Mês: abril 2013



História Judaica “Sodoma”

 

Destruída há quatro mil anos, sodoma se tornou símbolo de perversão e decadência moral. E seu destino vem suscitando temor e curiosidade.

 

 

 

Antes de ser destruída, a cidade bíblica estava localizada na planície da Jordânia, área em forma de semicírculo, extremamente fértil, na fronteira sudeste do território canaanita. As referências bíblicas à Sodoma (Sdom, em hebraico) estão principalmente no livro Gênese e sua queda é relatada nos capítulos 18-19. Mas, é também citada em Deuteronômio, no Livro de Jó e no Talmud, assim como por nossos profetas. O controvertido historiador Flávio Josefo (37-100 desta Era), a menciona em sua obra. Sdom aparece pela primeira vez no capítulo Lech Lecha, quando Lot, sobrinho de Abraão, estabeleceu-se no vale do Jordão, escolhendo a cidade para lá estabelecer sua família. Assim a Torá a define: “E os homens de Sodoma eram maus e pecadores contra o Eterno” (Gênese 13-13).

Desde a primeira menção, é identificada como o epítome da crueldade e perversão. Sodoma era a antítese de tudo o que Abraão acreditava e simbolizava. A hospitalidade, virtude das mais praticadas por nosso patriarca, lá era proibida. Os sodomitas odiavam os forasteiros, aos quais não ofereciam hospitalidade, submetendo-os a abusos sexuais. A caridade era considerada crime grave, sendo executado quem a praticasse. Conta o Midrash que a lei determinava que quem alimentasse um pobre morreria na fogueira. Mas Plotit, filha de Lot, teve destino ainda pior. Certa vez, viu na rua um mendigo e decidiu alimentá-lo. Quando os habitantes da cidade perceberam o que Plotit fazia, prenderam-na, tiraram suas roupas, lambuzaram seu corpo com mel e puseram-na sobre a muralha da cidade, para que morresse picada pelas abelhas (Sanhedrin 109).

Relata a Torá que D’us ouviu o “clamor” das vítimas das iniqüidades cometidas pelos habitantes de Sodoma e da vizinha Gomorra. O Eterno revela, então, a Abraão, a Sua intenção de destruir completamente as duas cidades. O patriarca tenta intervir junto ao Senhor, para as salvar. Pede ao Todo Poderoso que tenha consideração com os Justos que lá residiam. D’us lhe promete que, se houvesse ao menos dez Justos em Sodoma, salvaria toda a cidade. Porém, na cidade não havia um Justo sequer…

 

E, embora o Todo Poderoso não tenha salvo a cidade, poupou Lot e sua família. E isto ocorreu em grande medida pelos méritos de seu tio, Abraão, mas também porque, mesmo após morar entre sodomitas, Lot ainda guardava em si o espírito da hospitalidade que aprendera com nosso patriarca. Quando os habitantes da cidade descobrem que ele acolhera dois “forasteiros” em sua casa, enfurecidos exigem que os entregue. Mas Lot sai em defesa de seus hóspedes.

Os estrangeiros, que, na realidade, eram anjos enviados por D’us para destruir a cidade, ordenaram a Lot que, com toda a sua família, deixasse imediatamente aquele lugar condenado. E, ao amanhecer, levam-no, com a mulher e duas filhas solteiras, para fora da cidade, alertando: “Sequer olhem para trás”.

Assim que Lot e seus familiares partem, D’us faz chover enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra. Não obedecendo às ordens dos anjos, a mulher de Lot se virou para olhar o que acontecia na cidade condenada. A punição veio como um raio: foi transformada em estátua de sal. De acordo com o Talmud, este sal chama-se Melach Sedomit, sal sodômico. Josefo, em sua obra, afirma que durante sua vida, o pilar de sal ainda podia ser visto.

De manhã, quando Abraão voltou ao lugar onde D’us lhe aparecera, viu a destruição que se abatera sobre Sodoma e demais cidades vizinhas. Densa fumaça ocultava o vale e, as chamas rapidamente consumiam a terra. Uma chuva de sal completava a catástrofe (Deut.29:22 ). Na planície queimada por enxofre e sal, a terra tornara-se estéril, sendo que lá “nada podia ser plantado e nenhuma vida brotaria”. (Deut. 29:22). Quando a devastação se completou, um enorme lago de sal e betume espalhava-se a leste do deserto de Judá, em hebraico conhecido como o Yam Hamelach, o mar de sal. Na antigüidade, foi também chamado de Hayam Hacadmoni, o antigo mar;Yamá shel Sdom, mar de Sodoma; e, ainda, Yam Ha’aravá, mar do vale do Aravá. O nome Mar Morto somente surgiu após o advento do Cristianismo, atribuído pelos monges cristãos, pelo espanto causado pela aparente ausência de qualquer forma de vida em suas águas.

 

 

Hoje, o Mar Morto, cujas águas contêm 33% de sal, quantidade dez vezes superior à encontrada no Mar Mediterrâneo, é considerado uma das maravilhas do mundo. É um grande lago represado entre colinas, com 76km de comprimento por 18km de largura, e tem, em sua parte mais funda, 400m de profundidade. Suas margens, a 396m abaixo do nível do mar, são o ponto seco mais baixo do mundo. Em seu redor, espalham-se montanhas de sal naturalmente esculpidas em forma de chaminés e cavernas. Entre estas, pode-se distinguir perfeitamente uma escultura em forma de cogumelo, que, segundo antigas tradições, seria a estátua da mulher de Lot.

A região

A exploração econômica da região já se iniciara desde o tempo dos nabateus, que vendiam betume. (o depósito de lama que se acumulava no fundo do lago) aos egípcios, que o utilizavam para embalsamar seus mortos. Este comércio que se estendeu até a era romana.

Flávio Josefo, na História da Guerra Judaica, escreve: “… região de Sodoma, território outrora próspero por suas colheitas e pela riqueza de suas diversas cidades, mas, atualmente, inteiramente queimado. Diz-se que a impiedade de seus habitantes lhes valeu serem abrasados pelo raio… ainda lá existem traços do Fogo Divino e se podem ver vestígios de cinco cidades… A narração lendária sobre a região de Sodoma é, pois, plenamente confirmada por aquilo que se vê”.

Sobre o Mar Morto, que Josefo chama de “lago de asfalto”, ele escreve: “Salgado e estéril…. sua água faz boiar os objetos, por mais pesados que sejam…”. Os gregos falavam com insistência em gases venenosos que se desprendiam por toda a parte nesse mar, enquanto os árabes diziam que, há muito, nenhuma ave conseguia sobrevoar de uma margem a outra. Diziam que, ao tentar cruzá-las, as aves se precipitavam subitamente n’água, já sem vida.

Mas, onde realmente se localizava Sodoma? Com base em informações contidas na Torá e nas várias formações de sal da região, os arqueólogos têm tentado, em vão, definir sua localização exata. Apesar de alguns terem centrado suas buscas ao norte do Mar Morto, a maioria acredita que as antigas Sodoma e Gomorra se situassem ao sul do lago, em uma área de formação geológica mais recente do que o restante da região. A tese da posição geográfica ao sul parece ser sustentada também por uma tradição local, como mostra o nome árabe da montanha de sal, Jebel Usdum, ou seja, Montanha de Sodoma, no extremo sudeste do mar Morto. A montanha tem 10km de comprimento, 5km de largura e 30m de espessura. Embora esteja coberta por uma camada de terra de alguns metros de espessura, o restante de sua composição é sal sólido.

História moderna

No século XX, o nome Sodoma foi dado a um sítio industrial a sudeste do Mar Morto. Desde o início do século, engenheiros que visitavam o local e, até mesmo, Theodor Herzl, logo percebem o enorme potencial do Mar Morto para a extração mineral, mediante o uso da energia solar. A atual cidade de Sdom foi fundada em 1937. Logo depois, construiu-se em Kalia, no extremo norte do Mar Morto, plantas de potassa para constituir uma filial da Palestine Potash Co. À época, não havia estradas que ligassem o local à cidade; a comunicação era feita através de pequenos barcos, que atravessavam o Mar Morto.

Em 1947, o plano de Partilha da Palestina elaborado pelas Nações Unidas incluía Sodoma, ou Sdom, dentro das fronteiras do futuro Estado de Israel. No início da Guerra da Independência, em 1948, Kalia passou para o controle da Legião Árabe, ficando Sdom totalmente isolada de Israel. A única maneira de enviar suprimentos à cidade era por via marítima ou aérea. Durante seis meses, de agosto a dezembro de 1948, víveres foram enviados em pequenos aviões, até que a área foi libertada por uma unidade das Forças de Defesa de Israel.

A estrada que finalmente uniu Beersheva a Sodoma foi terminada em 1952 e, dois anos mais tarde, a empresa estatal Dead Sea Works Ltd., de produtos químicos, pôde iniciar atividades. Na época, a região era uma das poucas fontes de fertilizantes à base de potassa para a África e Ásia. Atualmente constitui o quarto produtor mundial e fornecedor de produtos derivados do mineral.

A região abriga atualmente outras indústrias do setor de potassa, fosfato e sal. Em 1955 foi inaugurada a companhia Dead Sea Bromine, que figura entre as maiores produtoras mundiais de brometo. Em 1996, a empresa alemã Volkswagen AG e a israelense Dead Sea Works Ltd. anunciaram um investimento conjunto de US$ 600 milhões, em um projeto de instalação de uma usina para extração de magnésio, no Mar Morto.

