Mês: março 2013



Folclore judaico!!!???[Golem]

O Folclore Judaico são as lendas, mitos e relatos que fazem parte da cultura do povo judeu. Exemplos do Folclore Judaico são lendas famosas como O Golem de Praga ou sobre as aparições do Profeta Elias para Rabinos, etc. Cada comunidade judaica no mundo tem suas próprias lendas e histórias sobre misticismo ou sobre acontecimentos peculiares na vida das pessoas daquela comunidade, no entanto não pode-se confundir o folclore do povo judeu com superstição ou coisa do tipo. Um personagem bastante famoso (tanto no cinema quanto em jogos) é o Golem em especial a Lenda do Golem de Praga.

 

Golem – é um ser artificial mítico, associado à tradição mística do judaísmo, particularmente à cabala, que pode ser trazido à vida através de um processo mágico.

O golem é uma possível inspiração para outros seres criados artificialmente, tal como o homunculus na alquimia e o moderno Frankenstein (obra de Mary Shelley).

No folclore judaico, o golem (גולם) é um ser animado que é feito de material inanimado, muitas vezes visto como um gigante de pedra. No hebraico moderno a palavra golem significa “tolo”, “imbecil”, ou “estúpido”. O nome é uma derivação da palavra gelem (גלם), que significa “matéria-prima“.

 

Os turistas que visitam o antigo bairro judeu em Praga têm a impressão de estar fazendo uma viagem através do tempo. A controvérsia sobre a lendária criatura do Golem de Praga aumenta o clima de mistério da área, na qual encontram-se 30 magníficas estátuas barrocas.

Embora a comunidade judaica de Praga fosse melhor tratada pela aristocracia local do que o eram a maioria dos judeus da Europa, ainda assim os judeus eram vítima freqüente de ataques anti-semitas e de uma política oficial discriminatória. Em 1357, por exemplo, o rei Charles IV determinou o confinamento de toda a população judaica em um único bairro. Em Pessach de 1389, três mil judeus entre homens, mulheres e crianças foram assassinados. Eram épocas difíceis para a comunidade de Praga.

No final do século XVI, quando o rabino Judah Loew (1520-1609), um dos mais respeitados e queridos sábios do Leste Europeu, tornou-se Grão-rabino de Praga, o perigo para os judeus era iminente. O Maharal, nome pelo qual o rabino se tornou conhecido, estava ciente do perigo. O ódio era incitado pelo bispo Tadeusz, judeu convertido. Como resultado, explodia a violência e sangue judeu era derramado.

O sacerdote católico usava todos os recursos para prejudicar o povo que repudiara. Repetia para as massas de Praga a caluniosa acusação de que os judeus assassinavam crianças cristãs. O Maharal tentara desesperadamente apaziguar os ânimos, mas seus apelos à razão e à justiça não obtiveram resultado. A agitação atingira seu ponto máximo e a comunidade judaica receava um massacre. O Maharal, que rezava constantemente para que D’us os ajudasse, apelou, então, para os Céus.

Conta a tradição que o sábio teve um sonho no qual recebeu indicações de como poderia evitar a catástrofe que ameaçava abater-se sobre seu povo. A resposta veio oculta nas dez primeiras letras do alfabeto hebraico. O Maharal, além de ser um grande sábio, mestre na Torá, no Talmud e na Cabalá, possuía poderes mentais e espirituais inigualáveis. Por isso, entendeu a mensagem que lhe indicava fazer uma figura de argila que se transformaria em um Golem. Esta criatura teria, então, meios para destruir os inimigos de Israel.

Na manhã do dia seguinte, 20 de Adar de 1580, mandou chamar seu genro e seu discípulo preferido. Contou-lhes seu sonho, a revelação que tivera e a decisão de criar um Golem. Ao ver o espanto dos dois, avisou que aquela não seria a primeira vez em que se criaria este artifício. Muitas tentativas haviam fracassado no passado, mas o Talmud contava que o sábio Rava havia conseguido.

 

 

 

Yossel, o Golem

Os três homens foram à mikvê, na qual se purificaram por três dias, rezando, jejuando e santificando seu espírito e coração com extrema devoção. Ao amanhecer do terceiro dia, prepararam um pacote de roupas do tamanho de um homem normal e levaram-no a um lugar fora da cidade, próximo às margens do rio Vlatva. Lá, moldaram um boneco de argila com a aparência de um homem inclinado, com a cabeça voltada para o céu.

O Maharal disse a seu genro, um Cohen, que desse sete voltas ao redor do boneco repetindo certos nomes e letras sagradas. Depois, disse a seu discípulo, da tribo dos levitas, que fizesse o mesmo. E, por fim, ele próprio fez o mesmo. Tendo terminado a última volta, colocou um pergaminho onde escrevera o nome de D’us sob os lábios da figura de argila. Em seguida, recitaram sete vezes, unidos em grande concentração, o versículo da Torá que diz: “E Ele insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo”. Neste momento, o Golem abriu os olhos. Então o Maharal ordenou-lhe que se erguesse, cobrindo-o com as roupas que haviam trazido.

“Seu nome é Yossi”, disse o Maharal. “Eu o criei, com a ajuda de D’us, para que cumpra a missão divina de proteger os judeus contra seus inimigos. Você obedecerá a todas as minhas ordens, não importa o que eu ordene, pois é destituído de vontade própria. Seu lugar será dentro do Beit-Din, onde terá as funções de shamash”.

Feito isso, os três homens partiram em direção à cidade, seguidos pela criatura que tinha a aparência e os movimentos de um homem normal. Embora mudo, pois o poder da fala só podia ser concedido por D’us, e desprovido de quaisquer pensamentos ou inteligência, o Golem compreendeu o que o Maharal lhe havia dito.

Ele ficava, o dia todo, sentado no Beit-Din, sem nada falar ou fazer, o olhar vazio. Ninguém na comunidade sabia quem era nem de onde viera. Deram-lhe o apelido de Yossi, o mudo. Ninguém, exceto o Maharal, podia dar-lhe ordens ou recorrer a seus serviços. Se falassem com ele, não reagia; nunca abria a boca. Seu rosto só se animava quando o Maharal lhe falava. Então, escutava atenta e humildemente, partindo a seguir para executar a missão.

 

 

As missões do Golem

Todas as histórias sobre o Golem começam freqüentemente da mesma forma: um judeu acusado injustamente por crimes imaginários. E terminam também da mesma forma: o Golem intervém para que tudo volte a seu devido lugar. Segundo a tradição, o rabino Loew, o Maharal, era quem lhe dava ordens, pois o Golem não tinha inteligência própria. Assim, com a ajuda da criatura, desfaziam-se os complôs do bispo Tadeusz. Certa ocasião, salvou uma menina judia de se converter à força. Em outra, após o Maharal descobrir que a matzá para Pessach havia sido envenenada, o Golem descobriu o culpado.

Dez anos após ter sido criado, a situação dos judeus havia melhorado e o Maharal concluiu que a missão do Golem terminara. Em 1590, durante Lag Ba’Omer, o Maharal ordenou-lhe que o acompanhasse ao porão da sinagoga. Lá, disse-lhe que se deitasse e abrisse a boca. O sábio tirou o pergaminho no qual estava escrito o Nome Divino e disse à criatura: “Você é pó e vai voltar ao pó”. Yossi, o Golem, cumprira o seu destino.

Anos mais tarde, no entanto, espalhou-se entre os judeus de Praga uma lenda segundo a qual Yossi, o Golem, não virara pó, mas estava escondido desde 1590 no sótão da sinagoga de Praga em profundo sono.

Lenda ou realidade

Visitando Praga, é fácil ser atraído pela lenda do Golem através de dois pontos turísticos. O inesquecível e emocionante Cemitério Antigo Judaico, no bairro judeu, no qual se encontram mais de 12 mil túmulos do século XV. Embora vários líderes renomados da cidade estejam enterrados lá, o mais visitado é o túmulo do Maharal. E, assim como o Muro das Lamentações, em Jerusalém, está repleto de bilhetes de orações e pedidos. O segundo local que atrai os turistas é a Sinagoga Alt Neue (Antiga Nova), construída em 1280, única em funcionamento até hoje. As outras sinagogas viraram museus. É a mais antiga casa de orações judaicas na Europa e uma das construções góticas mais antigas de Praga. Reza-se nesta sinagoga há mais de 700 anos, com exceção do período da Segunda Guerra Mundial. E, enquanto se ora, ao olhar para o teto arredondado, surge a dúvida. E o Golem, ainda estaria no sótão?

Mas será que o Golem realmente existiu? Rabinos famosos afirmaram que sim. Recentemente, o rabino Moishe New, líder chassídico do Canadá e diretor do Centro da Torá de Montreal, ao ser questionado sobre o assunto respondeu: “O Talmud relata momentos nos quais outros Golems foram criados para proteger a vida dos judeus, exatamente como fez o Maharal”.

E acrescenta: “Ao corpo do Golem foi dada uma alma e assim tornou-se uma espécie de anjo dentro de um corpo feito pelo homem. Os anjos são tidos como criaturas que não têm livre arbítrio e não são capazes de fazer julgamentos morais. São “robôs” espirituais subservientes a seus construtores. O Maharal, enfatiza o rabino New, era cabalista, além de filósofo e talmudista. Escreveu uma série de 20 livros baseados na Cabalá chamados de Guevrot Hashem, ou O poder de D’us”.

 

Para o sábio canadense, “Rabi Loew tinha o dom de expressar ensinamentos cabalísticos de uma forma racional tornando-os acessíveis ao homem comum. Com certeza, a existência do Golem foi testemunhada por pessoas da época e faz parte da história oral dos judeus”. Quanto ao paradeiro do corpo, o rabino canadense mantém o que diz a lenda: “Está no sótão da Sinagoga Alt Neue (Antiga Nova), debaixo de pilhas de livros sagrados envelhecidos pelo tempo”.

Mas o diretor do Museu Judeu de Praga e outros líderes da comunidade de Praga não compartilham da mesma opinião. Segundo ele, o Golem nunca existiu. “Muitos vêm a Praga atraídos pelas suas lendas, especialmente os judeus chassídicos. Já fui acordado duas vezes no meio da noite, quando algumas pessoas me chamaram pedindo que eu as levasse ao sótão da sinagoga para ver o Golem. Consegui convencê-los de que a criatura nunca existira”.

Quanto à negação dos líderes da comunidade sobre a existência do Golem, o rabino New tem a seguinte interpretação: “O Maharal não queria que ele fosse venerado e, assim sendo, há um segredo absoluto sobre essa criatura e seu corpo”.

A lenda do Golem de Praga inspirou muitos escritores. Em 1838, o jornalista checo-alemão, Franz Klutschak, escreveu uma história chamada “O Golem e o Rabi Loew”. Em 1947, o “Galerie der Sippurum”, publicado pelo editor Wolf Pascheles, de Praga, menciona o Golem de Loew entre seus famosos contos. O best-seller de 1915, de Gustav Mevrink, de Viena, também fala sobre o Golem. O cinema mudo também fez a sua parte com dois filmes alemães: uma versão de 1914, co-dirigida e co-produzida por Paul Wegener; e uma segunda, em 1920, mais uma vez estrelada por Wegener. Mais recentemente, a lenda do Golem foi reescrita por dois grandes autores: Isaac Bashevis Singer, que publicou em 1982 o livro “O Golem”, e Elie Wiesel, que também escreveu um livro com o mesmo título. Lenda ou realidade, com certeza, o Golem ainda inspirará inúmeros escritores, de várias gerações.

 

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz ,Marcella  Mastrandea e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 20 de Nisan 5773 / Maringá, 31 de Março 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog

 

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Gueto Judaico: prisão ou refúgio?

Gueto de varsóvia

Uma das palavras referentes aos judeus cujo uso tem causado maior perplexidade é “gueto”. Sua etimologia é obscura e há, sobre o termo, muitas teorias. Porém, a maioria são meras hipóteses.

Alguns filólogos até presumem que a palavra “gueto” derivou-se do hebraico guet (isto é, separação ou divórcio). Outros acreditam que provém do italiano borguetto (quarteirão). Há também quem considere que a palavra toscana guitto, que significa sujo, seria mais convincente como origem. Ou talvez o termo alemão gittei (barras). Qualquer que seja a etimologia, as características físicas dos vários guetos eram quase sempre as mesmas.

Uma das primeiras citações do termo “gueto” pode ser encontrada no preâmbulo do Código das Leis Canônicas esboçado pelo Concílio da Igreja, realizado em Wroclaw (Breslau), sob a orientação do Vigário Guido, em 1266. Nesse documento estava expresso o temor da Igreja de que, como o povo polonês tinha sido recentemente convertido ao cristianismo, pudesse ser influenciado pelos judeus.

