Papa Bento XVI



E agora, José?

Compartilho aqui o belo texto do Padre Orivaldo Robles, sobre a renúncia do Papa Bento XVI. Parabéns Padre.

 

E agora, José?

 

Em 19 de abril de 2005, uma terça-feira, segundo dia de votação, o cardeal chileno José Arturo Medina Esteves veio ao balcão da Basílica de São Pedro e proclamou: Habemus papam. O novo pontífice, chamado José, escolheu o nome de Bento. Era a escolha previsível, apesar de se tratar de um quase octogenário. Não se passaram oito anos. Neste 11 de fevereiro, segunda-feira de Carnaval, o papa de quase 86 anos apresentou sua renúncia. Com Drummond perguntamos: E agora, José?

 

Este idoso José é um professor universitário, autor de mais de 40 livros, unanimemente reconhecido como o maior teólogo vivo. Desde 1953 com brilhantismo ministrou suas aulas nas universidades de Bonn, Münster, Tübingen e Ratisbonna.

 

O cardeal Josef Frings, arcebispo de Colônia, escolheu-o como assessor teológico para assisti-lo no Concílio Vaticano 2° (1962-65). Ao lado de Karl Rahner integrou um grupo de teólogos de vanguarda que assessoraram bispos da Alemanha, Áustria, França, Bélgica, Holanda e os notáveis arcebispos italianos Giacomo Lercaro, de Bolonha, e João Batista Montini, de Milão, este, eleito depois ao papado com o nome de Paulo 6°.

 

Seu trabalho renovador sofreu duro golpe com os rumos tomados por católicos de regiões da Europa no pós-concílio. Era o tempo da corrida armamentista, da revolução sexual, de Betty Friedan, do Bra-Burning, de Daniel Cohn-Bendit, da revolta estudantil no Quartier Latin, da Guerra do Vietnã, do Woodstock, das ditaduras cruéis na América Latina… A Igreja não ficaria imune a tudo isso.

 

O teólogo de mente aberta sentiu necessário rever posições que entendia comprometer valores perenes da mensagem cristã. Quem não viveu essa fase histórica não compreenderá o drama íntimo de um intelectual comprometido, mais que tudo, com sua consciência.

 

Em 1977 Paulo 6° nomeou-o arcebispo de Munique-Freising e, logo depois, cardeal. João Paulo 2° confiou-lhe, em 1981, a Congregação para a Doutrina da Fé. Aceitou, conhecendo que ia se defrontar com “certo tipo de relativismo, que diz que tudo é apenas uma questão de opinião e preferência, e que a verdade não existe”. Sua postura firme lhe renderia o rótulo de conservador intransigente, que muitos lhe atribuem.

 

Completados os 75 anos de idade, por duas vezes apresentou renúncia, conforme previsto no Direito Canônico. Não foi aceita por João Paulo a quem coube substituir em 2005.

 

Diferente de seu carismático antecessor, incomoda-o a exposição midiática. Multidões o assustam. Ele é um intelectual tímido, sempre saudoso da cátedra, dos livros e do silêncio das bibliotecas. Nos tempos do magistério, dividia seu salário com estudantes pobres do 3° Mundo, que recebiam bolsa para estudar na Europa.

 

Apesar da provecta idade e reduzido vigor físico, nos oito anos do papado conseguiu disposição e tempo para escrever três encíclicas e publicar três livros.

 

No dia 11 passado, anunciou: “Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério de Pedro. [O vigor do corpo e do espírito] nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado”. Marcou para 28 deste seu último dia no cargo e pediu “perdão por todos os meus defeitos”.

 

Num tempo em que pronunciamentos e fatos se divulgam mundo afora em tempo real, sobram interpretações para todos os gostos. Todos se dão ao direito de opinar, ainda que ignorem sobre o que falam. Este é o nosso mundo. Mas há que reconhecer: exige-se muita grandeza para saber a hora de deixar o comando.

