Fernando Lottenberg é Reeleito Presidente da Conib! Shalom!!!

 

 

Nancy e Fernando Lottenberg, Lu e Geraldo Alckmin

José Serra, Claudio Lottenberg, Geraldo Alckmin, Fernando Lottenberg e João Doria

Fernando Lottenberg é reeleito presidente da Conib

Com a presença do governador Geraldo Alckmin, do ministro da Educação, Mendonça Filho, do senador José Serra e do prefeito João Doria, a 48ª Convenção Nacional da Conib, realizada no último fim de semana em São Paulo, reelegeu por aclamação Fernando Lottenberg como seu presidente para o triênio 2017-2020.

“Temos orgulho do que já foi feito e vamos continuar enfrentando os desafios de liderar a comunidade judaica, de forma ativa e sem improvisação”, disse Lottenberg.

“Continuaremos promovendo o judaísmo no Brasil e a ligação de nossa comunidade com o mundo e com Israel, por meio de parcerias”, prosseguiu.

Ele agradeceu ao senador José Serra a resolução da crise diplomática com Israel e seu trabalho, quando no Itamaraty, em prol da distensão nas relações bilaterais Brasil-Israel. “Ainda buscamos um maior equilíbrio na posição brasileira com relação ao conflito israelo-palestino, mas já há alguns sinais nessa direção”.

Entre os projetos da nova gestão estão o combate ao discurso de ódio, em parceria com a FGV (veja abaixo), o fortalecimento do diálogo inter-religioso e a continuidade do apoio ao aprimoramento da educação judaica. Leia o discurso na íntegra.

O presidente do Congresso Judaico Latino-Americano, Adrián Werthein, enviou cumprimentos a Lottenberg: “É um prazer tomar conhecimento de sua reeleição como presidente da Conib. Não há dúvida de que seu trabalho e compromisso à frente da comunidade judaica no Brasil foram valorizados por seus compatriotas e reconhecidos no momento de reelegê-lo como líder de uma instituição tão importante”.

O convidado especial do evento foi David Harris, diretor executivo do American Jewish Committee. O ministro Mendonça Filho e o diplomata Oswaldo Aranha, representado por seu neto, Pedro Corrêa do Lago, foram os homenageados.

O ator Dan Stulbach protagonizou vídeo exibido no jantar de gala da Convenção, apresentando as realizações da Conib nos últimos três anos e convocando a comunidade judaica a atuar de forma mais próxima da Conib e das entidades judaicas brasileiras.

Xeque Houssam Ahmad el Boustani, João Doria e rabino Michel Schlesinger

Alckmin: eleição por unanimidade

Em seu pronunciamento, o governador Geraldo Alckmin perguntou a Lottenberg o “segredo para se eleger por unanimidade”. Ele afirmou que a comunidade judaica “faz a diferença nas artes, na cultura, na ciência, na economia. E, especialmente, no amor às pessoas”.

Serra lembrou de seu encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em Israel em 2016, importante para a normalização das relações diplomáticas com o Brasil.

Em 2009, quando governador, ele recebeu o então presidente de Israel, Shimon Peres, em São Paulo.“Firmamos uma parceria tecnológica e comercial, que aprimorei no Ministério das Relações Exteriores”.

O prefeito João Doria destacou que convive com pessoas da comunidade judaica desde os seis anos de idade, no Colégio Rio Branco. “Estar aqui neste evento faz parte do meu DNA”.

Veja vídeo com trechos dos pronunciamentos.


Homenagem ao ministro Mendonça Filho
O ministro Mendonça Filho destacou a “atenção especial” dada pelos judeus à educação e a contribuição judaica para a igualdade e a justiça. “Há uma agenda comum entre os judeus e a educação”. Ele foi homenageado na Convenção por sua compreensão e sensibilidade para que o Enem deixasse ser aplicado aos sábados.“Já habitué das convenções da Conib”, como lembrou Fernando Lottenberg, o ministro afirmou que a prova aos sábados era um constrangimento para quem guarda o dia por motivos religiosos, além de acarretar condição desfavorável a um bom desempenho.Mendonça destacou o “diálogo aberto” que teve com o presidente da Conib sobre a dificuldade de mudar o calendário. Ele pediu a mobilização da comunidade judaica para a consulta pública que houve no início de 2017 e que ajudou a levar adiante a mudança.Lottenberg agradeceu não apenas a solução para a pauta do Enem, como também pela receptividade do Ministério a outros temas, como a inclusão da Inquisição e do Holocausto na Base Nacional Curricular. Também lembrou que o ministro reagiu prontamente ao edital antissionista da UFABC, que foi corrigido pela universidade.

O secretário de Desenvolvimento Social de São Paulo, Floriano Pesaro, foi convidado pela Conib para entregar placa em homenagem ao ministro.

José Serra, Yossi Shelley e Bruno Laskowsky

David Harris: o “ministro das Relações Exteriores do povo judeu”O convidado especial da Convenção foi David Harris, diretor executivo do American Jewish Committee, considerado pelo ex-presidente de Israel, Shimon Peres, o “ministro das Relações Exteriores do povo judeu”.Ele ficou impressionado com o grande número de autoridades presentes à Convenção da Conib.

Harris contou aspectos marcantes de sua trajetória. Seu pai, cientista brilhante, foi expulso da universidade em Viena, em 1938, e teve que limpar botas de nazistas, até conseguir fugir da Áustria. Ele, David, despertou para a causa judaica nos anos 1970, com o movimento pela emigração dos judeus da União Soviética. E define sua conexão com o judaísmo como “tribal: tenho muita história, em várias línguas”.

No mês em que se comemora o 70º aniversário da aprovação da Partilha da Partilha na ONU, sublinhou:“Nunca esqueceremos o voto do Brasil pela Partilha”.

Entrevistado em um dos painéis pelo jornalista Caio Blinder, Harris abordou, entre outros temas, o governo Trump e a relação Israel-EUA.

“Trump herdou uma América dividida. Poderia tentar agregar ou polarizar. E preferiu a segunda opção. Duas Américas são um perigo”, afirmou.

“Ele errou também ao rejeitar o Departamento de Estado. Nosso número de embaixadores caiu 30%, inclusive em países como a Coreia do Sul. Sair do Acordo Transpacífico e criticar a OTAN também foram erros”, acrescentou.

Por outro lado, há “alguns aspectos bons em sua política externa: ele entendeu que é necessário agir de forma diferente de Obama nos casos da Coreia do Norte e do Irã”.

EUA e Israel

Harris criticou também o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, por “quebrar o consenso bipartidário sobre Israel, ao alinhar-se com os republicanos e com Trump e, sobretudo, por falar no Congresso Americano contra o acordo com o Irã. Ele poderia ter falado a mesma coisa, mas em outro lugar. Ao fazê-lo ali, cuspiu em Obama”.

“O gap entre democratas e republicanos sobre Israel vem aumentando. A liderança democrata hoje é pró-Israel, mas isso pode mudar no futuro”, advertiu.
 

BDS

“O BDS tem colecionado fracassos espetaculares: os investimentos estrangeiros em Israel têm crescido, o número de turistas no país bate recordes; nos EUA, os 50 governadores se opuseram ao movimento de boicote”, afirmou.

“Apesar da forte atuação do movimento em universidades e sindicatos nos EUA, nenhuma universidade boicota Israel”, acrescentou.
 

Assimilação

“A questão é: por que ser judeu no século 21? Vivemos em sociedades abertas, e há outras opções no mercado de ideias”, observou.

“Precisamos conversar com os jovens, em encontros feitos nos finais de semana. Hoje, vocês podem ser judeus e brasileiros, não é necessário fazer uma escolha! Ser judeu é um bom ‘produto’, e o judaísmo é uma civilização, com muitas portas de entrada”.

Homenagem a Oswaldo Aranha

O diplomata Oswaldo Aranha, representado por seu neto Pedro Corrêa do Lago, foi homenageado, em lembrança aos 70 anos da Assembleia Geral da ONU que votou pela Partilha da Palestina.

Lago detalhou aspectos dos bastidores da votação, que demostram a importância da atuação de Aranha para que a resolução fosse aprovada.

A Conib apresentou um vídeo que mostra trechos da votação e da comemoração após o resultado. ASSISTA.

 

Debate sobre a conjuntura nacional e internacional

Os jornalistas Sergio Malbergier, diretor de Comunicação da Conib, e Alon Feuerwerker, debateram os principais temas da conjuntura nacional e internacional. A mediação foi de Milton Seligman, diretor da Conib.Fake news

Para Alon, a maior parte não é divulgada por “bandidos”, mas vem da própria imprensa, “sensacionalista”.

Nas eleições de 2018, as “mentiras afetarão sobretudo os brasileiros com menor nível educacional, que não têm acesso à discussão aprofundada”, avaliou Malbergier.

Campanhas descoladas da realidade terão problemas, mas não podemos esquecer que política é teatro”, completou Alon.

A criação do Instituto Brasil Israel (veja abaixo), bem como a atuação da Conib e das federadas nos ajudarão a combater as notícias falsas, disse Malbergier. Para ele, Facebook e Google estão se movimentando neste sentido.

