Mês: junho 2012



Paróquia Santa Paulina será criada em setembro

 

Paróquia Santa Paulina será criada em setembro e vai atender comunidades da Zona Norte de Maringá

 

Paróquia Santa Paulina será a de número 56 na Arquidiocese de Maringá

 

A partir do dia primeiro de setembro de 2012 a Arquidiocese de Maringá passará a ter 56 paróquias distribuídas em 28 municípios. A Paróquia Santa Paulina, desmembrada da Paróquia Santa Isabel de Portugal, estará localizada na região norte de Maringá e vai atender uma população aproximada de 15 mil habitantes. A Arquidiocese de Maringá decidiu criar a nova paróquia por causa do rápido crescimento populacional da referida área que engloba bairros como o Residencial Ícaro, Parque das Laranjeiras, Jardins Paris I, II, III, IV e V, Jardins Monte Rei, Império do Sol, Rebouças, Paraíso, Brasil, Santa Helena e outros loteamentos.

A nova paróquia terá como Igreja Matriz provisória a Capela Santa Helena, inaugurada em 2010; a Capela Menino Jesus deixará de pertencer à Paróquia Santa Isabel de Portugal para fazer parte da Paróquia Santa Paulina por estar dentro dos limites territoriais da nova estrutura paroquial, assim como a Capela São Frei Galvão, cujo terreno próprio já foi adquirido e o projeto de execução da obra está em fase de aprovação.

A futura sede paroquial será construída (não há previsão de data para início das obras) no terreno da chácara Santa Paulina, que fica na região da Avenida Mandacaru próximo ao prédio provisório da PUCPR, logo após o Contorno Norte.

 

Santa Paulina

Conheça a história da primeira santa brasileira

 

Primeiro pároco

No dia primeiro de setembro de 2012 o Arcebispo de Maringá, Dom Anuar Battisti, dará posse ao Padre José Mello como primeiro Pároco da Paróquia Santa Paulina, durante santa missa celebrada às 20h na capela Santa Helena.

 

 

Limites territoriais

A Paróquia Santa Paulina limita-se com a Paróquia Santa Isabel de Portugal, da qual será desmembrada, tendo como ponto inicial a Avenida Dr. Alexandre Rasgulaeff no seu encontro com o Córrego Mandacaru. Segue por essa avenida até encontrar a Praça  Reinaldo G. Bittencourt Filho; segue pela Avenida Pintassilgo até encontrar o Ribeirão Maringá.

Com a Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro:  Segue na direção Oeste o Ribeirão Maringá, até sua foz no Córrego Mandacaru; sobe pelo Córrego Mandacaru, limitando-se com a Paróquia São Judas Tadeu e Nossa Senhora de Lourdes, até encontrar a Avenida Dr. Alexandre Rasgulaeff.

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Brasil Sem Aborto

O Movimento Brasil Sem Aborto conclama a população a unir-se à quinta edição da Marcha Nacional da Cidadania pela Vida pedindo pela defesa da vida humana no Brasil desde sua concepção. De maneira especial a marcha pedirá pela aprovação do estatuto do nascituro, um projeto de lei que tramita em Brasília e visa defender a vida no ventre materno contra o aborto.

Segundo informa o Movimento Brasil Sem Aborto, é preciso intensificar os esforços pela aprovação do mencionado estatuto, que tramita em Brasília como PL 478/2007, pois que tem por objetivo defender os direitos da criança por nascer à semelhança do estatuto da criança e do adolescente e o estatuto do idoso.

“Precisamos nos mobilizar exigindo dos representantes do povo que aprovem esta Lei tão importante para garantir os direitos do bebê em gestação, desde o primeiro instante de vida, ou seja, desde a concepção”.

A Marcha terá lugar na Esplanada dos Ministérios em Brasília nesta terça-feira, 26 de junho, com concentração a partir das 15h30.

Mais informações: http://www.brasilsemaborto.com.br/?action=noticia&idn_noticia=202&cache=0.5128683651980912

 

Por ACI Digital

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Saudades do paraíso perdido

Muitas vezes só valorizamos algo quando o perdemos. Sentimos o quanto amamos alguém, quando se está longe. Essa experiência da perda faz parte da vida humana. No entanto, existem perdas que acontecem por vontade própria, por uma decisão pessoal, condicionada pelo meio em que se vive.

Ninguém nasce alcoolista, dependente químico, ladrão, assassino, corrupto, safado…

O ser humano está sujeito a todo tipo de situações que não dependem de uma decisão unicamente pessoal. Para que ele decida algo é levado em conta uma série de fatores, que vem desde a concepção, até a educação, a formação ética e religiosa. O meio ambiente em que vive é determinante na formação do caráter e da hierarquia de valores e das suas escolhas. A velha frase ainda vale: “Diga com quem andas e direi quem és!”

Diante das escolhas feitas durante a vida não adianta chorar o paraíso perdido. Cada ser humano é livre para escolher e é obrigado a aceitar as consequências das próprias escolhas. Não adianta buscar culpados, jogar a responsabilidade nos ombros dos outros. A família faz o seu papel, a escola faz a sua parte, as igrejas vivem a sua missão, porém ninguém pode determinar a trajetória de ninguém.

E tudo isso é lindo, é maravilhoso, mas também é o tendão de Aquiles de toda a humanidade. Neste fim de semana quando a campanha contra as drogas sai às ruas, descem pelas antenas em nossas casas, chegam aos ouvidos pelos mais variados meios de comunicação, devemos nos questionar: Será que estamos fazendo a nossa parte para evitar o crescimento do número de dependentes químicos?

As associações dos Alcoólicos Anônimos, a experiência do Amor Exigente, as casas de recuperação ou de apoio, as mais variadas obras sociais, todas são iniciativas que brotam do coração inquieto de quem quer um mundo melhor.