Apesar da aridez que castiga a paisagem local, o Keren Kayemet LeIsrael (KKL), valendo-se de tecnologia de ultimíssima geração, está implantando, na região em torno de Sodoma, uma atividade econômica altamente rentável e nova para o local: a piscicultura.

 

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém,19 Iyyar 5773     / Maringá, 29de Abril 2013.

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog

 

 

 

 

 

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As Aventuras De Jonas!!!

Era uma vez um homem chamado Jonas. Era simples, bom, e sua melhor distração era passar horas no campo admirando as maravilhas da natureza. Gostava sobretudo de olhar para o céu azul e ver nas brancas nuvens diferentes figuras. Tudo lhe parecia belo, perfeito.

O arvoredo colorido conforme as estações. As aves pequeninas voando tão alto, apesar das delicadas asas. E encantadoras quando, pousadas nos ramos, gorjeavam. Jonas as ouvia de olhos fechados, embevecido. E pensava – “Como é possível? Em geral todos os animais têm vozes desagradáveis – as feras urram, uivam, os cavalos relincham, os cães latem, os gatos miam, os galos cucuricam, só os passarinhos cantam sons maviosos. São lindos, com plumagem em cada “tribo” de cor diferente e diferente cantar. Por que teriam os pássaros, entre todos os animais, esse privilégio nas obras do Criador?”

Estava um dia Jonas meditando, quando ouviu seu nome claramente – “Jonas! Jonas!” Olhou em volta, ninguém. Ergueu os olhos para o céu e lhe pareceu ver, no formato de uma grande nuvem, a figura de um anjo. Então, vinda de lá do alto, a Voz repetiu, “Jonas! Jonas!” O pobre homem tremia, assustado. Quis correr mas não conseguiu mover os pés. Ajoelhou-se e, de cabeça baixa, humilde, escutou: “Jonas, levanta-te; vai à grande cidade de Nínive e anuncia que ela será destruída porque o povo vive em pecado”.

Quando a Voz silenciou, Jonas levantou-se e saiu de carreira para sua casa. E aí, já calmo, refletiu sobre a misteriosa ordem recebida… O quê? Ir a Nínive anunciar sua destruição? Nínive era uma grande cidade, muito populosa. Se ele chegasse lá apregoando seu fim e nada acontecesse, iriam chamá-lo de embusteiro e o matariam a pedradas. Não, nessa ele não cairia. O que poderia fazer? Fugir. Decidiu então ir para outra cidade. Encontrou um barco que já estava saindo, comprou a passagem e se foi.


Era um dia lindo, os marinheiros remavam cantando, o mar sereno, vento bastante para enfunar as velas e apressar a marcha da embarcação. Súbito, inesperadamente, as ondas começaram a elevar-se e a chocar-se umas contra as outras, numa guerra em que se debatiam peito a peito, jogando sobre o barco jorros de água espumante. Os marinheiros forcejavam para voltar à terra, mas os remos não obedeciam. Mais e mais o mar se enfurecia, ameaçando o naufrágio da embarcação. Para a fazer mais leve, a tripulação atirava fora toda a carga. Enquanto lá em cima travava-se uma luta tremenda entre os homens e o mar, lá em baixo, no porão, Jonas dormia profundamente. Quando o comandante desceu para tomar alguma providência, viu aquele homem deitado, ressonando; acordou-o com sacolejos – “O que é isso, levante-se, vá implorar ao seu D’us que cesse esta tempestade!” Jonas subiu sonolento, envergonhado, e encontrou a marujada em pânico, decidindo tirar uma sorte que revelasse quem seria o responsável pela borrasca. A sorte caiu sobre Jonas. Então lhe perguntaram quem era ele, de onde vinha, em que se ocupava e o que fizera para atrair a ira Divina. E ele respondeu: “Sou hebreu e temo o Senhor, o D’us dos Céus que fez o mar e a terra seca”. E lhes contou por que fugira. – “E o que faremos para que as águas serenem?” – “Levantem-me e me atirem ao mar”.

Os marujos relutaram em tomar essa atitude. Por fim, pedindo a D’us que os perdoasse se estavam sacrificando um inocente, o levantaram, o lançaram longe, e ele, de olhos fechados, foi varando pela goela de uma baleia que, de boca aberta, já estava esperando para o engolir. Quando abriu os olhos, Jonas se viu numa espécie de salão, um lugar espaçoso e claro onde ele podia mover-se livremente. O ventre da baleia tornara-se oco, não tinha órgãos nem tripas, e como ela mantinha-se sempre flutuando, a claridade entrava-lhe pela boca. E assim Jonas ficava sabendo quando era noite ou quando era dia. Por milagre não sentia fome nem sede nem sono. Passava todo o tempo repetindo orações. No terceiro dia, a baleia o expeliu numa praia. Por fim, estava livre. Parecia-lhe um sonho.

Voltou à sua vida de antes, com o hábito de ir ao campo contemplar a natureza. E lá um fim de tarde, de novo a Voz veio ordenar-lhe: “Jonas, vai a Nínive, anuncia sua destruição”. Dessa vez Jonas obedeceu. E foi. Andou pelas ruas, profetizando: “Povo de Nínive, dentro de quarenta dias esta cidade desaparecerá”. O povo acreditou e até o rei, a ponto de decretar que toda a população (inclusive os animais) jejuasse, se cobrisse de cinzas e suplicasse o perdão Divino. E o Senhor ouviu, perdoou e salvou a cidade.

Jonas tinha se retirado para um deserto e construído uma tenda onde se abrigava e esperava ver o trágico fim de Nínive. Ao passar dos quarenta dias e como nada acontecesse, prostrou-se desesperado no chão, clamando: “Eu sabia que o Senhor iria perdoar e anular o castigo. E agora? Vão me matar a pedradas… Resolveu permanecer na tenda, apesar do calor inclemente. Então viu, maravilhado, de repente, crescer uma árvore de cuia1 , a cuja sombra se recolheu. No entanto, no dia seguinte, a árvore secou completamente, e Jonas voltou a se lamentar. “Acaso choras pela árvore que morreu?”, ouviu perguntar-lhe a Voz. “Sim, eu também desejo morrer”, respondeu Jonas em soluços. “Tiveste compaixão da árvore que não plantaste, que numa noite nasceu e numa noite pereceu. E não terei Eu compaixão da grande cidade de Nínive em que vivem mais de vinte mil pessoas e muitos animais?” Jonas prostrou-se e pediu perdão pela sua revolta.

Assim Jonas voltou para sua casa humilde e silencioso. No seu coração, suplicava: “Peço-te, Senhor, que da próxima vez escolhas outro, porque eu não dou para profeta”. Não contou a ninguém. Mas deixou, para a posteridade, escritas as suas aventuras.

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 11 Iyyar 5773   / Maringá, 21 de Abril 2013.

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog

 

 


 

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Parabéns Israel Pelos Teus 65 Anos De Vitórias!

 

http://youtu.be/BXepGj1_-Ds

 

O Estado de Israel comemora 65 anos de existência. O seu povo tem quase seis mil. Uma saga de amor a um pedaço de terra, que o tempo não conseguiu apagar, desde o patriarca Abrão aos dias de hoje, quando oito milhões comemoram pelas ruas o dia da independência.

 

A HISTÒRIA COMPLETA  DO  POVO DE ISRAEL!!!

 

 

HINO DE YSRAEL!!!

 

 

 

 

Pai-nosso em aramaico e hebraico

 

PARABENS ISRAEL!!!! MAZAL TOV!!!!

 

Aqui me despeço e agradeço sempre a todos que visitam ao meu blog a qual faço sempre com muito carinho ,em dividir hj essa minha alegria pelos 65 anos de YSRAEL!!!!!!

 

MAZAL TOV YSRAEL!!!!FELIZ ANIVERSÀRIO YSRAEL!!!!!

 

 http://youtu.be/lHSVmKz2ew4

 

 

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz , e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 6 Iyyar 5773 / Maringá,16  de Abril 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog

 

 

 

 

 

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O BRILHO DAS MULHERES JUDIAS!!!!!!!

 

Antigamente, as jóias eram parte do dote que as mulheres judias recebiam ao se casar.
O uso das jóias não era um simples sinal de riqueza, os ricos adereços eram também um símbolo do estado civil da mulher. Serviam, ainda, como amuletos e para identificar as cidades ou aldeias de onde provinha quem as usava. Apesar de constituírem parte do dote oferecido pelas famílias do noivo e da noiva, para serem usadas pela noiva na hora do casamento, as jóias não eram devolvidas em caso de divórcio.

Placas de ouro incrustadas de turmalina, esmeraldas, rubis e turquesas; brincos de pérolas e enfeites com plumas de pavão e rosas perfumadas davam um toque suntuoso e exótico aos adornos. Os temas mais usados pelos ourives, profissão muito comum entre os judeus do Uzbequistão até o início do século XX – eram o sol, a cabeça de dragão, pássaros e peixes. Foi apenas nos últimos cem anos que os judeus tornaram-se comerciantes.