Este receio foi expresso da seguinte forma: “Havia um perigo sempre presente de que o povo polonês cedesse facilmente aos hábitos supersticiosos e maus dos judeus que viviam em seu meio… Por essa razão, nós (isto é, o Concílio da Igreja) determinamos que os judeus residentes na Diocese de Gueseu não vivam lado a lado com cristãos, mas sim separados, em casas vizinhas ou geminadas, em qualquer parte da cidade ou da vila. A parte habitada pelos judeus deverá ficar separada do local de residência dos cristãos por uma cerca viva, uma parede ou uma fossa”. Nos primeiros documentos da Igreja não há menção ao nome de “gueto” e sim à antiga designação descritiva bizantina de “Vicus Judaeoran” – que significa, em latim, bairro judeu.

 

Gueto de Riga – transporte de judeus

Na Espanha, os judeus viviam, pelo menos desde o século XIII, em “juderias” providas de muros e portões de proteção. No século XV, os frades na Itália começaram a pressionar no sentido de uma segregação efetiva dos judeus. Em 1555, o papa Paulo IV ordenou que os judeus nos Estados papais fossem coagidos a viver em quarteirões separados, o que foi imediatamente implementado em Roma e tornado regra, em toda a Itália, no decorrer da geração seguinte.

A primeira concentração que teve o nome de “gueto” foi, precisamente, a de Veneza. Por estranha coincidência, estava situada perto de uma fundição de ferro ou de canhões, que em italiano tem o nome de gueta. Além do mais, até épocas relativamente modernas, o bairro judeu era chamado por outros nomes. Na Espanha chamava-se juderia; em Portugal, judiaria; na França, juiverie; na Provença, carrière des Juifs; na Alemanha e na Áustria, “Judenviertel” ou “Judengasse”; e na Inglaterra, “Jew’s Street”. No Marrocos, Argélia e Tunísia, “hara-mellah”. Na área sob controle do Império Otomano, as autoridades simplesmente ignoravam os bairros judaicos.

A lei muçulmana não estipulava áreas de residência para aqueles que não seguiam o islamismo. A degradação veio no século XVIII, quando os judeus foram obrigados a se afastar da vizinhança das mesquitas e ficaram restritos aos limites de suas casas. Com o declínio econômico, muitos dos quarteirões judeus transformaram-se em favelas. No Oriente muçulmano, por exemplo, na Pérsia, o fanatismo xiita impôs a formação de quarteirões judeus separados, fechados durante a noite e no Shabat. Esta medida foi estendida, também, ao Iêmen e ao Marrocos, onde os guetos foram chamados, respectivamente, de Qa at al-Yahud (ou Masbatah) e Mellah. Muitos guetos marroquinos ainda hoje são habitados.

Os judeus jamais esquecerão o período do gueto, não porque queiram lembrar-se dos sofrimentos que lhes impuseram, mas porque é mais um exemplo da força do espírito judaico na adversidade, essa força que sustenta a vida no judaísmo. Aquele período, no entanto, endureceu o espírito de muitos, pois a influência das circunstâncias degradantes nas quais foram obrigados a viver, durante gerações, levou-os a desenvolver certas características. Timidez, constrangimento, desconfiança de seus vizinhos tornaram-se atitudes comuns ao judeu do gueto.

O termo “gueto”, além de uma denominação física, passou também a representar uma atitude mental que se estendeu aos judeus de outras terras, à medida que as condições de gueto passaram a se estender para além da Itália e da Alemanha, a outras partes da Europa. Fazia com que os judeus fossem considerados “proscritos sociais”.

Os judeus sempre preferiram viver perto, uns dos outros, como fazem todos os que compartilham de algo que consideram essencial. O que tornava um gueto diferente das outras ruas ou bairros judaicos, era o fato de ser compulsório. Os judeus não podiam viver em nenhum outro lugar enquanto que os cristãos podiam viver em qualquer lugar, menos lá. Era estabelecido por lei como o bairro legalmente aprovado para residência judaica. Durante mil anos a Igreja vinha incitando os cristãos a terem o menor contato possível com os judeus.

Diversas foram as razões que levaram ao estabelecimento dos guetos, mas por trás de todas estava o desejo comum das autoridades de mantê-los fisicamente isolados do resto da população, mas partícipes em algumas etapas do processo econômico. Houve casos em que, depois de terem sido expulsos de algumas nações e ter sua entrada proibida até naquelas onde já haviam vivido, foram convidados pelos mesmos governos para lá retornar. Submetidos a grandes privações para sobreviver, muitos judeus passaram a mascatear ou a emprestar dinheiro a juros, uma atividade proibida aos cristãos pela Igreja.

Sendo assim, interesses econômicos fizeram com que os judeus fossem readmitidos, voltando a viver nas cidades onde gerações de seus antepassados tinham vivido, por séculos. Mas uma das principais condições impostas para a sua volta foi a de que vivessem juntos, em uma determinada área apenas, separados do restante da população. Freqüentemente, as ruas que conduziam ao bairro judeu eram fechadas por barreiras. Após o anoitecer, os judeus não se arriscavam a ser encontrados fora do bairro, nem os cristãos dentro dele. Com o decorrer do tempo, o termo “gueto” começou a ser usado em referência a esse bairro.

O estabelecimento legal de um bairro separado refletia o nível exato da exclusão social dos judeus da sociedade maior. A sociedade e o governo precisavam deles simplesmente como “agentes econômicos”, como meio de obterem dinheiro e não como seres humanos. Os pesados impostos a que eram submetidos jamais os deixariam enriquecer. Tinham de trabalhar arduamente, emprestando a juros um dinheiro que no fim acabaria sendo-lhes confiscado. Pior ainda, a atividade despertava contra eles o ódio da classe média e dos trabalhadores, pois as classes altas usavam o dinheiro usurpado dos judeus para seu próprio enriquecimento. Quando, em 1380 e 1390, as classes pobres se rebelaram, os judeus foram os primeiros a ser atacados e, novamente, ocorreram massacres de judeus sob a acusação de serem a origem de todos os males.

 

 

Foi nos países católicos que surgiram os primeiros guetos, em conseqüência da hostilidade acumulada contra os judeus, ao longo dos séculos, e da histeria das massas cristãs desenvolvida durante as Cruzadas (séculos XI, XII e XIII) e na época da Peste Negra (1348-49). Os resultados foram terríveis massacres e intensas perseguições. Foi no decorrer desse período que os judeus foram levados para dentro de guetos cercados, em cidade após cidade, nos estados alemães, na Áustria, na Boêmia, na Polônia, na Itália, na França, em Portugal e na Espanha. Neste período, o clamor por “sangue judeu” ainda não atingira a Rússia. Isto porque a religião da Rússia, apesar de cristã, era greco-ortodoxa e não católica, e também porque a agitação antijudaica ainda não atingira o estágio de levante popular.

Todas as perseguições, pogroms, fugas e restrições drásticas impostas aos judeus na Rússia aconteceram nos “Dias da Ilustração”, a partir do século XVIII, quando reinavam os últimos czares. Uma lei de 1772 e, em seguida, um estatuto em 1804, definiram as áreas nas quais os judeus russos poderiam viver. Eram obrigados a viver em uma área demarcada em amplas zonas da Ucrânia, na Rússia Branca, na Lituânia e nas províncias polonesas anexadas por Catarina II, na partilha da Polônia. O sentido da criação de uma “área de estabelecimento”, que podia ser descrita como um amplo “gueto geográfico”, era o de manter, na medida do possível, a “Santa Rússia” e seu povo livres racial e religiosamente de judeus – a mesma idéia do “Judenrein” nazista.

 

Gueto de varsovia

 

 

O gueto de Veneza

Veneza era uma cidade comercial. Seus dirigentes, cientes das vantagens que os judeus poderiam trazer, permitiram-lhes permanecer na região por volta de 1515-16. Mas o Estado decidiu segregar toda a comunidade judaica, confinando-a em uma área específica da cidade. O local escolhido foi uma antiga fundição de canhões, conhecida como o Gueto Nuovo. A nova fundição localizava-se em uma ilha ligada por canais, com altos muros e todas as janelas fechadas por tijolos.

Os dois portões de entrada eram guardados por quatro vigilantes cristãos; seis outros vigiavam dos barcos de patrulha e o soldo de todos os dez ficava a cargo da comunidade judaica. Impostos especiais deveriam ser pagos pelos judeus, que eram também obrigados a pagar aluguel perpétuo pela propriedade onde viviam a preços um terço superiores aos de mercado. Desta forma, Veneza “maximizava” sua vantagem econômica ao aceitar a presença judaica no Estado, enquanto assegurava que os judeus tivessem o mínimo de contato social com os demais habitantes. Com efeito, era-lhes permitido realizar seus negócios durante o dia, a uma distância conveniente, sendo trancados à noite dentro dos portões.

O Gueto Nuovo original abrigava judeus italianos e, sobretudo, de origem alemã. Em 1541, judeus do Levante foram deslocados para o Gueto Vecchio. Finalmente, em 1633, a área foi ampliada com o acréscimo do Gueto Nuovissimo para abrigar judeus vindos do ocidente. Os judeus de Veneza pagavam caro para viver assim isolados. O Estado cobrava-lhes não só os impostos e direitos alfandegários comuns aos demais cidadãos, mas também um imposto anual especial de 10 mil ducados, além de outras taxas impostas aleatoriamente.

 

 

O gueto de Roma e outros

O destino dos judeus de Roma dependia em grande parte da personalidade e das características do papa. Antes das expulsões da Península Ibérica, havia 50 mil judeus na Itália. Assim, o papa Paulo III (1534-49) aceitou a vinda de marranos, prometendo-lhes proteção contra a Inquisição. Em seguida, veio o período da Contra-Reforma e da eleição de diversos papas que reagiam ao crescimento do protestantismo, mostrando grande zelo pela autoridade da Igreja Católica Romana. Foi uma época de relativa tolerância com a população judaica.

No entanto, em maio de 1555, o cardeal Caraffa, grande inquisidor e flagelo dos judeus, dissidentes e heréticos, foi eleito papa e assumiu com o nome de Paulo IV. Ele imediatamente inverteu a política da Igreja Católica referente aos judeus. Para ele, o judaísmo e sua possível influência sobre os cristãos consistiam uma ameaça mortal para a fé cristã. Dois meses depois aplicou em Roma a solução adotada por Veneza e os judeus da cidade foram empurrados para a margem esquerda do rio Tibre e cercados por um muro. O rio transbordava muito freqüentemente, deixando uma camada de sujeira insalubre.

A partir do século XVI, a Itália foi palco de rivalidades entre a Espanha, França e Áustria. Os judeus italianos foram confinados em seus guetos até serem libertados pelas tropas francesas, invasoras, após a Revolução Francesa de 1789.

Na Toscana, o gueto foi introduzido em 1570-1; em Pádua, em 1601-3; em Verona, em 1599; e em Mântua, em 1601-3. Os duques de Ferrara recusaram-se a aceitar tal medida, mas concordaram em negar aos judeus o direito de imprimir livros. Livorno foi a única cidade que não criou um gueto. Uma última e triste consideração sobre os guetos italianos: a despeito dos inúmeros esforços judaicos, seus membros não conseguiram livrar suas comunidades de serem aprisionadas dentro dos guetos, após a expulsão de seus irmãos da Espanha e Portugal.

Um novo período

A Revolução Francesa exigia igualdade para todos os franceses. Em setembro de 1791, concedeu-se a cidadania francesa a todos os judeus, qualquer que fosse sua origem. Os judeus franceses agora eram livres e o relógio jamais poderia voltar atrás. Além disso, no território papal de Avignon (1791), Nice (1792) e na Renânia (1792-3), os guetos e os bairros judeus fechados foram finalmente arrombados.

A disseminação da revolução para os Países Baixos e a fundação da República Batava concederam aos judeus da região direitos plenos e formais por lei.

Em 1796-8, Napoleão Bonaparte liberou muitos guetos italianos. Tropas francesas, em cada um dos ducados ocupados pelas tropas napoleônicas, literalmente queimavam e destruíam os muros dos guetos, quase sempre sob acompanhamento de música, fogos de artifício e aplausos da multidão. Os oficiais franceses escoltavam pessoalmente os indecisos e assustados habitantes dos guetos, através de buracos abertos nas muralhas, trazendo-os à luz do dia e destruindo com as mãos os velhos muros em ruínas. Em todo o território ocupado pelos franceses, a igualdade dos judeus perante a lei, bem como a igualdade legal para todos os habitantes, ia sendo institucionalizada. Os judeus tinham finalmente liberdade de exercer ofícios e profissões liberais e cargos públicos.