Alon considera que não há como controlar as redes sociais. Assim, “devemos tomar posições distintas dos radicais”.

Antissemitismo no Brasil

Para Alon, o antissemitismo tem enraizamento cultural no país, “assentado sobre o Tribunal do Santo Ofício e a Companhia de Jesus”. Já o antissionismo vem principalmente da esquerda, que se diz “progressista”.

Malbergier afirmou que os brasileiros gostam de Israel, mas Governo e Estado (Itamaraty) têm visão mais negativa. Ele acredita que uma pesquisa de opinião pública sobre o tema poderia fazer as autoridades mudarem de postura.

Também considera que a penetração da Igreja Católica é menor hoje no País. E vê um marco na relação da esquerda com Israel: o deputado federal Jean Wyllys. “Antes, não tínhamos defensores nesse setor”.

Voto brasileiro na Unesco pode mudar?

Alon observou que China e Índia deixaram de se alinhar automaticamente contra Israel e questionou: isso pode influenciar a posição do Brasil?

Para Malbergier, a queda da esquerda em todo o mundo aumenta o apoio a Israel: “O pico de desaprovação caiu. De qualquer forma, precisamos focar a relação bilateral: tecnologia, água, saúde, combate ao terrorismo”, observou.

Alon acrescentou que as viagens de parlamentares a Israel, promovidas por Conib, Fisesp e Project Interchange são um canal de diálogo muito importante, opinião compartilhada por Fernando Lottenberg.

Projeto “Contra o Discurso de ódio” – parceria com a FGV

Os advogados Alexandre Pacheco da Silva e Marina Feferbaum, da FGV, apresentaram a proposta Projeto “Contra o Discurso de ódio”, criado em parceria com a Conib.

As novas tecnologias permitem ao Direito o desenvolvimento de novos modelos de pesquisa. O Centro criado na FGV estudará os ataques à identidade, danos e prejuízos, o controle do discurso e as dimensões da lesão.

Algumas das questões levantadas: Como as grandes plataformas reagem à troca de ofensas no ambiente digital? Como definirão quem são os denunciantes confiáveis?

Os advogados também apresentaram a evolução do conceito de discurso de ódio e as diferentes matrizes de pensamento. Nos EUA, é o efeito do discurso que mostra se ele é de ódio; na Alemanha, é a característica do discurso que permite sua remoção.

No Brasil o grupo da FGV examinou 67 decisões judiciais sobre o tema, a maioria oriunda de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Os exemplos apresentados mostram decisões bem justificadas.

O Centro pretende lançar um e-book com o ferramental para identificar discursos de ódio, com lançamento previsto para o final de 2018.

O Instituto Brasil Israel

David Diesendruck, presidente do Instituto, apresentou os motivos da criação do Instituto, em 2016:

“Como Abrahão, devemos tomar o destino em nossas próprias mãos. Não podemos ter medo de falar, nem apenas reagir à agenda imposta pelo outro lado. Devemos propor a nossa agenda, de tolerância”, 
atuando nas redes sociais, universidades e imprensa.

“Um debate recente com BDS e PSOL, realizado em São Paulo, mostrou como alguns deles – no caso, membros do PSOL – podem mudar de posição com relação ao conflito israelo-palestino”, acrescentou.

“Como afirmou o presidente da Conib nesta Convenção, nossa postura será construtiva”, explicou.

Os participantes da Convenção foram divididos em três dinâmicas de grupo para definir formas de atuação do IBI com respeito a três grandes temas: as comemorações dos 70 anos de Israel, as universidades e as redes sociais.

Fontes de Apoio e Agradecimentos Especiais: Conib e Federação Israelita de São Paulo.

Obrigado Pela Leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom!!!

 

 

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Judiarias Portuguesas Reencontro ao Passado! Shalom!!!

Lisboa,Portugal, Bairro do Rossio ( Foto Ministério Do Turismo ) 

 

 

Maringá, 14 de Novembro de 2o17 .

Jerusalém, 25 de Heshvan de 5778 .

 

Portugal, Um Pais Com a Marca Judaica em Todos as Áreas ! Shalom!!!

Judiarias portuguesas: um reencontro com o passado

 

Portugal está-se reconciliando com seu passado judaico. Os primeiros passos nessa direção foram dados em 1989, quando Mário Soares, então presidente da República, pediu perdão, simbolicamente, pelas perseguições que os judeus sofreram no país durante os mais de 300 anos de existência do Tribunal da Inquisição e quase 500 desde o Decreto de Expulsão da população judaica, de 1496, assinado pelo então rei D. Manuel I.

Edição 97 – Setembro de 2017


Em dezembro de 1996, no Parlamento, durante a Sessão Evocativa desse decreto, foi votada, por unanimidade, a sua revogação simbólica. Virava-se, assim, uma página no relacionamento mútuo e se iniciava um processo contínuo de reconhecimento e reconstrução da presença judaica e sua influência no país. No ano 2000, o então cardeal-patriarca de Lisboa, Dom José Policarpo, fez o mesmo pedido de perdão
aos judeus.

Uma “Estrela de David” localizada em frente à Igreja de São Domingo, na Praça do Rossio, em Lisboa, chama a atenção por sua inscrição: “Em memória dos milhares de judeus, vítimas da intolerância e do fanatismo religioso, assassinados no massacre iniciado em 19 de abril de 1506, neste largo”. O memorial foi inaugurado em 2008 para lembrar uma das mais trágicas páginas da história dos judeus em Portugal: o assassinato de mais de dois mil “cristãos-novos” –judeus convertidos à força, em 1497, por uma ordem real. Durante três dias – o massacre começou no domingo de Páscoa – frades dominicanos incitaram ataques aos cristãos-novos. É importante lembrar que o Tribunal do Santo Ofício, implantado em Portugal em 1536, foi extinto em 31 de março de 1821. Durante 285 anos, perseguiu e condenou aqueles considerados “hereges”, um termo que acabou incluindo seguidores de outras religiões que não a católica, tendo jurisdição sobre todas as colônias do país.

Dentro dessa perspectiva de reconciliação, em março de 2011 foi lançada a Rede de Judiarias de Portugal – Rotas de Sefarad, uma iniciativa do governo em parceria com o setor privado, cujo objetivo é a preservação do patrimônio urbanístico, arquitetônico, histórico e cultural da herança judaica no país, visando implementar, também, o turismo. Com sede em Belmonte, a Rede congrega 37 municípios, incluindo Lisboa e Porto.

Mais um fato que reforça a nova postura das autoridades data de fevereiro de 2015, quando foram aprovadas novas regras que alteraram o Regulamento da Nacionalidade Portuguesa, permitindo a concessão da nacionalidade aos descendentes de judeus sefaraditas expulsos. Ao anunciar a medida, a então ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, afirmou que a nova lei era o “reconhecimento de um direito”.

O decreto foi promulgado pelo então presidente Anibal Cavaco Silva, publicado no Diário da República de
27 de fevereiro de 2015, entrando em vigor em 1º de março. Atualmente, cerca de três mil judeus vivem em Portugal. Lisboa, Porto e Belmonte são as cidades que concentram maior população judaica, sendo que a maior sinagoga da Península Ibérica está instalada no Porto.

De 20 de março a 29 de abril deste ano, o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, sediou a exposição “Heranças e Vivências Judaicas em Portugal”, organizada pela Rede de Judiarias. A partir de maio, a mostra foi levada a todas as cidades e povoados que integram a Rede, começando por Bragança, na região de Trás-os-Montes, no norte de Portugal.

Mais um fato que confirma o resgate da história da presença judaica no país é a construção e inauguração nos próximos meses, em Lisboa, do Museu Judaico, no Largo de São Miguel, bairro da Alfama, local que abrigou a mais importante comunidade da Lisboa Medieval, que chegou a ter três judiarias.

A atual sinagoga “Shaare Tivká” foi inaugurada em 1904, sendo, atualmente, a sede da Comunidade Israelita de Lisboa. Durante a 2ª Guerra Mundial, a capital portuguesa foi refúgio de milhares de judeus que fugiam do nazismo.

As Judiarias

Não há consenso sobre a data na qual os judeus chegaram em Portugal. Segundo alguns historiadores, vieram com os primeiros fenícios pelo Mediterrâneo, no tempo do Rei Salomão. No entanto, as primeiras referências documentais estão datadas do século 12, quando precisavam de uma autorização emitida pelo bispo do Porto para lá se instalar.

O período entre os séculos 12 e 16 foi testemunha da forte presença judaica no país. Até final do século 14 não havia por parte dos monarcas portugueses a preocupação em separar geograficamente os cristãos dos judeus. No entanto, a partir dessa data, nas cidades e vilas medievais de Portugal, os judeus tornaram-se obrigados a viver em áreas determinadas pela realeza, que passaram a ser conhecidas como “judiarias”. O objetivo era evitar a “influência” judaica sobre os cristãos. Nelas eles construíam suas casas, sinagogas, açougues e procuravam manter suas tradições.

