Mês: fevereiro 2014



Obrigado irmã Firmina!

Irma Fimrina

Obrigado irmã Firmina!

Mesmo em uma família de forte tradição católica, Olga de Paula enfrentou resistência para seguir uma vida de entrega a Deus. Contra o que os pais aconselhavam, a mais velha dos 11 irmãos foi, aos 13 anos, seguir a vida religiosa que fez parte de todos os seus dias, até o fim.

Por volta da 1h25 da madrugada de segunda-feira (24 de fevereiro de 2014), Olga deu seu último suspiro. Descansou aos 92 anos, após quase oito décadas de dedicação e carinho a todos que dela se aproximavam. O legado foi deixado junto com o nome religioso que escolheu: Irmã Firmina Maria de Jesus Menino.

Em sua fragilidade, Irmã Firmina escondia por trás do sorriso toda a força e determinação que a motivavam a levar um pouco de alívio aos que diante dela sentiam dor. Sua marca registrada foi sempre a alegria: um sorriso largo estava sempre a iluminar o dia dos que viviam em sua companhia.

Passou por Florianópolis (SC), Belo Horizonte (MG), Osasco (SP) e Rio Claro (SP), até que o destino a fizesse começar a participar, aos 45 anos, da história de Maringá. Se uma palavra pudesse resumir os 43 anos que permaneceu na cidade, esta seria dedicação.

Foi com dedicação que a irmã ajudou, junto com três colegas de voto, a fundar o Lar dos Velhinhos de Maringá, instituição da qual ajudou a cuidar até quando sua condição de saúde permitiu. Quando chegou, o asilo era uma simples casa de madeira, que se transformou aos poucos na estrutura que hoje abriga 53 pessoas, construída pelo Rotary Club.

Dom Jaime Luiz Coelho foi quem pediu a vinda das irmãs para os cuidados com o lar. Bem articulada, a devota de Santa Paulina gostava de conversar com quem quer que fosse – inclusive sobre política.

Diagnosticada com Mal de Alzheimer, em 2009 ela se afastou da instituição. A doença já estava em nível acentuado e havia comprometido sua memória. Os últimos anos foram dedicados à Casa São Luís, em Bragança Paulista (SP).

Em Maringá, da mesma forma que a irmã abriu as portas e os braços a quem precisasse, recebeu em igual proporção apoio e aconchego da cidade que a acolheu por mais tempo em sua trajetória.

Seu maior ensinamento foi cuidar do próximo. Irmã Firmina deixou muitos amigos, e o exemplo de união, compaixão, honestidade e desapego às coisas materiais. Dizia sempre: “Nunca devemos negar comida a quem precisa.”

Mesmo tendo como principal característica a alegria, era organizada e de pulso firme quando precisava. Determinada, ajudava o Grupo de Serviços São José a organizar bazares beneficentes, bordava e fazia crochê para que a venda do artesanato fosse convertida em benefícios ao asilo.

Abalados pela notícia da morte, as companheiras e companheiros de grupo convidam a toda a comunidade maringaense a comparecer na missa em homenagem à irmã, a ser realizada neste sábado, na catedral, às 19h30.

A missão na Terra – os mais próximos garantem – foi cumprida com louvor.

Em seu sepultamento, as últimas palavras foram proferidas pelas Irmãzinhas da Casa São Luís: “Vem filha minha, receba a coroa que o Pai preparou para ti, desde toda eternidade.”

O CONVÍVIO E A DEVOÇÃO A SANTA PAULINA

No dia 21 de janeiro de 1942, Olga correu para o quarto de madre Paulina para avisá-la que a partir daquele momento não se chamaria mais Olga. A jovem havia se consagrado e adotou o nome de irmã Firmina Maria de Jesus Menino.

Aproveitou a oportunidade também para anunciar que estava de partida para o Colégio Cristo Rei, em Florianópolis (SC), pois tinha se formado professora. A irmã foi uma das poucas pessoas que tiveram a oportunidade de conhecer e conviver com uma santa.

Participou da congregação fundada por madre Paulina, a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição. Na ocasião, a madre já estava cega e havia amputado um braço devido à diabetes.

No dia 19 de maio de 2002, irmã Firmina acompanhou de perto a cerimônia de canonização de Santa Paulina, de quem se tornou devota. A passagem de avião para a Itália ela ganhou de presente do grupo de fiéis que auxiliavam o asilo.

