Curiosidades Judaicas!!! Laila Tov! Boa Noite! : )

Maringá, 27 ABRIL 2017.

Jerusalém, 1 IYYAR 5777.


No judaísmo, é proibido comer carne e leite juntos. Mas o leite de uma mãe que amamenta seu bebê é parve – não é considerado nem leite, nem carne. Uma explicação para isso é que o leite materno é considerado sagrado pelo judaísmo e não pode ser comparado com o leite de um animal.

Os tzares tratavam os judeus de forma tão abominável, que muitos destes foram líderes da Revolução Bolshevique de 1917. Os judeus da Rússia fundaram e participaram de muitas organizações socialistas. Um dos mais importantes conselheiros de Lênin era judeu. Porém, com o passar do tempo, os comunistas russos se voltaram contra os judeus, proibindo a prática do judaísmo e promovendo o anti-semitismo.

Em 1945, a Alemanha Oriental negou qualquer tipo de responsabilidade nacional pelo Holocausto e se recusou a oferecer reparações para sobreviventes judeus. Foi apenas em 1990 que a Alemanha Oriental admitiu culpa pelo Holocausto. Já a Alemanha Ocidental, a partir de 1951, concordou em compensar judeus pela perda de posses que eles sofreram durante a Segunda Guerra Mundial.

A partir do segundo dia de Pessach, iniciamos a contagem do Omer. Mas o que é o Omer? É uma unidade de medida. Na antiga Israel, os judeus levavam um omer de cevada como oferenda no Templo Sagrado de Jerusalém.

Israel é o único país do mundo que, na entrada do século 21, teve um aumento no seu número de árvores, tendo plantado mais delas do que derrubado.

Leon Trotski foi um judeu que abriu mão de seu judaísmo em favor da causa comunista. Afirmava que a solução para os problemas dos judeus era a assimilação. Com o passar do tempo, o regime comunista adotou essa política, proibindo aos judeus a prática de sua religião.

Portugal “descobriu” e ocupou o Brasil no ano de 1500. Já em 1502 havia vários cristãos-novos que possuíam plantações de cana-de-açúcar no Brasil. Alguns deles praticavam o judaísmo, mas apenas secretamente, pois temiam que Portugal, que era um país católico, trouxesse a Inquisição ao Brasil.

Alguns dos piores massacres na história judaica ocorreram durante a época de Pessach. Os judeus eram acusados de realizar assassinatos rituais para usar o sangue de cristãos no preparo de Matsot. Outros massacres eram instigados nos domingos de Páscoa.

Fonte: Revista Morashá.

Obrigado pela leitura!!!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom …

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Embaixada de Israel! Shalom !

Conib recebe o novo embaixador do Brasil em Israel

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Eduardo Wurzmann, Fernando Lottenberg, Paulo Cezar Meira de Vasconcellos, Bruno Laskowsky e Jayme Blay. Foto: Eliana Assumpção.

A diretoria da Conib e lideranças comunitárias receberam o novo embaixador do Brasil em Israel, o diplomata Paulo Cezar Meira de Vasconcellos, cuja indicação foi recentemente aprovada pelo Senado.

No encontro, Vasconcellos demonstrou estar entusiasmado e motivado com esse novo desafio em sua carreira.

Afirmou que seu objetivo principal à frente da missão brasileira é trabalhar em uma agenda positiva, com foco no fortalecimento das exportações brasileiras e no intercâmbio cultural, científico e tecnológico.

Relatou o encontro que teve com o embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley, no qual acordaram uma pauta de trabalho convergente, focada em boas relações diplomáticas, e que fomente o intercâmbio, em especial na área empresarial.


“Com as duas Embaixadas preenchidas no seu mais alto nível, em Brasília e em Tel Aviv, esperamos novos tempos no relacionamento entre Brasil e Israel”, disse o presidente da Conib, Fernando Lottenberg.

Vasconcellos foi primeiro-secretário e conselheiro na Embaixada em Washington e cônsul-geral adjunto no Consulado-Geral em Nova York; conselheiro na Embaixada em Ottawa, no Canadá, e embaixador na Tailândia e nos Emirados Árabes Unidos.

Há uma população estimada de 15 mil brasileiros em Israel, além de um significativo contingente de turistas brasileiros, que viajam sobretudo por motivos culturais e religiosos.

Fonte: Conib.

Maringá, 27 ABRIL 2017

Jerusalém, 1 IYYAR 5777

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom – Paz !!!

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Peace!!! Paz !!! Pace!!! $halom ! Um Apelo ao Mundo!

Maringá, 25 ABRIL 2017

Jerusalém, 29 NISAN 5777

Um apelo a Paz !

Nesse momento que vive o Mundo, em um verdadeiro Colapso de Guerra!
O Projeto ” Dyaryo Dy Um Hebreu “, a minha comunidade Judaica, pede que todos busquem a Torá que nos foi concedida !Pelo Eterno Criador de todas as coisas!
Tenha um minuto para respirar, conceder bom dia; fazer algo pelo próximo; visitar um amigo. um asilo. um orfanato, tempo para sua familia seus filhos pai , mãe e seu companheiro ou companheira! faça isso e veja depois, o resultado nao podemos ficar como zumbis tecnológicos! Ainda, somos humanos lembre-se!

E Tenhamos Fé!Para passarmos e superarmos esse momento!
Muita Luz a Todos!

Baruch Atá Adonay Shomea Tefilá – Bendito Sejas Nosso Eterno Deus, Que Ouve As Minhas Orações!

B” H .

Shalom-Paz !!!

Obrigado pela leitura!

Pesauisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, : )

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Educação Judaica! $halom ! Paz : )

Maringá, 25 ABRIL 2017

Jerusalém, 29 NISAN 5777

Erev Tov Lé Kulam – Boa Tarde á todos!

Por, Ana Szpiczkowski*


Antes de dar início a esta explanação sobre judaísmo e educação, proposta deste encontro, gostaria de iniciar com a retomada de alguns princípios básicos judaicos, sustentáculos que facilitam a compreensão desta religião e dos princípios que regem a vida de um dos povos mais antigos da história da humanidade e que permanece vivo até os dias de hoje.

A Torá (Bíblia), base do judaísmo histórico, é a religião do povo judeu que, em conjunto com os preceitos da Halakhá (Lei Rabínica), contidos no Talmud (Lei Oral), e das Mitsvót, (regras de conduta obrigatória, de essência divina) são entendidas como um todo indissociável, partindo, portanto, do princípio de que ambas foram transmitidas por Deus a Moisés.

Nesta concepção se encontra o dogma fundamental e único do judaísmo, segundo o qual, a revelação divina tem duas vertentes: uma escrita e outra oral que não são nada mais que dois aspectos da mesma Lei, transmitida a Moisés no Monte Sinai. A aceitação desde dogma é de tal importância, a ponto de que o próprio Maimônides [1] , em seus escritos, se refere à importância do homem escolher para sua moradia um lugar onde a Lei Escrita e a Lei Oral sejam estudadas, para preservar a manutenção dos estudos e de sua conseqüente prática.

O judaísmo é constituído pela memória de gerações, em que os mais velhos têm a obrigação de transmitir os conhecimentos para os mais novos. Tal fato, por si só, demonstra a importância que se atribui no judaísmo à questão do ensino e da educação de um modo geral. Encontramos na própria Bíblia, em Deuteronômio [2] uma alusão à importância do recebimento e da transmissão de conhecimentos por herança. Também Maimônides, em seus mandamentos, afirma o dever de ensinar e estudar a Torá e o de honrar os eruditos e idosos que nela são versados.

Na realidade, esta iniciação deve se dar desde a mais tenra idade, pela repetição de alguns versículos bíblicos, cabendo ao pai a responsabilidade por esta tarefa. Em seguida, a criança de três anos é encaminhada ao Heder, instituição característica da educação judaica tradicional no este europeu, destinada a ensinar às crianças a prática religiosa judaica e da língua hebraica.

A partir da idade de seis ou sete anos, este estudo poderá ser confiado a um professor, que receberá remuneração por seu trabalho. Em toda cidade deverá haver um professor de crianças, cuja importância equivale à de um médico, assim como de uma sinagoga e de um tribunal rabínico, sob pena de ser colocada no ostracismo. Finalmente, as crianças não devem interromper os estudos por motivo algum, por mais importante que este possa ser.

Estudar a Torá representa usar a sabedoria e a inteligência com a finalidade de levar uma vida digna e justa. Envolve o cumprimento, a ação, a prática da vontade de Deus, em que a fé e a Lei devem caminhar em perfeita sintonia.

A questão das ações associadas à sabedoria é tratada também por Abrabanel [3] , quando este atribui à palavra “sabedoria” o sentido de pensamento filosófico, e à palavra “ações”, o fato de seguir os caminhos da Torá. Assim, mesmo que a ciência do homem seja grande, mesmo que os resultados de suas investigações sejam muitos, toda essa sabedoria será frágil, se a raiz estendida pela Torá for pequena. Ao contrário, aquele que escolhe como base de reflexão e de investigação a palavra revelada por Deus, se prende a esta revelação e atua em sua vida de acordo com ela. Este homem se parece à árvore que tem poucos ramos e muitas raízes e, como tal, resiste a todas as tempestades. Mesmo que todos os ateus e os incrédulos do mundo o assaltem, não conseguirão alterar suas firmes convicções.

A prática da educação no judaísmo, entretanto, vai além do puro e simples acompanhamento dos princípios religiosos judaicos. Ela visa ao desenvolvimento do ser humano como um todo, em suas facetas intelectual, emocional, comportamental e moral, e propõe uma prática voltada a todas as atitudes do indivíduo, no seu dia a dia, desde as mais simples até aquelas consideradas mais complexas e difíceis de lidar.