Uma pequena seleção das jóias e enfeites usadas nas comunidades judaicas pode ser vista na exposição “Em seus mais belos adornos”, no Museu de Israel, em Jerusalém, organizada em memória de Natalia Polyatchek, especialista em jóias etnográficas, falecida em 1999. O museu possui um acervo fixo, organizado pelo alemão estudioso de etnias, Carl Rathjens, que viajou ao Iêmen durante os anos 30, trazendo vários objetos. O comerciante Zeyde Schulman, nascido em Safed, também trouxe inúmeros objetos do Marrocos, durante as décadas 50 e 60, doando-os ao museu. Posteriormente, a baronesa Alix de Rothschild também fez sua contribuição, doando objetos vindos do norte da África.


Vários pesquisadores que estudaram a vida das comunidades judaicas nos países muçulmanos afirmam que usar jóias era costume, independentemente da classe social. As noivas que não tinham muitas posses usavam adornos emprestados. Mulheres casadas tinham o hábito de enfeitar os seus cabelos com objetos suntuosos como tiaras.

Estas informações são confirmadas pelos quadros da época, permitindo inclusive algumas comparações com as mulheres muçulmanas, constatando-se inclusive semelhanças nos objetos. Por exemplo, mulheres judias de Djerba cobriam-se do pescoço à cintura com várias fileiras de colares. Alguns desses adornos vinham do vale de Dra, no Marrocos; outros de Bukhara.

Dentre as jóias mais famosas estão as usadas pelas comunidades iemenitas, que foram as primeiras a compor o acervo do Museu de Israel. Vivendo em regiões distantes, os iemenitas acabaram criando um estilo próprio e singular. O rosto das noivas iemenitas era emoldurado por um círculo de prata. O busto era coberto por colares e amuletos e elas costumavam usar também várias pulseiras e anéis nos dedos das mãos e dos pés.

 

 

Após o casamento, as iemenitas faziam duas tranças e as amarravam com uma corrente de prata. Para não despertar sentimentos de inveja, cobriam a cabeça ao sair de casa. Nos países árabes, eram as jóias que distinguiam as judias das vizinhas muçulmanas. Estas geralmente usavam prata, enquanto as judias usavam ouro incrustado de pedras preciosas.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Shabat Shalôm Chaverim – Paz no sábado Amigos!

Jerusalém,  3 Iyyar   5773 / Maringá, 13 de Abril 2013.

 

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog .

 

 

 

 

 

 

 

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UM PORTAL PARA O INFINITO!!

 

A oração é um elemento essencial da religião. Os dias de Rosh Hashaná e Yom Kipur são dedicados a intensas preces. É o meio pelo qual o homem – ser finito – pode comunicar-se com o Criador Infinito do Universo.

Mas, se por um lado as rezas são parte indispensável da religião, são também as que mais perplexos nos deixam. Por que seria necessário orar? Um D’s Onisciente certamente está ciente de todas as nossas carências e anseios. Ele sabe o que há em nosso coração e nossa mente; Ele não necessita de nossa intervenção para poder articular esses anseios. A Torá nos ensina: “O homem vê o exterior, porém o Senhor vê o coração” (Samuel 16:7). Qual, então, o propósito da oração?

A palavra hebraica para oração – tefilá – deriva de uma raiz que significa juntar, unir. A tefilá, portanto, serve para unir o homem a D’s. Através da reza, o indivíduo liga-se espiritualmente a D’s, e esta serve, portanto, como canal para invocar e irradiar as bênçãos divinas. O Zohar ensina que através do desejo de orar e da concentração ao fazê-lo, a pessoa pode vincular sua vontade a D’s. Fazendo-o, gera o poder de efetuar mudanças espirituais e físicas no mundo.

Isto ajuda a explicar por que a oração deve ser expressa através de palavras, e não apenas de pensamentos ou sentimentos. As palavras que saem de nossos lábios têm uma realidade física e tornam-se o instrumento através do qual o cumprimento espiritual da oração pode tornar-se real no plano físico. Os pensamentos e os sentimentos – por mais sagrados que possam ser – são realidades abstratas e espirituais. Um D’s Onisciente de certo é conhecedor de todas as rezas feitas mentalmente. Mas, os resultados da oração são proporcionais ao recipiente no qual é apresentada: um recipiente espiritual gerado pela oração mental invocará uma resposta espiritual, mas esta não será manifestada em nível físico.

 

O poder da oração é tão grande que, além de invocar as bênçãos divinas, pode desviar e até mesmo reverter decretos Celestiais desfavoráveis. O Midrash ensina: “A oração é poderosa porque pode desfazer um decreto Celestial”

Mas como pode D’s Todo Poderoso alterar Seus próprios desígnios em virtude das palavras de um ser limitado, a quem Ele próprio criou e sustém? Certamente D’s não muda Suas decisões, como está escrito: “Porque Eu, o Senhor, não mudo” (Malaquias 3:6). Como, então, pode a oração anular um decreto Divino?

O verbo hebraico “orar” – lehitpalel – é um verbo reflexivo e deriva de uma raiz que denota julgamento. Orar corretamente é exercitar uma forma de introspecção, de auto-julgamento, da pessoa tomar conhecimento de suas falhas e dispor-se a melhorar. À medida em que se corrige, o homem se aproxima espiritualmente de D’s, mudando o grau de bênçãos que ele consegue gerar. Decretos Divinos desfavoráveis podem ser alterados e o homem pode se tornar merecedor de bênçãos Divinas. Portanto, esta reversão não se realiza através de D’s – já que D’s não muda – mas sim através do homem.

 

Alinhado com este conceito, há um tema básico e que se repete no Zohar: “uma comoção nos Céus é resposta a uma comoção na terra”. Isto significa que D’s “reage” de acordo com os atos dos homens. Um dos propósitos da oração é permitir que a pessoa perceba que não pode ir contra a vontade de D’s e, ao mesmo tempo, pedir para que Ele realize os seus próprios anseios. Segundo o Midrash, D’s diz ao povo judeu que se cumprirem Seus mandamentos, Ele ouvirá suas preces (3). As orações são ainda mais eficazes quando levam à teshuvá. Comumente mal traduzida, a palavra teshuvá não significa remorso ou arrependimento, mas sim o retorno de um indivíduo a Seu Criador. E o propósito da teshuvá é que a pessoa siga os mandamentos de D’s aproximando-se assim Dele.

Segundo nossos sábios a única forma do o homem ” se aproximar ” a D-s é se “parecer”com Ele . Mas como pode um ser finito emular seu Criador, Infinito? Na Torá, D’s próprio nos diz que podemos fazê-lo através da tzedacá – praticando a caridade e boas ações. Pois está escrito: “…guardem o caminho do Senhor e pratiquem a justiça e a caridade” (Gênese 18:19). Como as ações de D’s são “proporcionais ” às dos homens, a tefilá e a teshuvá têm grande poder quando combinadas com tzedacá. O ser humano está em melhores condições de rogar as Graças Divinas e Sua generosidade quando ele próprio é cheio de graças e generosidade. Por isso nos alerta a Torá: “Aquele que tapa os ouvidos ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido” (Provérbios 21:13). Em outra passagem, D’s afirma que Ele ouvirá as preces daqueles que praticam a caridade com o necessitado: “Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres desabrigados, e se vires o nu, o cubras, e não te escondas do teu semelhante? …então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás por socorro, e Ele dirá: Eis-Me aqui!’…”(Isaías 58:7-9). Assim sendo, o Talmud relata que o grande sábio Rabi Elazar orava somente após ter feito caridade aos pobres. O Midrash também ensina que se uma pessoa usa suas posses para praticar boas ações, suas preces serão atendidas.O Rabi Shneur Zalman de Liadi, fundador do movimento Chabad-Lubavitch, em sua obra prima cabalística, o Livro de Tanya, escreve que o ensinamento que diz que “uma comoção nos Céus é a resposta a uma comoção na terra” cumpre-se em maior amplitude através da tzedacá e das boas ações.

Podemos, pois, melhor entender o tema dominante em Rosh Hashaná: “Três coisas anulam um Decreto Divino desfavorável : tefilá, teshuvá e tzedacá” (Talmud Yerushalmi, Taanit 2:1). A oração deveria levar a um retorno a D’s e a Seus mandamentos, e isto pode ser melhor expresso através de atos de generosidade e bondade. Agindo deste modo, o indivíduo pode invocar semelhante resposta do Altíssimo e, assim, canalizar bênçãos espirituais e materiais não apenas para si e sua família, mas também para todo o povo judeu e a humanidade inteira.

As Orações do Povo Judeu

A Torá ordena ao povo judeu “Ama o Senhor teu D’s, servindo-o com todo o teu coração e toda a tua alma”. (Deuteronômio 11:13). Explica o Talmud que servimos a D’s com todo o nosso coração através da oração(5). Na Torá D’s afirma que Ele formou o povo judeu para que este proclamasse o Seu louvor

Um Ser Infinito e Perfeito certamente não necessita palavras de louvor. Mas, como vimos no texto acima, o propósito da prece, como o indica a palavra tefilá, é fazer o homem unir-se espiritualmente a D’s. Amor e louvor são forças unificadoras no mundo, e o louvor do povo judeu a D’s é retribuído pelo Senhor. Pois está escrito: “D’s Santificado, Abençoado seja o Seu nome, disse a Israel: Tu me fizeste objeto de louvor sem igual no mundo, e Eu farei de Ti objeto de louvor não igualado no mundo”(7). Como D’s é a única fonte de vida e bondade no universo, Ele anseia pelas palavras de amor e louvor do povo judeu para que este possa unir-se espiritualmente a Ele, tornando-se assim receptáculo de todas as Suas bênçãos. As palavras de louvor e amor a D-s revertem, portanto, em benefício dos homens e não de D’s.