Reportagem de Ana Luiza Verzola publicada no jornal O Diário

No documentário “Jaime: Uma História de Fé e Empreendedorismo” irmã Firmina fala sobre as obras sociais na Arquidiocese de Maringá http://www.youtube.com/watch?v=WgdOjRqz-uA

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Línguas de serpente

No domingo passado, o Papa Francisco explicando o quinto mandamento da Lei de Deus, fez uma aplicação tão concreta que é demais; ele fala direto e exatamente o que precisamos ouvir: “Vós ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás! Quem matar será condenado pelo tribunal’. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se encoleriza com seu irmão será réu em juízo” (vv. 21-22). Com isto, Jesus nos recorda que também as palavras podem matar! Quando se diz que uma pessoa tem língua de serpente, o que quer dizer? 

Que as suas palavras matam! Portanto, não só não se deve atentar contra a vida do próximo, mas também não lançar sobre ele o veneno da ira e atingi-lo com a calúnia. Nem falar mal dele. Chegamos às fofocas: as fofocas podem matar, porque matam a fama das pessoas! É tão bruto fofocar! No começo pode parecer uma coisa agradável, até divertida, como chupar uma bala. Mas no fim enche o coração de amargura e envenena também nós.
Digo-vos a verdade, estou convencido de que se cada um de nós fizesse o propósito de evitar as fofocas, no fim se tornaria santo! É um belo caminho! Queremos nos tornar santos? Queremos viver atrelados às fofocas como hábitos? Então nada de fofocas! Jesus propõe a quem O segue a perfeição do amor: um amor cuja única medida é não ter medida, ir além de todos os cálculos.
O amor ao próximo é uma atitude tão fundamentada que Jesus chega a afirmar que a nossa relação com Deus não pode ser sincera se não queremos fazer as pazes com o próximo. E diz assim: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão” (vv. 23-24). Por isso, somos chamados a reconciliar-nos com os nossos irmãos antes de manifestar a nossa devoção ao Senhor na oração”.
Diante dessa reflexão, recordei-me do Salmo 51, que diz: “Por que é que glorias da maldade, ó injusto prepotente? Tu planejas emboscadas todo dia, tua língua é qual navalha afiada, fabricante de mentiras! Tu amas mais o mal do que o bem, mais mentiras que a verdade! Só gostas das palavras que destroem ó língua enganadora! Por isso Deus vai destruir-te para sempre e expulsar-te de sua tenda; vai extirpar-te e arrancar tuas raízes da terra dos viventes! (Sl 51,1-8).
Nunca será feliz diante de Deus aquele que por mentiras e calúnias sobe na vida, ou consegue poder de governar através do crime. Estamos para participar como eleitores nas escolhas daqueles e daquelas que irão determinar os rumos de nossa história. Preparemos os ouvidos para fechar à voz do desmando e das falácias sem limites. Infelizmente quem chega ao pódio, nem sempre são os mais honestos.
Estamos num mundo do “quem pode mais chora menos”. Os conchavos e artimanhas já vêm sendo construídos desde a última eleição, na surdina e na calada da noite, ou até mesmo na luz do meio dia.
As tramas são sempre em vista das vantagens pessoais e nunca em vista do bem comum. A esperança que nos anima sempre é a de que, agora vai ser melhor, porque vai entrar gente nova, cabeça diferente, programas verdadeiros.
Porém, passa o tempo, o tempo se vai, e mais uma vez a decepção e o descrédito assumem o lugar da esperança de um mundo justo e solidário.
Eu acredito que a verdade triunfará, e a mentira será queimada no fogo do inferno. Matar, destruir, acabar com a vida não se faz só com armas, mas também com a língua de serpente, cuja ação e efeito não têm limites.
Que o Deus da vida, que nos fez a sua imagem e semelhança, nos ajude a defender a dignidade de cada ser humano, através dos verdadeiros valores da terra e do céu.
De tudo isso, entende-se que Jesus não dá importância simplesmente à observância disciplinar e à conduta exterior. Ele vai à raiz da Lei, com foco, sobretudo, na intenção e, portanto, no coração do homem, de onde provêm as nossas ações boas ou más.
Para ter comportamentos bons e honestos, não bastam as normas jurídicas, mas são necessárias motivações profundas, expressão de uma sabedoria oculta, a Sabedoria de Deus, que pode ser acolhida graças ao Espírito Santo.
E nós, através da fé em Cristo, podemos abrir-nos à ação do Espírito, que nos torna capazes de viver o amor divino. À luz deste ensinamento, cada preceito revela o seu pleno significado como exigência de amor, e todos se reúnem no maior mandamento: ama Deus com todo o coração e o próximo como a ti mesmo.