Inúmeras comunidades viram sua população aumentar, a partir de 1492, com o Édito de Expulsão da Espanha. A maioria dos judeus que decidiram que era melhor deixar a Espanha do que se converter foram para Portugal. Tanto eles quanto mais tarde os conversos que queriam fugir do Tribunal da Inquisição espanhol entraram em terras portuguesas pelo norte do país. As judiarias mais importantes estavam nessa região. Em cidades como Guarda, Trancoso, Castelo Rodrigo, Celorico da Beira, Almeida, Foz Côa, Pinhel, Linhares e Belmonte muitas casas ainda guardam marcas e símbolos nos umbrais e janelas, indicando que ali, um dia, viveram judeus. Porto, Coimbra, Castelo de Vide, Tomar e Lisboa também tiveram suas judiarias, cujos resquícios ainda podem ser vistos.

Belmonte

Os judeus de Belmonte – terra de Pedro Álvares Cabral – têm uma história singular. Em 1497, ao recusar-se a sair do reino, tornaram-se conversos, anussim. Vivendo isolados no povoado, secretamente se mantiveram fieis ao judaísmo durante mais de cinco séculos. A judiaria estendia-se entre as atuais ruas da Fonte da Rosa e Direita.

O estilo de vida judaica em Belmonte e em outras judiarias refletiu-se na arquitetura das residências da comunidade. De modo geral, no térreo estava a oficina ou a loja e, no primeiro andar, a moradia, razão pela qual as casas possuíam duas portas com acessos separados para cada um dos andares. As portas e janelas eram assimétricas. Ao percorrer as ruas Direita e Fonte da Rosa se pode ver nos umbrais marcas na pedra, geralmente pequenas cruzes, indicando que ali vivia um cristão novo. Tais casas eram chamadas “Casas das cruzes”.

Somente em 1989, após um processo de conversão, os anussim de Belmonte retornaram efetivamente ao judaísmo. Importante ressaltar que, diferentemente de outros anussim, os conversos de Belmonte tinham comprovadamente casado entre si durante centenas de anos. Sua volta ao judaísmo foi realizada sob os cuidados do Grão-Rabino de Israel, o Rishon Letsiyon Rav Mordechai Eliyahu zt’L’.

Nessa ocasião foifundada, oficialmente, a Comunidade Judaica de Belmonte. Em 1996, foi inaugurada a Sinagoga Beth Eliahu. Um projeto do arquiteto Neves Dias, tem nas portas imagens da Estrela de David, de uma menorá, e inscrições em hebraico. Um rabino costuma ir à cidade para a celebração das festas judaicas. Em 2001, foi inaugurado o cemitério judaico e, em 2005, na Rua da Portela, o Museu Judaico – atualmente em obras – cujo acervo conta a história dos judeus portugueses, sua integração na sociedade medieval, os rituais e costumes das comunidades. Mais um fato importante foi a abertura do primeiro hotel casher de Portugal, o Belmonte Sinai Hotel, em um antigo edifício totalmente restaurado no centro da cidade.

Porto

A história da comunidade judaica no Porto mescla-se à da própria cidade, mas atualmente há poucos vestígios marcantes do passado judaico. No entanto, é no Porto que está situada a maior sinagoga da Península Ibérica – a Sinagoga Kadoorie Haim, inaugurada, em 1938, a poucos metros do Colégio Alemão. Foi assim denominada em homenagem à família Kadoorie, natural de Hong Kong, cujos antepassados eram judeus portugueses e foi a responsável pela doação que permitiu a finalização da obra. A sinagoga inclui um museu, uma mikvê, salas de estudos e biblioteca.

A cidade teve três judiarias: a Judiaria Velha, a Judiaria de Monchique e a Judiaria de Nova Olival. Historiadores acreditam, pelos indícios encontrados, que Porto chegou a ter quatro sinagogas. A Judiaria Velha localizava-se dentro da Muralha Primitiva, no Morro da Pena Ventosa ou da Sé. Há indícios da existência de duas sinagogas nessa área, uma na chamada Rua da Sinagoga, antiga Rua das Aldas e atual Rua da Sant’Ana; e outra, datada do século 14, na Rua da Munhata, ou Minhota, atual Rua do Comércio do Porto, que funcionava na loja de um marinheiro judeu.

A Judiaria de Monchique, localizada fora da muralha da antiga cidade, era a mais importante do Velho Porto e arredores. A sinagoga centralizava toda a vida comunitária. Sua existência é comprovada por uma inscrição encontrada, no século 19, na parede ocidental das ruínas da capela do Convento de Monchique. O texto faz alusão ao rabino-mor do rei D. Fernando – D. Yehudah ben Maner (ou D. Yehudah ben Moise Navarro ) – e ao responsável pela obra, possivelmente o então rabino do Porto, D. Joseph ibn Arieh (ou D. Joseph ben-Abasis).

No fim do século 14 foi criada a Judiaria de Olival, que ocupava cerca de 4% da área total da cidade na época e ficava entre as atuais Rua de Belomente (ao Sul), Rua das Taipas (a Oeste e Noroeste) e a Rua dos Caldeireiros (ao Leste).

O rei D. João I, ao passar pela cidade, em 1386, determinou que todos os judeus morassem em uma mesma região, dentro das muralhas. Na mesma época, surgiam guetos em toda a Europa. Segundo as determinações reais, os judeus não poderiam sair, nem cristãos entrar, à noite. Os limites da judiaria foram marcados por altos muros e dois portões de ferro maciço, enfeitados por símbolos judaicos – um ao Norte, o Portão Olival, e outro ao Sul, voltado para as atuais Escadas da Vitória, chamadas na época de Escadas da Esnoga (palavra ainda hoje usada para indicar “sinagoga” entre judeus de origem marroquina, muito provavelmente oriundos de Portugal).

Em 1492, 30 famílias espanholas ilustres, lideradas por Rabi Isaac Aboab II, instalaram-se na Judiaria Olival por ordem do rei D. João II. Posteriormente, muitas outras famílias vindas da Espanha encontraram abrigo em terras portuguesas. Na época da promulgação do Édito de Expulsão de Portugal assinado por D. Manuel I, os judeus representavam cerca de um quinto da população do país.

No Porto, em 2005, por trás de uma parede falsa, no número 9 da Rua São Miguel foi descoberto um Hechal (como os judeus sefaraditas chamam o Aron ha-Kodesh), fato que comprova que, apesar das conversões e do medo, muitos conversos continuaram a praticar o judaísmo em segredo. Feito de granito, o Hechal data aproximadamente, do final do século 16 e início do 17.

Castelo de Vide

Castelo de Vide é uma parada obrigatória para quem tem interesse na herança judaica portuguesa. Da presença dos judeus na cidade resta, entre outros, o edifício onde se acredita existiu a Sinagoga Medieval. A judiaria desenvolveu-se principalmente ao longo das ruas da Fonte, do Mercado, do Arçário, do Mestre Jorge, da Judiaria, da Ruinha da Judiaria, da atual Rua dos Serralheiros e da Rua Nova. Próxima à fronteira espanhola, Castelo de Vide também serviu de abrigo para os judeus fugidos da Espanha.

A judiaria ainda mantém alguns elementos característicos do passado: as portas em arcos, tanto para moradias quanto para oficinas ou lojas (algumas decoradas com símbolos das profissões de seus proprietários), e as velhas calçadas. O edifício identificado como Sinagoga Medieval localiza-se na confluência da Rua da Judiaria com a Rua da Fonte. Possui dois níveis – no segundo está o que se acredita ter sido o local do Hechal, aArca Sagrada. Também na Sinagoga de Castelo de Vide existe um espaço onde, segundo a tradição popular, funcionou uma escola. O local está aberto à visitação e abriga um museu sobre a história dos judeus em Portugal. O Hechal só foi redescoberto na década de 1970.

No século 18 o espaço foi adaptado para ser uma residência, mas foi reconstruído como sinagoga em 1972. Na porta de acesso ao segundo piso há uma pequena cavidade identificada como “a marca da mezuzá”. A cidade possui hoje uma pequena comunidade, em sua quase totalidade formada por descendentes dos judeus que durante séculos viveram seu judaísmo secretamente.

Tomar

Tomar é considerada uma relíquia da época dos Templários. Foi ali que a famosa Ordem dos Cavalheiros Templários construiu seu quartel general, enquanto uma próspera comunidade judaica se desenvolvia entre os séculos 14 e 15. A judiaria cresceu ao longo da Rua Dr. Joaquim Jacinto e a sinagoga daquela época sobreviveu durante séculos. Atualmente sedia o Museu Abraham Zacuto, declarado monumento nacional em 1921.

Ali estão expostos fragmentos de colunas, textos, documentos e objetos relacionados aos diversos aspectos da vida judaica de então. Escavações revelaram a existência de um sistema de aquecimento de água e um espaço para banhos rituais, o qual se acredita fosse a antiga mikvê.

A Sinagoga de Tomar encontra-se em pleno centro histórico da cidade e é o único exemplo no país da arquitetura judaica da época. A sala destinada às orações é quadrada, com piso inferior em relação à rua. Possui três naves semelhantes às de outras sinagogas sefaraditas quatrocentistas. O teto em abóbada apoia-se em quatro colunas, com capitéis enfeitados com motivos geométricos e da natureza. A disposição desses elementos encerra um significado simbólico: as 12 tribos de Israel e as quatro matriarcas: Sara, Rebeca, Lea e Raquel.

