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Sociedade, democracia e o lixo

Estou como arcebispo de Maringá há dez anos. Desde que cheguei nesta maravilhosa terra o que tem me chamado a atenção é a força das entidades organizadas da sociedade civil. Maringá é uma cidade diferenciada por isso. Aqui as nossas instituições estão sempre presentes nos debates da cidade. E graças ao histórico da nossa Igreja, talvez por causa do legado do nosso primeiro bispo, Dom Jaime Luiz Coelho, a arquidiocese está nesta lista das entidades engajadas.

O mais recente debate da nossa comunidade maringaense é sobre o lixo. Debate este que não é novo, e tem mais um capítulo.

Na sessão da câmara de vereadores da última quinta-feira, dia 11, dez vereadores rejeitaram pedido da Arquidiocese de Maringá, Observatório Social, ACIM, Fórum Lixo e Cidadania e da OAB pela revogação da parceria público-privada (PPP) destinada à prestação dos serviços de coleta, tratamento e destinação final do lixo em Maringá.

Representantes das entidades usaram a tribuna da câmara e apontaram diversas irregularidades no processo. Antes, a Igreja já havia se reunido com os parlamentares pedindo que a Câmara revogasse a autorização da PPP. Todos nós queremos uma solução para o problema do lixo em Maringá. Mas que essa solução seja promovida com total transparência.

Recentemente o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) emitiu medida cautelar determinando a suspensão imediata de licitação por meio da qual a Prefeitura de Maringá busca formalizar a PPP. A proposta prevê um contrato de aproximadamente R$ 1,16 bilhão, no prazo estimado de 30 anos.
Infelizmente, dez vereadores rejeitaram o pedido da sociedade organizada.

E como isso ficou público, sentimos na obrigação de comunicar a sociedade. Os vereadores que votaram contra o pedido das entidades foram os senhores Luciano Brito, Chico Caiana, Tenente Edson Luiz, Luiz Pereira, Belino Bravin, Da Silva, Flávio Vicente, Jones Dark, Doutor Sabóia e a senhora Marcia Socreppa.

Os vereadores que atenderam a solicitação das entidades foram os senhores Ulisses Maia, Humberto Henrique, Mário Verri, Luizinho Gari e doutor Manoel.

Todos são livres para optar pelo que acham melhor. Mas o parlamento é a casa do povo e esta casa deve ouvir a sociedade. O que não aconteceu. Como pastor do povo católico, fiquei triste em saber que o poder Legislativo de Maringá não ouviu o clamor das instituições, por consequência das pessoas que cada uma representa. Esperamos que o poder executivo encontre uma alternativa para tratar do lixo em Maringá, de forma transparente. E nisso também nós temos responsabilidade. Mas o que mais esperamos é que a nossa democracia e a força das nossas instituições não sejam jogadas no lixo.

Que Deus abençoe a nossa cidade!

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá

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O niilismo e o genocídio dos cristãos

A sociedade contemporânea é marcada por dois fortes, problemáticos e tristes fenômenos. Esses fenômenos são o triunfo do niilismo e o genocídio dos cristãos. O niilismo é uma expressão cultural, de origem filosófica, que desde o século XIX prega, com agressividade, que não existe nenhum valor ético, religioso ou princípio filosófico. Por causa disso, o […]

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E agora, José?

Compartilho aqui o belo texto do Padre Orivaldo Robles, sobre a renúncia do Papa Bento XVI. Parabéns Padre.

 

E agora, José?

 

Em 19 de abril de 2005, uma terça-feira, segundo dia de votação, o cardeal chileno José Arturo Medina Esteves veio ao balcão da Basílica de São Pedro e proclamou: Habemus papam. O novo pontífice, chamado José, escolheu o nome de Bento. Era a escolha previsível, apesar de se tratar de um quase octogenário. Não se passaram oito anos. Neste 11 de fevereiro, segunda-feira de Carnaval, o papa de quase 86 anos apresentou sua renúncia. Com Drummond perguntamos: E agora, José?

 

Este idoso José é um professor universitário, autor de mais de 40 livros, unanimemente reconhecido como o maior teólogo vivo. Desde 1953 com brilhantismo ministrou suas aulas nas universidades de Bonn, Münster, Tübingen e Ratisbonna.

 

O cardeal Josef Frings, arcebispo de Colônia, escolheu-o como assessor teológico para assisti-lo no Concílio Vaticano 2° (1962-65). Ao lado de Karl Rahner integrou um grupo de teólogos de vanguarda que assessoraram bispos da Alemanha, Áustria, França, Bélgica, Holanda e os notáveis arcebispos italianos Giacomo Lercaro, de Bolonha, e João Batista Montini, de Milão, este, eleito depois ao papado com o nome de Paulo 6°.

