Mês: julho 2013

 

JMJ – Missa de Envio: “o Evangelho é para todos, e não apenas para alguns”

 

Na missa de envio, com a presença de milhares de fiéis, o Papa Francisco agradece os grupos pastorais e novas comunidades que acompanham os jovens na evangelização pelo mundo. E em seu discurso, desmembra cada parte do lema desta Jornada Mundial da Juventude, que se encerra hoje (27), “Ide e fazei discípulos entre todas as nações (Mt 28,19)”.

E mais uma vez, incentivou os jovens a saírem pelo mundo, levando o evangelho, para que este não fique trancafiado na vida dos católicos ou nas paróquias, que seja levado aos mais indiferentes e distantes.

“Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho (…). Jesus Cristo conta com vocês! A Igreja conta com vocês! O Papa conta com vocês!”, disse aos peregrinos.

Ao final foi pedido um momento de silêncio para refletir sobre as palavras do Santo Padre.

Leia o texto completo:

Venerados e amados Irmãos no episcopado e no sacerdócio,

Queridos jovens!

«Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Com estas palavras, Jesus se dirige a cada um de vocês, dizendo: «Foi bom participar nesta Jornada Mundial da Juventude, vivenciar a fé junto com jovens vindos dos quatro cantos da terra, mas agora você deve ir e transmitir esta experiência aos demais». Jesus lhe chama a ser um discípulo em missão! Hoje, à luz da Palavra de Deus que acabamos de ouvir, o que nos diz o Senhor? Três palavras: Ide, sem medo, para servir.

Ide. Durante estes dias, aqui no Rio, vocês puderam fazer a bela experiência de encontrar Jesus e de encontrá-lo juntos, sentindo a alegria da fé. Mas a experiência deste encontro não pode ficar trancafiada na vida de vocês ou no pequeno grupo da paróquia, do movimento, da comunidade de vocês. Seria como cortar o oxigênio a uma chama que arde. A fé é uma chama que se faz tanto mais viva quanto mais é partilhada, transmitida, para que todos possam conhecer, amar e professar que Jesus Cristo é o Senhor da vida e da história (cf. Rm 10,9).

Mas, atenção! Jesus não disse: se vocês quiserem, se tiverem tempo, mas: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Partilhar a experiência da fé, testemunhar a fé, anunciar o Evangelho é o mandato que o Senhor confia a toda a Igreja, também a você. É uma ordem sim; mas não nasce da vontade de domínio ou de poder, nasce da força do amor, do fato que Jesus foi quem veio primeiro para junto de nós e nos deu não somente um pouco de Si, mas se deu por inteiro, deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não nos trata como escravos, mas como homens livres, amigos, como irmãos; e não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor.

Para onde Jesus nos manda? Não há fronteiras, não há limites: envia-nos para todas as pessoas. O Evangelho é para todos, e não apenas para alguns. Não é apenas para aqueles que parecem a nós mais próximos, mais abertos, mais acolhedores. É para todas as pessoas. Não tenham medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distante, mais indiferente. O Senhor procura a todos, quer que todos sintam o calor da sua misericórdia e do seu amor.

De forma especial, queria que este mandato de Cristo -“Ide” – ressoasse em vocês, jovens da Igreja na América Latina, comprometidos com a Missão Continental promovida pelos Bispos. O Brasil, a América Latina, o mundo precisa de Cristo! Paulo exclama: «Ai de mim se eu não pregar o evangelho!» (1Co 9,16). Este Continente recebeu o anúncio do Evangelho, que marcou o seu caminho e produziu muito fruto. Agora este anúncio é confiado também a vocês, para que ressoe com uma força renovada. A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam! Um grande apóstolo do Brasil, o Bem-aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando tinha apenas dezenove anos! Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem! Este é o caminho a ser percorrido!

Sem medo. Alguém poderia pensar: «Eu não tenho nenhuma preparação especial, como é que posso ir e anunciar o Evangelho»? Querido amigo, esse seu temor não é muito diferente do sentimento que teve Jeremias, um jovem como vocês, quando foi chamado por Deus para ser profeta. Acabamos de escutar as suas palavras: «Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo». Deus responde a vocês com as mesmas palavras dirigidas a Jeremias: «Não tenhas medo… pois estou contigo para defender-te» (Jr 1,8). Deus está conosco!