A origem da comunidade judaica de Tomar remonta provavelmente ao início do século 15. Seu rápido crescimento demográfico levou à criação de uma judiaria, cujas portas se mantinham fechadas entre o pôr e o nascer do sol. A Rua da Judiaria, como passou a ser conhecida, ficava nos cruzamentos das Ruas do Moinho e Direita. A população judaica de Tomar, em meados do século 15, era de 150 a 200 pessoas; após a vinda dos judeus espanhóis a comunidade passou a representar de 30 a 40% do total de habitantes da vila.

Com o crescente número de judeus construiu-se, então, uma sinagoga, por ordem do Infante D. Henrique. Em 1496, a judiaria da vila, à semelhança de todas as outras do reino, foi abolida, sendo também fechada sua sinagoga. A rua tornou-se então conhecida como Nova. Muitos cristãos-novos deixaram o bairro, que passou a ser ocupado pelos cristãos-velhos.

Em 1516 a sinagoga tornou-se a cadeia pública. Entre os finais do século 16 e início do 17, o local foi reformado e transformado na Igreja de São Bartolomeu. No século 19, foi usada como palheiro e, em 1920, como adega e armazém. No ano seguinte, o edifício foi classificado como Monumento Nacional e, em 1923, adquirido pelo judeu polonês Samuel Schwarz, que financiou sua restauração. Em 1939, ele doou o edifício ao Estado, sob a condição de ali ser instalado um museu luso-judaico.

Além das mencionadas neste artigo, a Rede de Judiarias inclui as cidades de Alenquer, Almeida, Bragança, Castelo Branco, Cascais, Covilhã, Elvas, Évora, Figueira de Castelo Rodrigo, Fomos de Algodrez, Freixo Espada à Cinta, Fundão, Gouveia, Guarda, Idanha-A-Nova, Lamego, Leiria, Lisboa, Manteigas, Mêda, Moimenta da Beira, Penamacor, Penedono, Pinhal, Porto, Reguengos de Monsaraz, São João da Pesqueira, Sabugal, Seia, Torre de Moncorvo, Torres Vedras, Trancoso, Vila Nova Foz Côa e Vila Nova de Paiva. Em cada uma, às vezes mais, às vezes menos visíveis, estão guardadas as lembranças da pujante vida judaica que floresceu em terras portuguesas entre os séculos 13 e início do 16. As trevas que envolveram mais de 500 anos dessa história estão desaparecendo para dar lugar a uma nova visão sobre o período. Percorrer as ruas das judiarias é um sem fim de descobertas e um infinito aprendizado sobre um capítulo sombrio da História da Humanidade, marcado pela intolerância, pelo ódio e pela violência

BIBLIOGRAFIA

Silva, César Santos, Na Rota dos Judeus
no Porto, 2014,
 Editora Cordão da Leitura, Portugal

 

www.redejudiariasportugal.com

Obrigado pela leitura! 

Fonte de apoio & Agradecimentos Especiais: Revista Morashá de Cultura, ”  Judaísmo Virtual  ” – Acesse: www.morasha.com.br 

Pesquisa, tradução e edição:  Vital Ben Waisermman, Shalom!!!

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Formação na IDF Israel Army, Shalom!!!

 

 

 

 

Dois Tempos de Chaim Meisels: Foto Israel National News 

Maringá, 13 de Novembro de 2017 .

Jerusalém, 24 de Heshvan de 5778 .

O que Importa no Fundo e Servir a Israel , Independente da Função Ou Frente! B”H!

 

O bisneto do líder maior da seita hassídica do mundo, a Satmar, se formou esta semana na Escola de Oficiais das IDF (Israel Defense Forces) e será comandante de pelotão na Brigada Golani.

Em post no Facebook que viralizou em Israel, Chaim Meisels escreveu sobre a longa jornada que o levou da comunidade ortodoxa fechada de sua juventude para o Exército.

“Cresci como uma criança haredi em Brooklyn, Estados Unidos. Tinha a sensação de que faltava algo, mas não sabia o quê. Minha primeira visita a Israel foi aos 11 anos. Descobri o Estado de Israel, um Estado judeu”.

“Quando voltamos para Brooklyn, alguns dias depois, senti-me outra pessoa”, prosseguiu. “De repente, havia algo com que eu me conectava. Mas, como sou bisneto do Rebe Satmar, e a comunidade em que cresci não apoia Israel, não tinha ninguém com quem falar”.

“Voltei a Israel novamente, aos 15 anos, desta vez para estudar em uma ieshivá em Bnei Brak. O único idioma em que eu falava na época era o iídiche. Quando voltei aos Estados Unidos, um ano depois, comprei um celular com internet – o que é proibido em uma ieshivá-, decidi aprender inglês, aprender sobre Israel e o mundo”.

“Aos 17 anos de idade, percebi que queria sair do mundo haredi. (…) Decidi recorrer ao Rebe, para dizer-lhe que há anos eu não mais observava o Shabat”.

“A resposta dele foi que eu havia chegado a esse ponto, porque ainda não estava casado. (…) “Duas semanas depois, fui apresentado a uma menina. Concordei em casar com ela depois de 50 minutos de conversa. Ficamos noivos naquela noite “, lembrou Meisels.

“Alguns meses depois, casei. Mas logo percebi que não estava realmente com ela. Eu pensava no Estado de Israel, enquanto refletia sobre o que o Rebe havia dito”, ​​continuou.

Pouco tempo depois, “minha esposa me disse que estava grávida. Fiquei feliz, muito animado, até que lentamente comecei a pensar sobre o que fiz. Como poderia criar um filho haredi em um mundo com o qual não concordo?”

“Pensei muito e decidi partir. Separei-me da minha esposa e da comunidade, e a maior parte da minha família me deserdou”, recordou.

“Encontrei um bom trabalho. Comecei a vida do zero e, como uma criança pequena, aprendi a me vestir (com roupas que não eram preto e branco) e a falar com as pessoas”.

“Em 2014, quase um ano depois de sair da comunidade onde cresci, decidi que queria me alistar nas IDF. Registrei-me para emigrar para Israel, mas me disseram que, por eu ter 19 anos e ser divorciado, não seria chamado para o Exército “, escreveu Meisels.

Mas ele conseguiu: chegou à Brigada Golani, um grupo de elite.

“Rivka, minha filha, já tem quatro anos”, revelou. “A família dela não nos deixa manter contato, porque não sou haredi. Espero que um dia, quando ela crescer, poderemos retomar o relacionamento, e poderei explicar-lhe por que tive que deixá-la e vir para Israel. Explicar-lhe que escolhi uma vida diferente daquela que ela conhece”.

“Escolhi um caminho no judaísmo que é diferente do deles – um judaísmo no qual estabelecer e defender o Estado judeu é tão importante quanto aprender Torá “, concluiu Meisels.

 

Obrigado pela leitura!

Fonte De Apoio E Agradecimentos Especiais: Israel National News.

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom! 

 

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Ensino Superior Israel, Abre Vagas e Bolsas! Shalom!

Vista Da Moderna e Exuberante Universidade de Haifa-Israel ( Foto Divulgação )

Maringá 11 de Novembro de 2017 .

Jerusalém, 22 de Heshvan de 5778 .

 Agência Judaica abre inscrições para prova de admissão no ensino superior em Israel

A Agência Judaica no Brasil está organizando em São Paulo e no Rio de Janeiro uma prova psicométrica para admissão no ensino superior em Israel, que é realizada tanto por jovens israelenses quanto de outras nacionalidades. As inscrições se encerrarão em 16 de fevereiro. A prova, realizada pela quarta vez no Brasil, acontecerá no dia 5 de julho. Jovens a partir de 15 anos podem fazer o teste, que será em português. Será avaliada a capacidade nas áreas de raciocínio verbal, quantitativo e inglês. A prova será realizada simultaneamente em Israel, o que permitirá também aos jovens brasileiros que se encontram lá fazê-la. Centenas de jovens brasileiros da comunidade judaica de todo o Brasil   fizeram o exame nos últimos dois anos, e dezenas deles já estão estudando em Israel, nas várias

universidades. O resultado do exame tem validade de no mínimo sete anos e, dependendo da instituição em Israel, até 10 anos. Para aqueles que moram no Rio e São Paulo, haverá aulas preparatórias – sobre as quais a Agência Judaica informará posteriormente. Para participantes de todo o Brasil, serão enviados como auxílio ao preparo testes anteriores. Para os jovens que estão considerando fazer Aliá e estudar em Israel, o governo de Israel oferece um pacote de benefícios com bolsas de estudos.

Obrigado pela leitura! 

Shabat Shalom Lé Kulam – Paz No Sábado Hà Todos! 

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom !  B”H! 

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Declaração de Balfour. Shalom!

Foto – Lord Arthur Balfour em Jerusalém, em 1925.

 

Maringá, 09 de Novembro de 2017 .

Jerusalém, 20 de Heshvan de 5778 .