Um dos líderes religiosos judaicos mais respeitados do séc. XX, Rabi Schneerson, mais conhecido como Rebe de Lubavitch, afirma que para atingir bons resultados em educação é preciso ir além do ensino relacionado ao desenvolvimento da capacidade cognitiva dos educandos. A verdadeira educação, segundo o citado Rabi, ocorre, principalmente, quando acompanhada pela responsabilidade, ponderação, firmeza, paciência e polidez do educador. Preocupa-se com a formação do homem como um todo, com respeito à sua verdadeira essência e caráter, à sua situação e ao ambiente no qual o mesmo se insere, com um grau de responsabilidade que vai além da simples transmissão de conhecimentos. Envolve respeito pelo ser humano que está ali, ávido por receber novos conhecimentos, e que merece receber mais. Sua base consiste no cumprimento humilde de um dever de educar a nova geração, também adquirida das gerações anteriores. Trata-se da manifestação do cuidado pelo outro, Akher, em hebraico. Por sinal, é possível estabelecer uma relação entre esta palavra Akher – outro – e o termo Akhraiut – responsabilidade. Ambas, na língua hebraica, partem do mesmo radical e representam, como afirma Lévinas, uma das mais importantes premissas educacionais, que é a de manifestação do cuidado e responsabilidade para consigo mesmo e pelo outro, tema-chave do pensamento filosófico, teológico, político e pedagógico/antropológico do séc. XX. A necessidade de convivência, e da aceitação das pessoas pela coletividade e pela sociedade em que se inserem, implica no estabelecimento de regras que sejam aceitas convencionalmente e que normalizem esta coexistência.

Desta necessidade de regras para a convivência em sociedade nasce a moral. Moral difere de ética, embora a ética inclua a moral. Enquanto a moral consiste em um conjunto de hábitos e costumes formados por acúmulo de experiência ou pela preservação das tradições, a ética diz respeito ao exercício individual diante de questões, em função de algum critério pessoal. Nas construções de normas morais estão incutidos conceitos de ética para tornar possível à convivência humana. Estes representam, desde a Antigüidade até os dias de hoje, a preocupação da civilização ocidental e do homem como indivíduo, em vincular o ser humano ao seu modo de ser e agir e ao modo de ser e agir do próximo, com vistas à universalidade e à criação e adoção de regras e normas de convivência em sociedade, independentemente das diferenças setoriais, geográficas e históricas.

A moral não ensina ao indivíduo como ser feliz. Para ser feliz é preciso, antes de tudo, que o ser humano busque dentro de si, e decida se quer ou não cumprir aquilo que a moral exige.

Há momentos em que a moral, por ser universal, se torna repressiva para a auto-realização do ser humano enquanto individualidade. Há mesmo situações de conflitos, em que temos que optar por uma conduta que representa o que queremos e uma conduta que nos é moralmente imposta.

Grande parte das normas morais tem como fonte a Bíblia. Embora a ética não seja necessariamente religiosa, a religião necessita da ética. Todas as religiões se fundamentam em princípios éticos. O mundo da religião é o mundo da crença. Ao delimitarmos nossas crenças delimitamos nossa ação.

No judaísmo, a atribuição da Bíblia a Deus, faz com que a moral e a ética se tornem muito próximas. Trata-se de uma moral que emana de Deus, não do ser humano. A moral é feita por mandamentos, aos quais o judeu deve cumprir de tal maneira, a exercitar e aprender a perder a sua própria vontade para chegar a aprender a vontade divina.

A unidade do povo judeu na Antigüidade se dava não em relação a um território, mas à sua história seqüencial, relatada e escrita em um livro, “O Livro”, a Bíblia.

O grande personagem da Bíblia não ó povo judeu, mas é Deus. A obra de Deus é perfeita, e nela está o paraíso. A queda do paraíso se deu em conseqüência da curiosidade pelo conhecimento do homem e da mulher.

Deus impõe sua moral ao seu povo, trazendo não apenas a visão do paraíso, mas também da perda, da decadência e da punição, como um destino a ser suportado, sofrido e resgatado.

A ética judaica consiste em obedecer ao código moral, ao sistema de mandamentos divinos, definidos por Maimônides como positivos e negativos. Mas ela vai além. O próprio Maimônides em sua obra “O Guia dos Perplexos” [4] refere-se à questão de que o homem foi criado à imagem de Deus [5] , semelhança espiritual e não física, em que Deus insuflou no homem seu próprio espírito. Isto significa que todos os homens foram igualados pelo recebimento do espírito divino e possuem possibilidades iguais de convivência e desenvolvimento na sociedade em que vivem, independentemente de sua cor, estatura, nacionalidade, religião, cultura e demais características. Para que isto ocorra é preciso, pois, que o ser humano pratique o princípio de “amarás a teu próximo como a ti mesmo…” [6] , conforme consta em Levítico.

Na filosofia judaica clássica existem diferentes teorias éticas, das quais chamo a atenção para um tratado ético judaico, parte do Talmud, e que representou um marco para a sociedade aristocrática da época, desde 300 a.C. até 200 d.C. Consiste em um tratado que contém toda uma coleção de ditos e sentenças dos “pais”, os Sábios de Israel, de caráter fundamentalmente ético que representa não um código de valores e normas, mas uma série de condições mínimas necessárias para a sustentação de toda sociedade humana e do homem simples do povo. Muitas de suas máximas exaltam a Torá, a Bíblia, ao mesmo tempo em que propõem um aprimoramento individual do homem enquanto ser atuante na sociedade em que vive, com direitos e obrigações, onde impera a responsabilidade pessoal e coletiva.

Minha escolha por este tratado deu-se, principalmente, pela inesgotável riqueza de ensinamentos e reflexões sobre educação e indiretamente sobre ensino, nele contidas.

Uma de suas máximas que mais chamou minha atenção foi proferida pelo Rabi Elazar ben Schamuá [7] que diz:

“Que a honra do teu discípulo seja tão querida para ti como a tua própria, e a honra do teu companheiro como a reverência pelo teu mestre, e a reverência pelo teu mestre como a reverência pelos Céus”.

Rabi Elazar distingue nesta máxima três classes de honra: a que o homem reivindica para si mesmo, a de seu aluno e a de seu colega. Por outro lado, menciona dois tipos de respeito: o que se deve ao professor e o que se deve a Deus.

Na visão de Abrabanel, Rabi Elazar está se referindo a três níveis de contatos sociais.

O primeiro é o relacionamento entre uma pessoa com alguém diferente dele na questão da autoridade, como a do mestre e seu discípulo. Nesse caso, o mestre é advertido para estender ao seu discípulo o mesmo respeito que ele gostaria de receber.

O outro nível de contato social é o relacionamento entre iguais. Aqui Rabi Elazar nos ensina a honrar nossos iguais com a reverência que é dada a um mestre.

O terceiro nível se refere a aquele que se encontra na companhia de uma pessoa superior a ela, uma personalidade, com quem o relacionamento deve ser de deferência, reverência e respeito.

A apresentação dos três níveis de contato enumerados no texto sugere uma ordem crescente entre os tipos de honra e respeito.

A primeira colocação de Rabi Elazar refere-se à honra que o homem deve reivindicar para si próprio. Ele parte do pressuposto de que o amor-próprio antecipa qualquer relacionamento e que, sem ele, todos os relacionamentos seguintes ficam comprometidos, princípio, por sinal, referendado por autores contemporâneos como Knibbeler (1989), Prabhu (1992), Orlowek (1993), Buber (1973) e outros.

Ao comparar a honra do companheiro à honra do mestre, Rabi Elazar, se refere àposição de educador-educando que pode inverter-se, e o companheiro de hoje poderá um dia converter-se em nosso professor, e vice-versa. Por sinal, é possível completar esta idéia com a referência à outra máxima do mesmo tratado ético, onde é afirmado que:

“Quem aprende de seu companheiro um capítulo, ou um parágrafo, ou um versículo, ou uma palavra, ou mesmo uma única letra, tem a obrigação de tratá-lo com honra…”

O respeito devido ao companheiro de estudos, ao condiscípulo, está comparado aqui com o respeito que temos ao professor. A prática dialética de argumentação, promove a educadores e educandos o encorajamento, o desafio e o direito à discordância, e possibilita a constante reavaliação de sua atuação, tão necessária para o próprio crescimento e para o crescimento do outro.

A mensagem principal desta máxima é, sem dúvida, a idéia do “respeito”, que permeia todos os tipos de relacionamentos, e especificamente aqueles voltados à educação.

Certamente, sua importância é tamanha, que pode ser considerado como elemento norteador do processo educacional democrático, em que o professor respeita seus alunos e outros professores, assim como os alunos respeitam seus colegas e mestres.

O “respeito” como qualidade para os relacionamentos é vastamente apresentada nesta coleção de ditos. Há uma, porém, que atraiu especialmente minha atenção, pois ela faz referência à questão do “olhar” do professor em relação aos seus alunos, e da percepção respeitosa que ele deve ter das diferenças, capacidades e competência dos mesmos para lidar com as situações que lhes aparecem e lhes são apresentadas no dia a dia. Ele passa, assim, a considerar cada um de acordo com seu potencial individual e a respeitar nele suas próprias capacidades e ritmos distintos de aprendizagem. É ela:

“Há quatro tipos entre os que se sentam perante mestres: esponja, funil, filtro e peneira. Esponja é aquele que absorve tudo; funil, o que recebe de um lado e deixa escapar de outro; filtro, o que deixa sair o vinho e retém a borra; peneira, o que deixa sair o farelo e retém a farinha”.

Falando do tipo que se assemelha a uma esponja, os Sábios não se referiam ao indivíduo que absorve de tudo, sem discernimento, mas àquele que, por sua imensa curiosidade, absorve avidamente tudo o que emana da boca do seu mestre. Quando apontam para o segundo tipo, o funil, associam a este objeto à sua capacidade de absorção, superior à sua capacidade de restituição, o que significa que o aluno que se assemelha ao funil restitui com dificuldade os conhecimentos absorvidos. A terceira categoria de alunos é comparada ao filtro, que retém os sedimentos e deixa passar o vinho, do mesmo modo que o bom aluno deve “sedimentar” o que aprendeu e transmitir aos seus futuros alunos um vinho claro, quer dizer, os conhecimentos, de acordo com sua capacidade de compreender. Por último, a comparação com a peneira, que serve para reter o melhor da farinha, corresponde ao aluno que é capaz de conservar o núcleo dos ensinamentos e desfazer-se dos desperdícios.

