Jesus



O tempo já se completou. Convertei-vos

O Senhor Jesus, no início do evangelho de Marcos afirma: “O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no evangelho” (Mc 1,15). Conversão e fé andam juntas, criando um processo de mudança no aspecto físico, psicológico e espiritual, pois somos seres humanos em transformação permanente. Quando falamos em conversão, logo nos lembramos de conversão espiritual, apenas.

O convite de Jesus vai além de uma conversão só espiritual, muitas vezes feita apenas de práticas exteriores, ritos e cultos desencarnados da vida cotidiana.

O convite “convertei-vos” está nos dizendo que não é mais possível viver como se nada estivesse acontecendo. Deus pede a seus filhos e filhas colaboração. Está na hora de mudar nossa maneira de pensar e agir.

A mudança começa em nós, a iniciativa deve ser sempre nossa. Deus não impõe nada pela força, mas está sempre atraindo nossa consciência para uma vida mais humana.

Mais do que falsa piedade religiosa a nossa conversão começa pela nossa humanidade, nos conhecendo melhor e aceitando a própria realidade, reconhecendo que precisamos mudar os hábitos e comportamentos. Esta é a hora de criar relações verdadeiras, destruir os relacionamentos falsos, viver e estar no mundo, mas não ser do mundo.

No processo de conversão temos uma grande diferença. Em outras religiões, o ser humano procura Deus; no cristianismo, é Deus que procura o ser humano. A sua proposta, direta e pessoal, aguarda uma resposta também direta e pessoal. O cristianismo não é uma ideologia. A ideologia é uma vacina contra a fé. A fé é a relação que eu estabeleço com Jesus como Senhor e Salvador. A fé é uma relação concreta e única com Ele. A fé é o fato de cada um de nós pertencer amorosamente a Ele e Ele pertencer amorosamente a nós. Portanto fé é uma relação de amor entre o Senhor Jesus que está em mim e eu estou Nele. Todo nosso ser entra em jogo no relacionamento com Jesus.

O tempo já se completou. Não perca tempo! É hora de mudar de hábitos, de comportamentos, criar relações verdadeiras entre nós e nós com Jesus, Senhor, Salvador, amigo incondicional.

Por isso cada dia, cada encontro, cada pessoa, cada acontecimento é uma oportunidade de conversão. Vamos aprender com o nosso querido Papa Francisco, que vai ao encontro não só do pobre, mas do diferente na fé, dos cristãos separados e dos não cristãos.

Ele se aproxima de todos, provoca mudanças, estabelece a paz, une nações, busca novos horizontes para a humanidade.

Conversão significa mudar nossa mentalidade fechada em esquemas e estruturas caducas e ultrapassadas. O tempo exige abertura, acolhida do diferente sem perder as diferenças. Conversão e fé é o caminho de todos, pois a humanidade grita por misericórdia e paz, que começa no teu e no meu coração.

Dom Anuar Battisti

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Conheça o Acampamento católico de Nova Esperança

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A Web TV da Arquidiocese de Maringá produziu um vídeo explicando o que é o Acampamento católico, que chegou à Arquidiocese de Maringá por inciativa do padre José Moreira Silveira, da paróquia Sagrado Coração de Jesus de Nova Esperança.

O Acampamento Católico é uma nova forma de evangelizar. Utiliza uma metodologia de evangelização nascida na EVANGELIZAÇÃO 2000 (movimento católico da década de 80), como parte de um grande projeto de evangelização para o mundo, e foi idealizado pelo mexicano PRADO FLORES, leigo católico e também fundador da Escola de Evangelização Santo André.

Essa metodologia chegou ao Brasil no final da década de 80, porém teve seu crescimento no final dos anos 90. A metodologia do Acampamento consiste em unir a Espiritualidade Cristã com muita partilha, dinâmicas e pró-atividade dos participantes; num acampamento você é sempre questionado a dar um passo em direção ao Amor de Deus e dos irmãos.

“Quando chegamos à paróquia percebemos um grande desafio de evangelizar os jovens. Eu fiz o acampamento em Paranavaí e depois implantamos em Nova Esperança”, explica padre José.
“No acampamento a gente vive a experiência forte da nossa fé através da Palavra de Deus e da vivência, como um treinamento em que as pessoas resgatam a fé que estava quase apagada”.

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Cansados do barulho

Vivemos tempos em que a doença chamada estresse toma conta da vida de qualquer um. Ninguém esta isento de preocupações, de problemas a serem resolvidos ontem, de querer superar todos os limites humanos.

A síndrome do medo, do tempo acelerado, já não há nervos que aguentam. Nossos olhos presenciam imagens de guerra, terror, morte, de mães que não aguentam mais os filhos, sufocam, põe num saco de lixo joga no rio; pessoas que já não aguentam o ronco do marido ou da mulher; não suportam o barulho do vizinho no andar de cima; presenciamos brigas e mortes no trânsito por motivos fúteis…

Enfim, nossos ouvidos são agredidos por barulhos insuportáveis, causando doenças incuráveis. Algo está errado!

O ser humano deste milênio esqueceu-se da força tranquilizante e renovadora da vida: o silêncio. Ter tempo para “entrar na própria casa”, a casa interior, ter o silêncio como amigo e fazer o diagnóstico da situação, recobrando o equilíbrio emocional, respirando a tranquilidade de quem é limitado, humano, sensível, digno de vida digna.

