Mês: julho 2014



Religiosos muçulmano, cristão e judeu renovam compromisso com a paz…

Leia abaixo mensagem pela paz divulgada por Dom Raymundo Damasceno Assis, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil; Sheikh Jihad Hassan Hammadeh, da União Nacional das Entidades Islâmicas; e rabino Michel Schlesinger, da CIP, representante para o diálogo inter-religioso da Confederação Israelita do Brasil:

“Preocupados com a recente escalada do conflito entre Gaza e Israel, decidimos renovar nossa mensagem de diálogo entre pessoas de diferentes comunidades religiosas no Brasil.

Acreditamos que todos os homens e mulheres foram criados pelo mesmo Deus e, portanto, merecem o mesmo direito à vida e à dignidade.

No Brasil, as diferentes comunidades convivem de maneira respeitosa e pacífica. Mais do que isto, diversos projetos sociais, comerciais e políticos são originados pela parceria destes diferentes grupos e são direcionados ao grande público, independentemente de convicção religiosa.

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Assim, neste momento de crise entre palestinos e israelenses, renovamos nosso compromisso com o fortalecimento de uma educação voltada para o respeito à diversidade, ao diálogo e ao pluralismo, condenando qualquer ato contra inocentes. Que as relações de cordialidade e parceria entre religiosos no Brasil sejam fortalecidas e inspirem o mundo na busca pelo caminho da justiça e da paz.

Paz, Salam e Shalom

Dom Raymundo Damasceno Assis – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Sheikh Jihad Hassan Hammadeh – União Nacional das Entidades Islâmicas

Rabino Michel Schlesinger – Confederação Israelita do Brasil

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Maringá, 31/07/2014 e Jerusalém, 4 Av 5774…

Shalom Lé Kulam Chaverim – Paz A Todos Amigos!

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Claudio Lottenberg, Presidente da Conib…

Gostaria, com humildade e um sentimento de prestação de contas à comunidade – à qual me dedico desde a juventude -, comentar as críticas.

Primeiramente, desejaria enfatizar que as recebo com espírito democrático. Habituei-me, ao longo de minha trajetória profissional e comunitária, a aprender com opiniões contrárias.

Em segundo lugar, gostaria de destacar que, em algumas das críticas, é mencionado um suposto pedido de desculpas. Não fiz isso. Lamentei a linguagem utilizada pelo porta-voz. Achei-as deselegantes, pois criticaram o Brasil, o país como um todo, ao chamá-lo de irrelevante.

O porta-voz, como é hábito na diplomacia, poderia dirigir críticas a um governo e a sua política externa, não a um país, encampando toda sua história e toda a sua população.

E, ao recorrer à ironia, equivocou-se. É difícil e incômodo admitir, mas não há como tapar o sol com a peneira.
Suas declarações geraram mal-estar em diversos setores da sociedade brasileira. Não foi apenas no plano do governo federal.

Como presidente da Conib, tenho a responsabilidade de zelar por nossa comunidade e pela intensificação dos laços entre Brasil e Israel.

Gostaria de enfatizar também que não me afastei um milímetro das posições assumidas pela Conib desde o início do conflito. Reiterei sempre que não aceito a tese da desproporcionalidade, sustento o direito de Israel se defender e mantenho a crítica às últimas atitudes do Itamaraty, como expressam as notas divulgadas pela Conib.

De qualquer maneira, despeço-me agradecendo as sugestões e as críticas.

E diria ainda que, neste momento de desafios históricos, precisamos manter nossa coesão, sem abrir mão do exercício de crítica. Precisamos encarar a responsabilidade nas tarefas absolutamente fundamentais de defender o Estado de Israel e combater o antissemitismo. Fazemos tudo isso em nome de nossos filhos, dos filhos de Israel e de todo o povo judeu.

Essas foram palavras de Claudio Lottenberg, Presidente da Confederação Israelita No Brasil.

” Curiosidades Do Dia ”

Ao final da década de 1960, havia 29 sinagogas na Índia, a maioria delas em Bombaim. Hoje o número de sinagogas no país caiu para 18. A sinagoga Paradesi (“estrangeiros”), localizada na cidade de Cochin, é uma importante atração turística da Índia.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Maringá, 30/07/2014 e Jerusalém, 3 Av 5774.

Baruch Atá Adonay Shomea Tefilá – Bendito Seja Nosso Eterno D’us, Que Ouve As Minhas Orações!

Shalom Lé Kulam!-Paz A Todos!

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Censo de famílias judaicas!!!

