Artigos de Dom Anuar



O tempo já se completou. Convertei-vos

O Senhor Jesus, no início do evangelho de Marcos afirma: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no evangelho” (Mc 1,15). Conversão e fé andam juntas, criando um processo de mudança no aspecto físico, psicológico e espiritual, pois somos seres humanos em transformação permanente. Quando falamos em conversão, logo nos lembramos de conversão espiritual, apenas.

O convite de Jesus vai além de uma conversão só espiritual, muitas vezes feita apenas de práticas exteriores, ritos e cultos desencarnados da vida cotidiana.

O convite “convertei-vos” está nos dizendo que não é mais possível viver como se nada estivesse acontecendo. Deus pede a seus filhos e filhas colaboração. Está na hora de mudar nossa maneira de pensar e agir.

A mudança começa em nós, a iniciativa deve ser sempre nossa. Deus não impõe nada pela força, mas está sempre atraindo nossa consciência para uma vida mais humana.

Mais do que falsa piedade religiosa a nossa conversão começa pela nossa humanidade, nos conhecendo melhor e aceitando a própria realidade, reconhecendo que precisamos mudar os hábitos e comportamentos. Esta é a hora de criar relações verdadeiras, destruir os relacionamentos falsos, viver e estar no mundo, mas não ser do mundo.

No processo de conversão temos uma grande diferença. Em outras religiões, o ser humano procura Deus; no cristianismo, é Deus que procura o ser humano. A sua proposta, direta e pessoal, aguarda uma resposta também direta e pessoal. O cristianismo não é uma ideologia. A ideologia é uma vacina contra a fé. A fé é a relação que eu estabeleço com Jesus como Senhor e Salvador. A fé é uma relação concreta e única com Ele. A fé é o fato de cada um de nós pertencer amorosamente a Ele e Ele pertencer amorosamente a nós. Portanto fé é uma relação de amor entre o Senhor Jesus que está em mim e eu estou Nele. Todo nosso ser entra em jogo no relacionamento com Jesus.

O tempo já se completou. Não perca tempo! É hora de mudar de hábitos, de comportamentos, criar relações verdadeiras entre nós e nós com Jesus, Senhor, Salvador, amigo incondicional.

Por isso cada dia, cada encontro, cada pessoa, cada acontecimento é uma oportunidade de conversão. Vamos aprender com o nosso querido Papa Francisco, que vai ao encontro não só do pobre, mas do diferente na fé, dos cristãos separados e dos não cristãos.

Ele se aproxima de todos, provoca mudanças, estabelece a paz, une nações, busca novos horizontes para a humanidade.

Conversão significa mudar nossa mentalidade fechada em esquemas e estruturas caducas e ultrapassadas. O tempo exige abertura, acolhida do diferente sem perder as diferenças. Conversão e fé é o caminho de todos, pois a humanidade grita por misericórdia e paz, que começa no teu e no meu coração.

Dom Anuar Battisti

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Casas de apoio nos hospitais

“ Vinde benditos de meu Pai, tomai posse do Reino preparado para vocês e seus anjos. Pois eu estava com fome me destes de comer, estava com sede me destes de beber, estava peregrino e me acolhestes, estava nu e me vestistes….Quando foi que te vimos assim ? Todas as vezes que fizestes isso ao mais pequenino a mim fizestes” (Mt, 25,31-46).

Olhando a cidade de Maringá vemos um privilegiado sistema de saúde, se comparado com outras realidades brasileiras. No âmbito pastoral, também reconheço que nossos voluntários são uma referência.
Temos a Pastoral da Saúde e a Capelania hospitalar presentes nessas realidades.

A Igreja tem acompanhado de perto a vida de centenas de famílias que buscam o sistema de saúde em Maringá. Famílias de municípios da região, e outras de lugares mais distantes. E quando essas pessoas chegam a nossa cidade, são obrigadas a enfrentar as intempéries do tempo durante a espera de seus familiares hospitalizados.

Imagine você, sair de sua casa para acompanhar uma familiar doente, chegar ao hospital e não ter onde ficar. As nossas pastorais têm lutado muito para que essa triste realidade mude em Maringá. A solução seria a construção de duas casas de apoio. Uma para o Hospital do Câncer e outra para o Hospital Universitário.

Já temos uma boa iniciativa na Santa Casa. Os irmãos da Misericórdia conseguiram, com recursos próprios, uma casa de apoio para pacientes e familiares. É uma referência para a nossa cidade e um estímulo para que outras iniciativas aconteçam.

No HU as notícias que temos é que uma pendência judicial está impedindo a construção da casa de apoio. Até o dinheiro já foi conseguido com o apoio da Câmara Municipal. Agora só falta o terreno. No caso do Hospital do Câncer a Pastoral da Saúde também tem acompanhado as possibilidades que surgem.

De qualquer forma estamos num caminho e precisamos avançar. O apoio de toda a sociedade é fundamental para que esse atendimento seja efetivado. Essas famílias, muitas delas com crianças, precisam de um local digno para abrigo durante seus tratamentos.

É um dever cristão, uma exigência do evangelho, uma obrigação do poder público, olhar para essa realidade. Nessa segunda-feira, dia vinte e quatro, completo 10 anos como Arcebispo de Maringá e nesta década presenciei muitas iniciativas empreendedoras nas nossas comunidades. Somos um povo pra frente, animado, entusiasmado, solidário com as obras sociais. Neste exemplo das casas de apoio, será fundamental juntarmos essa garra para resolver as questões burocráticas que ainda impedem a execução dessas duas obras.

