado.

A obra da criação tem sua conclusão com o descanso do Criador. O Deus que descansa no sétimo dia é o criador que descansa de toda obra que fizera. No dia do repouso, o Criador também se recolhe novamente a si, o que não significa um retorno a existência eterna anterior à criação do mundo e das pessoas, mas deixa de criar e, junto com a sua criação, descansa e a contempla”. (texto base da campanha da fraternidade/2011 –nº 122).

“Podemos dizer que Deus, não somente descansa de sua criação, mas que este descanso se dá em sua obra, que está diante dele, e Ele presente nela”. (texto base da campanha da fraternidade/2011 –nº 123 parte). “O próprio Deus mostra o repouso como exigência para a vida humana e para a natureza, quando estabelece o ano sabático e o ano jubilar (cf. Lv 25,1-22): o descanso deve ser respeitado não apenas para o ser humano, mas também para toda a natureza. Sem descanso, não pode haver nem sequer vida natural de qualidade”. (texto base da campanha da fraternidade/2011 –nº 125).

“Nós cristãos entendemos que o sentido original do dia festivo está na celebração da ressurreição de Jesus, fato primordial sobre o qual se apoia a nossa fé. O domingo cristão deve ser visto como a expansão messiânica do sábado de Israel. O domingo, dia festivo cristão, entendido e vivido como o “dia do Senhor”, não somente antecipa o descanso do final dos tempos, mas indica o início da nova criação”. (texto base da campanha da fraternidade/2011 –nº 126).

“Segundo a concepção cristã, a nova criação começa com a ressurreição de Cristo. O jardim da ressurreição é o novo jardim do Éden, o lugar da recriação. O casal humano se reencontra num universo que não é o túmulo, mas o jardim, lugar da vida e não da morte. Se o sábado de Israel permite olhar em retrospectiva para as obras da criação de Deus e para o próprio trabalho das pessoas, a festa da ressurreição olha para frente, para o futuro da nova criação.

Se o sábado de Israel permite participar do descanso de Deus, a festa cristã da ressurreição permite participar da força que opera a recriação do mundo. Se o sábado de Israel é primordialmente um dia de reflexão e de agradecimento, a festa cristã da ressurreição é primordialmente um dia de início e de esperança”. (texto base da campanha da fraternidade/2011 –nº 127).

“Este mundo sem o descanso de Deus, de sua presença, corre o risco de se converter em fábricas que poluem e de homens e mulheres que atuam em um mercado de trabalho gerador mais de morte, que de vida propriamente”. (texto base da campanha da fraternidade/2011 –nº 129 parte).

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá

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Decisão judicial, segurança jurídica e a lei da ficha limpa

Dom Dimas Lara Barbosa

Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro

Secretário Geral da CNBB

Depois da coleta de mais de um milhão de assinaturas de cidadãos, depois da aprovação amplamente majoritária na Câmara Federal, depois da aprovação unânime no Senado da República, depois da sanção sem retardamento nem vetos pelo Poder Executivo, depois da aplicação generalizada pelos Tribunais Regionais Eleitorais, depois de confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral, depois de aplicada por decisão do Supremo Tribunal Federal e, o que é mais significativo, depois da aprovação generalizada em todos os níveis e segmentos da opinião pública nacional, a lei da ficha limpa vai ser submetida a mais um desafio.

A apreciação de mais um recurso na Corte Constitucional, agora funcionando com sua composição integral de onze ministros – anteriormente eram dez- abre a possibilidade para que possa ocorrer seja a confirmação da decisão anterior, aplicando-se a lei da ficha limpa às eleições do ano passado, seja sua modificação, deixando-se para aplicá-la apenas nas eleições de 2012. Neste caso, resultará que aqueles que foram considerados inelegíveis nas eleições do ano passado, se transformarão em candidatos elegíveis e poderão ser considerados eleitos.

Esta última alternativa induvidosamente representará uma contra-marcha na luta pela lisura eleitoral. A consciência ética brasileira, através de seus organismos mais significativos, aqui incluída a CNBB,  saudou a mencionada lei como um valioso instrumento de aperfeiçoamento das instituições  e da credibilidade dos representantes da soberania popular.

