Sabedoria, Poesia e Ensinamentos! Shalom!!!

Maringá, 26 JUNHO 2017.

Jerusalém, 2 TAMMUZ 5777.

Frases Talmúdicas & Bíblicas
“Envergonhar o seu próximo em público é o mesmo que fazê-lo esvair-se em sangue”

Baba Metzia; 58.

“O Homem tem inveja de todos, exceto de seu feilho e de seu aluno”

Sanedrin; 105.

“A rivalidade entre os autores aumenta a sabedoria”

Baba Batra; 22

“Se o silêncio é bom aos sábios, melhor ainda o é aos tolos”

Pessachim; 99.

“A vergonha que se sente diante de outros é incomparável á vergonha de si mesmo”

Taanit; 15.

“Ouça as palavras que sua boca pronuncia”

Berachot; 13.

“Todo tempo que o Homem vive ele possui esperança”

Berachot Yerushalmi

“A mesma lei que se aplica a um centavo aplica-se a cem”

Sanedrin; 8.

“Quem muito quer, não ganha. Quem pouco quer, ganha”

Rosh Hashana; 4.

“Não é o lugar que deve honrar e Homem; é o Homem que deve honrar o lugar”

Taanit; 21.

“Ai da geração que julga seus juízes”

Baba Batra; 16.

“Três coisas identificam um Homem: seu copo, seu bolso, sua ira”

Eruvin; 65.

“Quem é o sábio? Aquele que prevê as consequencias”

Tamid; 32.

“Nenhum homem sabe o que há no coração de seu próximo”

Pesachim; 54.

“Maior é aquele que age pelo amor do que pelo temor”

Sota; 31.

“Não há recipiente maior para a benção do que a paz”

Berachot Yerushalmi; 2.

“Não atire pedras no poço que saciou sua sede”

Bamidbar Raba; 62.

“Nenhum bem pode decorrer de brigas”

Shemot Rabba; 30.

“Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento, porque é melhor a sua mercadoria do que artigos de prata, e maior o seu lucro que o ouro mais fino.
Mais preciosa é do que os rubis, e tudo o que mais possas desejar não se pode comparar a ela.”
Mishlê; 3:13-15.

‘”Não deixes de fazer bem a quem o merece, estando em tuas mãos a capacidade de fazê-lo.
Não digas ao teu próximo: Vai, e volta amanhã que to darei, se já o tens contigo.”
Mishlê; 3:27-28.

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.”

Kohelet; 3:1-8.

“Seja dos discípulos de Aharon, ama a paz, procura a paz, ama as criaturas e as aproxima para a Torá.”

Pirke Avot; 1:12.

“Shimon, seu filho, disse: Todos os dias de minha vida fui criado entre os Sábios e não encontrei nada que fosse melhor para a pessoa que o silêncio; não é o estudo que é o principal, e sim a pratica; e todo aquele que fala demais traz [favorece] o pecado. Rabban Shimon ben Gamliel disse: O mundo perdura em virtude de três coisas – justiça, verdade e paz”

Pirke Avot; 1:17-18.

“Qual é o caminho certo que um homem deve escolher para si mesmo? Aquele que é honroso para si e lhe granjeie a estima de seu próximo. (…) Considere três aspectos e você não será presa do pecado: saber que acima de você estão: um Olho vigilante, um Ouvido atento e que todas suas ações são registradas em um Livro.”

Pirke Avot; 2:1

“Cuidado com os governantes, pois estes fingem ser amigos de alguém somente para seu próprio benefício; eles agem amigavelmente quando isso lhes convém, mas não apoiam a pessoa numa hora de necessidade.”

Pirke Avot; 2:3.

“Todo aquele cujas [boas] ações excedam sua sabedoria, sua sabedoria perdurará; mas todo aquele cuja sabedoria exceda suas [boas] ações, sua sabedoria não perdurará”

Pirke Avot; 3:10.

Se não há Torá, não há conduta social adequada; se não há conduta social adequada, não há Torá. Se não há sabedoria, não há temor [a Deus]; se não há temor [a Deus], não há sabedoria. Se não há conhecimento, não há entendimento; se não há entendimento, não há conhecimento. Se não há farinha [sustento], não há Torá; se não há Torá não há farinha.

Pirke Avot; 3:17

“A pessoa cuja sabedoria excede suas [boas] ações, a que ele é comparado? A uma árvore cujos galhos são numerosos porém suas raízes são poucas, e o vento vem, arranca-a e vira-a de cabeça para baixo. Mas aquele cujas [boas] ações excedem sua sabedoria, a que ele é comparado? A uma árvore cujos galhos são poucos mas cujas raízes são numerosas, de modo que mesmo que viessem todos os ventos do mundo e soprassem sobre ela, não conseguiriam movê-la de seu lugar”

Pirke Avot; 3:17.

“Reflita sobre três coisas e não chegarás ao pecado: Saiba de onde vieste, para onde vais, e perante quem haverás de prestar juízo e contas no futuro. “De onde vieste” – de uma gota decomposta; “e para onde vais” – para um lugar de pó, larvas e vermes; “e perante quem haverás de prestar juízo e contas” – perante o supremo Rei dos reis, o Santo, bendito seja.”

Pirke Avot; 3:1.

“Quem é sábio? Aquele que aprende de toda pessoa. Quem é forte? Aquele que domina sua [má] inclinação. Quem é rico? Aquele que contenta-se com a sua parte. Quem é honrado? Aquele que honra aos outros.”

Pirke Avot; 4:1

“Uma hora de arrependimento e boas ações neste mundo é melhor que toda a vida do Mundo Vindouro; e uma hora de felicidade no Mundo Vindouro é melhor que toda a vida deste mundo.”

Pirke Avot; 4:17

“A inveja, o desejo apaixonado e a busca de honrarias arrebatam o homem do mundo.”

Pirke Avot; 4:21.

“Que tua má inclinação não te assegure que a tumba será um lugar de refúgio para ti, pois contra tua vontade foste criado, contra tua vontade nascestes, contra tua vontade vives, contra tua vontade morrerás, e contra tua vontade estás destinado a prestar contas perante o supremo Rei dos reis, o Santo, bendito seja.”

Pirke Avot; 4:22.

“Todo amor que depende de um determinado motivo – quando tal motivo desaparece, o amor cessa; mas se não depende de um determinado motivo – nunca cessará.”

Pirke Avot; 4:16.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman.

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Culinária!!! ” Doces Judaicos ” Boa Semana! Shalom!!!

Maringá, 25 JUNHO 2017.

Jerusalém,1 TAMMUZ 5777.

Semira Adler Vainsencher
Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco
[email protected]

A culinária judaica é uma das mais saborosas e variadas que existem. Originalmente, essa cozinha enfatizava os sete elementos bíblicos citados no Deuteronômio: a cevada, o trigo, a azeitona, o figo, a romã, a tâmara e as ervas. E, alguns milênios atrás, as comidas eram rústicas, elaboradas pelas mãos de camponesas judias, que foram transmitindo as receitas para suas filhas, como uma das formas de manter a identidade.

Quando os romanos expulsaram os judeus da Palestina, no século I d.C., estes últimos se dispersaram por muitos lugares do mundo, e tiveram que se adaptar às diferentes formas de vida da diáspora. Neste sentido, eles adquiriram novos hábitos alimentares e passaram a utilizar os ingredientes que estavam disponíveis. Os seus pratos incorporaram vários temperos, ervas e especiarias nativas, que eram cultivadas em função do solo, da temperatura, do clima e dos hábitos das diversas regiões.

Por outro lado, aqueles novos hábitos alimentares tiveram que se adaptar às leis da kashrut – as leis dietéticas da religião judaica – mais conhecidas como a cozinha kasher, cujas regras derivam da Bíblia (o Velho Testamento) e do Talmud (o conjunto de leis concernentes às comidas e às formas como elas são preparadas). De acordo com Maimônides – médico, cientista, filósofo e teólogo judeu – as regras visam a favorecer a saúde do corpo e o bem social. E, no tocante à escolha e ao preparo dos alimentos, elas estabelecem determinados princípios e procedimentos, no sentido de torná-los puros e adequados ao consumo.

Uma dessas leis, por exemplo, assevera que somente um shochet – um profissional treinado para a shechitá (o abate) – pode matar os animais que serão consumidos, já que foi preparado para essa função. Para tanto, ele utiliza uma lâmina extremamente afiada, e corta de uma só vez a traquéia e a veia jugular do animal, causando-lhe uma morte instantânea e um mínimo de sofrimento possível. Feito isto, retira-lhe a pele e as garras e deixa todo o seu sangue escorrer. A carne é lavada em seguida por trinta minutos, salgada com sal kasher e colocada para drenar, durante uma hora, em um recipiente perfurado. Após esse procedimento, o shochet retira o sal, lava e escorre a carne mais três vezes e, somente a partir daí, ela é aprovada para o consumo.