Que Deus abençoe todas as famílias que enfrentam enfermidades, que precisam de atendimento médico. E rogo a Deus para que as portas se abram e que em breve possamos contas com essas casas de apoio do HU e do HC. Recordemos sempre as palavras do Senhor Jesus: Vinde benditos de meu Pai, porque destes abrigo, casa de acolhida aos doentes e seus familiares. Deus nos abençoe nesta missão de cuidar e defender a vida. Boa semana a todos!

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

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Cansados do barulho

Vivemos tempos em que a doença chamada estresse toma conta da vida de qualquer um. Ninguém esta isento de preocupações, de problemas a serem resolvidos ontem, de querer superar todos os limites humanos.

A síndrome do medo, do tempo acelerado, já não há nervos que aguentam. Nossos olhos presenciam imagens de guerra, terror, morte, de mães que não aguentam mais os filhos, sufocam, põe num saco de lixo joga no rio; pessoas que já não aguentam o ronco do marido ou da mulher; não suportam o barulho do vizinho no andar de cima; presenciamos brigas e mortes no trânsito por motivos fúteis…

Enfim, nossos ouvidos são agredidos por barulhos insuportáveis, causando doenças incuráveis. Algo está errado!

O ser humano deste milênio esqueceu-se da força tranquilizante e renovadora da vida: o silêncio. Ter tempo para “entrar na própria casa”, a casa interior, ter o silêncio como amigo e fazer o diagnóstico da situação, recobrando o equilíbrio emocional, respirando a tranquilidade de quem é limitado, humano, sensível, digno de vida digna.

Ninguém merece viver sem se encontrar consigo mesmo, com suas energias e fraquezas. A consciência dos limites me remete a estar diante do fazer só o possível, dentro do possível. O calar o barulho que vem de todos os lados, me faz ver o mundo com olhos novos, vivendo o momento presente como o único possível, recomeçando sempre.

Vivemos tempos em que precisamos aprender a falar menos, e escutar mais, principalmente o que nosso coração quer dizer e que, muitas vezes, nossa consciência e nossos ouvidos não querem ouvir. O silêncio fala a verdade que está sufocada. Ouvir significa assumir de frente sem fuga ou desculpas. Isso dói, machuca, sangra. Melhor é refugiar-se no barulho do ativismo sem tréguas.

Um grande sábio contemplativo diz: “Se a palavra que você está para pronunciar não é mais bela do que o silêncio, não diga”.

O salmo 138 nos adverte de que ainda a palavra não chegou à nossa garganta e o Senhor já conhece toda. Não só Deus conhece nossa palavra antes de ser pronunciada, mas também devemos reconhecer as palavras que vamos dizer e os efeitos que vão produzir naqueles que vão ouvir.

“Levantou-se uma grande tempestade que lançava as ondas dentro barco, de sorte que ele já se enchia. Jesus estava na popa, deitado num travesseiro. Eles acordaram Jesus e disseram: ‘Mestre não te importa que vamos morrer’! E Jesus disse: ‘Silêncio! Calma!’ E se fez uma grande calmaria”(Mc 4, 37,38).

No barco da vida as ondas podem encher o barco e naufragar. Diante das ondas barulhentas da tecnologia, fantástica e atraente; diante da propaganda ensurdecedora, oferecendo felicidade no uso de grifes; diante das festas sem hora de começar e terminar; diante do desequilibro afetivo, no uso e abuso do prazer pelo prazer; diante de tantos outros barulhos, é preciso gritar: “Mestre não te importa que vamos morrer! ”

Sim é preciso gritar por socorro, mas, o mais importante é você mesmo gritar dentro de você: “Silêncio, Calma!” Repita esse grito todos os dias, em silêncio, várias vezes, dentro do teu coração, antes de começar as tuas atividades, e verás com tudo será melhor. Uma abençoada semana pra você e os seus familiares.

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

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A nossa reforma política

De forma corajosa e muito prudente a CNBB, OAB e mais de cem entidades se uniram em defesa do projeto da reforma política democrática. A proposta é baseada em quatro principais pontos: Proibição do financiamento de campanha por empresas e adoção do Financiamento Democrático de Campanha; eleições proporcionais em dois turnos; paridade de sexo na lista pré-ordenada e fortalecimento dos mecanismos da democracia direta com a participação da sociedade em decisões nacionais importantes.

Em Maringá, com a OAB, nossa arquidiocese pretende coletar, no mínimo, 50 mil assinaturas para esse projeto. No Brasil precisamos de 1 milhão e 500 mil assinaturas. Já conseguimos esse feito em outras iniciativas, como, por exemplo, na lei da Ficha Limpa. Hoje, graças a Ficha Limpa, muitos políticos “ficha suja” estão fora da disputa eleitoral.

Creio fortemente que atitudes como essa são um dever das igrejas, dos cristãos. Nós cristãos, temos que ser sal e luz neste mundo. Nossa vida deve ser precedida pela oração e, cheios do Espírito Santo, somos chamados a enfrentar estruturas mais complexas, como o campo político.

Por apoiar o projeto de reforma política também estamos sendo muito criticados por determinados grupos. Não seria surpreendente se as críticas partissem dos políticos corruptos ou das empresas que financiam suas campanhas.