 

 

Padre Orivaldo Robles é sacerdote na Arquidiocese de Maringá-PR

Comente aqui


Papa Bento XVI

 

 

Eis as palavras com que Bento XVI:

Caríssimos Irmãos,

Convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idóneas para exercer adequadamente o ministério petrino.

Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado.

Por isso, bem consciente da gravidade deste acto, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus.

 

Vaticano, 10 de Fevereiro de 2013.

Comente aqui
 

Juventude vai às ruas em Maringá para divulgar JMJ Rio2013

O domingo foi de esporte, festa e oração para milhares de jovens da arquidiocese de Maringá que saíram às ruas da cidade, ontem (22), para inaugurar a contagem regressiva de um ano até a Jornada Mundial de Juventude Rio2013.

Foi o Bote Fé na Vida, evento que, além de divulgar o encontro mundial dos jovens com o Papa Bento XVI, teve como proposta integrar esporte e evangelização.

Confira o álbum de fotos

A concentração teve início na Praça da Prefeitura com uma aeróbica. Em seguida, os jovens saíram em caminhada pelas ruas do centro da cidade animados ao som de música eletrônica católica. O DJ Ed Maria agitou a juventude.

Do alto dos prédios vários moradores acenavam para a juventude. Quem passeava pela cidade, nos boques e praças, também parou para ver a multidão de jovens.

A caminhada levou os jovens até a Catedral para a missa de encerramento do evento, onde a liturgia recebeu atenção especial. Toda a equipe litúrgica foi formada por jovens, desde os padres, até os ministros e leitores.

Página da juventude
Durante o Bote Fé na Vida também foi feito o lançamento oficial da página do Setor Juventude da Arquidiocese de Maringá. O endereço é http://www.arquimaringa.org.br/juventude

Na região
Proposto pela Comissão da CNBB para a Juventude, o Bote Fé na Vida foi realizado em todo o Brasil. Na região de Maringá, algumas paróquias também promoveram atividades alusivas à JMJ Rio2013.

Em Nova Esperança, o sábado (21) teve programação durante todo o dia, incluindo caminhada, oferta de serviços à população e show com a banda de rock católico AUB [Confira o álbum de fotos]. Já em Sarandi, a comunidade realizou um passeio ciclístico.

Comente aqui


Preparação para a Jornada Mundial da Juventude

Maringá sediará encontro estadual de preparação para a Jornada Mundial da Juventude

 

O Regional Sul 2 da CNBB (Paraná) realiza no próximo dia 15, em Maringá, um encontro de preparação para a Jornada Mundial da Juventude – JMJ Rio 2013. O repasse de orientações e esclarecimentos será feito pelos assessores nacionais da Comissão Episcopal para a Juventude, padres Carlos Sávio da Costa Ribeiro e Antônio Ramos do Prado.

Todos os representantes da Pastoral da Juventude, do Setor Juventude, articuladores da peregrinação dos símbolos da JMJ, responsáveis pela Ação Evangelizadora e bispos das dioceses do Regional estão convidados.

Na pauta está o repasse de informações sobre o subsídio para jovens e adultos, criação de Comissão Diocesana; Comissão Regional e Projeto Rio Que Cresce Entre Nós, Semana Missionária – de 16 a 20 de julho de 2013, peregrinação dos Símbolos da JMJ, projetos Bote Fé  e Caixa de Ferramentas e esclarecimentos e orientações gerais.

O encontro será no Centro de Formação Bom Pastor, anexo ao Seminário Nossa Senhora da Glória, localizado na Avenida Colombo, saída para Paranavaí. Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou no telefone (41) 3224-7512, com Nádia Sedorko.

 

 

JMJ Rio 2013

O Papa João Paulo II institui a Jornada Mundial da Juventude em 1985. Desde então, todo ano o evento acontece em âmbito diocesano e, com intervalos que podem variar entre dois e três anos, são feitas edições internacionais.

Em 2013 o encontro do Papa Bento XVI com jovens de todo o mundo será na cidade do Rio de Janeiro, de 23 a 28 de julho. As inscrições poderão ser feitas a partir de julho de 2012, exclusivamente através do portal oficial: www.rio2013.com.