Uma primeira apreciação na Corte Constitucional apresentou um empate Houve enorme apreensão sobre o futuro da lei. Venceu, porém, a certeza de que ela era instrumento legítimo a ser aplicado às eleições de 2010.

O que se espera, agora, quando circunstâncias aleatórias podem afetar a decisão que se formou, é que seja preservado o princípio da segurança jurídica, pedra angular de um Estado Democrático de Direito como se costuma qualificar a nossa formação histórica, política e social.

A estabilidade das relações jurídicas é elemento essencial à estabilidade democrática. As regras da convivência social devem ser aceitas e respeitadas.

Com a aprovação, em todas as instâncias a que foi submetida, a lei da ficha limpa já é hoje um patrimônio ético da soberania popular e da sociedade brasileira. Precisa ser defendida e preservada como símbolo de um corpo social onde reine a justiça e a paz.

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Fotos do 1º ENCAD em Maringá

Aqui mais fotos do evento

Fotos de Mário Azanha

No último dia 20 de março aconteceu em Maringá, das 14h às 17h, o 1º ENCAD – Encontro de Crismandos Adolescentes. Estiveram presentes em torno de 800 adolescentes e demonstraram muito ânimo, empolgação e, de fato, se envolveram com a proposta da equipe organizadora. Participaram deste encontro as Regiões Pastorais Santa Cruz, Nossa Senhora Aparecida e Catedral.

D. Anuar esteve presente e partilhou sua experiência vocacional na adolescência e como se sente realizado atualmente em sua vocação. Sem dúvida que o testemunho do Arcebispo foi muito importante para os adolescentes. Contamos também com a presença de diversos padres. Enfim, a alegria dos adolescentes crismandos e crismados e também dos catequistas estava estampada em cada sorriso e na satisfação de se encontrar com tanta gente jovem e com disposição em assumir sua missão cristã.

Assim como Jesus, somos encorajados a também crescer, diante de Deus e dos homens, na fé, no amor, na solidariedade, no compromisso com o próximo, na nossa relação com a Igreja e com Deus. Enquanto adolescente, Jesus se demonstrava profundamente próximo de sua família e de sua religião. Aos doze anos, ao celebrar a Páscoa, Jesus permanece no templo, discutindo com os doutores: “Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é de meu Pai?” (Lc 2,49). Assim, nossos adolescentes são chamados a valorizar, a exemplo de Jesus, sua família e sua religião.

Este encontro teve como objetivo refletir com os adolescentes sobre o sacramento da crisma e sobre o seu papel na família. Estes dois temas foram trabalhados através dos teatros, da música, da dança e dos testemunhos vocacionais. Nós, da Pastoral dos Adolescentes, estamos muito contentes com a realização deste encontro e em perceber que está surgindo uma geração de jovens que tem interesse em participar da vida da Igreja.

Ao longo do ano realizaremos o ENCAD também nas outras Regiões Pastorais da Arquidiocese. O próximo será em Jandaia do Sul no dia 12 de junho. Desejamos, enfim, que este projeto ajude os nossos adolescentes, crismandos e crismados, a permanecerem firmes na fé, perseverantes na Igreja e a serem verdadeiras testemunhas do Reino de Deus.

Padre Sandro Ferreira

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II Congresso da Divina Misericórdia

As inscrições para o II Congresso da Divina Misericórdia continuam abertas e podem ser feitas nas secretariais paroquiais da Arquidiocese de Maringá, com o custo de R$10. O Congresso será realizado nos dias 26 e 27 de março no Teatro Marista.

Os pregadores do evento serão o padre Ednilson de Jesus, Reitor do Santuário da Divina Misericórdia de Curitiba, e Léia Catenassi, Coordenadora do Grupo de Oração do mesmo santuário. O Arcebispo de Maringá, Dom Anuar Battisti, confirmou participação no evento.

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Visita Pastoral em Cruzeiro do Sul e Uniflor

De 20 a 27 de março o Arcebispo de Maringá realiza  Visita Pastoral nos municípios de Cruzeiro do Sul e Uniflor. Na mesma região da Arquidiocese, na sequência, entre 30 de março e 3 de abril o Arcebispo estará em Paranacity.  Dom Anuar vai  finalizar as Visitas Pastorais fora do município de Maringá, sede da Arquidiocese, de 10 a 13 de abril em Inajá, Paranapoema e Jardim Olinda. Para o segundo semestre está previsto o início da Visita Pastoral em Maringá.