Bom dia!
Com enorme prazer trago os leitores esta notícia!
Desde, a metade do ano de 2013, esta sendo realizado um levantamento das famílias judias, que por um motivo desconhecido deixaram de fazer suas praticas acerca da cultura hebraica as ( Mitsvotis )-mandamentos em hebraico. E este censo ou recadastramento, e no bairro de Santana, Zona Norte ca capital paulista. Pois, lá existem um número expressivo de 650 famílias não praticantes ou afastada da vida social judaica.
E quase 100 % delas, desejam retornar as práticas e serem assistidas por uma Sinagoga,
e orientadas por um Rabino.
Esse e um trabalho do senhor Avrahan e o Rabino Gilberto Venturas, ja com mais de 80 anos continua batalhando por uma comunidade organizada. Segundo ele, juntos somos mais fortes!

E faz com que a CONIB, Confederação Israelita do Brasil, tenha conhecimento deste importante número de descendentes de judeus, na cidade de São Paulo, e no pais.

Lembrando que a Unibbes, fundação Samuel Klein, desenvolve um importante trabalho social, a comunidade.

OBS: No Brasil, existem muitas pessoas de origem que tiveram que mudar seus nomes. Devido, a inquisição , num passado recente. Nomes,como: Carvalho, Nogueira, Campos, Figueiredo, Pereira e uma infinidade de nomes de plantas e arvores, era usado para enganar o Carrasco Tribunal Inquisitório. Conhecido popularmente como: Santo Ofício da Inquisição!
Curiosidade: A inquisição em nossas terras, ficou ativo o menos de forma burocrática. Até o ano de 1911, quem não fosse de religião oficial . Poderia ser julgado, condenado e queimado vivo, em praça pública!

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Maringá, 28 de julho 2014. Jerusalém, 1 Av 5774 .

Shalom Lé Kulam – Paz A Todos!

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Desejo de Paz Urgente No Oriente Médio!

Venho desejar o mais urgente possível o desejo de Paz no Oriente Médio!
Hoje, sexta feira, dia de Inicio de shabat shalom-paz no sábado !

Essa paz, não desejo apenas, para Judeus e sim tambem a Palestinos, e todos no Oriente Médio.

Pois, assim que o Eterno Deus, cessou sua criação parou para contemplar tudo quehavia criado. Dia em que, familiares, amigos e simpatizantes da Cultura Judaica, se encontram para orações e comunhão.
Em Israel, as 18:00 horas até o transporte público no pais, devido essa tradição e respeito aos mandamentos do eterno. Não se resume a alimentos e bebidas e encontros e sim no olhar pra dentro do eu e refletir na própria vida e nossa obrigação como Judeus, e seres humanos na evolução deste existência!

Horário das velas de Shabat: 25 julho , 27 tammuz, 17:23.
horário para apagálas: 26 de julho, 28 de tammuz, 18:17.
Obs: O ascendimento das velas, é de obrigação da Mulher.
E o homem faz a benção do vinho, tomando o primeiro gole, do mesmo.

Conib reage a nota do Itamaraty que critica Israel e poupa Hamas.

A Confederação Israelita do Brasil vem a público manifestar sua indignação com a nota divulgada nesta quarta-feira pelo nosso Ministério das Relações Exteriores, na qual se evidencia a abordagem unilateral do conflito na Faixa de Gaza, ao criticar Israel e ignorar as ações do grupo terrorista Hamas.

Representante da comunidade judaica brasileira, a Conib compartilha da preocupação do povo brasileiro e expressa profunda dor pelas mortes nos dois lados do conflito. Assim como o Itamaraty, esperamos um cessar-fogo imediato.

No entanto, a lamentável nota divulgada pela chancelaria exime o grupo terrorista Hamas de responsabilidade no cenário atual. Não há uma palavra sequer sobre os milhares de foguetes lançados contra solo israelense ou as seguidas negativas do Hamas em aceitar um cessar-fogo.

Ignorar a responsabilidade do Hamas pode ser entendido como um endosso à política de escudos humanos, claramente implementada pelo grupo terrorista e que constitui num flagrante crime de guerra, previsto em leis internacionais.

Fatos inquestionáveis demonstram os inúmeros crimes cometidos pelo Hamas, como utilização de escolas da ONU para armazenar foguetes, colocação de base de lançamentos de foguetes em áreas densamente povoadas e ao lado de hospitais e mesquitas.

Também exortamos o governo brasileiro a pressionar o Hamas para que se desarme e permita a normalização do cenário político palestino. Lamentamos ainda o silêncio do Itamaraty em relação à política do Hamas de construir túneis clandestinos, em vez de canalizar recursos para investir em educação, saúde e bem-estar da população na Faixa de Gaza.

