Mês: maio 2017



Denúncia de Apologia ao Nazismo! Mais Leis STF ! Shalom !!!

Maringá, 30 MAIO 2017.

Jerusalém, 5 SIVAN 5777.

Em nome de todos judeus e simpatizantes, peçamos ao Supremo Tribunal Federal deste pais, que tenha mais firmeza contra crimes anti-raciais e principalmente Anti-Semita!

Obrigado!

A reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apura denúncia do Diretório Central Estudantil (DCE) Mário Prata de que manifestações de apologia ao nazismo teriam ocorrido na sede da entidade estudantil por pessoas que não integram o diretório. Na última sexta-feira, a universidade divulgou, em sua página na internet, que pretende acionar a polícia para investigar o caso. “A Reitoria abrirá procedimento interno para averiguar o caso e registros de pichações de cunho nazista no campus. Também acionará as polícias Civil e Federal para a apuração da apologia ao nazismo que, destacamos, configura crime. Trata-se de uma ação isolada, de ultradireita, que se manifesta de forma apócrifa justamente por não encontrar qualquer respaldo no corpo social da Universidade”, diz nota da instituição. A UFRJ pediu que a comunidade acadêmica não tolere manifestações do tipo e denuncie imediatamente à Ouvidoria Geral pelo e-mail [email protected] A universidade mantém ainda um endereço de e-mail para receber denúncias de casos de violência de qualquer tipo, o [email protected] O diretório Mário Prata usou a rede social Facebook para comunicar que fechou o salão do segundo andar de sua sede desde a última terça-feira, por causa do episódio. Diretor de políticas educacionais do diretório, o estudante de direito Victor Davidovich, de 22 anos, disse que um casal entrou no salão portando um quadro com mensagens nazistas, insistindo em fixá-lo na parede. “O quadro mostrava a imagem de uma mulher negra, com sinais de mutilação e

suásticas em volta”, relatou o estudante. Segundo ele, outras pessoas presenciaram o ato. “Isso ofende qualquer um que tenha o mínimo senso de humanidade. Sempre convivemos na universidade com alguns casos de opressão, mas esse é muito grave, porque é um ódio muito explícito. É uma coisa desavergonhada”. O fato teria causado a indignação de alunas que estavam no local. Segundo o diretor do DCE, elas teriam discutido com a dupla e impedido que o quadro fosse deixado no prédio. O DCE também aponta que banheiros e outros pontos do campus Praia Vermelha foram alvo de pichações de símbolos nazistas, como a suástica. Como reação, o diretório está organizando um debate sobre a utilização dos espaços do DCE. O encontro está marcado para a tarde da próxima quinta-feira (1). “Queremos convidar todos a debater sobre os acontecimentos e, mais que isso, queremos construir um espaço que seja acolhedor”, diz nota no Facebook.
OBS: Como os valores estão trocados? Um Lugar onde, era para existir o império do pensamento, da cultura, do respeito as diferenças. Acaba virando palco para esses macacos e inconvenientes! Como na descrição acima e caso repudiante ! Que isso se acabe e não se repita! Abraço !

Chaga Sameach Shavuot Lé Kulam !!! Shalom

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom !

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Chag Sameach Shavuot! Shalom !

Maringá, 30 MAIO 2017

Jerusalém, 5 SIVAN 5777

A festa de Shavuot, que se inicia ao pôr do sol desta terça (30), marca a entrega da Torá por D’us a Moisés e ao povo de Israel ainda no deserto do Sinai, após a saída da escravidão no Egito. De acordo com a tradição judaica, a outorga das leis sagradas aconteceu no ano de 2448 no calendário hebraico, ou por volta do ano 1300 A.E.C. (antes da Era Comum). Em hebraico, Shavuot significa “semanas” e remete à contagem das sete semanas que separam o Êxodo do Egito da entrega dos Dez Mandamentos. Em Pessach, os hebreus saíram da escravidão; em Shavuot, receberam seu código de leis. Foi quando se tornaram judeus. A festa também é conhecida por outros dois nomes: Chag Habikurim (Festa dos Primeiros Frutos) e Chag Hakatzir (Festa da Colheita). Esses nomes remontam ao período em que o Templo de Jerusalém ainda existia. Na época de Shavuot, os agricultores levavam ao Templo Sagrado uma oferenda do primeiro trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e tâmaras que cresciam no campo, como forma de agradecimento a D’us. Era também nessa época do ano que o trigo, o último dos grãos a ficar pronto para ser cortado, era colhido. Por isso, juntamente com Pessach e Sucot, a festa de Shavuot era um dos três grandes períodos de peregrinação ao Templo de Jerusalém (Shloshet ha Regalim). Após a destruição do Segundo Templo no ano 70 da Era Comum, o aspecto agrícola da festa ficou relegado, até que os primeiros kibutzim o reviveram para comemorar o retorno da agricultura a Israel depois de quase 2.000 anos.

Chag Sameach Shavuot!

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Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman. Shalom !

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Shavuot!!! Erev tov ve Shalom ! Boa tarde & Paz !!!

Maringá, 23 MAIO 2017

Jerusalém, 27 IYYAR 5777

Shavuot
A festa de Shavuot, comemorada na Diáspora no sexto e sétimo dia do mês hebraico de Sivan, é a data na qual celebramos Matan Torá – a Entrega da Torá. É importante notar, contudo, que a transmissão da Torá não ocorreu em um único dia – mas sim, o Todo Poderoso a transmitiu a Moshé, que a ensinou ao Povo Judeu durante os 40 anos de sua permanência no Deserto do Sinai.

Leis e costumes

Tikun Leil Shavuot – Noite de vigília e estudo – Na primeira noite de Shavuot, este ano na 5a feira, 1º de junho, é costume se realizar uma vigília dedicada ao estudo da Torá, nas sinagogas, durante toda a noite. A Cabalá enfatiza a importância desse ritual, conhecido como Tikun Leil Shavuot. Uma explicação para a tradição é que o povo judeu não acordou cedo no dia em que D’us lhes outorgaria a Torá, tendo sido necessário que Ele Mesmo os despertasse. Como uma espécie de contrapartida ao fato, foi instituído o costume de se permanecer acordado desde a véspera, estudando a Torá.

Primeiro dia

Leitura dos Dez Mandamentos – Na manhã seguinte, primeiro dia de Shavuot, este ano na 6a feira, 2 de junho, ouve-se em todas as sinagogas a leitura dos Dez Mandamentos. É da maior importância que os pais participem desse momento ao lado de seus filhos.

Segundo dia

Livro de Ruth – No segundo dia de Shavuot, este ano no Shabat, 3 de junho, lê-se, nas sinagogas, o Livro de Ruth. Os sábios consideravam a história de Ruth – uma moabita que abraçou o judaísmo – apropriada para a data, não apenas por se passar durante a colheita, mas especialmente em razão de seus ensinamentos. Na célebre passagem bíblica, que se tornou símbolo de profunda devoção e fé, Ruth, após a morte do marido judeu, declara à sogra: “Teu povo será meu povo e teu D’us será meu D’us”. Ruth voltou a se casar e seu bisneto foi o rei David, que nasceu e faleceu durante Shavuot.

Folhagens verdes – Costuma-se enfeitar casas e sinagogas, nesta festa, com flores e folhagens. O Midrash ensina que quando a Torá foi entregue ao povo judeu, o Monte Sinai – uma montanha deserta e árida – viu-se subitamente coberto de flores, árvores e grama. As folhagens simbolizam, principalmente, o costume vigente na época do Templo Sagrado de se levar a Jerusalém as primícias, ou seja, os primeiros frutos colhidos dentre as sete espécies que caracterizam a Terra de Israel.

Alimentos à base de leite – Outro costume é consumir, durante os dois dias, laticínios, já que a Torá é comparada ao leite. A palavra hebraica para leite é chalav. Quando se soma o valor numérico de cada uma das letras desta palavra chega-se ao total de quarenta. Quarenta é o número de dias que Moisés passou no Monte Sinai. Explica-se, também, que a Torá, fonte de vida para tudo, pode ser comparada ao leite que é sustento para o recém-nascido. Existem outras explicações para o costume. A partir da outorga da Torá, as leis da cashrut tornaram-se obrigatórias. No entanto, como a Torá foi entregue num Shabat, nenhum animal podia ser abatido e nem os utensílios casherizados; e a tradição manteve o costume.

Fonte e agradecimentos especiais: Revista Morahá, www.morasha.com.br

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Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom lé Kulam – Paz A Todos!

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Viajem de Donald Trump! Shalom !!!