Maimônides relaciona a oração como um dos 13 Princípios da Fé Judaica. Afirmou em uma de suas obras que deve-se dirigir preces somente a D’s e que a pessoa não deve orar a ninguém ou a nenhuma outra entidade. Somos até proibidos de rezar a quaisquer intermediários que porventura nos pudessem aproximar de D’s. Temos permissão de invocar as bênçãos de outrém e pedir que rezem por nós, no entanto todas as orações e pedidos devem ser dirigidos ao próprio D’s. Rezar-se a qualquer outro que não D’s Todo Poderoso é negar a Sua Unicidade, Sua Infinidade e Sua Bondade.

Os sábios do Talmud permitiram que se rezasse em qualquer idioma, sem que isto, no entanto, iguale o hebraico a outra língua qualquer. Se uma pessoa faz suas preces em hebraico, está cumprindo sua obrigação mesmo que não entenda o que diz. O mesmo não é válido para nenhum outro idioma. A razão para tal é que as nossas orações foram compostas pelos profetas e sábios que tinham a habilidade de combinar letras, versos e idéias de tal forma a canalizar as bênçãos dos Céus. O Baal Shem Tov – fundador do movimento chassídico e mestre da Cabalá – nos ensinou que nosso principal vínculo com D’s se rea-liza através das palavras da Torá e da oração, e que cada uma das letras nessas palavras tem uma essência interior espiritual. Portanto, ao ler tais letras hebraicas, a pessoa pode despertar poderes espirituais, ainda que não entenda o que lê. Especialmente poderosas são as orações do Sefer Tehilim, o Livro dos Salmos, composto em sua quase totalidade pelo Rei David. Como já mencionado acima, o poder da prece é tão grande ao ponto de anular um decreto Divino negativo. O Baal Shem Tov ensinava que a recitação dos Salmos é extremamente eficaz em reverter desígnios Divinos desfavoráveis. Costumava dizer: “O que pode quebrar e alterar o julgamento do Senhor? A proclamação de todos os Seus louvores – o livro de Tehilim!”

Ao longo dos séculos, inúmeros sábios e místicos falaram dos grandes poderes espirituais desencadeados pela recitação dos Salmos. O terceiro Rebe de Lubavitch, conhecido como o Tzemach Tzedek, assim ensinou a seus filhos: “Se vocês soubessem o poder dos versos do Tehilim e seus efeitos nas mais supremas alturas, passariam todos os momentos de sua vida recitando-os. Saibam pois que os capítulos dos Salmos … prostram-se diante do Senhor de tudo, brindando em troca o efeito desejado com bondade e misericórdia”. Em nossos dias o Lubavitcher Rebe ensina que sempre que surgir uma dificuldade pessoal ou comunitária, deve-se recitar o livro de Tehilim.

Toda Prece é Atendida

O Talmud fala de “coisas que se situam nas mais elevadas instâncias do universo, mas que são consideradas de menor importância pelos homens” (Berachot 6b). Nossos sábios identificam a prece como uma destas. Segundo o Baal Shem Tov as pessoas geralmente pensam que suas preces foram em vão e, por esse motivo, a oração freqüentemente “não é levada a sério pelos homens”. Revelou também que toda prece tem algum efeito e que os resultados nem sempre são manifestados aqui, no mundo físico, mas apenas “nas instâncias mais elevadas do universo”. No entanto, na verdade, o indivíduo precisa entender que suas palavras, sua conduta e suas ações deixam marcas profundas no mais altos domínios do universo
. Portanto, assim ensinava o Baal Shem Tov: “Da má lema’alá mimach”- saiba que o que quer que esteja nas Alturas, provém de você e através de você mesmo (9). Isto significa que os atos de cada ser humano possuem significado cósmico. E cada um de seus atos provoca reações proporcionais por parte de D’s.

D’s jamais se fecha às preces de alguém. A pessoa pode não merecer que suas preces sejam atendidas nem ser digna da misericórdia Divina, mas se ora com fervor e dirige suas súplicas a D’s, o Senhor terá misericordia dela, pois o Talmud nos ensina que “Quer sejas bom ou mau, sempre serás chamado de filho de D’s”.


Às vezes D’s não atende imediatamente uma prece pois há certos pedidos que requerem múltiplas súplicas – tanto no número de orações quanto no de suplicantes. Assim sendo, cada uma dessas preces contribui para o objetivo supremo, mesmo se seus resultados práticos não forem percebidos naquele momento.

Outras vezes D’s responde “não” a um pedido por ser tal resposta a melhor solução para o suplicante. Somente D’s Onisciente, que tem o dom de conhecer o futuro e tudo o que este aportará, pode determinar se o pedido de tal pessoa será benéfico para a mesma. Pois está escrito: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia n’Ele, e o mais Ele fará (Salmos 37:5)” para te propiciar o que verdadeiramente for melhor para ti.

O Grande Shofar

Os dias de Rosh Hashaná e Yom Kipur são dedicados a intensas preces e súplicas por serem o período em que D’s determina e confirma o destino de cada ser humano para o ano vindouro. O ponto alto dos serviços do Ano Novo e da conclusão do Dia do Perdão é o toque do shofar. De fato, a Torá refere-se a Rosh Hashaná como o Dia da Recordação do toque do shofar. (Levítico 23:24). O som do shofar é uma chamada para que o povo judeu se aproxime espiritualmente do Rei Único e Supremo. Ensina o Talmud que o shofar tem o efeito de fazer com que D’s se lembre de seu povo de forma a beneficiá-lo

Quando a Torá foi entregue no Monte Sinai, soou um intenso toque de shofar. E soará, com igual intensidade, mais uma vez, para anunciar a chegada de uma era em que todo o povo judeu tenha sido levado de volta à Terra Santa e o Terceiro Templo, reconstruído. Este intenso toque será a realização das preces coletivas de todo um povo por dias em que a humanidade inteira conheça apenas a paz, a justiça e a abundância. E em que homem algum volte a sofrer, ter fome, doenças ou infortúnios. O Rebe de Lubavitch costumava atribuir grandes poderes às palavras e atos de cada um dos seres humanos. Ensinava que uma única prece e uma única boa ação poderiam ser o ajuste final que faltava ao mundo antes de se transformar para poder receber a nova era.

Esta nova era será precedida pela oração, a tefilá: “Invoca-Me e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não conheces… (Jeremias 33:3). E isto será realizado através da teshuvá: “…e tornares ao Senhor teu D’s, tu e teus filhos, de todo o teu coração e de toda a tua alma, e deres ouvidos à Sua voz segundo tudo o que hoje te ordeno … e te recolherá de novo em meio a todos os povos entre os quais te havia espalhado o Senhor teu D’s… Então o Senhor teu D’s te introduzirá na terra que teus pais possuíram e a possuirás; e te fará bem, e te multiplicará mais do que a teus pais” (Deuteronômio 30: 2-5). E isto será acelerado através da tzedacá: “Grande é a caridade pois aproxima e acelera a redenção” (Talmud, Bava Batra 10a).

Que neste Rosh Hashaná e Yom Kipur, o Todo Poderoso possa determinar e selar o decreto de que no próximo ano “um grande shofar soará e todo o povo judeu virá: os que andavam perdidos pela terra da Assíria, e os que foram desterrados para a terra do Egito tornarão a vir, e se prostrarão diante do Senhor no monte santo em Jerusalém” (Isaías 27:13).

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz ,Marcella  Mastrandea e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 29 de Nisan 5773 / Maringá, 9 de Abril 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog


 


 

 

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CABALÁ !!!O QUE É O ZOHAR ?

 

O Sefer ha-Zohar – o Livro do Esplendor – É, sem sombra de dúvida, a obra principal e mais sagrada da Cabalá, a dimensão mística do judaísmo. Fonte inesgotável de sabedoria e conhecimento, seus ensinamentos e revelações se equiparam, em importância, aos da Torá e do Talmud.

 

 

 

De autoria do grande Rabi Shimon bar Yochai, permanece inacessível até os dias de hoje para a grande maioria dos que tentam transpor o mistério que encerra. Quem sabe se por esta razão, ou apesar desta, nenhuma outra obra mística jamais despertou tanta curiosidade e exerceu tão grande influência?

O Zohar é a coluna vertebral da Cabalá, também chamada de Chochmat ha-Emet – a Sabedoria da Verdade. Na língua hebraica, Cabalá significa “recebimento” ou “o que foi recebido”. Por ser parte integral da Torá, tem origem e natureza Divina. Apesar de seus ensinamentos terem sido transmitidos a Adão e aos patriarcas do povo judeu, foi Moisés quem os recebeu diretamente de D’us durante a Revelação no Monte Sinai e os instituiu formalmente como parte da história do povo de Israel. Desde então, esta sabedoria mística vem sendo repassada de geração em geração para uns poucos escolhidos entre os líderes espirituais do povo judeu.

