Mês: abril 2011

 

Somos Igreja e não empresa

“Estamos no mundo, mas não somos do mundo” (Jo 17,16). Diante desta afirmação de Jesus, não precisamos nos preocupar em competir no mercado, nem buscar ser os melhores ou maiores. Somos comunidade de pessoas que creem em um só caminho, que é Jesus. “Eu sou o caminho a verdade e a vida”. (Jo14,6)

A comunidade deve ser cada vez mais uma comunidade de pessoas livres, profundamente marcadas por um relacionamento pessoal com Jesus. Nós não temos uma mercadoria para ser vendida e sim uma proposta de vida a ser vivida.

No seu livro “Luz do Mundo”, o Papa Bento XVI, em uma conversa com o jornalista alemão, Peter Seewald, tratando dos mais variados assuntos, afirma: “Não somos um centro de produção, não somos uma empresa voltada para o lucro, somos Igreja. Somos uma comunidade de pessoas que vivem na fé. Nossa tarefa não é criar um produto ou conseguir êxito nas vendas. Nossa tarefa é viver exemplarmente a fé, anunciá-la, e mantermo-nos em uma relação profunda e, assim com o próprio Deus, não ser um grupo utilitarista, mas uma comunidade de pessoas livres que se doam, e que atravessam nações e culturas, o tempo e o espaço”.

A única competição que vale a pena é aquela de quem é capaz de amar mais. Na dinâmica do amor,  criar relacionamentos verdadeiros, estabelecer laços de unidade, buscar o que nos une e não o que nos divide, seja no âmbito interno, da comunidade, como externo. Assim seremos um testemunho que atrai pessoas sedentas de uma experiência de fé, desejosas de uma comunidade onde todos se querem bem e buscam colocar em prática os ensinamentos do evangelho. Esse é o desejo de Jesus: “Que todos sejam um, como Tu, Pai, estás em mim e eu em ti. E para que eles estejam em nós, afim de que o mundo acredite que tu me enviaste”. ( Jo, 17,21)

Estamos no mundo da concorrência, da competição, da propaganda, do consumismo. Porém, nunca podemos entrar neste mesmo esquema, que escraviza, tirando a liberdade de ação e pensamento. Por isso a missão da Igreja Católica e das demais igrejas é ser um caminho concreto, um meio de levar a proposta do Evangelho de Jesus para o cotidiano.

Então fica difícil entender que o preconceito religioso possa ser algo inerente ao cristianismo, fazendo com que frequentadores de algumas denominações não aceitem esse ou aquele irmão porque ele é desta ou daquela igreja, como se fosse a igreja, a religião que garantissem a Salvação.

Fica difícil entender que seja do Evangelho a atitude de um cristão que se nega entrar na igreja do outro porque “lá não é de Deus”.

Não entendo que faça parte do Evangelho afirmar que “aqui tem salvação e lá não”, que “aqui há milagres e lá não”, que “aquela igreja leva para o inferno e aqui não”.

Não posso entender que seja do Evangelho de Nosso Senhor Jesus, orar para que “aquela igreja não vá pra frente”. Quando e como o mundo vai acreditar no Senhor Jesus se os cristãos viverem competindo como se fossem empresas buscando clientes?

Tenho participado do Grupo de Diálogo Inter-religioso (GDI). Que experiência maravilhosa! Sentar juntos, orar juntos, dialogar sem preconceitos com o monge budista, com o xeique muçulmano, com os lideres da fé Bahá’í, com os líderes do candomblé e da umbanda, com os representantes do espiritismo, com representantes do Cristianismo, evangélicos e católicos.

Um testemunho vivo de que é possível viver sem concorrência, sem querer ser melhores ou maiores. Ali vale o amor entre pessoas criadas à imagem e semelhança de Deus. O caminho a percorrer é longo. Não podemos permanecer nas diferenças e sim fazer a diferença neste mundo dividido, competitivo e empresarial.

Que neste caminho não nos falte a coragem de quebrar as máscaras criadas em nome do Evangelho, e deixar brilhar o verdadeiro rosto de quem descobriu o verdadeiro rosto amoroso de Deus, que amou por primeiro, que ama a todos, que ama sempre, sem olhar se este ou aquele é desta ou daquela igreja.

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

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Maringá fará Vigília pela Beatificação de João Paulo II



A Arquidiocese de Maringá fará parte da vigília mundial de oração em preparação à Beatificação do Papa João Paulo II. A vigília será realizada na Catedral Basílica a partir das 22h de sábado, 30 de abril, com encerramento previsto para as 3h de domingo, 01 de maio – dia da Beatificação de João Paulo II – com celebração da santa missa presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Maringá, Dom Anuar Battisti. O momento está sendo  organizado pelo Apostolado Eucarístico da Divina Misericórdia.

 

Festa da Misericórdia na Catedral de Maringá

No domingo à tarde, na Festa da Divina Misericórdia, instituída pelo Papa João Paulo II para ser celebrada no 1º domingo após a Páscoa, haverá oração do Terço da Misericórdia às 15h na Catedral de Maringá. Às 16h será celebrada a santa missa, dentro da programação especial por ocasião da data.