Maringá, 22 MAIO 2017

Jerusalém, 26 IYYAR 5777

Foto: REUTERS/Mike Segar

Em meio a sucessão de escândalos em Washington e um índice de popularidade catastrófico para um presidente em início de mandato, Donald Trump parte nesta sexta-feira para a sua primeira viagem internacional desde que assumiu a Presidência, em janeiro. Sua escala inicial será a Arábia Saudita, possivelmente a nação religiosa mais extremista de todos os 193 países integrantes da ONU. A escolha de Riad como primeira escala faz parte de uma narrativa da Casa Branca de que Trump visitará os centros do islamismo (Meca fica na Arábia Saudita, embora não esteja no roteiro), judaísmo (Jerusalém) e catolicismo (Vaticano), além da Bélgica e da Itália. Mas não sejamos inocentes. Outros fatores mais importantes determinaram a decisão de visitar a Arábia Saudita. Primeiro, Trump deve anunciar um gigantesco pacote de venda de armamentos para as Forças Armadas sauditas por um valor superior a US$ 100 bilhões. Em segundo lugar, o governo americano negocia a formação de uma espécie de “Otan árabe”, com a participação não apenas da Arábia Saudita, como também de Emirados Árabes, Bahrein, Jordânia, Kuwait e Egito. O objetivo desta aliança militar seria se contrapor ao Irã, maior rival saudita no Oriente Médio e considerado inimigo pelos EUA. Por último, o governo Trump avalia que a Arábia Saudita pode ser útil nas negociações de paz entre israelenses e palestinos. Apesar das declarações antimuçulmanas de Trump e de sua imagem de islamofóbico nas nações de maioria islâmica, o regime da Arábia Saudita prefere o atual presidente a Barack Obama. O ex-presidente, na visão de Riad, se aproximou do Irã em detrimento das relações com a Arábia Saudita, aliada histórica americana há oito décadas e maior rival do regime de Teerã. Para muitos sauditas, a suposta adoção do lado iraniano por Obama na Guerra Fria do Oriente Médio seria pior do que Trump dizer na campanha que proibiria a entrada de muçulmanos nos EUA. Além disso, o regime saudita avalia que não receberá “lições de moral” de Trump. O líder americano, durante a visita à Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, deve evitar criticar o regime de Riad pelo desrespeito aos direitos das mulheres, dos homossexuais e de minorias religiosas no país. Muito menos lembrará que a Arábia Saudita patrocina mesquitas e madrassas ao redor do mundo para difundir a ideologia wahhabita do islamismo sunita, a mesma de Estado Islâmico (EI), al-Qaeda, Boko Haram, al-Shabaab e Talibã. Pesará mais a colaboração do regime saudita com os EUA na Guerra ao Terror (de fato, apesar de compartilhar a ideologia, a Arábia Saudita é inimiga do EI e da al-Qaeda). Ao mesmo tempo, Riad, assim como outros governos do mundo, começa a ver com cautela o futuro do presidente dos EUA diante de escândalos diários ao longo desta semana, que se acumulam com outros ao longo dos quatro meses anteriores. A mesma avaliação tem sido feita pelo governo de Benjamin Netanyahu em Israel, outro aliado americano e segunda escala da viagem de Trump.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom Lé Kulam – Paz A Todos!

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O Futuro Das Comunidades Judaicas na Europa? Shabat Shalom !

Maringá, 19 MAIO 2017

Jerusalém, 23 IYYAR 5777

Pelo Rabino Lorde Jonathan Sacks

O ódio que começa com os judeus nunca termina com os judeus. Isto é o que quero que entendamos, hoje. Não foram apenas os judeus que sofreram com Hitler. Não foram apenas os judeus que sofreram com Stalin. Não são apenas os judeus que sofrem com o ISIS ou a Al Qaeda ou o Jihad Islâmico. Cometemos um grande erro se pensamos que o antissemitismo constitui uma ameaça apenas para os judeus.

Edição 95 – Março de 2017.

Trata-se de uma ameaça, antes de mais nada, para a Europa e as liberdades que este continente levou séculos para conquistar. O antissemitismo não tem a ver com os judeus. Tem a ver com antissemitas. Tem a ver com pessoas que não podem aceitar responsabilidade por seus próprios fracassos e, ao contrário, têm que culpar um terceiro. Historicamente, se você fosse cristão à época dos Cruzados, ou alemão após a 1a Guerra Mundial, e visse que o mundo não tinha se saído da maneira que você acreditava que sairia, você culparia os judeus. Isto é exatamente o que está ocorrendo hoje. E tudo o que eu disser é pouco sobre quão perigoso isto é. Não apenas para os judeus, mas para todos aqueles que valorizam a liberdade, a compaixão e a humanidade.

O surgimento do antissemitismo em uma cultura é o primeiro sintoma de uma enfermidade, o sinal prematuro de aviso de um colapso coletivo. Se a Europa permitir que o antissemitismo floresça, isso será o início de seu fim. E o que pretendo fazer com estes breves comentários é simplesmente analisar um fenômeno repleto de incerteza e ambiguidade, pois necessitamos de precisão e compreensão para entender por que os antissemitas estão convencidos de que não o são.

Primeiro, definamos o que é antissemitismo. Não gostar de judeus não é antissemitismo. Todos nós conhecemos pessoas de quem não gostamos. Tudo bem, isto é humano; sem perigo algum. Segundo, criticar Israel não é antissemitismo. Em conversa recente com alunos de colégio, eles me perguntaram se criticar Israel era antissemitismo. Eu disse que não. E expliquei a diferença. Perguntei-lhes: Vocês acreditam que têm o direito de criticar o governo britânico? Todos levantaram o braço. Perguntei, então: “Quem acredita que a Inglaterra não tem o direito de existir?”. Ninguém levantou o braço. Então, agora vocês sabem a diferença, disse-lhes. E todos concordaram.

Antissemitismo significa negar aos judeus o direito de existir coletivamente como judeus com os mesmos direitos que os demais. Essa negação assume diferentes formas em diferentes eras. Na Idade Média, os judeus eram odiados por causa de sua religião. Nos séculos 19 e início do 20 eram odiados por causa de sua raça. Hoje somos odiados por causa de nosso Estado-nação, o Estado de Israel. O antissemitismo assume diferentes formas, mas segue sendo a mesma coisa: a ideia de que os judeus não têm o direito de existir como seres humanos livres e iguais aos demais.

Uma coisa que nem eu nem meus contemporâneos esperávamos era que o antissemitismo reaparecesse na Europa com o Holocausto ainda tão vívido em nossa memória. A razão para não o esperarmos foi o fato de a Europa ter empreendido o maior esforço coletivo, em toda a História, para assegurar-se de que o vírus do antissemitismo jamais voltasse a infectar o corpo político. Foi um empenho colossal de legislação antirracista, educação sobre o Holocausto e diálogo inter-religioso. Contudo e apesar de tudo, o antissemitismo retornou.

Em 27 de janeiro de 2000, representantes de 46 governos de países de todo o mundo se reuniram em Estocolmo para emitir uma declaração conjunta de recordação do Holocausto e de continuação da luta contra o antissemitismo, o racismo e o preconceito. E, então, veio 11 de setembro, e em poucos dias, as teorias de conspiração inundaram a Internet bradando que tinha sido obra de Israel e de seu Serviço Secreto, o Mossad. Em abril de 2002, em Pessach, eu estava em Florença com um casal judeu de Paris, quando eles receberam uma ligação do filho dizendo: “Mãe, pai, está na hora de deixar a França. Aqui já não é mais seguro para nós”.

Em maio de 2007, numa reunião privada aqui em Bruxelas, eu disse aos três líderes da Europa, à época, Angela Merkel, Presidente do Conselho Europeu; José Manuel Barroso, Presidente da Comissão Europeia; e Hans-Gert Pöttering, Presidente do Parlamento Europeu, que os judeus da Europa estavam começando a se perguntar se havia futuro para eles na Europa. Isso foi há mais de nove anos. Desde então, as coisas só pioraram. Já em 2013, antes de alguns dos piores incidentes, a Agência de Direitos Fundamentais da União Europeia revelou que quase ⅓ dos judeus da Europa pensavam em emigrar em virtude do antissemitismo. Na França, o número era de 46%; na Hungria, 48%.

Deixem-me perguntar-lhes algo. Quer sejam judeus, cristãos ou muçulmanos: vocês ficariam em um país onde fosse necessária a presença da polícia para protegê-los enquanto fizessem suas orações? Onde seus filhos precisassem de policiais armados para protegê-los, no colégio? Onde, se usassem um símbolo de sua fé em público, estariam arriscando-se a serem insultados ou atacados? Onde, quando seus filhos chegam à universidade, são insultados e intimidados em virtude do que ocorre em alguma outra parte do mundo? Onde, quando expressam sua própria visão da situação, são silenciados, aos gritos?