Muitas dessas entidades são mantidas pelo esforço de centenas de voluntários e de colaboradores, tocados pela dignidade e desejo profundo de resgate da cidadania. Com certeza são iniciativas louváveis, profundamente cristãs e humanitárias. Mas sabemos que enquanto dedicamos energias para recuperar um ser humano, há outros entrando no mundo das drogas.

Sabedores desta triste realidade, o que leva a continuar essa luta é saber que um cidadão recuperado é um cidadão a menos caído nas ruas. O trabalho fundamental de prevenção e repressão está cada vez mais complicado. Mas não podemos desanimar em recuperar o paraíso perdido.

Nunca pode faltar o apoio aos homens e mulheres da segurança pública. Temos que denunciar sem medo, pois sabemos muito bem que há, inclusive, autoridades, “gente grande” envolvida no tráfico de drogas, contribuindo com toda essa podridão. Por que não atacar a indústria, a origem de toda essa máfia organizada internacionalmente? Não existe outra resposta a não ser o desejo do lucro fácil, da ganância em acumular riquezas, em manter impérios econômicos, viver na mordomia à custa da morte de seres humanos.

Por outro lado, a busca da prática dos vícios nasce do vazio do ser humano, da falta de sentido na vida, da negação de Deus, da perda da dimensão sobrenatural. Tudo em nome da felicidade. Fazem o querem; nada e ninguém valem mais do que as suas decisões; pensam que tudo o que vem do outro é autoritarismo, manipulação, inclusive da escola, da Igreja, e da própria família.

Hoje virou moda não acreditar em nada que seja superior a própria intelectualidade. São senhores de si, do céu e da terra. Criam para si seus próprios deuses, constroem altares e templos para dizer que não têm fé. Tudo isso é pura saudades do paraíso perdido. No fundo, tudo isso é uma grande sede de voltar para Deus.

 

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

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Cardeal Scherer discursa na Rio+20

No Rio de Janeiro para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, o cardeal dom Odilo Scherer, legado pontifício e chefe da Delegação da Santa Sé, discursou nesta terça-feira, 19 de junho, em um evento paralelo à Rio+20, sobre Agricultura e Sociedades sustentáveis: segurança alimentar, terra e solidariedade.

O evento foi uma iniciativa da Cáritas Internacional, CIDSE e organização Franciscana Internacional. Também participaram do evento o arcebispo de Dioulasso, em Burkina Fasso, dom Paul Yembuado Ouédraogo, e o observador permanente da Santa Sé na ONU, arcebispo Francis Chullikatt.

Em seu discurso, o cardeal ressaltou que “a centralidade da pessoa humana no Princípio 1º da Conferência de 1992 é um lembrete de que o desenvolvimento sustentável não é alcançado através do desenvolvimento econômico, ambiental ou político isoladamente, mas antes, e acima de tudo, deve ser medido pela sua capacidade de promover e salvaguardar a dignidade da pessoa humana”.

Dom Odilo recordou a responsabilidade da sociedade para com o meio ambiente e ressaltou, porém, que não se pode tirar a dignidade humana e nem deixar de lado o direito a vida “a centralidade da pessoa humana requer que a sociedade meça o progresso econômico sobretudo pela capacidade de promover a pessoa humana. Isso requer que a ética não seja separada das tomadas de decisões econômicas, mas sim que seja reconhecida”.

Ao finalizar seu discurso, o arcebispo reforçou que a Santa Sé tem procurado “promover um desfecho que respeite a dignidade da pessoa humana”, e que o maior recurso do planeta é o ser humano. E este está “no centro do desenvolvimento sustentável”.

Leia a íntegra do discurso, em tradução cedida pela Arquidiocese de São Paulo.

Pontos de discussão de Sua Eminência, Cardeal Scherer
AGRICULTURA & SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS: Segurança alimentar, Terra e Solidariedade

Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável
Rio de Janeiro
Centro de Conferência

Excelências, Senhoras e Senhores,

É uma honra e um grande prazer estar aqui hoje como enviado Especial de Sua Santidade o Papa Bento XVI à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. Primeiramente, gostaria de agradecer Sua Excelência Arcebispo Francis Chullikatt por sua dedicação permanente, tanto nas Nações Unidas, quanto nesta Conferência.

Ainda, gostaria de agradecer Sua Excelência Arcebispo Paul Ouedraogo, Senhora Gisele Henriques, Senhora Cristina Dos Anjoys e Senhora Maria Elena Aradas por terem se juntado a nós neste dia. O trabalho, a nível base, da CARITAS Internationalis, CIDSE e da  Franciscans International, é uma grande contribuição para a promoção do ser humano centrado no desenvolvimento sustentável.

Vinte anos atrás, líderes do mundo vieram para o Rio de Janeiro para estabelecer um novo modelo e estrutura para promoção do desenvolvimento sustentável. Nessa reunião, eles reconheceram que, na da promoção de uma nova e mais justa parceria para o desenvolvimento sustentável, o princípio básico que deve orientar o desenvolvimento global exige colocar a pessoa humana no centro das preocupações para o desenvolvimento sustentável. A centralidade da pessoa humana no Princípio 1 da Conferência de 1992 é um lembrete de que o desenvolvimento sustentável não é alcançado através do desenvolvimento econômico, ambiental ou político isoladamente, mas antes, e acima de tudo, deve ser medido pela sua capacidade de promover e salvaguardar a dignidade da pessoa humana.

Agora, vinte anos depois, nós continuamos a ver as consequências para o desenvolvimento humano quando a pessoa humana não é colocada no centro desenvolvimento político, ambiental ou social, mas é bastante colocado à sua mercê. A contínua promoção das abordagens neo-malthusianas para o desenvolvimento, que veem o ser humano como obstáculo para o desenvolvimento, em vez de um benefício para este, levou à adoção de programas que promovem a destruição da vida humana e desenvolveu uma cultura hostil à vida. Os efeitos de uma abordagem não centrada no ser humano pode ser verificada no envelhecimento de comunidades ao redor do mundo hoje e nos milhões de órfãos que nunca tiveram a aportunidade de nascer e cujas contribuições graduais para o nosso planeta, portanto, ficarão para sempre em falta.