 

Seu trabalho renovador sofreu duro golpe com os rumos tomados por católicos de regiões da Europa no pós-concílio. Era o tempo da corrida armamentista, da revolução sexual, de Betty Friedan, do Bra-Burning, de Daniel Cohn-Bendit, da revolta estudantil no Quartier Latin, da Guerra do Vietnã, do Woodstock, das ditaduras cruéis na América Latina… A Igreja não ficaria imune a tudo isso.

 

O teólogo de mente aberta sentiu necessário rever posições que entendia comprometer valores perenes da mensagem cristã. Quem não viveu essa fase histórica não compreenderá o drama íntimo de um intelectual comprometido, mais que tudo, com sua consciência.

 

Em 1977 Paulo 6° nomeou-o arcebispo de Munique-Freising e, logo depois, cardeal. João Paulo 2° confiou-lhe, em 1981, a Congregação para a Doutrina da Fé. Aceitou, conhecendo que ia se defrontar com “certo tipo de relativismo, que diz que tudo é apenas uma questão de opinião e preferência, e que a verdade não existe”. Sua postura firme lhe renderia o rótulo de conservador intransigente, que muitos lhe atribuem.

 

Completados os 75 anos de idade, por duas vezes apresentou renúncia, conforme previsto no Direito Canônico. Não foi aceita por João Paulo a quem coube substituir em 2005.

 

Diferente de seu carismático antecessor, incomoda-o a exposição midiática. Multidões o assustam. Ele é um intelectual tímido, sempre saudoso da cátedra, dos livros e do silêncio das bibliotecas. Nos tempos do magistério, dividia seu salário com estudantes pobres do 3° Mundo, que recebiam bolsa para estudar na Europa.

 

Apesar da provecta idade e reduzido vigor físico, nos oito anos do papado conseguiu disposição e tempo para escrever três encíclicas e publicar três livros.

 

No dia 11 passado, anunciou: “Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério de Pedro. [O vigor do corpo e do espírito] nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado”. Marcou para 28 deste seu último dia no cargo e pediu “perdão por todos os meus defeitos”.

 

Num tempo em que pronunciamentos e fatos se divulgam mundo afora em tempo real, sobram interpretações para todos os gostos. Todos se dão ao direito de opinar, ainda que ignorem sobre o que falam. Este é o nosso mundo. Mas há que reconhecer: exige-se muita grandeza para saber a hora de deixar o comando.

 

 

Padre Orivaldo Robles é sacerdote na Arquidiocese de Maringá-PR

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Padre Thelmo: Missa de sétimo dia

O Arcebispo de Maringá, Dom Anuar Battisti, irá presidir a santa missa de sétimo dia pela alma do Padre Thelmo Ricardo Favoretto nessa terça-feira às 20h na igreja Matriz Santa Rosa de Lima, em Iguatemi.

 

Por Assessoria de Imprensa da Arquidiocese de Maringá

 

 

Obrigado Padre Thelmo*

 

Infelizmente as estradas têm cortado rasteiramente a vida de muitas pessoas queridas. Todas as semanas recebemos notícias de que pessoas próximas, ou conhecidas, perdem a vida nas rodovias. O tema é recorrente, triste, lamentável. Para citar um exemplo, você deve estar lembrado que recentemente perdemos o jovem casal da família Sandri.

No artigo da semana passada, escrevi sobre as mortes no trânsito. E agora, na terça-feira (27) o nosso clero foi atingido com a morte do nosso querido amigo Padre Thelmo Ricardo Favoretto. Ele morreu após uma colisão com um caminhão no trecho da rodovia PR-444 entre Arapongas e Mandaguari, durante uma forte chuva. Fatalidade.

Padre Thelmo tinha 37 anos, filho único. Atualmente trabalhava como pároco da Paróquia Santa Rosa de Lima, no distrito de Iguatemi, era assessor eclesiástico da Renovação Carismática Católica e por anos foi assessor eclesiástico da Pastoral da Criança.

Ele também estava prestando serviços diretos ao primeiro arcebispo de Maringá, dom Jaime Luiz Coelho, que hoje tem 96 anos e necessita de cuidados especiais. Jovem sacerdote, Thelmo trabalhou como vigário na Paróquia Nossa Senhora da Esperança em Sarandi e fazia parte do Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Maringá.

Dedicado aos estudos, ele fazia mestrado em Direito Canônico. Em conversa pessoal com ele nestes dias, disse-me estar cansado, precisava de férias antecipadas.

Como pai espiritual do nosso povo, uso este espaço para dizer que rezo pela alma do nosso Padre Thelmo e rezo também pela família dele, que agora passa por um momento extremamente doloroso.

 

A morte sempre nos surpreende. E parece que a morte causada por acidentes de trânsito têm um gosto ainda mais cruel. Por ser repentina, banal, ela provoca certa revolta, também com o sistema rodoviário brasileiro.

Hoje, quero rezar e clamar para que todos nós façamos a nossa parte para evitar que mais pessoas queridas morram nas nossas rodovias. Que nós motoristas, sejamos mais conscientes, prudentes. O governo, que crie políticas efetivas e imediatas para adequar as estradas à nova realidade do trânsito brasileiro.