A Conib também lamenta que, com uma abordagem que poupa de críticas um grupo que oprime a população de Gaza e persegue diversas minorias, o Brasil mine sua legítima aspiração de se credenciar como mediador no complexo conflito do Oriente Médio.

Uma nota como a divulgada nesta quarta-feira só faz aumentar a desconfiança com que importantes setores da sociedade israelense, de diversos campos políticos e ideológicos, enxergam a política externa brasileira.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, Tradição e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Maringá, 25/07/2014 . Jerusalém, 27 tammuz de 5774.

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Cultura ! Obra sobre Winehouse é destaque no Festival de Cinema Judaico, em SP

O 18º Festival de Cinema Judaico começa no dia 5 de agosto em São Paulo. Nesta edição, a mostra especial “Com um Toque de Música” reúne sete filmes com temas relacionados ao universo musical. Entre eles, um documentário inédito no Brasil sobre a cantora Amy Winehouse.

Outro destaque é o recém-restaurado clássico do cinema judaico Mamele (1938), com a atriz Molly Picon – “a rainha do musical iídiche”. Haverá também uma homenagem ao rabino Henry Sobel.

O festival revisita edições anteriores, com 30 produções de países como Israel, França, Canadá, Brasil, Polônia, Bélgica e Macedônia.

O evento acontece de 5 a 10 de agosto, com entrada gratuita – exceto no Cinemark Higienópolis, em que os ingressos variam entre R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Além desta sala, os filmes serão exibidos em outras quatro – duas na Hebraica, Centro da Cultura Judaica e CineSesc.

Veja a programação, no CCJ e Hebraica.

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Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Maringá, 24/07/2014. Jerusalém, 26 de Tammuz 5774.

Shabat Shalom Lé Kulam – Paz No Sábado a Todos!

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Comunidade Shalom promove em dezembro jornada social no Quênia

A Comunidade Shalom, de São Paulo, promoverá na segunda quinzena de dezembro uma atividade de trabalho social no Quênia. Serão sete dias de voluntariado e três de turismo, com safári na reserva natural de Masai Mara e visita a tribo local. Podem participar jovens de 20 a 30 anos.

“O Quênia foi o país escolhido, porque vive impasses sociais parecidos com os do Brasil e também por ter alto índice de iniciativas – bem-sucedidas -, do terceiro setor”, informa a Shalom.

De volta ao Brasil, o grupo deve organizar as informações levantadas para gerar novo projeto ou viagem. A Shalom supervisionará inicialmente este processo, que aos poucos ganhará autonomia para ser um grupo autogerenciado dentro da instituição.

No Quênia, os jovens também visitarão a Embaixada de Israel. O país africano recebe há mais de 50 anos ajuda humanitária de Israel, por meio de programas como o Mashav.

O preço: US$ 2.900,00 (sujeito a alteração), com passagem aérea, alojamento, seguro saúde e pensão completa. Mais informações.

Utilidade Pública…

Cultura, em prol da Sociedade!

Violinista Maxim Vengerov faz concertos beneficentes em SP e no Rio

O violinista russo de origem judaica Maxim Vengerov se apresentará em 24 de agosto no Theatro Municipal em São Paulo, em concerto beneficente para a entidade assistencial judaica Ten Yad. Em 1º de setembro, ele estará no Municipal do Rio, em benefício das obras sociais da comunidade judaica.

Em São Paulo, Vengerov será acompanhado pela Orquestra Filarmônica de Paraisópolis. No Rio, pela Orquestra Sinfônica Brasileira.

Toda a renda arrecadada será revertida em prol das obras assistenciais do Ten Yad e da comunidade judaica do Rio.

A orquestra de Paraisópolis oferece cursos gratuitos e profissionalizantes de música para crianças e adolescentes residentes na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo.

Ingressos: (11) 3222-3385 e (21) 3543-3751/ (21) 96742-3985.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Maringá, 22/07/2014 . Jerusalém, 24 Tammuz 5774.

Shalom Lé Kulam! Paz A Todos!

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TV Cultura lança documentário sobre o rabino Henry Sobel…

O documentário “Henry Sobel, luz e sombras de um rabino”, produzido pela TV Cultura de São Paulo, será lançado em 5 de agosto, às 19h30, na sede da Congregação Israelita Paulista (CIP), em São Paulo. VEJA TRAILER.