A centralidade da pessoa humana requer que a sociedade meça o progresso econômico sobretudo pela capacidade de promover a pessoa humana. Isso requer que a ética não seja separada das tomadas de decisões econômicas, mas sim que seja reconhecida. A ética da justiça e da solidariedade serve como a fundação de uma eficiência social e econômica, crucial para reparar injustiças e reformar instituições fundadas para perpetuar a pobreza, o subdesenvolvimento e a degradação ambiental, permitindo a todos o direito de participar na vida econômica para o progresso de suas comunidades e sociedades. Quando a dimensão ética é negligenciada na elaboração de políticas econômicas, podemos facilmente ver os efeitos desumanizantes e desestabilizantes resultantes de um crescimento econômico realizado à custa do detrimento dos seres humanos.

A atual crise financeira e econômica atesta os perigos do desenvolvimento econômico que desdenha imperativos éticos e morais e demonstra que o interesse próprio e a ganância apenas fomentam o agravamento da desigualdade social e da divisão. A consequência de uma ordem econômica ambivalente com os imperativos morais e éticos pode ser visto nos rostos das mulheres e homens desempregados que lutam para sustentar suas famílias, na agitação política crescente que assola o mundo, enquanto os líderes políticos tentam estabilizar a sistemas econômicos, na brutalmente verificada nas vidas dos mais pobres da sociedade, cujos filhos morrem de fome ou sucumbidos por doenças facilmente tratáveis e controladas. Estas realidades emergem onde as políticas econômicas não conseguem reconhecer o vínculo essencial entre a moralidade e a vida econômica.

A centralidade da pessoa humana no desenvolvimento sustentável deve orientar não só o trabalho dos gestores políticos, mas também do setor privado. Embora o desenvolvimento da riqueza seja um objetivo da economia, a criação de riqueza deve se concentrar no progresso em qualidade e da moralidade, e não apenas na quantidade de riqueza gerada. Quando a acumulação de riqueza for valorizada como um bem social em si, ciclos insustentáveis de produção e consumo vão continuar a provocar o esgotamento inexorável de recursos, deixando as pessoas e as comunidades ansiosas por uma felicidade autêntica. O que é necessário, antes, é o meio para a promoção do desenvolvimento humano integral, que reconhece que o real desenvolvimento solicita mais que o simples desenvolvimento econômico, social ou políticos, mas exige, acima de tudo, que o desenvolvimento da pessoa humana seja mantido na frente e no centro de tudo.

A encíclica do Papa Bento XVI, Caritas in veritate, elabora as necessidades da promoção do desenvolvimento integral, a fim de estimular o verdadeiro desenvolvimento humano e, portanto, o desenvolvimento sustentável. Tal desenvolvimento integral requer o reconhecimento que abordagens puramente institucionais para o desenvolvimento não podem ser suficientes para o genuíno desenvolvimento, mas que cada membro individual da sociedade é dotado de uma atitude vocacional que livremente assume a responsabilidade, na genuína solidariedade para com o outro e toda criação.

O reconhecimento de uma dimensão ética para o desenvolvimento não se limita apenas à criação de riqueza, mas também é relevante para o nosso papel como administradores da criação. Nós não somos chamados para subjugar e dominar a criação (cf. Gn 1:28) sem referência a quaisquer critérios determinados . Em vez disso, estamos a exercer este mandato numa gestão responsável da criação para o florescimento da geração atual e as futuras gerações. Isso requer o reconhecimento de uma responsabilidade primordial para com o meio ambiente para a melhora de o nosso futuro e que de todo o planeta.

A gestão adequada da criação reconhece a importante contribuição que a ciência e a tecnologia trazem para a proteção ambiental e fornece os recursos necessários para a sobrevivência humana. No entanto, os avanços tecnológicos e científicos devem ser sempre prudentes e responsáveis, para que seus reais objetivos sejam servir toda a humanidade. Os avanços científicos e tecnológicos não podem, portanto, tornarem-se um novo meio para a criação de barreiras para os pobres, nem podem ser permitir provocar novos, longos e duradouros detrimentos que ferem o delicado equilíbrio de vários ecossistemas nossos.

O direito à alimentação e à água potável continua a ser dois dos mais elementares direitos humanos que ainda não foram cumpridos em tantas partes do nosso planeta. Os avanços científicos e tecnológicos certamente tornaram possíveis que toda a comunidade internacional pudesse se beneficiar da generosidade de criação para o bem de toda a humanidade, mas milhões de pessoas ainda vivem sem esses direitos mais básicos. Uma ordem internacional mais eficaz requer mais solidariedade e maior responsabilização perante os nossos irmãos e irmãs, especialmente os mais necessitados. As crianças que passam fome e morrem de disenteria são nossas crianças: isso não é problema local, mas é um problema que requer que toda a comunidade internacional se una para trabalhar para cumprir o mais básico dos direitos humanos.

O progresso tecnológico, científico e humano tornou-se de vital importância se quisermos abordar a segurança alimentar e a promoção de produtos agrícolas saudáveis e boa gestão da terra.  Como o Papa Bento XVI tem sublinhado recentemente, “a fome não é muito dependente da falta de coisas materiais como na escassez de recursos sociais”. Para resolver esta falta de recursos sociais é imperativo máximo que os líderes da sociedade tomem as medidas necessárias para resolver as causas estruturais da insegurança alimentar e promovam um maior investimento no desenvolvimento agrícola nos países pobres.

Com o acesso maior e mais equitativo às mercadorias e às tecnologias agrárias, como a irrigação e o eficiente armazenamento e transporte de mercadorias e de transporte e a remoção de programas do mercado distorcidos, podemos fazer uma contribuição substancial para a resolução da segurança alimentar  e erradicação da pobreza.