Após a derrota de Napoleão, o papa reinstaurou o gueto de Roma, que só foi extinto quando Roma uniu-se ao Reino da Itália, em 1870. O gueto foi finalmente demolido em 1885

 

 

O gueto no século XX

O nome e conceito de gueto judeu adquiriram uma nova e trágica dimensão durante a Segunda Guerra Mundial. Os guetos estabelecidos pelos nazistas na Europa (1939-1942), durante o Holocausto, não foram formados em caráter permanente, como bairros de judeus: eram parte do plano de extermínio e visavam concentrar, isolar e alquebrar o espírito e o ânimo de seus ocupantes, antes de sua aniquilação total. Entre 1939 e 1942, os judeus da Polônia, Alemanha, Checoslováquia e de outras regiões foram transferidos principalmente para as áreas de Varsóvia e Lublin.

Guetos foram instituídos em vários pontos. O de Lodz, por exemplo, tinha 200 mil judeus, com uma densidade de 5,8 habitantes por cômodo. Era em si um centro de extermínio, com 45 mil pessoas morrendo por dia de doenças e inanição (nos guetos de Minsk, Vilna, Cracóvia, Riga, Bialyshok, Sosnowiec e em muitos mais). O Gueto de Varsóvia tinha, no mínimo, 445 mil judeus: somente neste, 83 mil morreram de fome e doença em menos de 20 meses.

O plano nazista era simples: reunir os judeus, concentrá-los nos guetos, onde iam ser dizimados por “causas naturais”, como fome, doenças, patrulhas e franco-atiradores nazistas em busca de “diversão” . Os judeus que conseguiam resistir e permaneciam vivos eram mais uma vez agrupados e atirados em trens, que os levariam à morte.

Internamente, os guetos eram pequenas tiranias, governadas por ditadores – a única lei que imperava era a vontade nazista. O controle estava em mãos da Gestapo e dos SS. O gueto possuía “centros industriais”; os judeus ainda aptos e mais qualificados trabalhavam para a Alemanha num regime de escravidão, na ilusão de que o trabalho fosse um “passaporte para a vida”.

Mas, a despeito da indigência e da desmoralização a que foram submetidos, dentro de todos os guetos os judeus mantinham intensa atividade cultural e escolar, e praticavam a máxima judaica do auxílio mútuo. Médicos judeus, mesmo sem recursos, tentavam cuidar da população afligida por doenças como tifo e tuberculose. Dessa resistência moral, nasceram os levantes.

O extermínio metódico dos guetos começou com a sucessiva remoção de grupos para o seu aniquilamento, em 1941. O Gueto de Varsóvia foi extinto em 1943 e os restantes, por volta de 1944.

Os judeus haviam aprendido que o mundo civilizado não merecia a sua confiança. Como lição do Holocausto levaram a certeza de que era imperativo ter seu lar nacional, permanente e soberano, no qual, se necessário, a totalidade da comunidade judaica poderia encontrar segurança diante de inimigos. A Primeira Guerra Mundial tornou possível o Estado Sionista; a Segunda Guerra Mundial tornou-o um imperativo.

 

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 19 de Nisan 5773 / Maringá, 30 de Março 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog

 

 

 

 

 

 

 

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Sigmund Freud !!!


Nascido Sigmund Schlomo Freud, em 1856 abreviou seu nome para Sigmund Freud. Aos quatro anos de idade sua família transferiu-se para Viena por problemas financeiros e problemas de saúde. Morou em Viena até 1938 quando, após o Anschluss (em razão de sua etnia judaica), refugia-se na Inglaterra, onde já se encontrava parte de sua família.

Freud ingressou na Universidade de Viena aos 17 anos. Ele planejava estudar direito mas, ao invés disso, entrou para a faculdade de medicina, onde seus estudos incluíram filosofia, com o professor Franz Brentano, fisiologia, com o professor Ernst Brücke e zoologia, com o professor Darwinista Carl Friedrich Claus.  Em 1876, Freud passou quatro semanas na estação zoológica de Claus em Trieste, dissecando o sistema reprodutor masculino de centenas de enguias, num estudo que se revelou inconclusivo. Graduou-se em medicina em 1881.

Sigmund Freud é filho de Jacob Freud e de sua terceira mulher Amalie Nathanson (1835-1930). Jacob, um judeu proveniente da Galícia e comerciante de lã, muda-se a Viena em 1860.

 

Os primeiros anos de Freud são pouco conhecidos, já que ele destruíra seus escritos pessoais em duas ocasiões: a primeira em 1885 e novamente em 1894. Além disso, seus escritos posteriores foram protegidos cuidadosamente nos Arquivos de Sigmund Freud, aos quais só tinham acesso Ernest Jones (seu biógrafo oficial) e uns poucos membros do círculo da psicanálise. O trabalho de Jeffrey Moussaieff Masson pôs alguma luz sobre a natureza do material oculto.

Em 14 de Setembro de 1886, em Hamburgo, Freud casou-se com Martha Bernays.
Freud e Martha tiveram seis filhos: Mathilde, nascida em 1887, Jean-Martin, nascido em 1889, Olivier, nascido em 1891, Ernst, nascido em 1892, Sophie, nascida em 1893 e Anna, nascida em 1895. Um deles, Martin Freud, escreveu uma memória intitulada Freud: Homem e Pai, na qual descreve o pai como um homem que trabalhava extremamente, por longas horas, mas que adorava ficar com suas crianças durante as férias de verão.

Anna Freud, filha de Freud, foi também uma psicanalista destacada, particularmente no campo do tratamento de crianças e do desenvolvimento psicológico. Sigmund Freud foi avô do pintor Lucian Freud e do ator e escritor Clement Freud, e bisavô da jornalista Emma Freud, da desenhista de moda Bella Freud e do relacionador público Matthew Freud.

 

 

Por sua vida inteira Freud teve uma posição financeira modesta. Josef Breuer foi no início um aliado de Freud em suas ideias e também um aliado financeiro.

Freud criou o termo “psicanálise” para designar um método para investigar os processos inconscientes e de outro modo inacessíveis do psiquismo.

Nos tempos do nazismo, Freud perdeu quatro irmãs (Rosa, Dolfi, Paula, e Marie Freud). Embora Marie Bonaparte tenha tentado retirá-las do país, elas foram impedidas de sair de Viena pelas autoridades nazistas e morreram nos campos de concentração de Auschwitz e de Theresienstadt.

Freud inicia os estudos na universidade aos 17 anos, os quais tomam-lhe inesperadamente bastante tempo até a graduação, em 1881. Registros de amigos que o conheciam naquela época, assim como informações nas próprias cartas escritas por Freud, sugerem que ele foi menos diligente nos estudos de medicina do que devia ter sido. Em lugar dos estudos, ele atinha-se à pesquisa científica, inicialmente pelos estudos dos órgãos sexuais de enguias — um estranho, mas interessante presságio das teorias psicanalíticas que estariam por vir vinte anos mais tarde. De acordo com os registros, Freud completa tal estudo satisfatoriamente, mas sem distinção especial. Em 1877, desapontado com os resultados e talvez menos excitado em enfrentar mais dissecações de enguias, Freud vai ao laboratório de Ernst Brücke, que torna-se seu principal modelo de ciência.

 

 

Com Brücke, Freud entra em contato com a linha fisicalista da Fisiologia. O interesse de Brücke não era apenas descobrir as estruturas de órgãos ou células particulares, mas sim, suas funções. Dentre as atribuições de Freud, nesta época, estavam o estudo da anatomia e da histologia do cérebro humano. Durante os estudos, identifica várias semelhanças entre a estrutura cerebral humana e a de répteis, o que o remete ao então recente estudo de Charles Darwin sobre a evolução das espécies e à discussão da “superioridade” dos seres humanos sobre outras espécies.

No hospital, depois de algumas desilusões com o estudo dos efeitos terapêuticos da cocaína — com inclusive um episódio de morte por overdose de um amigo da época do laboratório de Brücke —, Freud recebe uma licença e viaja para a França, onde trabalha com Charcot, um respeitável psiquiatra do hospital psiquiátrico Saltpêtrière que estudava a histeria.

De volta ao Hospital Geral e entusiasmado pelos estudos de Charcot, Freud passa a atender, na maior parte, jovens senhoras judias que sofriam de um conjunto de sintomas aparentemente neurológicos que compreendiam paralisia, cegueira parcial, alucinações, perda de controle motor e que não podiam ser diagnosticados com exames. O tratamento mais eficaz para tal doença incluía, na época, massagem, terapia de repouso e hipnose.

 

 

Freud iniciou seus estudos pela utilização da técnica da hipnose como forma de acesso aos conteúdos mentais no tratamento de pacientes com histeria. Ao observar a melhoria de pacientes de Charcot, elaborou a hipótese de que a causa da doença era psicológica, não orgânica. Essa hipótese serviu de base para seus outros conceitos, como o do inconsciente. Freud também é conhecido por suas teorias dos mecanismos de defesa, repressão psicológica e por criar a utilização clínica da psicanálise como tratamento da psicopatologia, através do diálogo entre o paciente e o psicanalista. Freud acreditava que a desejo sexual era a energia motivacional primária da vida humana, assim como suas técnicas terapêuticas. Ele abandonou o uso de hipnose em pacientes com histeria, em favor da interpretação de sonhos e da livre associação, como vias de acesso ao inconsciente.

Suas teorias e seu tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. Suas ideias são frequentemente discutidas e analisadas como obras de literatura e cultura geral em adição ao contínuo debate ao redor delas no uso como tratamento científico e médico.

Em suas teorias, Freud afirma que os pensamentos humanos são desenvolvidos, obtendo acesso à consciência, por processos diferenciados, relacionando tal ideia à de que a sistemática do nosso cérebro trabalha essencialmente com o campo da semântica, isto é, a mente desenvolve os pensamentos num sistema intrincado de linguagem baseados em imagens, as quais são meras representações de significados latentes.

Em diversas obras, como “A Interpretação dos Sonhos”, “A Psicopatologia da Vida Cotidiana” e “Os Chistes e suas Relações com o Insconsciente”, Freud não só desenvolve sua teoria sobre o inconsciente da mente humana, como articula o conteúdo do inconsciente ao ato da fala, especialmente aos atos falhos.

 

 

Para Freud, a consciência humana subdivide-se em três níveis, Consciente, Pré-Consciente e Inconsciente – o primeiro contém o material perceptível; o segundo o material latente, mas passível de emergir à consciência com certa facilidade; e o terceiro contém o material de difícil acesso, isto é, o conteúdo mais profundo da mente do homem, que está ligado aos instintos primitivos do homem.

Os níveis de consciência estão distribuídos entre as três entidades que formam a mente humana, ou seja, o Id, o Ego e o Superego.

Freud inovou em dois campos. Simultaneamente, desenvolveu uma teoria da mente e da conduta humana, e uma técnica terapêutica para ajudar pessoas afetadas psiquicamente. Alguns de seus seguidores afirmam estar influenciados por um, mas não pelo outro campo.
Embora ao longo de sua carreira Freud tenha tentado encontrar padrões de repressão entre seus pacientes que derivassem em um modelo geral para a mente, ele observou que pacientes diferentes reprimiam fatos diferentes. Observou ainda que o processo da repressão é em si mesmo um ato não-consciente (isto é, não ocorreria através da intenção dos pensamentos ou sentimentos conscientes). Em outras palavras, o inconsciente era tanto causa como efeito da repressão.

Cocaína

Como um pesquisador da área médica, Freud foi um dos primeiros usuários e proponentes da cocaína como um estimulante, bem como analgésico. Ele escreveu vários artigos sobre as qualidades antidepressivas do medicamento e ele foi influenciado por seu amigo e confidente Wilhelm Fliess, que recomendou a cocaína para o tratamento da “neurose nasal reflexa”. Fliess operou Freud e o nariz de vários pacientes de Freud que ele acreditava estarem sofrendo do transtorno, incluindo Emma Eckstein, cuja cirurgia foi desastrosa.

Freud achava que a cocaína iria funcionar como uma panacéia para muitos transtornos e escreveu um artigo científico bem recebido, “On Coca”, explicando as suas virtudes. Prescreveu-o para seu amigo Ernst von Fleischl-Marxow para ajudá-lo a superar o vício da morfina que tinha adquirido ao tratar uma doença do sistema nervoso.