 

Declaração Balfour – o centenário de um marco

Por  Zevi Ghivelder

Há 100 anos, no dia 2 de junho de 1917, o Ministro das Relações Exteriores do império britânico, Lord Arthur Balfour, emitiu um documento que se tornou um marco histórico e que foi consagrado para a posteridade como Declaração Balfour. Apesar do nome pomposo, trata-se, na verdade, de uma carta simples e concisa endereçada ao barão Walter Rothschild,  um dos principais líderes da comunidade judaica da Inglaterra.

 


Esta carta transcendeu na medida em que foi o primeiro passo para a autenticação do sionismo, tal como o objetivo desse movimento o havia formulado em seu primeiro Congresso Mundial, realizado vinte anos antes, na Suíça.

O texto de Balfour dizia o seguinte: “Caro Lord Rothschild. Tenho o prazer de endereçar a V.S., em nome do governo de Sua Majestade, a seguinte declaração de simpatia quanto às aspirações sionistas, declaração submetida ao gabinete e pelo mesmo aprovada. O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu e empregará todos os seus esforços no sentido de facilitar a realização desse objetivo, entendendo-se claramente que nada será feito que possa atentar contra os direitos civis e religiosos das coletividades não judaicas existentes na Palestina, nem contra os direitos e o estatuto político de que gozam os judeus em qualquer outro país. Desde já, declaro-me extremamente grato a V.S. pela gentileza de encaminhar esta declaração ao conhecimento da Federação Sionista”.

O signatário da carta, Lord Arthur James Balfour, nasceu no dia 25 de julho de 1848 em Whittingehame, Escócia, tendo ocupado durante 50 anos uma rara posição de poder dentro do Partido Conservador britânico.

Depois de sua formação em Eton e Cambridge, incursionou na política. Bem sucedido, foi Primeiro-ministro de 1902 a 1905 e Chanceler de 1916 a 1919, um período difícil por causa dos desdobramentos da Primeira Guerra Mundial. Balfour descendia de uma família muito rica, recheada de intelectuais e proeminentes homens públicos. Entrou para a política durante os dois mandatos de Lord Salisbury, seu tio, sendo então nomeado Secretário para a Escócia e depois para a Irlanda, com assento no gabinete. Mais tarde foi líder de seu partido na Câmara dos Comuns, onde comandou a oposição durante o mandato de Lord Gladstone.

Ao buscar a aprovação do Gabinete do governo comandado pelo Primeiro-ministro David Lloyd George para a carta que pretendia endereçar a Rothschild, o Chanceler se valeu de diferentes argumentos. Primeiro, abordou o apoio ao sionismo que se multiplicava, conforme afirmou, nas comunidades judaicas de todas as partes do mundo. Mas, a bem da verdade, os estudiosos afirmam que o sionismo, naquela época, ainda não empolgara as massas judaicas. O historiador e jurista americano David Fromkin escreve em um de seus trabalhos que, em 1913, apenas 1% do mundo judeu se identificava com o movimento sionista e diz ainda que em 1919, ou seja, já depois da Declaração Balfour, o sionismo atraía uma pequena parcela dos judeus americanos. Isto se devia, conforme acrescenta, ao repúdio da alta classe média judaica a qualquer forma de nacionalismo, tal como doutrinado pelos líderes do sionismo.

A par disso, Balfour argumentou para o Gabinete que a influência judaica nos acontecimentos mundiais não podia ser ignorada – certamente um exagero, porque essa influência era mínima. Para reforçar sua tese, discorreu que na então recente revolução russa havia grande quantidade de militantes judeus, que, com toda a certeza, seriam membros do governo que Lenin estava formando. Portanto, seria de todo interesse da Inglaterra manter boas relações com o futuro estado soviético. Como se não bastasse essa suposição relativa aos bolcheviques, também existia nos círculos oficiais britânicos a noção de que os judeus estavam por trás do imperialismo na Alemanha e até mesmo nos bastidores do império otomano, que os aliados da Primeira Guerra Mundial combatiam.

O historiador Sydney Zebel escreveu que Balfour exagerava quanto à presença judaica na revolução russa, bem como superestimava o poder dos judeus americanos. Contudo, apesar das especulações feitas por inúmeros analistas e historiadores, o fato é que Lord Balfour compreendia e endossava os propósitos da causa sionista. Em suas memórias, Chaim Weizmann escreve que, num encontro com Balfour, em 1914, falou-lhe sobre as agruras sofridas pelos judeus do Leste europeu, o que deixou Balfour com lágrimas nos olhos. Uma sobrinha de Balfour, chamada Blanche Dugdale, escreveu: “Perto do fim de seus dias, ele me disse que considerava o que tinha feito pelos judeus o momento mais valioso de sua vida”. Esse sentimento foi recíproco. Quando Balfour faleceu, no dia 19 de março de 1930, sua família recebeu milhares de mensagens de afeto e conforto de judeus de todas as partes do mundo.

A emblemática carta de Balfour foi endereçada a Lionel Walter Rothschild, segundo Barão Rothschild de Tring, nascido em Londres no dia 8 de fevereiro de 1868, neto de Mayer Amschel Rothschild (1744-1812), o grande patriarca da dinastia. Foi o próprio Chaim Weizmann, embora presidente da Federação Sionista da Inglaterra, quem sugeriu que Lord Walter fosse o destinatário da carta, porque sendo a mesma enviada a um membro da família Rothschild, seu conteúdo ganharia maior relevância na percepção internacional. Walter começou seus estudos de Zoologia na Universidade de Bonn, na Alemanha, e completou-os em Cambridge. Desde adolescente já possuía uma impressionante coleção de insetos e pássaros, que foi sendo aumentada, ao longo dos anos, na mansão de seu pai, na localidade de Tring, 50 quilômetros a noroeste de Londres. Apesar de sua consagrada especialidade na Zoologia, foi trabalhar no banco do pai, Nathan Mayer, deixando uma equipe para cuidar de sua coleção, depois transformada num museu aberto ao público em 1892. Lord Walter atuou no Parlamento britânico de 1899 a 1910 como membro do Partido Conservador, ao mesmo tempo em que se envolveu nas atividades da comunidade judaica, com ênfase no movimento sionista. Ele foi membro de diversas sociedades científicas mundo afora e deixou publicados dezenas de trabalhos nos campos da Biologia e da Zoologia. O Barão Walter Rothschild faleceu no dia 2 de agosto de 1937.

Por trás do emitente e do recipiente da Declaração Balfour avultava a figura de um homem dotado de qualidades extraordinárias, o futuro primeiro Presidente do Estado de Israel, Chaim Weizmann. Ele nasceu no dia 27 de novembro de 1874, numa isolada aldeia chamada Motal, hoje na Bielorrússia, cuja população constava de 500 famílias cristãs e 200 famílias judaicas. As casas naquele fim do mundo eram todas feitas de madeira, inclusive as duas sinagogas, a nova e a velha. A primeira era frequentada pelos mais ricos e a segunda pelos mais pobres. O pai de Chaim costumava rezar na velha, mas às vezes era convidado para a nova, onde atuava como chazan (cantor litúrgico).

Em sua autobiografia, Weizmann assim se lembra dos pais: “Minha mãe estava sempre grávida, sempre amamentando uma criança. Ela deu à luz 15 filhos. Dizia que era esta a sua missão como mulher judia. Recordo-me do meu pai conduzindo as orações na sinagoga. Sua voz ainda ecoa em minha memória quando me sinto triste ou solitário”.

Quando Weizmann tinha 11 anos de idade, a família se mudou para a cidade de Pinsk, perto da fronteira com a Ucrânia, que, aos olhos do menino, dava a impressão de uma grande metrópole. Ali fez o Ensino Médio e, em seguida, com um mínimo de dinheiro, foi estudar Química na Alemanha, depois na Suíça, e por fim com maior extensão na Inglaterra. Weizmann estava em Berlim, em 1896, quando ele e seus amigos tomaram conhecimento da publicação de um livro com poucas páginas, intitulado “O Estado Judeu”, da autoria de um jornalista de Viena chamado Theodor Herzl. Anos mais tarde escreveu: “A rigor, o livro não continha nenhuma novidade para mim e meu grupo. Mas, o efeito produzido pelo livro foi profundo. Não tanto por suas ideias, mas pela personalidade de quem havia escrito aquele texto com tamanha audácia, clareza e energia”.

Então com 23 anos de idade, Weizmann não pôde comparecer ao Primeiro Congresso Mundial Sionista, na Basiléia, por absoluta falta de recursos. Só conheceu Herzl pessoalmente no ano seguinte, por ocasião do Segundo Congresso, também na Basiléia: “Havia nele uma grande autenticidade e um toque de patético. Achei que se propunha realizar uma tarefa de tremenda magnitude, mas sem um preparo adequado. Tinha grande talento e também ótimas relações. Porém, isso não bastava. À medida que melhor o fui conhecendo, em sucessivos congressos, meu respeito por ele foi-se confirmando e aprofundando. Era poderoso em sua crença de que havia sido designado pelo destino para realizar sua obra gigantesca”. No Congresso realizado em 1901, três anos antes da morte de Herzl, ele entrou em acalorada polêmica com o próprio Herzl e com os delegados que estavam propensos a aceitar a implantação de um estado judeu em Uganda. O projeto agradava aos bem mais velhos porque assim teriam a oportunidade de ver um Estado judeu independente enquanto ainda vivessem. Weizmann se opôs à ideia de Uganda e, a esse respeito, deixou uma frase definitiva: “Não há sionismo sem Sion”.