No desenvolvimento de tais políticas, temos de assegurar que a cooperação, em conformidade com o princípio da subsidiariedade, oriente nossos esforços para garantir estas escolhas das comunidades locais e precisam ser tratadas de forma adequada e tidas em consideração. Assim, a agricultura, a assistência ao desenvolvimento e os programas de reforma agrária não deveriam ser implementados de cima para baixo, mas deveriam sim ativamente ser levados em consideração e cooperar com as comunidades locais.

Um dos primeiros passos a serem tomados no tratamento a reforma agrária é resolver a falta de direitos de terra e propriedade por marginalizados dentro da sociedade. A crescente concentração da propriedade da terra e produção agrícola por poucos apresentam uma obrigação moral para os líderes políticos e sociais para encontrar meios equitativos e justos para uma reforma agrária em longo prazo. Em particular, maiores investimentos em agricultura familiar e pequenas propriedade proporcionam uma oportunidade única, tanto para apoiar a família e quanto para apoiar um futuro mais sustentável para a agricultura em longo prazo.

O destino universal dos bens da terra também se aplica à água, esse elemento vital, essencial para nossa sobrevivência e para a agricultura. A Sagrada Escritura tem também a água como um símbolo de vida, sustento e purificação. Por sua própria natureza, a água nunca pode ser tratada como mais uma mercadoria, mas deve sim ser reconhecida como um direito inalienável de ser compartilhada em solidariedade e generosidade com os outros. A água é um bem público, o que significa que é da responsabilidade da liderança política garantir que todas as pessoas tenham acesso à água potável, especialmente os pobres. O descumprimento de obrigações tais resultados em sofrimento, conflitos e doenças e, portanto, prejudica o direito inerente à vida.

Ao redor do mundo, graves problemas ecológicos e humanos exigem uma mudança fundamental no estilo de vida se quisermos ser melhores administradores da criação e promover uma mais justa comunhão econômica internacional. Métodos de produção de alimentos, portanto, demandam análise atenta para garantir o direito a alimentos suficientes, saudável e nutritiva e água, e para alcançar esse direito, de forma a reconhecer as nossas obrigações de proteger o meio ambiente como uma herança compartilhada para as gerações atuais e futuras.

Isto exige romper com o longo ciclo de mais de consumo e produção, de pobreza e de degradação ambiental. Aqui, devemos reconhecer que todas as decisões econômicas têm implicações morais que exigem de nós redescobrir os valores de longa data da sobriedade, da temperança e auto-disciplina. Um mundo no qual os ricos consomem uma percentagem esmagadora de recursos humanos e naturais é escandaloso e chama para uma renovada disposição para se tornar mais consciente da interdependência de todos os habitantes da terra. A autêntica solidariedade global deve motivar indivíduos e líderes políticos a reavaliar suas escolhas de estilo de vida, a fim de fazer escolhas que promovam a dignidade humana e a solidariedade global. A este respeito, devemos reconhecer o papel fundamental que a família desempenha na aprendizagem e ensino dos valores necessários para se formarem cidadãos responsáveis que fazem escolher responsáveis de estilo de vida.

Antes de concluir, eu gostaria de tocar em algumas das preocupações constantes da Santa Sé no processo de negociações. Enquanto a Santa Sé tem procurado promover um desfecho que respeite a dignidade da pessoa humana, nós continuamos a ver algumas delegações tentando promover estas questões como “dinâmica populacional” ou “direitos reprodutivos”, como uma forma de desenvolvimento sustentável. Estas propostas são baseadas em uma noção errada de que o desenvolvimento sustentável e a proteção ambiental só podem ser alcançados através da garantia de que haja menos pessoas em nosso planeta. Sublinhada por uma hermenêutica da suspeita que fere profundamente a solidariedade humana, tal ideologia levou a um alarmante destruição na família e, fundamentalmente, priva o planeta de seu maior recurso, a pessoa humana, que está no centro do desenvolvimento sustentável.

Além disso, um grande volume de trabalho continua em busca um olhar para o futuro consciente, ciente que o documento resultante é de responsabilidade de todos os países. Os esforços para assegurar que os países em desenvolvimento tenham acesso à tão necessária amigável tecnologia ecológica, e financeira para a transição para um futuro mais sustentável são apenas dois dos muitos exemplos em que uma maior solidariedade entre países em desenvolvimento e nas economias desenvolvidas é necessária, se quisermos fazer uma diferença duradoura no mundo. Da mesma forma, maior solidariedade é necessária para promover o acesso a empregos decentes e cuidados básicos de saúde, bem como os direitos dos migrantes. Essa é a nossa esperança, que o texto final do documento seja satisfatório na abordagem destas questões para que possa ser dito de contribuir para o bem-estar material e espiritual de todas as pessoas, suas famílias e suas comunidades.

Obrigado.

 

Cardeal Odilo Scherer
Arcebispo de São Paulo
Legado Pontifício para a Conferência Rio+20
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Senti vergonha e me escondi

Na história da criação o primeiro homem e a primeira mulher foram colocados no “Éden”, que significa “Paraíso das Delícias”. Ambos caminhavam felizes de um lado para outro e contemplavam aquela beleza sem perceber que ali estava toda felicidade; não precisavam fazer nada.

Porém, o Criador colocou duas árvores no meio daquelas maravilhas, ambas com deliciosos frutos, sendo que uma era do bem e a outra do mal. Como seres humanos, não se contentaram em viver na obediência e submissos à vontade do Criador. Foi então que a serpente astuta e traiçoeira, personificação do mal, levou aquelas ingênuas criaturas a pensarem diferente, a saírem da rotina paradisíaca para serem eles os donos, os proprietários de tudo aquilo, com um simples ato de desobediência. “Vocês podem ser como Deus”! Eis então que cedem à voz da víbora e se apercebem diferentes.