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá

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Dom Azcona em Maringá no Congresso da RCC

Congresso com Dom Azcona - capa face

O bispo da Prelazia de Marajó (PA) Dom Jose Luis Azcona será o pregador do Congresso Arquidiocesano da Renovação Carismática Católica (RCC) que está programado para os dias 22 e 23 de março de 2014 no Teatro Marista.

Dom Azcona é conhecido internacionalmente pela luta contra o tráfico humano e de armas e também contra a exploração sexual na região norte do Brasil. O bispo da Prelazia de Marajó é ameaçado de morte por causa do trabalho que desempenha na defesa dos direitos humanos.

A temática do congresso da RCC será “Conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4,3), tema que está sendo trabalhado pela RCC Brasil em 2014.

As inscrições podem ser feitas até o dia 20 de março. As fichas precisam ser entregas no escritório da RCC, Livraria Rainha da Paz ou na Livraria São José. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 044 3026 8811.

O escritório da RCC fica na Rua Topázio, 732.

 

Por Assessoria de Imprensa da Arquidiocese de Maringá

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Não Basta olhar. É preciso agir!

Dom Anuar - escola rural 1

Em setembro do ano passado o Papa Francisco em visita à Diocese de Caglari encontra com os pobres e presos e diz: “Sentimos aqui de maneira forte e concreta que todos somos irmãos. Aqui o único Pai é o nosso Pai celeste, e o único Mestre é Jesus Cristo. Então, a primeira coisa que desejo partilhar convosco é precisamente esta alegria de ter Jesus como Mestre, como modelo de vida. Olhemos para Ele. Aqui ninguém é melhor que o outro. Diante do Pai somos todos iguais, todos!”

Na última sexta-feira (14 de fevereiro) eu e o padre Manoel Silva Filho, da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, fomos visitar as famílias abrigadas provisoriamente na escola rural Delfim Moreira – uma escola abandonada, sem as mínimas condições para abrigar seres humanos.

Neste caso – e em toda a problemática da falta de moradia popular – não se trata de buscar culpados e sim buscar a solução. Se alguém está passando fome, precisamos dar de comer. Se alguém está doente, precisamos encaminhar ao médico. A dignidade humana passa pelo estômago para chegar a uma moradia digna, à educação, à saúde, ao direito de viver.

Naquela visita o Papa Francisco recorda que, também em casos como este, o caminho é um só, o amor.

“Eis o caminho do amor: não há outro. Por isso vemos que a caridade não é um simples assistencialismo, nem sequer um assistencialismo para tranquilizar as consciências. Não, isso não é amor, é comércio, é negócio. O amor é gratuito. A caridade, o amor é uma escolha de vida, é um modo de ser, de viver, é o caminho da humildade e da solidariedade.

Não há outro caminho para este amor: ser humildes e solidários. Esta palavra, solidariedade, nesta cultura do descarte — o que não serve deita-se fora — para permanecer apenas os que se sentem justos, que se sentem puros, que se sentem limpos. Coitados. A humildade de Cristo não é moralismo, um sentimento.

A humildade de Cristo é real, é a escolha de ser pequeno, de estar com os pequeninos, com os excluídos, de estar entre nós, todos pecadores. Atenção, não é uma ideologia! É um modo de ser e de viver que nasce do amor, nasce do coração de Deus. Mas não é suficiente olhar, é preciso seguir! Jesus não veio ao mundo para fazer um desfile, para se mostrar.

Não veio para isto. Jesus é o caminho, e um caminho serve para caminhar por ele, para o percorrer. As obras de caridade com caridade, com ternura e sempre com humildade! Alguns apresentam-se bons, da sua boca só saem palavras sobre os pobres; outros instrumentalizam os pobres para interesses pessoais ou do próprio grupo. Eu sei, isto é humano, mas não está bem! Não é de Jesus. E digo mais: isto é pecado! É pecado grave, porque é usar os necessitados, os que estão em dificuldade, que são a carne de Jesus, para a minha vaidade. Uso Jesus para a minha vaidade, e isto é pecado grave! Seria melhor que estas pessoas ficassem em casa!” (Papa Francisco).

