Mês: março 2014



Medo de prestar contas

Jesus

Esta semana, em visita aos enfermos na Paróquia São Mateus, que ouvi essa expressão: “Não tenho medo de morrer, mas de prestar contas”.

Já ouvi e muitas vezes, e de vários modos, a expressão: “Tenho medo da morte”; mas pela primeira vez ouvi dizer: “Tenho medo de prestar contas”. Essa será a porta de passagem pela qual todos nós seremos convidados a entrar.
Entrar pela porta estreita e diante do Pai Deus, ver e julgar em segundos, como se fosse um filme, toda a minha existência terrena, e no final ouvir das duas uma palavra: “vinde, bendito” ou “ide, maldito”.

O Julgamento, sem dúvida, será de um Pai que não quer a condenação e sim a salvação de todos; porém não deixa de ser um julgamento.

O Senhor não vai julgar pelas vezes que participamos da missa ou do culto; pelas vezes que pegamos a Bíblia para meditar ou preparar a pregação aos fiéis; pelas vezes que dobramos os joelhos para rezar no templo ou no quarto.

O Senhor não quer saber se fizemos peregrinação para a Terra Santa, pelos santuários. Nunca vai perguntar sobre nossos ritos e rituais, nossas fórmulas de louvores. Não seremos sabatinados sobre as contas bancárias e muito menos sobre os bens materiais. O julgamento será sobre uma única pergunta: Tudo o que fizemos e possuímos serviu para amar a Deus sobre tudo e o próximo como a nós mesmos?

Todas as nossas práticas religiosas, se não levarem para um amor maior entre nós, não servem para nada. Pelo contrário. Serão motivos do fogo eterno.

O amor verdadeiro se revela na prática da regra de ouro: “fazer aos outros o que gostaria que fizesse a nós.”
Portanto, o único critério a nos julgar será a nossa capacidade de atender às necessidades básicas dos mais necessitados.

“Estive com fome me destes de comer, estive com sede me destes de beber, estava nu e me vestistes, estava doente e preso viestes me visitar”. Porque todo o bem ou o mal feito ao próximo, é ao Senhor que fazemos, e ficará para a recompensa na eternidade, ou para a condenação eterna.

Não precisamos ter medo da morte. Por isso ainda é tempo de fazer deste tempo um recomeço. No tempo presente esta a oportunidade de refazer nossas escolhas e ser coerentes nas suas consequências.

O mundo precisa de cristãos autênticos, coerentes com o que professa com a boca, crê com o coração e efetiva nas ações.

De palavras e palavras, promessas e promessas o inferno já esta cheio. A tristeza de Deus está no coração humano petrificado pela prática hipócrita, onde as aparências são mais importantes.

Estamos assustados pela epidemia de “dengue”, e com razão precisamos criar juízo sobre essa urgência, mas a pior epidemia, que está matando multidões é a falta de amor autêntico e verdadeiro.

O coração ganancioso e prepotente, nunca será capaz de ver o outro como alguém a ser amado. Não precisa ter medo da morte; comece a preocupar-se com a prestação de contas no encontro com Aquele que te criou por amor e para amar.

Dom Anuar Battisti

 

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Jogando pela vida – Mensagem da CNBB sobre a Copa do Mundo

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Direito humano de especial valor, o esporte é necessário a uma vida saudável e não deve ser negligenciado por nenhum povo. De todos os esportes, o brasileiro nutre reconhecida paixão pelo futebol. Explicam-se, assim, a expectativa e a alegria com que a maioria dos brasileiros aguarda a Copa do Mundo que será realizada em nosso país, pela segunda vez.

Fiel à sua missão evangelizadora, a Igreja no Brasil acompanha, com presença amorosa, materna e solidária, esse grande evento que reunirá vários países e protagonizará a oportunidade de um congraçamento universal, “na alegria que o esporte pode trazer ao espírito humano, bem como os valores mais profundos que é capaz de nutrir”, como nos lembra o Papa Francisco.