 

Encontro do Regional Sul 2 em Preparação para a JMJ Rio 2013

Quando? 15 de julho, das 8h às 17h

Onde? Centro de Formação Bom Pastor – Avenida Colombo, saída para Paranavaí – Maringá-PR (Google Maps: http://goo.gl/maps/KgYP)

Pauta: Subsidio para os jovens e adultos em preparação para a jornada; Comissão Diocesana em vista da jornada; Semana missionária de 16 a 20 de julho de 2013; Esclarecimentos e orientações sobre a Jornada no Rio de Janeiro; Peregrinação da Cruz (cuidado e responsabilidade);

Projetos Bote Fé  e Caixa de Ferramentas; Comissão Regional em vista da JMJ e Projeto Rio Que Cresce Entre Nós.

 

 

Por Gelinton Batista – PJ Maringá

1 Comentário


Família, trabalho e a festa

Família, trabalho e a festa

 

Nesse domingo (03) terminou o sétimo Encontro Mundial das Famílias em Milão, Itália.  “Família, trabalho e a festa” foi o tema norteador de todas as reflexões. A presença do Papa Bento XVI durante três dias do encontro deu a todas as famílias um novo entusiasmo na missão.

Ao analisar este tema entendi que a família não vive do vento; ela precisa trabalhar. Ao mesmo tempo precisa fazer festa; festa no sentido de encontro, de descanso, de ter tempo para promover relacionamentos verdadeiros e reavivar os laços de família.

O perigo de que o trabalho se torne um ídolo é válido também para as famílias. Isso acontece quando a atividade do trabalho detém o primado absoluto perante as relações familiares, quando os cônjuges se sentem obcecados pelo lucro econômico e depositam a felicidade unicamente no bem-estar material.

O risco dos trabalhadores, em todas as épocas, é de se esquecerem de Deus, deixando-se absorver completamente pelas ocupações mundanas, na convicção de que nelas se encontra a satisfação de todos os seus desejos.

Infelizmente, a necessidade de sustentar a família, muitas vezes não proporciona aos cônjuges a possibilidade de escolher com sabedoria e harmonia.

“No sétimo dia, Deus concluiu toda obra que tinha feito; e no sétimo dia descansou de toda obra que fizera. Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, pois nesse dia Deus repousou de toda a obra da criação” (Gn 2,2-3). O sétimo dia é, para os cristãos, o “dia do Senhor”, porque celebra o Ressuscitado presente e vivo no seio da comunidade cristã, na família e na vida pessoal.

O ser humano moderno perdeu o sentido verdadeiro da festa. É necessário recuperar o sentido da festa, e de modo particular do domingo, como um “tempo para ser humano”. Aliás, um tempo para a família. Não somos máquinas para produzir e ganhar dinheiro; somos gente que precisa ser gente, ser humano em relações com os outros e com Deus.

Mais do que nunca, hoje, as famílias necessitam descobrir a festa como lugar do encontro com Deus e da aproximação entre os membros da família, criando um ambiente de pessoas que se querem bem. A mesa dominical deve ser diferente dos outros dias, não só pela comida, e sim pelo encontro familiar.

O dia do Senhor deve ser vivido como um tempo para Deus, espaço de comunhão e fraternidade na família e na comunidade, sem esquecer-se do amor aos pobres.  Para experimentar a presença do Senhor ressuscitado, a família é exortada, aos domingos em especial, a deixar-se iluminar pela Eucaristia.

No domingo, a família encontra o sentido e a razão da semana que se inicia. Hoje, mais do que nunca, as famílias necessitam resgatar o justo valor do trabalho, sem esquecer-se da festa dominical com o Senhor, e com os irmãos. “Nada adianta ganhar o mundo inteiro se vier perder a sua alma” (Mc 8,36). Que Deus abençoe as nossas famílias!