Chamados de nistarim (literalmente “os ocultos”), os primeiros cabalistas preservaram zelosamente esses ensinamentos, transmitindo-os oralmente às gerações seguintes. Somente no século II da era comum, surgiria no seio de Israel um homem que possuía os dons espirituais e intelectuais que lhe permitiram dar forma a essa sabedoria milenar. Seu nome era Rabi Shimon bar Yochai, uma das personalidades mais reverenciadas na história judaica. A ele coube o zechut, o honroso mérito de revelar a Luz Divina em todo a sua majestade e esplendor.

Grande líder e um dos maiores sábios talmúdicos, Rabi Shimon viveu em uma época muito conturbada. Durante sua geração, Israel penava sob o jugo romano, tendo que se sujeitar à proibição do estudo da Torá, esta apenas uma entre as inúmeras imposições de Roma. A gravidade da situação levou os mestres da Lei a adotarem medidas excepcionais. Preocupados que a perseguição e a dispersão dos judeus pudessem resultar na perda parcial dos ensinamentos da Torá Oral, os sábios deram seu consentimento para que os fundamentos de seu conteúdo fossem transcritos. Portanto, o Talmud, seus comentários, o Midrash e os ensinamentos cabalísticos começaram a ser compilados e escritos. E foi Rabi Shimon bar Yochai quem estruturou a tradição mística através do Zohar.

No entanto, havia um grande problema na transcrição dos segredos da Cabalá. Os sábios temiam que pessoas sem preparo espiritual tivessem acesso aos segredos da Criação e do Universo. Para evitar que isso acontecesse, O Livro do Esplendor foi escrito de forma praticamente indecifrável para os não iniciados. E a primeira condição para se fazer parte desse grupo pequeno e seleto era possuir um vasto e profundo conhecimento sobre a Torá e sobre a tradição cabalística.

Livro fechado

O Sefer ha’Zohar é um livro fechado e as chaves para sua compreensão permanecem em mãos de um número reduzido de sábios. Esta obra pode ser comparada a um sistema codificado, de extrema complexidade, que esconde tesouros inestimáveis. Rabi Shimon era um daqueles seres pertencentes a um plano espiritual tão elevado que, entre os que estudam a sua obra, são poucos os que conseguem assimilar parte de seus ensinamentos. Não obstante, mesmo com apenas um pouco desse conhecimento, constroem-se montanhas de sabedoria.

Como vimos, para os não iniciados, o Zohar é misterioso e praticamente impenetrável. As dificuldades de compreensão estão presentes em quase todos os níveis da obra. Além da insondável profundidade de seus preceitos, seu estilo literário peculiar e sua dialética dificultam a compreensão. Seus textos, escritos em hebraico ou em aramaico antigo, estão “codificados”, impossibilitando, assim, que pessoas leigas entendam seu significado. Imagens simbólicas são usadas no lugar de uma terminologia racional e tópicos independentes são tratados em conjunto, colocando lado a lado assuntos aparentemente sem relação entre si.

Muitas das passagens do Zohar são compostas por combinações de alusões fragmentadas, que somente podem ser conectadas por associações secretas. Mas, na realidade, as conexões existem e são bastante claras para aqueles que entendem seu simbolismo e significado. Um sábio familiarizado com os segredos místicos da Torá entende perfeitamente seu conteúdo, seu estilo e sua estrutura aparentemente ilógica. Se para os não iniciados muitos de seus ensinamentos carecem de significado, estes mesmos preceitos são, para os que podem decifrá-los, a chave para desvendar os maiores e mais profundos segredos da existência e do universo.

Apesar de terem sido traduzidos para o hebraico moderno e para outros idiomas, os verdadeiros ensinamentos do Sefer ha-Zohar continuam sendo praticamente incompreensíveis. Mesmo para a maioria dos eruditos na Torá, o Livro do Esplendor continua sendo um enigma. O Talmud e outras obras da lei judaica são acessíveis e compreensíveis; não apenas é permitido o seu estudo, como também é incentivado e é uma obrigação colocar-se em prática os seus ensinamentos. Já o Zohar continua além do alcance intelectual e espiritual da maioria dos judeus – pelo menos por enquanto. Grandes cabalistas sempre alertaram que o privilégio de estudar e entender esta obra era reservado para muito poucos.

O cuidado e o resguardo em relação ao Zohar sempre foram impostos com o propósito de preservar não só a obra, mas também a alma daqueles que se aventurassem a estudá-la. Temia-se que seus ensinamentos e revelações pudessem ser mal interpretados ou usados de forma inadequada. Infelizmente, esses temores se confirmaram no decorrer da história. Houve vários casos de indivíduos e até mesmo de grupos que, após mergulharem nas águas do misticismo judaico sem o preparo adequado, acabaram por se perder. Ainda mais grave: seus ensinamentos místicos foram utilizados por falsos messias e distorcidos por místicos não-judeus e por adeptos da ciência do ocultismo. Os resultados foram catastróficos. Por isso, cabe alertar o leitor que o estudo do Zohar e da Cabalá somente deve ser conduzido na companhia de um professor que, além de instruído, tenha atingido um equilíbrio espiritual e mental; que entenda e siga a Lei Judaica em todos os seus minuciosos pormenores.

Seu conteúdo

O Zohar é fonte de inspiração e sabedoria para os iniciados que ousam adentrar seus segredos. Seus principais focos são a teosofia – a interação das sefirot e seus mistérios, a conduta humana e o destino dos judeus neste mundo bem como no mundo das almas. São raras as ocasiões em que discute de forma explícita a meditação ou a experiência mística.

Ao penetrar na superfície literal da Torá, O Livro do Esplendor revela as profundezas místicas de suas histórias, leis e segredos. Transforma a narrativa bíblica em uma “biografia de D’us”. Toda a Torá é lida como permutações de Nomes Divinos. Cada uma de suas palavras ou de suas mitzvot simbolizam algum aspecto das sefirot – que representam as maneiras pelas quais D’us interage com Sua Criação. O Zohar revela que o real significado da Torá reside em sua parte oculta – chamada de nistar – e em seus segredos místicos.

Mas esta obra grandiosa não trata apenas de assuntos esotéricos e místicos. Não há uma única preocupação sobre a existência humana que permaneça intocada em suas páginas. Apesar da aura de mistério que a cerca, muitos de seus ensinamentos têm servido de guia para várias gerações de judeus. De um lado, o Zohar se aprofunda nos maravilhosos mistérios da alma e do Criador; do outro, aborda assuntos como o poder do mal e a necromancia, proibida pelo judaísmo. Nele encontram-se visões da Redenção Messiânica, assim como soluções para as complexas relações entre seres humanos e os problemas de seu cotidiano.

simeon bar yochai

 

Alicerçado principalmente na Torá, o Zohar é uma obra imensa, dividida em três trabalhos principais que são, por sua vez, subdivididos em outros segmentos. Trata-se principalmente de uma exegese – uma dissertação de homilias – e suas idéias emergem através de comentários e discursos. Nele estão as interpretações místicas e os comentários das sidrot – as leituras semanais da Torá. A obra não se restringe aos Cinco Livros de Moisés; também aborda outros livros da Torá, inclusive o Cântico dos Cânticos, o Livro de Ruth e as Lamentações. Não cabe enfatizar em demasia que a Cabalá é a parte secreta da Torá e, portanto, não poderia ser estudada ou seguida à parte da Torá revelada. Acreditar ou estudar a Cabalá sem o respaldo da Torá Escrita e Oral é, no mínimo, incongruente, pois não há um único trabalho cabalístico que não contenha citações dos 24 livros da Torá Escrita, do Talmud e do Midrash.

Assim como o Talmud, o Zohar cobre todas as manifestações do espírito judaico. Porém, enquanto o primeiro é essencialmente uma obra sobre a Lei Judaica, com pitadas de misticismo, o segundo é principalmente um trabalho místico que aborda e elabora sobre algumas leis do Torá. O Zohar descreve a realidade esotérica subjacente à experiência cotidiana. Nele, temas e histórias, tópicos legais e assuntos litúrgicos são vistos e expostos através de uma interpretação mística.

 

Um breve histórico

Como vimos acima, os ensinamentos da Cabalá começaram a assumir uma forma estruturada através do Livro do Esplendor, de Rabi Shimon bar Yochai. Segundo o Talmud, após ter fugido das autoridades romanas que queriam matá-lo, Rabi Shimon e seu filho, Rabi Elazar, esconderam-se em uma caverna nas montanhas da Galiléia. Pai e filho lá permaneceram durante treze anos, dedicando-se completamente ao estudo da Torá. Certamente Rabi Shimon já havia sido exposto aos ensinamentos místicos judaicos. Mas, enquanto estavam na caverna, ele e seu filho foram visitados pelas almas de Moisés e do profeta Eliahu, que lhes revelaram muitos outros preceitos cabalísticos. É possível que outros sábios, antes e depois dele, também tenham tido os dons intelectuais e espirituais para transmitir os ensinamentos da Cabalá. Mas foi Rabi Shimon, devido à sua luz, à pureza de sua alma e aos seus méritos, o escolhido por D’us para fazê-lo.

Como atesta a própria obra, coube a Rabi Abba, um dos alunos de Rabi Shimon, a tarefa de registrar por escrito os ensinamentos de seu mestre. Parte do Zohar não foi transcrita na época; foi preservada e transmitida de forma oral pelos discípulos de Rabi Shimon, conhecidos como “a Chevraiá”.