Que as concessionárias, empresas privadas que administram determinadas rodovias, pensem cada vez mais na vida humana e menos no lucro. Se cada um fizer a sua parte, teremos mais vida e menos morte.

Padre Thelmo, reze por nós aí no céu. Amigo, obrigado por tudo, pela amizade, pelas horas que partilhamos a vida, as dificuldades, as alegrias, os projetos.

Obrigado pela vida doada pelo povo de Deus em nossa querida Arquidiocese de Maringá. Que sua vida seja semente de muitas vocações leigas e religiosas para o serviço de evangelização. Descanse em paz

 

 

*Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

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O que é mais importante, quantidade ou qualidade?

Nos últimos dias, temos acompanhado o sensacionalismo midiático a respeito dos dados do Censo 2010. Muito se fala sobre a diminuição do número de católicos e o aumento do número de evangélicos. Destaca-se também o número daqueles que se declaram sem religião. Parece haver uma tentativa de dizer que a Igreja Católica está fadada à falência e ao fracasso. Mas será que tudo isso é realmente verdade?

Não há como negar que o número de pessoas que se dizem católicas tem diminuído. E isso não deve cessar nos anos vindouros. Provavelmente, no próximo censo, o número de católicos seja ainda menor. E novamente a mídia sensacionalista aproveitará a oportunidade para criticar a Igreja.

Alguns fenômenos modernos colaboram para tal estatística. Discursos sobre a emancipação da pessoa, a liberdade de expressão e a autonomia do ser humano fazem com que o indivíduo que não participa de nenhuma Igreja não se declare mais como católico ou evangélico. Atualmente, parece estar “na moda” que as pessoas afirmem ter “uma crença”, um “lado espiritual independentemente de religião”. Será que ser cristão atrapalha o funcionamento de uma ideologia que coloca o foco na atitude pessoal, individualista?

A modernidade – que insistentemente repete e sustenta que “se você quiser, você pode e você consegue tudo” – e também o advento das diversas religiões fizeram com que a cristandade ficasse no passado e agora, no mundo contemporâneo, as pessoas têm a liberdade para expressar opinião sobre a religião (ou sobre essas ditas “crenças” colocadas fora de qualquer religião) sem se preocupar com tradições familiares ou costumes culturais religiosos tão arraigados na história do povo brasileiro.

Contudo, queridos leitores, tirando um pouco o olhar dessas constatações construídas pelas mídias, a realidade eclesial interna nos apresenta, segundo dados do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS), uma “Igreja viva”, em que as ações pastorais crescem a cada dia e as pessoas se mostram mais comprometidas com a fé que professam.

 

Alguns fatores nos chamam a atenção para essa realidade: 

a) O expressivo crescimento no número de paróquias: Segundo o CERIS, “os teóricos da secularização dizem que a religião está fadada ao fracasso, mas o que vemos é o contrário, pois à medida que surge a necessidade da criação de mais paróquias e estas de serem setorizadas, ampliando, assim, o seu alcance, supõe-se que os resultados são de uma maior adesão religiosa, inclusive de pessoas afastadas”. A criação de novas paróquias mostra que o número de fiéis tem aumentado. Em nossa arquidiocese, de 2000 a 2010, foram criadas 8 novas paróquias (Em Maringá: Santa Joaquina de Vedruna, Nossa Senhora Aparecida, Santa Rita de Cássia, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Nossa Senhora do Rosário, Santo Expedito; Em Sarandi: Nossa Senhora da Esperança; Em Uniflor: Imaculada Conceição). E no dia 1º de setembro será criada uma nova paróquia em Maringá: Santa Paulina – que irá se desmembrar da Paróquia Santa Izabel de Portugal. 

b) O aumento significativo de padres nos últimos anos. No ano 2000, no Brasil, havia 16.772 padres. Em 2010, há 22.119. A distribuição de padres por habitantes é outro fator relevante. Em 2000, havia pouco mais de 169 milhões de habitantes e, para cada presbítero, contabilizavam-se 10.123,97 habitantes. Dez anos depois, havia aproximadamente 190 milhões de habitantes e cada padre seria responsável pelo número de 8.624,97 habitantes. Em nossa arquidiocese, de 2000 a 2010, foram ordenados 25 novos padres.

Olhando para a realidade da Arquidiocese de Maringá, percebemos um crescimento qualitativo na formação dos leigos (ex: escolas de teologia, escola catequética), uma ação pastoral mais orgânica e sistemática a partir do 22º Plano da Ação Evangelizadora (ex: revitalização da Pastoral Familiar, fortalecimento dos Grupos de Reflexão, o interesse sempre crescente pela Juventude) e posicionamento crítico (profético) da Igreja diante das questões sociais, demonstrando que a Igreja defende a vida em todas as instâncias e está a favor dos mais desfavorecidos.