Isto está ocorrendo com os judeus em toda a Europa. Em cada um dos países da Europa, sem exceção, os judeus temem pelo futuro de seus filhos. A continuar assim, os judeus continuarão a deixar a Europa, até que, excetuando-se os fragilizados e os idosos, a Europa finalmente se tornará Judenrein, limpa de judeus.

Na foto: Margaret Thatcher e Yitzhak Rabin, em 1992. Crédito: GPO.
Nessa ocasião os líderes já pensando a Paz!

Como isto aconteceu? Aconteceu da forma como os vírus sempre vencem o sistema imunológico humano, ou seja, por mutação. O novo antissemitismo é diferente do antigo de três maneiras. Já mencionei uma delas. Primeiro os judeus foram odiados por sua religião. Depois por sua raça. Hoje são odiados por seu Estado-nação. A segunda diferença é que o epicentro do antigo antissemitismo era a Europa. Hoje, é o Oriente Médio e é transmitido globalmente pelos novos meios eletrônicos. A terceira é especialmente perturbadora. Vou explicar. Odiar é fácil; difícil é justificá-lo publicamente. Ao longo da História, quando as pessoas buscavam justificar o antissemitismo, fizeram-no mediante recurso à mais alta fonte de autoridade de sua cultura. Na Idade Média, essa fonte era a religião. Tínhamos, então, anti-judaísmo religioso. Na Europa pós-Iluminismo, essa fonte era a ciência. Estas eram, então, as duas bases da ideologia nazista – o Darwinismo Social e o assim-chamado Estudo Científico da Raça. Hoje, a mais alta fonte de autoridade no mundo são os direitos humanos. É por isso que Israel – a única democracia em pleno funcionamento no Oriente Médio – com uma imprensa livre e um judiciário independente – é acusada, com regularidade, dos cinco pecados capitais contra os direitos humanos: racismo, apartheid, crimes contra a humanidade, limpeza étnica e tentativa de genocídio.

O novo antissemitismo teve tamanha mutação que qualquer um de seus adeptos pode negar que seja antissemita. Afinal, dirá, “Não sou racista. Não tenho nada contra os judeus ou o judaísmo. Meu único problema é com o Estado de Israel”. Mas num mundo de 56 países muçulmanos e 103 cristãos, há apenas um único Estado judeu – Israel – que constitui ¼ de 1% da extensão de terra do Oriente Médio. Israel é o único entre os 193 países-membros das Nações Unidas que tem seu direito à existência constantemente contestado, tendo, além disso, um país, o Irã, e muitos, muitos outros grupos, comprometidos com sua destruição.

Antissemitismo significa a negação do direito dos judeus de existirem como judeus, com os mesmo direitos que todos os demais. A forma em que se reveste, hoje, é o antissionismo. Há, naturalmente, uma diferença entre sionismo e judaísmo, e entre judeus e israelenses, mas esta diferença não existe para os antissemitas. Foram judeus – e não israelenses – as pessoas assassinadas em ataques terroristas em Toulouse, Paris, Bruxelas e Copenhagen. O antissionismo é o antissemitismo de nossos dias.

Na Idade Média os judeus foram acusados de envenenar os poços, disseminando a peste e matando crianças cristãs para usar seu sangue. Na Alemanha nazista, foram acusados de controlar a América capitalista e a Rússia comunista. Hoje, somos acusados de dirigir a ISIS e os EUA. Todos os antigos mitos foram reciclados, do Libelo de Sangue aos Protocolos dos Sábios de Sion. As caricaturas que inundaram o Oriente Médio são clones das publicados no Der Sturmer, um dos principais veículos de propagando nazista entre 1923 e 1945.

A arma fundamental do novo antissemitismo é assombrosa em sua simplicidade. Vejam: o Holocausto jamais deverá ocorrer novamente. Mas os israelenses são os novos nazistas; os palestinos são os novos judeus; todos os judeus são sionistas. Portanto, os verdadeiros antissemitas de nossos dias são, nem mais nem menos, que os próprios judeus! E não se trata de ideias marginais. Estão disseminadas em todo o mundo muçulmano, incluindo as comunidades na Europa, e estão, aos poucos, infectando a extrema esquerda, a extrema direita, os círculos acadêmicos, os sindicatos e, até mesmo, algumas igrejas. Tendo-se curado do vírus do antissemitismo, a Europa está sendo re-infectada por partes do mundo que nunca passaram pela autoanálise pela qual a Europa passou, assim que os fatos sobre o Holocausto se tornaram conhecidos.

Como tais absurdos chegaram a ser críveis? Estamos entrando em um campo vasto e complexo, e eu escrevi um livro sobre o mesmo; mas a explicação mais simples é a que segue. Quando coisas ruins acontecem a um grupo, seus integrantes podem fazer uma destas duas perguntas: “O que fizemos de errado?” ou “Quem nos fez isto?”. Todo o destino do grupo dependerá da pergunta que escolherem. Se perguntarem, “O que fizemos de errado?”, terão dado início à autocrítica essencial a uma sociedade livre. Se perguntarem “Quem nos fez isto?”, esse grupo se terá definido como vítima. E, a seguir, procurará um bode expiatório a quem culpar por todos os seus problemas. Classicamente, esse tem sido o grupo dos judeus.

Antissemitismo é uma forma de fracasso cognitivo que ocorre quando determinados grupos sentem que seu mundo está saindo do controle. Teve início na Idade Média, quando os cristãos perceberam que o Islã os vencera em lugares que eles consideravam seus, o principal deles, Jerusalém. Foi quando em 1096, a caminho da Terra Santa, os Cruzados primeiro se detiveram para massacrar as comunidades judaicas no Norte da Europa. No Oriente Médio nasceu na década de 1920 com o colapso do Império Otomano.

Na Europa o antissemitismo ressurgiu, na década de 1870, durante um período de recessão econômica e ressurgente nacionalismo. E está reaparecendo na Europa, atualmente, pelas mesmas razões: recessão, nacionalismo e uma reação contrária aos imigrantes e outras minorias. O antissemitismo ocorre quando a política da esperança abre caminho para a política do medo, que rapidamente se transforma em política do ódio.

Isto, então, reduz problemas complexos a simplicidades. Divide o mundo em preto e branco, vendo todas as falhas de um lado e todos os complexos de vítima do outro. Seleciona um grupo, entre centenas de criminosos, a quem culpar. O argumento é sempre o mesmo. Nós somos inocentes; eles são culpados. Daí se deduz que, para sermos livres, eles, os judeus ou o Estado de Israel, precisam ser destruídos. Assim se iniciam os grandes crimes.

Os judeus eram odiados por serem diferentes. Eram a minoria não-cristã mais visível em uma Europa cristã. Hoje, somos a presença não-muçulmana mais visível em um Oriente Médio islâmico. O antissemitismo sempre se tratou da incapacidade de um grupo de dar espaço à diferença. Nenhum grupo que adote essa linha jamais poderá, nem irá criar uma sociedade livre.

Portanto, terminarei aonde comecei. O ódio que começa com os judeus nunca termina com os judeus. O antissemitismo é contra os judeus apenas de forma secundária. Primariamente tem a ver com o fracasso de alguns grupos em aceitar a responsabilidade por seus próprios fracassos, e de construir seu próprio futuro com seu próprio esforço. Nenhuma sociedade que promoveu o antissemitismo manteve a liberdade, os direitos humanos ou a liberdade religiosa. Toda sociedade movida pelo ódio começa buscando destruir seus inimigos, mas termina destruindo a si própria.

A Europa, hoje, não é fundamentalmente antissemita. No entanto, permitiu que o antissemitismo penetrasse através dos novos meios eletrônicos. Falhou em reconhecer que o novo antissemitismo é diferente do antigo. Não estamos, hoje, de volta à década de 1930. Mas estamos chegando perto de 1879, quando Wilhelm Marr fundou a Liga de Antissemitas, na Alemanha; de 1886, quando Édouard Drumont publicou La France Juive; e de 1897, quando Karl Lueger se tornou prefeito de Viena. Estes foram momentos-chave na disseminação do antissemitismo, e o que precisamos fazer, hoje, é recordar que o que foi dito naquele então sobre os judeus está sendo dito, hoje, sobre o Estado Judeu.

A história dos judeus na Europa nem sempre foi feliz. O tratamento que esse continente deu aos judeus agregou certas palavras ao vocabulário humano: disputas, conversão forçada, Inquisição, expulsão, auto da fé, gueto, pogrom e Holocausto – palavras escritas com lágrimas e sangue judeu. E, com tudo isso, os judeus amavam a Europa e contribuíram para enriquecê-la com alguns de seus maiores cientistas, escritores, acadêmicos, músicos, formadores da mente moderna.