O texto bíblico relata que começaram a sentir medo, estavam nus, surgiu a vergonha um do outro, do próprio Deus e se esconderam. “Ouvi a tua voz no Jardim, fiquei com medo, porque estava nu, e me escondi” (Gn3,10). O medo e a vergonha aparecem como consequência da ganância e do orgulho de decidir sobre o que é bom e o que é mal. Eles mesmos se tornam o critério para decidir, ou seja, acham que podem fazer o que bem entendem. Numa atitude de total egoísmo acabam com a felicidade, a paz interior, e são colocados para fora do Paraíso. A serpente rastejando-se no pó da terra para sempre e o homem e a mulher enfrentando a dureza da vida, sujeitos a todo tipo de fragilidades. Terão lugar no paraíso sim, porém não mais como antes.

Quando a sociedade moderna vai entender que o paraíso começa aqui! Sem batalhas e exploração, sem poder e opressão dos poderosos, sem privilégios e artimanhas para dominar e tirar vantagens de todo tipo sem importar de quem seja. O paraíso terrestre é para todos! O Paraíso Celeste é para os que souberem entrar pela porta estreita do amor solidário, da justiça social, da humanização do homem e da mulher, da dignidade de seres criados a imagem e semelhança de Deus, por amor e para amar.

Somente aqueles que não se deixam levar pela serpente da manipulação do bem comum, para tirar benefício próprio, terão lugar no Paraíso Celeste.  “Largo é o caminho da perdição”, diz o Senhor Jesus em Mateus sete versículo 13; e são muitos os que entram por ele.

Você não precisa sentir vergonha, nem medo, não precisa se esconder, se esquivando do rosto amoroso de Deus, quando as tuas mãos e a tua boca se mancharem comendo o fruto proibido. Como teve a coragem de ser injusto, corrupto, malvado, enganador, trapaceiro, sujando as mãos e a consciência, tenha a mesma coragem e saia de trás dos esconderijos humanos, das máscaras de proteção, do farisaísmo hipócrita de puras aparências.

Que ao menos sinta o desejo de voltar e, nos braços Daquele que te criou, encontrar a paz e as delícias do paraíso perdido. Não se esconda. Não precisa ficar nu e sentir vergonha para ter direito e lugar na sociedade. Viva a vida sem preconceitos, sem querer ser o que você não é. Seja você mesmo. Busque não só os teus desejos, olhe ao seu redor e ame a cada um. Ame a todos, ame sempre, porque o paraíso começa aqui.

 

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

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Sagrado Coração de Jesus

Nessa sexta-feira (15) a Igreja Católica celebra a solenidade do Sagrado Coração de Jesus. Na Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória, além das missas às 7h, 12h, e 18h haverá celebrações especiais às 15h e às 23h.

Sexta-feira também é dia da “ Jornada Mundial de Oração pela Santificação do Clero”.

Saiba mais sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus

 

Por ocasião da solenidade do Sagrado Coração de Jesus o Arcebispo de Maringá escreveu o seguinte artigo:

De Coração a Coração

O mês de junho é marcado por grandes festas. A festa do Corpo de Deus (Corpus Christi) – grande homenagem a Jesus Eucarístico; na semana seguinte a festa do Coração de Jesus e encerramos o mês com a celebração do nascimento de João Batista e o dia do Papa, os Apóstolos São Pedro e São Paulo. Dos doze meses ano, junho é o mais popular, marcado por grandes manifestações de fé e ao mesmo tempo por grandes tradições folclóricas. De norte a sul deste país continente, de formas diferentes, o povo vive a fé e deixa o coração humano manifestar todos os  sentimentos e devoções.

Em todas estas celebrações está o coração do homem e da mulher vibrando, fazendo parte de um rito que dá sentido à própria existência. O coração é mostrado na Escritura como símbolo do amor de Deus. No Calvário o soldado abriu o lado de Cristo com a lança (Jo 19,34). Diz a Liturgia que “aberto o seu Coração divino, foi derramado sobre nós torrentes de graças e de misericórdia”. O coração de Jesus é símbolo visível do amor de Deus. Este Sagrado Coração é a imagem do amor de Jesus por todos nós. É a expressão daquilo que São Paulo disse: ”Eu vivi na fé do Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2,20).

Santo Agostinho disse: “Vosso Coração, Jesus, foi ferido, para que na ferida visível contemplássemos a ferida invisível de vosso grande amor”. Pio XII afirmou: “Nada proíbe que adoremos o Coração Sacratíssimo de Jesus Cristo, enquanto é participante e símbolo natural e sumamente expressivo daquele amor inexaurível em que, ainda hoje, o Divino Redentor arde para com os homens”. Nada melhor do que ter um coração para amar e ser amado. Viver no amor que Deus derramou abundantemente em todos nós é viver em Deus. “Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. Quem não ama não chegou a conhecer a Deus, pois Deus é amor” (1Jo 4,7).

O nosso coração humano, cheio de tantas preocupações, limites e contradições, misérias e defeitos, só encontrará a paz interior, o equilíbrio humano, no coração de Jesus que diz a cada momento, o que disse do alto da cruz aos que o condenaram: “Pai perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”. O perdão faz o nosso coração, a nossa vida entrar no coração de Jesus. No nosso arrependimento seremos capazes de clamar: Senhor lembra-te de mim quando estiveres em teu reino! E nada mais confortante do que ouvir do Mestre: “Hoje estarás comigo no paraíso”! Não fomos feitos para a derrota e sim para a vitória. Nunca sozinhos, nem mesmo diante das maiores quedas.

De coração a coração, queremos viver cada dia, na luz de Deus, no amor incondicional por nós, e recomeçar sempre. Por maiores que sejam os defeitos, as quedas ou limitações humanas, jamais nos entregaremos ao desânimo ou ao derrotismo, como se tudo estivesse perdido. Lembre-se sempre: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” disse Jesus (Mt.11,28). Diga sempre: “Jesus manso e humilde de coração, fazei meu coração semelhante ao Vosso”.