Ninguém merece viver sem se encontrar consigo mesmo, com suas energias e fraquezas. A consciência dos limites me remete a estar diante do fazer só o possível, dentro do possível. O calar o barulho que vem de todos os lados, me faz ver o mundo com olhos novos, vivendo o momento presente como o único possível, recomeçando sempre.

Vivemos tempos em que precisamos aprender a falar menos, e escutar mais, principalmente o que nosso coração quer dizer e que, muitas vezes, nossa consciência e nossos ouvidos não querem ouvir. O silêncio fala a verdade que está sufocada. Ouvir significa assumir de frente sem fuga ou desculpas. Isso dói, machuca, sangra. Melhor é refugiar-se no barulho do ativismo sem tréguas.

Um grande sábio contemplativo diz: “Se a palavra que você está para pronunciar não é mais bela do que o silêncio, não diga”.

O salmo 138 nos adverte de que ainda a palavra não chegou à nossa garganta e o Senhor já conhece toda. Não só Deus conhece nossa palavra antes de ser pronunciada, mas também devemos reconhecer as palavras que vamos dizer e os efeitos que vão produzir naqueles que vão ouvir.

“Levantou-se uma grande tempestade que lançava as ondas dentro barco, de sorte que ele já se enchia. Jesus estava na popa, deitado num travesseiro. Eles acordaram Jesus e disseram: ‘Mestre não te importa que vamos morrer’! E Jesus disse: ‘Silêncio! Calma!’ E se fez uma grande calmaria”(Mc 4, 37,38).

No barco da vida as ondas podem encher o barco e naufragar. Diante das ondas barulhentas da tecnologia, fantástica e atraente; diante da propaganda ensurdecedora, oferecendo felicidade no uso de grifes; diante das festas sem hora de começar e terminar; diante do desequilibro afetivo, no uso e abuso do prazer pelo prazer; diante de tantos outros barulhos, é preciso gritar: “Mestre não te importa que vamos morrer! ”

Sim é preciso gritar por socorro, mas, o mais importante é você mesmo gritar dentro de você: “Silêncio, Calma!” Repita esse grito todos os dias, em silêncio, várias vezes, dentro do teu coração, antes de começar as tuas atividades, e verás com tudo será melhor. Uma abençoada semana pra você e os seus familiares.

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

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Um caminho em comum

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De 20 a 21 de setembro a Arquidiocese de Maringá acolheu o primeiro encontro ecumênico do Paraná. O Concílio Vaticano II, no documento “Unitatis et Redintegratio” afirma: “Hoje, em muitas partes do mundo, mediante o sopro da graça do Espírito Santo, empreendem-se, pela oração, pela palavra e pela ação, muitas tentativas de aproximação daquela plenitude de unidade que Jesus Cristo quis.

Por ‘movimento ecumênico’ entendem-se as atividades e iniciativas, que são suscitadas e ordenadas, segundo as várias necessidades da Igreja e oportunidades dos tempos, no sentido de favorecer a unidade dos cristãos. Tais são: primeiro, todos os esforços para eliminar palavras, juízos e ações que, segundo a equidade e a verdade, não correspondem à condição dos irmãos” (UR nº4).

A Igreja Católica incorpora-se oficialmente ao movimento ecumênico a partir de 1960, quando o papa São João XXIII criou o Secretariado Romano para a Unidade dos Cristãos.

No Brasil e no mundo existem vários organismos de natureza ecumênica. O mais importante, no Brasil, é o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) , fundado em novembro de 1982, com sede em Brasília e cujo símbolo é um barco. Seus membros são: “Igreja católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e Igreja Católica Ortodoxa Siriana do Brasil”. Em Maringá contamos somente com duas igrejas no movimento ecumenico: Igreja Luterana no Brasil e a Igreja Católica Romana.

“A solicitude na restauração da união vale para toda a Igreja, tanto para os fiéis como para os pastores. Afeta a cada um em particular, de acordo com sua capacidade, quer na vida cristã quotidiana, quer nas investigações teológicas e histéricas. Essa preocupação já manifesta de certo modo a união fraterna existente entre todos os cristãos, e conduz à unidade plena e perfeita, segundo a benevolência de Deus” (UR nº 05).
A conversão do coração é a condição número um para uma caminhada ecumênica. “Por isso, devemos implorar do Espírito divino a graça da sincera abnegação, humildade e mansidão em servir, e da fraterna generosidade para com os outros. Também das culpas contra a unidade, vale o testemunho de S. João: ‘Se dissermos que não temos pecado, fazemo-lo mentiroso e a sua palavra não está em nós’ (1 Jo. 1,10). Por isso, pedimos humildemente perdão a Deus e aos irmãos separados, assim como também nós perdoamos àqueles que nos ofenderam” (UR nº 07).

É com este espírito, que queremos caminhar juntos, buscando o que nos une e não o que nos divide. Lamentavelmente, hoje ainda existem igrejas cristãs que não aceitam caminhar juntas e têm medo de viver o testamento de Jesus: “Que todos sejam um para que o mundo creia” (Jo 17,21).

Não se trata de uniformidade e sim de unidade, respeito pelas diferenças, capacidade de tolerância, vontade de aprender com aquele que é diferente, que reza e crê diferente. Esquecemos que tem um só e único Deus.

É uma vergonha para nós cristãos quando ainda hoje acontecem ataques e agressões em nome de Deus. Que o Espírito Santo, de Nosso Senhor, Único e Eterno Salvador nos ilumine no caminho da comunhão e da unidade cristã.

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá

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