 

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

Comente aqui
 

Unidade na diversidade

Unidade na diversidade

 

Nesse domingo (27) concluímos a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em todo o Brasil. Iniciativa que o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), que compreende os dias que vão do domingo da Ascensão ao domingo de Pentecostes. As Igrejas Cristãs que participam do ecumenismo e outras que não participam, abrem as suas igrejas para orar juntos. São pequenas iniciativas que aos poucos vão criando uma mentalidade nova e mais evangélica, onde prevalece o desejo de Jesus e não o gosto pessoal de cada um em constituir guetos independentes, como se fossem os únicos donos da verdade.

 

O que move todas as iniciativas de busca de unidade é a súplica de Jesus: “Que todos sejam um para que o mundo creia” (Jo 17,21). A unidade é o caminho a percorrer em meio a toda a diversidade e pluralismo religioso destes tempos. Um gesto bonito de busca de aproximação e tolerância aconteceu no dia dezenove deste mês, quando os pastores Eliseu de Carvalho e Nilton Tuller, da Ordem dos Pastores Evangélicos de Maringá, me convidaram para participar da “Marcha para Jesus”. Fiquei muito contente e fui muito bem acolhido por todos. Foi um passo abençoado neste caminho, em que não contam as diferenças e sim aquilo que nos une. Não se trata de criar uma única Igreja, e sim que saibamos caminhar juntos, no respeito e na tolerância sem pretensão de sermos os “proprietários da salvação”.

 

A caminhada ecumênica espiritual é a alma de todo o ecumenismo. “Aqueles que se identificam profundamente com Cristo devem identificar-se com sua oração, sobretudo a oração pela unidade; aqueles que vivem no Espírito devem deixar-se transformar pelo amor que, pela causa da unidade; ‘tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta’ (1Cor 13,7), aqueles que vivem em espírito de arrependimento serão particularmente sensíveis ao pecado das divisões e rezarão pelo perdão e conversão. Aqueles que buscam a santidade, serão levados a conhecer verdadeiramente a Deus como o único capaz de os congregar a todos na unidade por ser o Pai de todos” (Guia Ecumênico pg 166).

 

“Nesta nova etapa evangelizadora, queremos que o diálogo e a cooperação ecumênica caminhem para despertar novas formas de discipulado e missãoem comunhão. Cabeobservar que, aonde se estabelece o diálogo diminui o proselitismo, crescem o conhecimento recíproco e o respeito e se abrem possibilidades de testemunho comum”. (Documento de Aparecida nº 233). O Papa Bento XVI abriu seu pontificado dizendo: “Não bastam as manifestações de bons sentimentos. Fazem falta gestos concretos que penetrem nos espíritos e sacudam as consciências, impulsionando cada um à conversão interior, que é o fundamento de todo progresso no caminho do ecumenismo” (DA nº 234).

 

Unidade e não uniformidade, buscando sempre o que nos une e não o que nos divide. Quanta dor e sofrimento causados pela divisão religiosa, quantos lares divididos pelo fanatismo que mata a fé e destrói os laços de família. Por isso recordo aqui o caminho a seguir mostrado pelos nossos Bispos católicos: “A relação com os irmãos e irmãs batizados de outras Igrejas e comunidades eclesiais é um caminho irrenunciável para o discípulo missionário, pois a falta de unidade representa um escândalo, um pecado e um atraso do cumprimento de desejo de Jesus. ‘Que todos sejam um, como Tu Pai, estas em mim e euem ti. Epara que também eles estejam em nós, a fim de que o mundo acredite que Tu me enviaste. ’ (Jo 17,21)”. (DA nº 227).

Por isso eu peço para que neste Pentecostes o Espírito Santo possa soprar em nossas igrejas, a partir do exemplo de Maringá, para “que todos sejam um para que o mundo creia” (Jo 17,21).

 

 

Dom Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá-PR

Comente aqui


Cristianismo não é a religião de medo mas a da confiança e do amor

Na audiência geral de quarta-feira (23) o Papa Bento XVI assinalou que “o cristianismo não uma religião do medo, mas sim da confiança e do amor ao Padre que nos ama”.