 

 

Freud também acreditava que a libido amadurecia nos indivíduos por meio da troca de seu objeto (ou objetivo). Argumentava que os humanos nascem “polimorficamente perversos”, no sentido de que uma grande variedade de objetos possam ser uma fonte de prazer, sem ter a pretensão de se chegar à finalidade última, ou seja, o ato sexual. O desenvolvimento psicosexual ocorreria em etapas, de acordo com a área na qual a libido está mais concentrada: a etapa oral (exemplificada pelo prazer dos bebês ao chupar a chupeta, que não tem nenhuma função vital, mas apenas de proporcionar prazer); a etapa anal (exemplificada pelo prazer das crianças ao controlar sua defecação); e logo a etapa fálica (que é demonstrada pela manipulação dos órgãos genitais). Até então percebe-se que a libido é voltada para o próprio ego, ou seja, a criança sente prazer consigo mesma. O primeiro investimento objetal da libido, segundo Freud, ocorreria no progenitor do sexo oposto, esta fase caracterizada pelo investimento libidinal em um dos progenitores (se chama complexo de Édipo). A criança percebe então que entre ela e a mãe (no caso de um menino) existe o pai, impedindo a comunhão por ele desejada. A criança passa então a amar a mãe e a experienciar um sentimento antagônico de amor e ódio com relação ao pai. Ela percebe então que tanto o amor vivido com a mãe como o ódio vivido com o pai são proibidos e o complexo de Édipo é então finalizado com o surgimento do superego, com a desistência da criança com relação à mãe e com a identificação do menino com o pai.

O modelo psicossexual que desenvolveu tem sido criticado por diferentes frentes. Alguns  têm atacado a afirmação de Freud sobre a existência de uma sexualidade infantil (e, implicitamente, a expansão que se fez na noção de sexualidade). Outros autores, porém, consideram que Freud não ampliou os conhecimentos sobre sexualidade (que tinham antecedentes na psiquiatria e na filosofia, em autores como Schopenhauer); senão que Freud “neurotizou” a sexualidade ao relacioná-la com conceitos como incesto, perversão e transtornos mentais. Ciências como a antropologia e a sociologia argumentam que o padrão de desenvolvimento proposto por Freud não é universal nem necessário no desenvolvimento da saúde mental, qualificando-o de etnocêntrico por omitir determinantes sócio-culturais.

Outro elemento importante da psicanálise é a pouca intervenção do psicanalista para que o paciente possa projetar seus pensamentos e sentimentos no psicanalista. Através deste processo, chamado de transferência, o paciente pode reconstruir e resolver conflitos reprimidos (causadores de sua doença), especialmente conflitos da infância com seus pais.

Freud morre de cancro no palato aos 83 anos de idade (passou por trinta e três cirurgias). Supõe-se que tenha morrido de uma overdose de morfina. Freud sentia muita dor, e segundo a história contada, ele teria dito ao médico que lhe aplicasse uma dose excessiva de morfina para terminar com o sofrimento, o que seria eutanásia.

Encontra-se sepultado no Golders Green Crematório, Golders Green, Grande Londres na Inglaterra.

 

 

 

 

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 18 de Nisan 5773 / Maringá, 29 de Março 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog.

 

 

 

 

 

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O que é o Talmude?

Rabino Adin Steinsaltz, sábio responsável pela tradução do Talmud ao hebraico moderno, ao inglês e ao russo referiu-se à importância dessa obra magistral com as seguintes palavras: “Se a Torá é a pedra fundamental do judaísmo, o Talmud é seu pilar central, que se projeta para o alto baseando-se em seus fundamentos e que sustenta o magnífico conjunto de sua edificação espiritual e intelectual”.

 

Talmude

 

O Talmud define e dá forma ao judaísmo, alicerçando todas as leis e rituais judaicos. Enquanto o Chumash (o Pentateuco, ou os cinco livros de Moisés) apenas alude aos Mandamentos, o Talmud os explica, discute e esclarece. Não fosse este, não entenderíamos e muito menos cumpriríamos a maioria das leis e tradições da Torá e o judaísmo não existiria. Historicamente, os judeus que, individualmente ou em grupo, negaram sua validade, acabaram por se assimilar ou desaparecer. E, como outras religiões adotaram o texto da Torá Escrita – Torá she-bichtav, mesmo a tendo traduzido de forma errada, adicionando ou removendo partes da mesma e a interpretando de forma proibida pelo judaísmo, é o Talmud o verdadeiro divisor de águas, o texto sagrado que diferencia os judeus das outras nações do mundo.

Nós, judeus, sempre tivemos consciência de que nossa sobrevivência como grupo dependia do estudo deste trabalho. Os inimigos históricos de nosso povo, que devido a interesses teológicos ou nacionais quiseram converter ou destruir o judaísmo, também estavam cientes dessa realidade. No passado, quem se aventurava a declarar guerra à religião judaica, começava por proibir o estudo do Talmud, sob risco de pena de morte. Através do curso da história, em diferentes países e períodos, esta magna obra foi queimada, em praça pública. Muitos de seus trechos foram removidos por aqueles que se sentiam ameaçados por sua genuína interpretação da Torá, pela elucidação clara e inequívoca que dava aos Mandamentos Divinos e por seu repúdio absoluto a qualquer forma de idolatria ou imoralidade.

 

 

Mas, o que vem a ser esta obra monumental? Pode-se dizer, com segurança, que a maioria dos judeus de nossos dias já ouviu menção ao mesmo, mas apenas uma pequena minoria o estudou. Sua definição formal é a de ser a compilação da Lei Oral, que foi transmitida por D’us a Moisés, no Monte Sinai, tendo sido estudada e dissecada, através dos séculos, pelos sábios que viviam em Israel e na Babilônia, até o início da Idade Média. O Talmud tem dois componentes principais: a Mishná, um livro sobre a lei judaica, escrito em hebraico, e a Guemará, comentário e elucidação do primeiro, escrita no jargão hebraico-aramaico.

Um olhar superficial sobre a Guemará pode induzir alguém a pensar que se trate apenas de explicações e elaborações sobre as leis e ensinamentos da Mishná. Mas, na realidade, trata-se de algo muito mais abrangente um conglomerado de milhares de anos de sabedoria, história, legislação, lendas e filosofia judaica. Sua santidade e autoridade, como veículos para a Revelação Divina, em nada são inferiores à da Torá Escrita. Ademais, mistura – entre outras áreas do conhecimento – as ciências à lógica, aconselhamento prático, lições e relatos extraordinários, palavras de perspicácia e inspiração e, até mesmo, ocasionais toques de humor. O Talmud é uma mescla de arte e ciências: é o livro da legislação judaica – técnico e preciso – mas é também uma enciclopédia e uma obra magistral de sabedoria, jamais igualada na história da humanidade.

Para um iniciante no estudo do Talmud, a Guemará pode parecer que foi escrita com total liberdade de pensamento. Geralmente envereda por apartes tangenciais ao assunto em pauta, daí partindo para a discussão de um mandamento, o relato de uma história ou simplesmente oferecendo pérolas de sabedoria que, de uma maneira ou de outra, têm alguma relação com o assunto tratado. No entanto, a bem da verdade, todo o seu arcabouço é extraordinariamente bem ordenado e lógico. Cada uma de suas palavras foi submetida à meticulosa revisão antes de ser transcrita.

 

 

É irônico que esta fonte básica e fundamental da lei judaica sirva muito raramente como autoridade final e definitiva para as discussões sobre o que a Torá nos ordena. Seguimos este Pentateuco de acordo com os ditames do Shulchan Aruch (o Código da Lei Judaica) e dos sábios contemporâneos que interpretam as aplicações de suas leis. Mas o Talmud permanece sendo o alicerce imutável para praticamente todas as leis que emanam da Torá.

A Torá Oral

O Talmud cobre uma ampla variedade de assuntos, seguindo, no entanto, um plano coerente e muito bem estruturado a dizer, a Mishná, pilar central da Lei Oral. Comparada à Guemará, é concisa e objetiva. Compõe-se de uma série de declarações, organizadas por assunto e tópico, que ensinam as leis, a tradição e a história judaica. Apesar de seu conteúdo se originar do Monte Sinai, algumas de suas declarações são atribuídas ao mestre ou à escola de pensamento que as elucidou e difundiu. Os sábios talmúdicos foram mais do que a simples “cadeia de transmissão” que remonta a Moshé Rabeinu. Pois está escrito que cada um deles tinha atingido tão elevado nível espiritual que conseguia até mesmo ressuscitar os mortos. Esses mestres da Torá personificavam a Vontade de D’us e, assim sendo, cada aspecto de sua conduta e cada uma de suas palavras foram marcadas por absoluta precisão e orientação Divina.

É a Mishná que provê a Guemará de sua base organizacional e factual. Cada uma das leis talmúdicas precisa ter uma fonte e esta é encontrada na Mishná. A Guemará pode dissecar e divagar sobre os ditames da Mishná, estabelecer conexões entre seus diferentes assuntos e esclarecer aparentes contradições, mas não pode abertamente discordar da mesma. A Mishná surge como o árbitro final em qualquer litígio talmúdico.

Há outras coletâneas de diretrizes e ensinamentos, que são parte integrante da Torá Oral: Sifra e Sifri, Tosefta e Bareitot, além dos Midrashim, que também foram preservados por escrito, muitos dos quais dentro da própria Guemará. No entanto, a Mishná tem precedência sobre os demais ensinamentos da Torá Oral. Isto significa que sempre que houver uma aparente contradição entre um ditado da Mishná e qualquer outro ensinamento da Lei Oral, caberá à Guemará buscar a verdade na qual se fundamenta o tema, com base na própria Mishná.

 

É importante mencionar que quando as pessoas falam no Talmud, geralmente estão-se referindo ao Babilônico. No entanto, há outro que foi escrito em Israel. Conhecido como o de Jerusalém o Talmud Yerushalmi foi revisado pelo Rabi Yochanan 300 anos após a destruição do Segundo Templo. É bem mais conciso que o Talmud Bavli, o Babilônico, pois, de fato, trata principalmente das leis referentes à Terra de Israel. Via de regra, os judeus que viviam na diáspora negligenciavam a obra compilada em Jerusalém, mas, nos últimos anos, vimos renascer o interesse por essa obra, devido grandemente ao retorno de milhões de judeus à Terra de Israel.

Desde o Monte Sinai, a Torá Oral – ou Torá she-be’alpê – como seu nome bem o indica, só foi transmitida oralmente. Por razões várias, nossos sábios nunca permitiram que fosse escrita. Mas, uma vez destruído o Segundo Templo, os líderes judeus começaram a se preocupar que a Torá Oral, sendo tão maciça e complexa, cairia no esquecimento em virtude da opressão romana e a conseqüente dispersão do povo judeu. No ano de 188 a.E.C., o Rabi Yehudá ha-Nassi, sábio cuja inigualável liderança e vastidão de conhecimentos sobre a Torá lhe valeram o título de o “Rabi (do Talmud)”, finalmente terminou de compilar a Mishná. Centenas de anos mais tarde, já no final do séc. IV da E.C., Rav Ashi, importante sábio babilônico, iniciou a compilação de todo o Talmud. Seus discípulos e os alunos destes deram continuidade à gigantesca obra de redigi-lo. No entanto, diferentemente da Mishná, o Talmud foi oficialmente completado por nenhum erudito em particular; daí dizer-se que “ainda está por ser terminado”. Através dos séculos, suas palavras e ensinamentos foram meticulosamente analisados, interpretados e explicados por incontáveis sábios, estudiosos e mestres. É geralmente comparado ao oceano sua vastidão é tremenda, mas sua profundidade é incomensuravelmente maior. De fato, é um fiel testamento da Infinita Torá de D’us.

O estudo do Talmud

Em hebraico, esta palavra significa literalmente “estudo” ou “aprendizado”. É a incorporação do fundamental mandamento judaico de “estudar a Torá” – Talmud Torá. Ao contrário de quase todos os outros campos do saber, o estudo do Pentateuco tem propósitos que vão muito além da simples aquisição de conhecimentos. É um meio e um fim, por si só; seu objetivo é o próprio aprendizado. Portanto, o grau de importância e aplicação prática da matéria em discussão tem importância secundária. Isto não significa que não tenha relevância. Pois como aprendemos com nossos mestres, o estudo da Torá é o maior de todos os mandamentos judaicos, uma vez que faz com que se evitem os pecados e se pratiquem atos positivos e boas ações que beneficiem nossos semelhantes. É óbvio que para aprender as leis do judaísmo – e os princípios e detalhamentos necessários para cumpri-las – é imprescindível estudar a Torá. Segundo esta perspectiva, este estudo tem um propósito prático. No entanto, o simples fato de a estudar – mesmo que não haja nenhuma aplicação prática ou razão para fazê-lo – é extraordinariamente precioso aos olhos dos Céus. Alguns de nossos mestres foram ainda mais longe, ao dizer que o estudo da Torá, apenas, é mais importante do que o cumprimento dos outros mandamentos, apesar de nenhum deles ter o poder de substituir o outro. Pois como está escrito nas preces matinais que recitamos todos os dias,…”Elu devarim…São estes os mandamentos que, se os praticar, o homem colherá os frutos neste mundo, enquanto que a sua recompensa final o esperará na vida futura: honrar pai e mãe, praticar atos de bondade, …promover a paz entre os homens; mas, acima de tudo, reina soberano o estudo da Torá, cujo valor a todos eles se equipara” (Mishná: Peá 1:1).