A obra traz depoimentos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso; jornalistas Juca Kfouri e Audálio Dantas; ator Dan Stulbach; cardeal Dom Cláudio Hummes; dramaturga Maria Adelaide do Amaral; Clarice Herzog e Ivo Herzog, viúva e filho do jornalista Vladimir Herzog; Telma Sobolh, voluntária do Hospital Albert Einstein; rabino Michel Schlesinger, da CIP; e Sérgio Kulikovsky, presidente da CIP.

O documentário também mostra imagens do arquivo da TV Cultura, com o advogado José Carlos Dias e o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.

A pré-estreia tem o apoio da Congregação Israelita Paulista, da Livraria Cultura e do Buffet Rinzler.

Confirme presença via [email protected] Os lugares são limitados…

Obrigado pela Leitura!

Pesquisa, traduçao e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben WaisermmaN.

Shalom Lé Kulam-Paz A Todos!

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Arte: Moacyr Scliar: Escritor, médico, judeu e gaúcho

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Quando se pensa em literatura brasileira, nomes como Machado de Assis, Castro Alves, José de Alencar, Mario de Andrade e mais contemporâneos como Érico Veríssimo, Jorge Amado, Vinícius de Morais, Moacyr Scliar e tantos outros, imediatamente nos surgem na memória. Todos indiscutivelmente grandes em sua arte, mas nem todos foram honrados com uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Não é à toa que os membros da ABL são conhecidos como “Imortais”. Scliar é um deles.
Entusiasma a oportunidade de poder escrever sobre um conterrâneo admirável, que, através de suas crônicas e livros, influenciou toda uma geração de escritores e continua influenciando até hoje.

Embora tenha nascido na capital gaúcha, a tradição judaica russa permaneceu viva em sua casa, mas, como seria de se esperar, o chá do Samovar, depois de algum tempo, começou a dividir o espaço com o chimarrão, assim como as lembranças que seus pais tinham do shtetl, na Rússia, começaram a ceder ou compartilhar o espaço com lembranças já adquiridas aqui, passando a dar espaço para o escritor que, com olhar multicultural, escrevia sobre temas brasileiros e judaicos com a mesma desenvoltura.

Um admirável porto-alegrense que, sem perder o sabor de suas raízes mais profundas, conseguiu escrever sobre nosso povo e nossa gente, como o fez em seus livros O Exército de Um Homem Só, O Ciclo das Águas, A Estranha Nação de Rafael Mendes e O Centauro no Jardim, sendo o último sobre o tema de suas raízes judaicas.

Escreveu com tal propriedade sobre os dois povos, suas alegrias e suas mazelas, que foi merecedor de se tornar o sétimo escritor a ocupar a cadeira de número 31 da Academia Brasileira de Letras, sucedendo o mineiro Geraldo França. Tornou-se um “Imortal” (maneira com que nos referimos aos membros da Academia), mas talvez não seja esse um adjetivo que se acomode ao inquieto Scliar. “Saudoso” talvez defina melhor o sentimento que a ausência dele nos causa.

No entanto, que dizer sobre ele que de alguma forma ainda não tenha sido dito? Nas duas atividades que escolheu exercer durante a vida (medicina e literatura), foi mestre e faltam adjetivos para fazer justiça à dedicação com que se entregou a ambas.

Na medicina formou-se médico sanitarista e fez pós-graduação em Israel. Foi Doutor em Ciências pela Escola Nacional de Saúde Pública e professor do curso de Medicina e Comunidade da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre. Na literatura teve publicados mais de 70 livros traduzidos para 12 idiomas.

Entre as obras traduzidas está O Centauro no Jardim, livro que foi considerado pelo National Yiddish Book Center, nos Estados Unidos, um dos 100 melhores livros de temática judaica nos últimos 200 anos.

No Brasil fez jus a três Prêmios Jabuti, em 1988, 1993 e 2009. Nesse mesmo ano (2009) recebeu os prêmios da Associação Paulista dos Críticos de Arte e o Casa das Américas. Pensei, então, em apresentá-lo aos que, por desventura, não conheçam sua obra literária, usando suas próprias palavras: “Há um momento na vida de quem escreve em que os livros começam a correr atrás dos autores”. Esta frase foi dita por ele em um contexto muito diferente do qual a estou emprestando nesse artigo. Se levarmos em conta uma declaração de Judith Scliar (sua mulher) — “Moacyr escrevia muito, e escrevia rápido”.

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Originais e recordações que cobrem o período de 1937 a 2011 poderão brevemente ser consultados pela internet. Mais de 8.600 páginas de manuscritos e datiloscritos do escritor que estão sob os cuidados da PUCRS, para serem adicionados ao arquivo. Na coleção de documentos que estão sendo digitalizados encontram-se bilhetes de aeroporto, recibos de postos de gasolina, folhas pautadas e blocos de nota. Qualquer papel servia como suporte para grafar o que vinha da imaginação do autor.