 

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

 

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Igreja na Rio+20 e na Cúpula dos Povos

Vinte anos depois da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), o Rio de Janeiro volta a ser o ponto de encontro para lideranças do mundo inteiro e sediará a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, entre os dias 13 e 22 de junho. Paralelamente a esse grande evento, de 15 a 23 de junho, acontecerá, no Aterro do Flamengo, a Cúpula dos Povos, numa oportunidade para tratar dos problemas enfrentados pela humanidade e demonstrar a força política dos povos organizados.

Dentro dessa perspectiva, a arquidiocese do Rio de Janeiro, bem como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) marcam presença ao longo do evento propondo reflexões e debates sobre a integração do homem com o mundo à sua volta.

A Rio+20 também conta com a participação da Santa Sé, que enviou uma equipe para representar o papa Bento XVI. À frente dessa comitiva está o arcebispo de São Paulo (SP), dom Odilo Pedro Scherer. Para ele, esse será um grande desafio, uma vez que a presença da Santa Sé no evento representa a palavra da Igreja.

“É uma tarefa importante porque eu irei integrar e, ao mesmo tempo, chefiar a delegação da Santa Sé, que representa a palavra da Igreja, a posição da Igreja sobre as questões tratadas na Rio+20. No entanto, com grande honra, porque é a oportunidade de apresentar o pensamento da Igreja, que tem uma grande autoridade moral no conselho das nações. Embora o Vaticano seja um Estado pequeno, a sua representatividade é muito grande e importante no âmbito das nações”, disse o cardeal.

A primeira das atividades será no dia 15 de junho, na Tenda da Paz, no aterro do Flamengo, onde haverá uma mesa de diálogo sobre meio ambiente e justiça social.

Dom Odilo ressaltou a forte presença da Santa Sé em eventos promovidos pelas Nações Unidas e outros órgãos internacionais. “Ela tem se feito presente através do Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas e por isso também apresenta a Santa Sé em eventos como este, que é a Rio +20. “A Igreja tem um pensamento, um olhar próprio sobre todas essas questões, uma visão sobre o homem, uma visão sobre a economia, cultura, sobre a vida e assim por diante. Portanto, são oportunidades da Santa Sé, em nome da Igreja, de estar colocando a posição, a palavra da Igreja para ajudar a servir e iluminar, e isso faz parte da missão evangelizadora da Igreja”, concluiu.

 

Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas

 

Pela primeira vez no Rio de Janeiro e com participação ativa na Rio + 20, o Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, dom Francis Chullikatt, tem uma missão importante: destacar a pessoa humana e os problemas ecológico-sociais dos países mais pobres, que, segundo ele, muitas vezes não têm voz nas grandes conferências.

Junto com dom Francis, chegaram na última terça-feira, 12 de junho, três colaboradores: padre Philip J. Bené, padre Justin Wylie e o advogado Lucas Swanepoel, que já estão participando da 3ª Reunião do Comitê Preparatório, no qual se reúnem representantes governamentais para negociações dos documentos a serem adotados na Conferência.

Em entrevista para a WebTV Redentor, dom Francis Chullikatt falou sobre o papel da Igreja na Rio+20, destacando os três aspectos do desenvolvimento sustentável: a sustentabilidade econômica, social e ambiental.

“A Igreja é muito importante no desenvolvimento destes três aspectos. Relacionado ao aspecto econômico, sabemos que a Igreja Católica sempre se preocupa com os países pobres. Quando falamos do social, sabemos que a Igreja é totalmente envolvida no crescimento da situação social do mundo. O terceiro aspecto, o ecológico, pode-se destacar, aqui no Brasil, a preocupação com a proteção da Amazônia. Nós cuidamos da natureza, porque nós católicos acreditamos na preservação”, disse.

O Observador na ONU mostrou-se preocupado em trabalhar durante a Conferência, principalmente com os países pobres, já que a Rio+20 tem dois temas centrais: “A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza”; e “A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável”.

“Viemos mostrar especialmente aqueles que não têm voz, especialmente o povo dos países pobres. Defendemos a humanidade e as pessoas que têm a vida violentada pelo mundo. Temos que ter essa preocupação para a vida humana ser preservada”, acrescentou dom Chullikatt.

 

Por CNBB

 

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Os salários de prefeito, vice-prefeito e secretários municipais

Nota sobre os salários de prefeito, vice-prefeito e secretários municipais de Maringá

 

Arquidiocese de Maringá cobra que Executivo implante o plano de carreira dos servidores municipais para depois discutir subsídios de prefeito, vice-prefeito e secretários

 

Diante da discussão sobre os valores dos salários (subsídios) de prefeito, vice-prefeito e secretários municipais de Maringá – aprovados pela Câmara Municipal em 2011 e sancionados em novembro do mesmo ano – a Arquidiocese de Maringá, tendo consultado o clero e o Conselho Arquidiocesano de Leigos e Leigas (CALLM), considera necessária e urgente a retomada do debate em torno do assunto, assim como ocorreu com os subsídios dos vereadores, cujo valor para a próxima legislatura ficou estabelecido em R$ 6.900,00, em vez dos 12.000,00 anteriormente votados. Na ocasião, o salário do prefeito foi fixado em R$ 25.000,00; os do vice-prefeito e dos secretários municipais, em R$ 12.000,00.

Tendo como parâmetro o último reajuste salarial dos servidores municipais de Maringá, de 1º de abril de 2012, que foi de 8%, a Arquidiocese de Maringá considera justo que também prefeito, vice-prefeito e secretários municipais, que vão administrar o Município de Maringá entre 2013 e 2016, tenham seus salários reajustados em igual percentual.