 

A raiz da palavra hebraica Torá é hora’á – ensinamento. O Pentateuco ensina ao homem o caminho que terá que seguir se optar por viver de acordo com os desejos e diretrizes de D’us. Aquele que estuda a Torá precisa viver de uma forma que honre e eleve o judaísmo e o povo judeu. Sua vida e conduta devem refletir a sabedoria, piedade, compaixão e todos os outros ideais incorporados pela Torá. Pois, caso contrário, diziam nossos sábios, “melhor seria nunca ter vindo a este mundo”. Afirmavam, também, categoricamente, que aquele que alega ter adquirido a sabedoria da Torá, mas não cumpre os seus mandamentos nem pratica boas ações, não a incorporou, de fato, dentro de si.

Existe uma concepção errônea generalizada de que a Torá é simplesmente um livro de lei e história judaica-divina, mas, ainda assim, apenas isto. A verdade é que representa a Vontade e a Sabedoria do Criador. O Talmud discute uma grande variedade de assuntos – uns sublimes, outros mundanos – mas todos, de alguma forma, refletem o relacionamento e envolvimento de D’us com este Seu mundo. Diferentemente das obras da Cabalá, preocupa-se, sobretudo, com o terreno e o mundano. Discute o que há de mais intrincado e, às vezes, o que aparenta ser totalmente irrelevante na lei judaica. Porém, oculto em suas lições e ditames, escondem-se profundos segredos e ensinamentos espirituais e místicos.

A Torá abarca todos os assuntos e a estudamos para entender como nos relacionar e agir diante de cada um destes. Nas palavras do Rabino Steinsaltz: “Os mandamentos e as aplicações práticas das leis da Torá estão subordinados à busca pela verdade que se esconde por trás de todas as coisas. O propósito sublime do Talmud não é utilitário, de forma alguma – mas unicamente a busca da verdade”. É por esta razão, como vimos acima, que a aplicação prática de qualquer tema nele discutido é de importância secundária. O que esta obra busca é a verdade e a visão da Torá sobre qualquer assunto ou matéria, quer seja legal, histórico ou filosófico. Portanto, uma prova ou declaração que possa dar a impressão de ser auto-evidenciada poderá ser questionada ou mesmo rejeitada pelo Talmud – pois pode conter alguma falha sutil, quase imperceptível em sua lógica ou argumentação. Este apenas aceita a argumentação mais convincente. Simboliza a busca do judaísmo pela verdade absoluta. Não há dogmas na religião judaica: quase tudo pode e deve ser questionado, apesar de que a pessoa conscienciosa deve entender que a alma humana ainda não está preparada e, portanto, não pode pretender compreender, em toda a sua plenitude, a Vontade e a Sabedoria do Criador.

 

 

Como o objetivo primordial do Talmud é essa busca da verdade, esta obra é praticamente toda estruturada em perguntas e respostas. E mesmo quando as perguntas não são explicitamente articuladas, encontram-se por trás de cada afirmação e ensinamento. Talvez seja o único livro sagrado, no mundo, que não apenas permite, mas estimula os que o estudam a questioná-lo. A Sabedoria de D’us está oculta em suas palavras, cabendo a cada um dos que o estudam, seja este sábio ou iniciante, tentar desenterrá-la. No entanto, é preciso lembrar-se que a Torá, em sua plenitude, originou-se de D’us; cada um de seus ensinamentos que já foi ou venha a ser praticado, foi transmitido a Moisés no Monte Sinai. Assim sendo, quando um sábio Talmudista faz uma afirmação, ele não está agregando ou opinando sobre algo, mas sim revelando um assunto da lei ou da sabedoria Divina. Aquele que domina as matérias acerca da lei judaica precisa ser um verdadeiro mestre em Torá. E deve entender que carrega consigo a tremenda responsabilidade de discernir e transmitir a Vontade de D’us ao povo judeu. Seus ensinamentos devem ser firmemente arraigados no Talmud e no Código da Lei Judaica, devendo ser uma extensão viva da Torá, originalmente entregue a Moisés.

É bem verdade que há diferenças de opinião no Talmud e isto, infelizmente, tem sido usado como desculpa para interpretações pessoais e aplicações impróprias ou tentativas de “reformular” as leis da Torá. Estas concepções errôneas geralmente são oriundas da falta de entendimento da dimensão espiritual da lei judaica. Diferentemente dos campos de conhecimento secular, pontos de vista diferentes sobre a Torá não constituem imprecisão ou erro. Pelo contrário, os mandamentos aparentemente contraditórios – que na prática, são raros – refletem as diferentes maneiras pelas quais D’us se relaciona com o mundo: por vezes com flexibilidade e condescendência, por vezes, com maior severidade. Uma das maiores polêmicas históricas no Talmud ocorre entre as escolas de dois grandes sábios: Hillel e Shammai. Suas disputas acabaram sendo resolvidas por uma voz que emanou dos Céus, afirmando: “Ambos transmitem as palavras do D’us Vivo, mas a decisão está alinhada com a escola de Hillel”. O fato de um método ser preferível ao outro não invalida o outro nem significa que seja impreciso, de forma alguma. Os místicos judeus ensinaram que Hillel personificava o atributo Divino da flexibilidade e condescendência, enquanto que Shammai incorporava as qualidades Divinas da precisão e do rigor. Explicam que como vivemos em um mundo imperfeito, necessitando constantemente de misericórdia, seguimos, quase que sem exceção, os mandamentos da Torá de acordo com os ditames da escola de Hillel. Na era messiânica, no entanto, quando o mundo atingir um estado de perfeição, iremos seguir a Torá como a ensinava Shammai. Por isso, devemos sempre lembrar que não há ensinamento alheio, não pertinente, no Talmud. Ainda que não sejam seguidos os ensinamentos de um determinado sábio – qualquer que seja a razão para tal – não podem, de forma alguma, ser depreciados, pois também esses preceitos são oriundos do Monte Sinai. Há uma história sobre um sábio que afirmou que um certo ensinamento não era de seu agrado, sendo repreendido por seus colegas que lhe disseram ser errado afirmar que “isto é bom e isto não é”, em se tratando da Torá.

O Pentateuco, em sua totalidade, é perfeito e aquele que o estuda com o espírito preparado – e com todo o respeito que merece – conecta-se de imediato com D’us. Pois o Senhor de Tudo, cujo Saber é Infinito, “condensou” Sua Sabedoria em Sua Torá, para que o homem possa entender o pouco sobre Ele que pode ser compreendido pela mente humana. O mérito no estudo da Lei de Moisés, por si só – não com o intuito de conquistar honras e louvores – tem inestimável valor para os Céus. Sobre o estudo do Talmud, especificamente, declarou o Rabi Yehudá ha-Nassi: “Não há medida maior de recompensa do que esta”.

Através dos séculos, o povo judeu fez muitos sacrifício, para poder estudar e ensinar e, desta forma, preservar o Talmud. Entenderam – da mesma forma, como, infelizmente, o fizeram seus inimigos – que, de fato, era o que os preservava. Não há antídoto maior contra a assimilação judaica do que o estudo da Torá. E esta é uma das razões pelas quais, juntamente com a prática da caridade, constitui o maior dos mandamentos Divinos. Mas este estudo serve como uma confirmação disso, ainda maior do que a sobrevivência coletiva do povo judeu. Ensinam os nossos sábios que o estudo adequado da Torá “salva e protege” e é fonte de bênçãos para uma vida longa, com fartura e benesses. Pois está escrito: “O alongar-se da vida está na sua mão direita; na sua esquerda, riquezas e honra” (Provérbios, 3:16). Mesmo se apenas um único indivíduo estudar a Torá, são tantos e tão grandes os seus méritos, que têm o poder de acarretar bênçãos para o mundo inteiro. O judaísmo ensina que toda a existência física é sustentada pela força da oração, pelo estudo da Torá e pela prática de atos de bondade e justiça. Aquele que estuda a Lei de Moisés, torna-se, portanto, parceiro d’Aquele que sustenta o Universo por Ele criado.

Os sábios talmúdicos e mestres da Cabalá revelam que o estudo da Torá serve como escudo para a alma humana, protegendo-a após a vida. E, como “não há esquecimento diante do Trono de Glória do Senhor”, mesmo se uma pessoa esquecer parte da sabedoria da Torá que adquiriu, sua alma a recorda e a transporta para a eternidade. Contanto que a pessoa se mantenha fiel a seus preceitos, aprofundando-se nos mesmos e andando por seus caminhos, esta mesma Torá sempre implorará diante da Corte Celestial por essa pessoa e por todo o povo judeu. Por isso, afirmamos na prece que celebra o término de um tratado do Talmud: “A ti voltaremos e tu retornarás a nós; nossos pensamentos estão fixos em ti, assim como os teus estão fixos em nós; não te esqueceremos assim como tu não nos esquecerás – nem neste mundo, nem no Mundo Vindouro!”

 

Não há antídoto maior contra a assimilação judaica do que o estudo da Torá. E esta é uma das razões pelas quais, juntamente com a prática da caridade, constitui o maior dos mandamentos Divinos.

 

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 17 de Nisan 5773 / Maringá, 28 de Março 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog.

 

 

 

 

 

 

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Maimônides: O Rambam!

 

Moisés Maimônides

hebraico: רבי משה בן מיימון, Rabbi Moshe ben Maimon

 

Vida

No decorrer da história, houve alguns pensadores cuja influência sobre as gerações que os sucederam continua evidente até os dias de hoje.

Rabi Moshê ben Maimon (Maimônides) ou simplesmente Rambam como é mais conhecido, foi uma destas figuras.

Maimônides nasceu em 1135, na cidade de Córdoba, na Espanha, então sob domínio muçulmano. A cidade era um grande centro cultural, onde muçulmanos, judeus e cristãos conviviam e participavam ativamente da vida pública.

Em 1148, no entanto, foi tomada pelos Almohads, que pregavam a restauração da fé pura Islâmica. Os judeus que não se converteram foram expulsos. Rabi Maimon, pai de Maimônides e líder da comunidade judaica de Córdova, levou sua família de cidade em cidade no sul da Espanha durante a próxima década, à medida que os Almorávidas gradualmente varriam o país. Os comentários de Maimônides sobre os dois Talmud, o de Jerusalém e o da Babilônia, bem como seus primeiros tratados, foram compostos durante aqueles anos de perseguição.

 

 

Em 1159 chegaram a Fez, Marrocos, onde permaneceram por cinco anos. Maimônides estudou medicina e Torá durante este período, onde também compilou a maior parte de seu trabalho para o comentário da Mishná. Trabalhando às vezes sob condições difíceis, ele era com freqüência forçado a trabalhar de memória, condensando e esclarecendo as longas explicações talmúdicas da Mishná, sem ter o texto à sua frente.

Em 1164, a perseguição religiosa forçou a família a sair também de Fez. Após passarem pela Terra Santa, Rabi Maimon e sua família chegaram a Fostad, no Egito (antigo Cairo) em 1166, o ano do falecimento de Rabi Maimon. Durante os cinco anos que se seguiram, a família foi sustentada pelo irmão de Maimônides, David, permitindo que Maimônides começasse a trabalhar em sua obra Mishnê Torá. Em 1171, no entanto, David morreu num naufrágio, e Maimônides passou a exercer a medicina como forma de sustentar a família. Foi nesta conjuntura que ele deu início àquilo que mais tarde se tornaria uma carreira de sucesso como médico, chegando a servir como médico pessoal do Grande Vizir Alfadhil e do Sultão Saladin.

 

 

Por volta de 1177, as obras eruditas de Maimônides tinham se tornado tão respeitadas que foi convidado a ser Rabino Chefe do Cairo, uma comunidade judaica grande e influente. Apesar dessas responsabilidades, ele completou a Mishnê Torá logo depois e, dez anos mais tarde, seu Guia para os Perplexos.

Maimônides faleceu em 1204, em Fostat, e foi enterrado em Tiberíades, Israel.