Por Assessoria de Imprensa da Arquidiocese de Maringá

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A criança chora e chama pela mãe

Quem nunca chorou? Quem nunca viu alguém chorar? Certamente já fizemos esta experiência onde sentimos a necessidade de ter alguém, ou chamar por alguém. Ninguém chora sem ter um motivo. O próprio filho de Deus chorou, ao saber da morte do seu amigo Lázaro, mexeu na estima profunda que tinha pelo seu amigo. O choro na maioria das vezes acontece sempre na presença de outros.

Também por vezes na solidão ou na calada da noite para que ninguém veja. Em ambos momentos existe alguém presente fisicamente ou espiritualmente vendo e ouvindo. Essa presença do outro e do Totalmente Outro, Deus, sempre trás alívio, conforto, serenidade, acalma e muda os sentimentos.

O choro é a manifestação visível de que somos limitados e a experiência do limite faz buscar auxílio, exige sair ao encontro de alguém para preencher o vazio, ou aquela necessidade. Querendo ou não somos limitados, vivemos a contingência da vida humana com todos os seus sentidos.

Diante da onipotência da técnica, dos modernos meios de comunicação, o ser humano é vencido pelas tragédias e catástrofes naturais. A lição mais forte destes fenômenos é a destruição da onipotência do homem. Ele não é Deus. O ser humano não tem outra saída a não ser reconhecer-se limitado e pedir socorro. Essa é a experiência da criança que chora e chama pela mãe. Na contingência humana que se manifesta o poder de Deus.

É aqui que entra a experiência humana e divina da oração. Uma carta do século quarto atribuída a Crisóstomo diz: “A oração é venerável mensageira que nos leva à presença de Deus, alegra a alma e tranquiliza o coração. Não pense que essa oração se reduz a palavras. Ela é desejo de Deus, amor inexprimível que não provém dos homens, mas é efeito da graça divina, como diz o Apóstolo: “Nós não sabemos o que devemos pedir, nem como pedir; é o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inefáveis”(Rm 8,16).

Praticando a oração em sua pureza original, adorna tua casa de modéstia e humildade. Como cúpula de todo o edifício coloca a oração. Assim prepararás para o Senhor uma digna morada. Assim terás um esplêndido palácio real para recebê-lo, e poderás tê-lo contigo na tua alma, transformada, pela graça, em imagem e templo da sua presença.

Diante de todas as tragédias humanas, da fúria da natureza, sentindo o nada que somos, a transitoriedade de tudo e de todos. De nada adianta interpretações apocalípticas, levando o ser humano ao medo desesperado.

Não ao medo e sim à fé que leva confiar no Criador que fez tudo muito bom e confiou em nós a missão de cuidar e aperfeiçoar a Sua obra. Se eu não fizer, ninguém fará por mim. “Vai depender só de nós”.

A experiência do limite nos leva às lágrimas, que fazem levantar a cabeça, olhar ao redor, abrir os braços, ajudar e buscar ajuda no outro e no Totalmente outro, Deus, como a criança que chora e chama pela mãe.

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

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Bispos elegem nova presidência do Regional Sul 2

Direto de São José dos Pinhais, onde está sendo realizada a Assembleia dos Bispos do Regional Sul 2 da CNBB, o arcebispo de Maringá, Dom Anuar Battisti relata como ficará a mesa diretora do Regional Sul II, a partir de maio. A eleição da nova presidência foi realizada na manhã desta terça-feira.

Veja

 

Presidente: Dom João Bosco

Bispo de União da Vitória

 

Vice-presidente: Dom Mauro Aparecido dos Santos

Arcebispo de Cascavel

 

Secretário: Dom Rafael Biernaski

Bispo auxiliar de Curitiba

 

Representante da Província Eclesiástica de Londrina:

Dom Celso Marchiori

Bispo de Apucarana

 

Representante da Província Eclesiástica de Maringá

Dom Geremias Steinmetz

Bispo de Paranavaí

 

Representante da Província Eclesiástica de Cascavel

Dom Dirceu Vegini

Bispo de Foz do Iguaçu

 

Representante da Província Eclesiástica de Curitiba

Dom Sérgio Arthur Braschi

Bispo de Ponta Grossa

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