Embora a Kashrut seja um antigo mandamento da Torá, é reconhecido, hoje, que a dieta kasher, através de suas três categorias – carnes, laticínios e alimentos neutros, que incluem grãos integrais, frutas e legumes – proporciona uma excelente base para a alimentação saudável. Desde os tempos antigos, os judeus são proibidos de combinar, na mesma refeição, carne ou ave com os laticínios. Os ortodoxos ainda seguem o preceito bíblico: Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe (Êxodo 23:19 e 34:26 – Deuteronômio 14:21). Tal preceito, que interdita a colocação de mãe e filho na mesma panela, remete ainda às relações incestuosas entre mãe e filho, que também não devem ocupar a mesma cama.

É permitida, no entanto, a junção de carne ou ave com alimentos neutros. Ao misturá-los e combiná-los, os nutricionistas perceberam que eles contêm os complexos carboidratos, bem como os nutrientes naturais adequados, e proporcionam uma dieta balanceada. Neste sentido, como o grupo dos alimentos neutros na cadeia alimentar compreende a mais ampla variedade, pode-se dizer que os seguidores das regras da Kashrut usufruem de uma alimentação saudável.

Os alimentos kasher costumam vir com os símbolos U e K em suas embalagens. Os fabricantes reconhecem que esse certificado é garantia da produção de alimentos bem cuidados, e submetidos a um rígido e criterioso controle de qualidade. Os religiosos não comem em lugares onde não são observadas as leis dietéticas. E, quando viajam de avião, as companhias aéreas têm a obrigação de servir alimentos com o selo kasher, o que significa que foram inspecionados pelos rabinos. Cabe salientar, porém, que grande parte dos judeus não segue as leis da Kashrut.

Dentre outras interdições bíblicas estão as seguintes: não é permitido comer porco, sangue, animais de cascos fendidos (tais como cavalos e camelos), répteis, peixes sem escamas e barbatanas, crustáceos e outros seres vivos de água doce ou salgada e animais de caça. E, se um ovo apresentar alguma mancha de sangue, ele não pode ser consumido. Os alimentos proibidos são denominados tarefah, em hebraico, e treyf, em iídishe. A comida, portanto, funciona como um elo entre o sagrado e o profano.

De um modo geral, os judeus podem ser incluídos em dois grandes grupos: 1. os askenazim (aqueles que são oriundos do Norte da França, da Europa Central e Europa Oriental); e 2. os sefaradim (os provenientes da Península Ibérica, Norte da África e Oriente Médio). Por incrível que pareça, há grandes diferenças nos estilos de cozinha dos dois grupos e, um deles, pouco ou nenhum conhecimento possui acerca da culinária do outro.

O askenaze (ou askenazita) – que vem de regiões muito frias – consome mais peixes salgados e defumados (como o arenque e a carpa), gordura de galinha, batata, repolho, beterraba, cenoura e cebola. Já o sefarad (ousefaradita) – originário de áreas mais quentes, muitas delas próximas ao Mar Mediterrâneo – possui uma cozinha mais rica, saudável, com uma variedade maior de alimentos, a exemplo de peixes, grãos, frutas frescas e secas, verduras, legumes, amêndoas, avelãs, além de usar mais azeite de oliva do que gordura animal. O sefaradita abusa, ainda, de temperos e condimentos, tais como a canela, o açafrão, o coentro, o gengibre, a noz moscada, o cardamomo, o cominho, a pimenta-da-Jamaica e o alho. Na Índia, os judeus fazem uso de todos esses produtos exóticos. Através da observação dos pratos e ingredientes utilizados na cozinha, por conseguinte, pode-se conhecer a origem de um judeu e/ou de seus descendentes. A seguir, transcrevem-se algumas receitas de comidas judaicas.


Imagens Ilustrativas.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman. Shuavua tov! Boa semana ! Shalom!

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Superação Diplomática!!! Shabat Shalom !!!

Maringá, 24 JUNHO 2017.

Jerusalém, 30 SIVAN 5777.

Shavua Tov Lé Kulam Chaverim vê Mispachat! Boa Semana a Todos Seus amigos e familiares!

Por,Celia Bensadon.

Os textos aqui publicados não necessariamente refletem a opinião da Conib.

1. Crise diplomática com Israel é página virada, diz novo embaixador brasileiro (Daniela Kresch, Folha de S.Paulo)
O diplomata Paulo César Meira de Vasconcellos, 63, chegou há apenas três semanas a Israel, mas sabe que terá muito trabalho pela frente. Começa no cargo de embaixador do Brasil em Tel Aviv com o desafio de remendar o relacionamento entre os dois países, desgastado pelo episódio da rejeição, em 2015, do governo Dilma Rousseff ao nome de Dani Dayan para embaixador de Israel porque ele havia sido líder dos colonos israelenses. Israel demorou mais de um ano para indicar um novo nome. O empresário Yossi Sheli recebeu o agrément brasileiro apenas em janeiro e assumiu o cargo em março – pouco antes de Vasconcellos (que já foi embaixador em Bancoc e em Abu Dhabi) ser aprovado pelo Congresso para a representação do Brasil em Tel Aviv, que também ficou sem titular por mais de seis meses. Mas, apesar da intenção de focar apenas numa “agenda positiva”, o começo já foi áspero. Ao entregar suas credenciais ao presidente de Israel, Reuven Rivlin, no dia 15, Vasconcellos ouviu dele críticas ao voto do Brasil a favor de uma resolução da Unesco que declarou que Israel não é soberano em Jerusalém. “O presidente não fez críticas específicas ao Brasil. Ele falou a mesma coisa para os quatro embaixadores que entregaram credenciais (Brasil, Honduras, Nepal e Tanzânia). Mas o voto na Unesco não ignora a ligação de Israel com Jerusalém. Reconhece os laços da cidade com as três religiões monoteístas: islamismo, judaísmo e cristianismo”, destacou. “Com a indicação do nome do embaixador israelense, que foi quase que simultânea à minha, viramos a página. Houve uma turbulência. Passou. Agora já estamos num céu de brigadeiro. Quero justamente trabalhar uma agenda positiva, em cooperação em vários setores…

Fonte: Conib.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição:

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Velas de Shabbat! Shabbat Shalom Lé Kulam!

Maringá, 23 JUNHO 2017.

Jerusalém, 29 SIVAN 5777.

” O Ascendimento das Velas!!! ”

Bom dia a todos o leitores, aqui vai um pouco do ritual do Shabbat e o importante papel das Mulheres na Civilização Judaica!
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Texto da Coleção “Nossa Herança” Editora Chabad
“A Vela de D’us é a alma humana.”

Disse D’us: “Minha Vela (a Torá ) está na tua mão e a tua vela (a alma) está na Minha Mão; portanto, guarde a Minha Vela para que Eu guarde a tua vela.”

Algo extraordinário acontece cada vez que você acende as velas em homenagem ao Shabat… você se sente vinculada a seu povo. É um costume que advém desde os tempos bíblicos. A Matriarca Sara acendeu uma lamparina que ardeu miraculosamente de Shabat a Shabat; a Matriarca Rivca recitou a bênção sobre a mesma lamparina, desde seus três anos de idade. É esta tradição de 3700 anos que as mulheres judias observam, ao saudar a chegada da Rainha Shabat, trazendo mais luz ao mundo.

Que este ato possa iluminar e inspirar uma futura paz eterna para o mundo e para todo o povo de Israel.

O dia que serve como fonte de bênção, uma preparação e inspiração para os seis dias de trabalho da semana, é naturalmente o Shabat. Desde que a base da vida judaica é a vida do lar; e o alicerce do lar é a mulher, é bem apropriado que a inauguração do Shabat tenha sido entregue em suas mãos, pelo acender das velas que introduzem no ambiente da casa a santidade do Shabat.

Luz versus escuridão

Que resposta deu o povo judeu às adversidades no transcurso da História?

Os Salmos descrevem a reação ao cativeiro da Babilônia com as palavras poéticas: “Nas margens dos rios da Babilônia sentamos e choramos ao recordar Tsiyon. ” Mas, esta descrição é interpretada pela maioria das pessoas errôneamente, pois as grandes academias de estudo e as elevadas conquistas filosóficas alcançadas na Babilônia não chegaram a ser superadas nem mesmo em épocas de prosperidade. Assim sendo não apenas houve choros nessa terra estranha, mas também foi criada uma obra monumental, o Talmud Babilônico.

Este cenário repetiu-se diversas vezes durante a história. Quanto maior era o problema, mais intensa era a reação espiritual que provocava.

Visitando uma boa biblioteca judaica pode-se tomar cada obra clássica e classificá-la segundo o período de obscuridade a que pertencia; pois oportunamente, ela serviu para iluminar as trevas da época.

Esta então é a resposta judaica: lutar contra a escuridão com a arma mais efetiva: a luz. Pois “Uma pequena luz afasta muitas trevas.”

O LubavitcherRebe, Rabi Menachem Mendel Schnersohn incentivou esta gloriosa corrente, guiando sua geração com paciência e perseverança para que enfrentasse os desafios da nossa o que deu início a uma série de campanhas, entre as quais o acendimento das velas de Shabat (além da colocação de tefilin, mezuzá, etc) a fim de atingir o bem sucedido método de acréscimo no campo espiritual.