 

Mishnê Torá

Por volta do século XII da era comum, cerca de 700 anos depois que o Talmud da Babilônia tinha recebido seu formato final, havia se desenvolvido uma vasta população de judeus para quem seus argumentos, muitas vezes sutis, eram inacessíveis. Sem as explicações talmúdicas, era difícil entender corretamente a linguagem condensada da Mishná.

Rabi Yitschakl Alfasi (o Rif) deu o primeiro passo para tornar as explicações mais acessíveis, selecionando opiniões autorais e a passagem legal relevante do Talmud, dispensando as discussões mais elaboradas e as seções de casos. Em seu formato final, a compilação do Rif foi uma tremenda realização – poucos eruditos tinham o conhecimento e a percepção necessária para estudar todo o material talmúdico para chegar às leis definitivas. Seguindo a mesma organização do Talmud – com suas freqüentes, às vezes abruptas mudanças de assunto – no entanto, a obra do Rif não era de fácil consulta àqueles que não eram bem versados no Talmud.

Maimônides procurou remediar esta deficiência compondo um código organizado por tópicos.
Mishnê Torá, é composta de 14 livros que contêm 982 capítulos e milhares de leis. Dividiu sua obra em catorze livros, com cada livro dividido em capítulos e cada capítulo desmembrado em discussões de leis individuais.

Esforçou-se para criar um código no qual o regulamento sobre um assunto específico pudesse ser prontamente localizado. Colecionando todas as legislações bíblicas, talmúdicas e pós-talmúdicas, e destacando as opiniões mais abalizadas, ele incluiu toda a gama da Lei Judaica – mesmo aquelas leis que, segundo a tradição, não serão novamente praticadas até a Era de Mashiach (tais como as referentes aos sacrifícios no Templo). Para facilitar o acesso e a leitura, Maimônides escolheu apresentar as leis em seu código sem referência a suas fontes ou explicações de seu arrazoado (ambos foram subseqüentemente fornecidos por outros comentaristas).

Sua intenção, em resumo, foi fornecer um código de leis que, em suas palavras, permitiriam que “nenhum homem teria de recorrer a qualquer outro livro sobre qualquer assunto da Lei Judaica, mas que o compêndio conteria toda a Lei Oral”. Portanto, ele decidiu chamá-la Mishnê Torá (Segundo à Torá). E de fato, a partir de sua publicação, a reação à obra foi extraordinária.
Estudada e consultada por judeus de todas as partes, a Mishnê Torá logo foi aclamada como a obra mais notável da erudição judaica desde o Talmud.

Escrita em linguagem clara e cuidadosamente elaborada, tornou-se um modelo de composição sucinta e concentrada. (Comentaristas posteriores se referem à redação das obras de Maimônides como “linguagem de ouro”). Única em seu escopo, sem par em sua composição, a obra tem se mantido como o alicerce para todas as codificações da Lei Judaica desde então.

 

 

Guia para os Perplexos

No seu livro “Guia dos Perplexos”, o Rambam mostra o caminho certo para o indivíduo. Apesar de sempre preocupar-se com o bem-estar da comunidade e do povo em geral, ele sabia muito bem que às vezes o indivíduo não se adapta às regras gerais. Por isso escreveu o livro como uma orientação para a vida.

Durante a vida de Maimônides, muitos judeus observantes tinham sentido atração pelas obras dos antigos filósofos gregos, uma influência que era popular dentre os eruditos árabes da época.
Enfrentando conflitos entre as concepções aristotélica e judaica do mundo, estes judeus se tornaram perturbados e abalados em sua fé. Preocupado com essa confusão e temendo suas potenciais conseqüências, Maimônides compôs seu Guia para elucidar sistematicamente a filosofia básica e os dogmas religiosos do Judaísmo. O Guia não foi direcionado ao judeu descrente, mas explicitamente projetado para judeus eruditos e devotos. Como escreve Maimônides em sua introdução: “O objetivo desse tratado é esclarecer um homem religioso que foi treinado a acreditar na verdade de nossa sagrada Lei, que conscientemente cumpre seus deveres morais e religiosos, e ao mesmo tempo tem obtido sucesso em seus estudos filosóficos.”

O Guia é dividido em três partes. A primeira é dedicada a discussões dos equívocos que podem surgir diretamente do texto da Torá – aparentes contradições escriturais, antropomorfismos de D’us, e similares. O segundo ataca problemas que brotam das incompatibilidades entre as abordagens “científica” (Aristotélica) e bíblica a D’us e ao mundo, e analisa extensivamente a legitimidade de aplicar o raciocínio aristotélico a questões de religião e da Torá. A seção final do Guia está voltada a temas mais gerais, fundamentalmente religiosos: a natureza do bem e do mal, o propósito do mundo, o significado por trás dos Mandamentos, o caráter da pura devoção. Infelizmente, a linguagem filosófica na qual o Guia é composto tem levado a um mau entendimento das intenções de Maimônides. Perfeitamente cônscio dessas dificuldades em potencial, Maimônides deixa claro em sua introdução que o Guia deve ser lido com muito cuidado:

 

“Aquilo que escrevi nesta obra não foi a sugestão do momento; é o resultado de profundo estudo e grande aplicação… Não o leia superficialmente, para não me ofender, e não extraia benefício para si mesmo. Você deve estudar extensivamente e ler sempre.”

Alguns dos mais notáveis comentaristas rabínicos clássicos na verdade indicaram que muitos dos conceitos que Maimônides discute estão baseados em profundas opiniões do Zôhar, o texto básico do misticismo judaico. Deve-se enfatizar que embora muito filosófico e científico, o Guia permanece profundamente enraizado na Torá. Maimônides via a ciência e a filosofia como auxílios ao entendimento das Leis de D’us, em vez de um fim em si mesmas.

Apesar desses mal entendidos que se seguiram à publicação e ao fato de ter uma platéia específica, a influência do Guia foi profunda, tanto no círculo judaico quanto no não-judaico. Indiscutivelmente o mais comentado dos tratados filosóficos de todos os tempos, possui mais de trinta comentários em hebraico cujos autores são conhecidos e grande número de outros comentários escrito por autores cujos nomes se perdeu.

Traduzido em praticamente todos os idiomas europeus, é citado extensivamente nas obras de Aquino, Bacon e outros. O mais significativo, porém, é que o Guia foi responsável por abrir uma nova era de investigação judaica em questões de filosofia, servindo tanto como pedra fundamental quanto como um catalisador para obras subseqüentes em seu gênero

 

Os Treze Princípios de Fé

O Rambam faz parte da vida dos sábios e dos eruditos, quando todos os dias se elevam ao mergulhar na profundidade de seus livros. Mesmo as pessoas menos instruídas são influenciadas pelo Rambam, através dos 13 Princípios da Fé, formulados por ele.

Esses princípios da fé judaica versam sobre as virtudes, a fidelidade e a fé na eternidade da Torá e na breve vinda de Mashiach – todos estes valores tiveram e têm um papel importante na complementação espiritual de nosso povo. Esta prece representa a grandeza da obra do Rambam, pois ele conseguiu penetrar no intelecto e no coração de todos os judeus; do mais erudito ao mais afastado dos conhecimentos da Torá.

Cada um dos 613 preceitos da Torá serve para:

Transmitir atitudes apropriadas
Remover concepções errôneas
Estabelecer legislação
Eliminar a perversidade e a injustiça
Imbuir no indivíduo virtudes exemplares
Deter a pessoa perante as más inclinações.

Os Treze Princípios da Fé – segundo Maimônides “Ani Maamin” – Creio plenamente:

Creio plenamente que D’us é o Criador e guia de todos os seres, ou seja, que só Ele fez, faz e fará tudo.
Creio plenamente que o Criador é um e único; que não existe unidade de qualquer forma igual à d’Ele; e que somente Ele é nosso D’us, foi e será.
Creio plenamente que o Criador é incorpóreo e que está isento de qualquer propriedade antropomórfica.
Creio plenamente que o Criador foi o primeiro (nada existiu antes d’Ele) e que será o último (nada existirá depois d’Ele).
Creio plenamente que o Criador é o único a quem é apropriado rezar, e que é proibido dirigir preces a qualquer outra entidade.
Creio plenamente que todas as palavras dos profetas são verdadeiras.
Creio plenamente que a profecia de Moshê Rabeinu é verídica, e que ele foi o pai dos profetas, tanto dos que o precederam como dos que o sucederam.
Creio plenamente que toda a Torá que agora possuímos foi dada pelo Criador a Moshê Rabênu.
Creio plenamente que esta Torá não será modificada e nem haverá outra ortorgada pelo Criador.
Creio plenamente que o Criador conhece todos os atos e pensamentos dos seres humanos, eis que está escrito: “Ele forma os corações de todos e percebe todas as suas ações” (Tehilim 33:15).
Creio plenamente que o Criador recompensa aqueles que cumprem os Seus mandamentos, e pune os que transgridem Suas leis.
Creio plenamente na vinda do Mashiach e, embora ele possa demorar, aguardo todos os dias a sua chegada.
Creio plenamente que haverá a ressurreição dos mortos quando for a vontade do Criador.

 

Comentário final

Nas áreas da lei e da filosofia, as contribuições de Maimônides ao pensamento judaico são ímpares. Seu Comentário à Mishná, Mishnê Torá e Guia Para os Perplexos são cada qual um marco na história do pensamento judaico. De fato, a extensão da influência de Maimônides sobre eruditos de épocas posteriores talvez seja melhor expressa pelo dito que está gravado sobre sua tumba em Tiberíades em Israel: “De Moshê (Moisés) a Moshê (Maimônides), nunca houve ninguém como Moshê.”

Numa próxima edição falaremos mais um pouco sobre  a vida e obra de  Maimônides.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 16 de Nisan 5773 / Maringá, 27 de Março 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog.

 

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Pessach!!!

 

Pessach e Páscoa

A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas tem um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel no Egito, no Cristianismo a Páscoa representa a libertação de todo os que estavam separados de Deus pelo pecado, restaurados pela morte e ressurreição de Cristo. Assimila-se também diversos elementos alegóricos de morte e renascimento como os representados pela transição do inverno-primavera neste período no hemisfério norte. Simbolizado ainda no sacrifício de Isaac por Abraão, a entrega de seu filho para Deus, em holocausto e expiação.

Pessach (do hebraico פסח, ou seja, passagem), também conhecida como Páscoa judaica, é o nome do sacríficio executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede a festa dos pães ázimos (Chag haMatzot). Geralmente o nome Pessach é associado também a essa festa, que celebra e recorda a libertação do povo de Israel do Egito, conforme narrado no livro de Shemot (Êxodo).

 

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Origem

De acordo com a tradição, a primeira celebração de Pessach ocorreu há 3.500 anos, quando de acordo com a Torá, Deus enviou as Dez pragas do Egito sobre o povo egípcio. Antes da décima praga, o profeta Moisés foi instruído a pedir para que cada família hebreia sacrificasse um cordeiro e molhasse os umbrais (mezuzót) das portas com o sangue do cordeiro, para que não fossem acometidos pela morte de seus primogênitos.

Chegada a noite, os hebreus comeram a carne do cordeiro, acompanhada de pão ázimo e ervas amargas (como o rábano, por exemplo). À meia-noite, um anjo enviado por Deus feriu de morte todos os primogênitos egípcios, desde os primogênitos dos animais até mesmo os primogênitos da casa do Faraó. Então o Faraó, temendo a ira divina, aceitou liberar o povo de Israel para adoração no deserto, o que levou ao Êxodo.

Como recordação dessa liberação, e do castigo de Deus sobre o Faraó, foi instituído para todas as gerações o sacríficio de Pessach.

 

É importante notar que Pessach significa a passagem, porém a passagem do anjo da morte, e não a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho ou outra passagem qualquer, apesar do nome evocar vários simbolismos.

Um segundo Pessach era celebrado em 14 de Iyar, para pessoas que na ocasião do primeiro Pessach estivessem impossibilitadas de ir ao Tabernáculo, fosse por motivos de impureza ou por viagem.

 

Celebração da Pessach na época do Segundo Templo

Pessach caracterizava-se por ser uma das três festas de peregrinação ao Templo de Jerusalém. Um mês antes da festividade, Jerusalém tinha suas estradas reformadas e poços restabelecidos para garantir o conforto dos peregrinos. Geralmente todos aqueles que distanciavam trinta dias de jornada de Jerusalém vinham para as festividades, o que aumentava a população de cerca de 50 mil para cerca de três milhões. Os peregrinos geralmente se hospedavam na cidade e em cidades vizinhas, em acampamentos ou em casa de conhecidos.