Depois daquele Congresso, Weizmann radicou-se em Londres, de onde se deslocou por algum tempo para Genebra com a finalidade de completar seu doutorado em Química. No regresso a Londres, em agosto de 1914, a par de suas intensas atividades científicas, empenhou-se junto à comunidade judaica local para dar estrutura à Federação Sionista da Inglaterra. Foi nessa época que ofereceu ao Gabinete britânico, empenhado no esforço de guerra, um projeto para a produção de acetona através de fermentação bacteriana, o que já havia conseguido em pequena escala em seu laboratório. Perguntaram-lhe se poderia fazer o mesmo em grande escala. Aceitou o desafio e apresentou um plano para a construção de uma usina. Assim, seguindo suas instruções, foram erguidas indústrias de acetona no Canadá, Inglaterra, França e Estados Unidos. Essa acetona era fundamental para que a Inglaterra pudesse incrementar sua fabricação de bombas que não expeliam fumaça e, portanto, essenciais para a visão dos militares britânicos nas batalhas navais. No final da guerra, Weizmann foi chamado ao Alto Almirantado, comandado por Winston Churchill, que lhe disse: “O senhor fez um trabalho excepcional para nosso país e pretendo pedir a Sua Majestade que lhe conceda uma condecoração”. Weizmann respondeu: “Não quero nada para mim, mas gostaria de pedir algo para o meu povo”. Nos meses seguintes, Weizmann foi dando pormenores para Churchill e outros membros do Gabinete sobre a sua pretensão que consistia em obter do governo do Império algum tipo de manifestação favorável ao sionismo. E esta acabou se concretizando através da Declaração Balfour.

Arthur Balfour, Walter Rothschild e Chaim Weizmann: este foi o tripé que protagonizou a Declaração Balfour. Mas, junto com esses homens, houve mais um, Nahum Sokolow, hoje injustamente esquecido, que foi fundamental para o êxito sionista. Ele nasceu em 1865, na pequena cidade de Wiszogrod, Polônia. A seu respeito, Chaim Weizmann, conhecido por sua cautela nos elogios, escreveu: “Foi um sionista notável, um gênio, extraordinariamente versátil, frio sob pressão, prolífico de forma espantosa e incansável trabalhador; só lhe fazia duas reservas: era um tanto desorganizado e, talvez, por demais conciliador”. A família de Sokolow se mudou, quando ele ainda era pequeno, para a cidade de Plotzk onde, desde cedo, ganhou fama de criança prodígio. Descendente de ilustres rabinos, o jovem frequentou aulas de uma série de talmudistas e, ao mesmo tempo, dedicou-se ao estudo de Ciências e idiomas. Adolescente, sabia escrever em hebraico, iídiche, alemão, polonês e inglês. Apesar de ter crescido em ambientes rudes, mantinha sempre uma postura elegante e um ar de sofisticação. Isto lhe serviria no futuro para que viesse a se desincumbir como um verdadeiro diplomata sionista.

Depois do casamento com Regina Segal, em 1880, o jovem casal foi para Varsóvia, onde Sokolow passou a escrever uma coluna no jornal Ha-Zefirah, publicado em hebraico, no qual assumiria a condição de editor-chefe. Foi nessa função que cobriu o Primeiro Congresso Mundial Sionista na Basiléia, tendo-se tornado um ardente admirador de Theodor Herzl. Em seguida, dedicou-se a traduzir para o hebraico o romance de Herzl, “Nova Velha Pátria”. Em 1906, passou a trabalhar na Organização Mundial Sionista. Fundou um semanário em hebraico chamado Haolam e, sete anos depois, passou a ter um assento no Executivo da Organização. Pelas obrigações desse posto, passou a viajar intensamente por diversos países da Europa e chegou a Nova York, em 1913, com a missão de agitar a militância sionista. Ali fez amizade com o judeu Louis Brandeis, Juiz da Suprema Corte americana, e com Henrietta Szold, fundadora do movimento sionista feminino Hadassah. Foi para Londres no ano seguinte, quando a Primeira Guerra já estava em curso. Naquele ano, tendo em vista o envolvimento otomano na guerra, os sionistas ficaram mais otimistas. Julgavam que, caso os turcos fossem derrotados pelos aliados, aumentaria a chance de os judeus reivindicarem a Palestina, subjugada pelo Império Otomano desde o início do século 16.

Em maio de 1917, numa iniciativa audaciosa, Sokolow consegue marcar uma audiência no Vaticano com o Papa Benedito XV, empossado havia apenas três anos. Instado por Sokolow, o Papa declarou ver com grande simpatia o retorno dos judeus à Terra Santa e pediu que respeitassem e protegessem os lugares santos cristãos em Jerusalém. No fim da audiência perguntou: “O que posso fazer por vocês”? Sokolow respondeu: “Queremos nada mais do que o seu apoio moral”. Ao que o Papa aduziu: “Sim, creio que seremos bons vizinhos”. De volta a Londres, tomou conhecimento de que Lord Balfour havia pedido aos líderes sionistas que lhe dessem por escrito o que os judeus pretendiam do governo britânico. Coube, então, a Sokolow redigir o rascunho do que viria a ser a futura Declaração, com destaque para o fato de ter cunhado uma expressão que, no decorrer de muitos anos, tornou-se um mantra: “lar nacional”. Em fevereiro de 1919, já extinta a Primeira Guerra, Sokolow compareceu à Conferência de Paz, em Versalhes, perto de Paris, na qual fez uma vigorosa apresentação da causa sionista. Dois anos depois assumiu a posição oficial de representante da Organização Sionista Mundial na Liga das Nações. Nos anos seguintes, foi duas vezes à Palestina e continuou percorrendo diversos países da Europa e novamente viajou para os Estados Unidos. No 17o Congresso Sionista, realizado mais uma vez na Basiléia, em 1931, por causa de uma inconciliável discórdia entre Chaim Weizmann e Vladimir Jabotinsky, a presidência da Organização Mundial acabou competindo a Sokolow, que permaneceu nessa posição até 1935. Seu mandato foi turbulento, em função da crescente perseguição nazista aos judeus, e ficou ainda mais complicado quando Hitler ascendeu ao poder. Por pressão árabe e a despeito da vigência da Declaração Balfour, os ingleses fecharam as portas da Palestina para os judeus, uma atitude indigna, reforçada por outra proibição logo depois do início da Segunda Guerra Mundial. Coube a Sokolow batalhar de forma frenética junto ao governo britânico para que as restrições imigratórias para a Palestina fossem atenuadas, o que, em parte, acabou conseguindo. Nahum Sokolow morreu em Londres no dia 17 de maio de 1936, aos 76 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco. À beira de sua sepultura, no cemitério Willesden, o kadish (oração pelos mortos) foi recitado por Weizmann com Jabotinsky ao seu lado. Desde meados dos anos 50, a sede da Associação dos Jornalistas de Israel, em Tel Aviv, recebeu o nome de Beit Sokolow.

Hoje se sabe que na primavera europeia de 1916, a Inglaterra, a França e a Rússia assinaram um pacto secreto, que tratava da futura situação geopolítica do Oriente Médio caso o Império Otomano viesse a ser derrotado. Essa negociação foi conduzida por Sir Mark Sykes, do lado inglês, e pelo diplomata François Georges Picot, do lado francês, e daí ter entrado para a história como o Acordo Sykes-Picot. O pacto abrangia todo o território desde o Mediterrâneo até a fronteira oriental da Rússia, à qual caberia uma vasta porção da Anatólia oriental. Quanto à Palestina, segundo o Acordo Sykes-Picot, a parte norte da Galiléia seria dada à França; os portos de Haifa e de Acre, à Inglaterra; Jerusalém e Jaffa ficariam sob supervisão internacional, que, além dos dois maiores vitoriosos, incluiria a Itália e a Rússia. A liderança judaica não tinha a menor ideia da existência desse pacto e se o Acordo viesse a ser implementado, corresponderia a um sepultamento de suas aspirações. Para sorte do movimento sionista, no fim daquele ano, o estadista David Lloyd George assumiu o posto de Primeiro-ministro do Império britânico. De imediato, julgou que o Acordo Sykes-Picot era generoso demais com a França, porque as mais árduas batalhas contra os turcos tinham sido vencidas pela Inglaterra no Sinai e na Palestina. Mark Sykes tentou promover uma revisão do Acordo, mas esbarrou na intransigência de Picot, que insistia numa divisão meio a meio.