Mas, surpreendentemente, estamos sendo criticados por alguns grupos cristãos e que, em alguns momentos, de forma raivosa têm nos agredido por defender esta reforma.

Como Igreja, na espiritualidade do Espírito Santo, assim como tem pregado nosso querido Papa Francisco, creio que nosso Deus age para promover a unidade. Quando nos dividimos, é o inimigo de Deus quem toma conta.

No projeto de reforma política da CNBB e OAB, houve a articulação com mais de 100 entidades. Cada uma tinha um pensamento, uma proposta. Cada uma defendia uma coisa. E depois, com muita paciência e oração, foi possível organizar um projeto que sabemos: não é o ideal, mas é o possível para o momento.

Esse projeto foi amplamente discutido com os bispos do Brasil inteiro. Foi apresentado em nossa assembleia geral, sob a liderança de Dom Joaquim Mol, bispo auxiliar de Belo Horizonte.

Sabemos que se o projeto fosse exclusivamente “católico” não teríamos nele alguns pontos, ou a redação talvez seria diferente. Mas o tempo da radicalidade política já passou. Já tivemos experiências mundiais em que o pensamento único levou o povo à morte.

Precisamos ser maduros o suficiente para entender que o Brasil precisa de uma ampla e profunda mudança. E isso só será possível se, juntos, conseguirmos uma real mudança no sistema político. Não é um projeto socialista, comunista, como alguns críticos têm apregoado. A Igreja sempre defendeu e sempre defenderá a vida, a vida humana.

Graças a Deus a CNBB tem conseguido o engajamento de grupos políticos tanto da esquerda como da direita. Muitos, que estão cansados do atual modelo eleitoral, já começam a aderir a nossa coalização democrática. Evidentemente que em qualquer proposta de reforma política seremos sempre contra inciativas que proponham o aborto e outras práticas contra a Família. Mas para avançar precisamos dialogar sem nos fecharmos.

Conto com as orações de todos e convido os nossos fiéis para que, antes de assinarem o projeto (se assim se sentirem chamados) leiam a proposta e compreendam que o nosso objetivo, de forma muito bem contextualizada, é dar a nossa singela contribuição para que a nossa sociedade seja mais justa, sempre democrática e a favor da vida. Que Deus abençoe você e sua família. Boa semana!

Dom Anuar Battisti

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Um caminho em comum

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De 20 a 21 de setembro a Arquidiocese de Maringá acolheu o primeiro encontro ecumênico do Paraná. O Concílio Vaticano II, no documento “Unitatis et Redintegratio” afirma: “Hoje, em muitas partes do mundo, mediante o sopro da graça do Espírito Santo, empreendem-se, pela oração, pela palavra e pela ação, muitas tentativas de aproximação daquela plenitude de unidade que Jesus Cristo quis.

Por ‘movimento ecumênico’ entendem-se as atividades e iniciativas, que são suscitadas e ordenadas, segundo as várias necessidades da Igreja e oportunidades dos tempos, no sentido de favorecer a unidade dos cristãos. Tais são: primeiro, todos os esforços para eliminar palavras, juízos e ações que, segundo a equidade e a verdade, não correspondem à condição dos irmãos” (UR nº4).

A Igreja Católica incorpora-se oficialmente ao movimento ecumênico a partir de 1960, quando o papa São João XXIII criou o Secretariado Romano para a Unidade dos Cristãos.

No Brasil e no mundo existem vários organismos de natureza ecumênica. O mais importante, no Brasil, é o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) , fundado em novembro de 1982, com sede em Brasília e cujo símbolo é um barco. Seus membros são: “Igreja católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e Igreja Católica Ortodoxa Siriana do Brasil”. Em Maringá contamos somente com duas igrejas no movimento ecumenico: Igreja Luterana no Brasil e a Igreja Católica Romana.

“A solicitude na restauração da união vale para toda a Igreja, tanto para os fiéis como para os pastores. Afeta a cada um em particular, de acordo com sua capacidade, quer na vida cristã quotidiana, quer nas investigações teológicas e histéricas. Essa preocupação já manifesta de certo modo a união fraterna existente entre todos os cristãos, e conduz à unidade plena e perfeita, segundo a benevolência de Deus” (UR nº 05).
A conversão do coração é a condição número um para uma caminhada ecumênica. “Por isso, devemos implorar do Espírito divino a graça da sincera abnegação, humildade e mansidão em servir, e da fraterna generosidade para com os outros. Também das culpas contra a unidade, vale o testemunho de S. João: ‘Se dissermos que não temos pecado, fazemo-lo mentiroso e a sua palavra não está em nós’ (1 Jo. 1,10). Por isso, pedimos humildemente perdão a Deus e aos irmãos separados, assim como também nós perdoamos àqueles que nos ofenderam” (UR nº 07).

É com este espírito, que queremos caminhar juntos, buscando o que nos une e não o que nos divide. Lamentavelmente, hoje ainda existem igrejas cristãs que não aceitam caminhar juntas e têm medo de viver o testamento de Jesus: “Que todos sejam um para que o mundo creia” (Jo 17,21).

Não se trata de uniformidade e sim de unidade, respeito pelas diferenças, capacidade de tolerância, vontade de aprender com aquele que é diferente, que reza e crê diferente. Esquecemos que tem um só e único Deus.