Em sua catequese habitual das quartas-feiras e diante de milhares de peregrinos na Praça de São Pedro, o Papa fez uma profunda reflexão sobre o sentido de chamar Padre a Deus, tendo como exemplo a Cristo na cruz que diz “Abbá! Pai!” (papai ou papaizinho).

Desde o início de seu caminho, assinala Bento XVI, “a Igreja acolheu esta invocação e a fez própria, sobretudo na oração do Pai Nosso, na qual dizemos todos os dias: “Pai, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu’”.

“O cristianismo não é uma religião do medo, mas da confiança e do amor do Pai que nos ama. Essas duas grandes afirmações nos falam do envio e do acolhimento dado ao Espírito Santo, o dom do Ressuscitado, que nos torna filhos em Cristo, o Filho Unigênito, e nos coloca em uma relação filial com Deus, relação de profunda confiança, como aquela das crianças; uma relação filial análoga àquela de Jesus, mesmo essa sendo de origem e teor diferentes”, explica o Santo Padre.

Jesus, prossegue, “Jesus é o Filho eterno de Deus que se fez carne, por outro lado, nós, nos tornamos filhos nele, no tempo, mediante a fé e os Sacramentos do Batismo e do Crisma; graças a esses dois Sacramentos, mergulhamos no Mistério Pascal de Cristo”.

Bento XVI lamenta logo que “talvez o homem de hoje não perceba a beleza, a grandeza, e a consolação profunda contidas na palavra “pai” com a qual podemos nos dirigir a Deus na oração, por causa da figura paterna que geralmente não é suficientemente presente, ou suficientemente positiva na vida cotidiana, nos tempos de hoje”.

Diante disso, continua, “a partir do próprio Jesus, do seu relacionamento filial com Deus, podemos aprender o que significa exatamente o “pai”.

Beto XVI afirmou “que em Deus, o ser Pai tem duas dimensões. Antes de tudo, Deus é nosso Pai, porque é nosso Criador. Cada um de nós, todo homem e toda mulher é um milagre de Deus, é desejado por Ele e é conhecido pessoalmente por Ele”.

“Quando no livro do Gênesis se diz que o ser humano é criado à imagem de Deus (CFR 1,27), se deseja exprimir exatamente esta realidade: Deus é nosso Pai, para Ele não somos anônimos, impessoais, mas temos um nome”.

Além disso, indica, “o Espírito de Cristo nos abre a uma segunda dimensão da paternidade de Deus, além da criação, porque Jesus é o Filho em sentido pleno, consubstancial ao Pai, como professamos no Creio. Se tornando um ser humano como nós, com a encarnação, a morte e a ressurreição, Jesus, por sua vez, nos acolhe na sua humanidade e no próprio ser Filho, assim, também nós podemos entrar na sua específica pertença a Deus”.

O Papa Bento XVI afirma também que “desde quando passou a existir, o homo sapiens está sempre à procura de Deus, à procura de falar com Deus, porque Deus inscreveu-se nos nossos corações. Portanto, a primeira iniciativa vem de Deus, e com o Batismo, Ele de novo age em nós, o Espírito Santo age em nós; é o primeiro iniciador da oração para que possamos depois realmente falar com Deus e dizer “Abbá” a Deus. Portanto, a sua presença abre a nossa oração e a nossa vida, abre os horizontes da Trindade e da Igreja”.

“Quando nos dirigimos ao Pai na nossa morada interior, no silêncio e no recolhimento, não estamos nunca sozinhos. Quem fala com Deus não está sozinho. Estamos na grande oração da Igreja, somos parte de uma grande sinfonia que a comunidade cristã, espalhada em todas as partes da terra e em todos os tempos, eleva a Deus; claro, os músicos e os instrumentos são diferentes – e isso é um elemento de riqueza – , mas a melodia de louvor é única e em harmonia”.