Foi durante essa turbulenta controvérsia que Sykes, por assim dizer, descobriu o sionismo. Ele foi ao encontro de Sokolow em Londres e pediu para conhecer a liderança sionista britânica. O encontro foi marcado numa residência particular, em Londres, à qual compareceram Nahum Sokolow, Chaim Weizmann, Lord Walter Rothschild, James de Rothschild e Herbert Samuel, que viria a ser, de 1920 a 1925, Alto Comissário Para a Palestina, nomeado por Sua Majestade. Durante a reunião, Sykes, que tinha excelente trânsito no Gabinete de Lloyd George, disse que a Inglaterra de fato devia acolher a causa sionista, mas apontou que a posição irredutível de Picot dificultava qualquer alteração no Acordo e, portanto, seu convencimento do contrário deveria caber aos líderes judeus. Estes argumentaram que não podiam se ocupar de uma tarefa que era exclusiva do governo da Inglaterra. Finalmente, James de Rothschild, quinto filho do patriarca Amschel e que também viria a receber o título de barão, insistiu que a pessoa mais apropriada para a missão era Nahum Sokolow. Em seu consistente ensaio sobre a Declaração Balfour, o historiador americano Martin Kramer reproduz um texto do também historiador inglês Harry Sacher: “Por que Sokolow? Porque ele era o diplomata do movimento sionista, um diplomata ao estilo do Quai d’Orsay francês, além do que era um homem de bela aparência, modos aristocráticos, fala delicada, palavras cautelosas, ternos bem cortados e charmoso monóculo”. Sykes concordou e respondeu que marcaria um encontro de Sokolow com Picot o mais rapidamente possível. Não resta dúvida que Sykes exerceu influência no gabinete em favor da causa sionista e pode ser apontado como um dos propulsores da Declaração Balfour.

Sokolow e Picot se reuniram três vezes, duas em Londres e uma em Paris. Sua tarefa estava longe de ser fácil. Ele precisava convencer os franceses a apoiarem o projeto sionista, como também lhes incutir a noção de que um protetorado inglês na Palestina seria a solução mais adequada para aquela região. No terceiro encontro, em Paris, conheceu Jules Cambon, um dos mais destacados diplomatas da França, favorável à causa sionista. Sokolow ficou temeroso de lhe insinuar qualquer declaração por escrito porque o francês poderia julgar que se tratava de um pedido exorbitante. Além de Picot, os demais negociadores franceses presentes ao encontro demonstraram apreço pelas palavras de Sokolow. No tocante à revisão do acordo secreto, esta só se concretizou quando a Liga das Nações, anos mais tarde, conferiu à Inglaterra o mandato sobre a Palestina. Porém, àquela altura, o mais importante foi a carta assinada por Cambon, que Sokolow recebeu no regresso a Londres e na qual constava o seguinte último parágrafo: “O governo francês, que entrou na atual guerra para defender um povo injustamente atacado e que continua a luta para assegurar a vitória do direito sobre a força, pode somente sentir simpatia por sua causa sionista, cujo triunfo está vinculado ao dos aliados”. O biografo de Weizmann, Yehuda Reinharz, julga que a declaração de Cambon é mais assertiva e mais importante do que a Declaração Balfour, embora a primeira tenha sumido da história. O historiador Isaiah Friedman chega ao ponto de afirmar que sem a carta de Cambon não haveria a Declaração Balfour.

Os responsáveis pela Organização Sionista sabiam que a Declaração geraria uma série de reações positivas e negativas. O principal trabalho dos líderes, naquele momento, era obter endossos para as palavras de Balfour. O apoio da França se deveu à atuação de Sokolow junto a Pichon, Ministro das Relações Exteriores. Em seguida vieram os apoios do Japão e da Itália, cujo governo declarou o seguinte: “É nossa intenção facilitar a instalação de um Centro Nacional Judaico na Palestina”. Os Estados Unidos permaneciam reticentes em participar dos debates relativos à Palestina, mas, em agosto de 1918, o presidente Woodrow Wilson endereçou uma carta ao rabino Stephen Wise, Presidente do Conselho Sionista Americano, expressando sua “satisfação pelo progresso do movimento sionista desde a Declaração Balfour”.

As controvérsias em torno da Declaração Balfour permaneceram durante 100 anos e assim chegaram até os dias atuais. O escritor judeu Arthur Koestler, comunista e sionista na juventude, e adversário dessas duas causas na maturidade, disse que “a Declaração Balfour é um dos documentos mais improváveis de todos os tempos”. O famoso advogado americano Sol Linowitz escreveu que a Declaração era impotente porque, quando foi emitida, a Inglaterra não detinha poder algum sobre a Palestina.

A professora Galia Golan, da Universidade Hebraica, declarou num artigo que a Declaração Balfour não tinha a grande importância que lhe era atribuída porque a legitimação da causa sionista só aconteceu na Assembleia Geral das Nações Unidas, em 1947, quando esta aprovou a partilha da Palestina. Já o ex-chanceler de Israel, Abba Eban, acentuou que “a Declaração Balfour foi uma decisiva vitória diplomática do povo judeu na história moderna”. O político e jornalista inglês Richard Crossman fez o seguinte resumo, há 50 anos: “A Declaração Balfour foi um dos maiores momentos da arte de governar no século 20”. A verdade é que a Declaração não foi um ato isolado de um país, no caso a Inglaterra. A Declaração foi emitida em meio a uma guerra de proporção mundial e, portanto, o gabinete britânico não teria permitido sua emissão sem o consenso de seus aliados no conflito. O centenário da Declaração, a ser celebrado em novembro de 2017, decerto vai trazer à tona o direito de Israel existir, tal como rotineiramente formulado pelos inimigos do Estado Judeu. É assombroso constatar que depois de 100 anos da Declaração Balfour, um tímido primeiro passo rumo ao sonho da obtenção de um lar nacional judaico, Israel seja o único país do planeta, dentre os 190 espalhados por cinco continentes, cujo direito à a existência é questionado .

 

Obrigado pela leitura! 

Fonte de Apoio e Agradecimentos Especiais: Revista Morashá de Cultura ” JUDAÍSMO VIRTUAL “, acesse: www.morasha.com.br

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom Lé Kulam – Paz À Todos!

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Ministra Britânica X Israel! Shalom!!!

 

Maringá, 08 de Novembro de 2017 .

Jerusalém 19 de Heshvan de 5778 .

 

Sugestão de Pauta: Roberto Grobman 

 

Israel Hoje: 08/11/17 – Ministra britânica acaba de renunciar por ter tido reuniões com políticos israelenses

A Ministra de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido, Priti Patel, acaba de renunciar o seu cargo. Ela havia sofrido forte pressão da Primeira Ministra Theresa May pelo fato dela ter tido 12 reuniões com políticos israelenses, inclusive durante suas férias em Israel com o Primeiro Ministro Netanyahu e não ter pedido autorização prévia ao gabinete britânico.

Hoje mais cedo uma oficial palestina ligada à organização terrorista OLP, chamada Hanan Ashrawi, fez pressão para que a Primeira Ministra Britânica tomasse providências contra Priti Patel.

Isso demonstra que mais uma vez a Inglaterra tem grandes ressalvas com relação a Israel e ao povo judeu.

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom : )

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Enem 2017. E Alunos Sabáticos! Shalom!!!

 

Maringá, 07 de Novembro de 2017 .

Jerusalém,

 

 

 Pela primeira vez, estudantes que guardam o sábado fazem o Enem em condições dignas e igualitárias….  

 

Boker Tov Lé Kulam! Bom Dia À Todos!!!

Foto: Karoline Prado , Aluna do ( Semiextensivo ) 

Neste domingo (5), foi realizada a primeira prova do Enem 2017. A segunda prova acontecerá no dia 12, também domingo. A decisão de alterar as datas de realização do Enem  com a exclusão do sábado – foi decidida após a realização da consulta pública sobre o exame, no início de 2017. As comunidades judaica e adventista, além de outras denominações sabatistas, fizeram intensa campanha para que essa mudança ocorresse. Antes, os jovens ficavam isolados e trancados por horas, até poderem começar a prova. A Conib agradece ao ministro da Educação, Mendonça Filho, que demonstrou compreensão e sensibilidade para a questão. O deputado Sostenes Cavalcanti (DEM-RJ) também elogiou a medida: Não sou sabatista e nem judeu; entretanto sei o quanto a decisão do ministro Mendonça Filho, em fazer o Enem2017 em dois domingos, trouxe dignidade a essas minorias. Parabéns, ministro Mendonça Filho.


Curiosidades Na Lei Dos Estados Unidos!

Devido, o grande Numero de Judeus Americanos, foi decretada uma ” Lei “, para quem inicia o Serviço Militar e tem Origem Judaica ? No Caso, Os Homens, não são Obrigados a aparar ou raspar suas barbas. Uma vez que, a Barba e sagrada. Não Aparar a Barba e o Cabelo na altura da Fronte da cabeça.

Fonte de Apoio: CONIB – Confederação Israelita do Brasil.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom!!!

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Alerta na Educação! Cursinho Tendencioso! Shalom!!!

 

Maringá, Domingo, 05 de Novembro de 2017 .

Jerusalém, 16 de Heshvan de 5778 .

 

Shavua tov Le Kulam Chaverim vê Mispachát!!!

Cursinho Intergraus diz que vai rever apostila anti-Israel

Alertado pela Conib e pela Fisesp sobre texto altamente tendencioso contra Israel em uma apostila de geografia, o cursinho Intergraus enviou mensagem à Conib, em que agradece o esclarecimento pelos problemas no texto.

Na apostila, o cursinho pede aos alunos que avaliem trecho de um livro do historiador Isaac Akcelrud, escrito em 1984.