Esses documentos de seu dia a dia nos dão uma visão de um cérebro em constante ebulição e explicam a voracidade com que escrevia. Eram tantas histórias a serem contadas e tão pouco tempo para fazê-lo. Daí minha interpretação pessoal do texto sobre a história procurar o autor, que, no caso original, fora usada referindo-se a escritores que nos encontros de literatura o procuravam para presentear seus novos livros. Moacyr era um para-raios atingido constantemente por descargas de ideias e histórias. Era necessário escrevê-las antes que se perdessem entre tantas outras.

Minha intenção com este artigo é mostrar o homem por trás das letras, mas, até para isso, Scliar foi especial, pois podemos desvendá-lo em suas próprias palavras. De seu conto “Ai, Rússia, Rússia. Ai, Rússia”, tomo a liberdade de transcrever um trecho que seria impossível ter sido posto no papel, não fosse a veneração pela palavra escrita que condiciona os rumos do judaísmo.

Como não viveu os acontecimentos narrados, eles devem ter-lhe chegado ao conhecimento através de histórias contadas em casa e livros que ajudaram a manter vivas as tradições:

“Para nós, ocidentais, o russo é um idioma difícil; poucas são as palavras que nesta língua conhecemos. Mas há um termo – ai, Rússia! – que foi incorporado ao vocabulário universal. Pogrom: a palavra evoca cossacos bêbados, enlouquecidos, invadindo aldeias, nos seus cavalos – e matando, violando, queimando, destruindo. Balta, 1882; Restov, 1883; Ekaterinoslav, 1883; Gomel, 1903…”. As terríveis notícias que nos chegam da Rússia, a espada suspensa sobre a cabeça de nosso povo…”, escreveu, em 1906, aquele que viria a ser o primeiro presidente de Israel, Chaim Weizmann. A espada suspensa sobre a cabeça do povo, que espada era essa? Não só a do bandido, era, também, a espada de czar: pois, para descarregar a crescente revolta popular, o governo não apenas tolerava os pogroms, como até os fomentava.

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“Numa clara manhã de abril do ano de 19…quando a estepe começara a reverdecer a entrada alegre da primavera, apareceram espalhados em Zagradowka, pequena e risonha aldeia russa, da província de Kersan, lindíssimos prospectos, com ilustrações coloridas, descrevendo a excelência do clima, a fertilidade da terra, a riqueza e a variedade da fauna, a beleza e exuberância da flora, dum vasto e longínquo país da América, denominado Brasil, onde uma empresa colonizadora israelita, intitulada “Jewish Colonization Association”, mais conhecida por JCA, proprietária duma grande área de terras duma fazenda chamada “Quatro Irmãos”, situada no município de Boa Vista do Erechim, Estado do Rio Grande do Sul, oferecia colônias, mediante vantajosas propostas, a quem se quisesse tornar lavrador.

Papai tinha pouca instrução; contudo, não duvidou do que diziam os anúncios.

Possuía uma crença ilimitada na boa fé dos homens. Daí porque leu e releu, com crescente interesse, os folhetos de propaganda. E acabou entusiasmando-se vivamente com a descrição da nova terra. Sobretudo, com a ilustração colorida da capa.

A capa dos prospectos ostentava uma singela paisagem da vida rural brasileira. Sob um céu límpido e distante, dum azul muito doce, um lavrador, chapéu de abas 12 largas, camisa branca arremangada, empunhava, encurvado, as rabiças dum arado, puxado por uma junta de bois, revolvendo a terra virgem. Um pouco mais longe, no fundo, o ouro vegetal de extensos trigais maduros. Mais além, azulados pela distância, coqueiros, palmeiras e florestas misteriosas, e, no primeiro plano, destacando-se em cores vivas e fortes, um enorme pomar em que predominavam laranjeiras, a cuja sombra, porcos comiam lindas laranjas caídas no chão”.

À eficiência dessa peça de propaganda que caiu na mão de algumas pessoas na Rússia, a literatura brasileira deve a existência de um de seus maiores representantes. Essa é uma curiosidade que descobri quando de minhas pesquisas para esse texto, que achei não faria mal compartilhar com os leitores. Minha família é de Boa Vista do Erechim (que na língua dos índios Caingangue da região significa campo pequeno porque ficava na cordilheira da Serra Geral num espaço cercado de árvores). Talvez alguém que desconheço de meu passado tenha visto o mesmo folheto e vindo para Quatro Irmãos, na época uma próspera comunidade judaica quase bairro de Erechim, e, posteriormente, se estabelecido na cidade, na qual vivem até os dias de hoje. Os Scliar se estabeleceram em Porto Alegre, capital do estado daquela cidade onde os porcos comiam laranjas caídas do pé.