Diante do que vi e refletindo sobre as palavras do Papa, não podemos ficar de braços cruzados diante de situações graves como esta das famílias na escola rural Delfim Moreira.

A prioridade é dar dignidade às crianças, a começar pelo direito de frequentar a escola, de se alimentar com dignidade, de ter um lugar digno para dormir e brincar. Onde foi parar o Estatuto da Criança e do Adolescente?

É dever das autoridades constituídas trabalharem pelo bem comum de todos, principalmente dos mais vulneráveis. Volto repetir que não se trata de buscar culpados, e sim a solução. As crianças estão pagando um preço que nunca esquecerão. Eu repeti a eles as palavras de Francisco: “Coragem! Não vos deixeis roubar a esperança e ide em frente!”

Vamos olhar e agir. Que os inocentes não sejam moeda de pagamento pelos erros da nossa sociedade que exclui.

 

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

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O ato de fé pode não significar nada

adoraçao

Nestes dias participando do curso com os bispos no Rio de Janeiro – aliás, foi uma belíssima experiência de reflexão e partilha – fui tomado por um pensamento que me deixou preocupado.

Foi meditando o texto do evangelista Marcos, quando narra o endemoninhado dizendo: “ Vendo Jesus de longe, o endemoninhado correu, caiu de joelhos diante dele, e gritou bem alto: Que tens a ver comigo, Jesus Filho do Deus altíssimo? Eu te conjuro por Deus, não me atormentes! Com efeito Jesus lhe dizia: Espírito impuro sai deste homem”! (Mc 5,6-8).

Chamou-me a atenção porque o demônio acredita, tem fé. Reconhece o Filho de Deus, e conjura por Deus. Porque ele faz isso e continua fazendo o mal, atormentando as pessoas? Porque faz um ato de fé e nada muda em sua vida? Nunca muda de caminho, está sempre na contramão da história.

Fiquei pensando e me veio um certo temor. O demônio reconhece Jesus, professa a fé Nele, mas não O segue e continua sempre pela própria estrada.
Jamais será diferente porque sabe quem é Jesus: o Filho de Deus. Mas a sua convicção não interfere no seu modo de agir. É fácil professar a fé, o complicado é deixar essa fé transformar o modo de agir e pensar.

Por isso o maligno continuará sempre maligno, porque a fé não tem nada a ver com a vida concreta. A diferença esta na fé, que faz verdadeiramente ser discípulo de Jesus; caso contrário eu fico parecendo o demônio que acredita, faz um ato de fé, mas continua sendo o rei da maldade e do pecado.

Vive fazendo de conta que não acredita. Confesso que essa reflexão me causou um certo temor e me fez repensar o meu seguimento, enquanto escolhido e chamado a colaborar na vinha do Senhor.

Entendi melhor a expressão de Jesus: “O único pecado que não tem perdão é o pecado contra o Espírito Santo”. Esse é o pecado, professar com os lábios e negar com as atitudes, ou seja, não deixar Deus agir em nós, porque é Ele que vem ao nosso encontro.

Não fomos nós que amamos a Deus. Foi Ele quem nos amou por primeiro. Negar a iniciativa de Deus, fechar-se em si mesmo, nos colocando no lugar de Deus, é negar toda e qualquer ação do Espírito Santo em nós. Esse é o pecado que não tem perdão.

Não que Deus não perdoe, mas sim porque não acreditamos no perdão. Como o Papa Francisco repetiu várias vezes: “Deus não se cansa de perdoar, nós nos cansamos de pedir perdão”. O caminho de seguimento de Jesus é um caminho de perdas e ganhos. Perco o meu jeitão de ser e aceito o jeitão do Mestre e Senhor da minha vida. Serei discípulo se serei capaz de assumir a disciplina do Mestre. Não basta dizer eu creio. A fé sem obras é morta.

No caminho do seguimento do Senhor a astúcia como as serpentes e a simplicidade como as pombas devem ser sempre as atitudes primordiais para não cairmos na tentação do demônio. É como nós rezamos sempre no Pai Nosso: “não nos deixeis cair na tentação”. A tentação é exatamente a incoerência do nosso falar e do nosso ser.

Somente quem está em Deus é uma criatura nova, ou seja renovada, disposta ao seguimento de Jesus como verdadeiro discípulo e discípula. Não tenho dúvidas de que o demônio existe e não tenho dúvidas de que ele nunca para de trabalhar, principalmente, fazendo-nos professar a fé e vivendo como se Deus não existisse. Orar sempre, professar sempre, viver sempre na luz da Fé, assim nada será inútil. A vida terá outro sentido.