É uma vergonha para nós cristãos quando ainda hoje acontecem ataques e agressões em nome de Deus. Que o Espírito Santo, de Nosso Senhor, Único e Eterno Salvador nos ilumine no caminho da comunhão e da unidade cristã.

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá

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Uma vida em defesa da vida

Zilda-Arns-e-Dom-Anuar-em-2009-em-Maring-aEstamos celebrando trinta e um anos da Pastoral da Criança no Brasil e com a graça de Deus, com mais de duzentos e sessenta mil líderes, um milhão e oitocentas mil crianças acompanhadas mensalmente com amor e dignidade. Tudo isso aconteceu e acontece porque uma mulher, inspirada por Deus teve a iniciativa de diminuir quase totalmente a mortalidade infantil, na cidade de Prudentópolis, aqui no Paraná, através de pequenas ações, como o soro caseiro e a multimistura.

Dra. Zilda Arns, vítima do terremoto no Haiti em 2008, deu a vida trabalhando pelas crianças do país mais pobre deste Continente. A Pastoral da Criança nasceu do coração de Deus, no coração de uma mulher. Esse fato fez e faz a diferença na defesa da vida, de milhões de crianças no mundo.

Ao lado destas ações concretas surgiram outras, que vai desde o acompanhamento da mãe gestante até aos seis anos de idade. Todo o trabalho deste exército de voluntários é mantido pela mística do amor concreto, tendo como luz a palavra do Senhor.

“Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância”. O grande e fundamental objetivo é a promoção e defesa da vida, daqueles que são mais vulneráveis no seio da família e da sociedade. Essa experiência hoje está presente em vários países da América Latina e África. Tudo o que vem de Deus floresce e dá frutos abundantes, ninguém passa necessidade, porque é feito em Deus e por Deus.

Na semana passada fiz parte de uma missão da Pastoral da Criança, no nosso vizinho Paraguai.

Acompanhei a Ir. Zenaide, religiosa cujo carisma é trabalhar com migrantes e a Sra. Danieli, leiga destinada para acompanhar a Pastoral internacional.

A nossa missão foi realizada para encontrar, animar, entusiasmar as líderes que hoje fazem a Pastoral acontecer no Paraguai, como também encontrar os bispos nas suas dioceses onde existe um bom trabalho, mas, que pode avançar mais.

Fiquei impressionado pela coragem e dedicação daquelas mulheres simples humildes, que dão a vida, entenderam o que significa fazer pastoral e Pastoral da Criança. Em meio de tantas dificuldades e desafios, não desanimam estão cada vez mais fortes. Fui com a missão de animar e voltei animado.
Voltei com o desejo de continuar apoiando, não só aqui na nossa realidade, e sim abrindo o coração para outras realidades muito mais desafiantes que a nossa.

Uma religiosa brasileira que trabalha há anos no Paraguai dizia: “Quando vou visitar os meus familiares em Maringá e vejo que tantas coisas são jogadas fora, eu queria ter um caminhão e trazer tudo e doar à nossa gente”.

Também conheci uma líder que vive em uma comunidade bem interiorana, parteira, mãe de família, líder da Pastoral, e teve que sair às três da manhã de casa na garupa de uma moto, tomar um coletivo para chegar no horário da reunião, trazendo com ela a filhinha de três aninhos. Em nenhum momento da reunião ela reclamou da vida. Uma alegria impressionante.

Podemos ser solidários, não só com o que jogamos fora, ou gastamos inutilmente, mas dar de nós mesmos. Quanta gente em depressão porque não tem o que fazer, ou acha que já fez tudo. Tem muita gente precisando de você e não de coisas. Levante, vá em missão. Tem pessoas que precisam de você, da sua vida, e essas pessoas podem estar do seu lado. Boa semana, com as bênçãos de Deus.

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

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Tempos de decisões

Era uma vez um rei que queria pescar. Ele chamou o seu meteorologista e pediu-lhe a previsão do tempo para as próximas horas. Este lhe assegurou que não iria chover. A noiva do monarca vivia perto de aonde ele iria e colocou sua roupa mais elegante para acompanhá-lo. No caminho, ele encontrou um camponês montando seu burro que viu o rei e disse: “Majestade, é melhor o senhor regressar ao palácio porque vai chover muito”.

O rei ficou pensativo e respondeu: “Eu tenho um meteorologista, muito bem pago, que me disse o contrário. Vou seguir em frente”. E assim fez. Choveu torrencialmente. O rei ficou encharcado e a noiva riu-se dele ao vê-lo naquele estado. Furioso, o rei voltou para o palácio e despediu o meteorologista.

Em seguida, convocou o camponês e ofereceu-lhe emprego. O camponês disse: “Senhor, eu não entendo nada disso. Mas, se as orelhas do meu burro ficam caídas, significa que vai chover”. Então, o rei contratou o burro. E assim começou o costume de contratar burros para trabalhar junto ao poder.

Os sábios e as fábulas têm sempre um recadinho certo na hora certa, e diante desta fábula podemos dizer: Qualquer semelhança é mera coincidência. Mas a qualidade de burro pode ser atribuída ao contratado como aquele que contratou.

Pois a burrice está tão solta que não se sabe bem onde ela predomina. E agora José? Estamos indo para o final do mundial de futebol, entre glórias e festas, entre férias e feriados, gritos e bebedeiras, acidentes e mortes, mas tudo é festa. Até quando?