Ao falar sobre a diversidade de carismas na Igreja, o Santo Padre ressalta que “a oração guiada pelo Espírito Santo, que nos faz dizer: “Abbá! Pai” com Cristo e em Cristo, nos insere no único grande mosaico da família de Deus no qual cada um tem um lugar importante e um papel importante, em profunda unidade com o todo”.

Como última reflexão o Papa disse que “nós aprendemos a gritar “Abbá, Pai” também com Maria, a Mãe do Filho de Deus. O cumprimento da plenitude dos tempos, do qual fala São Paulo na Carta aos Gálatas (cfr 4,4), acontece no momento do sim de Maria, da sua adesão plena à vontade de Deus: “eis, sou a serva do Senhor”.

“Queridos irmãos e irmãs, aprendemos a provar na nossa oração a beleza de sermos amigos, filhos de Deus, de poder invocá-lo com a confiança de uma criança que se dirige aos pais que a amam. Abramos a nossa oração à ação do Espírito Santo para que nós gritemos a Deus “Abbá! Pai” e para que a nossa oração transforme, converta constantemente o nosso pensar, o nosso agir para torná-lo sempre mais conforme àquele do Filho Unigênito, Jesus Cristo. Obrigado”, concluiu.

 

Por ACI Digital

Comente aqui


7º Congresso mundial de Pastoral do Turismo

Dom Anuar Battisti participa do  7º Congresso mundial de Pastoral do Turismo que é realizado no México

 

Aproximadamente 200 pessoas, que representam mais de quarenta países, participam do  7º Congresso Mundial de Turismo em Cancun, México, com o tema “O turismo que marca a diferença”. O evento, que vai até sexta-feira (27), teve início nessa segunda-feira (23) com a celebração da eucaristia presidida pelo Núncio Apostólico no México, Mons. Edgar Peña. Logo após, na sede do congresso, foi realizada a sessão inaugural com a leitura da mensagem do Papa Bento XVI, que destacou a importância do turismo nos dias de hoje. “O turismo, é sem dúvida, um fenômeno característico do nosso tempo, quer pelas significativas dimensões atingidas quer pelas perspectivas de crescimento previstas. Como toda realidade humana, também ele deve ser iluminado e transformado pela palavra de Deus. Com esta convicção, a Igreja, na sua solicitude pastoral e ciente do importante influxo que este fenômeno tem sobre o ser humano, acompanha-o desde os primeiros passos, sustenta e promove as suas potencialidades e, ao mesmo tempo, assinala os seus riscos e desvios e empenha-se por corrigi-los”.

O bispo prelado de Cancun, Mons. Pedro Pablo assinalou a importância da Pastoral do Turismo para a Igreja no mundo, destacando o valor e os desafios do turismo nos dias de hoje. O Cardeal Antônio Maria Veglió, Presidente do Pontifício Conselho para os Migrantes e Itinerantes saudou a todos recordando a mensagem do Santo Padre. O turismo é um fenômeno característico de nossa época que teve, em 2011, a significativa cifra de  980 milhões de chegadas internacionais. Destacou o fenômeno do turismo em geral, destacou a importância do turismo religioso e acentuou as características do turismo dos cristãos.

O Congresso conta com os seguintes temas: O patrimônio religioso a serviço do turismo e da evangelização; boas práticas em turismo religioso; novas rotas de turismo religioso; a pastoral do turismo a serviço da nova evangelização; experiências pastorais no campo do turismo dos cristãos; a jornada mundial do turismo; as novas tecnologias, as redes e a Pastoral do Turismo; o Código de Ética do Turismo; turismo social, responsável e justo.

A delegação brasileira conta com a presença de Dom Anuar Batistti, Arcebispo de Maringá e referencial da Pastoral do Turismo; Padre Carlos Alberto Chiquim, coordenador nacional da Pastoral do Turismo e mais cinco agentes de pastoral e agentes turísticos.

 

Por Assessoria de Imprensa

 

Mais: Bento XVI pede combate ao turismo sexual, o tráfico de pessoas e a exploração de menores

Comente aqui