Quando no mundo aumentam a corrupção e a indiferença, nós, como judeus, respondemos, intensificando nossa fé e compromisso com D’us. A mitsvá (preceito) na qual este aspecto está enfatizado é a do acender das velas de Shabat. O Lubavitcher Rebe disse: “Estando o mundo tão submerso na obscuridade e confusão, é imperativo que a mulher judia o ilumine com esta sagrada luz.”

Antigamente

O primeiro Shabat trouxe ao Universo uma atmosfera de repouso e santidade, a qual reaparece no mundo (e em cada ser) semanalmente por meio das velas de Shabat. O ato do acendimento das velas está intimamente relacionado com as Matriarcas. Enquanto Sara viveu, suas velas de Shabat milagrosamente ardiam de uma sexta-feira até a seguinte e outros milagres ocorriam: sempre havia uma bênção na massa do pão e uma nuvem Divina pairava continuamente sobre sua tenda.

Com o seu falecimento, tudo isto cessou. “E Yitschac a trouxe para dentro da tenda de sua mãe Sara e ele a tomou e ela (Rivca) se tornou sua mulher; e ele a amou e consolou-se da morte de sua mãe”(Gênesis XXIV:67). Rashi comenta: “E ele a trouxe para a tenda e ela era como Sara, sua mãe! Pois, enquanto Sara viveu suas luzes de Shabat miraculosamente ardiam na tenda de uma sexta-feira até a seguinte, sempre havia uma bênção (aumento milagroso) na massa do pão e uma nuvem Divina pairava continuamente sobre a tenda. Desde a sua morte, tudo isso cessou.

Porém quando Rivca veio, reapareceu de novo.” Yitschac viu o reaparecimento dos milagres por mérito de Rivca e foi então que decidiu tomá-la como esposa. Obviamente, nossa mãe Rivca acendia as velas de Shabat mesmo antes de se casar.

Comentam nossos sábios que naquele tempo Rivca tinha somente três anos de idade! É verdade que era muito mais madura, intelectual e fisicamente do que uma menina comum daquela idade. Mas isto não alterava o seu status na perspectiva da lei da Torá, halachicamente, ela era considerada menor. Porém fazia absoluta questão de acender suas próprias velas.

Para nós a diretriz é clara. Não só as meninas solteiras acima da idade de Bat-Mitsvá (de doze anos para cima) devem acender as velas do Shabat, mas também meninas pequenas, a partir dos três anos de idade, devem ser educadas e treinadas na mitsvá de Nerot Shabat — mesmo quando a mãe ou outro membro adulto da casa já esteja acendendo as velas.

Em nossos dias

Num recinto mal-iluminado, uma só lâmpada a mais pode acrescentar luz suficiente; mas quando um lugar está em total escuridão, mais luzes se tornam necessárias. Em gerações passadas, nossos lares estavam repletos de luzes da Torá. Idéias estranhas “da rua” não penetravam e mesmo o mundo exterior não era tão escuro. Mas na licenciosa sociedade de hoje, prevalece um tenebroso negrume moral e idéias estranhas encontraram o caminho para introduzir-se dentro do lar judaico. A reação deve ser o aumento de intensidade na iluminação daTorá.

Toda mulher ou moça judia é chamada “uma filha de Sara, Rivca, Rachel e Léa”. Toda menina herda esse poder maravilhoso de iluminar o mundo e seu lar com o acendimento das velas de Shabat. É verdade que a luz que Sara e Rivca acendiam durava milagrosamente e emitia um brilho visível durante a semana toda; mas, espiritualmente, o efeito das crianças acendendo velas hoje é o mesmo.

Assim que a menina já consegue compreender a idéia de Shabat e dizer a benção (com cerca de três anos) seus pais devem presenteá-la com um castiçal e ensiná-la a acender uma vela a cada Shabat. Ela deve acender a sua vela antes da mãe, para que ela possa ajudá-la, se necessário. A menina também pode ser encorajada a colocar algumas moedas na caixinha de Tsedacá, antes de acender a vela, o que ensina a virtude de repartir.

Neste momento, com a família reunida, a mulher oferece uma oração silenciosa ou verbal por seu marido e filhos.

É verdade que a luz que Sara e Rivca acendiam, durava fisicamente e emitia um brilho visível durante a semana toda; mas o efeito interior das crianças de hoje acendendo as velas de Shabat é o mesmo. Embora não possamos vê-lo com os nossos olhos de carne e osso, as velas de Shabat acesas pela pequenina filha judia de nossa época enchem o lar de luz espiritualmente durante a semana inteira.

Um momento oportuno

A hora do acendimento das velas sempre foi um momento muito especial. Através das gerações, a mulher judia elegeu este momento para recitar uma oração pessoal, pedindo saúde, bem-estar físico e espiritual para sua família.

Que luz guiou a sua intuição ao relacionar os pedidos e preces com este momento? O grande cabalista Rabi Yitschac Lúria, conhecido como Arizal, escreveu que as preces da mulher são singularmente bem recebidas por D’us, nesta hora especial.

Novamente compreendemos porque as mulheres piedosas de todas as épocas, cuidaram tão escrupulosamente desta mitsvá. Seus candelabros lhes eram mais preciosos que as jóias e se asseguravam de preparar-se em tempo para a hora de receber o Shabat: a casa estava impecável, os alimentos de Shabat antecipadamente prontos, a mesa arrumada com belos talheres e louças e toda a família vestida com suas melhores roupas. Cada aspecto colaborava para que a luminosidade do Shabat fosse perfeita. Este brilho que iluminou os lares judaicos de semana a semana através dos anos, continua perpetuando e recordando-nos a futura Redenção, como expressaram nossos sábios: “Se cuidarem do acender das velas de Shabat , terão o mérito de ver as luzes de Tsiyon na Redenção do povo judeu.”

O motivo das duas velas

Cada Mitsvá da Torá é comparada a uma vela: “Ki Ner Mitsvá Vetorá Or” (“Uma Mitsvá é uma vela e a Torá é luz”). Cada Mitsvá cria uma luz espiritual e a luz, ou sua chama, elevando-se, aproxima a pessoa da Divindade. A chama é comparada à alma; da mesma forma que uma chama sempre direciona-se para cima, a alma quer conectar-se com D’us.

Esta mensagem de luz, símbolo universal de claridade, visão, conhecimento e verdade, encontra-se intimamente ligada à mensagem do Shabat. O primeiro Shabat trouxe ao universo uma atmosfera de repouso e santidade, que reaparece no mundo e em cada ser semanalmente no momento de acender as velas, quando a mulher traz o Shabat para dentro de seu lar.

No mínimo duas velas são acesas correspondendo às duas expressões “Zachor” e “Shamor” que são mencionadas nos Dez Mandamentos.

“Zachor” – “Recorda o dia de Shabat para santificá-lo” (Êxodo XX:8), refere-se à observância do Shabat como acender as velas, o recitar do Kidush (a santificação com o vinho), a refeição festiva, vestir-se com roupas especiais, orar, ouvir a leitura da Torá na sinagoga, aprender e discutir passagens da Torá.

“Shamor” – “Guarda o dia de Shabat para santificá-lo” (Deut. V:12), refere-se a abster-se de qualquer categoria de trabalho (Melachá) inadequado a este dia especial.

As luzes simbolizam alegria e serenidade que distinguem o Shabat.

A mitsvá é cumprida acendendo velas somente num ambiente, de preferência no local da refeição, uma vez que a principal mitsvá das velas é iluminar a mesa, para que haja prazer e alegria. Também há uma grande segulá em observar as velas acesas na hora de recitar o kidush.

Shamor implica em privar-se das atividades proibidas, enquanto que Zachor recorda o cumprimento dos nobres costumes de Shabat : o acendimento das velas, o Kidush, a comida especial, as roupas elegantes em honra ao sétimo dia, as preces e o estudo da Torá. Ao observar estes preceitos, obtemos uma verdadeira elevação espiritual.

A mulher: luz e alicerce do lar

Superficialmente, a razão porque a mitsvá de Shabat eYom Tov foi entregue à mulher é para “trazer de volta” a luz que Chava (Eva) diminuiu ao afetar adversamente a “luz do mundo” incorporada em Adam. Entretanto, o Zôhar explica que o significado interior, o motivo profundo porque foi confiada à mulher essa mitsvá vital, é devido ao seu valor precioso. A prerrogativa do acender das velas de Shabat é uma insígnia de honra para a mulher, indicando que o Onipotente a escolheu, deu a ela o mérito e a investiu com os poderes de… “dar à luz e criar filhos imbuídos de santidade que serão uma luz para o mundo,” que o iluminarão ao incorporarem a luz da Torá e das mitsvot em sua vida cotidiana.

…”aumentar a paz na terra,” intensificar e avolumar a paz e a felicidade no mundo inteiro, a partir de Shalom Bayit, a tranqüilidade e paz no lar, resultantes das luzes de Shabat. e…”garantir à sua família longos dias;” por meio das velas de Shabat que ela acende, se torna merecedora da bênção de anos prolongados, plenos de bondade e vitalidade para si mesma, para seu marido, seus filhos e filhos dos seus filhos.

