Mês: agosto 2017

 

Federação Israelita De SP Une Entidades! Shalom!!!

Maringá, 29 de Agosto de 2017 .

Jerusalém, 8 de Elul de 5777 .

 

Rabino David Weitman, Ricardo Berkiensztat e Edith Nekrycz

 

Bruno Laskowsky, presidente da Fisesp e Rabino Toive Weitman, do Memorial da Imigração Judaica.

 

A Sherit Hapleitá, Associação Cultural e Beneficente dos Sobreviventes do Nazismo, entidade dedicada, desde sua fundação, ao amparo dos sobreviventes do Holocausto e depois à divulgação das atrocidades da guerra e aos eventos comemorativos da Shoá, foi contemplada com uma boa notícia.

A entidade, que durante anos foi liderada pelo Sr. Manfred Freifeld Z’L e mais tarde pelo Sr. Ben Abraham Z´L, que muito se dedicou a essa obra, após o passamento deste último, estava em situação de estagnação.

Através do esforço e do apoio da FISESP, a Sherit Hapleitá foi repassada oficialmente ao Memorial da Imigração Judaica que já vem a um tempo se dedicando a divulgação e ao ensino do Holocausto, que dará continuidade às nobres atividades desta Associação.

Fonte: Federação Israelita de São Paulo-SP

 

Obrigado pela leitura!

 

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom !!!

 

 

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Shavua Tov Lé Kulam – Boa Semana À Todos! Shalom!!!

 

 

Maringá, 27 de Agosto de 2017 .

Jerusalém, 5 de Elul de 5777 .

 

Orações e bençãos da manhã! Excelente ! Muito bom estar conectado com o Eterno Deus Nosso Rei Nosso Pai!!!

 

 

ObS: Vídeo retirado do Yotube …

 

Obrigado pela leitura!!!

 

Pesquisa tradição & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom !!!

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Conferência Judaico – Muçulmana, Na Bósnia! ! Shalom!!!

 

 

 

 

Maringá, 24 de Agosto de 2017 .

Jerusalém, 2 de Elul de 5777 .

Shalom Lé Kulam – Paz À Todos! 

 

Uma das Cenas mais Inspiradoras de se ver! Como o Fim das Guerras e o Ódio É Possível! “

 

O Congresso Judaico Mundial enviou dois representantes brasileiros, membros do corpo diplomático da organização, para participar da Conferência Judaico Muçulmana que aconteceu em Sarajevo, na Bósnia, entre os dias 6 e 13 de agosto. O encontro, em sua oitava edição, reuniu 50 judeus e 50 muçulmanos de diferentes partes do mundo.Fabio Milman, de Brasília, disse que houve espaço para conhecer pessoas de diferentes origens e promover relacionamentos”. Fabio Szperling, de São Paulo, falou de um espaço de confiança e respeito, em que as pessoas puderam expor suas emoções, percepções e ideias, quebrando paradigmas, preconceitos e estereótipos. Somos, judeus e muçulmanos, minorias nos lugares de onde viemos, mas aqui nos reunimos em uma vibrante maioria. Sabemos que não vamos mudar o mundo, mas comprovamos que boa vontade e corações abertos possibilitam a convivência em harmonia, declarou Szperling. O presidente da Comunidade Judaica da Bósnia e Herzegovina disse que Sarajevo é o local ideal para a conferência. É uma cidade onde os judeus vivem há 450 anos, e os muçulmanos há ainda mais tempo. Em todo esse período, eles se ajudaram uns aos outros. Debatemos aqui antissemitismo e islamofobia. São dois lados da mesma moeda.

 

Obrigado pele leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom!!!

 

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Os Últimos 100 Anos Dos Judeus Na Espanha! Shalom! Peace!!!

 

Toledo Espanha…

 

Maringá, 23 de Agosto de 2017 .

Jerusalém, 1 de Elul de 5777 .

 

Os últimos 100 anos dos judeus na Espanha

No ano de 1492, os judeus da Espanha que, no decorrer dos séculos, haviam adquirido mais poder econômico e político do que qualquer outra comunidade judaica medieval, foram sumariamente expulsos do país. O Édito de 31 de março, outorgado pelos reis Fernando de Aragão e Isabel de Castela, tornara o judaísmo ilegal em seus domínios e, num prazo de quatro meses, os judeus tiveram que escolher entre o exílio ou o batismo.