Os brasileiros, identificados por sua hospitalidade e alegria, saberão acolher aqueles que, de todas as partes do mundo, virão ao nosso país por ocasião da Copa. Nossos visitantes terão a oportunidade de conhecer a riqueza cultural que marca nossa terra, sua gente, sua arte, sua religiosidade, seu patrimônio histórico e sua extraordinária diversidade ambiental.

A Copa se torna, portanto, ocasião para refletir com a sociedade sobre as relações pacíficas e culturais entre todos os povos, bem como sobre os aspectos sociais e econômicos que envolvem o esporte que é harmonia, desde que o dinheiro e o sucesso não prevaleçam como objeto final, conforme alerta o Papa Francisco.

Lamentamos que, na preparação para a Copa, esse último aspecto tenha prevalecido sobre os demais, motivando manifestações populares que acertadamente reivindicam a soberania do país, o respeito aos direitos dos mais vulneráveis e efetivas políticas públicas que eliminem a miséria, estanquem a violência e garantam vida com dignidade para todos. Solidarizamo-nos com os que, por causa das obras da Copa, foram feridos em sua dignidade e visitados pela dor da perda de entes queridos.

Não é possível aceitar que, por causa da Copa, famílias e comunidades inteiras tenham sido removidas para a construção de estádios e de outras obras estruturantes, numa clara violação do direito à moradia. Tampouco se pode admitir que a Copa aprofunde as desigualdades urbanas e a degradação ambiental e justifique a instauração progressiva de uma institucionalidade de exceção, mediante decretos, medidas provisórias, portarias e resoluções.

O sucesso da Copa do Mundo não se medirá pelos valores que injetará na economia local ou pelos lucros que proporcionará aos seus patrocinadores. Seu êxito estará na garantia de segurança para todos sem o uso da violência, no respeito ao direito às pacíficas manifestações de rua, na criação de mecanismos que impeçam o trabalho escravo, o tráfico humano e a exploração sexual, sobretudo, de pessoas socialmente vulneráveis e combatam eficazmente o racismo e a violência.

A sociedade brasileira é convidada a aderir ao projeto “Copa da Paz” e à Campanha “Jogando a favor da vida – denuncie o tráfico humano”. Seu objetivo é contribuir para que a Copa do Mundo em nosso país seja lembrada como tempo de fortalecimento da cidadania. Por meio destas iniciativas, a Igreja se faz presente na vida política e social do país, cumprindo sua missão evangelizadora. Ao mesmo tempo, conclamamos as Dioceses em cujo território estão localizadas as cidades-sede da Copa a oferecerem especial atenção religiosa aos seus diocesanos e aos visitantes.

O jogo vai começar e o Brasil se torna, nesse momento, um imenso campo, sem arquibancadas ou camarotes. Somos convocados para formar um único time, no qual todos seremos titulares para o jogo da vida que não admite espectadores. Avançando na mesma direção, marcaremos o gol da vitória sobre tudo que se opõe ao bem maior que Deus nos deu: a vida. Essa é a “coroa incorruptível” (1Cor 9,25) que buscamos e que queremos receber ao final da Copa. Então, seremos todos vencedores!

Que a padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, nos agracie com sua bênção e proteção neste tempo de fraternidade e congraçamento entre os povos

 

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva, OFM
Arcebispo de São Luís do Maranhão
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

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“Evitem bebidas alcoólicas em festas de igreja”

Carta dos Bispos do Paraná pede para que organizadores evitem bebidas alcoólicas em festas de igreja

 

Os arcebispos e bispos do Paraná, reunidos em assembleia de 16 a 18 de março, juntamente da Comissão Regional dos Presbíteros, assinaram, unanimemente, um documento referente ao consumo de bebidas alcoólicas em festas de igreja.