O acendimento das velas

• O momento indicado de acender as velas de Shabat é 20 minutos antes do pôr-do-sol (em certas comunidades, 18 minutos).

• É proibido acender as velas depois deste horário, pois fazê-lo seria profanar o Shabat. Portanto, caso a pessoa esteja ausente ou tenha esquecido, não deverá acendê-las nesta semana.

• Observar o horário do pôr-do-sol que varia de cidade para cidade. Para verifique o horário correto de sua localidade Clique aqui.

• Acendem-se as velas toda sexta-feira em honra ao Shabat e na véspera das seguintes Festas judaicas: dois dias de Rosh Hashaná, Yom Kipur, os dois primeiros dias de Sucot, Shemini Atseret, Simchat Torá, os dois primeiros e os dois últimos dias de Pêssach, e os dois dias de Shavuot.

• Ao acender as velas de Yom Tov, após seu início, uma chama pré-existente deve ser utilizada, uma vez que em Yom Tov é proibido criar um fogo novo (riscar um fósforo, acender um isqueiro ou ativar um acendedor automático); entretanto, é permitido transferir o fogo a partir de uma chama continuamente acesa desde antes do princípio da festa. As velas de Yom Tov (quando a Festa não coincidir com sexta-feira à noite) devem, à princípio, ser acesas no horário; porém podem ser acesas após o pôr-do-sol a partir de uma chama pré-existente.

• Quando Yom Tov coincide com sexta-feira à noite, obrigatoriamente as velas devem ser acesas antes do horário indicado, igual às velas de Shabat.

• Se a primeira noite de Yom Tov cair em motsaê Shabat (sábado à noite) e sempre na segunda noite de Yom Tov, as velas devem ser acesas apenas após o completo anoitecer, respeitando as leis de Yom Tov.

• As velas da segunda noite de Yom Tov (quando não coincide com sexta-feira à noite) devem ser acesas, obrigatoriamente, após o pôr-do-sol. Neste caso é usado somente fogo de uma chama pré-existente.

Local apropriado para o acendimento

• As velas devem ser colocadas no recinto onde a família faz a refeição de Shabat, para evidenciar que foram acesas em sua honra. Elas não devem ser acesas em um lugar e depois transportadas para outro.

• As velas devem ter um tamanho mínimo que permita estarem acesas pelo menos até o final da refeição de Shabat.

• Após acesas as velas, é proibido mover os candelabros até o final do Shabat; esta é a razão pela qual a maioria das mulheres prefere acendê-las próxima à mesa, mas sob um balcão, mesa auxiliar, aparador, etc.

• Antes de acender as velas na véspera de Shabat (para quem as acende sobre a mesa), é conveniente colocar sobre esta mesa as chalot (pães de Shabat).

Quem acende as velas

• Esta obrigação recai principalmente sobre a mulher. Ela deve acender as velas com alegria, pois pelo mérito desta mitsvá terá filhos iluminados pela Torá e tementes a D’us, o que trará paz ao mundo, e proporcionará a seu marido vida longa.

• Se o homem vive só, deve acender as velas pronunciando a devida benção.

• Há um costume citado no Talmud, que o marido também pode participar desta importante mitsvá, auxiliando na preparação das velas, queimando antes os pavios, facilitando seu acendimento posterior. Porém, no dia de Yom Tov isto não pode ser feito, uma vez que não é permitido apagar as velas.

• Caso haja várias mulheres na casa, cada uma delas deve acender suas próprias velas no mesmo local e recitar a bênção devida, desde que o façam em candelabros separados.

• Como já mencionado acima, meninas com mais de 3 anos também devem acender uma vela.

Número de velas

• As mulheres casadas devem acender pelo menos duas velas referentes a “zachor” (lembra) e “shamor” (guarda) – as duas expressões usadas por D’us ao proclamar a santidade do Shabat nos Dez Mandamentos.

• Em algumas comunidades costuma-se acender uma vela a mais para cada filho. Por exemplo, uma mãe com três filhos acenderá cinco velas. Uma das razões deste costume é que a luz simboliza a neshamá (alma) e para cada alma acrescenta-se uma nova chama.

• Meninas e moças solteiras devem acender uma só vela.

O procedimento e costumes

• Acende(m)-se a(s) vela(s). Solta-se o fósforo aceso para que se apague sozinho (uma vez que o Shabat já foi recebido): o palito não é jogado e sim depositado cuidadosamente para que se extinga por si só.

• Em Yom Tov também não é permitido grudar as velas, esquentando a cera na base. As velas podem ser encaixadas com ajuda de pedaços de papel-alumínio, cortados na véspera.

• Logo em seguida cobrem-se os olhos com ambas as mãos para não fitá-las.

• Recita-se a benção.

• Descobrem-se os olhos e ao ver a chama, desfruta-se do brilho e do calor das velas.

• Este procedimento deve ser seguido tanto com as velas de Shabat quanto com as de Yom Tov.

• Se uma vela se apagar não é permitido reacendê-la no Shabat. Deve-se reacendê-la após o completo término de Shabat e/ou Yom Tov.

• A razão pela qual a benção deve ser dita depois e não antes do acender das velas é que se a oração fôr pronunciada antes, parecerá que a mulher já “inaugurou” o Shabat. Neste caso não lhe seria permitido acender as velas, uma vez que é proibido acender fogo no Shabat.

• Ao acender a(s) vela(s), faz-se um movimento circular com as mãos em volta das velas, e em seguida cobrem-se os olhos com as mãos. Recita-se a bênção. Descobrem-se os olhos e mira-se as chamas.

• Refletimos sobre a alegria em receber o Shabat e agradecemos por todas as bênçãos e pelo mérito de podermos cumprir a vontade do Criador.

• A mulher (ou menina) acende as velas e estende as mãos sobre elas num movimento circular em direção a si mesma por três vezes para indicar a aceitação da santidade do Shabat. Em seguida, cobre os olhos com as mãos, recita a bênção abaixo e então descobre os olhos para fitar as luzes. A bênção na véspera de Shabat.

Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsivánu lehadlic ner shel Shabat côdesh.

Bendito és Tu, ó Eterno, nosso D’us, Rei do Universo,que nos santificou com Seus mandamentos, e nos ordenou acender a vela do santo Shabat.As bênçãos na véspera de Yom Tov.

Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsivánu lehadlic ner shel Yom Tov (coincidindo com a véspera de Shabat, termina-se: lehadlic ner shel Shabat veshel Yom Tov).

Bendito és Tu, ó Eterno, nosso D’us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus mandamentos e nos ordenou acender a vela de Yom Tov (coincidindo com a véspera de Shabat, termina-se: acender a vela de Shabat e de Yom Tov).

Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, she- he-cheyánu vekiyemánu vehiguiánu lizman hazê.

Bendito és Tu, ó Eterno, nosso D’us, Rei do Universo, que nos deu vida, nos manteve e nos fez chegar até a presente época.

Perguntas mais freqüentes

Quem acende as velas de Shabat?
Uma mulher casada geralmente acende velas em nome de toda a família, a menos que por algum motivo seja incapaz de fazê-lo. Nesse caso o marido, ou um dos filhos mais velhos, pode acender. Mulheres e homens solteiros acendem suas próprias velas, caso a mãe não acenda por eles. Um convidado na casa de alguém pode ser incluído no acendimento da anfitriã.

Quantas velas devem ser acesas?
Há costumes diferentes. Algumas pessoas acendem uma vela enquanto são solteiras, depois duas quando se casam. Há o costume de se acrescentar uma vela a mais para cada filho que nasce, além das duas. O costume mais comum é acender duas velas, uma para “lembrar” o Shabat e uma para “guardar” o Shabat. Conforme o costume Chabad instituido pelo Rebe, é um bom costume meninas a partir dos três anos ter sua prórpia vela acessa antes do Shabat e Yom Tov.

E se não estivermos em casa para o jantar da sexta-feira?
Acenda suas velas em casa se for voltar para dormir lá, desde que elas ainda estejam ardendo quando você chegar. Caso contrário, acenda suas velas em casa e fique até depois de escurecer, antes de sair para jantar fora.
(Se você teme deixar as velas acesas sem supervisão, simplesmente acenda-as em um local seguro, dentro de uma pia forrada com alumínio e que não será usada durante o Shabat!)

E se eu não chegar em casa a tempo de acender as velas antes do pôr-do-sol?
Algumas pessoas podem pensar que é tão importante acender velas no Shabat que fazê-lo mais tarde é melhor que não fazer. Essa é uma idéia equivocada. É melhor não acender as velas do que transgredir a proibição de fazer fogo no Shabat. Tente programar suas tardes de sexta-feira o melhor possível, para estar em casa na hora de acender as velas.