Retomando os dados do CERIS, o relatório final dessa pesquisa aponta que “o quadro geral mostra uma vitalidade da religião católica, por meio de um borbulhar de novas modalidades, ou novas formas de viver a fé católica, por meio das novas comunidades, novos movimentos eclesiais e da volta às origens dos ideais das primeiras comunidades cristãs (…). Isso indica um retorno ao catolicismo dos afastados, mas também uma identificação maior daqueles que já praticavam o catolicismo, mas não se sentiam muito firmes, identificados com a doutrina católica. Sendo assim, por mais que se diga que houve aumento no número dos que se dizem sem religião, ou que cresceu o interesse e as adesões a novos grupos religiosos e a novas igrejas, a Igreja Católica se revela ainda mais estruturada e em franca expansão, com seus empreendimentos missionários como, por exemplo, os que foram propostos pela Missão Continental”.

Enfim, não negamos que haja uma realidade nova e desafiante (para a qual precisamos buscar respostas), mas também percebemos que tem crescido a qualidade daqueles que se denominam cristãos católicos. A missão do cristão é ser sal e luz. Mesmo que os cristãos sejam poucos, se cumprirem essa missão serão capazes de dar sentido à vida de muitos que perderam a razão de viver e de tantos outros que vivem na escuridão, sem saberem por onde caminhar.

Que o Deus da vida e da luz nos ajude a permanecer firmes na evangelização e nos dê sabedoria e discernimento para enfrentar os novos desafios do mundo contemporâneo.

 

Pe. Sandro Ferreira

Paróquia Santo Antônio de Pádua – Maringá-PR

[email protected]

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Como vai a família?

Duvido que haja alguém ou algo que forme melhor uma pessoa feliz, sadia, equilibrada, em processo de harmonização, do que uma família que vive bem, com amor e paz.

 

Deus é família. As três pessoas divinas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo formam a Família que é o nosso Deus, a Santíssima Trindade. Como foi essa Família que nos criou à sua imagem e semelhança, nos fez também família.

 

É claro que a família perfeita é só a divina. Já as nossas famílias têm problemas, tristezas, sofrimentos, frustrações e desajustes. Mas ela pode ser melhor! Como vai a sua família? A família que queremos ter precisa ser construída todo dia. Casamento é obra de todo dia e não só do dia da oficialização. A família é nossa obra mais importante. Deus entra com a matéria-prima, mas a mão-de-obra é por nossa conta. Você tem construído ou destruído a sua família? Tem gente que só reclama e não faz nada.

 

Como a família é uma obra importante, não pode ser começada de repente, de qualquer jeito. Ela precisa de um projeto. Por isso, adolescentes e jovens, façam um projeto de construção de família em vez de ficarem testando experiências inconseqüentes. Depois vocês mesmo e outros acabam sofrendo. Pensem melhor antes e se preparem bem, através de um namoro sério e um noivado profundo.

 

O alicerce da família é o amor. E por amor se entende a doação da vida. Quem não tiver coragem de dar a vida pela pessoa amada é porque não está pronto para casar. E essa doação precisa ser recíproca. O amor não tem medidas nem limites: é mais forte que a morte. Por isso, sempre é possível amar mais. Mesmo com 50 anos de casamento, ainda é possível amar mais. A aventura do amor é a aventura da vida e da felicidade. Crescer a cada dia no amor é o fundamento da felicidade da família.

 

Essa obra que é a família precisa de colunas. Uma delas é o desejo de assumir o compromisso por toda a vida. Casamento precisa de entrega total e entrega total tem que ser para sempre. Se for só por uns tempos, ninguém se entrega totalmente. Outra coluna é a fidelidade, tão difícil num período de banalização das relações, mas possível para os corajosos. E quem tenta ser fiel experimenta muito prazer dentro de casa. Uma terceira e última coluna é a educação dos filhos. Estes devem ser acolhidos com amor, como presente de Deus: nunca se deve rejeitar um filho. E depois se deve educá-los. Educar não é só criar. Criar é dar casa, comida, roupa, escola etc. Educar é formar uma pessoa, ajudá-la a ter uma correta escala de valores, ter ética, e levá-la a assumir um compromisso com o bem comum.

 

O nosso sistema capitalista neoliberal leva cada vez mais as pessoas ao isolamento, à competição e à busca de vantagens pessoais. Ele destrói as famílias. Quantos não têm sequer tempo para viver e conviver com sua família, para brincar com seus filhos, para passear e conversar. Quantos foram tornados escravos do trabalho para poderem sobreviver. Quantos se matam de trabalhar para dar uma vida melhor para a sua família, que acaba sendo morta justamente pela sua ausência. Sem dúvida, seria possível trabalhar menos e conviver mais com a família.

 

Além de tudo, as novas tecnologias da comunicação têm passado a ilusão de que não é mais preciso conviver pessoalmente para se comunicar: basta ligar do celular ou mandar um e-mail. Porém, gente foi feita para conviver com gente, não com máquinas e aparelhos. Parece que conviver com gente não dá lucro para o sistema. Cuidado com essas armadilhas. Precisamos saber usá-las, porque tem sempre gente querendo nos usar através delas.