O texto, que é endereçado às dezoito dioceses, mais a Eparquia Ucraniana São João Batista, que juntas englobam 830 paróquias e mais de 9.700 comunidades católicas no Estado, pede que se “inicie uma caminhada de conscientização das comunidades, a fim de que sejam evitadas as bebidas alcoólicas nas festas abertas, almoços, jantares e em eventos promovidos pela Igreja Católica”.

“Cuidado com a embriaguez!” (Lc 21,34). Essa citação do evangelho de Lucas, na esteira do documento de Aparecida que convida a abandonar com coragem as estruturas e práticas não evangelizadoras, e ainda impulsionados pelos gestos proféticos do Papa Francisco, serviram de base para o diálogo que levou à redação do texto.

Não se trata de um decreto, nem mesmo de uma proibição, mas os arcebispos, bispos e padres fazem votos de que as festas de igreja sejam voltadas para a sadia convivência das famílias e, cada vez mais, o dízimo seja implantado e desenvolvido nas comunidades.

 

Leia a nota:

Conselho Episcopal Regional Sul 2 da CNBB

 

Considerações dos bispos do Regional Sul 2 sobre o consumo de bebidas alcoólicas em festas de Igreja

 

Os bispos do Paraná, reunidos em Assembleia, desejosos de uma maior fidelidade a Jesus Cristo, como propõe o Papa Francisco para toda a Igreja, depois de amplo diálogo, encaminham aos senhores um pedido: iniciar uma caminhada de conscientização de nossas comunidades, a fim de que sejam evitadas as bebidas alcoólicas nas festas abertas, almoços, jantares e em eventos promovidos pela Igreja.

O povo brasileiro é alegre e gosta de festas. As festas expressam a alegria de estar junto, a amizade e a fraternidade. Em algumas comunidades, a festa se tornou tradição, celebrada há muitos anos. As festas em honra aos padroeiros são urna riqueza imensa!

No entanto, temos visto crescer o consumo de bebidas alcoólicas em nossas festas, que assim se tornam um contra-testemunho, pois, prejudicam irmãos portadores da doença do alcoolismo, envergonham as famílias, mau exemplo para jovens e adolescentes, hoje cada vez mais cedo usuários de álcool.

Estragam o ambiente da festa com palavrões, obscenidades e até violência, tanto que é preciso de polícia em muitos casos.

Há motoristas que saem da festa embriagados, pondo em risco a vida e a imagem pública da Igreja.

O álcool mata! Perguntamos: que espécie de honra prestamos a Deus, ou aos santos Padroeiros, com tais resultados? Algumas dioceses do nosso Estado já assumiram essa decisão, o que vivamente apoiamos.

A experiência das comunidades que decidiram  servir bebidas alcoólicas em seus eventos comprova que as festas se tornaram mais familiares e participativas e, com o passar do tempo, inclusive, mostraram-se economicamente mais vantajosas que antes.

O Documento de Aparecida nos convida a abandonar com coragem as estruturas e práticas que não são evangelizadoras. Não é este o caso?

O Evangelho adverte: “Cuidado com a embriaguez!” (Lc 21,34). E São Paulo aos Efésios recomenda: “Não vos embriagueis!” (Ef 5,18)

Em vista disso, os bispos do Paraná, lembram que a Igreja vem incentivando a Pastoral da Sobriedade como caminho para aqueles que lutam contra o alcoolismo.

Não vamos nós, nas festas, contradizer a Palavra de Deus.

Com o apoio da Comissão Regional de Presbíteros fazemos votos de que as festas sejam somente para sadia convivência das famílias e, cada vez mais, o dízimo seja implantado e desenvolvido nas comunidades.

O dízimo é um instrumento bíblico, fraterno e corresponsável, previsto para sustento da vida eclesial e expressão de maturidade da fé cristã.

Que Nossa Senhora do Rocio, Rainha e Padroeira do Paraná, nos torne corajosos para mudarmos, na Igreja, aquilo que só depende de nós.