A questão do respeito mútuo pode ser também constatada nas academias de estudos superiores, que se baseia em uma metodologia própria denominada Pilpul – raciocínio dialético, que se traduz em uma experiência bastante rica dentro do processo educacional. Consiste na participação integrada de mestres e alunos em que as declarações de cada erudito são aceitas e agregadas às afirmações de outros Sábios, e onde a diversidade de juízos é vista como parte complementar do processo educacional, que tende a propiciar o crescimento das partes envolvidas e, conseqüentemente, da própria aprendizagem. Os mestres expõem a doutrina, as Leis, e os alunos que não a compreendem inteiramente, costumam fazer perguntas. A essas perguntas segue-se a contestação dos professores, explicando-a mais claramente. Surgem objeções, os defensores das teses de seus mestres se enfrentam com seus contraditores, e todos os envolvidos têm direito à participação, à opinião, à contestação e à indagação, que conduzem ao discernimento. Ao término do debate, algumas opiniões são definitivamente descartadas e outras adotadas pelo reconhecimento do seu valor, e esclarecem certos aspectos ou conseqüências das doutrinas que até então não estavam claros.

Traduz-se em uma metodologia que pressupõe o envolvimento afetivo com o objeto de discussão, e a participação ativa no processo de aprendizagem. Muitas vezes a melodia é associada ao sistema de estudo do Talmud que, pelo fato de imprimir seu ritmo ao texto e aos seus comentários, promove a participação integral das pessoas e pode conduzir à fixação do conhecimento. Ela busca proporcionar ao aluno uma autoconfiança tal que ele não tenha receio de expor seus pensamentos e lhe permita explorar e criar novas idéias. Na medida em que o aluno vai se desprendendo da timidez, adquire coragem para se colocar diante dos colegas e mestres, vencer etapas e adquirir auto-estima mais elevada. Com esta prática, ele não estará somente escutando aos outros, mas tem a oportunidade de ouvir também a si mesmo e de tentar, cada vez mais, atingir um nível de argumentação apropriada que o faça igualar-se aos seus colegas.

O movimento de dar e receber conhecimentos, certamente, conduz o estudante ao desenvolvimento de sua inteligência, aguça o sentido crítico do pensamento e permite a elucidação de problemas. Promove a participação ativa dos elementos envolvidos no processo educacional, em uma verdadeira lição de democracia, na qual todos têm o direito de questionar, de emitir opiniões, de ensinar e de aprender uns com os outros. O professor, envolvido e interessado em seus alunos e no próprio conteúdo, transmite seus conhecimentos e desenvolve, o interesse, a motivação e o envolvimento com o conteúdo da aprendizagem, pertinentes à realidade destes mesmos alunos.

A partir dos seis ou sete anos a criança começa a ser incentivada ao estudo em parceria, denominados de Havruta, cuja origem é a mesma que amizade ou camaradagem, em hebraico.

Por falar em idade é possível encontrar na “Ética dos Pais” uma máxima cujas idéias nos que remetem aos princípios cognitivistas do desenvolvimento humano apresentadas por Piaget (1974) e que propõe a compreensão do conhecimento do ser humano a partir das etapas de seu desenvolvimento. Vejamos:

“Ele dizia [8] : Aos cinco anos é tempo de começar o estudo da Mikrá – Lei Escrita; aos dez anos, o da Mischná – Lei Oral: aos treze anos, o dos Mandamentos; aos quinze, o do Talmud – Lei Oral; aos dezoito anos é tempo de casar; aos vinte, é tempo de perseguir o trabalho; aos trinta, plenitude da força física; aos quarenta, do entendimento; aos cinqüenta, do conselho; aos sessenta começa a velhice; aos setenta, as cãs; aos oitenta, se houver vigor; aos noventa começa o encurvamento; aos cem é como se estivesse morto, passado e extinto do mundo”.

Esta máxima aponta para a questão de que o conhecimento é adquirido e se acumula por toda a vida, desde a infância até a morte, e deve ser administrado de modo a poder ser utilizado tanto nas suas próprias experiências de vida como na experiência e modelo que devem ser passados para as gerações mais novas.

A presença do estudo durante toda a vida da pessoa permite a aquisição gradativa de conhecimentos, de acordo com o grau de desenvolvimento da mesma, uma vez que é atribuída aos idosos a sabedoria adquirida pelo estudo iniciado ainda na infância e continuado no decorrer da vida. Isto porque as meditações de um nonagenário têm por objeto a mesma Torá que a criança de cinco anos começa a estudar.

Ao destacar a importância do estudo desde cedo, os Sábios estão se referindo aos ensinamentos dados em casa pelos familiares, pais e avós da criança. Cabe ao pai, ainda em casa, iniciar seu filho no estudo da Torá, para depois encaminhá-lo à escola. Consiste em um movimento que atribui um valor muito grande à presença familiar na vida da criança, em uma integração harmoniosa entre lar e escola, assunto freqüentemente estudado e debatido entre os educadores dos dias atuais.

Cabe salientar aqui, a importância atribuída ao livro como instrumento de aprendizagem. Este objeto tão valioso tem estado um tanto esquecido ultimamente, em função do uso exacerbado da tecnologia, em detrimento da leitura. O judaísmo, pelo contrário, confere a ele um valor todo especial, quando propõe que o estudo da Lei Escrita – se dê a partir dos cinco anos. Quando a criança já estiver familiarizada com as fontes escritas do judaísmo, está preparada para iniciar o estudo da Lei Oral, e desenvolver e aprimorar cada vez mais a prática da argumentação e estudo dialético, ao qual já me referi anteriormente, que pretende desenvolver a maturidade e a aquisição de experiência e vivência pelo homem, e que lhe possibilita viver plenamente e com sabedoria, até atingir sua plenitude.

Quanto ao exercício da liderança, também citada neste tratado, são feitas referências às atitudes de humildade e modéstia, o interesse não possessivo pelo outro, a ação pela justiça, a flexibilidade, a tolerância e a liberdade. A problematização é sugerida para ocupar o lugar do autoritarismo e para evitar extremismos e discriminações, assim como a consciência de sua responsabilidade, individual e coletiva, já que, na condição de líder, propõe-se a deixar um legado de conhecimentos para as futuras gerações.

É possível encontrar no tratado de Pirkei Avot. – “A Ética dos Pais”, uma das mais completas sínteses dos princípios essenciais da prática judaica com base na Torá, a qual cito a seguir:

“A Torá é superior ao sacerdócio e à realeza, pois a realeza requer trinta qualidades, o sacerdócio vinte e quatro, mas a Torá requer quarenta e oito coisas. E elas são: estudo, atenção pelo ouvido, repetição em voz alta, inteligência do coração, respeito, temor, humildade, alegria, pureza, convívio com Sábios, aproximação dos companheiros, debate com os discípulos, bom senso, conhecimento da Escritura, conhecimento da tradição… paciência, bom coração, confiança nos Sábios, resignação no sofrimento, conhecer o seu lugar, contentar-se com a sua porção, medir suas palavras, não exigir créditos para si, ser amado, amar o Todo-Presente, amar o seu próximo, amar a retidão, prezar as críticas, afastar-se das honrarias, não inflar o coração por causa do desconhecimento, não se deleitar em dar ordens, ajudar o próximo a carregar o seu jugo: julgá-lo com indulgência, pô-lo no caminho da paz; estudar com método, perguntar conforme o assunto e responder conforme a regra, ouvir e aumentar o conhecimento, aprender para ensinar, aprender para praticar, estimular a sabedoria do mestre, raciocinar sobre o que ouvir e dizer coisas em nome de quem as disse. Sabe-se que todo aquele que diz uma coisa, citando o nome de quem a disse, traz a redenção ao mundo, pois foi dito: “E disse Ester ao rei em nome de Mordekhai” [9] .

A estrutura formal desta máxima separa por grupos as características enumeradas. Primeiramente foram citados os requisitos necessários para que o homem esteja preparado para o seu estudo. Em seguida, são apresentados comportamentos pertinentes ao convívio e aos relacionamentos interpessoais. Logo após, é lembrada a importância da aquisição do conhecimento, acompanhada de um grupo de comportamentos de contensão e respeito, seguidas de instruções de modéstia, indulgência e benevolência. Finalmente são tratadas as questões relacionadas ao estudo e ao ensino, concluindo com a orientação para o uso de citações, sempre com identificação de fonte e autor, numa atitude de respeito e deferência por aqueles que, através das gerações, deixaram seu legado à disposição de seus seguidores. Ester, mencionada nesta máxima teve, já no séc. II a.C., o zelo de citar Mordekhai, seu tio, como mandante para que se dirigisse ao rei Assuero, a fim de solicitar a redenção do povo judeu. Obteve o apoio do rei e a redenção do seu povo.

Para finalizar, cito: “Com que se parece aquele cuja sabedoria excede suas boas ações? Com uma árvore de muitos ramos e raízes poucas, e assim, quando sopra o vento, ele a arranca e derruba, pois foi dito:… “Porque será como o arbusto no deserto, não verá a chegada do bom tempo, viverá em lugares áridos do deserto, em terra estéril e inóspita”. (Jeremias, 17:6) Mas, com que se parece aquele cujas boas ações excedem sua sabedoria? Com uma árvore de poucos ramos e raízes muitas, de modo que, embora todos os ventos do mundo soprem e a fustiguem, não a moverão do lugar, pois foi dito: “Porque será como a árvore plantada à beira da água, que estende as suas raízes para o ribeiro, não receia quando vem o calor, a sua folha fica sempre fresca; e no ano de secas não se afadiga nem deixa de dar frutos”.(Jeremias, 17:8)

Raschi [10] , se refere, com esta dupla metáfora, aos homens dignos e aos homens indignos, que são, de acordo com seu grau de enraizamento, mais frágeis ou menos frágeis. Ainda no que se refere à questão das raízes, é possível estabelecer uma analogia com ação e pensamento. As ações nobres devem ser, de certo modo, implantadas na criança como as raízes na terra, pois são elas que proporcionam à sabedoria o alimento e a força de que necessita para desenvolver-se. A ação é, nesta perspectiva, um elemento primordial para a obtenção de hábitos, para a retenção de conhecimentos e para o desenvolvimento do ser humano.