E durante o horário de verão, quando o acendimento ocorre tão tarde?
É permitido “começar o Shabat mais cedo”. Isso é feito simplesmente acendendo as velas, ou por meio de uma aceitação verbal do Shabat. A hora para começar o Shabat mais cedo possível é uma hora e quinze minutos antes do pôr-do-sol. Muitas comunidades fazem isso durante os meses de verão, quando o pôr-do-sol pode ser muito tarde, para que as crianças possam estar à mesa. Os serviços da noite de sexta-feira no verão muitas vezes são feitos em dois turnos; um para aqueles que preferem mais cedo, e um para aqueles que o fazem ao pôr-do-sol.
Tenha em mente que isso não é exatamente “uma hora e quinze” no seu relógio. Isso porque o dia judaico – do nascer ao pôr-do-sol – é dividido em 12 partes iguais. Portanto, não importa se o dia é longo ou curto, cada doze avos é considerado “uma hora”. É um pouco complicado. Consulte um rabino sempre que tiver dúvidas.
Lembre-se: Depois que as velas foram acesas, mesmo se for uma hora antes do pôr-do-sol, é considerado como “Shabat” para você em todos os aspectos. (Isso, no entanto, não significa que o Shabat agora pode terminar mais cedo. O Shabat pode começar mais cedo, mas nunca terminar antecipadamente.)

Posso mover os castiçais após acender as velas?
Objetos que não têm utilidade no Shabat não devem ser movidos. Estes objetos estão numa categoria chamada muktzê, que significa “deixado de lado”. Como não usamos fósforos, velas, ou qualquer coisa que envolva começar ou extinguir fogo no Shabat, estes itens não são movidos. Portanto, certifique-se de acender em local conveniente para deixar os castiçais por toda a duração do Shabat.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom !!!

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Literatura, Rabino Nilton Bonder! Shalom!

Maringá, 22 JUNHO 2017.

Jerusalém, 28 SIVAN 5777.

Por Nilton Bonder, Obra: O Segredo Judaico de Resolução de Problemas.

O Senso Comum Que atribuiu aos judeus, uma capacidade de superar obstáculos de todos os tipos, mesmo em condições
adversas reconhece a existência de uma visão de mundo baseada em raízes profundas, como mostra neste livro o rabino, Nilton Bonder, Na Tradição Judaica, em que a pergunta é tão importante quanto a resposta, pensar é preciso : as reviravoltas da realidade dependem do raciocínio e da percepção acurada, não apenas da FÉ.

Por intermédio de dezenas de parábolas, Nilton Bonder, rejeita aqui as obviedades e as soluções prontas, estimulando a interpretação constante doa fatos e a possibilidade de ver o outro lado das situações.

Conforme, a herança da mística ancestral, que contempla o divino e o humano, o rabino indica como transitar pelas quatro camadas da realidade: o aparente do do aparente ( Problema Literal ), o oculto do aparente ( Problema metafórico ), o aparente oculto, ( Problema Secreto ).


Imagens: Arquivo Pessoal.

Não é a Inexistência de problemas, mas, sim a possibilidade de entendê-los em sua real dimensão e complexidade
, que abre as portas para uma vida melhor!
A Interação entre as quatro camadas – ou seja -, o relacionamento entre o literal e o oculto – permite ao ser humano colher e disseminar os bons frutos da existência.

A ” Lição ” é do otimismo . Ao passar do conhecimento aos atos, atento a si mesmo e aos sinais ao seu redor, cada indivíduo se torna apto a usufruir com plenitude, sem sentimentos de culpa nem temos, a corrente da Vida.

Rabino Nilton Bonder, é um escritor com 19 livros publicados. Reconhecido nacional & Internacionalmente como pensador nas áreas de humanismo, filosofia e espiritualidade, seus trabalhos fizeram grandes sucesso nos Estados Unidos, Na Europa e na Ásia. É Autor, entre os outros títulos, de A Alma Imoral, O Sagrado, Tirando Os Sapatos, da trilogia composta por A Cabalá da Comida, A Cabalá do Dinheiro e a Cabala da Inveja e Exercícios da Alma.

Obrigado pela Leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom !

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O que é o Kadish? Shalom Lé Kulam!

Maringá, 21 JUNHO 2017

Jerusalém,27 SIVAN 5777

Sugestão de Pauta: Ilustríssimo Senhor Eliton Oliveira, Cineasta, Escritor e Publicitário Maringá-Paraná.

Antes da alma conhecer por experiência própria as virtudes de estar num corpo, ela nasce contra a sua vontade e não quer entrar nele. Mas, depois de viver e conhecer o significado de ser capaz de praticar uma mitsvá, ela deixa agora o corpo contra a sua vontade. Por isso a Mishná diz: “Você nasce contra a sua vontade e depois morre contra a sua vontade”. Recitamos o Cadish para ajudar a minimizar o trauma da alma de se separar do corpo, pois isto é muito doloroso para ela. O Cadish facilita o caminhoé recitado durante onze meses, ainda que leve doze para este trauma se resolver. Como não queremos indicar, em respeito à alma, que ela, particularmente, precisou de doze meses completos para se reajustar ao Céu recitamos o Cadish apenas por onze meses.

O que é o Cadish? O Cadish é um hino de louvor a D’us. Por ser tradicionalmente recitado nos enterros e em honra a entes falecidos tornou-se popularmente identificado como uma oração pelos mortos. Entretanto, o Cadish não faz nenhuma referência à morte ou ao luto. Embora os cabalistas do século XVI atribuíssem um caráter místico ao Cadish, alegando que toda vez que era recitado a alma do falecido se elevava a um nível espiritual mais alto o valor intrínseco do Cadish se relaciona à pessoa que o recita. É uma expressão pública de fé em D’us por parte do enlutado, uma aceitação da Sua vontade mesmo em face da dor e da tristeza, uma submissão aos desígnios divinos diante da incapacidade de racionalizar uma tragédia pessoal.

Cadish dos Enlutados
Leis e costumes

• O Cadish é recitado por onze meses menos um dia a partir do dia do falecimento.

• É importante lembrar que o Cadish só tem valor quando há minyan, i. e., num grupo de dez judeus, e estes respondem Amên, o que traz méritos para a alma.

• O Cadish é dito em pé, com os pés juntos.

• Antes de recitar o último verso, “Ossê Shalom Bimromav…”, dá-se três passos para trás.

• Em todas as orações em que o Cadish é dito cinco velas devem ser acesas na frente do ledor.

• Os onze meses do Cadish terminam na oração de Minchá do último dia do décimo-primeiro mês.

• O Cadish também é dito no dia do yahrzeit da data hebraica, ou seja, durante a oração de Arvit na noite que antecede o aniversário de falecimento e nas orações de Shacharit e Minchá deste dia.

• Pais que não têm filhos homens devem assegurar que o Cadish será dito por parente, amigo ou integrante de minyan na sinagoga.

• É costume os enlutados praticarem boas ações em nome do falecido, principalmente doar tsedacá em seu nome.

Se não há filhos para recitar o Cadish, a família deve pagar a alguém para recitar o Cadish durante este período.

Yitgadal veyitcadash shemê, bealmá di verá chir‘utê. Veyamlich malchutê,veyatsmach purcanê, vicarev Meshichê. Bechayechon uvyomechon, uvchayê dechol Bet Yisrael, baagalá, uvizman cariv, ve’imru amen. Yehê shemê rabá mevarach lealam ul’almê almayá. Yitbarech, veyishtabach, veyitpaer, veyitromam, veyitnassê, veyit’hadar, veyit‘alê, veyit’halal shemê decudshá berich Hu. Leelá min col birchatá veshiratá, tushbechatá venechematá, daamiran bealmá, ve‘imru amen.

Al Yisrael, veal rabanan, veal talmidehon, veal col talmidê talmidehon, veal col man deaskin beoraytá, di veatrá haden, vedi vechol atar vaatar; yehê lehon ulchon shelamá rabá, chiná, vechisdá, verachamin, vechayin arichin, umzoná revichá, ufurcaná min cadam Avuhon devishmayá, ve‘imru amen

Yehê shelamá rabá min shemayá, vechayim tovim, alênu veal col Yisrael, ve‘imru amen. Ossê shalom (nos dez dias entre Rosh Hashaná e yom kipur,substitui-se por: hashalom) bimromav, hu yaassê shalom alênu, veal col Yisrael; ve‘imru amen.

Tradução:
Que seja exaltado e santificado Seu grande nome (congregação: Amém), no mundo que Ele criou segundo Sua vontade. Que Ele estabeleça Seu Reino, faça vir Sua redenção e aproxime a vinda de Seu Mashiach (congregação: Amém) em vossa vida e em vossos dias e na vida de toda a Casa de Israel, pronta e brevemente, e dizei amém. (Congregação: Amém)

Que Seu grande nome seja bendito eternamente e por todo o sempre; que seja bendito.)
Que Seu grande nome seja bendito eternamente e por todo o sempre. Que seja bendito, louvado, glorificado, exaltado, engrandecido, honrado, elevado e excelentemente adorado o nome do Santo, bendito seja Ele (congregação: Amém), acima de todas as bênçãos, hinos, louvores e consolos que possam ser proferidos no mundo, e dizei amém (congregação: Amém).