Se a Europa se deixar ser arrastada novamente por essa mesma estrada, essa será a história contada em tempos vindouros. Primeiro vieram atrás dos judeus. Depois dos cristãos. Depois dos gays. Depois dos ateus. Até que não houvesse nada da alma da Europa, a não ser uma lembrança distante, moribunda.

Tentei, aqui, dar voz àqueles que não têm voz. Falei em nome dos assassinados de Roma, Sinti, dos gays, dos dissidentes, dos deficientes mentais e físicos, e de um milhão e meio de crianças judias assassinadas em virtude da religião de seus avós. Em seu nome, digo a vocês: vocês sabem onde essa estrada acaba. Não se deixem arrastar por ela, novamente.

Vocês são os líderes da Europa. Seu futuro está em suas mãos. Se não fizerem nada, os judeus partirão, a liberdade europeia morrerá e haverá uma mácula moral no nome da Europa que toda a eternidade não bastará para apagar. Detenham-na, enquanto ainda há tempo.

Transcrição de um discurso do Rabino Lorde Jonathan Sacks na Conferência “O Futuro das Comunidades Judaicas na Europa”, no Parlamento Europeu, Bruxelas, em 27 de setembro de 2016.

Tradução Lilia Wachsmann

Rabino Lorde Jonathan Sacks – Rabino Chefe das Congregações Hebraicas Unidas da Commonwealth e Av Beit Din (presidente) do Beth Din de 1991 a 2013. Em 2009, foi recomendado para um pariato vitalício, com assento na Casa dos Lordes, com o título de Barão Sacks de Aldgate na City of London. Desde que deixou o cargo de Rabino Chefe, o Rabino Sacks vem trabalhando como Professor de Pensamento Judaico na Universidade de Nova York, Professor de Pensamento Judaico na Yeshiva University e Professor de Direito, Ética e Bíblia no King’s College de Londres.

Fonte e agradecimentos especiais: Morashá.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shabbat Shalom !

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Nota de Repúdio Á Política! E Apoio ao Povo Brasileiro! Shalom !

Maringá,18 MAIO 2017

Jerusalém,22 IYYAR 5777

Erev tov ve Shalom Lé Kulam! Boa tarde e Paz à Todos!

Com grande indignação e repúdio a política brasileira que hoje o Projeto ( Dyaryo Dy Um Hebreu ), sai um pouco de suas postagens de praxe para questionar, repudiar e sai em apoio a todos os brasileiros de todas as partes do pais.
Em primeiro lugar, os politicos e representantes públicos são incompetentes, analfabetos, corruptos e extremamente egoístas! Só pensam em si, na sua família e seu grupo .
Fazem mal uso o tempo todo do orçamento público! Deixam o Brasil, parado na questão intelectual, estrutural, emprego, moradia e falta lhes sempre condições básicas a população!
Não será hora de fazer uma paralisação geral no dia das eleições e ninguém comparecer as ” Urnas “?
Os senhores perderam todo bom senso a dignidade em nome deste poder sujo que é nosso fazer politico!
Rosa Luxemburgo, dizia: que a social Democracia Alemã era um cadaver mal cheiroso não será a mesma coisa por traz dos castelos do Poder em nossa nação?
Um Outro ponto importante nisso tudo. É, o que sempre nas reuniões internacionais do conselho de segurança da ONU, os representantes brasileiros votam contra Israel?
Porque, não copiem o exemplo de Israel, que em poucas décadas se tornou um pais de primeiro Mundo.
Com o seu povo tendo total acesso intelectual e Liberdade para viver e estar em segurança.
Cuidado senhores e moços abusados do poder a nação brasileira cansou!
E a qualquer momento, pode acontecer uma guerra civil!

Mais dignidade e respeito a todos! Que isso fique de lição a todos nós!
Muita Luz a todos! O$hêr Vê O$hêr Lé Kulam – Riqueza & Felicidade a Todos!
Que Hashem Nosso Eterno Rei Nos guarde! Desses Lobos famintos !

Shalom – Paz !

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, : )

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Zevi Ghivelder , 10 Melhores Filmes de Temas Judaicos! Shalom

Maringá, 17 MAIO 2017

Jerusalém, 21 IYYAR 5777

Erev tov ve Shalom! Boa Tarde e Paz !

Os 10 melhores filmes de temas judaicos
Todas as listas, a propósito de quaisquer assuntos, nas quais se pretenda apontar os dez melhores de algum setor, são passíveis de contestações. É simplesmente impossível obter unanimidade ou consenso. O mesmo se aplica a esta lista, destinada a apontar os dez melhores filmes com temática judaica, realizados desde o advento do cinema falado.

Edição 46 – Setembro de 2004

A seleção aqui apresentada não corresponde necessariamente ao meu gosto pessoal. Elaborei uma longa lista com filmes de contexto judaico e preocupei-me em destacar aqueles que transcenderam, foram importantes por diferentes motivos na época de suas realizações e, desde então, vêm tocando a mente e o coração das pessoas.

Neste sentido, um filme emblemático é “O Grande Ditador ” (The Great Dictator), de Charles Chaplin, que, a rigor, só tem como referência judaica a circunstância dos protagonistas serem judeus. Entretanto, Chaplin foi o primeiro grande produtor cinematográfico a denunciar com as armas do humor, antes ainda do início da Segunda Guerra, a perseguição aos judeus na Alemanha nazista e a ameaça que Hitler representava para o mundo.

No tocante à luta pela criação do Estado de Israel, há três filmes com conteúdo significativo: “Adaga no Deserto” (Sword in the Desert), “O Malabarista” (The Juggler) e À Sombra de um Gigante (Cast a Giant Shadow). Os três juntos, porém, não chegam a alcançar a dimensão de “Exodus”. O primeiro, que aborda a imigração ilegal para a antiga Palestina, é pioneiro em matéria de endosso de Hollywood à causa sionista, tendo sido lançado em 1949, apenas um ano depois da independência israelense. O segundo, de 1953, filmado em Israel mesmo, conta a história de um refugiado do Holocausto, vivido por Kirk Douglas, que não consegue se adaptar às novas e precárias condições de vida do estado judeu. O terceiro, de 1966, conta a história verdadeira do coronel do exército americano, David Marcus (novamente Kirk Douglas), que lutou como voluntário na Guerra de Independência de Israel e foi um dos principais responsáveis pela vitória na batalha pela abertura da chamada “Burma Road”, que rompeu o cerco imposto pelos jordanianos à cidade de Jerusalém. O coronel Marcus foi morto, por acidente, por um sentinela judeu quando, à noite, não soube responder em hebraico a uma senha que lhe estava sendo pedida.

Além da lista dos dez mais, vale destacar as inúmeras e divertidas menções judaicas existentes nos filmes de Woody Allen (principalmente uma cena antológica em Broadway, Danny Rose que mostra velhos atores e empresários judeus reunidos na mesa de uma delicatessen). O universo chassídico revelado em “O Eleito” (The Chosen). Os índios que falam ídiche em “Banzé no Oeste” (Blazing Saddles), de Mel Brooks. A pungente Madame Rosa interpretada por Simone Signoret. A imponência de Charlton Heston como Moisés, em “Os Dez Mandamentos” (The Ten Commandments). A ingenuidade política dos aristocratas judeus italianos em “O Jardim dos Finzi-Contini”. A adaptação para o cinema de Focus , o único romance de Arthur Miller, no qual o principal personagem é humilhado e perseguido por ter a aparência de judeu, embora não fosse. A impetuosidade do personagem Duddy Kravitz, vivido por Richard Dreyfus, na transposição para a tela de um romance do canadense Mordecai Ricler. O belo trabalho de Rod Steiger em “O Homem do Prego” (The Pawnbroker), dirigido pelo judeu Sidney Lumet, o primeiro filme americano de ficção a encenar os horrores de um campo de concentração. A luta pela sobrevivência e o comportamento contraditório de um jovem judeu, durante o Holocausto, no filme alemão Europa, Europa. A excepcional atuação de Zero Mostel em “Testa de Ferro por Acaso” (The Front), filme sobre a época do macartismo, que perseguiu atores, diretores, roteiristas e outros profissionais do cinema e do teatro americano, resultando numa lista negra de supostos comunistas, a maioria judeus. O próprio Mostel, aliás, esteve nessa lista e, quando foi chamado para depor perante o comitê do senado americano, perguntaram-lhe para qual estúdio trabalhava e ele respondeu: “19th Century Fox”.