Em outra passagem do mesmo conto, ainda falando sobre a Rússia e os judeus, mostra a intimidade que tinha com o tema e com as letras para poder escrevê-lo com segurança, mesmo tendo nascido na capital gaúcha em um bairro de classe média onde a maior parte da comunidade judaica da cidade fora residir: o Bomfim.

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“Uma luta que, diga-se de passagem, não envolveu violência. Não por parte dos judeus. Protesto, sim; mas não violência. A nostalgia do shtetl pesa, não é mesmo? E o resultado é uma forma de resistência à qual não falta o sentimento, e até mesmo o humor. O humor que satiriza um governo que não resolveu os problemas de seu povo, mas dá-se ao luxo de ser antissemita; como naquela história que conta da longa fila formada à porta de um supermercado, à espera da carne. Aparece o gerente e diz: ‘A carne vem vindo, mas não será suficiente para todos, de modo que os judeus podem ir embora’. Os judeus se vão. Meia hora depois, volta o gerente anunciando que a carne está chegando, mas não haverá para todos, de modo que os que não são membros do Partido podem se retirar. Vai-se um grande grupo. Finalmente, depois de meia hora, o gerente aparece, confessa que não há carne alguma e que os camaradas também podem ir. Ao que diz um membro do Partido a outro: ‘Você viu? Viu como os judeus têm privilégios?’

Este humor chegou a criar um personagem típico: Abram Rabinovich, sempre às voltas com o serviço secreto soviético. Que o encontra nos lugares mais imprevistos: por exemplo, no parque, onde ele está estudando hebraico num manual de bolso. O agente lhe diz que tal é proibido, porque faz supor que a pessoa quer ir para Israel. Eu não quero ir para Israel, diz Rabinovich, estou-me preparando para ir para o céu, onde, como é sabido, só se fala hebraico. E se você for para o inferno, pergunta o agente. “Aí não tem problema, replica Rabinovich, porque russo eu já sei”.

Herdeiro desse humor judaico que até hoje faz sucesso em Hollywood e
na TV, é dele a seguinte frase maravilhosamente iconoclasta: “Eu sou aquele cujo verdadeiro nome não pode ser pronunciado. Admito, contudo, ser chamado de Jeová”.

Em seu livro A Face Oculta, o humor vem envolto em seus conhecimentos médicos:“Esquecimento é quando a gente não sabe onde deixou a chave do carro. Alzheimer é quando a gente encontra a chave, mas não sabe para que serve”.

Certa ocasião, em Porto Alegre, em uma reunião de pais e mestres, foi interrogado durante uma palestra para a qual fora convidado por um dos participantes, se seu filho, na época com dois anos, viria a frequentar a mesma escola judaica que ele frequentara, respondeu:

“Eu gostaria que o meu filho tivesse acesso à cultura judaica, tanto por ela ser judaica como por ser cultura. Gostaria que ele tivesse o mesmo prazer e a emoção que eu sinto ao ler os contos de Scholem Aleichem, Mendele e Peretz; as histórias de Isaac Babel e Michael Gold; os livros de Bellow, Malamud, Bashevis Singer e Philip Roth. Gostaria que ele ficasse extasiado diante dos quadros de Chagall, que gostasse de música iídiche, das canções hebraicas, da dança de Israel. Gostaria, modestamente, que ele lesse o que eu escrevi e que sentisse o judaísmo nos meus próprios livros: gostaria disto, como pai e como judeu. Gostaria que o meu filho tivesse bagagem intelectual sem ser pedante; que compreendesse que literatura, música e pintura devem tornar as pessoas melhores – não superiores – que sentir é tão importante como saber. Gostaria que ele aprendesse a chorar como só os judeus sabem chorar, e a rir como nós: aquele nosso meio sorriso, meio amargo, meio filosófico.

Gostaria que o meu filho não fosse um sectário: que não colocasse, em polos irremediavelmente opostos, judeus e árabes, israelitas e palestinos. Que soubesse que neste mundo há lugar para todos, é só uma questão de ajuste. Que soubesse que, de cada vez que há uma guerra, alguém lucra com isso.
Não sei se é pedir demais em troca da mensalidade escolar. Mas, afinal, a educação tem uma componente de sonho enxertado na dura realidade quotidiana. E sonhar não é proibido”.