Que haja paz abundante emanada dos Céus, e bênção de vida sobre nós e sobre todo [o povo de] Israel; e dizei amém (congregação: Amém).

Aquele que estabelece (nos dez dias entre Rosh Hashaná e Yom Kipur, acrescenta-se: “a”) paz em Suas Alturas, possa Ele estabelecer paz para nós e para todo Israel; e dizei amém (congregação: Amém).

Obs: Ao terminar os trechos “Rabi Yishmael” (no início da Prece Matinal) e “En k’E-lo-hê-nu” (no final da Prece Matinal) e também após um estudo de Torá na presença de dez homens (minyan), insere-se o seguinte parágrafo antes de “Yehê shelamá rabá” (“Que haja paz abundante”)

Sobre Israel, sobre nossos mestres e sobre seus discípulos e sobre todos os discípulos de seus discípulos e sobre todos os dedicados ao estudo de Torá, quer aqui, quer em qualquer lugar; sobre eles e sobre vós, se derrame paz abundante, graça, benevolência, misericórdia, vida prolongada, sustento farto e salvação, proporcionados por Seu Pai nos Céus, e dizei amém (congregação:Amém).

Com este acréscimo o Cadish é denominado “Cadish de’Rabanan”.

Curiosidades

Por que o Cadish é recitado em aramaico? Nos tempos talmúdicos, o hebraico era o idioma dos eruditos, a língua do estudo e da oração, porém o vernáculo era o aramaico.
Os rabinos achavam essencial que qualquer leigo pudesse captar plenamente o significado do Cadish. Decretaram que esta oração fosse sempre proferida na língua em que foi composta: em aramaico, a linguagem do povo .

Por que existem varias formas de Cadish? O Cadish era originalmente recitado no final de um sermão ou de uma sessão de estudos, e continha um parágrafo a mais que constituía uma prece pelo bem estar de todos que se dedicam ao estudo da Torá. A primeira referência ao Cadish como uma oração dos enlutados se encontra no livro Or Zarua, escrito no século XIII pelo Rabino Isaac Ben Moses de Viena.
Além destas duas formas – o Cadish dos rabinos (Cadish de’Rabanan) e o dos enlutados (Cadish Yatom) – duas outras versões são usadas em nossas sinagogas hoje em dia: uma forma abreviada recitada no final de cada parte do serviço, o meio cadish (Chatzi Cadish) e o “Grande Cadish” (Cadish Shalem), recitado no término do serviço religioso.

Por que os filhos devem recitar o Cadish diariamente durante onze meses após a morte do pai ou da mãe? Originalmente, os rabinos estipularam que o Cadish deveria ser recitado durante um ano, até terminar o prazo de luto no qual os filhos devem se abster de participar de reuniões festivas, etc. Uma pessoa, após a morte, deve expiar os pecados cometidos na Terra, antes que sua alma entre no Gan Eden. Quanto maior o número de pecados, maior o tempo de expiação, sendo que o prazo máximo era de doze meses.
Baseado nesta crença, o Rabino Isserles de Cracóvia decretou no século XVI que o Cadish deveria ser recitado somente durante onze meses, pois se fosse mantido o período total de um ano, poderia parecer que o falecido tinha sido um pecador do mais alto grau .

O que é o Gan Éden (Paraíso)? O local onde repousam as almas, o mundo espiritual. A alma volta ao mundo das almas e se adapta a ele como se nunca houvesse saído. É uma alma entre almas sem precisar de reintegração. Isto é o Paraíso. O período de reintegração tem, no máximo, doze meses. E para ajudar na adaptação, recitamos o Cadish. Damos à alma o crédito por todas as mitsvot que foram realizadas devido à sua influência sobre nós.Nos Provérbios, o mais sábio dos homens diz: “Eu elogio os mortos que já morreram mais do que os vivos.” Uma das razões para dizer isto é porque o impacto, a impressão e a influência extraordinários que uma pessoa tem depois de sua morte é muito maior e mais forte que quando viva.

No Vídeo abaixo podem conferir na prática a Cerimônia!

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom!!!

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Solidariedade Campanha do Agasalho ! Shalom!!!

Créditos de imagens: Federação Israelita São Paulo.

Maringá, 21 JUNHO 2017.

Jerusalém, 27 SIVAN 5777.

Mais de 400 jovens participarão de campanha da comunidade judaica para arrecadar agasalhos em Higienópolis neste domingo, 25 de junho

Neste domingo, 25 de junho, cerca de 400 jovens da comunidade judaica vão colocar em prática um dos preceitos do judaísmo, que é a “Tzedaká”(ajuda ao próximo). Eles prometem “invadir” as ruas de Higienópolis durante a Mega-Campanha de Arrecadação de Agasalhos, promovida pela Federação Israelita do Estado de São Paulo, que acontece pelo 17º ano consecutivo.

A partir das 10h, haverá uma concentração na Praça Vilaboim de onde os participantes sairão para percorrer o bairro, em caminhões e carros de som. Também neste local acontecerá o “Drive Thru da Cidadania”, já tradicional entre os moradores do bairro, que passam pela Praça e “arremessam” seus agasalhos nas caixas de coleta.

Além da coleta nas ruas, a Federação Israelita também promove a arrecadação em entidades judaicas e estabelecimentos comerciais, que juntos perfazem cerca de 30 postos de coleta. Os agasalhos serão entregues ao Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo. A expectativa é que até o final da campanha seja superada a marca de 23 mil peças de agasalhos recolhidas pela comunidade judaica em 2016.

Segundo o presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, Bruno Laskowsky, “Esse é um dever que a comunidade judaica tem para com a comunidade maior, além de reforçar um dos preceitos mais importantes do judaísmo, que é a Tzedaká, a ajuda ao próximo”.

A 17ª Edição da Mega – Campanha de Arrecadação de Agasalhos da Comunidade Judaica em Higienópolis tem o apoio do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo, do Conselho Juvenil Judaico Sionista e da Unibes. A realização é da Federação Israelita do Estado de São Paulo.

Fonte: Federação Israelita De São Paulo.

Obrigado pele leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom!

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Judeus na América do Sul ” Argentina ” Shalom!

Maringá, 18 JUNHO 2017

Jerusalém, 24 SIVAN 5777

O processo de aculturação dos judeus na América Latina inicia-se a partir do final do século 19 e início do século 20. Argentina e Brasil tiveram realidades parecidas, assentando suas raízes na colonização agrícola. Com a compra de terras pela ação filantrópica do Barão Maurício Hirsch e da Jewish Colonization Association (JCA), começaram a surgir colônias com capacidade de trabalho e alta produtividade, muitas com infraestrutura para abrigar numerosas famílias, oriundas das mais diversas partes da Europa.

Após a independência da Argentina, em julho de 1816, este país passou a ser alvo de imigração, principalmente após o fim do Tribunal da Inquisição. Assim, aos poucos, fugindo dos pogroms e dificuldades econômicas que assolavam as comunidades asquenazitas, os judeus foram-se assentando na Argentina. De fato, a presença judaica remonta àqueles anos e, com o passar do tempo, manteve um núcleo populacional considerável, organizando a “Congregação Israelita de Buenos Aires” (1862) com judeus alemães, franceses, ingleses e sefaraditas.

Vindos da Europa, especialmente da Bessarábia, Rússia e Polônia, este grupo de judeus falava iídiche, enquanto outro vindo da Bacia Mediterrânea, Norte da África, Península Ibérica e Oriente Médio – o grupo sefaradita – falava ladino. Apesar de serem os judeus um elemento urbano, a colonização agrícola argentina teve êxito ao revelar um grupo definido que podemos identificar como Los gauchos judíos.

Porém, a maior leva imigratória, proveniente dos shtetls (aldeias judaicas da Europa Oriental), começaria nos anos 80 do século 19, em decorrência de dificuldades econômicas vivenciadas pelos judeus na “Zona de Assentamento” (moradia legalmente permitida aos judeus) da Rússia czarista.

Os judeus da Europa Ocidental, cientes do que se passava com seus correligionários na Rússia, mobilizavam-se para encontrar soluções que facilitassem o traslado de seus irmãos a países de escassa população e que demandassem mão de obra colonizadora. Em 1881-1882, a Argentina demonstra interesse em receber imigrantes judeus, e seu governo designa naquele ano um agente na Europa com essa finalidade: estabelecer contatos com funcionários do governo russo para receber essa população, sob o manto de proteção das leis argentinas.

Os incidentes antissemitas de 1881-1882 na Rússia czarista, um desdobramento das Leis de Maio, estimularam a atuação dos agentes de imigração argentinos, que, por sua vez, receberam apoio de instituições judaicas como a “Alliance Israelite Universelle” (AIU), fundada em 1860. Nessa época, a AIU já tinha destacado papel em organizar a imigração dos judeus soviéticos rumo aos Estados Unidos e à Palestina turco-otomana, incentivando a formação de núcleos imigratórios na Argentina, o que de fato veio a ocorrer em 1884. Pouco tempo depois, em 1889, chegam à província de Santa Fé oito famílias judias para se estabelecer em Monigores Vieja, que, mais tarde, se converteria na colônia Moisés Ville, fundada pela “Jewish Colonization Association”.