Com referência ao processo Dreyfus, que denuncia o anti-semitismo na França já no século 19, há dois filmes expressivos: “Eu Acuso!” (The Life of Emile Zola), de 1937, com Paul Muni, ator consagrado no teatro ídiche de Nova York, no papel central, e “A Ilha do Diabo” (I Accuse), de 1958, com José Ferrer. Ainda em matéria de anti-semitismo, é muito importante o filme “O Homem de Kiev” (The Fixer), de 1968, baseado num romance do americano Bernard Malamud, que narra a história espantosa e verdadeira do judeu Mendel Beiliss, acusado, em 1912, de assassinar uma criança cristã para extrair seu sangue para um ritual secreto. Beiliss foi absolvido e alguns historiadores associam este fato ao início da derrocada do czarismo na Rússia.

Ficou fora da lista a excelente minissérie “Holocausto” (Holocaust), por se tratar de uma produção para a televisão (475 minutos de duração), que foi exibida dublada no Brasil, prejudicando a avaliação da qualidade de interpretação de um elenco de peso. A mesma questão da dublagem se aplica a outras boas realizações para a televisão como Rebelião em “Sobibor” (Revolt in Sobibor), “A Casa da Rua Garibaldi” (The House on Garibaldi Street), que conta a captura do criminoso de guerra Adolf Eichmann, em Buenos Aires, a minissérie com 880 minutos “Os Ventos da Guerra” (The Winds of War), que contém um dramático segmento sobre o campo de concentração de Theresienstadt, “A Amarga Sinfonia de Auschwitz” (Playing for Time), roteiro de Arthur Miller, e “Vidros Quebrados” (Broken Glass), também de Miller (ainda não exibido no Brasil e, se for, que não seja dublado), cuja ação gira em torno da infame “Noite dos Cristais”. Feitas essas ressalvas, a par de muitas outras que decerto ficaram faltando, segue a lista dos dez mais, em ordem alfabética, para que a colocação não signifique prevalência.

Adeus, Meninos

O diretor Louis Malle assistiu, quando criança, a um episódio dramático ocorrido em sua escola primária: a Gestapo prendeu um padre católico e três meninos judeus por ele acobertados. Foi esta a gênese de seu filme, de 1987, que retrata o drama vivido pelos judeus durante a ocupação nazista da França. De certa maneira, há no filme uma conotação autobiográfica na medida em que Malle imagina como teria sido sua amizade com um daqueles colegas judeus que viria a ser deportado para Auschwitz. Antes, ele já havia dirigido o filme Lacombe Lucien, a história de um colaboracionista francês com uma jovem judia. Em ambas realizações, Louis Malle parte do particular para o geral, ou seja, transforma um drama de consciência individual em vergonha nacional.

Em “Adeus, Meninos” (Au Revoir, les Enfants) tudo é visto através da inocência da infância, uma condição que vai sendo perdida enquanto se avoluma a tragédia da guerra. Essa inocência pode ser resumida no diálogo de uma cena, quando um menino não-judeu pergunta ao irmão mais velho de que os judeus estão sendo acusados e este responde: “De serem mais inteligentes do que nós e de terem crucificado Jesus”.

A Lista de Schindler

Além deste filme ser baseado numa história rigorosamente verdadeira, Schindler’s List é do ponto de vista artístico o melhor filme até hoje realizado sobre o Holocausto. A par das cenas de atrocidades e assassinatos cometidos pelos nazistas, a sabedoria do diretor Steven Spielberg foi limitar-se a descrever a trajetória de Oskar Schindler (Liam Neeson), sem aprofundar-se em sua alma ou motivações.

Schindler, na vida real, era um industrial alemão corrupto, devasso, trapaceiro, jogador viciado, aproveitador da guerra e membro do partido nazista. As circunstâncias levaram-no a ser o proprietário de uma metalúrgica na Cracóvia onde empregou mais de mil prisioneiros judeus. Ganhou muito dinheiro com esse trabalho escravo e acabou renunciando a tudo para salvá-los de um campo de extermínio, através da elaboração de uma lista apresentada às autoridades nazistas com o argumento de que se tratava de gente indispensável para o funcionamento da fábrica.

A propósito dele, conforme assinala a estudiosa americana Kathryn Bernheimer, vale dizer que os canalhas sempre se transformam nos melhores heróis porque suas mais nobres ações são tão inesperadas quanto inexplicáveis. Durante todo o filme, Schindler aparece como um personagem ambíguo, embora suas atitudes não sejam, e ele chega ao ponto de mandar fabricar peças defeituosas de artilharia para sabotar o exército alemão. O filme, de 1993, é baseado no relato de Leopold Page, integrante da lista de Schindler, ao escritor Thomas Keneally. O diretor Steven Spielberg havia adquirido os direitos do livro onze anos antes, mas não se julgava emocionalmente preparado para a tarefa de transpô-lo para o cinema. Quando, por fim, aos 45 anos de idade e redescobrindo o judaísmo, conforme ele mesmo revelou, decidiu enfrentar o desafio. Partiu de um orçamento de 23 milhões de dólares, envolvendo mais de cem atores, 30 mil extras, 210 técnicos e 148 cenários, em 35 locações diferentes, no leste da Europa. Filmou em preto e branco para adensar o drama e só cedeu à cor num final emocionante, quando parte dos sobreviventes da lista e seus descendentes (são cerca de seis mil, hoje, em todo o mundo) se reúnem num cemitério em Israel e prestam homenagem ao indecifrável Oskar Schindler, junto a seu túmulo.

A Luz É Para Todos

Na década de 40, embora os maiores estúdios de Hollywood pertencessem a judeus, estes se colocavam à margem de qualquer tema referente a eles ou ao judaísmo, por conta do enorme esforço que faziam para erradicar sua imagem de imigrantes e serem aceitos pela sociedade americana. Entretanto, depois da guerra, as primeiras informações referentes ao Holocausto começaram a mudar seu comportamento, mas foi Darryl F. Zanuck, de religião metodista, conservador e republicano convicto, diretor de produção da Fox, quem decidiu abordar com inusitada coragem, em 1947, o tema do anti-semitismo existente nos Estados Unidos. O roteiro do filme (Gentleman’s Agreement, título original), baseado num romance de Laura Z. Hobson, coube ao judeu Moss Hart e ao não-judeu Elia Kazan, que já despontava como um dos maiores nomes de Hollywood, a direção.

A história e simples: um jornalista cristão (Gregory Peck) é designado para escrever uma reportagem sobre o anti-semitismo e, para sentir de fato o problema, se faz passar por judeu. Nas memórias que escreveu, Kazan diz que o filme poderia ter abordado o tema com mais profundidade, mas o fato é que A Luz é Para Todos mexeu com a consciência das platéias e expôs um “acordo de cavalheiros” (daí o título original) existente na elite americana, através do qual os judeus deveriam ser barrados de seu meio.

Como sempre acontece nessas circunstâncias, grupos judaicos se opuseram à realização do filme, argumentando que falar de anti-semitismo acabaria provocando mais anti-semitismo. A resposta do roteirista foi criar um personagem ridículo, um rico industrial judeu, que sustenta este ponto de vista. O filme contou com a participação do ator John Garfield, que começou no teatro ídiche e cujo nome verdadeiro era Julius Jacob Garfinkel.

Protagonista de expressivas realizações cinematográficas, ele aceitou um papel secundário por julgar o tema do filme da maior importância.

Exodus

A par da maestria do diretor Otto Preminger, da impecável adaptação para o cinema do monumental best-seller de Leon Uris e do excelente elenco liderado por Paul Newman, o filme “Exodus”, de 1960, com três horas e meia de duração, teve o mérito de revelar para milhões de espectadores, em todos os continentes, que era imperativa a criação de um estado judeu após a tragédia do Holocausto. E também mostrou ao mundo que o movimento sionista e os pioneiros da Terra Santa haviam criado um tipo até então desconhecido de judeus: fortes, determinados, vitoriosos e dispostos a lutar para atingir seus objetivos, opostos àqueles que, pouco tempo antes, haviam caminhado submissos para as câmaras de gás.

Baseado no episódio verdadeiro do navio de refugiados de nome Exodus, barrado pelos mandatários ao aproximar-se da costa da antiga Palestina, o filme narra os eventos cruciais ocorridos em 1947 que culminaram com a criação do Estado de Israel. Até hoje, nenhuma outra produção do cinema abordou este tema com tanta acuidade, tendo inclusive criado dois importantes personagens inspirados em Menachem Begin (David Opatoshu) e David Ben Gurion (Lee J. Cobb). O primeiro, promovendo atos terroristas contra os ingleses, o segundo, buscando uma solução diplomática para a antiga Palestina. Além disso, o filme também aborda o problema entre árabes e judeus, mostrando que ambos são vítimas de um conflito e animosidade que, em princípio, não desejavam.