VOZ LITERAL - Moacyr Scliar

No lugar de me limitar a tecer loas a Moacyr Scliar, optei por deixar que o leitor o conhecesse através de pequenos trechos de milhares que poderia haver selecionado de sua própria obra e, assim, despertar a curiosidade sobre o resto. Além dos óbvios livros, de suas crônicas, contos, peças teatrais e adaptações para o cinema, tanto de longa quanto de curta metragem.

Como diria um gaúcho verdadeiro: agora que puxei bastante brasa pro meu assado, não custa nada cuidar do assado dos outros.

Seria injusto não mencionar aqui outros judeus que influenciaram a nossa literatura de modo definitivo como:

Arnaldo Niskier, titular da cadeira 18 da Academia Brasileira de Letras (a qual presidiu), com vasta obra dedicada à educação, ensaios históricos, literatura infanto-juvenil e obras didáticas. Seria um crime deixar de citar aqui uma parte de um ensaio seu que demonstra essa simbiose que sempre existiu entre escritores judeus e os grandes da literatura de nosso País.

Em Machado de Assis e os judeus, afirma, com orgulho: “Quem se debruça sobre a Torá, onde se concentra a doutrina judaica, adquire conhecimentos que representam verdadeiras pérolas de sabedoria”. Niskier é outro escritor que nunca esqueceu suas raízes judaicas e, através de sua obra, difundiu suas tradições e estreitou laços culturais entre o Brasil e Israel.

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Clarice Lispector, nascida na Ucrânia, naturalizada brasileira. Nome do mais alto respeito na literatura brasileira e mundial que inspirou muitas jovens de nosso País a se dedicarem à literatura. Chegou ao Brasil com um ano e dois meses para se tornar romancista, escritora, contista, colunista, cronista e jornalista. Amiga de nomes como Fernando Sabino, Lúcio Cardoso, Rubem Braga, Santiago Dantas e Samuel Wainer, acabou conhecida como “a grande bruxa da literatura brasileira” por seu costume de se vestir de preto. Referindo-se a ela e à importância de sua obra para a literatura brasileira, seu amigo Otto Lara Resende disse em tom de elogio: “Não se trata de literatura, mas de bruxaria”.

Teve nove romances publicados, entre eles, A Hora da Estrela, que narra a história de uma moça cheia de esperanças, recém-chegada ao Rio de Janeiro, vinda do Nordeste (como ela própria, que veio do Recife). Depois de a personagem perder o namorada para uma amiga, filha de um açougueiro, que aos olhos do moço poderia lhe dar uma oportunidade de ascensão social, na sequência, Macabéa (esse era o nome da personagem principal) descobre estar com tuberculose (na época, uma quase sentença de morte)e procura uma cartomante para lhe ler a sorte.

Tal cartomante lhe assegura um futuro feliz, que viria através de um estrangeiro loiro que ela encontraria ao sair de sua casa. Homem com quem casaria.

Não seria um romance de Clarice Lispector se assim acontecesse. Na verdade, a pobre Macabéa, ao sair da cartomante, é atropelada por uma Mercedes amarela guiada por um homem loiro, e cai morta no asfalto.
Puro Clarice.

Dizia-se brasileira. De acordo com suas próprias palavras e referindo-se à sua terra Natal (Ucrânia): “Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo”. Não podemos esquecer também de Elisa Lispector, irmã de Clarice, autora que garantiu seu lugar na literatura de nosso País com uma escrita intimista, que explorava mais as dúvidas existenciais de seus personagens, desnudando suas fraquezas e agruras. Seu primeiro romance foi Além da Fronteira, de 1945, e abriu as portas para uma série de outros livros recheados de lembranças de perseguições e fugas de um passado que se recusava (embora não inteiramente vivido ) a ser esquecido. O exílio é um tema recorrente em sua obra.

O Muro de Pedras, onde discorre sobre o existêncialismo é seu livro mais conhecido e louvado pela crítica. Foi merecedora dos prêmios José Lins do Rego (1963) e Coelho Neto da Academia Brasileira de Letras (1964).

Seus primeiros contos foram publicados apenas em 1970 com o livro Sangue no Sol; voltou em 1977 com Inventário e O Tigre de Bengala, em 1985. Sua última coletânea de contos ganhou o prêmio Pen Clube, em 1986. Morreu em 1989, no Rio de Janeiro, onde vivia.
Para finalizar, outro grande que também brotou para o mundo na distante Ucrânia: Pedro Bloch.