A “JCA” E BARÃO HIRSCH

No final de 1889, o representante do Barão Hirsch na Argentina, o cientista judeu-alemão Wilhelm Loewenthal, debateu um projeto colonizador judaico com o presidente do país, Carlos Pellegrini, e também com latifundiários privados, negociando a compra de aproximadamente 3.250.000 hectares. Loewenthal elaborou esse projeto visando organizar anualmente a imigração de 5 mil judeus da Rússia.

Essa colonização não deveria assumir apenas um caráter filantrópico, mas pretendia assegurar a independência econômica dos colonos com o trabalho agrícola. A filantrópica JCA não só criaria colônias, mas fomentaria uma melhora nas condições materiais dos judeus.

Os planos da JCA e do Barão Maurício Hirsch para a Argentina eram mirabolantes, havendo necessidade de adequá-los a proporções mais modestas. Assim, foram fundadas apenas cinco colônias judaicas nas províncias de Buenos Aires, Entre Rios e Santa Fé, numa superfície de 200.619 hectares, assentando-se 6.757 colonos com suas famílias, num total de 910 chácaras. Este era o balanço da maior empreitada colonizadora já realizada na Argentina até 1896, ano em que Alberto Guerchunoff deixava Entre Rios para iniciar sua promissora carreira de escritor em Buenos Aires.

O governo russo autorizou o funcionamento de um Comitê Central da JCA em São Petersburgo, com filiais nas províncias. Por sua parte, o governo argentino reconheceu a JCA como uma associação civil de fins filantrópicos. Uma saída desordenada de massas, sem o devido preparo para encaminhá-las a trabalhos produtivos fez Maurício Hirsch publicar uma circular pedindo que judeus interessados em emigrar se inscrevessem nos devidos comitês, advertindo que não arcaria com a responsabilidade sobre aqueles que se aventurassem a emigrar por conta própria.

O projeto colonizador de Wilhelm Loewenthal foi aceito pelo Barão Hirsch, que, na ocasião, resolveu enviar uma comissão para avaliar os resultados obtidos. Em 1890 a comissão chegou a Moisés Ville e lá encontrou 68 famílias judias emigradas, que ocupavam 4.350 hectares de terra. Foi organizada a “Sociedad Cooperativa de Agricultores em Moisés Ville”, recebendo seus membros o primeiro apoio financeiro do Barão Hirsch. Em relatório da comissão descrevendo a situação da colônia consta que “os judeus russos são inteligentes e, com seu entendimento, aprendem em pouco tempo, procurando ser autossuficientes o mais rápido possível”.

Em 1894 chegam os primeiros grupos da nova imigração judaica russa, principalmente saídos da zona rural, com experiência agrícola. Assim, nesse mesmo ano, chegaram 286 judeus para fundar a Colônia Lucien-Ville, em Basavilbaso, província de Entre Rios. Com essas famílias se encontrava também um representante dos judeus da Lituânia que se estabeleceria na colônia de Moisés Ville. Seu nome era Noach Kaciovich e havia sido designado para exercer uma posição de liderança no fomento àquele movimento entre os judeus russos.

Com este objetivo, Kaciovich viajou algumas vezes à Europa conseguindo trazer colonizadores judeus para o trabalho agrícola, estabelecendo-se na região de Moisés Ville uma colônia de 91 famílias, em 1896, e 250 famílias, em 1902. Nesse meio tempo, com ajuda direta da JCA, foram fundadas colônias em várias regiões da Argentina. Até 1925, a JCA continuava criando colônias e desenvolvendo um ótimo trabalho social que lhe permitiu fundar uma rede escolar judaica para filhos de colonos, com bibliotecas, sinagogas e organizações para a juventude, permitindo-lhes manter atividades culturais diárias em língua iídiche e em espanhol.

A agropecuária constituiu-se na principal atividade econômica dos colonos, mas para obter o sustento muitos faziam trabalhos remunerados para os fazendeiros argentinos, seja trabalhando a terra ou especializando-se nas fábricas.

As colônias judaicas agrícolas na Argentina tinham um planejamento em unidades familiares que variavam de 30 até 100 hectares, dependendo de sua localização, composição humana e tipo de cultivo. O sucesso do trabalho se devia à adoção do cooperativismo, introduzido desde os primórdios da colonização, a começar pela “Sociedade Agrícola Lucien-Ville”,fundada em 1904, e “La Mutua Agrícola” de Moisés Ville, fundada em 1908, entre outras. Antes de eclodir a 1ª Guerra Mundial, o número de judeus nas colônias argentinas chegava a 7.000. Nessa época, a superfície das terras compradas pela JCA superava 600.000 hectares.

Em 1925 constituiu-se a “Fraternidad Agraria”, reunindo 23 cooperativas agrícolas das colônias judias argentinas, e não é de surpreender que 10 anos mais tarde, em mais de 20 colônias da JCA se cultivavam aproximadamente 650.000 hectares, que representam 2% do total de terras cultivadas no território nacional. Assim, a colonização judaica conseguiu sobreviver, apesar da atração exercida pela vida urbana. Naturalmente, houve casos de abandono do campo, lugar que exigia sacrifícios, tal qual constatamos em “Los gauchos judíos”.

A contribuição judaica à Argentina foi significativa, pois além de se manifestar na organização cooperativa, introduziu cultivos que até então eram desconhecidos no país, tais como girassol e alfafa, cultivados em larga escala. Também as cooperativas introduziram a industrialização de produtos como manteiga, coalhada, queijos e derivados do leite, sempre amparados com o respaldo financeiro de instituições que surgiam, dentre elas o “Banco Comercial Israelita”.

A VOZ DE GUERCHUNOFF

Los Gauchos Judíos foi a primeira grande expressão literária da epopeia rural judaica. Escrita em 1910, esta obra de Guerchunoff não só comemorava o centenário da independência argentina, mas também inaugurava um novo gênero literário sobre a colonização em terras latino-americanas. Desde sempre o Novo Mundo era visto pelos cronistas como um espaço peculiar, um “outro lugar” onde seria possível recomeçar a vida longe das perseguições. Não por acaso surgiu uma enorme leva migratória transatlântica entre 1824-1924, um êxodo de 52 milhões de pessoas chegadas do Velho Mundo, 93% das quais se encaminharam às Américas: 72% rumo à América do Norte e 21% à América Latina. Certamente Guerchunoff escolheu ambientar sua obra na província de Entre Rios, pois ali, ele pretendia reconstruir um espírito telúrico, descrevendo a influência da terra sobre o caráter e costumes dos habitantes. Era uma forma de resgatar o volkgeist argentino das chácaras onde os colonos da JCA trabalhavam arduamente. Desta forma, o autor visa integrar sua obra à narrativa nacional, demonstrando que o imigrante judeu também podia absorver o “espírito crioulo1”. Obviamente, até 1910, nenhuma das levas migratórias de espanhóis, italianos, alemães ou ingleses, havia concebido um narrador tão determinado em fundir a identidade judaica com os valores e símbolos pátrios argentinos.

No prólogo de Los Gauchos Judíos há elogios a Alberto Guerchunoff como um dos escritores que possui o “dom” de desentranhar a beleza oculta dos temas simples e familiares. Enfatiza-se o fato de os colonos judeus aprenderem a fazer os primeiros sulcos, assimilando-se rapidamente ao espírito campestre do criollo. Esta assimilação dos judeus de fato aconteceu, e alguns inclusive foram abandonando parte de seus hábitos, adotando trajes típicos e absorvendo do meio ambiente uma liberdade e autonomia que caracterizam o perfil do agricultor argentino.

Sinagoga de La Congragación Israelita Argentina.

Os 24 relatos que constituem Los Gauchos Judíos giram em torno do elemento que organiza a própria narrativa: o espírito da terra de Entre Rios. Guerchunoff consegue transformar os campos da infância na colônia Rajil, em vales montanhosos recortados das paisagens bíblicas. A Terra de Promissão de Guerchunoff é a almejada Sion, reencontrada nos pampas argentinos. A rigor, o autor desenvolveu esta alegoria justamente no momento em que o nicaraguense Rubén Dario (1867-1916) atribuía à Argentina um caráter sagrado de Terra Prometida. Dario escreve em “Siónida en el Nuevo Mundo”, um dos1.001 versos da obra “Canto a la Argentina” (1910), um texto que inspirou Guerchunoff:

¡Cantad judíos a la Pampa! Cantem judeus à Pampa!
Mocetones de rude estampa, Moços de rude aparência,
dulces Rebecas de ojos francos, Rebecas doces de olhos sinceros,
Rubens de largas guedejas. Rubens de longos tufos.
Patriarcas de cabellos blancos Patriarcas de cabelos brancos,
y espesos como hípicas crines. espessos como crinas hípicas.
Cantad, cantad Saras viejas Cantem, cantem velhas Saras
y adolescentes Benjamines e Benjamins adolescentes
con voz de nuestro corazón: com a voz de nosso coração:
¡Hemos encontrado a SIÓN! Encontramos SION!