Finalmente, para concluir esta apresentação, gostaria de apresentar o seguinte dito: “… muito aprendi dos meus mestres, e de meus companheiros mais que deles, e de meus alunos mais do que de todos”. Creio que ele traduz, de maneira sucinta, a mensagem judaica de educação que tentei transmitir a todos. Espero que, por sua abrangência, esta mensagem possa servir como elo para a humanidade como um todo, e para o despertar do sentimento que une a todos os povos, independentemente de suas religiões e crenças, e preencher suas vidas de significado e de propósito.

Obrigado pela leitura!

Shalom – Paz !

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, : )

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Dia Do Holocausto!!! Shavua Tov! Shalom ! Boa Semana à Todos! Paz !

Este ano, em Yom Hashoá, queremos aproximar os judeus de São Paulo e do mundo através da sirene da recordação. #Paremos1Minuto é uma ação que busca ajudar e conservar a identidade judaica na diáspora.

#FederaçãoIsraelitaSP
#JudaísmoFazBem
#JuntosFazemosMais
#Paremos1Minuto
#HolocaustoNuncaMais

Erev tov! Boa Tarde!
Shabat Shalom Lé Kulam – Paz A Todos!

Agradecimentos a Federação Israelita de São Paulo.

” Vamos refletir com a violência em geral!Mesmo sabendo do que diz a ( Torá ), devemos propagar a Paz no mundo!
Forte abraço a todos!

Por Pierpaolo Cruz Bottini,

Vivemos em um Estado Democrático de Direito, onde ideias de qualquer gênero são admitidas, e cada cidadão pode expor seu pensamento livremente. No entanto, essa liberdade de expressão, constitucionalmente assegurada, não é salvo-conduto para manifestações ofensivas, ou que coloquem em risco o próprio modelo democrático sobre o qual se assenta nossa ordem jurídica.

É nesse contexto que se discute o negacionismo, caracterizado como o conjunto de manifestações que nega a existência do Holocausto judeu ocorrido durante a 2ª Guerra Mundial.

A matança de homens, mulheres e crianças pelo regime nazista é fato evidente, e qualquer um que tenha contato com registros históricos, ou com aqueles que sofreram direta ou indiretamente tais mazelas, perceberá o quão efetiva foi sua ocorrência, e quão cruel é turbar sua lembrança. A própria celebração anual do Yom HaShoah por milhares de pessoas é uma manifestação da significatividade da matança e da solenidade de sua memoria.

A negação do Holocausto é perigosa não apenas por sua imprecisão histórica, ou pela capacidade de desonrar uma memória coletiva, mas por obstar o uso da recordação de uma mazela como prevenção à sua repetição. A lembrança do terror tem valia maior como um aviso às gerações futuras, para que mantenham eterna vigília sobre seus valores, e se esforcem por impedir o retorno das circunstâncias que levaram aos abusos.

Há várias formas de inibir a deturpação da memória do Holocausto. Há quem defenda a criminalização do ato. Há, por outro lado, quem entenda que o Direito Penal não deve punir a negação dos fatos se ela estiver desacompanhada de manifestações racistas ou de incitação ao ódio. O debate sobre Direito Penal e o negacionismo sempre me pareceu legítimo do ponto de vista acadêmico e político. Mas ele não se confunde com a discussão sobre o mérito — ou demérito — da existência do Holocausto.

E nesse campo, inúmeras são as politicas públicas que podem e devem ser manejadas para preservar e difundir a memoria do massacre nos bancos de escola, nos meios de comunicação, e nos mais diversos fóruns de discussão acadêmica e política. Estamos em pleno movimento nacional de revolvimento e revelação de crueldades políticas para prevenir sua prática futura. A instalação de comissões da verdade em âmbito federal e regional, a mobilização dos mais diversos setores em busca de evidencias dos horrores praticados durante a ditadura no Brasil revela o quanto a sociedade deseja pendurar no varal da ostensividade as atrocidades cometidas por aquele regime político, como um aviso ao futuro sobre o risco de transigir com o arbítrio.

O negacionismo não precisa estar acompanhado de ideias racistas ou de justificação do Holocausto para ser perigoso. Ainda que neste último caso exista claro crime, como já apontou o Supremo Tribunal Federal no caso Ellwanger, isso não significa que a mera negação do massacre judeu sem incitação ao ódio seja inócua. Ela é preocupante porque atinge uma lembrança importante, cuja função é indicar até onde pode chegar a maldade humana.

A forma mais eficaz de preservar direitos humanos e evitar a repetição de qualquer episódio triste ou insano da história, como o Holocausto, é o fortalecimento de políticas de esclarecimento e de preservação da memória, para que a obscuridade não relativize a barbárie. A repetição de horrores humanos é fruto do esquecimento do passado e do descompromisso com a história.

Antecipadamente, uma excelente Shavua Tov Lé Kulam – Boa Semana A Todos !

Maringá, 22 ABRIL 2017.

Jerusálem, 26 NISAN 5777.

Obrigado pela leitura!!!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman.

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Exemplo de Rabino! Shalom Le Kulam – Paz à todos!

Maringá, 19 ABRIL 2017.

Jerusalém, 23 NISAN 5777.

Muito se tem dito e muito se tem escrito sobre o Rebe. As pessoas que o conheceram, judeus e não judeus, tinham certeza de que ele era um ser humano extraordinário – uma alma especial, um verdadeiro Tzadik, um Sábio, um erudito em Torá fora de série, um visionário e um ser humano que possuía habilidades sobrenaturais. Aqueles que apreciam a sabedoria, falam de sua sabedoria; aqueles que estão profundamente imersos no estudo da Torá falam de sua erudição; aqueles que são líderes, falam de sua liderança, e aqueles fascinados com o sobrenatural, falam dos milagres e maravilhas que realizou.

Mas qual foi o legado do Rebe? O que as pessoas falarão sobre ele daqui a cem anos, daqui a mil anos? Mais provavelmente, referir-se-ão a ele como o homem que mudou a face do Judaísmo – um homem que fez ressuscitar espiritualmente o Povo Judeu após o Holocausto. A História Judaica testemunhou inúmeros líderes, muitos sábios, até mesmo muitos milagreiros, mas, pouquíssimos homens mudaram a face do Judaísmo como o fez o Rebe. Se há uma declaração que resume seu legado, seria esta: o ex-Rabino Chefe da Grã Bretanha, Lord Jonathan Sacks, afirmou: “Durante o Holocausto, os judeus foram caçados por ódio. O Rebe resolveu procurá-los movido por puro amor”. Essa foi sua missão principal e permanente: estender a mão e ajudar os judeus, física e materialmente. Entre outros, ele expandiu a chamada outreach campaign, uma campanha mundial que chega até os judeus, atraindo-os ao estudo e à prática do judaísmo, iniciada por seu sogro, o Rabi Yosef Yitzchak Schneerson, sexto Rebe de Lubavitch. O Rebe definiu que o objetivo do movimento Chabad-Lubabitch seria o de abraçar os judeus de todo o mundo. Cada um dos indivíduos era importante para ele.

O Rebe era um homem de extraordinárias qualidades – é raro encontrar-se uma única pessoa com tantas – mas também uma mistura de opostos. No ano passado, dois influentes rabinos – o Rabi Adin (Even Israel) Steinsaltz e o Rabi Joseph Telushkin – escreveram novos livros sobre ele. Cada um celebra de uma forma diferente a vida desse homem tão extraordinário.

Contrastando com sua enorme imagem pública, ele era um homem muito discreto em sua vida privada. Pronunciou e escreveu milhões de palavras, mas raramente falava de si próprio ou de seus próprios sentimentos. Quando jovem, era muito introvertido, mas como “o Rebe”, tornou-se um desembaraçado embaixador global do Judaísmo, que recebia pessoas sem fim – judeus ou não – que vinham em busca de seus conselhos e de suas bênçãos. Após se tornar “o Rebe”, nunca deixou Nova York, mas enviava centenas de seus emissários a quase todos os países onde havia judeus. Possuía um conhecimento enciclopédico sobre assuntos judaicos e seculares – era mestre nas facetas reveladas e nas ocultas da Torá, a Halachá e a Cabalá – e também era poliglota e dominava a Física e a Matemática, além de apreciar a Literatura Russa. Chefiava uma organização mundial com um orçamento anual na casa dos bilhões de dólares, mas vivia na maior modéstia e morreu praticamente sem nada.

Já em idade avançada e após sofrer um ataque cardíaco de grande extensão, o Rebe ainda tinha o vigor para reuniões privadas que duravam a noite toda, aconselhando e abençoando pessoas que vinham em busca de sua orientação. Ficava de pé durante horas, todo domingo, para dar a milhares de pessoas, uma de cada vez, sua bênção tão especial e tão pessoal. Ele nunca tirou um único dia de folga nos 40 anos em que liderou a maior organização judaica do mundo. Reis e presidentes tiram férias; o Rebe nunca o fez. Ele adquiriu grande poder e influência, mas nunca perdeu sua simplicidade e modéstia. Nunca se beneficiou pessoalmente de sua posição. Presidentes e governadores o homenageavam; membros do Congresso e Senado dos Estados Unidos consultavam-no e os primeiros ministros de Israel o visitavam, pedindo sua bênção e sua orientação. A revista Newsweek chegou mesmo a rotulá-lo como “o judeu mais influente do mundo”. Contudo, ele nunca mudou; continuou humilde, dedicado a servir a D’us e aos homens – judeus e não judeus.