«Não tenham medo!» Quando vamos anunciar Cristo, Ele mesmo vai à nossa frente e nos guia. Ao enviar os seus discípulos em missão, Jesus prometeu: «Eu estou com vocês todos os dias» (Mt 28,20). E isto é verdade também para nós! Jesus não nos deixa sozinhos, nunca lhes deixa sozinhos! Sempre acompanha a vocês!

Além disso, Jesus não disse: «Vai», mas «Ide»: somos enviados em grupo. Queridos jovens, sintam a companhia de toda a Igreja e também a comunhão dos Santos nesta missão. Quando enfrentamos juntos os desafios, então somos fortes, descobrimos recursos que não sabíamos que tínhamos. Jesus não chamou os Apóstolos para viver isolados, chamou-lhes para que formassem um grupo, uma comunidade. Queria dar uma palavra também a vocês, queridos sacerdotes, que concelebram comigo esta Eucaristia: vocês vieram acompanhando os seus jovens, e é uma coisa bela partilhar esta experiência de fé! Mas esta é uma etapa do caminho. Continuem acompanhando os jovens com generosidade e alegria, ajudem-lhes a se comprometer ativamente na Igreja; que eles nunca se sintam sozinhos!

A última palavra: para servir. No início do salmo proclamado, escutamos estas palavras: «Cantai ao Senhor Deus um canto novo» (Sl 95, 1). Qual é este canto novo? Não são palavras, nem uma melodia, mas é o canto da nossa vida, é deixar que a nossa vida se identifique com a vida de Jesus, é ter os seus sentimentos, os seus pensamentos, as suas ações. E a vida de Jesus é uma vida para os demais. É uma vida de serviço.

São Paulo, na leitura que ouvimos há pouco, dizia: «Eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível» (1 Cor9, 19). Para anunciar Jesus, Paulo fez-se «escravo de todos». Evangelizar significa testemunhar pessoalmente o amor de Deus, significa superar os nossos egoísmos, significa servir, inclinando-nos para lavar os pés dos nossos irmãos, tal como fez Jesus.

Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três palavras, vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe alegria. Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho. Na primeira leitura, quando Deus envia o profeta Jeremias, lhe dá o poder de «extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar» (Jr 1,10). E assim é também para vocês. Levar o Evangelho é levar a força de Deus, para extirpar e destruir o mal e a violência; para devastar e derrubar as barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio; para construir um mundo novo. Jesus Cristo conta com vocês! A Igreja conta com vocês! O Papa conta com vocês! Que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, lhes acompanhe sempre com a sua ternura: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Amém.

 

Por ACI Digital

Comente aqui


Com o Papa Francisco

O Arcebispo de Maringá, Dom Anuar Battisti, esteve com o Papa Francisco na tarde deste sábado (27) durante almoço oferecido no Palácio João Paulo 2º, no Rio de Janeiro.

“É emocionante. Ele se recordou da intervenção que fiz na Conferência de Aparecida em 2007. Disse que eu fui insistente e deu risada. É muito bom ter um pastor como Francisco”, disse Dom Anuar.

O almoço foi servido no Palácio João Paulo 2º, na Glória (zona sul), e contou com a presença de cardeais, da presidência da CNBB, bispos, arcebispos e com a comitiva do Vaticano.

 

Por Assessoria de Imprensa

Comente aqui
  

Dom Jaime surpreende

Veja a fala de Dom Jaime aqui

O primeiro Arcebispo de Maringá, Dom Jaime Luiz Coelho (96) concelebrou a missa de envio para a Jornada Mundial da Juventude com os jovens na Catedral de Maringá, sábado à noite (20).

Dom Jaime está fazendo hemodiálise três vezes por semana por causa do quadro de insuficiência renal. A missa foi presidida pelo Arcebispo Dom Anuar Battisti. Com a catedral lotada, Dom Jaime fez uso da palavra e se direcionou aos jovens: “Pra frente. Não parem no meio do caminho. Avante. Sempre pra frente, buscando a santidade do coração, a pureza de alma, a busca de uma participação verdadeira na Igreja de Deus”.

Na próxima sexta-feira (26) Dom Jaime completará 97 anos de vida.