 

Não sei como está sua família. Espero que esteja bem. Se não estiver, veja o que você pode fazer. Dê o seu melhor. É um investimento que vale a pena e trará um ótimo retorno. Construa a família que você quer ter, nem que seja só um tijolinho por dia. Não importa que tipo de família você tenha e em que circunstâncias ela vive, faça o melhor possível por ela. E não esqueça que se com Deus é difícil, sem Deus é impossível!

 

 

* Pe. Sidney Fabril é coordenador da ação evangelizadora na Arquidiocese de Maringá (E-mail: [email protected]).

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A origem de Corpus Christi

A origem de Corpus Christi*

Qual o sentido da adoração eucarística?

A Igreja Católica sempre conservou como tesouro preciosíssimo o mistério da fé presente no dom da Eucaristia. Ao longo da história exprimiu a fé eucarística não só através de uma atitude interior de devoção, mas também mediante várias expressões exteriores. Disto surge a devoção eucarística, explicitada na adoração ao Santíssimo Sacramento (na vigília da Sexta-feira Santa e, sobretudo, na Solenidade de Corpus Christi).

 

Origem do Corpus Christi

A origem desta solenidade começa quando a Ir. Juliana de Mont Cornillon teve visões de Cristo demonstrando o desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com maior destaque. Após apurada investigação das visões, estas foram acolhidas e oficializadas. Outro milagre eucarístico ocorreu durante uma missa, quando o Pe. Pietro de Praga duvidou da presença real de Cristo; imediatamente todos viram brotar sangue da hóstia consagrada por ele. Esta hóstia consagrada foi levada a Oviedo, na Espanha, em grande procissão, sendo recebida solenemente pelo Papa Urbano IV e levada para a Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corpo Eucarístico. Dentro deste contexto, o Papa Urbano IV instituiu a Festa de Corpus Christi em 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade.

 

Os frutos da devoção eucarística

A exposição da Eucaristia é ao mesmo tempo uma proclamação pública da presença real de Cristo nas espécies do pão e do vinho, bem como uma devoção revelada por Deus e ensinada pela Igreja. Esta prática é edificante para os fiéis, conduzindo-os à comunhão mais perfeita com Deus e ao testemunho social. São notáveis os frutos da piedade eucarística. Todos os fiéis (comungantes ou não) que se aproximam da Eucaristia recebem graças para dominar a concupiscência, lavar as culpas leves cotidianas e prevenir as faltas graves.

Na presença da Eucaristia reconhecemos que Jesus Cristo é Emanuel (Deus-conosco). Não só durante a missa, mas também depois, quando a Eucaristia é conservada no sacrário ou exposta à adoração. Ali o Senhor permanece no meio de nós, habita conosco, ouve pacientemente nossas orações, consola os aflitos, educa os costumes, alimenta as virtudes, fortifica os fracos e cura as feridas da alma.

Na oração diante do Santíssimo Sacramento os fiéis abrem o coração e pedem por si e por suas famílias, rogam pela paz e salvação do mundo. Oferecem com Cristo sua vida ao Pai no Espírito Santo, e recebem o aumento da fé, esperança e caridade. Assim fomentam as disposições devidas que lhes permitem celebrar com devoção o Memorial do Senhor (missa).

 

O que ensina a Igreja?

O fim primeiro e primordial da eucaristia fora da missa é a administração do viático (aos enfermos acamados). Como fim secundário estão a distribuição da comunhão fora da missa e a adoração de Jesus Cristo, velado sobre as mesmas espécies (Eucharisticum Misterium 49).

A Eucharisticum Mysterium ensina que todo culto de adoração eucarística deve manifestar sua relação com a missa, portanto não deve ser um ato isolado, fora de contexto litúrgico. Algumas práticas ambíguas e abusivas, por melhor intenção que se tenha, devem ser evitadas porque não harmonizam com o caráter próprio da devoção eucarística. A liturgia nunca é propriedade privada de alguém, nem do presidente da celebração, nem da comunidade onde é celebrada, e nem do pregador/condutor.

É importante que os fiéis que adoram a Cristo presente na Hóstia Sagrada sejam instruídos que esta presença real provem do sacrifício na missa e se ordena à comunhão com todas as outras dimensões eucarísticas (comunitária, social, sacrificial). Exorta ainda que está proibida a celebração da missa diante do Santíssimo exposto, para evitar ambiguidade e confusão na fé. O documento ressalta a dimensão comunitária, celebrativa e originária da eucaristia na missa, porque Cristo instituiu a eucaristia numa refeição, antes de tudo, para que fosse nosso alimento, consolo e remédio.