O Rebe foi uma figura monumental que via além das fronteiras convencionais. Quando assumiu a liderança do movimento Chabad-Lubavitch, este era um prestigioso grupo chassídico, mas relativamente pequeno, a quem os nazistas e os comunistas estiveram perto de exterminar. Quando seu sogro, o Rabi Yosef Yitzchak Schneerson, sexto Rebe de Lubavitch, chegou aos Estados Unidos, logo estabeleceu a sede do movimento Chabad-Lubavitch no Brooklyn. Quando o Rebe Menachem Mendel o assumiu, transformou-o em um império de âmbito mundial, com influência superior a seus números.

Sob sua liderança, o Chabad-Lubavitch tornou-se o maior e mais influente movimento religioso judaico no mundo. Atualmente, sua influência global vai muito além do que a de qualquer outra instituição judaica na história. Praticamente em todos os lugares, no mundo, onde há uma comunidade judaica, há uma Chabad House em locais afastados entre si, como Congo, Guatemala, Marrocos ou Moscou. Há cerca de 4.000 “casais Chabad” em pelo menos 80 países através do globo.

Sua vida

O Rabi Menachem Mendel Schneerson nasceu em uma família judia ilustre, em 18 de abril de 1902 (11 de Nissan de 5762), em Nikolaev, pequena cidade na Ucrânia. Ele recebeu o nome de seu bisavô paterno, o terceiro Rebe da dinastia Chabad-Lubavitch.

Seu pai, o Rabi Levi-Yitzhak Schneerson, foi um grande erudito em Torá e um respeitado cabalista. Sua mãe, Rebetzin Chanah, também vinha de prestigiosa família de rabinos. Quando Menachem Mendel tinha cinco anos de idade, mudou-se com seus pais para a cidade de Yekatrinislav (hoje, Dnieperpetrovsk), onde seu pai foi nomeado Rabino Chefe.

Desde pequeno, o Rebe foi reconhecido pelos professores como uma mente singular, um verdadeiro prodígio em sua erudição sobre a Torá. Rapidamente superou a educação formal judaica e passou a ter aulas com seu pai e professores particulares. Contudo, seu conhecimento logo ultrapassou o dos professores. Na adolescência, já se correspondia com vários renomados eruditos sobre assuntos sagrados.

O jovem Menachem Mendel e sua família sofreram sob o comunismo à medida que o clima social e político se deteriorava, na Rússia. Após a Revolução Bolchevique, em 1917, os comunistas assumiram o controle do país e iniciaram um brutal ataque contra as religiões, particularmente o judaísmo, fechando escolas e sinagogas. Sem qualquer motivo, o governo aprisionava e, às vezes, executava a liderança judaica.

Correndo um grande risco, seu futuro sogro, o Rabi Yosef Yitzchak Schneerson, abria escolas clandestinas e fornecia recursos financeiros e alimentos casher à população judaica. Em 1923, o Rabi Menachem Mendel encontrou-se com o Rabi Yosef Yitzchak pela primeira vez, juntando-se a ele em sua missão. Foi quando este último o escolheu como marido adequado para sua filha, Chaya Mushka. Eles eram primos distantes.

Em 1928, Menachem Mendel deixa a então União Soviética com seu futuro sogro. No ano seguinte, ele se casa com Chaya Mushka, em Varsóvia. O Rabi Yosef Yitzchak tinha três filhas, mas nenhum filho homem. Ele considerava o genro um verdadeiro “Gaon”, palavra hebraica para gênio. Pouco depois do casamento, o casal se mudou para Berlim.

Menachem Mendel era também um grande estudioso do Talmud e do misticismo judaico. Ele estudava a Cabalá e estava profundamente imerso nas leis da Chassidut. No entanto, sempre se tinha interessado por Ciências e Física e, em paralelo, adquiriu uma vasta educação secular. Era também fluente em várias línguas.

Enquanto vivia em Berlim, Menachem Mendel estudou Matemática, Filosofia e Física Teórica na Universidade de Berlim, com professores vencedores do Prêmio Nobel, tais como Walther Nernst e Erwin Schrödinger.

Quando os nazistas subiram ao poder, em 1933, o casal mudou-se para Paris. Nessa cidade Rabi Menachem Mendel continuou seus estudos seculares e, em 1937, formou-se em Engenharia Mecânica e Elétrica na prestigiosa École Spéciale des Travaux Publiques, em Paris. Ele também cursou algumas matérias na Sorbonne.

Em 1941, três dias antes de Paris cair em mãos dos nazistas, o Rabi Menachem Mendel e sua mulher fugiram para Vichy e, a seguir, para Nice. No mesmo ano, o casal emigrou para os Estados Unidos. Com a esposa, ele se estabeleceu no Brooklyn, em Nova York, a alguns quarteirões da nova sede do Chabad-Lubavitch, em 770 Eastern Parkway.

Ao chegar a Nova York, seu sogro o nomeou diretor da divisão educacional do Chabad, Merkos L’Inyonei Chinuch, bem como da organização beneficente Machne Israel e da Kehot, a editora do movimento. Estar à frente dessas três importantes organizações, tornou-o uma figura chave no movimento Chabad.

Em 1950, em 10 de Shevat de 5710, falece o Rabi Yossef Yitzhak. O sexto Rebe de Lubavitch não havia indicado seu sucessor, mas criava vulto uma campanha internacional para que seu genro, Rabi Menachem Mendel, se tornasse o sétimo Rebe da dinastia Chabad-Lubavitch. Ele nunca cobiçara a posição do sogro, mas entendeu que o futuro do movimento dependia de sua alçada à liderança. Aceitou a nomeação com relutância em 17 de janeiro de 1951, ao se completar um ano do falecimento de seu sogro.

Nas décadas seguintes, o Rebe liderou e fomentou uma expansão sem precedentes do movimento. Ele iniciou uma verdadeira revolução, expandindo a prática do sogro de enviar emissários, os “shluchim,” em volta do mundo, para conter a onda de assimilação que surgia. Trabalhava incansavelmente – por vezes, durante as 24 horas do dia – e nunca tirou um dia de descanso. Nada o detinha. Em 1978, sofreu um infarto de grandes proporções. Contra a vontade de seu médico, após poucas semanas voltou ao trabalho com a mesma intensidade de antes.

Em 1986, iniciou uma tradição dominical de encontros com quem o quisesse ver. Ele entregaria notas de 1 dólar, que serviriam como um meio físico de transmitir suas bênçãos. A cada domingo, milhares de pessoas, judias ou não, receberiam uma nota de 1 dólar e uma bênção do Rebe. Desta forma, ele esperava encorajar os outros a dar tzedacá e a fazer trabalho beneficente. “Quando duas pessoas se encontram, algo de bom deve resultar em prol de um terceiro”, costumava dizer, citando o sogro.

Em 1988, no dia 22 do mês judaico de Shevat, falece sua mulher, a Rebetzin Chaya Mushka. Durante 60 anos, ela fora sua companheira de vida e sua única confidente. A partir de então, o Rebe passa cada vez mais tempo sozinho em seu gabinete, na sede mundial do Chabad, no 770, em Nova York, e dentro de dois anos, ele praticamente já não mora em sua casa.

No dia 2 de março de 1992, enquanto orava no túmulo de seu sogro, ele sofreu um derrame que paralisou seu lado direito e, ainda mais devastador, lhe roubou a fala. Dois anos e três meses depois, o Rebe ascendeu aos Céus, aos 92 anos de idade, nas primeiras horas da manhã do dia 3 de Tamuz, 12 de junho de 1994.

Ele não tinha filhos e não nomeou nenhum sucessor. Muitos haviam previsto que o movimento Chabad-Lubavitch não sobreviveria sem o Rebe. Estavam totalmente errados. Após o falecimento do Rabi Menachem Mendel Schneerson, acelerou-se o crescimento do movimento de maneira sem precedentes. E continua crescendo, com grande ímpeto, ano após ano.

Alcançando todos os judeus

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman. Shalom – Paz !!!!

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Seder De Pêssach ! Shavua tov! Boa Semana ! Shalom !!!

Maringá, 17 ABRIL 2017

Jerusalém, 21 NISAN 5777

Temer elogia Seder de Pessach na Catedral Metropolitana de Porto Alegre

O presidente Michel Temer elogiou o Seder de Pessach realizado em 11 de abril SIBRA – Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência na Catedral Metropolitana de Porto Alegre, em evento inter-religioso inédito no país.

Cerca de 300 pessoas participaram do jantar, entre os quais o arcebispo metropolitano de Porto Alegre, dom Jaime Spengler, padres, bispos auxiliares, e seminaristas.

“Eventos únicos devem ser abençoados. É, frequentemente, fácil falar de ecumenismo e de tolerância religiosa sem efetivamente praticá-los. Muitos discursos não se traduzem por atos efetivos. Eis por que a Arquidiocese de Porto Alegre e a SIBRA (Sociedade Israelita Brasileira de Cultura e Beneficência) estão efetivamente de parabéns. Estão dando um exemplo não só para o país, mas para o mundo”, escreve Temer, em mensagem enviada à SIBRA e à Arquidiocese de Porto Alegre.

A mensagem prossegue:

“Estamos vivendo neste dia, neste lugar sagrado, um momento histórico. Quem poderia pensar – e muito não o pensam – que uma comemoração judaica – Pessach – poderia ser celebrada em uma Catedral?

A surpresa bem mostra que uma nova forma de comunhão religiosa e humana é possível. Somos tomados de admiração!

Duas religiões, que já se antagonizaram no passado, confraternizam no presente, sob a condução de lideranças que se abriram ao diálogo inter-religioso. Não pensaram no que os diferencia, mas no que os une.

A ideia de união, de irmandade, muitas vezes é esquecida em um mundo capturado por conflitos e violências dos mais diferentes tipos e pelos interesses materiais mais imediatos.

O mundo precisa de novas iniciativas. O Brasil precisa de pacificação. Os Senhores estão dando um exemplo. Enquanto brasileiro e presidente deste país, sinto-me especialmente orgulhoso, compartilhando deste sentimento de profunda elevação espiritual e humana.

