Mês: março 2014



Dia da imigração judaica no Brasil!

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Belo Horizonte celebra o Dia Municipal da Imigração Judaica em 18 de março. Prefeito sancionou este ano Lei que institui a data na capital mineira. Evento no Museu Abílio Barreto marca comemoração.
Conforme lei sancionada em janeiro de 2012 pelo Prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, foi instituído o Dia Municipal da Imigração Judaica, a ser comemorado, anualmente, no dia 18 de março. O objetivo é homenagear os brasileiros de origem judaica residentes na capital, que contribuíram e contribuem para o progresso do nosso país. Em âmbito nacional, a data já é oficializada desde 2009.
A Federação Israelita do Estado de Minas Gerais (FISEMG), com o apoio do Museu Histórico Abílio Barreto, realizará um evento no dia 18 de março mostrando os caminhos dos imigrantes judeus que vieram de diversas partes do mundo e por diversos motivos. O Presidente da FISEMG, Marcos Brafman, enfatiza que a Comunidade Judaica participa ativamente do desenvolvimento social, cultural, político e econômico da nossa cidade, “cumprindo um dos preceitos importantes do Judaísmo de que o ser humano tem a responsabilidade de agir tanto pessoal quanto profissionalmente de modo a tornar cada vez melhor o mundo em que vivemos”.
O evento é aberto ao público e será realizado no Museu Histórico Abílio Barreto, no bairro Cidade Jardim, às 18h do dia 18 de março (Domingo). No evento, haverá relatos de imigrantes judeus que vieram para Belo Horizonte com suas famílias, música klazmer com apresentação ao vivo e um vídeo sobre a imigração judaica, além de culinária típica.
18 de março
A data tem como referência a reinauguração da Sinagoga Kahal Kadosh Zur Israel (Santa Comunidade Rochedo de Israel), ocorrida em 2002. “Temos que ressaltar a abertura do país brasileiro aos estrangeiros. Ao longo dos anos, o Brasil construiu um estado multicultural capaz de preservar um pluralismo cultural respeitoso e harmonioso”, afirma Rabino Leonardo Alanati, da Congregação Israelita Mineira. Segundo ele, os imigrantes foram muito bem recebidos no Brasil. Aprenderam o português com seus novos e simpáticos vizinhos, experimentaram e aprovaram a culinária local e suas frutas exóticas, apaixonaram-se pela música, pelo samba, pelo carnaval e pela exuberante flora e fauna destas terras. A integração foi tamanha, que assustou os mais conservadores.
A Federação Israelita do Estado de Minas Gerais (FISEMG), com o apoio do Museu Histórico Abílio Barreto, realizará um evento mostrando os caminhos dos imigrantes judeus que vieram de diversas partes do mundo e por diversos motivos. O Presidente da FISEMG, Marcos Brafman, enfatiza que a Comunidade Judaica participa ativamente do desenvolvimento social, cultural, político e econômico da nossa cidade, “cumprindo um dos preceitos importantes do Judaísmo de que o ser humano tem a responsabilidade de agir tanto pessoal quanto profissionalmente de modo a tornar cada vez melhor o mundo em que vivemos”.
Dia Municipal da Imigração Judaica – 18 de março

 

Brasil conta hoje com uma população de 107.329 Judeus 2 sendo a segunda maior comunidade judaica da América Latina, perdendo apenas para a Argentina, e a décima primeira a nível mundial.

A imigração judaica no Brasil foi um movimento migratório do início do século XIXaté a primeira metade do século XX, especialmente nas regiões SudesteSul eNordeste. Somam hoje mais de 100 mil praticantes do Judaísmo no Brasil, sendo o número de ascendentes não muito exato. O judeu brasileiro é um brasileiro que possui ascendentes e/ou crença judaica. Também são consideradas judeus brasileiros as pessoas nascidas no exterior mas radicadas no Brasil.