Para usar alguns comparativos, tomem-se os salários-base de algumas categorias de servidores, vigentes desde 1º de abril deste ano:

Coletor de lixo (40hs): R$ 627,00

Médico (20hs): R$ 3.436,00

Professor (20hs): R$ 1.031,00

Consideramos também fundamental que a sociedade maringaense passe a participar ativamente do debate sobre o plano de carreira dos servidores municipais, que aguarda ser implantado pelo Executivo. Esperamos que tal plano atenda às justas reivindicações dos trabalhadores. Somente após tal providência – sempre ouvida a sociedade e partindo de critérios objetivos – será legítimo discutir novos valores de salários tanto para prefeito como para vice-prefeito e para secretários.

Sendo assim, a Igreja Católica em Maringá é favorável ao estabelecimento dos seguintes valores de salários para prefeito, vice-prefeito e secretários municipais, já contemplados com o reajuste de 8%, de 1º de abril deste ano:

Prefeito: R$ 18.724,00

Vice-prefeito: R$ 9.020,00

Secretários municipais: R$ 9.020,00

Esperamos que a sociedade se mobilize e participe dessa discussão. A democracia só se efetiva com a participação dos cidadãos e cidadãs.

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Ficha Limpa

Ficha Limpa

 

 

“Oriunda de uma iniciativa que mobilizou mais de um milhão de assinaturas de brasileiros, nasceu a Lei Complementar nº. 135/2010, popularmente conhecida como ‘Lei da ficha limpa’. Essa lei será uma importante aliada nas eleições municipais que ocorrerão este ano, uma vez que tornará inelegíveis candidatos que tiverem o mandato cassado, renunciarem para evitar a cassação ou forem condenados por decisão de órgão colegiado (com mais de um juiz). Com o dispositivo, é esperado que se diminuam delitos políticos e eleitorais, já que apenas pessoas que preenchem os critérios estabelecidos pela lei poderão se candidatar. No entanto, o questionamento que vem à tona é: Para ser um bom candidato basta apenas ter uma ficha limpa?

Na doutrina social da Igreja, política é ‘uma prudente solicitude pelo bem comum’ (João Paulo II, Laborem exercens). Então, de acordo com essa premissa, é necessário que os candidatos que visam representar o povo soberano, sejam sensíveis às causas sociais. Além de estar isento de crimes políticos e eleitorais, é importante que o candidato tenha um histórico de engajamento social como atividades espontâneas, em sindicatos, ONGs, realizadas em prol de causas comunitárias e sociais, sem objetivo de lucro ou vantagem pessoal, visando o bem comum” (Texto da CNBB, publicado dia 31 de maio de 2012).

Mais uma vez a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reage fortemente diante do Projeto de Lei do deputado Silvio Costa (PTB-PE) que pretende alterar a conhecida Lei da Ficha Limpa. O Projeto estabelece que o governador, o prefeito ou servidor público que tiver suas contas rejeitadas por improbidade administrativa, em decisão irrecorrível de um Tribunal de Contas, só se tornará inelegível depois que a decisão for confirmada em sentença definitiva de órgão judicial colegiado.

Na audiência pública realizada no dia 29 de maio, promovida pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania na Câmara Federal, a CNBB, se faz presente através do seu representante Marcelo Lavenère, manifestando-se contrário projeto. O Deputado Silvio Costa além de ir contra mais de dois milhões de assinaturas, tratou o doutor Marcelo Lavenére de deforma deselegante e ofensiva. A Conferência Nacional dos Bispos na sua mensagem diz: “ao ofendê-lo, o deputado também ofendeu à CNBB a quem o eminente advogado representava na ocasião”. Dom Leonardo Steiner, Secretário Geral da Conferência, ressalta que “os relevantes serviços prestados à sociedade brasileira pelo doutor Lavenére, um dos maiores presidentes que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) já teve, são um testemunho eloquente de seu compromisso com a construção de um país democrático e cidadão”.

Na mesma carta, Dom Leonardo Steiner reafirma ao presidente da Câmara que “o Projeto afronta a moralidade pública e vai na contramão do anseio popular que consagrou a Ficha Limpa com quase 2 milhões de assinaturas”.  E ressalta que “a aprovação desse  Projeto de Lei, caso ocorra, desfigurará a Ficha Limpa num dos seus pontos essenciais e contrariará a soberania popular que anseia por homens probos na administração pública”.

A Igreja Católica tem sempre marcado presença na vida do Povo Brasileiro, cumprindo a sua missão de ser a voz dos que não tem vós e vez daqueles que não tem vez. Queremos de maneira especial neste momento histórico, participar do pleito eleitoral de forma direta, formando a consciência dos eleitores, alertando para a responsabilidade em escolher bem seu candidato, através do voto livre e consciente. Porque voto não tem preço, tem consequências.

 

 

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

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A origem de Corpus Christi

A origem de Corpus Christi*

Qual o sentido da adoração eucarística?

A Igreja Católica sempre conservou como tesouro preciosíssimo o mistério da fé presente no dom da Eucaristia. Ao longo da história exprimiu a fé eucarística não só através de uma atitude interior de devoção, mas também mediante várias expressões exteriores. Disto surge a devoção eucarística, explicitada na adoração ao Santíssimo Sacramento (na vigília da Sexta-feira Santa e, sobretudo, na Solenidade de Corpus Christi).

 

Origem do Corpus Christi

A origem desta solenidade começa quando a Ir. Juliana de Mont Cornillon teve visões de Cristo demonstrando o desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com maior destaque. Após apurada investigação das visões, estas foram acolhidas e oficializadas. Outro milagre eucarístico ocorreu durante uma missa, quando o Pe. Pietro de Praga duvidou da presença real de Cristo; imediatamente todos viram brotar sangue da hóstia consagrada por ele. Esta hóstia consagrada foi levada a Oviedo, na Espanha, em grande procissão, sendo recebida solenemente pelo Papa Urbano IV e levada para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corpo Eucarístico. Dentro deste contexto, o Papa Urbano IV instituiu a Festa de Corpus Christi em 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade.