Parabéns aos Senhores. Deus seja louvado! Shalom!”


O rabino Guershon Kwasniewski falou sobre a maturidade das duas comunidades: “Depois de séculos de inimizade e perseguição, neste ato, entramos para a história para mudar a história. Para dizer que católicos e judeus podem conviver em paz, sem ódio, sem perseguição e sem rancores, tendo maturidade com relação ao passado”, disse ao jornal Zero Hora.

O arcebispo afirmou que a grande repercussão gerada pelo evento não era prevista, e acredita que está relacionada a um resgate de elementos de humanidade: “Tenho a impressão de que, hoje, na sociedade, estamos marcados com uma espécie de medo do diferente. E essa é uma ceia onde homens e mulheres se decidem por algo tão simples”.

Obrigado pele leitura!

Texto e imagem: Conib.

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom Lé Kulam – Paz A Todos!

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Sugestão de Leitura! Ter Ou Não Ter, Eis A Questão! Por, Nilton Bonder. $halom $$$$$$$

Erev Tov ! Boa Noite! Shalom Lé Kulam – Paz a Todos!

Distanciando-se da abordagem da posse como malignidade espiritual, um obstáculo ao ” Ser “, Nilton Bonder, resgata sua centralidade existencial.
Não é possível ” ser ” em ” ter ” ou melhor não é posível ” Ser ” sem estar-se constantemente submetido à questão: ” ter ou não ter”?

Este é um livro capaz de romper muros de hipocrisia entre os conceitos de ” ser ” e ” ter ” estabelecendo pontes que esboçam uma possivel ” Enonomia do Desejo “. Uma economia que relaciona itens e desejo, revelando valores capazes de permitir a posse. Posse essa composta de tudo o que, por opção, conseguimos “ter”, em relação a tudo que, também por opção, preferimos não ter. Uma forma de posse que, além de não ser, pecado, se faz bagagem indispensável à exiestência.

Nilton Bonder, como é prórpio do seu pensamento e de sua obra, arroja-se na contra-mão do senso comum da moral e da espiritualidade, e reafirma o imperativo e o imprescindível da posse.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, $halom – Paz !!!

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Repudio ao Terrorismo!!! Shalom Lé Kulam! Paz A Todos! $$$$$$$

O cardeal Odilo Scherer, o xeque Houssam El Boustani e o rabino Michel Schlesinger emitiram esta semana a seguinte nota, após o atentado terrorista cometido contra a comunidade cristã copta no Egito: “Lamentavelmente, no último domingo, 9 de abril, o mundo foi surpreendido por mais dois graves atentados a bomba, perpetrados contra igrejas da comunidade cristã copta do Egito, com um saldo de 44 mortos e cerca de 100 feridos. Esses atos são ainda mais chocantes por terem sido cometidos contra comunidades reunidas em oração e celebrando a Liturgia do Domingo de Ramos. Na proximidade das festas importantes da Páscoa dos cristãos, o Pessach dos judeus, e aproximando-se o mês sagrado do Ramadã, para os muçulmanos, nós, lideranças religiosas em diálogo, manifestamos nossa profunda tristeza e repúdio diante dos covardes atentados cometidos contra as igrejas e comunidades cristãs coptas no Egito. Semelhantes atos não dão glória a Deus e não dignificam a quem os incentiva ou pratica! Reafirmamos que as religiões abrâmicas estão orientadas por princípios de paz, respeito e não-violência. E quem pratica a violência, alegando motivos religiosos, está profundamente equivocado e não representa legitimamente qualquer tradição religiosa. Manifestamos nossa solidariedade para com as comunidades e famílias enlutadas do Egito conclamamos a todos para a promoção do convívio respeitoso, solidário e pacífico entre comunidades de culturas e religiões diversas. Só assim será possível assegurar uma sociedade plural e pacífica, onde o diverso não representa uma ameaça, mas enriquecimento no convívio”.

2. Síria: Assad diz que ataque químico foi ‘100% fabricado’ pelo Ocidente (O Globo)
O presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou que o ataque químico que matou mais de 80 pessoas – entre elas 31 crianças – na cidade de Khan Sheikhoun, na semana passada, foi “100% fabricado”, pelo Ocidente. Em entrevista à agência France Presse, Assad disse que o ataque foi “inventado” para servir de justificativa para a ofensiva americana, alguns dias depois, a uma base militar síria. “Para nós, trata-se de um evento 100% fabricado. Nossa impressão é de que o Ocidente, principalmente os Estados Unidos, é cúmplice dos terroristas e montou toda esta história para servir de pretexto ao ataque americano de 7 de abril contra uma base aérea na Síria”, disse Assad. O ataque químico foi denunciado por ativistas locais e diversas organizações internacionais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou que as vítimas apresentavam sintomas de quem foi exposto a agentes neurotóxico, como asfixia, problemas respiratórios, desmaios e vômitos. Alguns dias depois, especialistas turcos confirmaram que o gás sarin, uma poderosa substância química, havia sido utilizado, após fazer análises e autópsias dos corpos das vítimas. Em reação ao bombardeio químico, o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou o lançamento de 59 mísseis contra uma base militar síria — a mesma que teria lançado o ataque com gás tóxico. Este foi o primeiro ataque direto do governo americano a Assad nos seis anos de guerra civil.

Maringá, 13 ABRIL 2017

Jerusalém, 17 NISAN 5777

Fonte: Conib:

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, : )

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Chag Sameach Pessách! Feliz Páscoa Judaica! $halom !

Maringá, 10 ABRIL 2017

Jerusalém, 14 NISAN 5777

Uma Excelente e abençoada e muito Prosperá Chag Pessách Sameach Lè Kulam !

A Comunidade Judaica de São Paulo, realiza no próximo dia 24 de abril (segunda-feira), às 20h, no Teatro Anne Frank de A Hebraica, o “Ato Central de Yom Hashoá”, em memória aos seis milhões de judeus assassinados durante o Holocausto.

Fonte: Federação Israelita de São Paulo.

Devido, a Páscoa Judaica, essa semana terá matérias mais voltadas e esse evento a Saida dos Judeus Do cativeiro Egipicio que O Eterno Usou Moshe ( Moysés ), para tal feito!
Curaçau, anteriormente parte das hoje extintas Antilhas Holandesas, é um país autônomo, um dos quatro que constituem o Reino dos Países Baixos1. A ilha foi descoberta por uma expedição espanhola em 1499 e ficou sob domínio desse país durante todo o século 16, até ser conquistada pelos holandeses, em 1634. Estes últimos decidiram tomar Curaçau após os espanhóis terem conquistado a ilha de Sint Maarten (Saint Martin), em 1633, até então dominada pelos holandeses, mais especificamente pela Companhia das Índias Ocidentais2 (em holandês: West-Indische Compagnie, ou WIC). Com a perda da ilha, a WIC perdeu uma importante base comercial nas Antilhas, o que foi desastroso para suas atividades.

Em abril de 1634, a WIC designou ao almirante e cartógrafo Johannes Van Walbeeck a tarefa de tomar as ilhas de Curaçau e Bonaire, também nas Antilhas, então sob domínio espanhol. As ilhas haviam sido escolhidas em virtude de sua estratégica localização vis-à-vis o continente americano, principalmente o porto natural de St. Anna Bay, em Curaçau. Por causa de sua privilegiada localização geográfica essa ilha teve no comércio e no transporte marítimo suas mais importantes atividades econômicas.

Em maio daquele ano de 1634, Van Walbeeck deixou a Holanda com quatro navios, levando 180 marinheiros e 250 soldados, liderados por Pierre Le Grand, mercenário francês que havia servido aos holandeses no Brasil. Os espanhóis haviam praticamente abandonado Curaçau; não demostravam real interesse na ilha pois nela havia pouco ouro e era impossível o estabelecimento de grandes fazendas devido à escassez de água. Foi, portanto, relativamente fácil para a frota holandesa a conquista da ilha. Em 21 de agosto, os espanhóis se renderam e Van Walbeeck tornou-se o primeiro governador/administrador das Antilhas Holandesas. Durante seus três anos nessa função construiu uma fortificação no porto natural de St. Anna Bay e lançou as bases da cidade de Willemstad, ao lado do forte.

O primeiro judeu a desembarcar na ilha foi Samuel Cohen, que atuava como tradutor de bordo da frota holandesa. Membro da congregação judaica de Amsterdã, Cohen lá permaneceu por cerca de oito anos. Há indicações de que, durante sua estada, ele tenha convencido alguns judeus de Amsterdã a se estabelecer em Curaçau. Mas eles só começaram a chegar em números consideráveis a partir de 1651.

Entre os grandes acionistas da Companhia das Índias Ocidentais havia inúmeros judeus e sua forte proeminência na cúpula diretora resultará, como veremos a seguir, em uma série de benefícios e termos favoráveis concedidos aos judeus dispostos a se estabelecer em Curaçau.

Naquele ano de 1651, dirigentes da Companhia escreveram a Peter Stuyvesant, governador da Nova Amsterdã3 (futura Nova York). Na carta, revelaram que estavam pensando em abandonar Curaçau, pois a ilha não lhes dava o retorno financeiro esperado. Porém, antes de encerrar as atividades na ilha haviam decidido tentar algo novo. Haviam assinado um contrato com David Nassi, também conhecido como Joseph Nunes da Fonseca ou Cristóvão de Távora Nassi, que se comprometeu a levar para Curaçau um grande número de judeus. O grupo seria liderado pelo judeu Jan de Illan, ou João d’Ylan (também conhecido como Jeojada ou Jeudah de Illan).

Na carta, explicavam: “Ele (Nassi) pretende levar um número considerável de pessoas para colonizar e cultivar a terra, mas suspeitamos que ele e seus sócios tenham outro objetivo em mente: fomentar o comércio a partir de Curaçau para as Índias Ocidentais e o continente americano. De qualquer forma, desejamos fazer esta tentativa e ao senhor caberá encarregar o diretor Rodenborch de manter Nassi dentro dos limites e em conformidade com as condições estipuladas no contrato”.