 

Curitiba, 17 de março de 2014

 

Assinam os Bispos do Paraná e a Comissão Regional dos Presbíteros

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Um ano de pontificado do Papa Francisco

O ministério do Papa Francisco foi marcado desde o dia em que aparece na sacada da Basílica de São Pedro, por um papado diferente. 

Ele começou o serviço pastoral dizendo: “Parece que os meus irmãos cardeais foram buscar-me quase até ao fim do mundo. Mas aqui estamos”.
Em seguida disse: “E agora gostaria de dar a bênção, mas primeiro quero pedir-vos um favor. Antes de o bispo benzer o povo, peço que rezem ao Senhor para que me abençoe. Façamos esta oração em silêncio. Agora, vou abençoar-vos e a todo o mundo, a todos os homens e mulheres de boa vontade”.

Nunca na história dos últimos papas se viu e ouviu tamanha humildade e aproximação. Esse seria o estilo, o rosto da Igreja a partir daquele 13 de março de dois mil e treze.  O Francisco do século XXI, que vem do “fim do mundo”, surge para dar uma nova veste às estruturas, iluminando com seu sorriso, atraíndo a todos com seu jeito de ser e falar.

É um papa que fala aos corações. Gestos, atitudes, posturas, que sustentam cada palavra que se encaixa como luva nas mãos, de todos nós, nada se perde.  A missão de ser o homem de Deus no meio do povo não é outra a não ser o que ele disse na chegada ao Rio, para a Jornada Mundial da Juventude 2013: “Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu Nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração; e desejo que chegue a todos e a cada um a minha saudação: “A paz de Cristo esteja com vocês!”
O estilo Francisco é o estilo de Jesus, que se impõe sem longos discursos ou recomendações teológicas.

Com sua inteligência aguda e ágil vinha desde a ordenação episcopal, observando a vida e a estrutura da Igreja na cúria romana, mesmo sem nunca ter morado em Roma. Tudo era uma escola na qual foi aprendendo o que não deveria acontecer, seja em Buenos Aires, como agora no Vaticano.
Por isso tem a força de mudar as estruturas ultrapassadas sem agredir, acusar, encontrar culpados. Estabelece uma verdadeira revolução simplesmente pelo seu jeito diferente de ser.

Diante da pergunta de uma criança que quer saber porque não foi viver nos aposentos pontifícios ele simplesmente disse: “Tenho problemas psiquiátricos, não consigo viver sozinho”. Por isso o clamor em criar a “cultura do encontro” o aproximar-se das pessoas, o “sentir o cheiro das ovelhas” o livrar-se das regalias e pompas de um chefe de Estado, enfim um novo rosto da Igreja para o mundo.

As mudanças se fazem sentir aos poucos, principalmente na transparência da economia e administração dos bens do Vaticano. A missão dos cardeais, bispos, sacerdotes e religiosos que trabalham na Cúria Romana, já não é só um trabalho burocrático e sim pastoral, inclusive saindo para as paróquias romanas para celebrar os sacramentos, principalmente a confissão.

O retiro de quaresma deste ano aconteceu fora do Vaticano, numa casa de retiros onde todos estavam o tempo todo, com o Papa. Ele foi junto com todos, no mesmo ônibus. Antes se fazia o retiro dentro do Vaticano, todos ouviam as meditações e cada um ia para o seu trabalho.

São mudanças que para nós de fora não se faz notar, mas isso é profundamente novo. Todos nós já demos conta de que um novo rosto, um rosto latino-americano veio para ficar estampado em toda a Igreja. Rezemos sempre pela saúde de nosso Papa Francisco, a fim de que possa consolidar em todas as estruturas da Igreja o rosto de Jesus e do Evangelho vivido, expresso em sua belíssima Exortação Apostólica Evangelho da Alegria. Que Deus abençoe você e sua família! Boa Semana!

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

 

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V Congresso da Divina Misericórdia em Maringá

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Estão abertas as inscrições para o V Congresso da Divina Misericórdia em Maringá que será realizado nos dias 05 e 06 de abril de 2014 no Auditório João Paulo II – anexo ao Centro de Formação Bom Pastor. A temática este ano será “Eucaristia: Fonte de Misericórdia”.