 

Aqui homilia de Dom Anuar Battisti na missa de envio da JMJ na Catedral de Maringá

Comente aqui
 

O Cristo Redentor abraça o mundo jovem

O Cristo Redentor abraça o mundo jovem

 

Estamos às vésperas da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) a realizar-se no Brasil, na cidade maravilhosa. O Cristo Redentor do alto do Corcovado abraça, chama e envia o mundo juvenil, dizendo: “Ide e fazei discípulos entre as nações!” (Mt 28,19).

A esperança de um mundo melhor está na juventude que encontra Jesus e aceita o convite para ser discípulo e fazer discípulos. Imaginemos um milhão, dois milhões de pessoas, saindo da JMJ apaixonados por Jesus. E se a cada ano cada jovem fizer mais um jovem discípulo de Cristo, como seria o mundo?

Acredito que a semente lançada no coração juvenil dessa massa enorme, sedenta de um mundo novo, de um mundo cada vez melhor, vai produzir muitos frutos. Um semeia, outro colhe.

O Papa Bento XVI na sua mensagem para a Jornada enviada em 2012 disse: “Desejo, em primeiro lugar, renovar a vós o convite para participardes nesse importante evento. A conhecida estátua do Cristo Redentor, que se eleva sobre aquela bela cidade brasileira, será o símbolo eloquente deste convite: seus braços abertos são o sinal da acolhida que o Senhor reservará a todos quantos vierem até Ele, e o seu coração retrata o imenso amor que Ele tem por cada um e cada uma de vós. Deixai-vos atrair por Ele! Vivei essa experiência de encontro com Cristo, junto com tantos outros jovens que se reunirão no Rio para o próximo encontro mundial! Deixai-vos amar por Ele e sereis as testemunhas de que o mundo precisa”.

O mundo precisa de cristãos corajosos que possam testemunhar sua fé, não só rezando na Igreja, mas principalmente fora dela.

O Papa Bento dizia aos jovens: É urgente testemunhar a presença de Deus para que todos possam experimentá-la: está em jogo a salvação da humanidade, a salvação de cada um de nós. Qualquer pessoa que entenda essa necessidade, não poderá deixar de exclamar com São Paulo: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho” (1 Cor 9,16).

Jesus enviou os seus discípulos em missão com este mandato: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo” (Mc 16,15-16). Evangelizar significa levar aos outros a Boa Nova da salvação, e esta Boa Nova é uma pessoa: Jesus Cristo”.

De nada adianta querer salvar apenas a própria alma. Eu me salvo na medida em que salvo a vida dos outros, partilhando a alegria, a amizade, o amor que nasce do encontro com Jesus. “No início do Evangelho de João, vemos como André, depois de ter encontrado Jesus, se apressa em conduzir a Ele seu irmão Simão (cf. 1,40-42).

A evangelização sempre parte do encontro com o Senhor Jesus: quem se aproximou d’Ele e experimentou o seu amor, quer logo partilhar a beleza desse encontro e a alegria que nasce dessa amizade.

Quanto mais conhecemos a Cristo, tanto mais queremos anunciá-lo. Quanto mais falamos com Ele, tanto mais queremos falar d’Ele. Quanto mais somos conquistados por Ele, tanto mais desejamos levar outras pessoas para Ele”.

No final da sua mensagem para a JMJ no Rio, o Papa Bento dirigindo-se aos jovens de toda terra, disse: “Exorto todos os jovens do mundo: transmiti aos vossos conterrâneos o entusiasmo da vossa fé”.

Acrescento: quem tem fé nunca está sozinho. Assim vamos caminhar na direção do Cristo Redentor, e receber dele o abraço da fé, a coragem para evangelizar, a graça para permanecer sempre de pé, o entusiasmo juvenil para vencer sempre e jamais trair a confiança do Pai, que nos ama infinitamente.

 

Dom Anuar Battisti

Comente aqui


Morre irmã Irmã Maria Callista

A Arquidiocese de Maringá comunica o falecimento da Irmã Maria Callista (89) da Congregação das Irmãs Missionárias do Santo Nome de Maria. Irmã Maria Callista morreu na noite dessa terça-feira (09) vítima de infarto. Ela estava internada na UTI da Santa Casa com pneumonia.

A religiosa ficou muito conhecida em Maringá por causa do trabalho como enfermeira na Santa Casa. Ela trabalhou na maternidade do hospital durante 50 anos.

O corpo está sendo velado na Chácara Rainha da Paz – Rua Distrito Federal 1089. A missa de corpo presente será nesta quarta-feira (10) às 16h e em seguida será realizado o sepultamento.