Ele se criou no Brasil, onde mais tarde se naturalizou. Aqui se formou médico foniatra para depois exercer o jornalismo, ser compositor, poeta, dramaturgo e, ainda, encontrar tempo nos intervalos para escrever mais de cem livros.

Da mesma forma que Scliar, são todos expoentes das letras deste País, e orgulho tanto para a comunidade judaica, como para homens e mulheres interessados em cultura na nossa terra. Pessoas que influenciaram mentes, enriqueceram nossa literatura e ajudaram a erigir com letras a história de nossa nação e de seus antepassados.

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Obrigado Pela Leitura!

Pesquisa, Tradução e Edição: Rakel Mastrandea Eretyz.

Maringá, 15/07/2014. Jerusalém, 17 Tammuz, 5774.

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Conib recebe Juventude do PT para falar de perfil falso no Twitter

O presidente da Confederação Israelita do Brasil, Claudio Lottenberg, recebeu nesta sexta-feira, 11 de julho, em São Paulo, o secretário nacional da Juventude do PT, Jefferson Lima, para discutir o perfil falso de Fernando Moura, autointitulado presidente da Juventude Petista, que postou mensagens antissemitas. Clara Ant, diretora do Instituto Lula, também participou da reunião.

Os representantes do PT reiteraram que se trata de um perfil falso, não existindo o cargo de presidente na estrutura partidária. Disseram que não concordam em absoluto com o que ali foi dito, que Moura não fala em nome do PT e que o perfil @chemoura foi suprimido.

Para Lottenberg, a visita de Lima demonstra o interesse do PT em manter uma relação construtiva e aberta com a comunidade judaica: “Conversamos longamente sobre a estrutura do processo politico brasileiro, a forma de renovação de lideres criada internamente no PT e acerca do momento político. Ele expressou seu mais alto respeito por nossa comunidade e reconhece nossa contribuição ao Brasil”.

O secretário nacional da Juventude do PT também ficou satisfeito com o encontro: “Foi importante conversar com o presidente da Conib, para estabelecer o diálogo e esclarecer o fato negativo disseminado nas redes sociais pelo perfil falso que propagou manifestações antissemitas. Nossa posição é de total repúdio a qualquer forma de preconceito e antissemitismo no Brasil e no mundo. A igualdade e o respeito na sociedade são cada vez mais necessários”.

Em nota publicada no dia 6 de julho em sua página no Facebook, a Juventude do PT externou a mesma posição.

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Pesquisa, Tradução e Edição: Rakel Mastrandea Eretyz.

Maringá, 14/07/2014. Jerusalém, 16 Tammuz, 5774.

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Conib envia condolências às famílias dos três jovens israelenses mortos

O Congresso Judaico Mundial promove uma campanha de solidariedade às famílias dos jovens israelenses Eyal Yifrach, de 19 anos, Naftali Frenkel e Gilad Shaer, ambos de 16 anos, que foram assassinados em junho passado por terroristas palestinos.

A Conib e dezenas de outras entidades judaicas de todo o mundo enviaram mensagens de condolências. Leia abaixo a nota da entidade:

“A Confederação Israelita do Brasil, representante da comunidade judaica brasileira, recebeu com grande choque e pesar a notícia da morte dos três jovens israelenses na Cisjordânia.

Milhares de judeus brasileiros prestaram-lhes homenagens, nas ruas, sinagogas e nas redes sociais. Em nome deles, a Conib se une às famílias dos jovens, oferecendo sua solidariedade e condolências.

“Tehi Nishmateihem Tzerura B’Tzror HaChaim” – [Que as almas desses jovens permaneçam conectadas à corrente da vida eterna]”.

Os contribuintes do Fundo Comunitário do Rio de Janeiro ajudaram a construção de três novos abrigos antiaéreos em Israel e a instalação de equipamentos em outros cinco, no Campus Educacional de Sdot Negev. Eles já estão em uso, mesmo antes de serem oficialmente inaugurados.

Contribua para amenizar o sofrimento da população do sul de Israel, que está sob ataque cerrado de mísseis do Hamas, fazendo um depósito em favor do Fundo Comunitário: Banco Itaú Ag. 6137, CC 09683-7, CNPJ 12.130.494/0001-08. Ou ligue para (21) 2255-2556.

Os recursos angariados nesta campanha, intitulada “SOS Sul de Israel”, serão destinados a custear os programas de apoio psicossocial às famílias sob risco.

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Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Rakel Mastrandea Eretyz e Vital Ben Waisermman.

Maringá,11/07/2014 13 Tammuz 5774

Atenciosamente, Vital Ben Waisermman, responsável pelo Blog

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