O Cantor de Jazz

Antes de tudo, um fator histórico: The Jazz Singer, produzido pela Warner em 1927, foi o primeiro filme falado. Em seguida, outro importante fator sociológico: foi o primeiro filme a revelar o conflito de gerações entre imigrantes judeus nos Estados Unidos, a primeira apegada a seus valores tradicionais, a segunda, de seus filhos, querendo se integrar na sociedade como americanos natos, mas sem perder sua identidade nacional e religiosa.

Inspirada num conto literário depois adaptado para o teatro, com sucesso, a fita conta a história do jovem Jacob Rabinowitz (Al Jolson), filho de um rabino, que muda o nome para Jack Robin e se torna um astro de sucesso na Broadway. Na noite da estréia de um novo espetáculo, que coincide com o Yom Kipur, Jack decide deixar o teatro e ir para a sinagoga ocupar o lugar do pai moribundo, com quem havia cortado relações. As cenas seguintes, configuradas num lacrimoso dramalhão, mostram o rapaz cantando o Kol Nidrei enquanto o pai está morrendo. Na noite seguinte, ele volta para o teatro e arrebata o público cantando My Mammy, a marca registrada do grande Al Jolson, e sendo aplaudido por sua estereotipada “ídiche mame” na platéia.

Em suma, O Cantor do Jazz, uma realização de quintessência judaica, pretendia mostrar que um filho de imigrantes judeus tanto podia ser fiel à sua religião como ser um bom cidadão americano, inclusive tendo uma companheira não-judia. A produção deste filme se deve ao empenho pessoal de um dos quatro irmãos Warner, Harry, que, ao contrário dos demais magnatas de Hollywood, sempre esteve comprometido com o judaísmo e com o sionismo. Mesmo assim, ele teve dúvidas angustiantes quanto ao projeto, julgando que se tratava de um tema étnico demais. Quem o convenceu a seguir em frente foi Darryl F. Zanuck, que antes de ser o dono do estúdio Fox, trabalhava para a Warner. Ele convenceu Harry de que a história entre um filho dividido na sua lealdade e uma mãe amorosa e compreensiva, tinha apelo universal.

O filme estreou em Nova York no dia 6 de outubro de 1927, véspera do Yom Kipur, arrecadou portentosas bilheterias, mas os irmãos Warner não puderam comparecer. Um deles, Sam, tinha morrido um dia antes. O Cantor do Jazz teve suas refilmagens. Uma, em 1953, medíocre. Outra, em 1980, com o cantor Neil Diamond como Jack e na qual Laurence Olivier interpreta o rabino, de forma soberba.

O Diário de Anne Frank

Este filme, de 1959, foi o primeiro de Hollywood a abordar diretamente o Holocausto. A partir do livro da jovem holandesa, também adaptado para o teatro, emocionou e continua comovendo milhões de pessoas em todo o mundo, abrangendo até hoje mais de 30 milhões de exemplares, em 55 idiomas.

O diretor George Stevens tinha uma afinidade especial com o tema porque, na qualidade de documentarista cinematográfico a serviço do exército americano durante a guerra, havia presenciado a libertação do campo de concentração de Dachau, onde captou impressionantes imagens.

Os produtores da Fox passaram meses à procura de uma intérprete para o papel de Anne e acabaram se decidindo por uma novata, Millie Perkins, não-judia, cuja interpretação foi recebida com reservas pela crítica. Em compensação, o ator judeu Joseph Schildkraut, que havia recebido um Oscar por seu trabalho em “Eu Acuso!”, quando viveu o capitão Dreyfus, foi aclamado no papel do pai.

O Diário de Anne Frank, realizado em preto e branco, ganhou seis prêmios da Academia, inclusive o de melhor atriz coadjuvante, para a atriz judia Shelley Winters. Mesmo assim, sofreu inúmeras restrições por falta de fidelidade ao Diário, tentando fazer prevalecer um sentimento universal de sofrimento sobre a tragédia específica a que os judeus estavam sendo submetidos, já que o filme não alude aos extermínios nos campos de concentração. De qualquer maneira, O Diário de Anne Frank resultou num filme importante, ao tempo de sua realização, por ter aberto uma porta que permanecia fechada por quase quinze anos.

O Grande Ditador

Os magnatas judeus dos estúdios de Hollywood permaneceram em silêncio quando os judeus começaram a ser perseguidos pelos nazistas, após a ascensão de Hitler ao poder. O primeiro homem de cinema a denunciar o que estava acontecendo na Alemanha foi o não-judeu Charles Chaplin, que muita gente pensava que fosse, mesmo porque ele jamais disse que não era.

Ele começou a filmar The Great Dictator em 1938, um ano antes, portanto, da invasão da Polônia. O projeto arrepiou Hollywood e Chaplin teve que resistir a inúmeras pressões para desistir, inclusive oriundas de grupos extremistas de direita e simpatizantes do nazismo, que lhe faziam ameaças violentas. Foi nesse clima que ele recebeu um representante do presidente Roosevelt, garantindo-lhe proteção pessoal contra quaisquer eventuais boicotes, instando-o a prosseguir com as filmagens.

Com financiamento provido pelo próprio bolso de Chaplin, dois milhões de dólares, uma fortuna na época, o filme conta a história de um soldado judeu que é ferido na Primeira Guerra, passa a sofrer de amnésia e, anos depois, retorna à sua profissão de origem numa barbearia, sem saber que a imaginária Tomania estava sendo governada por um louco chamado Hynkel. Acontece que o barbeiro é sósia do ditador e daí decorrem todas as cômicas confusões do filme. Chaplin não poupa Hitler numa cena extraordinária em que este brinca com um globo terrestre, sentindo-se o dono do mundo, nem figuras patéticas como Herring (Goering), Garbitsh (Goebbels) e Napaloni (Mussolini).

Em sua autobiografia, Charles Chaplin escreveu que se ele pudesse ter imaginado que o nazismo viria a atingir tamanho grau de crueldade homicida, não teria feito uma sátira sobre Hitler, mas o teria atacado de forma frontal. O final do filme é condizente com o tempo em que foi realizado. Num grande comício, igual aos promovidos por Hitler, o barbeiro judeu acaba assumindo o lugar do ditador e faz um discurso pacifista, um tanto melodramático, bem ao estilo de Chaplin.

Entretanto, assim como o mundo ignorava para onde caminhava, os personagens do filme também não têm um final conclusivo, restando apenas a imagem da amada do barbeiro, a atriz judia Paulette Goddard, chegando a uma terra onde poderia viver em paz.

Shoah

Realizado pelo jornalista e cineasta francês Claude Lanzmann, em 1985, com oito horas e meia de duração, este é o documentário definitivo sobre o Holocausto. O diretor não se preocupou em mostrar a evolução do anti-semitismo na Alemanha, não mostrou em que circunstâncias se deram sobrevivências ou aconteceram rebeliões, como a no campo de concentração de Sobibor, nem incluiu imagens de arquivo. Seu único foco é a chamada “Solução Final”, o meticuloso plano elaborado e executado pelo nazismo para erradicar os judeus da Europa.

O filme contém depoimentos de judeus que sobreviveram aos campos de extermínio, de pessoas, sobretudo poloneses, que moravam nas proximidades dos campos, sabiam o que estava acontecendo, ouviam os gritos das vítimas, e permaneceram indiferentes a tudo e, surpreendentemente, de oficiais da SS que serviram nos campos e concordaram em falar perante a câmera, enquanto outros foram filmados com uma câmera oculta enquanto falavam com o entrevistador.

Nesse documentário sobre a Shoah, palavra que passou a ser sinônimo do Holocausto e que em hebraico significa aniquilação, Claude Lanzmann jamais indaga porque o genocídio aconteceu, mas tenta desvendar como aconteceu e revela como seis milhões de judeus foram deixados à própria e trágica sorte por toda humanidade.

As oito horas e meia de Shoah são o resultado de um material bruto de 350 horas, após um trabalho de pesquisa que consumiu onze anos. Lanzmann se dedica aos menores detalhes do processo de aniquilação: como, quando e onde os crimes ocorreram. Ele começa com as deportações, as peculiaridades dos transportes nos trens, o confisco dos bens, as câmaras de gás, os crematórios e as disposições dos restos mortais.

É curioso assinalar que enquanto os americanos trataram do Holocausto em obras de ficção, os franceses se especializaram em excelentes documentários como Nuit et Bruillard, de Alain Resnais, Le Chagrin et la Piété e Hotel Terminus, ambos de Marcel Ophuls, e Les Armes de l’Esprit, de Pierre Sauvage, que conta como a minúscula cidade de Chambon, com cinco mil habitantes, escondeu cinco mil judeus durante a invasão nazista.