Estamos sendo avisados de que festa por festa, sem reflexão e atitudes de iniquidade resultam em consequências desastrosas.

Tudo passa. As festas, os estádios cheios, os nervosismos da prorrogação e pênaltis, enfim tudo terá um fim. O que será melhor para nós e para o Brasil? Faço o paralalelo da festa do futebol com os próximos capítulos da nossa história.

Ao mesmo tempo em que tudo é verde, amarelo, azul e branco, dando e vendendo patriotismo nunca visto, na surdina e na mídia aparecem os salvadores da pátria amada e idolatrada.

Já estamos mergulhados em um processo eleitoral que se mostra complicado. Tenho ouvido constantemente dúvidas como: “Em quem votar? Qual o melhor? Vale a pena ir às urnas?”

Não podemos esquecer que patriotismo vai muito além de futebol. É também depositar o voto consciente e livre nas urnas. Confiar e acreditar, depois de uma análise criteriosa.

Não podemos esquecer-nos da palavra do profeta Jeremias: “Maldito o homem que confia no homem” (Jer 17,5). Toda escolha tem suas consequências, por isso no que dependerá de nós, a escolha deve ser sempre pessoal, por isso, consciente; livre de toda influência externa, porque voto não tem preço, e sim consequências.

Antes das nossas decisões devemos invocar o Espírito Santo. Só o Espírito Santo é capaz de nos mostrar claramente quem é joio e quem é trigo neste processo todo. Antes de votar, rezemos. E depois de rezar, vamos à campo. É preciso conhecer os candidatos, suas propostas, seus partidos, o que pensam e principalmente o que fizeram. Esta junção de fé e ação é primordial para que façamos boas escolhas.

E cada vez mais estou convencido de que no campo da política precisamos de uma ação imediata do Espírito Santo, para que tenhamos governos éticos, decentes e que promovam o bem comum.

Vamos fazer a nossa parte. Que Deus abençoe você e sua família. Seja você o trigo, o sal da terra, a luz do mundo. Assim já teremos uma sociedade muito melhor.

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

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Afastai-vos dessa gente corrompida (At.2,40)

Na convivência do dia a dia estamos vivendo uma batalha permanente entre aqueles que têm a mente corrompida e que odeiam a verdade, e até fazem da oração uma fonte de lucro. É uma disputa entre homens corruptos, longe da verdade, e pensam estar fazendo bem à coletividade, realizando o bem comum. Mentes e coração ávidos do lucro, provocando ódio, indignação e despertando sentimentos de vingança.

A coletividade, o povo quer gritar, quer se manifestar, quer reivindicar a dignidade e o direito de viver na justiça. A paz que queremos, que desejamos, é fruto da Justiça (Is.32,17).

“Todo ato de injustiça e desamor é pecado e fonte de violência. Ela sempre aparece quando é negado à pessoa aquilo que lhe é de direito a partir de sua dignidade ou quando a convivência humana é direcionada para o mal. A violência nega a ordem querida por Deus.” (CF 2009 nº 197).

A corrupção, em todas as áreas, além de ser um péssimo exemplo principalmente para as crianças e jovens, líderes em potencial, é uma ameaça à paz social e à garantia de segurança. Como diz a palavra: “Movidos por sórdida ganância, tais mestres os explorarão com suas lendas e artimanhas. Todavia, sua condenação desde há muito tempo paira sobre eles, e sua destruição já está em processo” (2 Pd. 2,3).

O grito que a nação brasileira tem entalado na garganta é o grito pela dignidade, pela segurança, pela educação, pela saúde, pela vida na sua totalidade. As manifestações pacíficas e ordeiras têm como objetivo fazer calar essas vozes de aparências, de promessas e discursos bonitos, de líderes cujo poder é exercido em beneficio próprio. A crítica precisa ser feita a todos os partidos, às instituições e também à iniciativa privada.

A Palavra de Deus é direta: “É necessário fazê-los calar, pois, motivados pela cobiça, transtornam casas inteiras, pregando o que não convém” ( Tito 1,11). Um Brasil que nasceu aos pés da cruz, tem raízes cristãs, tem povo temente a Deus, tem amor e honestidade em ganhar o pão com o suor do próprio rosto.

Por isso é inadmissível que os nossos líderes políticos, com a conivência da iniciativa privada, continuem promovendo e legitimando a corrupção. Precisamos de uma reforma política.

Ninguém queira fazer justiça com as próprias mãos. Lembremos o que o Apóstolo Paulo fala à comunidade Tessalônica: “Então, será plenamente revelado o perverso, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá pela gloriosa manifestação da sua vinda (2 Tes 2.8,11).

Deus é o autor da Justiça. O julgamento do perverso e do corrupto está ardendo nas mãos de Deus. Vamos tomar cuidado para que o nosso coração não se perverta, não seja incrédulo, afastando-se do Deus vivo e verdadeiro.

“Irmãos, tende muito cuidado, para que nenhum de vós mantenha um coração perverso e incrédulo, que se afaste do Deus vivo” (Heb 3-12,13). Nada pior do que uma consciência pervertida.

O profeta Ezequiel faz uma alerta para a coerência entre a fé e as obras: “O meu povo vem a ti, como costuma fazer, e se assenta para ouvir a tua pregação, mas não coloca a Palavra em prática. Com a boca eles chegam a expressar louvor e devoção, mas o coração dessa gente dá mais importância ao lucro, estão ávidos por ganhos injustos” (Ez 33,31).