A Carta de Privilégios concedida a Nassi estabelecia que ele deveria receber duas léguas de terras ao longo da costa de Curaçau para cada 50 famílias; e quatro para cada 100 famílias. Os benefícios incluíam, ainda, isenção de impostos por dez anos e o privilégio de escolher as terras onde desejavam estabelecer-se. A Carta ainda rezava que os judeus teriam liberdade e tolerância religiosa, embora fossem proibidos de obrigar cristãos a trabalhar aos domingos, “bem como praticantes de nenhum outro credo deveriam trabalhar nesse dia”. Essa é a mais antiga Carta de Privilégios que especificamente concedia liberdade e tolerância religiosa aos judeus no Novo Mundo.

Como estipulado, Jan de Illan levou cerca de 50 judeus – de 10 a 12 famílias – da comunidade portuguesa de Amsterdã para Curaçau. O governador da ilha, Matthias Beck, foi incumbido pela WIC de colocar à sua disposição terras, escravos, cavalos, rebanhos, ferramentas e suplementos agrícolas para que os recém-chegados pudessem plantar e desenvolver os recursos naturais da região. Apesar das condições favoráveis sob as quais chegaram à ilha, ainda assim os judeus tiveram que enfrentar inúmeras restrições.

Os judeus passaram inicialmente a trabalhar na agricultura e a viver na Plantação “De Hoop” (“A Esperança”). As terras que lhes foram consignadas estavam localizadas ao norte da cidade de Willemstad. Ainda hoje, o distrito é conhecido como Jodenwyk (Bairro Judeu).

Em 1651, logo após sua chegada, fundaram a congregação Mikvé Israel (Esperança de Israel). O nome da congregação aparece numa carta escrita em 1654 por um viajante judeu e dirigida a “Mahamad, do Kahal Kadosh Mikvé Israel”, de Curaçau.

Em abril do ano seguinte, os diretores da Companhia das Índias Ocidentais escreveram novamente para Stuyvesant alertando que Nassi “se preparava para levar para Curaçau um grande número de pessoas”. Mas, devido às hostilidades entre a Holanda e Inglaterra, nenhum judeu foi para Curaçau.

Um número substancial deles acabou se fixando na ilha dois anos mais tarde, em 1654, quando os portugueses reconquistaram dos holandeses os territórios no Brasil (mais especificamente na região do atual Recife) e os judeus que lá viviam, temerosos de serem sujeitos a perseguições religiosas e à ação da Inquisição, deixaram apressadamente a região. Alguns se estabeleceram nas Índias Ocidentais, outros na América do Norte, mas muitos foram para Curaçau levando consigo considerável riqueza.

Um novo contingente de judeus chegou à ilha em 1659, quando a WIC concedeu a Issac Acosta (Issac da Costa), de Amsterdã, mais uma Carta de Privilégios, autorizando-o a levar judeus para Curaçau. O grupo de 70 por ele organizados chegou à ilha, levando consigo um presente para a Congregação Mikvé Israel, enviado pela comunidade de Amsterdã: um Sefer Torá que ainda hoje é usado na Sinagoga Mikvé Israel-Emanuel.

Em 1659, Stuyvesant, então governador da Nova Amsterdã, queixou-se aos diretores da Companhia que os judeus de Curaçau tinham sido “autorizados a possuir escravos e tinham outros privilégios que não eram usufruídos pelos demais colonos de Nova Amsterdã”. Ele pedia para os habitantes de sua colônia “se não mais, pelo menos os mesmos privilégios que tinham os judeus usurários e ambiciosos”, como os definia.

Não tardou para que os judeus descobrissem que a agricultura não era uma atividade economicamente viável. Seus esforços pareciam inúteis perante o clima, a aridez do solo e os contínuos períodos de seca. A maior parte deles passaram então a atuar no comércio e principalmente no lucrativo contrabando com as ilhas vizinhas. Porém, pelos termos das Cartas de Privilégios concedidas pela WIC, não era permitido aos judeus atuar no comércio, principalmente porque isto ia contra os interesses da Companhia. No entanto, fracassaram as inúmeras tentativas feitas pela mesma para impedir essa situação.

Ademais, em plena transgressão das instruções enviadas pela WIC, as autoridades locais eram coniventes com o comércio, principalmente o que se desenvolvera em 1656, entre os judeus de Curaçau e Isaac de Fonseca, de Barbados, e que acabaria minando o monopólio comercial da Companhia das Índias Ocidentais na região. Entre outros, as autoridades de Curaçau decidiram não interferir quando Fonseca ameaçou redirecionar seu comércio à Jamaica, abandonando Curaçau. Em 1657, já era intenso o comércio entre Nova Amsterdã e Curaçau, controlado principalmente pelos judeus e que contribuiu grandemente para o desenvolvimento comercial das duas colônias.

No início do século 18, a Baía de Willemstad era um dos portos mais movimentados do Caribe. Os judeus de Curaçau estabeleceram redes comerciais entre o Norte da Europa e a América do Sul, importando bens industrializados da Holanda e distribuindo produtos da colônia para os países vizinhos. Suas conexões familiares e suas relações com comerciantes e financistas judeus, principalmente sefaraditas, em grandes centros do mundo, como Amsterdã, Hamburgo, Londres, Bordeaux, Lisboa, Madri e Nova York, entre outros, permitiam-lhes controlar a maior parte do comércio do Caribe. Deve-se ressaltar que era ínfimo o número de judeus envolvidos no comércio de escravos, que era essencialmente dominado pelos holandeses.

Uma vida judaica

Os primeiros colonos judeus viveram primeiro fora da cidade, no Bairro Judaico. Mas, à medida que grande parte da comunidade passou a se dedicar a atividades comerciais, seus integrantes se mudaram para a cidade murada de Willemstad.

Como vimos acima, em 1651, logo após os primeiros judeus se estabelecerem em Curaçau, foi fundada a Congregação Mikvé Israel (Esperança de Israel), sob a orientação da comunidade portuguesa de Amsterdã. Esse nome está intimamente ligado ao que haviam atribuído à sua primeira plantação, “De Hoop” (A Esperança). Naquele mesmo ano, uma sinagoga foi improvisada numa pequena casa, provavelmente localizada nos campos onde trabalhavam.

Com o aumento do número de judeus, em 1656, alugaram uma pequena construção de madeira para a realização de serviços religiosos. O primeiro edifício da sinagoga foi comprado em 1674, e com o crescimento da comunidade, uma nova sinagoga foi construída em 1692 e consagrada na véspera de Pessach do mesmo ano. O serviço religioso foi oficiado pelo chazan David Raphael Lopez de Fonseca.

A sinagoga era comumente conhecida pelo nome de “Snoa”, uma corruptela para “esnoga”, uma antiga palavra em ladino-português para sinagoga. Em 1739, o edifício foi ampliado e a construção atual data daquela época. Sua arquitetura e interior foram preservados praticamente inalterados desde sua construção, há 287 anos. Com seus três altos tetos abobadados, a Arca Sagrado e o púlpito, as galerias, os bancos e candelabros, o interior da sinagoga tem grande semelhança com a Sinagoga Portuguesa de Amsterdã, só que tem apenas ⅔ de seu tamanho.

Entra-se na sinagoga através de um pátio silencioso, e logo se avista o vitral colorido das janelas. Caminhando-se por um piso coberto de areia, chega-se até a Arca Sagrada entalhada em mogno. Ainda que alguns acreditem que a areia no piso simbolize os 40 anos que o Povo Judeu andou pelo Deserto do Sinai após ser expulso do Egito, a maioria concorda que os pisos de areia sirvam para recordar aos membros da Congregação como seus antepassados judeus na Península Ibérica cobriam o chão de suas casas de oração improvisadas para que fossem abafados os passos dos judeus que estivessem praticando sua fé em segredo para não despertar a suspeita de potenciais delatores.

Ainda em 1656 a comunidade de Curaçau teve a autorização de construir um Bet-HaChaim (cemitério) e a terra originalmente concedida às primeiras 12 famílias de imigrantes judeus foi alocada para esse fim. As sepulturas mais antigas datam de 1668 e fazem deste um dos primeiros cemitérios no Novo Mundo, com mais de 2.500 túmulos. Sua antiguidade e herança histórica fazem do cemitério um extraordinário monumento internacional. Infelizmente, muitos deles foram destruídos pela erosão provocada pela chuva ácida e fumaça sulfúrica das refinarias próximas.

O primeiro Chacham oficialmente indicado para a comunidade foi Josiahu Pardo, que chegou vindo de Amsterdã em 1674 e ali permaneceu até 1683, quando partiu para a Jamaica. Um sinal dos fortes vínculos entre as congregações de Amsterdã e Curaçau é o fato de que Pardo era o filho de David Pardo que, juntamente com Saul Levi Morteira, Menasseh ben-Israel, e Isaac Aboab, integravam a Corte Rabínica de Amsterdã.

Em 1715 foi fundada pela comunidade Curaçau uma organização de assistência social para atender os necessitados e os doentes. A comunidade tornara-se tão próspera que, cinco anos depois, enviaram auxílio à Congregação Shearith Israel, de Nova York e, entre outros, em 1756, atenderam outra solicitação, dessa vez dos judeus de Newport. Passaram também a enviar dinheiro para ajudar no estabelecimento de outras comunidades sefaraditas na América do Sul e do Norte. A comunidade floresceu a ponto de tornar-se conhecida como “a comunidade-mãe americana”.

No século 18 crescera o número de judeus que viviam na ilha; em meados do século a população judaica de Curaçau somava duas mil pessoas e, no final, constituíam mais da metade da população branca da ilha.

Em 1740 havia em Curaçau duas congregações judaicas. As levas mais recentes instalaram-se em uma área atualmente conhecida como Otrabanda, como o nome diz, do outro lado do porto. Para não cruzar as águas no Shabat e poder participar dos serviços religiosos, aqueles que residiam nesse distrito mais distante formaram uma nova comunidade, a Congregação Neveh Shalom, e, em 1745, consagraram sua própria sinagoga.