 

Neste vídeo Irmã Maria Callista fala sobre a morte da Irmã Maria Adelheid Ginten, em junho de 2010 – https://www.youtube.com/watch?v=e59LzAq6noY

 

A Congregação das Irmãs Missionárias do Santo Nome de Maria foi fundada em 25 de março de 1920 por dom Wilhelm Berning, bispo de Osnabrück, Alemanha. Dom Wilhelm, diante da difícil situação social e religiosa que se seguiu à Primeira Guerra Mundial, sentia a necessidade da presença de irmãs em sua Diocese para auxiliar nas pastorais, dedicar-se às crianças, aos doentes e aos que se encontravam em perigo.

Desde a fundação da Congregação, as irmãs recebiam formação que as capacitava a ir evangelizar em países estrangeiros, cuidar das pessoas e do povo que estavam distantes de sua terra e não recebiam assistência de ninguém (Diáspora).

As primeiras seis irmãs a chegar ao Brasil começaram a enfrentar seus desafios a partir do embarque na Alemanha, pois viajaram sem a madre superiora e nenhum padre pôde acompanhá-las. Eram as irmãs: Maria Conradine, Maria Conrada, Maria Antonella, Maria Stúrmia, Maria Callista e Maria Adelheid Ginten.

 

3 Comentários


O momento pede reformas profundas

Artigo semanal de Dom Anuar Battisti

 

O Brasil acordou na voz dos jovens, protagonistas de um mundo novo. Eles gritam porque não suportam mais a falsidade, as promessas não cumpridas, o descaso diante da maioria da população que não tem seus direitos preservados.

O despertar de uma nova consciência política participativa, uma democracia onde a voz do povo se faça ouvir, uma democracia onde os governantes tenham diante de si, como primeira e primordial atividade o bem comum do povo, que os escolheu nas últimas eleições.

Como afirma o arcebispo de Sorocoba, Dom Eduardo Benes, em seu artigo sobre a reforma política e a ética na política: “As manifestações de rua de considerável parte da população, sobretudo jovem, revelam que nossa democracia está enferma. Que pensar de uma democracia representativa em que os representantes não representam de fato o povo que os elegeu? Esse divórcio está sendo sobejamente manifestado nas ruas de nossas cidades. Torna-se evidente a urgência de uma Reforma Política. É lamentável que os partidos políticos se tenham multiplicado excessivamente para atender interesses de pessoas e de grupos, sem a perspectiva do bem comum.”

Com certeza a urgente reforma política exigirá também uma forte formação política de todos os cidadãos, a fim de compreender a importância, a missão que ela tem diante de toda a sociedade. Não é possível continuar um caminho de promoção da vida e da dignidade de todos se não houver uma consciência clara da missão de quem dirige e de quem é dirigido. A ausência de princípios morais, de uma ética transparente e comprometida com o bem de todos, fez com que desencadeasse pelo Brasil, um forte grito que espera respostas imediatas e concretas, pois um povo insatisfeito não fica calado e a voz precisa ser ouvida pelos canais do diálogo, do entendimento e do compromisso de todos.

“A Doutrina Social da Igreja afirma que: A Igreja encara com simpatia o sistema da Democracia, enquanto assegura a participação dos cidadãos nas opções políticas e garante aos governados a possibilidade quer de escolher e controlar os próprios governantes, quer de os substituir, pacificamente, quando tal se torne oportuno; ela não pode, portanto, favorecer a formação de grupos restritos de dirigentes que usurpam o poder do Estado a favor dos interesses particulares ou dos objetivos  idelógicos” ( Doc 91 nº 33, CNBB, Por uma reforma do Estado com participação democrática.)

A Política é a ciência e a arte de construir o Bem Comum. “A busca de uma democracia plena passa pela formação de agentes políticos que se coloquem na construção de uma plenitude cada vez maior de sujeitos políticos, de homens e mulheres que tomem em suas mãos o processo de construir a democracia que necessitam, É condição básica para um mandato justo que ‘aqueles que têm  responsabilidades políticas não devem esquecer ou subestimar a dimensão moral da representação, que consiste no empenho de compartilhar a sorte do povo e m buscar a solução dos problemas sociais’ (Doc. 91 CNBB nº 43). Esse é um momento decisivo para a reconstrução democrática de um novo Brasil, começando por uma reforma política séria e profunda.

 

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

Comente aqui