Mas apesar de transcrito, ainda não havia chegado a hora de ser divulgado o seu conteúdo. Segundo a tradição, seus manuscritos originais ficaram escondidos durante mil anos e foram descobertos apenas no século XIII. Durante as décadas de 1270 e 1280, estes manuscritos ficaram restritos a círculos cabalistas. Finalmente, chegaram às mãos de um místico judeu espanhol, Rabi Moshe de Leon (1238-1305), que os editou e publicou na década de 1290.

Por que teria essa obra magna permanecido escondida por tanto tempo? O próprio Livro do Esplendor revela a razão ao afirmar que sua sabedoria e luz seriam reveladas como preparação para a Redenção Final, que deveria ocorrer 1.200 anos após a destruição do Templo Sagrado. E é exatamente o que aconteceu ! O Grande Templo de Jerusalém foi destruído no ano 70 da e.C., o que significa que, segundo as previsões do Zohar, seu conteúdo deveria ser revelado no ano de 1270.

O estudo da Cabalá floresceu na Espanha e na Provença, mas até a expulsão dos judeus da Península Ibérica, o Zohar só era conhecido no meio de restritos círculos de sábios e cabalistas. Após a expulsão, ele emerge desses círculos e passa a exercer uma grande influência sobre os judeus sefaraditas. Perseguidos e expulsos, os judeus da Espanha encontraram em seus ensinamentos sobre a Redenção Messiânica uma grande fonte de conforto e esperança e tanto a obra como seu autor passaram a ser reverenciados por eles. Até hoje, o Zohar está presente no dia-a-dia dos judeus dessa origem, pois seus ensinamentos moldaram grande parte de suas tradições e seus costumes religiosos.

Muitos dos cabalistas forçados a sair da Península Ibérica se estabeleceram na cidade sagrada de Safed, em Israel, que se tornou um centro de estudos místicos. Em Safed, o Sefer ha’Zohar serviu de base para os ensinamentos de dois dos maiores cabalistas – ambos sefaraditas – da era moderna: Rabi Moshe Cordovero (falecido em 1570), conhecido como o Ramak; e o grande Rabi Yitzhak Luria (1534-1572), o Arizal.

Foi em Safed que o Arizal transmitiu seus conhecimentos sobre o Livro do Esplendor e a Cabalá. Desenvolveu um novo sistema para a compreensão de seus mistérios, chamado de Método Luriânico. Seus ensinamentos são reconhecidos como a autoridade máxima da Cabalá, tendo sido estudados pelas gerações de cabalistas que o seguiram. A partir de seus ensinamentos, a Cabalá se tornou mais acessível e passou a ser disseminada por sábios e místicos judeus. O próprio Arizal afirmara que havia chegado a era na qual não só seria permitido revelar a sabedoria da Cabalá, mas tornar-se-ia uma obrigação fazê-lo.

Mas, foi na primeira metade do século XVIII, com o surgimento do chassidismo – como passou a ser chamado o movimento iniciado no leste da Europa pelo Rabi Baal Shem Tov – que a Cabalá que fora ensinada pelo Arizal passou a atingir um número ainda maior de judeus. A principal contribuição do chassidismo foi sua adaptação da doutrina da Cabalá a uma linguagem cotidiana e de fácil compreensão. Desta maneira, a profunda sabedoria de Rabi Shimon bar Yochai passou a influenciar as massas de judeus asquenazitas do leste Europeu. Com a expansão do chassidismo os ensinamentos do Zohar passaram a influenciar um número cada vez maior de judeus.

 

A santidade da obra

Chamada também de Ha’Zohar ha-Kadosh – O Sagrado Zohar – esta obra é envolta por uma aura de suprema santidade. Sua natureza misteriosa e seu conteúdo inacessível só acrescentaram reverência ao respeito que provoca entre judeus e não-judeus. Como vimos anteriormente, o Zohar é a suprema autoridade no campo do misticismo judaico, é a face mística da Revelação Divina manifestada por meio da Torá. Em termos de santidade, o Zohar foi posto em um nível ainda maior do que o Talmud, pois enquanto as leis deste último representam o corpo da Torá, os mistérios do Zohar representam sua alma. Mas, o Livro do Esplendor nunca se opõe à autoridade do Talmud nem às suas leis. Assim como alma e corpo são interdependentes; apenas quando unidos e em harmonia podem proporcionar ao homem uma vida significativa. Da mesma forma, o Zohar e o Talmud não podem cumprir sua missão, nem sobreviver de forma separada e sem uma mútua interligação.

O Zohar tem sido aceito por todo o povo judeu, independentemente de seu passado e tradições. Embora apenas um número limitado de judeus o tenha estudado de fato, continua a influenciar de maneiras que sequer podem ser imaginadas. Uma história do Baal Shem Tov revela o amor dos chassidim pelo Zohar e é também um exemplo de sua santidade e poder. Sabe-se que o Baal Shem Tov sempre levava uma cópia desta obra com ele, sendo capaz de realizar milagres e prever o futuro através da força espiritual do livro. Um dia lhe perguntaram como tinha sido capaz de, simplesmente olhando para o Zohar, descrever os passos de um homem que havia desaparecido. E ele respondeu com uma citação do Talmud: “A luz que D’us fez em seis dias de Criação permitiria ao homem enxergar de um lado do mundo para o outro, mas esta luz tem sido guardada para os justos no Mundo Vindouro”. E onde está esta luz guardada”, perguntou o Baal Shem Tov, respondendo ele próprio: “Na Torá. Então, quando eu abro o Zohar, eu posso ver o mundo todo”.

 

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz ,Marcella  Mastrandea e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 27 de Nisan 5773 / Maringá, 7 de Abril 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog

 

 

 

 

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Coexistência !!!

 

A logo é formada pelo intercambiamento dos três símbolos das religiões monoteístas que consideram Abraão como seu patriarca.

A letra “C” foi trocada pelo Crescente Islâmico, símbolo adotado em várias bandeiras de países em que há predominância de muçulmanos na população.

O símbolo judaico conhecido como “Estrela de Davi” foi inserido na logo na posição da letra “X”. Segundo a tradição judaica, este símbolo era grafado no escudo do exército do reino de Israel desde os tempos do reinado de Davi.

A letra “T” foi permutada pelo símbolo maior do cristianismo, a Cruz de Cristo. Esta representa a expiação dos pecados da humanidade por meio do sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário.

A união desses símbolos numa só palavra, “Coexist”, sugere a idéia de convivência pacífica entre as religiões abraâmicas. Tal convivência pressupõe o respeito às crenças e aos preceitos das outras religiões sem o abandono ou sincretismo dos mesmos.

 

História

Uma das versões sobre sua origem provém da inspiração de dois estudantes americanos que, ao perceberem a forte discriminação étnica e religiosa, no ambiente acadêmico, criaram a logo, com o objetivo de mostrar que o Deus das três religiões é o mesmo.

No entanto, o seu sentido atual, baseado na obra do artista polônes, sustenta a concepção de que o símbolo visa “sensibilizar e conscientizar a sociedade para a importância da integração, diálogo e do respeito ao ‘outro’, levando uma mensagem de diálogo e entendimento universal”. Dessa forma, ignorando a ideia de sincretismo para, contudo, sustentar a tolerância, o diálogo.

 

 

Hoje temos mais religiões que crescem a cada dia que passa,que respeitando uns aos outros em sua teorias , pràticas e estudos  temos sempre o que trocar-mos uns com os outros.

E nesse dia de shabbat,desejo a todos muita paz e  harmonia para que possamos sempre estar-mos conectados com nosso maior mestre do universo.” DÙS”.

 

Peço que levantemos  nossos olhos a DÙS para que ele nos abençõe a todos independentes de  do que acreditemos ou não para que haja a paz  nesse momento a qual estamos atravessando de muitas iras e guerras tanto internas como externas.

 

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Shabat Shalôm Chaverim – Paz no sábado Amigos!

Jerusalém, 25 de Nisan 5773 / Maringá, 5 de Abril 2013.

 

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog .

Abril 5
25 Nissan
horário
17:45
Abril 6
26 Nissan
horário
18:35

 

 

 

 

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Nidá!!! e Mikvá!![Qual significado?]

 

Nidá, niddah ou nidah ( do hebraico נידה removido , separado ) é a palavra que no judaísmo designa o status de uma mulher durante seu período menstrual e os sete dias subsequentes , até que a mulher mergulhe em uma mikvá,onde será considerada ritualmente purificada.

Nidá designa a categoria de mandamentos e costumes geralmente chamados de pureza familiar (taharat hamishpacha) e também é um nome de um tratado do Talmud.

O mandamento de Nidá tem origem na Torá:

  • “E uma mulher, quando tiver o fluxo de sua carne de cor sangüínea, sete dias ficará separada (nidá) na sua impureza”
  • “E se limpar-se de seu fluxo, contará para si sete dias e depois se purificará”

Uma moça assume o status de nidá desde quando começa a menstruar. Ao casar-se, quando tiver qualquer eliminação de sangue do seu útero , mesmo a mais minúscula, a mulher é considerada Temeah; isto é: ritualmente impura, e deve separar-se do contato do marido pelo período determinado.