Em 14 de Abib, pela manhã, o chametz (alimento fermentado) era eliminado e os sacerdotes do Templo preparavam-se para Pessach. O trabalho secular encerrava-se ao meio dia e se iniciavam os sacríficios à quinze horas. A oferenda de Pessach constituía-se de cordeiros ou cabritos, machos, de um ano de idade, e abatidos pela família (era permitido um cordeiro por família) em qualquer lugar no pátio do Templo. O shochet efetuava o abate, e sangue era recolhido pelos cohanim em recipientes de prata e ouro, que passavam de um para outro até o cohen próximo ao altar, que derramava o sangue na base deste altar. O recipiente vazio depois retornava para novo uso. Estes recipientes não podiam possuir fundo plano para evitar a coagulação do sangue. Em seguida, o animal era pendurado, esfolado e aberto, e tinha suas entranhas limpas de todo e qualquer excremento. A gordura das entranhas, o lóbulo do fígado, os dois rins com a gordura sobre estes e a cauda até a costela eram retirados e colocados em um recipiente, salgados e queimados sobre o altar.

As oferendas de Pessach eram feitas em três grupos com cada um de no mínimo trinta homens. O primeiro grupo deveria entrar e quando o pátio do Templo estivesse cheio, os portões eram fechados. Os levitas entoavam o Halel e o repetiam, se necessário, até que todos houvessem sacrificado seus animais. A cada vez que o Halel era entoado os cohanim tocavam três toques de shofar: Tekiá, Teruá e Tekiá. Após a oferenda queimada das partes do sacríficio, os portões eram abertos, o primeiro grupo saía, entrava o segundo e se iniciava novamente o processo. E assim com o terceiro grupo. Após todos terem saído, lavava-se o pátio da sujeira que ali se acumulara. Um duto de água atravessava o pátio do Templo e havia um lugar por onde ele saía. Quando se queria lavar o chão, era fechada a saída e a água transbordava, inundando o recinto. Depois abria-se a saída e a água saia com todas as sujeiras acumuladas, ficando o chão completamente limpo.

Deixando o templo, cada família carregava seu animal sacrificado e o assava, fazendo em suas casas uma ceia festiva, onde todos se vestiam de branco. A ceia seguia os príncipios do atual sêder de Pessach, com exceção da inclusão do cordeiro pascal. Após a ceia, muitos iam para as ruas festejar, enquanto outros iam para o Templo, que abria suas portas à meia-noite.

Com a destruição do Segundo Templo, a impossibilidade de haver um local de reunião e sacrifício tornou inviável a continuação dos sacríficios de cordeiros. Inicia-se então a transformação de Pessach em uma noite de lembranças, sem o sacrifício pascal.

 

Observâncias da Pessach após a destruição do Segundo Templo

 

Pessach é hoje uma festa central do Judaísmo e serve como uma conexão entre o povo judeu e sua história. Antes do início da festa, os judeus removem todos os alimentos fermentados (chamados chametz) de seus lares e os queimam. Não é permitido permanecer com chametz durante a Pessach. Os objetos de chametz são escondidos, e outros, passíveis de um processo de casherização, são mantidos; os utilizados para cozinhar passam pelo fogo, e os de comidas frias passam pela água. É proibido realizar qualquer trabalho depois de meio-dia de 14 de Nissan, ainda que um judeu possa permitir que um goy realize esse trabalho.

A festa de Pessach é antes de tudo uma festa familiar, onde nas primeiras duas noites (somente na primeira em Israel) é realizado um jantar especial chamado de Sêder de Pessach. Neste sêder a história do Êxodo do Egito é narrada, e se faz as leituras das bençãos, das histórias da Hagadá, de parábolas e canções judaicas. Durante a refeição, come-se matzá (pão ázimo) e ervas amarga.

Este ano, o 1º Seder de Pessach, em 15 de Nissan, será na segunda-feira à noite, 25 de março. Os preparativos para Pessach têm início na noite anterior, após o pôr-do-sol de domingo, 24 de março.

 

O Seder de Pessach

A cada geração, cada judeu deve se ver como se ele pessoalmente tivesse saído do Egito. Pois está escrito: “Você deverá contar aos seus filhos, neste dia, “Deus fez estes milagres para mim, quando eu saí do Egito…”

Esta é a ordem a ser seguida no Seder de Pessach:

Kadesh (קדש – santificação) – Recitação do kidush e a ingestão do primeiro copo de vinho.

Urchatz (ורחץ – lavagem) – Lavagem de mãos.

Karpas (כרפס) – Mergulha-se karpas (batata, ou outro vegetal), em água salgada. Recita-se a benção e a karpas é comida em lembrança às lágrimas do sofrimento do povo de Israel .

Yachatz (יחץ – divisão da matzá) – A matzá é partida ao meio e embrulha-se o pedaço maior e separando-o de lado para o Afikoman .

Maguid (מגיד – conto) – Conta-se a história do êxodo do Egito e sobre a instituição de Pessach.Inclui a recitação das “Quatro perguntas” e bebe-se o segundo copo de vinho.

Rachatzá (רחצה – lavagem) – Segunda lavagem de mãos.

Motzi Matzá (מוציא מצה)- O chefe da casa ergue os três pedaços de matzá e faz as bençãos das matzot. As matzot são partidas e distribuídas.

Maror (מרור -raiz forte) – São comidas as raízes fortes relembrando a escravidão e o sofrimento dos judeus no Egito.

Korech (כורך -sanduíche) – Faz-se um sanduíche com a matzá, maror e charosset.

Shulchan Orech (שולחן עורך)- É realizada a refeição festiva.

Tzafon (צפון – escondido) – Aqui é comida a matzá que havia sido guardada.

Barech (ברך – Bircat HaMazon) – É recitada a benção após as refeições. Bebe-se o terceiro copo de vinho.

Halel (הלל -louvor) – Salmos e cânticos são recitados. Bebe-se o quarto copo de vinho.

Nirtza (נירצה – ser aceito) – Alguns cânticos são entoados e têm-se o costume de finalizar o jantar com os votos de LeShaná HaBa’á B’Yerushalaim – “Ano que vem em Jerusalém” como afirmação de confiança na redenção final do povo judeu.

Afikoman – Afikoman refere-se à matzá escondida em Yachatz, comida ao final da refeição.

Shemá Ysrael….Oração feita em pessach!


Musica de Pessach!

 

 

Aqui vai uma mensagem a todos do blog que me acompanham,independente de que religião seguimos:

O homem não pode ver a face de D’us, mas pode ver D’us por trás dela. Não consegue saber o futuro, mas aprende com o passado. A partir daquilo que aconteceu, pode-se conhecer D’us e perceber que há um Divino Poder dirigindo o mundo. Quando aderimos a D’us, Suas mitsvot e à prece, nos é concedida a oportunidade de viver no presente de uma maneira que tornará nosso futuro seguro e correto.
É esta a mensagem que os pais devem transmitir aos filhos para instilar neles a crença em D’us. Esta é a segurança e futuro de nossa nação como um todo, e a inspiração para cada indivíduo levar sua vida da maneira correta.

Assim, teremos felicidade e paz interior.

 

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 15 de Nisan 5773 / Maringá, 26 de Março 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Matisyahu!!cantor de reggae judeu!!!

 

Matthew Paul Miller, conhecido por Matisyahu(cujo sentido é “Dom de Yahu” ou “Dom do Deus”, na língua aramaica), (Westchester, 30 de junho de 1979) é um cantor judeu estadunidense de reggae, que enfatiza nas suas letras os ensinos do judaísmo da linha Chabad Lubavitch.

 

Vida

Nascido no estado da Pensilvânia, no dia correspondente ao calendário judaico de 5 de Tamuz de 5740. Depois de crescido, os pais de Matisyahu enviaram-no para uma Escola Judaica onde estudava duas vezes na semana, porém como muitos outros rapazes da sua idade, resistiu às horas adicionais da escola e fora frequentemente expulso por perturbações durante as aulas

.Aos quatorze anos, Matthew Miller adquiriu um estilo de vida Hippie. “Entrou na onda” das pessoas “Dead-Head”, cultivou “dreadlocks” e gastou seus “birkenstocks” (sandálias) durante todo o inverno. Tocava os seus bongos no recreio e aprendia a fazer “Beat-box” no fundo da sala de aula. No 3º ano do colégio, embora estivesse numa época em que não havia nenhuma preocupação, Matisyahu não conseguia ignorar o vazio que sentia na sua vida. Depois de quase queimar a sua sala de química, sabia que a sua missão deveria começar imediatamente. Decidiu fazer uma viagem para o Colorado. Afastado da sua vida suburbana nas planícies brancas, Matisyahu teve a oportunidade de analisar e ter um olhar mais introspectivo sobre si contemplando o ambiente em seu redor. Estava ele na paisagem impressionante das Montanhas Rochosas, quando teve uma visão a qual atribuiu ser Deus.

 

Após sua viagem para o Colorado, a sua curiosidade espiritual aumentou e Matisyahu fez sua primeira viagem a Israel. Lá, pela primeira vez na sua vida, sentiu uma conexão ao G-d que viu em Colorado. Israel era um ponto de giro principal. Matisyahu aproveitou o tempo que gastou lá, rezando, explorando, e dançando em Jerusalém. Em cada canto encontrou a sua identidade judaica até então inativa em sua mente. Sair de Israel provou ser uma transição difícil. De volta as planícies brancas, Matisyahu não soube manter sua nova conexão com o judaísmo. Abatido, desanimado saiu do colégio e começou a seguir a banda Phish numa tour nacional. Na estrada, Matisyahu pensou seriamente sobre a sua vida, a sua música, e a sua sede pelo judaísmo.


Após alguns meses ele retornou a casa. Por este tempo seus pais insistiram para que ele se “endireitasse” e fosse para uma escola numa região selvagem de Bend em Oregon. A escola incentivava os exercícios artísticos e Matisyahu tirou vantagem deste momento para aprofundar-se mais na sua música. Estudou reggae e hip-hop. Semanalmente ele ia a um open-mic onde cantava, fazia seu beat-box, e era capaz de fazer quase qualquer coisa para manter e aguçar a sua criatividade. Foi aí que começou a desenvolver o seu estilo reggae-hip-hop. Depois de dois anos “lutando”, aos dezenove anos Matisyahu volta para Nova York um homem mudado. Mudou-se para a cidade para continuar afiando seu estudo musical, e também começou a interessar-se pelo teatro. Durante este tempo, foi ver o Carlebach Shul, uma sinagoga no lado ocidental, bem conhecida por ser amigável à energia hippie e ao seu canto exuberante. Isto fortaleceu mais sua alma, favorecendo o poder místico da música judaica hassídica. Agora, em vez do beat-box no fundo da sala de aula, ele ia para o telhado da escola orar. Religioso ou não, ele não nasceu para ficar em salas de aula.

 

 

Ao estudar na nova escola, Matisyahu escreveu uma letra intitulada “Echad” (One). A letra era sobre um menino que se encontrou com um rabino hassídico no Washington Square Park em Nova Iorque e através dele se tornou religioso. Logo após ter feito a letra, a vida de Matisyahu imitou estranhamente a sua arte. Encontrou-se com o rabino Lubavitch no parque, iniciou-se aí sua transformação de Matthew para Matisyahu. Ele que já foi céptico da autoridade e das suas regras, começou então a explorar e finalmente adquirir o estilo de vida do hassídico Lubavitch. Prosperou na disciplina e na estrutura do judaísmo, tentando cada vez mais entender a Lei Judaica. A filosofia de Chabad-Lubavitch provou ser um guia poderoso para Matisyahu. Cercou-o com o diálogo espiritual e o desafio intelectual que tem procurado desde a década passada. O distúrbio e a frustração da sua busca precipitada, e agora, 2 anos mais tarde, Matisyahu vive em Crown Heights, dividindo seu tempo entre os palcos e a yeshivá, centro de estudos religiosos.

 

 

Discografia
Álbuns

Shake off the Dust… Arise (12 de outubro – 2004)
Live at Stubb’s (19 de abril – 2005)
Youth (7 de março – 2006)
Youth Dub (7 de março – 2006)
No Place to Be (26 de dezembro – 2006)
Shattered EP (2008)
Light (25 de agosto – 2009)
Live at Stubb’s II (1 de fevereiro – 2011)
Spark Seeker (2012)
Spark Seeker Acoustic Sessions EP (28 de janeiro – 2013)

Ouçam o som  de um reggae de qualidade!!!Espero que gostem esse som  de qualidade!!

 

http://youtu.be/u5Gp4AvuhAk

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 14 de Nisan 5773 / Maringá, 25 de Março 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog.

 

 

 

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Goy!!!??? Refere-se a não-judeus?

Goy (do hebraico גוי, plural goyim גויים) é a transliteração da palavra hebraica para nação ou povo, também utilizado pela comunidade judaica para referirem-se aos não judeus, ou gentios.