As procissões com a Eucaristia são um testemunho público de fé e piedade a Jesus Cristo Eucarístico. Mas, nosso amor pela Eucaristia não se comprova na hora das procissões: comprova-se na hora do Banquete Eucarístico (missa). Quando cumprimos o mandato: “Fazei isto em memória de mim”, nós atualizamos nosso compromisso de amar como Ele amou. A participação ativa e consciente na Santa Missa frutifica em bênçãos ao fiel, e este, por sua vez, compromete-se a ser uma bênção de Deus no mundo e para o mundo. As procissões manifestam valor quando testemunham a nossa comum união, seja na Igreja ou nos desafios vividos na família, no trabalho, na escola entre outros.

 

O compromisso social

A piedade que impulsiona os fiéis a adorarem o Cristo Eucarístico os leva também a promover a presença Dele nos desvalidos: “Tudo o que fizerdes a um destes pequeninos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40). Os verdadeiros adoradores (Jo 4) são aqueles que (re)conhecem o Cristo nos pobres: preocupam-se em ter um templo bonito, mas também que os pobres tenham moradia digna; que o altar tenha uma linda toalha e o ostensório seja grande e brilhante, mas que todos tenham agasalhos no inverno; pessoas que se alimentam do Corpo e do Sangue em todas as missas, mas também preocupam-se em dar de comer a quem tem fome; são aqueles que passam horas diante do Santíssimo, mas também são capazes de passar alguns minutos com os enfermos.

O adorador eucarístico é um promotor da vida! Santo Agostinho fala de um amor “social” (Comen. Psl 98), que nos leva a antepor o bem comum ao bem particular, a fazer nossa a causa da comunidade, da paróquia e da Igreja universal, e a dilatarmos este amor a Cristo até abraçarmos o mundo inteiro, pois em toda parte há membros de Cristo (Mysterium Fidei 71).

A Igreja, Mãe misericordiosa, ensina que mesmo os fiéis que estão canonicamente impossibilitados de comungar sacramentalmente, não estão isentos da graça de Deus. O Guia Litúrgico-pastoral da CNBB n.9 orienta que: “Não podendo vivenciar e assimilar, no contexto da celebração, todos os aspectos da Ceia do Senhor, quem se coloca em oração silenciosa diante da Eucaristia retome as diversas partes da ação litúrgica, por exemplo, o prefácio, a oração eucarística, a oração do dia ou a oração após a comunhão, as leituras proclamadas na liturgia da Palavra.

Ou então, repetir no silêncio do coração: ‘Eis o mistério da fé’; ‘Felizes os convidados para a Ceia do Senhor’; ‘Ele está no meio de nós!’; ‘Demos graças ao Senhor nosso Deus!’ e outras expressões ou aclamações próprias da celebração eucarística.”

Só é possível amar o que conhecemos. É necessário conhecer sempre mais o valor e a adoração para participar dela com mais consciência, e assim, colher as graças que de Cristo provém. Bom encontro com Deus!

 

 

Padre Fernando Garcia ([email protected])

Paróquia Nossa Senhora de Fátima

Marialva – Arquidiocese de Maringá-PR

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Reflexões sobre o BBB*

Respiramos uma atmosfera erótica generalizada. Nada acontece por acaso. Estes programas têm uma filosofia, uma intenção, um objetivo que é ganhar dinheiro pela via do erotismo. Sexo, dinheiro e fama são os piores ídolos da humanidade. Eles nos escravizam. Trata-se de uma ‘trinca perigosa’.

Depois que no Brasil, através de manobras políticas, foi liberado o divórcio instantâneo, a manipulação de células tronco embrionárias, a união de pessoas do mesmo sexo, a lei da palmada, entramos numa anarquia erótica. Sem esquecer o ‘kit sexo’ idealizado pelo ex-ministro da Educação, o projeto da homofobia, do aborto e aquela jogada nada honesta de liberar o aborto em nome dos direitos humanos e da saúde publica, como queria o ex-ministro da Saúde. Virou uma balbúrdia, e até os que defendem as bandeiras da revolução sexual estão preocupados.

Tudo isso parece modernidade, mas é sintoma da doença da nossa civilização. O Império Romano não foi derrotado pela espada e canhões, mas pela decadência moral. Um sábio chinês diz que estamos confundindo um navio furado, invadido pelas águas e afundando, com uma piscina de banho. Estamos afundando e fazendo festa, como se o barco furado invadido pelas águas fosse uma piscina.

Nada temos a aprender da revolução sexual acontecida nos Estados Unidos e na Europa. São países envelhecidos e necessitados de braços estrangeiros, de mão de obra barata. Está mais do que comprovado que a revolução sexual fracassou. Tudo piorou com a pornografia na internet. Nossa cultura secularizada erotiza precocemente crianças e adolescentes fazendo explodir a gravidez precoce, a aids e outras doenças. O próprio Freud orientou a sexualidade humana para a sublimação.

Na ideologia do BBB está sendo passado um culto exagerado do corpo, a exaltação do instinto e da paixão, o homossexualismo, a inutilidade do casamento, a degradação da família. Isso tudo sem respeito pelo povo e seus valores morais. A banalização da sexualidade é um retrocesso destrutivo porque abre o caminho para a droga, o alcoolismo, o vazio interior, a exaltação do corpo.