Segundo a Torá, uma mulher que dê à luz, também está na condição de nidá e deve separar-se do marido pelo período determinado de impureza.

 

 

 

Mikvá ou mikvé (em hebraico מִקְוָה) é o nome dado à imersão ritual em água utilizada no judaísmo. Geralmente é utilizado para purificação da mulher após a menstruação e o nascimento de um filho, e também é requerido aos que se convertem ao judaísmo. A imersão no mikvé é também praticada pelos homens antes do Yom Kippur e, em algumas comunidades, assume-se como um ritual semanal antes do Shabbat.

Se não existir uma mikvá na casa do casal, é permitido que a mulher faça o banho num rio próximo e caso não haja um rio, pode ser feito em um lago ou oceano. Essa tradição para o casal judeu se estende a “Purificação da Família”, sem fazer a mikvá as relações sexuais não podem se realizar.

Em fim, para um Judeu é repugnante ter relações sexuais com uma mulher no seu período menstrual e é difícil eles acreditarem que existam pessoas que não dão respeito a esse fato fisiológico da mulher e não respeitem a natureza humana.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz ,Marcella  Mastrandea e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 24 de Nisan 5773 / Maringá, 4 de Abril 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog

 

 

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Personalidade: Entrevista: Rabino Chefe Lord Jonathan Sacks

Por ocasião de sua visita a São Paulo, o Grão Rabino Chefe da Grã Bretanha e Commonwealth concedeu esta entrevista à Morashá.

 

Morashá: Como Rabino Chefe, o que o Sr. considera terem sido suas maiores conquistas? E seus maiores desafios?

Rabino Chefe Jonathan Sacks: O judaísmo britânico se transformou nos últimos 22 anos. Isto constitui uma genuína conquista comunitária, na qual estão envolvidas milhares de pessoas. Os três pontos dos quais me orgulho: primeiro, o drástico crescimento nas escolas judaicas integrais, algo sem precedente na história de nossa comunidade.  Durante este período, o percentual de crianças judias que frequenta nossas escolas cresceu de 25% para quase 70%. Segundo, o fato da comunidade ter-se tornado verdadeiramente criativa nos campos da educação de adultos, atividades culturais e instituições beneficentes. Terceiro, constatar que a voz judaica se tornou uma parte importante e altamente respeitada no diálogo nacional.

O maior desafio nos primeiros anos foi a política interna da comunidade judaica, mas creio que encontramos uma forma de resolver isso com respeito e integridade.

M: Quais foram as pessoas que mais influenciaram sua vida, seu trabalho, seus escritos e suas crenças?

Rabi Sacks: Tive o privilégio de conhecer, enquanto aluno da graduação, o Lubavitcher Rebe, Rabi Menachem Mendel Schneerson, o maior líder judeu de nosso tempo, e o Rabi Joseph B. Soloveitchik, o maior pensador judeu de nossa era. Ambos tiveram uma imensa influência sobre minha pessoa.

A influência mais importante durante os anos de minha formação como Rabino foi de meu mestre, o Rabi Nachum Rabinovitch, com quem estudei durante 10 anos. Ele era um homem de imensa coragem moral e intelectual. Como filósofo, as influências mais importantes que tive foram de meus professores, Sir Bernard Williams e o Professor Roger Scruton.

M: O Sr. é, sem dúvida, um dos líderes judeus mais influentes, respeitados e celebrados no mundo, atualmente. Quais os seus planos para o futuro?

Rabi Sacks: Estudar, ensinar e o fazer em uma plataforma global. Desejo, na medida do possível, ter uma participação no ensino da próxima geração de líderes judeus; rabinos, educadores, profissionais comunitários e da liderança voluntária. Tentarei, também, desenvolver as possibilidades da Internet como um veículo para a educação judaica e a espiritualidade.

 

M: À luz do Holocausto e das expulsões e discriminações sofridas pelo judaísmo europeu ao longo da História, é sensato que os judeus vivam na Europa? Quanto a Europa mudou desde a 2ª Guerra Mundial?

Rabi Sacks: A situação dos judeus na Europa, hoje, é desafiadora. Há uma ampla hostilidade contra Israel. Os universitários sentem-se intimidados nas faculdades.  A Shechitá e o Brit Milá (o abate casher e a circuncisão) estão sendo atacados. A meu ver, não há razão para temer, mas, sim, todas as razões possíveis para defender nossa identidade e nosso estilo de vida com confiança, humildade e vigor. Não devemos esquecer que as forças hostis aos judeus e a Israel, também são hostis aos valores ocidentais da liberdade, democracia e dos direitos humanos. Portanto, nesta luta, teremos aliados bons e fortes.

M: Qual o maior desafio com que se depara o judaísmo mundial, atualmente?

Rabi Sacks: Infelizmente, as duas forças mais vigorosas na vida judaica, hoje, são a assimilação, por um lado, e a segregação – o fechamento da ortodoxia para seu interior– pelo outro. Parece que muitos judeus estão optando por se conectar com o mundo e se desconectar do judaísmo, ou então, envolver-se com o judaísmo ao custo de se desligar do mundo. Há que haver um outro caminho. Ser um judeu comprometido requer o envolvimento com o mundo; e somente se o fizermos enquanto judeus orgulhosos e comprometidos estaremos dando nossa singular contribuição à humanidade, de modo integral. Todo o meu empenho nos próximos anos será no sentido de atuar, com a voz a mais vibrante possível, na direção desta abordagem à identidade judaica.

M: Qual a maneira mais eficaz de se combater a assimilação judaica?

Rabi Sacks: Fazendo com que as pessoas tenham orgulho de serem judeus. Há centenas de formas diferentes de sentir orgulho e temos que promover todas.

M: O Sr. é um respeitadíssimo erudito, tanto no campo religioso quanto secular. Como educar as crianças judias, de forma eficaz, nessas duas áreas? Qual a sua definição de uma educação judaica ideal?

Rabi Sacks: Minha filosofia de educação judaica é uma combinação de Torá e Chochmá. Chochmá é a herança universal da humanidade. Inclui as ciências naturais – o universo como a Obra de D’us – e as ciências humanas – tudo o que nos permite ver o ser humano como a imagem de D’us. A Torá é o legado particular e único do Povo Judeu. Vejo muito pouco conflito de princípios entre esses dois aspectos, e quanto mais abrangente for nossa educação secular, mais profunda será nossa percepção e nosso aprofundamento na Torá. Um judeu instruído deve ser igualmente letrado em ambos os campos.

M: O que o judaísmo tem a ensinar ao mundo não judeu?

Rabi Sacks: Primeiro, a dignidade da diferença. Não precisamos ser iguais a nenhum outro para fazer nossa singular contribuição à humanidade. O judaísmo é uma rara combinação de respeito pela universalidade da condição humana e pela particularidade da identidade. Segundo, o judaísmo é um exemplo convincente das estruturas necessárias para uma sociedade livre, famílias fortes, comunidades apoiadoras e um compromisso com Tzedacá e Chessed. Terceiro, chamo o judaísmo de “a voz da esperança no diálogo da humanidade”.

O Povo Judeu é uma testemunha viva da capacidade de um povo muito pequeno de sobreviver à tragédia, sobreviver a grandes impérios e contribuir de forma desproporcional a seus números.

 

M: Qual o papel que a religião deve desempenhar no Estado de Israel? Deveria a religião moldar as leis do país, de alguma maneira?

Rabi Sacks: Há elementos da Lei Judaica – tais como o Shabat ser o dia do descanso – que denotam a identidade de Israel como um Estado judeu. Fora isso, eu falaria com muita cautela de uma legislação religiosa.
O verdadeiro lugar do judaísmo é em uma sociedade, não em um Estado. Se fosse possível, eu gostaria de ver a religião separada da política – e a política separada da religião.

M: Por que o mundo é tão crítico do Estado de Israel? Por que culpa Israel por tudo, mesmo por defender seus cidadãos contra os ataques, enquanto ignora as atrocidades cometidas em outras partes do mundo, mais notada e recentemente, na Síria?
Rabi Sacks: Durante mil anos, os judeus foram perseguidos por serem o arquétipo do “outro” em uma
Europa cristã. Hoje, estamos sob ataque por sermos o arquétipo do “outro” em um Oriente Médio islâmico. Os judeus foram atacados porque eram diferentes, mas a diferença é parte essencial de nossa condição humana. Portanto, qualquer região que não tenha lugar para os judeus, não tem lugar para a humanidade.

O Estado de Israel continua a ser um modelo de como se criar uma sociedade livre, uma economia dinâmica e notáveis conquistas científicas, médicas e tecnológicas. Mais cedo ou mais tarde, seus críticos terão que aceitar esses
fatos ou terão que aceitar que têm mentes tacanhas e preconceituosas. Contudo, essas críticas não
nos devem desmoralizar.
Qualquer judeu que reflita seriamente sobre a História entenderá que é melhor ter um Lar judeu e ser criticado do que ser fraco e destituído de sua Pátria, e atrair a compaixão do mundo. Graças a Israel, todos os judeus andam com a cabeça mais erguida, ainda que não tenham consciência disto.

M: Quais o Sr. considera serem os desafios mais grandiosos que o Estado de Israel precisa enfrentar nos anos e décadas por vir?