O Brasil foi palco para a primeira comunidade judaica estabelecida nasAméricas. Com a expulsão dos judeus de Portugal, logo após a sua descoberta, judeus convertidos ao catolicismo (cristãos-novos) já se haviam estabelecido na nova colônia. Ao menos dois pisaram na terra quando Pedro Álvares Cabralchegou em 1500, fazendo parte de sua tripulação: Mestre João, médico particular da Coroa Portuguesa e astrônomo; e Gaspar da Gama, intérprete (ajudara Vasco da Gama nas Índias, onde vivia) e comandante da nau que trazia mantimentos.

 

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Nos dez anos seguintes, outro judeu naufragou perto da costa brasileira e integrou-se aos indígenas: João Ramalho, que serviu de intérprete para novos portugueses que foram chegando. No mesmo período, Fernão de Noronha extraía pau-brasil da costa atlântica; as árvores ficariam conhecidas como “madeira judaica”. Muitos judeus portugueses, procurando fugir da intolerância católica em Portugal, viam no “novo mundo” a oportunidade de praticar livremente seu culto, incluindo-se aí os cristianizados que praticavam ojudaísmo em segredo – os cristãos-novos. Martim Afonso de Sousa era um dos cristãos-novos que chegaram ao Brasil no século XVI, como governante de uma das capitanias hereditárias.

Mais judeus pioneiros chegaram ao país na época das invasões holandesas do Brasil, em 1630, uma vez que compunham na Holanda uma comunidade tolerada, razão pela qual os holandeses foram bem recebidos pela comunidade judaica já estabelecida no Brasil. O Nordeste brasileiro ficou sob o domínio holandês por vinte e quatro anos e, neste período, muitos sefarditas se estabeleceram no país, principalmente em Recife, onde tornaram-se prósperos comerciantes e fundaram a primeira sinagoga das Américas. Com a expulsão dos holandeses, a maioria dos judeus estabelecidos no Brasil fugiram para os Países Baixos ou outras possessões holandesas, como as Antilhas e Nova Amsterdã, que posteriormente seria renomeada como Nova York após ser cedida aos ingleses. Ali fundaram a primeira comunidade judaica dos Estados Unidos, e uma minoria se estabeleceu no interior do Sertão, o Seridó, para assim fugirem da Inquisição.3

As últimas informações sobre a presença destes judeus ibéricos no Brasil datam de meados do século XVIII. Nessa época, com o desenvolvimento da mineração na colônia, milhares de portugueses se deslocaram para a região das Minas Gerais, entre eles, um número considerável de cristãos-novos. Através da Inquisição, muitos desses sefarditas foram julgados, enviados à Portugal e condenados à prisão. De fato, muitos desses cristãos-novos não mais mantinham ligações com o judaísmo, mas, por serem ricos comerciantes e mineiros, eram acusados de praticar judaísmo por seus inimigos e dificilmente se livravam das condenações da Inquisição.

No final do século XVIII, já não havia mais relatos sobre judeus no Brasil. Todos haviam saído da colônia ou se convertido aoCristianismo, o que faz com que muitos brasileiros possuam, mesmo sem saber, origens em judeus portugueses.

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Uma nova onda de imigrantes judeus, sefarditas, começou a chegar ao Brasil em 1810, vindos principalmente do Marrocos, estabelecendo-se na Amazônia, principalmente em Belém, onde fundaram em 1824 a mais antiga sinagoga em funcionamento noBrasil e, em 1848, o primeiro cemitério israelita do país; e em Manaus, onde chegaram em 1880. Boa parte dos que chegaram no final do século vinham em função da época dourada da borracha, e sua vinda foi financiada pelos que já estavam na região. Cametá, no interior do Pará, chegou a ter metade de sua população branca constituída de sefarditas.