Um Violinista no Telhado

O personagem central de Fiddler on the Roof, Tevye (Topol), filme de 1971, é mais do que um judeu: ele encarna o próprio povo judeu. Seu relacionamento com o Criador se faz de forma direta e franca num pacto de mútua confiança. As vicissitudes e indagações com as quais Tevye se defronta são universalmente judaicas. Até que ponto os judeus conseguem resistir? Como conciliar as tradições com um mundo em constantes transformações? Quais são os laços mais fortes, aqueles que nos unem à família ou os que nos remetem ao Criador? Onde começa a condescendência e onde termina a acomodação?

O filme retrata, de forma admirável, como era o cotidiano nas pequenas aldeias (shtetl), na Europa central, no início do século, nas quais a maioria dos habitantes era de judeus e onde sua riqueza espiritual contrastava com a pobreza de suas existências. Tudo isso foi encenado com músicas e concepções coreográficas de excepcional inspiração, atingindo seu ponto culminante com a canção “Se eu fosse rico”, cuja interpretação pelo ator Zero Mostel, criador do papel de Tevye, foi considerada como o maior momento do teatro musical americano no século XX.

Além do sucesso no cinema, “Um Violinista no Telhado”, concebido a partir de um conto do escritor ídiche Sholem Aleichem, teve excepcional carreira na Broadway. Estreou em 1964 e saiu de cartaz em 1971, com um total de 3.242 representações e mais de 20 milhões de dólares de arrecadação na bilheteria. Além dessa montagem, muitas outras se sucederam, inclusive em dezesseis idiomas diferentes, em 32 países. Há um destaque especial para a remontagem de 1994, quando foi celebrado o trigésimo aniversário da produção, tendo Topol no principal papel, numa excursão que percorreu de costa a costa os Estados Unidos.

Yentl

Assim como “Um Violinista no Telhado”, “Yentl “, produzido, dirigido e protagonizado por Barbra Streisand, também corresponde a uma visão cândida, ingênua e apaixonada da vida judaica na shtetl. O filme se baseia num conto do escritor Isaac Bashevis Singer, detentor do Prêmio Nobel de Literatura, e conta a história de uma jovem que, devotada à religião e seus ritos, se faz passar por rapaz, caso contrário não poderia freqüentar a yeshivá, a escola voltada para os estudos da Torá e do Talmud.

O filme tem, ainda, a particularidade de ser o único que conta com uma mulher no papel central; uma mulher que, a rigor, é amorosamente feminina ao mesmo tempo em que é feminista por intuição. Barbra Streisand conta que foi longo o caminho que percorreu até chegar à realização de Yentl e até reincorporar o judaísmo em sua vida. O ponto inicial foi o bar mitzvá de seu filho Jason (com o ator Elliot Gould), em 1980.

Em seguida, a artista dedicou-se a profundas pesquisas sobre este assunto e declarou numa entrevista que o filme seria uma homenagem ao pai, que não chegou a conhecer e a quem dedica a mais bela canção do filme, “Papai, você pode me ouvir?”. Na verdade, Yentl não alcançou a repercussão que Streisand esperava, tanto do ponto de vista artístico como financeiro. Muitos críticos julgaram que o conflito interno da personagem não chegou a ser bem explicitado na tela e o próprio Bashevis Singer torceu o nariz, dizendo que “Barbra Streisand está sempre presente, enquanto a pobre Yentl está ausente”.

Mesmo assim, juntando forma e conteúdo, “Yentl ” se afirma como um dos mais importantes filmes de temática judaica na história do cinema.

Obrigado pela leitura!

Zevi Ghivelder é escritor e jornalista.

Fonte e agradecimentos : Revista Morashá.

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom .

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Lag BaOmer ! Shavua tov! Boa semana! Shalom !

Maringá, 15 MAIO 2017.

Jerusalém, 19 IYYAR 5777.

Lag BaOmer não é um Yom Tov – um dia de festa religiosa – mas é um dos mais alegres do ano. No 33º dia do Omer, suspendem-se as práticas tristes de Sefirat HaOmer e há várias tradições sobre a maneira de celebrar o dia. Por exemplo, na tradição sefaradita, faz-se um leilão público em que se acendem velas em honra ao Rabi Shimon bar Yochai e a outros grandes Sábios. Na Europa Oriental, o costume prevalente era fazer arcos e flechas para as crianças, com os quais elas brincavam nas florestas. Em Lag BaOmer, muitos judeus que vivem na Diáspora ou em Israel, mas que não podem viajar a Meron, acendem uma fogueira ou, no mínimo, velas, em homenagem ao grande Sábio, Rabi Shimon.

Lag Baomer é mencionado em vários lugares da literatura judaica, mas seu significado permanece meio que envolto em mistério. Uma tradição conta que no 33º dia do Omer, uma praga cessou de afligir os alunos de Rabi Akiva – mestre de Rabi Shimon. Outras fontes nos contam que essa é a data do falecimento de Rabi Shimon bar Yochai e que todas as celebrações realizadas nesse dia se devem a esse motivo.

Nos textos judaicos, Lag Baomer é chamado de “Dia da Hilulá” de Rabi Shimon bar Yochai. A palavra “Hilulá” é aramaico e significa festa ou festa de casamento. Em geral, quando uma fonte judaica menciona a Hilulá de Rabi Shimon, está-se referindo à celebração feita em sua homenagem quando ele se casou, em sua juventude. Mas quando um livro sagrado judaico ensina que Lag BaOmer é o “Dia da Hilulá de Rabi Shimon bar Yochai”, não quer dizer que esse dia era o de seu casamento, mas a data de sua morte. A mesma palavra, Hilulá, usada para se referir ao casamento de Rabi Shimon também é usada para o seu passamento deste para o outro mundo.

A associação do termo Hilulá com o dia da morte de alguém é intrigante. Afinal, ao longo das gerações, a data do falecimento de uma pessoa era guardada pela família e filhos como um dia triste – um dia de reflexão e expiação. Muitas pessoas costumavam jejuar na data de falecimento de seus pais e mestres. Contudo, ao longo do tempo, a associação do termo “Hilulá” com a data de falecimento de Rabi Shimon se tornou tão aceita que a data de falecimento de outras pessoas também passou a ser designada pelo termo “Hilulá”.

Como é possível que o mesmo termo usado para o casamento de uma pessoa – que se supõe ser um dos dias mais felizes de sua vida – possa ser usado para se referir a seu passamento deste mundo? Pode-se encontrar uma explicação em um dos discursos do Rabi Shneur Zalman de Liadi, autor do Tanya. O Baal HaTanya explica que o principal tema de um casamento é a alegria da noiva e do noivo, que advém da união de dois indivíduos que foram destinados um ao outro ainda antes de terem nascido, mas que estiveram separados durante muitos anos. Antes que suas almas viessem a este mundo, eles se conheciam e tinham um relacionamento, que foi cortado após seu nascimento. Pois, como nasceram de pais diferentes, que talvez até vivessem em países diferentes, em muitos casos levou décadas até que essas almas voltassem a se encontrar. A grande alegria de sua reunião, após anos de separação, de saudade e nostalgia, é a fonte do júbilo de um casamento.

De modo semelhante, quando uma alma desce a este mundo, ela se separa de todas as almas que estavam juntas a ela no Jardim do Éden.

Enquanto ela permanecer neste mundo, essas almas sentem sua falta. Quando ela deixa este mundo e retorna a seu lar original, Gan Eden, essas almas celebram e se rejubilam com essa reunião. O júbilo por essa volta e essa reunião nos Céus é tão grande que supera a tristeza das pessoas em nosso mundo quando de seu falecimento. As pessoas que aqui ficam devem tentar – por mais difícil que seja – vencer sua tristeza e entender que a alma que deixou este mundo está feliz de ter chegado a um lugar mais feliz. Um texto antigo recorda um elogio fúnebre da época talmúdica: “Chore pelos enlutados, mas não por quem parte; pois ele partiu para o descanso, e nós, para o lamento”.

Rabi Shimon bar Yochai pediu que as pessoas não chorassem sua partida, mas se rejubilassem pela subida de sua alma. Por esse motivo, a data de sua morte – Lag BaOmer – é chamada de sua “Hilulá”. Seu falecimento foi um tipo de casamento: quando ele deixou este mundo, ele se reuniu com as almas que se encontram nas maiores alturas dos Céus – aquelas que sentiram sua ausência e ansiavam por ele durante os anos em que ele viveu neste nosso mundo físico.

Exemplo Abaixo desta comemoração em Israel:

Fogueiras para Rabi Shimon bar Yochai

A prática de se acender fogueiras e velas em Lag BaOmer advém de um antigo costume – que perdura até o dia de hoje – o de se acender uma grande fogueira próximo ao túmulo de Rabi Shimon bar Yochai, em Meron. Como mencionamos acima, quase meio milhão de pessoas viajam a Meron nessa data.