Por algum tempo essa nova congregação foi considerada apenas uma ramificação da comunidade mais antiga, funcionando sob sua direção. Mas, uma série de disputas internas levou, em 1749, à separação das duas. A fissura criada foi resolvida apenas pela intervenção do príncipe William Charles de Orange-Nassau que, em abril de 1750, ordenou o fim do embate entre as duas comunidades. A determinação real ordenava que “as comunidades terminassem as disputas, submetendo-se à direção dos Parnassim e à diretoria da sinagoga original (Mikvé Israel), e se sujeitassem ao regulamento da comunidade portuguesa de Amsterdã”. Este acordo foi mantido até 1870, quando a Neveh Shalom tornou-se independente.

Séculos 18 e 19

Como vimos acima, os judeus da ilha viveram um período de grande prosperidade, iniciado nas primeiras décadas do século 18, ocupando posições de destaque tanto na vida econômica quanto política e social da ilha. Nessa região subdesenvolvida, eles conseguiram sobressair com seus conhecimentos de comércio internacional, expedição e seguro marítimo, e transporte.

No final do século eram donos da maioria das propriedades do distrito de Willemstad. Os mercadores judeus possuíam suas próprias frotas e, entre 1670 e 1900, chegaram a ter mais de 1.200 navios, muitos dos quais tinham capacidade de navegar até Nova York, e outros chegavam até a Holanda. E havia cerca de 200 capitães judeus no comando dessas embarcações. O fluxo comercial era tanto que havia dias em que mais de 50 navios partiam para a Holanda, carregados de produtos, a maioria deles de propriedade de mercadores judeus.

Durante a primeira metade do século 19 surgiram inúmeras empresas de judeus que integravam serviços internacionais de comércio, indústria e serviços financeiros. Atualmente, empresas judaicas comerciais continuam à frente da economia da ilha, embora o número de empreendimentos pertencentes a membros da comunidade tenha diminuído ao longo dos anos.

Judeus de Curaçau lutaram ao lado de Simon Bolívar, que atuou nas primeiras décadas do século 19 de forma decisiva no processo de independência da América Espanhola. Duas personalidades judias de Curaçau destacaram-se no exército de Bolívar, um combatendo e o outro como fornecedor de suprimentos, além dos judeus de Curaçau que lhe deram refúgio com sua família nos momentos de necessidade.

O final da escravidão, em 1862, levou à deterioração da economia local, em geral. As dificuldades econômicas levaram muitos judeus a partir. Entre os destinos escolhidos estavam St. Thomas, República Dominicana, Cuba, Jamaica, América Central, Venezuela, Colômbia e os EUA. Os que ficaram, no entanto, conseguiram manter suas posições socioeconômicas na ilha. Em parte, por causa de seu nível educacional – muitos haviam estudado em universidades alemãs – puderam conseguir, cerca de 20 anos após a “emancipação judaica” (1825), alçar a posições governamentais.

No século 20, os judeus ainda faziam parte das figuras de destaque da ilha, respondendo por 44 das 52 empresas das principais áreas da economia de Curaçau.

A chegada dos asquenazitas

Durante quase três séculos, os judeus sefaraditas foram os únicos judeus em Curaçau. A situação mudou a partir das décadas de 1920 e 1930 quando começaram a chegar ashquenazim oriundos da Europa Oriental, a maioria vindos da antiga Bessarábia, na área fronteiriça entre a Romênia e a Rússia, e poucos da Polônia.

Nas últimas décadas do século 19 um grande número de judeus deixou a Rússia czarista e outros países da Europa Oriental. Entre 1880 e 1933 cerca de quatro milhões de judeus do Leste europeu fugiram para o Ocidente, principalmente para os Estados Unidos. Os judeus asquenazitas que chegaram a Curaçau faziam parte dessa onda migratória.

Para muitos deles o sonho de imigrar para os Estados Unidos esbarrou na política de restrição à imigração adotada pelos EUA, com imposição de cotas, em 1921, 1925 e 1927. Milhares de judeus do Leste europeu tiveram que buscar refúgio em diferentes países na América Latina.

Poucos dos que acabaram em Curaçau tinham ouvido falar da ilha; estavam a caminho de outros destinos no continente latino-americano e os navios em que viajavam paravam em Curaçau para abastecer. Muitos dos que decidiram ficar tomaram a decisão após saber que havia problemas políticos no país de seu destino final e que, na ilha, havia muitas oportunidades econômicas. Passado algum tempo, os que lá tinham decidido ficar mandavam buscar a família na Europa.

Um recém-chegado era ajudado pelo grupo, sendo contratado como empregado ou recebendo ajuda na forma de crédito. Ser um “Landsman” (palavra em iídiche para compatriota, oriundo do mesmo lugar), era de grande importância e impunha confiança.

Os asquenazistas chegaram com poucos recursos, alguns eram artesãos, mas a maioria tinha alguma experiência em comércio varejista. Muitos dos que começaram a vida como vendedores ambulantes prosperaram de forma impressionante.

Inicialmente sobreviveram comprando mercadorias dos sefaraditas e vendendo-as através das áreas rurais da ilha. Levavam as mercadorias nas costas ou pagavam a algum garoto para carregar parte dos pacotes, viajando a pé dias e dias. Chamavam-se de knockers (em holandês, kloppers), em alusão à palavra em iídiche para quem bate à porta. Aos poucos, deixaram de ser ambulantes para começar a vender em pequenas lojas, em ruas secundárias, e, posteriormente, em grandes estabelecimentos nas ruas principais. Com o passar do tempo passaram a importar diretamente e, beneficiados pelos impostos baixos e a pouca concorrência, prosperaram, mesmo durante a depressão de 1930.

Os asquenazitas formaram um grupo fechado. Em 1932 organizaram um centro judaico chamado Club Union e, em 1959, já tinham sua própria sinagoga – a Shaarei Tsedek. No final do século 20 por volta de 400 judeus ashquenazim viviam na ilha.

2ª Guerra Mundial e pós-guerra

No dia 10 de maio de 1940, informados sobre a invasão alemã na Holanda, as autoridades em Curaçau agiram de forma rápida. Todos os navios alemães foram confiscados e suas tripulações, cerca de 500 homens, aprisionados e enviados para campos em Bonaire, até o final da guerra. Outros considerados inimigos do Estado, de acordo com a sua nacionalidade, também foram deportados para Bonaire, inclusive, por mais absurdo que possa parecer, vários judeus alemães e austríacos.

Depois da 2a Guerra foi erguido um monumento em homenagem aos antilhanos que deram a vida, na luta contra os nazistas. Numa placa estão gravados 162 nomes, entre os quais, o de George Maduro, judeu, oficial da reserva do exército holandês, que lutou heroicamente.

Após a capitulação da Holanda perante as forças alemãs, Maduro uniu-se à Resistência para ajudar pilotos aliados a escapar pela Espanha. Foi finalmente preso pelos alemães e morreu em fevereiro de 1945, em Dachau. Um parque com miniaturas dos principais marcos da Holanda, denominado Madurodam, foi construído em Haia em sua memória.

Boom econômico

A nova refinaria de petróleo construída pela Shell em Curaçau, em 1915, foi responsável pelo boom econômico local. Em 1954, a ilha se tornou sede do governo da recém autônoma Antilhas Holandesas. Foi nessa época que a atividade financeira off-shore passou a ser a força motriz da economia local. No entanto, a crise do petróleo dos anos 1970 acabou com a prosperidade, e a redução dos investimentos internacionais, na década seguinte, levou ao declínio econômico. A Shell fechou a refinaria em 1985.

Nas primeiras décadas do século 20, os judeus sefaraditas mantiveram sua posição de liderança no setor bancário e comercial. Muitos eram ativos também na vida política, intelectual e social da ilha. Mas, ao longo dos anos, a população judaica de Curaçau encolheu de forma considerável em função da emigração e como resultado do número crescente de casamentos mistos. Como resultado desse declínio, tornou-se cada vez mais difícil para ambas as sinagogas ter um minian em todos os serviços religiosos. Chegou-se a um acordo e a Sinagoga Mikvé Israel concordou em substituir seu rito sefaradita por um que mesclasse elementos asquenazitas e liberais. A fusão se concretizou, de facto, em 1963 e, de jure, em 1965.

O êxodo dos judeus se intensificou na década de 1970. Alarmados após terem sido alvo dos distúrbios de 30 de maio de 1969, chamados de Trinta di Mei, em papamento, muitos judeus deixaram a ilha. A recessão econômica do início dos anos 1980, resultante da desvalorização do bolívar venezuelano, aumentou o êxodo levando-os a fechar ou vender seus negócios, emigrando principalmente para os EUA.

Atualmente vivem na ilha 450 judeus. Continuam a desempenhar um papel vital na vida econômica, comercial, cultural e social da ilha. De seu total, 75% são membros da Mikvé Israel e os demais, da Shaarei Tsedek. Serviços regulares de Shabat e das festas do calendário judaico são realizados nas duas sinagogas e ambas possuem programas educacionais para crianças e adultos.

1 Desde 2010, o Reino é composto por quatro nações: Países Baixos (Holanda), na Europa; Aruba, Curaçau e Saint Martin, no Caribe.
2 A WIC, também chamada de Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, era uma organização privada de comércio externo, subsidiada pelo governo, que se tornou instrumento da colonização holandesa nas Américas, tendo sido inclusive responsável pela ocupação de áreas no Nordeste brasileiro, no século 17.
3 Nova Amsterdã havia sido fundada em 1625 pela WIC, na ilha de Manhattan. Permaneceu sob controle neerlandês até 1664, quando foi capturada pelos britânicos que renomeariam o assentamento como New York.

Muita Liberdade esperitual a todos!

Em Maringá, também estaremos fzendo nosso ritual! Muita Luz a todos que comungarem ou respeitarem nosso ato! B” H !

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradição & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom : )

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