No sermão das Bem-Aventuranças Jesus é taxativo: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados Filhos de Deus” (Mt 5,9). Se acreditamos que Deus é verdadeiramente o nosso Criador e Pai, é nossa obrigação de filhos e herdeiros de seu Reino promover a Paz, lutando contra a injustiça. Que Deus nos abençoe. Boa semana pra você e sua família!

Dom Anuar Battisti

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A vergonhosa ideologia do gênero

Faço minhas as palavras do Cardeal Orani João Tempesta, que na sua manifestação deixa claro que nós, como membros da Igreja, queremos defender a dignidade de todos. Todos são seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus, feitos homem  e mulher, com a mesma dignidade de filhos e filhas.

“A ‘revolucionária’ ideologia de gênero vem tentando se implantar no Brasil por meio de grandes esforços do poder reinante ou dominante. Diante desta situação, incumbe-nos, enquanto brasileiros e cristãos, saber o que é essa ideologia muito comentada, mas pouco definida, quais são suas raízes, como ela se impõe, que objetivos tem e qual deve ser a nossa posição frente a ela.

É ponto de partida desse sistema ideológico o seguinte postulado: nós nascemos com um sexo biológico definido (homem ou mulher), mas, além dele, existiria o sexo psicológico ou o gênero que poderia ser construído livremente pela sociedade na qual o indivíduo está inserido. Desse modo, em última análise, não existiria uma mulher ou um homem naturais. Ao contrário, o ser humano nasceria sexualmente neutro, do ponto de vista psíquico, e seria constituído socialmente homem ou mulher.

Nada de novo debaixo do sol. Simone de Beauvoir, filósofa existencialista, já dizia exatamente isso. Não se nasce mulher, mas você se torna mulher; não se nasce homem, mas você se torna homem. Em suma, nada dependeria da natureza, mas, sim, de uma construção sociocultural capaz de levar a relações igualitárias entre dois seres humanos, naturalmente, diferentes quanto à sexualidade.

Uma Nota da Conferência Episcopal do Peru, emitida em abril de 1998, com o título La ideologia de género: sus peligros y alcances aponta a raiz marxista e atéia desse sistema ideológico e assegura que segundo a ideologia de gênero, não é a natureza, mas a sociedade quem vai impondo ao homem ou à mulher certos comportamentos típicos. Desse modo, se a menina prefere brincar de casinha ou aconchegar a boneca isso não se deveria ao seu instinto natural à maternidade, mas tão-somente a uma convenção social dominadora. Se as mulheres se casam com homens e não com outras mulheres, isso nada teria de natural, mas dever-se-ia apenas a uma “tradição social” das classes dominantes.

Mais: se o homem brinca de bola e sente necessidade de trabalhar fora de casa a fim de melhor sustentar a família ao passo que as mulheres preferem, via de regra, passar mais tempo em casa junto aos filhos (cf. Sueli C. Uliano. Por um novo feminismo. São Paulo: Quadrante, 1995, p. 51-53), não estariam, de modo algum, atendendo a seus anseios inatos, mas apenas se acomodando ao desejo elitista de uma tradição opressora que deve ser rompida a qualquer momento. Sim, pois segundo os defensores da ideologia de gênero essas construções sociais opressivas só serviram até hoje para minimizar a mulher frente aos homens. Seria necessário conscientizá-las de que a sua vida de casa, cozinha e criança não tem mais sentido, essa conscientização levaria a mulher a entender o quanto é explorada e enganada pelo modelo patriarcal de sociedade em que vivemos.

Uma vez liberta, ela poderia optar por reconstruir-se do modo que bem entender. Faria a sua escolha sexual com todas as consequências dela derivadas, ou seja, poderia também optar por levar adiante uma gravidez ou praticar o aborto que, na doutrina de gênero, não seria crime algum, mas, ao contrário um direito que caberia à mãe. Embora, para não chocar a sociedade com o homicídio, prefira-se um termo manipulado por meio de engenharia verbal como é, por exemplo, ‘interrupção voluntária da gravidez’.

Isso posto, já devemos – com a Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre a colaboração do Homem e da Mulher na Igreja e na Sociedade, da Congregação para a Doutrina da Fé, de 31 de maio de 2004 – aproveitar fazer, rapidamente, a refutação de duas correntes contemporâneas que propalam pensamentos absurdos a respeito da mulher: a subordinacionista, que a vê qual escrava, submissa ao homem em nível familiar e social, e a de gênero, desejosa de apagar as diferenças naturais entre homem e mulher.

Afinal, a Escritura apresenta a mulher como ezer (auxiliar ou companheira) do homem por analogia com Deus que é ezer do homem (cf. Gn 2,4-25; Êx 18,4; Sl 10,35). Há entre mulher e homem complementaridade, apesar das diferenças fisiológicas e psicológicas (não meramente culturais). Iguais quanto à sua dignidade – um não é mais que o outro – não se identificam em suas características peculiares, pois Deus criou homem e mulher, não um andrógino polimorfo ou capaz de ter várias formas.

Outro ponto a ser refutado é o que defende a liberdade de construção sexual. Com efeito, assim como toda ideologia, a de gênero – considerada pelo estudioso argentino Jorge Scala, em sua obra Ideologia de gênero: neototalitarismo e morte da família (São Paulo: Katechesis, 2011), a mais radical já conhecida na história, pois se aplicada destruiria o ser humano em sua integralidade e, por conseguinte, a sociedade, cuja célula-mãe é a família – é também mentirosa.