As famílias mais ricas mudaram-se para o Rio de Janeiro com o declínio da borracha. Ainda assim, a grande assimilação que tiveram na região, envolvendo também sincretismo religioso, fez com que a proporção de descendentes de judeus entre a população branca daRegião Norte (amplamente de sefarditas) seja a maior do país.

O isolamento imposto aos sefarditas na Amazônia chamou a atenção de rabinos no Marrocos. No início do século XX, decidiram enviar um rabino à Amazônia para angariar fundos para uma yeshivá no Marrocos (ou em Jerusalém, não se sabe ao certo) e fiscalizar o cumprimento das normas religiosas pela comunidade estabelecida na floresta. Shalom Emanuel Muyal chegou à região em 1908 ou1910, mas, dois anos depois de chegar a Manaus, morreu, provavelmente depois de contrair febre amarela. Curiosamente, o rabino Muyal acabou por ganhar fama de santo milagreiro entre os católicos locais. Foi enterrado no cemitério cristão, pois não havia, então, cemitério judeu na cidade, e sua sepultura tornou-se local de peregrinações. Zeloso, o rabino da sinagoga de Manaus mandou construir um muro ao redor do túmulo, mas foi pior: os devotos católicos passaram a usar o muro como suporte para placas e quadros em que fazem seus pedidos ao rabi Muyal e também proclamam as graças alcançadas. “Ele se tornou o santo judeu dos católicos da Amazônia”, admite Isaac Dahan, da sinagoga de Manaus. Nos anos 1960, quando seu sobrinho, então ministro de governo do já criadoEstado de Israel, tentou trasladar os restos mortais do santinho, houve protestos populares, e o governo do Amazonas pediu-lhe que não o fizesse. Enfim a sepultura do rabi Muyal foi para o cemitério judaico, anexo ao católico, e o santo rabi continuou a ser venerado no Amazonas.

 

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A saga dos judeus amazônidas foi levantada no livro Eretz Amazônia, de Samuel Benchimol.

Em fins do século XIX, uma outra onda de imigração judaica já se fazia presente no sul do Brasil, inserida dentro do fenômeno da grande imigração no Brasil, que ocorreu principalmente entre 1870 e 1920. Neste período, cerca de 5,5 milhões de imigrantes desembarcaram no Brasil, sendo o número de judeus não muito expressivo, pois estes preferiam imigrar para os Estados Unidos.

Com a Proclamação da República do Brasil, uma Constituição foi promulgada, garantindo liberdade religiosa no Brasil, o que facilitou a vinda de imigrantes judeus, desta vez um grande número de asquenazes: a maior parte era proveniente do Leste europeu, regiões da atualPolôniaRússia e Ucrânia. A maioria desembarcava no porto de Santos e rumava para a cidade de São Paulo onde rapidamente constituiu-se uma próspera comunidade de comerciantes judeus. Com a ascensão do nazismo na Alemanha na década de 1930, formou-se um maior contingente de imigrantes judeus (asquenazes em sua maioria) rumando para o Brasil. Além de São Paulo (principalmente no Bom Retiro), os judeus marcaram presença noRio de Janeiro, no Sul do Brasil e em outras partes do país. No Rio Grande do Sul possui a fazenda Philipson, fundada no ano de 1904. Ela é considerada como a formadora da primeira escola judaica no Brasil e está localizada no município de Itaara ao lado da BR-158. Posteriormente os imigrantes e descendentes migraram do Bom Retiro para regiões nobresda cidade de São Paulo, como Higienópolis e Jardins

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No Brasil, os imigrantes judeus praticamente não encontraram resistência religiosa e ficaram isentos de preconceito por parte da população local, o que tornou sua adaptação muito mais fácil que as comunidades judaicas norte-americana e argentina, por exemplo. Hoje em dia, a comunidade judaica brasileira participa ativamente na sociedade e estão bastante integrados no país.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

 

Maringá,18 /3/2014    16 Adar II 5774

 

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman,  responsável pelo Blog

 

 

 

 

 

 

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