Há escolas onde a educação sexual consiste apenas em saber usar o preservativo, conhecer a fisiologia corporal e a praticar todo tipo de erotismo. Em muitos setores da sociedade o permissivismo está incentivando o contrário, isto é, a volta do moralismo, do tabu, do negativismo sexual. Não devemos perder a simpatia, o louvor, a gratidão pelo dom da sexualidade.

Na democracia temos o direito de protestar, contestar, dialogar, discordar. Em relação ao BBB, continuemos a utilizar a internet. Mudar de canal é um gesto que tem efeitos muito práticos. Não telefonar para dar o voto aos concorrentes também é algo eficaz. O protesto popular, a consciência social, a manifestação do povo e das instituições têm poder. O que não podemos é continuar reféns da ditadura do relativismo e do erotismo. BBB é um desacato à nossa cultura.

Não morremos por falta de sexo, morremos por falta de afeto, de carinho, de consideração. A paixão tem sabor de liberdade, mas é uma corrente que nos amarra e a carne não basta para saciar nossa fome de amor. O coração é mais que o corpo. O Brasil não pode ser a pátria do turismo sexual. Nossa tradição familiar e cristã é um bem para sociedade.

Tantos artistas convertidos já declaram ao mundo inteiro que a ‘alegria do espírito é maior que a volúpia da carne’. O que vale é o amor, os valores, os limites, a humanização da sexualidade, a fé, a espiritualidade. O amor livre é uma invenção burguesa que leva à onipotência e onipresença do prazer desordenado. Torna-se escravidão e desilusão.

A sexualidade é uma energia que nos leva ao encontro com o outro inclusive com o grande Outro. É uma força de comunhão, de relacionamento, de amizade, de transcendência. Temos um longo caminho a percorrer na busca do equilíbrio e da maturidade sexual e afetiva. Quanto mais amor, mais pudor. A linguagem do amor compõe-se das seguintes declarações: eu sou amável; eu gosto de você; eu sou capaz de amar; eu amo e por isso escolho; eu decido amar alguém; eu sou teu para sempre.

Dom Orlando Brandes é Arcebispo de Londrina-PR
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Francisco de Assis nas palavras do cardeal Hummes

Celebra-se nesta terça-feira, 4 de outubro, a festa do grande São Francisco de Assis. Jovem pertencente à classe alta, envolvido pelos prazeres da vida, foi tocado pela misericórdia de Deus e deixou-se levar por ela. Colaborou para sua conversão ao serviço da vida o sonho que teve em uma situação de conflito armado onde combatia a favor do Papa e era convidado a seguir de preferência o Patrão do que o servo. Voltando a Assis, dedicou-se ao serviço dos doentes e pobres.

Um dia indo rezar na igrejinha de São Damião, em ruínas, ouviu: “Francisco, repara minha Igreja, que como vês está desabando”. Francisco, tomado de grande fervor, despojou-se de tudo: riquezas, ambições, orgulho e até da roupa que usava. Não apenas abraçou, mas também repropôs ao mundo o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade.

Vestido pobremente, juntamente com seus amigos se apresentou ao Papa Inocêncio III, que profundamente impressionado com o grupo, aprovou a Regra Franciscana. “A regra e a vida dos Frades Menores é observar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade”. O maior desejo de São Francisco era que seus seguidores vivessem o Evangelho. Aqueles que quiserem um dia seguir os passos de São Francisco devem observar o propósito: “o homem não vive somente de pão, mas de toda palavra da boca de Deus”.

Francisco viveu intensamente as palavras do Senhor que dizem: “Vem e Segue-me”. Atendeu a este apelo radicalmente doando-se aos irmãos e principalmente, lutando junto à cruz de Cristo para atingir a perfeição evangélica. Seu exemplo, admirado e seguido por milhares de pessoas através dos séculos, é o que nos cativa até hoje, e nos convida a viver essa doação ao próximo e ao irmão.

Que a palavra do Senhor viva em nosso meio nos seja também fonte de inspiração, vida e esperança para a nossa vida e para os irmãos, como foi em Francisco o grande “Arauto da Paz”. O Cardeal Claudio Hummes, Arcebispo emérito de São Paulo e Prefeito emérito da Congregação para o Clero, é um franciscano. Ele participou, semana passada, do encontro “A relação entre a Ordem franciscana e a Igreja”, na cidade de Assis. Ele lembrou uma frase da primeira regra não bulada (não definitiva) de São Francisco: “os frades sejam católicos. Eis a declaração de Dom Claudio:

“A frase, lapidar, era exatamente o que era São Francisco. O franciscano deve ser muito em comunhão com o Papa, com a Igreja romana, com a Igreja católica: os frades sejam católicos. Não precisou dizer mais do que isto. No fundo, o que Francisco queria era viver o Evangelho literalmente, sem nenhuma modificação. Ele queria era viver o Evangelho.