No hebraico bíblico

 

Na Torá (Pentateuco), goy e suas variações aparecem cerca de 550 vezes em referência aos israelitas e às nações gentias. A primeira utilização registrada de goy ocorre em Gênesis 10:5 e aplica-se inofensivamente às nações não-israelitas. A primeira menção em relação aos israelitas está em Gênesis 12:2, quando Deus promete a Abraão que seus descendentes formariam uma goy gadol (“grande nação”). Em uma ocasião, o povo judeu é relacionado como um goy kadosh, uma “nação santa”. Enquanto os primeiros livros da Bíblia hebraica geralmente usam goy para descrever os israelitas, os posteriores tentem a aplicar o termo a outras nações.

Algumas traduções bíblicas deixam a palavra Goim não transliterada e tratam-a como um nome próprio de país em Gênesis 14:1. Comentários bíblicos sugerem que o termo poderia se referir a Guti. O “Rei de Goim” era Tidal.

 

 

É importante notar que a idéia do respeito pelos outros, e os valores de uma sociedade pluralista, formam uma parte antiga e integrante do Judaísmo e da tradição judaica. Os rabinos ensinaram que todos os homens são iguais aos olhos de D’us – se eles cumprem a vontade de D’us. O Talmud diz: “Seja judeu ou gentio, homem ou mulher, rico ou pobre – é de acordo com as ações do homem que a Presença Divina paira sobre ele.”

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 13 de Nisan 5773 / Maringá, 24 de Março 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

 

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog.

 

 

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O Projeto de Israel: Uma Bateria Avançada que Reduza a Sede de Petróleo no Mundo e os carros elétricos….

Renault-Nissan mostra carro elétrico para o mercado israelense

 

Projeto Better Place visa a introdução de elétricos em Israel até 2011.
Estimativa é que 45 mil veículos elétricos estejam em circulação em 2016.

 

A Renault-Nissan apresentou neste domingo (7), em Ramat Hasharon, próximo a Tel Aviv, o primeiro modelo elétrico do projeto Better Place que visa a introdução de veículos movidos a eletricidade em Israel até 2011. A meta das duas empresas é reduzir a emissão de poluentes no país, onde cada motorista roda, em média, 70 quilômetros por dia.

 

Primeiro modelo elétrico do projeto Better Place (Foto: Jonathan Nackstrand/AFP)

O projeto prevê ainda a instalação de infra-estrutura de uma rede de abastecimento em todo o país, com cerca de 500 mil postos de carregamento de baterias.

 

Projeto prevê a instalação de cerca de 500 mil postos de abastecimento no país (Foto: Jonathan Nackstrand/AFP)

De acordo com as marcas, o desempenho dos veículos é semelhante ao de um carro 1.6 movido a gasolina – ou seja, em média, 100 cavalos de potência.

 

Os envolvidos na produção do modelo estimam que daqui cinco anos 45 mil veículos elétricos estejam em circulação no país.

 

De Carros Elétricos a Energia Solar Disponível, As Novas Tecnologias Pioneiras de Israel:

Israel também está assumindo uma liderança na área de alternativas energéticas direcionadas à redução da emissão de CO2 e promoção do uso de energia renovável. É um dos primeiros países a participar de maneira ativa na promoção de carros elétricos para emissão zero e preparar a infraestrutura para a comercialização em massa destes veículos.
Uma empresa israelense está ativa no desenvolvimento e projeto de usinas de energia solar eficientes em todo o planeta; cidades israelenses estão contribuindo com projetos internacionais para redução da emissão de gases do efeito estufa e apenas recentemente Israel e os Estados Unidos iniciaram um projeto em parceria para programa de pesquisa para energias alternativas sancionado pelo Presidente Bush.

Baterias de íons de Lítio e os VEs:

Sem fazer alarde e com pouca cobertura da mídia, Israel também está na corrida de baterias de Lí-íons otimizadas e parece ter instituído como meta nacional o desenvolvimento de uma bateria que possa fornecer energia suficiente para 500 quilômetros de autonomia, ou seja, de percurso do VE com uma única carga.
Hoje já estamos há pouco mais de um mês que o Israeli National Center for Electrochemical Propulsion (Centro Nacional Israelense para Propulsão Eletroquímica) foi fundado. O centro será inaugurado dentro das próximas semanas e receberá um fundo de 45 milhões NIS (em torno de US$ 11,7 milhões) para os próximos quatro anos.
O centro contará com cem pesquisadores divididos em doze equipes de quatro instituições acadêmicas: Universidade de Tel AvivThe Technion (Instituto Israelense de Tecnologia), Universidade Bar Ilan e Ariel University Center of Samaria (Centro Universitário Ariel da Samaria).
O centro tem como único propósito a pesquisa e o desenvolvimento de novas tecnologias para um armazenamento de eletricidade mais efetivo e eficiente.

Substituindo o petróleo:

 

“O petróleo não tem futuro, e os responsáveis são tanto a política como a sua escassez”, disse o presidente do centro, Prof. Doron Urbach da Faculdade de Química da Universidade Bar Illan.  “Houve uma mudança de mentalidade por parte dos políticos que se infiltrou na indústria automotiva e chegou até os fabricantes de bateria. Todos querem carros elétricos. De fato, é possível dirigir por 150 quilômetros com um carro elétrico, o que é suficiente para a média dos israelenses, sendo que esse percurso deve ser aumentado.”

 

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O maior êxito da eletroquímica moderna é a bateria de íon de lítio recarregável”, explica Urbach. “É uma ótima bateria para aparelhos eletrônicos, mas para um carro seriam necessárias muitas delas. Hoje, uma bateria como a usada pela Better Place em seus carros elétricos pesa 300 kg, o suficiente para um percurso de 150 km. Nosso objetivo é estender esse percurso sem aumentar o peso e o volume.”

Aperfeiçoando baterias:

Um problema com o qual os fabricantes de carro se confrontam regularmente é a velocidade limitada de descarga elétrica das baterias. Em outras palavras, a descarga de energia em um curto espaço de tempo, como exigido na aceleração dos carros. Nesse sentido, o centro trabalha no desenvolvimento de supercapacitores que possam fornecer a quantidade de energia exigida no espaço de tempo desejado.
Os capacitores podem oferecer uma solução para o armazenamento de energia, um tema polêmico na comunidade científica. Baterias avançadas poderiam reduzir a dependência do petróleo, carvão e gás natural usados na produção de energia elétrica. A energia solar e a eólica, por exemplo, não são capazes de produzir grandes volumes de energia continuamente, o que significa que o armazenamento de energia é um dos maiores desafios no campo das energias renováveis.
O próximo estágio no desenvolvimento será o aperfeiçoamento de baterias usadas atualmente em carros que, segundo Urbach, funcionam a partir de uma tecnologia que existe a mais de cem anos. “A bateria de um carro produz em torno de cem ciclos e então morre. Isso não é o suficiente, uma vez que você não pode depender de baterias que precisam ser substituídas a cada dois ou três anos.”

Better Place battery switch station

 

O Presidente de Israel Shimon Peres vem apoiando publicamente o projeto, afirmando-o, inclusive, em termos políticos: ” … Israel pode não se tornar um país de poder industrial, mas pode ser um laboratório moderno e um projeto piloto para novas idéias, como o carro elétrico.”

A Better Place anunciou uma Estação de Troca de Bateria construída em parceria com o Aeroporto de Amsterdã Schiphol e atenderá, inicialmente, 10 táxis Renault Fluence Z.E. operados por três das principais empresas de táxi holandês – Connexxion, Bios e TCA. A estação de Schiphol é dedicada exclusivamente ao uso dos táxis elétricos Renault Fluence Z.E. neste momento, porém, a Better Place também anunciou, também, que expandirá para incluir uma segunda Estação de Troca de Bateria em Amsterdã, que aumentará a área de serviço para o primeiro grupo de táxis elétricos.

“Premiado no ano passado, o projeto é o primeiro projeto de infraestrutura de descarbonização cofinanciado pelo programa TEN-T da União Europeia, “Greening European Transportation Infrastructure for Electric Vehicles” (“Tornando Ecológica a Infraestrutura de Transporte Europeu para Veículos Elétricos”).

 

better place battery swap system

Uma estação com o sistema de troca automática da bateria da Better Place, tem o custo de US$ 500.000 e é capaz de trocar a bateria descarregada de EVs dotados de um conjunto mecanicamente adaptado ela e, ao que tudo indica, ela  tensiona tornar tal tecnologia proprietária. O objetivo principal do projeto é o fazer a troca de uma bateria seja mais rápido do que encher o tanque. Conforme testes conduzidos, o sistema de troca é capaz de fazer a mudança dentro de um minuto.
A estação de troca de bateria usa um dispositivo robótico que remove a bateria descarregada para recarga e a substitui com uma bateria recarregada. O dispositivo robótico  pode manipular baterias de tamanhos variados e o condutor precisa, apenas dirigir o carro rampa acima e pará-lo sobre o vão retangular, o retante do processo é todo automático.O sistema Better Place vem, pouco pouco, ganhando popularidade.

Final de 2012 e começo de 2013:

No início de outubro de 2012, Agassi se demitiu do seu papel como CEO da Better Place mundial, e foi substituído por Evan Thornley, CEO da Better Place – Austrália. Resumidamente, Agassi permaneceu no conselho da empresa, mas uma semana depois, ele demitiu-se nessa posição também.

Poucos dias após a nomeação de Thornley, Better Place pediu aos seus investidores para uma dotação financeira de emergência, totalizando cerca de US$ 150 milhões.

Em 29 de outubro de 2012, o Ynet, a site de noticiário de conteúdo geral mais popular de Israel, informou que a Better Place demitiria, naquela semana, 150 e 200 pessoas de sua equipe de 400 pessoas em Israel, como medida para combater o seu problema de fluxo de caixa.

No final de janeiro de 2013, Thornley renunciou, e Dan Cohen foi nomeado CEO atuando pelo conselho.

Em seu projeto mais ambicioso, na Austrália, a Better Place havia planejado a implantação de 500 estações de carga, começando nas cidades mais importantes da costa leste, antes de se expandir nacionalmente.

A primeira Estação Better Place foi instalada em Camberra no final de 2011, mas em janeiro de 2013, depois de menos de 20 pontos de recarga públicos instalados, os novos lançamentos foram interrompido e o conselho da Better Place decidiu passar a se concentrar, apenas, em seus dois outros mercados pré-existente: Israel e Dinamarca.

Obrigado pela leitura!Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Shabat Shalôm Chaverim – Paz no sábado Amigos!

Jerusalém, 12 de Nisan 5773 / Maringá,  23 de Março 2013.

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1 Comentário


Shabat Shalom!!!!

Shalom Aleichem (Oração dos Anjos)

 

Shalom Aleichem: Shalom Aleichem mal-achei hasharet mal-achei elyon, mimelech malchei hamelachim hacadosh baruch hú.

 

A paz esteja convosco, anjos da paz, Anjos do Altíssimo, enviados por parte do Rei dos Reis, O Santo, bendito seja Ele.

Boachem leshalom: Boachem leshalom mal-achei hashalom mal-achei elyon, mimelech malchei hamelachim hacadosh baruch hú.

 

A vossa vinda seja em paz, anjos da paz, Anjos do Altíssimo, enviados por parte do Rei dos Reis, O Santo, bendito seja Ele.

 

Barchuni leshalom: Barchuni leshalom mal-achei hashalom mal-achei elyon, mimelech malchei hamlachim hacadosh baruch hú.

 

Abençoai-me com paz, anjos da paz, Anjos do Altíssimo, enviados por parte do Rei dos Reis, O Santo,bendito seja Ele.

 

Tsetchem leshalom: Tsetchem leshalom mal-achei hashalom mal-achei elyon, mimelech malchei hamlachim hacadosh baruch hú.

 

A vossa saída seja em paz, anjos da paz, Anjos do Altíssimo, enviados por parte do Rei dos Reis, O Santo, bendito seja Ele.

 

 

 

Ki mal’achav ietsavê lach, lishmorchá bechol derachêcha. Adonai yishmor tsetchá uvoêha meatá vead olam. Porque os Seus anjos Ele dará ordem a teu respeito, para te guardarem em todos os teus cami-nhos. O Eterno guardará a tua saída e a tua entrada, desde agora e para sempre.

 

Horário das velas!!!!

 

Sexta 22 março/horário
17:58

 

Sabádo 23 março/horário
18:49

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Shabat Shalôm Chaverim – Paz no sábado Amigos!

Jerusalém, 11 de Nisan 5773 / Maringá,  22 de Março 2013.

 

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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