Ela oferece às pessoas a ilusão de que serão plenamente livres em matéria sexual, contudo, uma vez que essas pessoas tenham tomado a mentira por verdade, são aqueles que detêm o poder real que escolherão, a seu beneplácito, o modo como o povo deverá – padronizadamente – exercer a sua sexualidade sob o olhar forte do Estado que tutelaria para que cada um fizesse o que bem entendesse. Dentro da cartilha estatal, é óbvio. Só não se toleraria, por enquanto, as relações sexuais não consentidas, todas as demais seriam válidas e deveriam ser toleradas pelo Governo e pela sociedade em geral como lícitas.

Ora, uma ideologia tão antinatural e artificial dessas não consegue se impor do dia para a noite, nem recebe tão fácil acolhida da população, mas, ao contrário, provoca resistências entre as pessoas sensatas em geral. Daí os arautos da ideologia de gênero usarem, de modo conjunto, importantes estratégias para dominarem o grande número de hesitantes.

Sim, é imprescindível contar com os meios de propaganda de grande alcance tais como o rádio, o jornal, as revistas, a TV, a internet, pois são veículos de comunicação unidirecionais, ou seja, não permitem que o receptor da informação dialogue com o emissor (sabemos como são manipuladas as opiniões que se enviam para os sites) para, no caso de gênero, por exemplo, contestá-lo das inverdades que diz. Apenas se aceita muito passivamente aquilo que lhe é transmitido.

Outro meio formidável é o sistema educacional formal ou a escola. Por meio dela – em um processo educacional inverso ao que sempre se conheceu, no qual o papel primordial da educação ética e religiosa cabe aos pais – se veiculariam os métodos impostos pelo Estado a ditarem as normas de vida social aos alunos e estes deveriam, em casa, ensinar seus pais ou responsáveis doutrinando-os a fim de que também aceitem as novas concepções totalitárias, incluindo como carro-chefe a revolucionária ideologia de gênero, mãe de todas os outros ‘libertinismos’ sexuais.

Tudo isso, porém, depende, para ser imposto, de uma ardilosa máquina de propaganda que age especialmente, a partir de três etapas fundamentais: primeiro, usar, desde logo, uma palavra comum, mas com sentido totalmente diferente. Desse modo, falar-se-ia em sexo e gênero, alternadamente, como se fossem meros sinônimos até que as pessoas, de maneira imperceptível, começassem a usá-las sem se questionar, ao menos em alguns ambientes específicos como as escolas, redações de jornais, rádios, igrejas etc.

Segundo, bombardear a opinião pública pelos meios de educação formais (escola) e informais (rádios, TVs, jornais, revistas, internet) valendo-se da palavra antiga com sentido novo ou transfigurado pela cirurgia ideológica nela realizada. Aqui já se substituiria o vocábulo sexo por gênero e se lhe acrescentaria os sentidos revolucionários de ‘sexo socialmente construído’ em oposição ao sexo biologicamente dado pela natureza, falar-se-ia em ‘tipos de casamentos’ e não mais no matrimônio monogâmico e estável com bases religiosas, etc.

Observa-se, então, que as pessoas aceitariam o termo clássico (sexo) com um conteúdo novo (gênero). Estaria imposta, por uma forte ‘heterossugestão’, um novo modelo de pensar: simples homens e mulheres, sem qualquer pressuposto filosófico, sociológico ou antropológico, estaria falando, de modo falacioso, que gênero é a ‘autoconstrução livre da própria sexualidade’.

A opinião pública estaria dominada para acatar todo tipo de ‘vida sexual’ contrária à natureza: poligamia, prostituição, orgias, pedofilia, pornografia, zoofilia (relação sexual com animais), necrofilia (encenação de ato sexual com defuntos) etc.

Tudo isso graças ao substrato de uma nova linguagem de características obscuras, próprias para causar confusão na mente de quem com elas toma contato, evitando, assim, que o ouvinte ou o leitor consiga rebater a mensagem implícita naqueles termos que parecendo esdrúxulos têm uma finalidade muito específica na veiculação da ideologia de gênero. Alguns deles são ‘sexismo’, sexualidade polimórfica, homofobia, ‘androcentrismo’, tipos de família, ‘parentalidade’, heterossexualidade obrigatória, etc. e quem toma contato, sem pressupostos, aceita às escuras tais termos e os repete trabalhando, ingenuamente, para a ideologia de gênero e, por consequência, contra a vida, a família e os alicerces da própria sociedade.

Pergunta-se, então, se diante de uma ideologia ‘revolucionária’ e perversa, como se revela ser a ideologia de gênero, cabe aos católicos a coragem ou o medo? – Scala responde com uma citação de Jean Gitton, filósofo francês, que diz o seguinte: ‘Em todos os séculos, diz-se que a Igreja vai cair, e ela se mantém. É incrível. Em cada século diz-se que não é como os séculos precedentes, que desta vez é definitiva e que a Igreja não se salvará. E sempre se salva. Veja, ainda no século XX. O comunismo a enterraria. Todo mundo dizia isso. Eu também esperava o pior, na Europa e em todos os lugares. O que aconteceu? A Igreja enterrou o comunismo. E já veremos que a mesma coisa vai acontecer com o liberalismo que se acredita eterno. Aos olhos humanos nenhuma pessoa sensata poria um centavo nas ações do ‘Catolicismo’. Hoje em dia se diz: o consumismo e o sexo varrerão a Igreja. Bom, eu não acredito. Uma vez mais, acontecerá algo, não sei o quê. Repito: é incrível. Toda esta história é inverossímil’ (Mi testamento filosófico apud Scala, p. 195).

