Padre;



Ser Padre

“Ser padre é ser abençoado e verdadeiramente escolhido por Deus. Sem dúvida nenhuma, somente alguém que tem Deus ao seu lado é capaz de realizar tantos feitos como celebrar a Eucaristia, pregar o Evangelho, acolher os pecadores, orientar e acompanhar como somente um pai pode fazer.

Um pai espiritual dado pelo Senhor para nos guiar no caminho da salvação. Ser padre não é uma tarefa fácil! Deixar tudo é entregar-se completamente nas mãos do Senhor pede vocação, força e fé. Muita fé. O padre é um ser humano sujeito a tentações, fraquezas e também emoções e sentimentos.

É claro que, em alguns casos, nem sempre os limites humanos são superados, mas a graça divina e a oração constante são a melhor ajuda para os momentos de dificuldade.

O padre precisa de nós tanto quanto nós dele. Precisa do nosso apoio, colaboração e compreensão; precisa do nosso amor, da nossa amizade e de nossas orações. Precisa que rezemos pedindo que Deus o santifique, ampare e console nos instantes de fraqueza; que Deus lhe dê animo e coragem para seguir confiante e com alegria em sua missão. Este dia deve ser repleto de agradecimentos e louvor pelo padre que temos.

Deve ser o dia de um abraço caloroso e fraternal, de um “muito obrigado” sincero e de festa. Ter um padre em nossas comunidades é uma benção de Deus e isto precisa ser celebrado com muito amor e alegria. Felicidades a todos os padres. Que Deus sempre os abençoe e guarde, hoje e sempre” (papa Bento 16).

Faço minhas as palavras do Papa nesta data em que lembramos o dia do Padre. Padre significa pai, pai do povo que caminha na fé, na esperança, construindo aqui e agora um mundo melhor. Padre também é chamado de Presbítero, ou seja o ancião, homem provado, o sacerdote, homem que servia no templo recebendo as ofertas, homem do sacrifício.

Prefiro chamar de Padre, de presbítero, o homem que tem a missão de acompanhar, de orientar, de coordenar a vida do povo a ele confiado, como pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. O homem provado na vocação, como o ouro no cadinho.

Obrigado queridos padres, presbíteros de nossas comunidades, que incansavelmente sem esperar nada em troca, doam vossas vidas, a exemplo do Bom e Amado Pastor. Aquele que vos chamou é fiel. Ele conta com a vossa fidelidade até o fim. “Muitos foram os chamados e poucos foram escolhidos”.

Sim, somos poucos, porém, não estamos sozinhos. Queremos crescer na fraternidade, na ajuda mútua, no encontro afetivo e efetivo, não de servos, mas de amigos. Em primeiro lugar, amigos do Senhor Jesus, pois foi Quem vos chamou por primeiro de amigos. Vocês são meus amigos e eu quero ser sempre amigo de vocês!

 

 

 

Dom Anuar Battisti é Arcebispo metropolitano de Maringá

2 Comentários


Os sacerdotes devem ser santos

Dia 1º de julho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, celebramos a Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos Presbíteros. Essa iniciativa vem ao encontro da necessidade de manifestar concretamente que formamos um só corpo, por isso orar uns pelos outros é o sinal mais forte de comunhão, que toca diretamente o coração de Deus.

Especialmente neste ano com uma alegria especialíssima, porque é o 60º aniversário da Ordenação Sacerdotal do nosso amado Papa Bento XVI. Ao mesmo tempo celebramos no próximo domingo os dois maiores Apóstolos da humanidade, Pedro e Paulo, chamamos também dia do Papa.

São duas comemorações que marcam profundamente o coração da Igreja centrada, principalmente, na figura do Apóstolo São Pedro, rocha sobre a qual Cristo edificou a Sua Igreja, fundamento da comunhão eclesial.

Dom Pedro Brito, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB, em sua mensagem para este dia afirma: “Cuidar da santidade é cuidar das raízes da nossa vida para que ela dê flores e frutos espirituais. A santidade é um dos horizontes da vida da Igreja mais belos de se contemplar. É como contemplar o nascer ou o pôr do sol nos países tropicais. Deus mesmo mandou Moisés falar à comunidade de Israel: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2.11,44) que, na boca de Jesus se tornou perfeição (Mt 5,48) e misericórdia (Lc 6,36).

O venerável beato João Paulo II, no encerramento do jubileu do ano 2000, fez um convite à Igreja inteira a colocar a santidade como alicerce da sua vida e missão (NMI 31). E disse ainda mais que “todo fiel é chamado à santidade e à missão” (RM 90). Imaginemos nós a que somos chamados: “santos e capazes”.

Neste caminho onde todos nós devemos ser santos, temos hoje uma prioridade, orar por aqueles que foram escolhidos, entre muitos que foram chamados, para serem homens de Deus no meio do povo. Não existe ação mais eficaz e frutuosa, que toca diretamente o coração de Deus e do ser humano, do que a oração.

A Palavra nos recomenda “orai uns pelos outros para serem curados. A oração do justo, feita com insistência tem muita força” (Tg 5,16). Em todas as celebrações litúrgicas, recordamos o Papa, os Bispos, os Presbíteros, enfim todo o povo de Deus, que em assembleia orante, eleva súplicas, hinos de louvor e se alimenta da Palavra e da Eucaristia.

Assim formamos um só corpo, um só povo que entre ventos contrários, tempestades e bonança continua navegando, porque tem certeza de que no barco da vida, o Senhor não está dormindo.

Ao nos lembrar de Pedro, lembramos do Papa, hoje Bento XVI. Em seu livro “Luz do mundo” o jornalista Peter Seewald pergunta: “Sua fé mudou a partir do momento em que, como Supremo Pastor, é-lhe confiado o rebanho de Cristo?” O Papa responde: “Não sou um místico. Certamente, porém, é verdade que, na condição de Papa, há muitas razões a mais para rezar ou para entregar-se completamente a Deus. Com efeito, dou-me conta de que quase tudo o que devo fazer não poderia realizá-lo por mim mesmo. Por isso coloco-me nas mãos do Senhor e digo lhe : Faze-o tu, se o quiseres!  Neste sentido, a oração e o contato com Deus são agora mais necessários, mas também mais naturais e espontâneos do que antes”.

Em outra pergunta: “O Papa como reza?” Ele diz: “Eu também sou um pobre mendicante diante de Deus, mais ainda do que as outras pessoas. Naturalmente rezo ao Senhor, a quem estou unido, por assim dizer, por amizade antiga. Invoco também os santos… A Mãe de Deus é sempre um grande ponto de referência… falo com o bom Deus, sobretudo mendigando, mas também agradecendo; ou simplesmente contente”.

Seguindo o exemplo do Papa, vamos buscar a santidade orando sempre uns pelos outros, nesta Igreja, que deseja ser sinal visível de salvação para todos.

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá

Comente aqui