Que Deus abençoe a nossa semana!

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

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Obrigado seu Joaquim!

joaquim arcebispo

Obrigado seu Joaquim Romero Fontes, por tudo que o senhor fez por nossa amada Maringá. A Arquidiocese de Maringá agradece especialmente pelo seu empenho na construção do nosso símbolo, a Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Glória. https://www.youtube.com/watch?v=F1i-m-4fxi0

Com Dom Jaime Luiz Coelho, o senhor abraçou a causa na época e foi um dos responsáveis pela finalização da obra. Hoje o céu se alegra. Hoje, do céu, tenho certeza que Dom Jaime e seu Joaquim estão, juntos, olhando a Catedral.

Que Deus conforte os familiares.

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Onde estão as pessoas iluminadas?

Que pena ver todos os dias pessoas que vivem obscuras e perdidas nas próprias trevas, deixando-se vencer pela escuridão, imaginando ter encontrado a luz.

No dia a dia, se misturam luzes e trevas, ambos confundem-se. Os bons costumes, o respeito, o carinho a atenção, a honra, a dignidade, tudo isso aparece misturado com falta de respeito, de pudor, de libertinagem, de falsidade, de negação dos verdadeiros valores.

Lamentavelmente os mais variados meios de comunicação têm se pautado por uma enxurrada de comportamentos escandalosos levando nossa juventude para o relaxamento e a degradação humana e religiosa. Convence muito mais uma cena, uma palavra, um gesto de alguém na telinha, ou de um amigo no Facebook, do que uma vida de doação e exemplos.

Devo reconhecer que também existem pessoas iluminadas que se destacam em qualquer lugar que chegam. O olhar alegre, atitudes que encantam, palavras que tocam fundo, em todo momento tem a palavra certa para a pessoa certa.

São pessoas que tratam todos com o mesmo respeito, que têm um coração aberto e acolhedor sempre, que buscam o bem do outro antes do próprio. Pessoas iluminadas por valores humanos e cristãos, que nunca se deixam vencer pela atração da moda, do consumo, do ódio, da vingança, das coisas efêmeras do cotidiano. Como precisamos destas pessoas que não só tem luz própria, mas que buscam a fonte da verdadeira Luz!

O mundo está carente de pessoas que brilham e iluminam, pelo seu ser e estar no mundo. Poderia dizer que o mundo está gritando de fome e sede de anjos, não no céu, mas aqui na terra. Anjos de carne e osso, transmitindo otimismo, garra, entusiasmo, gosto de viver, amor e atenção, sem medo de enfrentar os desafios que o maligno semeia dia e noite no coração, principalmente dos jovens.

Existem estes anjos, talvez o que falta é enxergar, reconhecer esses exemplos. Como seria diferente se tivéssemos a coragem de imitá-los. Tenho a certeza que o mundo seria melhor. É mais fácil imitar as futilidades, seguir a correnteza dos maus costumes, do modismo sem controle, do liberalismo, do “tanto faz como tanto fez”.
Lamentavelmente as maiores vítimas são os jovens e adolescentes, quando não crianças de colo.

Que tristeza ver crianças e adolescentes mandando nos pais. Pais que perderam toda a autoridade diante dos filhos. Filhos matando os pais e pais sem saber o que fazer com os filhos. Já passou a hora de acordar e verificar quais valores estamos transmitindo desde o ventre materno.

Que exemplos estão sendo dados aos filhos, netos, sobrinhos desde a infância. O que estamos fazendo para a formação do caráter, do sentido de viver em sociedade? É preciso verificar o quanto antes o que contribui com a internalização dos verdadeiros valores e não com o que contribui na formação de adultos vazios, sem personalidade, sem pudor, sem sentimento, sem perder a dimensão sobrenatural da vida.

Obrigado Senhor, por ter colocado na minha vida tantas pessoas iluminadas, de têmpera firme, de personalidade decidida, de educação invejável, de fé inquebrantável. Afastai de mim os tolos, os falsos, os mau humorados, os aproveitadores, os donos da verdade. Peço a Tua luz Senhor, para que jamais deixe de iluminar a todos que encontrar pelo caminho da vida. Uma abençoada e iluminada semana para você e sua família!

Dom Anuar Battisti – Arcebispo de Maringá

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