O congresso terá a participação do Arcebispo de Maringá, Dom Anuar Battisti; padre Rodrigo Gutierrez, assessor do Apostolado Eucarístico da Divina Misericórdia da Arquidiocese de Maringá e padre João Sopicki, reitor do Santuário da Divina Misericórdia do Rio de Janeiro. A animação será da Banda Capella.

As inscrições podem ser feitas nas secretarias paroquiais ou na Rádio Colméia em Mandaguaçu e Maringá.

Outras informações podem ser obtidas com a equipe de coordenação: Mauro Valek: 044 8407 8807; e Ricardo Palomares: 044 9148 4644.

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O que é a Pastoral Juvenil? Dom Anuar explica

De 14 a 16 de março de 2014 será realizado em Ponta Grossa o segundo encontro da Pastoral Juvenil no Regional Sul 2 da CNBB, que compreende o Paraná.

A Pastoral Juvenil tem a proposta de reunir pastorais, movimentos, congregações e novas comunidades que trabalham com a juventude na Igreja. Coordenadores diocesanos de pastorais, movimentos, congregações e novas comunidades podem participar do encontro.

Um dos destaques da reunião será o momento de troca de experiências da Pastoral Juvenil de Porto Alegre. No final do encontro os participantes vão apresentar os encaminhamentos dos trabalhos aos bispos do Paraná, que vão estar em Ponta Grossa a partir do dia 16 por ocasião da Assembleia dos bispos do Regional Sul 2 da CNBB.

Assessoria de Imprensa Arquidiocese de Maringá-PR

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Fraternidade e tráfico humano

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) todos os anos faz coincidir a Campanha da Fraternidade coma Quaresma, unindo assim a necessidade de conversão e a conscientização de uma situação social urgente da sociedade.

A Campanha da Fraternidade sempre é uma reflexão, um roteiro de conscientização, prevenção, denúncia, reinserção social e incidência política para alertar a população. Este ano é o enfrentamento do tráfico humano. A Campanha tem como tema: “Fraternidade e Tráfico Humano” e lema: “É para a Liberdade que Cristo nos libertou”, inspirado na carta aos Gálatas (5, 1).

Como objetivo geral a Campanha propõe: “Identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-lo como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando cristãos e a sociedade brasileira para erradicar esse mal, com vista ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus”.

O Tráfico Humano caracteriza-se pela ampla estrutura do crime organizado, em rotas nacionais e internacionais e internacionais, pela invisibilidade ajudada pela falta de denúncia e pelo aliciamento e a coação. Suas principais modalidades são: Tráfico para exploração no trabalho, para exploração sexual, para extração de órgãos, para adoção de crianças, para exploração da força de trabalho, para atividade ilícita.

O enfrentamento do crime do Tráfico Humano exige a cooperação entre os países, em áreas como a criminal, jurídica, tecnológica, econômica e de meios de comunicação. O Brasil adotou a “Convenção de Palermo” das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, o qual foi assinado um Protocolo Adicional conhecido como “Protocolo de Palermo”.

Esse instrumento legal internacional, o principal para prevenção, repressão e punição do tráfico humano, define o crime e aponta os elementos que caracterizam: Os atos mais comuns – o recrutamento; o transporte; a transferência; o alojamento; o acolhimento de pessoas. A principal finalidade – A exploração da pessoa humana sob várias formas: prostituição e outras formas de exploração sexual; a servidão; a remoção de órgãos.

É importante frisar que, para a configuração do crime de tráfico humano, o consentimento da vítima é irrelevante. Os traficados devem ser vistos como vítima e são protegidos pela lei brasileira; mas, ainda faltam leis mais abrangentes quanto ao crime de tráfico de pessoas. A Igreja é solidária com as pessoas traficadas e comprometidas com a evolução da consciência sobre o valor da dignidade humana, fundamentada na Sagrada Escritura. A ruptura dessas relações leva ao pecado da violência, da exploração do outro, agressões à dignidade humana como o tráfico de pessoas.