O costume de se acender a fogueira para Rabi Shimon é, provavelmente, remanescente de um costume observado à época do Primeiro e do Segundo Templos de Jerusalém. Quando morria um rei, o povo fazia uma fogueira imensa, na qual atiravam artigos pertencentes ao monarca falecido. Era uma forma de lamentação, mas também uma expressão de solenidade, que transmitia a majestade da realeza. A maior expressão de desonra para um rei morto seria não se acender fogueira quando de seu falecimento.

Essa prática persistiu por muitos séculos, mesmo quando já não havia reis judeus. O tratado talmúdico Semachot (Avel Rabati) narra a seguinte história: “Quando faleceu Raban Gamliel, o Ancião, Onkelos queimou por ele mais de 80 minas (uma enorme soma). Perguntaram-lhe: ‘Qual o propósito de seu gesto? Ao que ele respondeu: ‘Pois que está escrito: Hás de morrer em paz; e assim como faziam fogueiras para teus antepassados, os reis que reinaram antes de ti, assim também queimarão para ti… (Jeremias 34:5). E não tem mais valor Raban Gamliel do que cem reis inúteis?”

Rabi Shimon bar Yochai, um dos pilares do Talmud e autor do Zohar, obra que é a base da Cabalá, foi um dos maiores Sábios de todos os tempos – um gigante das facetas exotéricas e esotéricas da Torá.

O Talmud ensina que se houve no mundo um verdadeiro Tzadik, este foi o Rabi Shimon. Também nos ensina que, por meio de seus atos e méritos, ele podia expiar todos os pecados de Israel desde a criação do mundo até os dias em que ele viveu.

Nossos Sábios o comparam a Moshé Rabeinu. De fato, alguns trabalhos místicos alegam que Rabi Shimon era a reencarnação de Moshé. Como ele era “rei”, de estatura igual a qualquer outro rei, é mais do que justo que se acendam fogueiras lichvodó, em sua honra, como o Povo Judeu fazia no passado pelos reis que faleciam. E como ele mesmo via a sua partida deste mundo como uma libertação e uma redenção – como uma forma de casamento – outros também compartilham esta alegria e celebram o dia de sua “Hilulá”, que ocorre em Lag BaOmer.

Como já dissemos, nesta data acendem-se fogueiras em Israel e na Diáspora. Até as crianças em Tel Aviv o fazem, ainda que muitas delas pouco saibam sobre Rabi Shimon. Mas não importa o quanto se saiba sobre esse grande Sábio e místico de Israel. Todos que acendem fogueiras ou velas em Lag BaOmer prestam-lhe homenagem. Rabi Shimon bar Yochai continua um mistério, uma lenda. Ele redefiniu nossa percepção sobre a morte. E continua sendo um dos Sábios mais reverenciados em toda a nossa História. Foi um dos maiores alunos de Rabi Akiva, um dos pilares do Talmud e se tornou especialmente famoso por ser o “pai” da Cabalá. É mais do que justo iluminar ao máximo com muitas fogueiras e velas o dia de Lag BaOmer, pois Rabi Shimon bar Yochai foi um homem que personificou o fogo da Torá e que iluminou o mundo com sua Luz Infinita.

BIBLIOGRAFIA:
Rabi Steinsaltz, Adin (Even Israel), Lag Baomer Change and Renewal, Maggid Books

Obrigado pela leitura!

Fonte e Gentileza: Revista Morashá.

Pesquisa, Tradução & edição: Vital Ben Waisermman. Shalom Lé Kulam – Paz A Todos!

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Bom dia! Shabat Shalom !

Boker tov lé kulam !

Venho em primeiro lugar, desejar um excelente Shabat Shalom aos navegantes e leitores de ” Dyaryo Dy Um Hebreu ” !
Muita Luz a todos!

Mazal Tov Eretz Israel B” H

Vinte entidades judaicas paulistas se uniram para comemorar os 69 anos da Independência do Estado de Israel. O evento aconteceu entre os dias 1º e 7 de maio, em São Paulo, com uma extensa agenda de atividades e uma programação cultural e festiva. O Ato Central em 7 de maio lotou o Teatro Arthur Rubinstein de A Hebraica, com a apresentação de um coral de 200 vozes e a presença dos presidentes Fernando Lottenberg, da Conib, Bruno Laskowsky, da Fisesp, e Avi Gelberg, de A Hebraica, além de Yossi Shelley, embaixador de Israel no Brasil, Dori Goren, cônsul de Israel em São Paulo e dos secretários Floriano Pesaro, representando o governador Geraldo Alckmin e Júlio Serson, representando o prefeito João Doria. A extensa programação da semana contou com recepção oferecida pelo Consulado de Israel, apresentação musical no Colégio Renascença, harkadot (danças judaicas) na CIP e na Hebraica, cerimônia especial de Shabat e palestra na Comunidade Shalom, Feira da Comunidade da Na’amat Pioneiras São Paulo, Minecrafts (jogo de blocos) para as crianças e jovens, além da exposição fotográfica “Israel – ontem, hoje e sempre”, do Fundo Comunitário. Em pronunciamento no dia 7 de maio, Fernando Lottenberg declarou: “Estamos muito satisfeitos em participar dessa iniciativa comunitária conjunta para celebrar mais um aniversário do Estado de Israel. Essa data marca um momento histórico da trajetória do povo judeu, que por muitos anos perambulou de um exílio a outro, à mercê das circunstâncias, do destino, em grande parte das vezes em consequência da intolerância. Ao longo de 2000 anos, o povo judeu nunca se esqueceu dos tempos em que viveu na Terra Santa. Foi naquela região que vários capítulos de nossa trajetória coletiva, como civilização, foram escritos. Com números maiores ou menores, a presença judaica sempre foi constante naquele pequeno território tão observado, desejado, visitado e invadido. Jamais esqueceremos o papel determinante da Assembleia Geral da ONU, presidida pelo Embaixador Oswaldo Aranha, por ocasião da aprovação da “Partilha da Palestina”. Nós, brasileiros, devemos nos orgulhar daquele momento histórico. Não obstante, nesta semana, exatamente no dia em que estava sendo formalmente celebrado o Iom Haatzmaut, sofremos um duro golpe com a posição do governo brasileiro, que votou a favor de uma resolução da UNESCO, de claro viés anti-israelense. Essa resolução é mais uma tentativa lamentável dos países patrocinadores da resolução e da própria Unesco, de tentar negar a verdade histórica e os laços do povo judeu com Jerusalém. Na realidade, o ônus da desmoralização recai sobre ela própria. Manifestamos na mesma data nosso desconforto ao governo brasileiro, em relação a esse tema. Como brasileiros e judeus, temos o direito legítimo de demonstrar nossa contrariedade. A tarefa de incrementar as relações Brasil-Israel tem sido uma das prioridades da Conib. Após mais de um ano, temos novamente um embaixador de Israel no Brasil, para comemorar conosco esta data. Foi necessário muito empenho, de várias pessoas nos dois países, para que pudéssemos ter este desfecho. Recentemente, levamos a Israel oito lideranças do Congresso Nacional. Temos tido também abertura para tratar, com o Ministério da Indústria e Comércio, sobre o incremento das relações comerciais, culturais e tecnológicas entre os dois países. O mesmo tema foi tratado em recepção que oferecemos ao novo embaixador do Brasil em Israel, Paulo Cezar Meira de Vasconcellos. Israel está próximo completar 70 anos de existência, com grandes feitos e enormes desafios. Nosso maior anseio ainda não foi atingido: viver em paz. Há duas dimensões dessa paz. A primeira, de caráter interno, que aceita a diversidade do povo judeu e estimula a convivência, harmônica, entre as diferentes “tribos” da sociedade israelense. Como disse o presidente Rivlin quando tivemos um encontro: a secular, a ultraortodoxa, a religiosa-nacionalista e os árabes israelenses. Acrescentaria também uma quinta tribo: a da Diáspora. A segunda dimensão é externa, e diz respeito à convivência com os vizinhos que ainda não firmaram acordos de paz. Israel é um pais moderno, mas que preserva suas tradições. Inovador, sem deixar de contemplar sua memória. Sobretudo, um país que pauta a construção de sua sociedade em valores e princípios, de acordo com seu “ethos” como nação, desde os tempos bíblicos. Hoje estamos em festa e celebramos a convivência e a experiência comunitária, nosso vínculo afetivo e espiritual com a terra de nossos ancestrais e o país de nossos familiares e amigos. Finalizamos essas palavras na expectativa de que possamos estar sempre dialogando com o Estado Judeu, debatendo e compartilhando nosso destino comum. Chag Haatzmaut Sameach e
Shalom!”

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman!

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