O autor afirma que em Israel, após a Guerra dos Seis Dias, “cresce o tumor fascista (…) que desemboca num racismo tipo apartheid”.

O trecho em questão ignora o contexto, os antecedentes e os desdobramentos da Guerra dos Seis Dias. Além disso, como o cursinho escolheu um texto de 33 anos atrás, omite acontecimentos posteriores que são fundamentais para a compreensão da história do conflito.

“Acredito que esse conteúdo enviado pela Conib/Fisesp irá nos ajudar imensamente na revisão do material”, afirmou o coordenador Jorge Eduardo Veiga Ovando. “A direção já havia solicitado esse trabalho para as próximas edições – a partir de um alerta dado por um de nossos alunos – mas já encaminhei seu e-mail para eles tomarem conhecimento e para a Coordenadoria de História e Geografia também”.

Fonte E Agradecimentos Especiais: CONB …

Obrigado Pela Leitura ! 

Pesquisa, Tradução e Edicão: Vital Ben Waisermman, Shalom!!!

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Bem Vindo Ao Judaísmo! Por Maurice Lamm! Shalom!!!


Antes de Começarmos ….

 

Abracar o judaísmo requer o aprendizado de novas idéias. E a assimilação de novas idéias requer o aprendizado de um novo vocabulário .

O Vocabulário básico do Judaísmo. Este fato é especialmente verdadeiro quando se estuda judaísmo por duas razões .Em Primeiro lugar, o convertido precisa aprender ” Novos ” Termos que definem conceitos exclusivamente Judaicos, conceitos que não têm sinônimo no léxico Ocidental. Em segundo lugar, surge uma necessidade de conhecer novas definições para termos antigos, familiares, que tornaram-se parte da Cultura Cristã e que a partir de Agora, Devem ser compreendidos dentro de um Contexto Judaico.

 

Obrigado Pela Leitura!

Fonte: Obra Bem Vindo Ao Judaísmo – Retorno & Conversão . De: Maurice Lamm, 🙂

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom …

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Ética Médica Nazista. Porque Lutamos? Shalom!!!

Experimentos Nazistas Na Segunda Guerra ( Foto ).

Maringá, 31 de Outubro de 2017 .

Jerusalém, 11 de Heshvan de 5778 .

   ” Porque Lutamos ? Fala Impactante do Seriado Irmãos de Guerra . Direção Tom Hanks “

O estudo desses princípios próprios da nova “ética médica” tornou-se obrigatório no currículo das faculdades de medicina alemãs entre os anos de 1934 a 1945. Essa ética médica deu origem a um documento que pregava que os direitos coletivos da sociedade eram mais importantes do que os direitos humanos individuais. O conceito de eugenia1 passou a ser difundido na cultura nazista, em que se prezava o sadio “perfeito” e forte. Havia uma falta de apreço pelo doente e o fraco.

Por exemplo, em 1933, foi promulgado um programa de prevenção de doenças hereditárias, “incentivando” os portadores dessas enfermidades à esterilização involuntária. Em aulas de currículo médico, eram constantes as noções de “higiene racial”, “eliminação de doenças hereditárias da população” e promoção da “raça superior ariana”, em que o coletivo superava o individual em todos os cenários. Fritz Klein, médico da SS, costumava afirmar que assim como um apêndice inflamado necrosado deveria ser retirado do corpo humano para o paciente não ter graves complicações, os judeus, como tal, deveriam ser eliminados da espécie humana.

Rudolf Ramm, médico clínico alemão que escrevia sobre leis médicas, era um dos maiores propagadores da ética médica nazista e do movimento contra a miscigenação racial. Ele criticava o crescimento populacional de “elementos inferiores e patógenos”, incluindo nesse grupo os portadores de doenças hereditárias e os judeus. Preconizava, também, que o nazismo trouxera a “restauração de um elevado nível de ética profissional”. Ele exultava o fato de que “a profissão tivesse sido amplamente depurada de elementos politicamente não confiáveis, estranhos à nossa raça” (a dizer, médicos judeus alemães). Ramm era editor-chefe da revista da Associação Médica Alemã, Deutsches Ärzteblatt, e publicou um livro texto, Ärztliche Rechts- Standeskunde (Legislação Médica e Saúde).

Cena Cinematográfica de Soldados e Enfermeiros Alemães, Durante Pausa – Segunda Guerra. ( Foto ) 

Na ética médica nazista, a força política do partido era o elemento primordial que atropelava os direitos individuais, independentemente do juramento médico. Artigo recente do médico Florian Bruns, do Hospital Charité, da Universitätsmedizin de Berlim, na Alemanha, e Tessa Chelouche, da University of Haifa, em Israel, discutiu justamente essa conduta antiética dos médicos durante o período nazista. Em estudo colaborativo, publicado em Lectures on Inhumanity: Teaching Medical Ethics in German Medical Schools Under Nazism, os autores fizeram uma pesquisa histórica de documentos, por meio da qual foi possível confirmar a presença de aulas obrigatórias sobre ética médica sob a ótica nazista, inclusive na prestigiosa Faculdade de Medicina de Berlim. Essas aulas eram dadas por jovens médicos filiados ao Partido Nazista, ideologicamente confiáveis aos olhos dos dirigentes nazistas.

 

O CLÍNICO KARL BRANDT, NO CENTRO, FOI UM DOS 23 MÉDICOS ALEMÃES JULGADOS EM NUREMBERG, EM 1946, POR CRIMES DE GUERRA E CRIMES CONTRA A HUMANIDADE ( Foto ) 

 

No artigo, Bruns e Chelouche citam um clínico filiado à medicina nazista, que era responsável pelo Grafeneck Castle, centro de tratamento de doentes mentais. Estima-se que mais de 10 mil doentes foram “tratados” por meio da câmara de gás e cremados. Para esse médico, o quinto mandamento, “Não matarás”, seria uma ficção judaica e não um mandamento de D’us.

Após o término da guerra, entre 1946 e 1947, diversos médicos nazistas que praticavam durante a guerra foram julgados em Nuremberg, onde 23 réus foram condenados. Sete deles, à morte. Rudolf Ramm não sobreviveu para ser um dos réus no famoso “Julgamento dos Médicos”, em 1947. Havia sido julgado por um tribunal militar russo, condenado e executado em 1945. Vale a pena frisar que poucos desses médicos mostraram remorso. Eles acreditavam estar moralmente corretos.

Nem todos os médicos da medicina nazista foram condenados. Alguns conseguiram escapar e, entre eles, Hans Reiter, cujo nome é lembrado hoje por dar título a um tipo de artrite – a doença de Reiter. Outro exemplo é a doença de Wegener, primeiro descrita por Friedrich Wegener, que teve seu nome mudado para Poliangeíte Granulomatosa (GPA) para não homenagear alguém com tão estreita colaboração com o nazismo. Esse médico chegou a ser homenageado pelo Colégio Americano de Tórax. Por seu passado nazista, há pedidos de que as doenças mudem de nome, para que suas histórias como nazistas se tornem mais relevantes do que quaisquer descobertas médicas que venham a ter desenvolvido.

No ano seguinte ao término do Tribunal internacional Militar de Nuremberg, os britânicos iniciaram uma onda para que se procurasse determinar e definir a regulamentação de crimes de guerra de natureza médica, expandida a seguir pelos americanos. Os franceses procuraram estabelecer um segundo tribunal internacional de crimes médicos de guerra, mas novamente começou-se a observar uma influência do poder político dos comunistas franceses da época em cenários de ética médica – o que levou os americanos a assumir a direção das normativas e ao estabelecimento da cultura do termo de informed consent, ou “consentimento informado”.1

Paul Weindling, um renomado especialista na história da medicina nazista, retrata com detalhes diferentes aspectos deste sensível tópico em um dos seus livros, “An informal Trilogy on German Medical Atrocities”. Seus dois livros anteriores foram “Health, Race and German Politics between National Unification and Nazism, 1870-1945”, publicado em 1989, e “Epidemics and Genocide in Eastern Europe”, publicado em 2000.

O que ocorreu na Alemanha nazista deve servir de advertência. A ética não é nem deveria ser um elemento frágil de prática médica, muito menos sujeita a influências políticas e sociais. Foi o que ocorreu na medicina nazista, em que os direitos individuais foram manipulados por meio da “flexibilização”, ou da total aniquilação da ética médica. Com o crescente número de novas escolas médicas no Brasil, atenção deve ser dada para que o lado humano da prática médica faça parte dos novos currículos, principalmente levando em consideração a explosão tecnológica, de forma que os avanços da ciência médica não fragilizem os princípios rígidos da ética.

No hospital Charité de Berlim foi criado o projeto “Responsabilidade na Ciência” (GeDenkOrt Wissenschaft in Verantwortung), sob a direção do professor Florian Brums. O intuito é justamente chamar atenção para esse tema, a fim de conscientizar médicos e estudantes para a necessidade de vigilância constante da violação dos princípios éticos e direitos individuais do ser humano por forças políticas.

 

 

Obrigado pela leitura! 

Fonte de Apoio e Agradecimento Especial: Revista Morashá de Cultura – acesse – www.morasha.com.br

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom!!!

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