Shavua tov Lé Kulam ! Boa Semana À Todos!

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, Tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom !

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Política Internacional! Shabat Shalom!

Maringá, 17 JUNHO 2017

Jerusalém, 23 SIVAN 5777

O Senado americano aprovou ontem novas sanções contra o Irã, por seu programa de mísseis, e a Rússia, assim como uma disposição inédita que impede o presidente Donald Trump de suspender no futuro qualquer sanção contra Moscou. Os senadores aprovaram quase que por unanimidade um projeto de lei que também intensifica as sanções contra o Irã. A legislação do Senado impõe sanções às pessoas envolvidas no programa de mísseis balísticos do Irã e a qualquer um que faça negócios com eles. O texto deve ser agora submetido à aprovação pela Câmara de Representantes, onde seu futuro é incerto. Donald Trump, que alvo de suspeita de seu próprio partido de querer alcançar algum tipo de distensão com Moscou, poderá vetar a lei se for aprovada pelo Congresso. A Casa Branca ainda não tomou uma posição oficial. Mas a aprovação por ampla maioria das novas sanções no Senado envia uma mensagem inequívoca ao governo: não se pode reduzir a pressão sobre o presidente russo Vladimir Putin, que, segundo os legisladores, deve pagar pelas tentativas Moscou de influir na campanha presidencial de 2016, assim como suas intervenções na Ucrânia e na Síria. A nova lei busca criar um novo procedimento que autoriza ao Congresso opor-se durante um período de 30 anos à suspensão ou anulação pelo presidente de qualquer sanção contra a Rússia. “Com esta votação, o Senado reafirma seu papel na política externa”, afirmou Bob Corker, presidente da Comissão de Relações dessa câmara. “Convertemos o Congresso e não o presidente no árbitro final de qualquer suspensão de sanções”, declarou Chuck Schumer, líder da minoria democrata.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom – Paz !!!

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Bom dia ! A incrível história do Instituto Ayalon! Shalom !!!


Simulação da fabricação da munição

Maringá,15 JUNHO 2017

Jerusalém,21 SIVAN 5777

Boker tov vê Shalom ! Bom dia e Paz!

A incrível história do Instituto Ayalon
Décadas de 1930-1940, Eretz Israel, anos marcados pela luta dos pioneiros sionistas contra os árabes e o domínio inglês pela criação de um Estado Judeu na região. Encurralados, por um lado, após a instauração do Livro Branco1, e pela rígida legislação do Mandato Britânico restringindo a imigração judaica e, pelo outro, pela crescente violência árabe contra seus núcleos e povoados, os judeus já anteviam o que lhes esperava no dia que os ingleses saíssem da então Palestina.

Edição 95 – Março de 2017

Era consenso entre as lideranças sionistas da época ser preciso armar-se e preparar-se para o inevitável conflito com as nações árabes vizinhas. Foi em meio a esse contexto que, entre as cidades de Nes Ziona e Rehovot, no antigo Kibutz Hill, sob os olhos dos ingleses, mas com seu total desconhecimento, que foi construída uma das mais importantes fábricas clandestinas de munição embaixo da lavandeira e da padaria do Kibutz. O objetivo do projeto, cujo codinome era “Instituto Ayalon”, era fornecer balas para as armas dos combatentes judeus que lutavam em defesa da população judaica e pelo futuro Estado de Israel.

O Instituto Ayalon não foi a única fábrica clandestina da época, mas, com certeza, foi uma das mais importantes e cruciais para a vitória das forças judaicas na Guerra da Independência. Em seu auge, a unidade produzia cerca de 40 mil balas por dia e cada uma tinha a gravação EA – em referência a Eretz Israel e Ayalon. Entre 1945 e 1948 foram fabricados mais de dois milhões de balas de 9 mm, ideais para as metralhadoras Sten então contrabandeadas ou montadas em outras fábricas secretas em toda a região.

À frente da iniciativa estava Yosef Avidar, então chefe da indústria militar clandestina de Eretz Israel. Seu plano incluía também o contrabando de equipamentos para o funcionamento da fábrica, pois, apesar de ter sido possível comprar máquinas da Polônia em 1938, os judeus não conseguiram fazê-las entrar na então Palestina. Tiveram que ficar escondidas em Beirute durante quatro anos, até serem trazidas por judeus que durante a guerra serviam no exército britânico. A implantação da fábrica foi feita por membros do movimento Hatzofim Aleph, da Haganá e, posteriormente, contou com a colaboração do Palmach.

Construir uma fábrica clandestina em um kibutz era um projeto bastante ousado, considerando-se que, nas proximidades, havia uma base britânica cujos soldados visitavam o local sem avisar. A organização e a discrição dos moradores e trabalhadores do Hill, no entanto, eram tamanhas que, a nenhum momento, durante anos, os ingleses sequer suspeitaram o que acontecia embaixo da lavanderia e da padaria. Para eles, o Kibutz Hill era exatamente igual aos demais espalhados ao longo do território sob seu controle.

Para esconder a fábrica foram construídas moradias, um refeitório, um galinheiro, um estábulo, várias oficinas, uma lavanderia, uma padaria e uma horta, estruturas adequadas ao dia-a-dia de um kibutz. Sob a padaria e lavanderia foi escavada uma ampla sala subterrânea com cerca de 200 m2 e aproximadamente quatro metros de profundidade. As paredes de tijolos e o teto possuíam cerca de meio metro. A obra foi totalmente executada em 22 dias.

Em uma das extremidades da fábrica, na superfície, construiu-se a padaria, sendo que a entrada de ar era feita através das tubulações conectadas a um forno de 10 toneladas que servia também de camuflagem para a entrada secreta. A lavanderia foi erguida exatamente acima da fábrica e suas tubulações permitiam a saída do ar poluído do subterrâneo. Para camuflar o barulho dos equipamentos, a lavanderia funcionava 24 horas por dia. Foi feita, ainda, uma outra entrada para a fábrica embaixo do principal tambor da máquina, que poderia ser rapidamente aberta e fechada. O serviço da lavanderia era tão eficiente que os oficiais britânicos costumavam enviar seus uniformes para serem lavados no Kibutz. Para manter os soldados longe do local, foi criado um serviço de entregas para a base.

Quarenta e cinco pessoas trabalhavam 24 horas por dia divididas em dois turnos. Era um trabalho duro, em um espaço relativamente escuro, empoeirado e claustrofóbico. Além de arriscado era sujeito a duras punições, por se tratar de atividade considerada ilegal. O castigo para esses casos era a morte.

Como permaneciam durante muitas horas em ambiente fechado, a liderança temia que os britânicos percebessem a palidez dos moradores do Kibutz. Para resolver esta questão, recorreram à outra ideia inovadora e ousada. A situação dos judeus na então Palestina, no entanto, exigia ousadia e criatividade para poderem sobreviver.

Para a produção das balas era necessário importar cobre e os pioneiros justificaram seu pedido perante os ingleses dizendo que precisavam da matéria-prima para a fabricação de batons casher. O pedido foi aceito e, em retribuição, foram enviadas inúmeras caixas de batom à base inglesa.

Mas o Kibutz era constantemente vigiado e visitado por soldados ingleses. Certa vez, durante uma das visitas inesperadas, serviram-lhes cerveja. Eles queixaram-se de que estava quente. Em resposta, foi-lhes dito que se fossem informados com antecedência sobre tais visitas poderiam providenciar cerveja gelada. Os ingleses morderam a isca, o que permitiu aos judeus se prepararem para tais ocasiões, adotando medidas cada vez maiores de segurança para que a fábrica não fosse descoberta.

Produzir a munição foi um passo importante, mas o próximo desafio era enviá-la às unidades de combate da Haganá e do Palmach. A primeira ideia foi colocar as balas em latas de leite, mas os recipientes ficavam muito pesados e poderiam chamar a atenção dos ingleses. Depois de inúmeras tentativas, optou-se pela construção de compartimentos secretos em caminhões de combustível. A munição foi distribuída por toda região sem que os ingleses desconfiassem.

Assim foi feito até a criação do Estado de Israel, em 1948, quando já não havia mais necessidade de manter a clandestinidade da indústria de armamentos. Logo após a independência, todas as fábricas da Haganá foram integradas à chamada Indústria Militar de Israel. No entanto, os pioneiros que criaram o Instituto Ayalon optaram por permanecer juntos e fundaram, em 1949, um novo kibutz próximo ao mar e à cidade de Zichron Ya’acov, considerado hoje um dos mais importantes e desenvolvidos de Israel, com atividades na área de agricultura e piscicultura, entre outras.

O Instituto Ayalon encerrou suas atividades em 1948, mas sua história só veio a público em 1975. Em 1987 a fábrica foi totalmente restaurada e transformada em um museu. Para visitar o local, muito procurado pelos turistas estrangeiros, é preciso agendar uma visita.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman.

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