Certo é que não basta só confiar nessa força sobrenatural da Igreja, é preciso fazer a nossa parte conhecendo e apresentando ao público a verdadeira face da ideologia de gênero escondida atrás de uma fantasia carnavalesca. Olha-nos sorridente para conquistar-nos. Uma vez conseguido seu intento, fecha sua carranca e ataca-nos impiedosamente para destruir a vida, a família e os valores sociais alicerçados na lei natural moral que ensina a fazer o bem e evitar o mal.

Todavia, quem se julgar livre para defender os valores naturais e cristãos pode ser duramente perseguido, moral e fisicamente, como já se faz, ainda que um tanto veladamente, em não poucos países. A classificação de “retrógrado” e outros nomes é muito comum na verbalização e condenação daqueles que conseguem refletir sobre esses fatos.

Em tempos como os nossos, ter coragem para defender os princípios cristãos libertadores – é para a liberdade que Cristo nos libertou, Gl 5,1 – é expor-se ao próprio martírio de sangue, mas as palavras do Senhor Jesus nos encorajam: No mundo tereis tribulações, mas tende bom ânimo. Eu venci o mundo (cf. Jo 15,18-27).

Fazemos votos para que todas as forças vivas da nação se unam em defesa da vida e da família e, consequentemente, da sociedade em geral a fim de que possamos, diante de Deus, deixar ao nosso povo em geral, especialmente às nossas crianças, adolescentes e jovens, a certeza de que não fomos omissos e lutamos, dentro da lei e da ordem, para que uma ideologia que pretende ser ‘revolucionária’ como a de gênero não os prejudicasse. Nem hoje, nem amanhã.”

Nosso obrigado a Dom Orani João Tempesta pelo artigo esclarecedor.  Que o bom senso dos parlamentares seja colocado em prática, mais uma vez, em defesa da vida e da família. Que Deus nos abençoe!

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

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Medo de prestar contas

Jesus

Esta semana, em visita aos enfermos na Paróquia São Mateus, que ouvi essa expressão: “Não tenho medo de morrer, mas de prestar contas”.

Já ouvi e muitas vezes, e de vários modos, a expressão: “Tenho medo da morte”; mas pela primeira vez ouvi dizer: “Tenho medo de prestar contas”. Essa será a porta de passagem pela qual todos nós seremos convidados a entrar.
Entrar pela porta estreita e diante do Pai Deus, ver e julgar em segundos, como se fosse um filme, toda a minha existência terrena, e no final ouvir das duas uma palavra: “vinde, bendito” ou “ide, maldito”.

O Julgamento, sem dúvida, será de um Pai que não quer a condenação e sim a salvação de todos; porém não deixa de ser um julgamento.

O Senhor não vai julgar pelas vezes que participamos da missa ou do culto; pelas vezes que pegamos a Bíblia para meditar ou preparar a pregação aos fiéis; pelas vezes que dobramos os joelhos para rezar no templo ou no quarto.

O Senhor não quer saber se fizemos peregrinação para a Terra Santa, pelos santuários. Nunca vai perguntar sobre nossos ritos e rituais, nossas fórmulas de louvores. Não seremos sabatinados sobre as contas bancárias e muito menos sobre os bens materiais. O julgamento será sobre uma única pergunta: Tudo o que fizemos e possuímos serviu para amar a Deus sobre tudo e o próximo como a nós mesmos?

Todas as nossas práticas religiosas, se não levarem para um amor maior entre nós, não servem para nada. Pelo contrário. Serão motivos do fogo eterno.

O amor verdadeiro se revela na prática da regra de ouro: “fazer aos outros o que gostaria que fizesse a nós.”
Portanto, o único critério a nos julgar será a nossa capacidade de atender às necessidades básicas dos mais necessitados.

“Estive com fome me destes de comer, estive com sede me destes de beber, estava nu e me vestistes, estava doente e preso viestes me visitar”. Porque todo o bem ou o mal feito ao próximo, é ao Senhor que fazemos, e ficará para a recompensa na eternidade, ou para a condenação eterna.

Não precisamos ter medo da morte. Por isso ainda é tempo de fazer deste tempo um recomeço. No tempo presente esta a oportunidade de refazer nossas escolhas e ser coerentes nas suas consequências.

O mundo precisa de cristãos autênticos, coerentes com o que professa com a boca, crê com o coração e efetiva nas ações.

De palavras e palavras, promessas e promessas o inferno já esta cheio. A tristeza de Deus está no coração humano petrificado pela prática hipócrita, onde as aparências são mais importantes.

Estamos assustados pela epidemia de “dengue”, e com razão precisamos criar juízo sobre essa urgência, mas a pior epidemia, que está matando multidões é a falta de amor autêntico e verdadeiro.

O coração ganancioso e prepotente, nunca será capaz de ver o outro como alguém a ser amado. Não precisa ter medo da morte; comece a preocupar-se com a prestação de contas no encontro com Aquele que te criou por amor e para amar.

Dom Anuar Battisti

 

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