Rabi Sacks: O desafio mais extraordinário com que Israel se depara é o crescente divisor de águas entre os israelenses seculares e o movimento cada vez maior de fechamento de grande parte do público religioso em seu interior. Este desafio não é difícil de ser vencido, mas requer uma liderança corajosa e sensível, de ambas as partes.

M: Com a proximidade de Pessach, qual a sua definição de liberdade?

Rabi Sacks: Pessach não é uma festividade independente. A Contagem do Omer a conecta com Shavuot. Juntas, essas duas festas representam os dois elementos da liberdade, como foi definido pelo saudoso Sir Isaiah Berlin. Pessach representa a liberdade negativa, Chofesh em hebraico. Trata-se do tipo de liberdade que um escravo adquire ao ser libertado. Significa que ninguém pode forçá-lo a fazer o que você não deseja. Shavuot representa a liberdade positiva, Cherut em hebraico.  É a liberdade coletiva desfrutada pelos membros de uma sociedade governada pela justiça e o Estado de direito. É a liberdade de fazer o que você deve fazer, para que minha liberdade não seja comprada ao custo da sua. No final das contas, precisamos de ambas.

 

 

 

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz ,Marcella  Mastrandea e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 23 de Nisan 5773 / Maringá, 3 de Abril 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog

 

 

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A romã que cura …

Mais do que um símbolo religioso de profundo significado para o judaísmo usado nas bênçãos de Rosh Hashaná e na época do Templo e em Shavuot, esta fruta mencionada na bíblia vem sendo pesquisada por cientistas israelenses. Estes estudos comprovam que a romã possui qualidades terapêuticas, podendo ser usada no tratamento de vária moléstias.

As propriedades medicinais da romã, até há pouco tempo, eram conhecidas apenas pelos interessados em mitologia ou em medicina chinesa antiga. De acordo com o herbário chinês, o suco de romã aumenta a longevidade. No Brasil, atualmente, um chá à base de casca de romã está sendo utilizado pelos seguidores da medicina alternativa como antibiótico natural.

A romã, cujas sementes e gosto meio ácido sempre foram apreciados como fruta, vem sendo, agora, considerada também uma moderna fonte medicinal. Cultivada na região do Mediterrâneo, Israel é um de seus grandes produtores, respondendo pela produção anual de três mil toneladas. Atualmente, dois estudiosos israelenses realizam pesquisas sobre tratamentos e produtos derivados da fruta.

O dr. Michael Aviram está desenvolvendo sua pesquisa no Lipid Research Laboratory, do Ramban Medical Center, em Haifa, utilizando o suco de romã para combater o colesterol e os problemas cardíacos. Já Efraim Lansky realiza suas pesquisas na Rimonest, companhia fundada pelo Instituto Tecnológico de Israel – Technion, partindo da premissa de que o suco, a polpa e a casca da romã contêm propriedades que além de reduzir o colesterol, retardam o envelhecimento e talvez até levem à cura do câncer e da Aids.
Aviram, 53, é bioquímico no Technion. Ele dedicou os últimos vinte anos pesquisando formas de evitar ou eliminar os depósitos de colesterol nas artérias, o que causa arteriosclerose, distúrbios cardíacos e enfarte do miocárdio. Buscando antioxidantes naturais, o dr. Aviram testou vinte produtos diferentes antes da romã. Descobriu que o suco da fruta contém um poderoso antioxidante, um tipo de flavonóide mais eficiente na prevenção de problemas cardíacos do que o existente no tomate e no vinho tinto.

Ele tem administrado o suco a seus pacientes com estenose nas artérias carótidas, isto é, um estreitamento nas artérias que levam o sangue ao cérebro, e os resultados foram rápidos e impressionantes. “Tenho visto melhoras desde o primeiro mês de tratamento”, afirmou Aviram.

O médico relata, em detalhes, a sua pesquisa, com a segurança adquirida ao longo de anos de experiência em um hospital de renomada reputação, doze diplomas e vários certificados. Conta que muitos pacientes de alto risco, sérios candidatos a implantes de ponte safena, conseguiram evitar a cirurgia apenas com o suco da romã. A única queixa que ouviu de alguns foi sobre a acidez da fruta. Atualmente Aviram está envolvido no projeto para isolar os flavonóides e transformá-los em pílulas.

Efraim Lansky é o principal acionista e chefe da Divisão de Pesquisas da Rimonest, formado pela Universidade da Pensilvânia, com doutorado em psicologia e biologia, além de especialização em acupuntura e homeopatia.Afirma não estar interessado apenas no suco da romã, mas na fruta como um todo. Está fabricando o que denominou de “cardiogranado”, um suco concentrado que, segundo ele, ajuda a baixar o nível de colesterol. E, em breve, lançará também uma nova linha de cosméticos – cremes anti-envelhecimento, óleos para massagem e máscaras – usando estrógeno extraído da semente e da casca da romã. Em sua clínica homeopática, tem receitado o suco de romã em casos de febre e, em mulheres pós-menopáusicas, na prevenção de problemas cardíacos e osteoporose.

O Dr. Lansky acredita que esse seja um grande projeto farmacêutico, com inúmeras possibilidades, entre as quais, a cura do câncer de próstata, da leucemia, do herpes e até da Aids. Segundo o estudioso, a aplicação de vinho e óleo da semente nas células de certos tipos de câncer interrompe a reprodução das mesmas, evitando que a doença se espalhe. Lansky pretende iniciar, proximamente, mais uma fase da pesquisa, usando camundongos.
Ao falar sobre os atuais rumos da indústria farmacêutica, de modo geral, o estudioso adverte que as pressões econômicas podem levar grande parte das empresas a interromper suas pesquisas. “Quem assistiu o filme ‘O homem do terno branco’, uma comédia inglesa estrelada por Alec Guinness, deve lembrar-se da história do homem que inventa um terno branco que não mancha e nem rasga e, por isso, a indústria têxtil quer matá-lo”, comenta, com ironia.

 

Enquanto Lansky refere-se à sua fruta predileta como uma espécie de “remédio milagroso”, Aviram é mais cauteloso ao afirmar que: “…não acredito que uma fruta faça tudo isso. Não há frutas milagrosas”. Referindo-se à pesquisa de Lansky, Aviram diz que a hora da verdade será quando o teste for feito em seres humanos. “É muito difícil dizer que este ou aquele trabalho será eficiente contra o câncer se seus resultados foram apenas analisados em provetas ou células”.

No entanto, Lansky está confiante e, para ilustrar, lembra a “Doutrina das Assinaturas”, “uma antiga referência de que o Criador teria deixado uma assinatura sobre as plantas, esclarecendo suas finalidades terapêuticas”. Diz isto, segurando uma romã em uma mão e abrindo, com a outra, um livro de medicina.

 

 

Romã, o rimon de Israel,
uma das sete espécies de frutos da Bíblia

Apesar de a Terra de Israel ser abençoada com muitas frutas, as sete espécies descritas no verso bíblico abaixo tinham um caráter especial, pois foram as “primícias” – ou os frutos da primeira colheita levadas ao Templo Sagrado, em Shavuot, e entregues como oferenda a D’us. Como tal, simbolizam Eretz Israel e a intensa ligação do Povo de Israel à sua terra: “… Pois o Senhor, teu D’us, levar-te-á a uma terra boa… de trigo e cevada, uvas e figos e romãs; uma terra de azeite e mel”.

A romã é uma fruta de cor vermelho escuro, com flores de uma tonalidade intensa, cujas sementes abundantes são o símbolo da fertilidade. É cantada em verso e prosa e uma antiga canção hebraica assim descreve o rimon: “O aroma da romãzeira está em toda parte, é transportado pelo vento do Mar Morto a Jericó…”

É um símbolo de muito significado para a vida judaica e os compromissos assumidos pelos judeus. Uma das sete frutas mencionadas na Torá, contém 613 sementes – uma para cada mitzvá da Lei judaica. A romã lembra-nos da ligação com nossa comunidade e de nosso compromisso com o tikun olam, a responsabilidade moral que cada judeu tem de consertar o mundo e aliviar o sofrimento onde quer que exista.

Em forma estilizada ou fielmente reproduzida, a romã adorna diversos objetos de culto judaico, entre os quais destacam-se os belos rimonim usados para guarnecer a extremidade de madeira dos rolos da Torá, os 200 rimonim de cobre que enfeitavam as vigas do Templo de Jerusalem e os rimonim que, alternando-se com os paamonim (pequenos sinos), decoravam a bainha do manto do Sumo Sacerdote.

Sempre esteve presente na literatura rabínica, em uma alusão a coisas boas. Rabi Shimon Ben Lakish costumava dizer: “Até os mais simplórios dentre os homens do teu povo estão transbordando com os Mandamentos Divinos, como uma romãzeira carregada. Ao dizermos ‘… quando as romãzeiras florescem’, referimo-nos aos meninos pequenos estudando a Torá, sentados enfileirados diante de seus mestres, como as sementes de uma romã acomodadas na polpa da fruta”. Shir HaShirim – Cântico dos Cânticos (Tratado Rabá 6, 17).

 

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz ,Marcella  Mastrandea e Vital Ben Waisermman.

Jerusalém, 22 de Nisan 5773 / Maringá, 2 de Abril 2013.

Shalom Lé Kulam – Paz a Todos! Shavua Tov! Boa Semana!

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog

 

 

 

 

 

 

 

 

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