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A Cruz nos fala do amor supremo de Deus, diz Bento XVI

O papa Bento XVI presidiu, ontem, 22, a tradicional via-sacra, no Coliseu, em Roma. Os textos foram escritos pela presidente da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália Nossa Senhora do Bom Conselho, Irmã Maria Rita Piccione, da Ordem de Santo Agostinho (OSA).

No final da via-sacra, o papa dirigiu sua palavra aos fiéis e lembrou o sentido da cruz de Cristo.

“A Cruz fala-nos do amor supremo de Deus e convida-nos a renovar, hoje, a nossa fé na força deste amor, a crer que em cada situação da nossa vida, da história, do mundo, Deus é capaz de vencer a morte, o pecado, o mal, e dar-nos uma vida nova, ressuscitada. Na morte do Filho de Deus na cruz, há o gérmen de uma nova esperança de vida, como o grão de trigo que morre no seio da terra”, disse Bento XVI.

Leia, abaixo, a mensagem do papa

Amados irmãos e irmãs,

Esta noite, na fé, acompanhamos Jesus, que percorre o último trecho do seu caminho terreno, o trecho mais doloroso: o do Calvário. Ouvimos o alarido da multidão, as palavras da condenação, o ludíbrio dos soldados, o pranto da Virgem Maria e das outras mulheres. Agora mergulhamos no silêncio desta noite, no silêncio da cruz, no silêncio da morte. É um silêncio que guarda em si o peso do sofrimento do homem rejeitado, oprimido, esmagado, o peso do pecado que desfigura o seu rosto, o peso do mal. Esta noite, no íntimo do nosso coração, revivemos o drama de Jesus, carregado com o sofrimento, o mal, o pecado do homem.

Via-sacra-RomaE agora, que resta diante dos nossos olhos? Resta um Crucificado; uma Cruz levantada no Gólgota, uma Cruz que parece determinar a derrota definitiva d’Aquele que trouxera a luz a quem estava mergulhado na escuridão, d’Aquele que falara da força do perdão e da misericórdia, que convidara a acreditar no amor infinito de Deus por cada pessoa humana. Desprezado e repelido pelos homens, está diante de nós o «homem de dores, afeito ao sofrimento, como aquele a quem se volta a cara» (Is 53, 3).

Mas fixemos bem aquele homem crucificado entre a terra e o céu, contemplemo-lo com um olhar mais profundo, e descobriremos que a Cruz não é o sinal da vitória da morte, do pecado, do mal, mas o sinal luminoso do amor, mais ainda, da imensidão do amor de Deus, daquilo que não teríamos jamais podido pedir, imaginar ou esperar: Deus debruçou-Se sobre nós, abaixou-Se até chegar ao ângulo mais escuro da nossa vida, para nos estender a mão e atrair-nos a Si, levar-nos até Ele. A Cruz fala-nos do amor supremo de Deus e convida-nos a renovar, hoje, a nossa fé na força deste amor, a crer que em cada situação da nossa vida, da história, do mundo, Deus é capaz de vencer a morte, o pecado, o mal, e dar-nos uma vida nova, ressuscitada. Na morte do Filho de Deus na cruz, há o gérmen de uma nova esperança de vida, como o grão de trigo que morre no seio da terra.

Nesta noite carregada de silêncio, carregada de esperança, ressoa o convite que Deus nos dirige através das palavras de Santo Agostinho: «Tende fé! Vireis a Mim e haveis de saborear os bens da minha mesa, como é verdade que Eu não recusei saborear os males da vossa mesa… Prometi-vos a minha vida… Como antecipação, franqueei-vos a minha morte, como que para vos dizer: Convido-vos a participar na minha vida… É uma vida onde ninguém morre, uma vida verdadeiramente feliz, que oferece um alimento incorruptível, um alimento que restabelece e nunca acaba. A meta a que vos convido… é a amizade como o Pai e o Espírito Santo, é a ceia eterna, é a comunhão comigo … é participar na minha vida» (cf. Discurso 231, 5).

Fixemos o nosso olhar em Jesus Crucificado e peçamos, rezando: Iluminai, Senhor, o nosso coração, para Vos podermos seguir pelo caminho da Cruz; fazei morrer em nós o «homem velho», ligado ao egoísmo, ao mal, ao pecado, e tornai-nos «homens novos», mulheres e homens santos, transformados e animados pelo vosso amor.

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Caminhada da Purificação no Itaipu

A Paróquia Santa Rita de Cássia, da Arquidiocese de Maringá, promove amanhã, Sexta-feira Santa, a tradicional Caminhada da Purificação. A saída será às 5h em frente à Paróquia Santa Rita de Cássia, que fica no Parque Itaipu. Os fieis vão caminhar 12 km até a Comunidade Bom Jesus.

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CF 2011 vai financiar projetos sociais

O Conselho Gestor do Fundo Arquidiocesano de Solidariedade de Maringá  deu início ao período de recebimento de projetos em execução entre os anos de 2011/2012 que estão relacionados ao tema da Campanha da Fraternidade deste ano: “Fraternidade e a Vida no Planeta”. As inscrições vão até o dia 03 de junho. Outras informações podem ser obtidas pelo endereço http://www.aras.org.br/

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2011
TEMA: Fraternidade e a Vida no Planeta.
LEMA: “A Criação geme em dores de parto”. (Rm 8,22)

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