Por isso também ele foi o santo que reformou a Igreja com amor; ele nunca criticou a Igreja ou quem quer que seja da Igreja; só pediu a Igreja a benção para viver plenamente e ao pé da letra, o Evangelho de Jesus Cristo, a vida de Jesus com seus apóstolos. No encontro de Assis falou-se também da missão, da Nova Evangelização, que hoje é uma das grandes expectativas da Igreja. O Papa espera dos franciscanos que nós também nos empenhemos na missão e na Nova Evangelização. Foi uma das coisas que eu também coloquei na palestra sobre as “Expectativas da Igreja em relação aos franciscanos”

 

Cardeal dom Cláudio Hummes é ex-arcebispo de São Paulo e ex-prefeito da Congregação para o  Clero, no Vaticano

 

Por: CNBB/Rádio Vaticano

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Padre Sidney Fabril escreve sobre as Diretrizes da CNBB 2011-2015

Novas Diretrizes da CNBB 2011-2015  – Marcas do nosso tempo

Para realizar sua missão evangelizadora, o discípulo missionário de Jesus Cristo precisa conhecer a realidade e “nela mergulhar com o olhar da fé, em atitude de discernimento” (nº 17). Cristo, para anunciar-nos o Evangelho do Reino, se encarnou, assumiu nossa condição, entrou na nossa história. Ele nos enviou para ser “sal da terra”, “luz do mundo” e “fermento na massa”. Isso significa que a terra, o mundo, a massa, é o lugar onde devemos evangelizar.

 

Não somos anjos e não vamos evangelizar os anjos, mas pessoas situadas historicamente em uma cultura, num lugar, num determinado tempo. Por isso, temos que conhecer as realidades do mundo e enfrentar corajosamente toda hostilidade que ele tem em relação a Cristo e seu Reino. Somos fracos, é verdade, mas não podemos ser medrosos e covardes diante da maldade e injustiça do mundo.

 

As realidades do mundo são complexas e nem sempre é fácil conhecê-lo. Nele há luzes e sombras. Não podemos achar que tudo no mundo é mau. Por isso, nossa atitude deve ser sempre de diálogo, visão crítica e solidariedade para com todos, especialmente com os mais pobres. O mundo oferece diversos elementos comuns que nos permitem estabelecer princípios para ação.

 

Nosso tempo está marcado por transformações tão profundas que dizemos não mais viver numa “época de mudanças, mas numa mudança de época” (nº 19). A globalização é algo que não apenas atinge todos os recantos do planeta, mas todos os setores da vida humana, afetando os critérios de compreensão e julgamento da vida, deixando as pessoas desnorteadas, abalando seus valores mais profundos, sua identidade e relações.

 

Em períodos de mudança de época surgem, de um lado, os que começam a relativizar tudo, oscilando entre as inúmeras possibilidades oferecidas; e de outro, os fundamentalistas, que se fecham em certos aspectos da realidade, não considerando a pluralidade e o todo. Outras atitudes surgem também, como “o laicismo militante, com posturas fortes contra a Igreja e a Verdade do Evangelho, a irracionalidade da chamada cultura midiática, o amoralismo generalizado; as atitudes de desrespeito diante do povo” (nº 20). Os critérios que regem as leis do mercado passam a regular também as relações humanas, incluindo até certas atitudes religiosas.

 

Vigora o individualismo e os pobres são considerados supérfluos e descartáveis. Acentuam-se o desequilíbrio entre as nações, a depredação do meio ambiente, a dificuldade de acesso à terra e ao trabalho, o comprometimento da cidadania. A função do Estado precisa ser repensada, a fim de que redescubra os valores éticos, supere a corrupção, a violência, o narcotráfico, além do tráfico de pessoas e de armamentos. Em todas essas situações, o discípulo missionário age de acordo com o espírito das bem-aventuranças, sempre promovendo e defendendo a vida, desde o seio materno até a morte natural.

 

No aspecto religioso, observa-se com preocupação o surgimento de práticas ligadas predominantemente ao emocionalismo e sentimentalismo, onde se leva em conta só o indivíduo e a sua prosperidade material, sua saúde física e sua realização afetiva. O sentido de pertença e de compromisso comunitário fica bastante reduzido. Em vez de se colocar como servo de Deus, muitos se servem d’Ele. Isso adquire força por causa das “incontáveis carências das mínimas condições que grande parte da nossa população tem para enfrentar problemas ligados à saúde, à moradia, ao trabalho e às questões de natureza afetiva” (nº 23).

 

Períodos assim nos desafiam a discernir, com a ajuda do Espírito santo, os sinais dos tempos, pedem um tipo específico de ação evangelizadora. Estes são tempos propícios para voltar às fontes e buscar os aspectos centrais da fé. E o fundamento não é outro senão Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre.

 

 

Pe. Sidney Fabril

Coordenador da Ação Evangelizadora

Contato: [email protected]

Revista Maringá Missão/setembro 2011

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