 

Os frutos da devoção eucarística

A exposição da Eucaristia é ao mesmo tempo uma proclamação pública da presença real de Cristo nas espécies do pão e do vinho, bem como uma devoção revelada por Deus e ensinada pela Igreja. Esta prática é edificante para os fiéis, conduzindo-os à comunhão mais perfeita com Deus e ao testemunho social. São notáveis os frutos da piedade eucarística. Todos os fiéis (comungantes ou não) que se aproximam da Eucaristia recebem graças para dominar a concupiscência, lavar as culpas leves cotidianas e prevenir as faltas graves.

Na presença da Eucaristia reconhecemos que Jesus Cristo é Emanuel (Deus-conosco). Não só durante a missa, mas também depois, quando a Eucaristia é conservada no sacrário ou exposta à adoração. Ali o Senhor permanece no meio de nós, habita conosco, ouve pacientemente nossas orações, consola os aflitos, educa os costumes, alimenta as virtudes, fortifica os fracos e cura as feridas da alma.

Na oração diante do Santíssimo Sacramento os fiéis abrem o coração e pedem por si e por suas famílias, rogam pela paz e salvação do mundo. Oferecem com Cristo sua vida ao Pai no Espírito Santo, e recebem o aumento da fé, esperança e caridade. Assim fomentam as disposições devidas que lhes permitem celebrar com devoção o Memorial do Senhor (missa).

 

O que ensina a Igreja?

O fim primeiro e primordial da eucaristia fora da missa é a administração do viático (aos enfermos acamados). Como fim secundário estão a distribuição da comunhão fora da missa e a adoração de Jesus Cristo, velado sobre as mesmas espécies (Eucharisticum Misterium 49).

A Eucharisticum Mysterium ensina que todo culto de adoração eucarística deve manifestar sua relação com a missa, portanto não deve ser um ato isolado, fora de contexto litúrgico. Algumas práticas ambíguas e abusivas, por melhor intenção que se tenha, devem ser evitadas porque não harmonizam com o caráter próprio da devoção eucarística. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do presidente da celebração, nem da comunidade onde é celebrada, e nem do pregador/condutor.

É importante que os fiéis que adoram a Cristo presente na Hóstia Sagrada sejam instruídos que esta presença real provem do sacrifício na missa e se ordena à comunhão com todas as outras dimensões eucarísticas (comunitária, social, sacrificial). Exorta ainda que está proibida a celebração da missa diante do Santíssimo exposto, para evitar ambiguidade e confusão na fé. O documento ressalta a dimensão comunitária, celebrativa e originária da eucaristia na missa, porque Cristo instituiu a eucaristia numa refeição, antes de tudo, para que fosse nosso alimento, consolo e remédio.

As procissões com a Eucaristia são um testemunho público de fé e piedade a Jesus Cristo Eucarístico. Mas, nosso amor pela Eucaristia não se comprova na hora das procissões: comprova-se na hora do Banquete Eucarístico (missa). Quando cumprimos o mandato: “Fazei isto em memória de mim”, nós atualizamos nosso compromisso de amar como Ele amou. A participação ativa e consciente na Santa Missa frutifica em bênçãos ao fiel, e este, por sua vez, compromete-se a ser uma bênção de Deus no mundo e para o mundo. As procissões manifestam valor quando testemunham a nossa comum união, seja na Igreja ou nos desafios vividos na família, no trabalho, na escola entre outros.

 

O compromisso social

A piedade que impulsiona os fiéis a adorarem o Cristo Eucarístico os leva também a promover a presença Dele nos desvalidos: “Tudo o que fizerdes a um destes pequeninos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40). Os verdadeiros adoradores (Jo 4) são aqueles que (re)conhecem o Cristo nos pobres: preocupam-se em ter um templo bonito, mas também que os pobres tenham moradia digna; que o altar tenha uma linda toalha e o ostensório seja grande e brilhante, mas que todos tenham agasalhos no inverno; pessoas que se alimentam do Corpo e do Sangue em todas as missas, mas também preocupam-se em dar de comer a quem tem fome; são aqueles que passam horas diante do Santíssimo, mas também são capazes de passar alguns minutos com os enfermos.

O adorador eucarístico é um promotor da vida! Santo Agostinho fala de um amor “social” (Comen. Psl 98), que nos leva a antepor o bem comum ao bem particular, a fazer nossa a causa da comunidade, da paróquia e da Igreja universal, e a dilatarmos este amor a Cristo até abraçarmos o mundo inteiro, pois em toda parte há membros de Cristo (Mysterium Fidei 71).

A Igreja, Mãe misericordiosa, ensina que mesmo os fiéis que estão canonicamente impossibilitados de comungar sacramentalmente, não estão isentos da graça de Deus. O Guia Litúrgico-pastoral da CNBB n.9 orienta que: “Não podendo vivenciar e assimilar, no contexto da celebração, todos os aspectos da Ceia do Senhor, quem se coloca em oração silenciosa diante da Eucaristia retome as diversas partes da ação litúrgica, por exemplo, o prefácio, a oração eucarística, a oração do dia ou a oração após a comunhão, as leituras proclamadas na liturgia da Palavra.

Ou então, repetir no silêncio do coração: ‘Eis o mistério da fé’; ‘Felizes os convidados para a Ceia do Senhor’; ‘Ele está no meio de nós!’; ‘Demos graças ao Senhor nosso Deus!’ e outras expressões ou aclamações próprias da celebração eucarística.”

Só é possível amar o que conhecemos. É necessário conhecer sempre mais o valor e a adoração para participar dela com mais consciência, e assim, colher as graças que de Cristo provém. Bom encontro com Deus!

 

 

Padre Fernando Garcia ([email protected])

Paróquia Nossa Senhora de Fátima

Marialva – Arquidiocese de Maringá-PR

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