“É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1) é uma liberdade para o serviço (Rm 6, 22) e para o compromisso com a justiça do Reino (Rm 6, 16). A justiça e a liberdade verdadeira nos impele a vencer a idolatria do dinheiro, da ideologia e a tecnologia que se encontra na origem do pecado do Tráfico Humano, onde o TER se sobrepõe ao SER.

O Tráfico Humano não é somente uma questão social, mas também, eclesial e desafio pastoral. A Igreja é desafiada a ser advogada da justiça e a defensora dos pobres. Os três caminhos de ação que desponta são: prevenção, cuidado pastoral das vítimas e a sua proteção e reintegração na sociedade.

A Igreja é provocada a dar uma resposta de amor (1Jo 4, 19), por meio de todos nós discípulos missionários, defendendo sempre a dignidade dos pequeninos e injustiçados Todos são filhos e filhas do mesmo Pai, irmãos em Jesus Cristo. E o que se faz a um destes pequenos, se faz a Jesus (Mt 25, 31-46).

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

 

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Missa em ação de graças pelos 60 anos da Santa Casa

Santa Casa

Em 2014 a Santa Casa de Maringá completa 60 anos. Em ação de graças pela data o Arcebispo Dom Anuar Battisti irá presidir a santa missa ao ar livre nessa sexta-feira (07) às 17h, em frente à entrada principal do hospital (Rua Santos Dumont 555). A santa missa será concelebrada pelo padre Sidney Fabril, capelão hospitalar.

Durante a celebração será inaugurada a reforma da maternidade da Santa Casa.

HISTÓRICO

O nascimento da Santa Casa, no início da década de 50, resultou do compromisso do padre João Jansen, de Maringá/PR e a anuência do Bispo Dom Geraldo Proença Sigaund, de Jacarezinho/PR, em melhorar as precárias condições de saúde dos trabalhadores rurais da região.
Em julho de 1954, num galpão abandonado, é inaugurado o ambulatório Nossa Senhora de Fátima, com 10 leitos. Um ano depois recebe o registro de Entidade de Fins Filantrópicos, renovado anualmente até os dias atuais.

A busca incessante de recursos e mão-de-obra especializada, sob coordenação de Dom Jaime Luiz Coelho, Bispo de Maringá na época, possibilitou a construção de 81 leitos, do Centro Cirúrgico e Obstétrico.

Entretanto, com o crescimento acelerado da cidade e região, a Diocese precisava de mais recursos para atender a demanda crescente de pessoas. Procurou, então, os Irmãos da Misericórdia de Maria Auxiliadora, uma Congregação alemã, fundada em 1850 pelo Irmão Pedro Friedhofen, para administrar o hospital. Desde 1970, a Santa Casa de Maringá conta com a Irmandade na sua direção.

Em 1992 termina o 6ª pavilhão e a primeira fase do projeto, com a Maternidade, Pediatria, Clínica Médica e Cirúrgica, Unidade de Fisioterapia, consultórios médicos, Unidade e Terapia Intensiva Adulto e Pediátrica, Pronto Atendimento, Centro Cirúrgico e Central de Recuperação, Esterilização, Lavanderia, Farmácia, Centro Diagnóstico, Setor Administrativo e de Recursos Humanos, Compras, em pleno funcionamento.
Hoje, além do atendimento à comunidade, a Santa Casa atua em conjunto com os gestores públicos de saúde para ajudar a suprir suas necessidades assistenciais, tecnológicas ou de competências. Para isso dispõe de 60% de seus leitos aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Santa Casa está à frente de projetos importantes, que mostram como a parceria público-privada pode render frutos para a comunidade, inspirando outras instituições a engrossarem suas fileiras em prol da saúde em nosso país.

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