Edição 91 – Abril de 2016


O Édito foi um choque. Os judeus acreditavam serem transitórias, como tantas outras, as perseguições e discriminações das quais tinham sido vítima a partir do final do século 14. Havia judeus vivendo na Península Ibérica desde a queda do Segundo Templo, e, durante os séculos, haviam sobrevivido a invasões, guerras, pogroms, ao domínio islâmico e cristão. Viveram épocas de ouro e de discriminações. Estavam convencidos de que sua proeminência em todas as esferas da vida econômica, além da presença na Corte de judeus que atuavam como administradores e conselheiros dos reis, serviriam de proteção contra a hostilidade da Igreja e do povo. Ademais, acreditavam que os Reis Católicos, nome pelo qual ficaram conhecidos Fernando de Aragão e Isabel de Castela, os protegeriam. Afinal, até 1491 e mesmo no início de 1492, depois da captura de Granada, os reis ainda nomeavam judeus para importantes postos na Corte e haviam também renovado os contratos com os judeus que arrecadavam impostos. O choque sobre a decisão dos Reis Católicos não era fruto de ilusões sem fundamento…

No entanto, a expulsão foi o desfecho de um processo lento e progressivo de mais de dois séculos. Quando a Reconquista chegou praticamente ao fim, a atitude dos monarcas em relação aos judeus se transformou. Não sendo mais necessários para administrar as terras reconquistadas, os judeus passaram a ser vistos apenas como uma vultuosa fonte de renda para a Coroa.

Não há dúvida de que no século 14 o poder da Igreja Católica crescera em demasia e, consequentemente, a situação dos judeus na Europa tornava-se cada vez mais difícil. Após a Igreja determinar que as heresias cristãs deviam ser vistas não apenas com um flagrante desafio às doutrinas católicas, mas também como um desafio à própria estrutura da Igreja Romana, e que deveriam ser eliminadas nem que fosse pela força, era inevitável a pergunta sobre o que fazer com a presença judaica na Europa.

A partir do Concílio de Latrão, em 1215, a Igreja passa a exigir dos governantes ações mais severas em relação à população judaica. No entanto, por muito tempo, as mesmas não foram acatadas pelos reis cristãos da Península Ibérica ainda dividida entre vários reinos autônomos.

A atitude benevolente dos monarcas com os judeus era guiada por interesses próprios. Em Castela e Aragão, por exemplo, o benefício que os reis obtinham através dos exorbitantes impostos pagos pelos judeus superavam qualquer inclinação, decorrente de convicções próprias ou pressões da Igreja ou do povo, de tomarem medidas mais drásticas.

Porém, quaisquer que fossem as atitudes da Coroa, entre as massas os sentimentos antijudaicos eram cada vez mais fortes. Ataques verbais e físicos contra judeus se repetiam, também, com frequência muito maior. Já estava impregnada no imaginário popular a figura do judeu como um ser maligno – a “encarnação do diabo”, ou, no mínimo, seus parceiros no mal, que “visavam a ruína” do Cristianismo. Para as massas, o judeu era o culpado por todo infortúnio e desastre.

Vale ressaltar, porém, que apesar do clima antijudaico, para os judeus a vida na Península Ibérica era melhor do que em outras partes da Europa, ainda que crescesse a conscientização de insegurança.

Não há como entender a expulsão de 1492 sem examinar os acontecimentos de 1391, de 1412 e 1413.

O primeiro desastre – o ano de 1391

O ano de 1391 foi determinante na história dos judeus na Península Ibérica. Frades franciscanos e dominicanos, apoiados pelo papado, percorriam a Península e davam sermões inflamatórios cujo intuito era a conversão dos judeus.
A instabilidade política e as pregações do Arquidiácono de Ecija, Ferrant Martinez, que vivia em Sevilha, armaram o palco para a ampla violência antijudaica que ocorreu em 1391. Agitador antissemita sem escrúpulos, Martinez iniciara, no final da década de 1370, uma violenta campanha contra os judeus. Em suas pregações, costumava “alertar” a população de Sevilha para a “iniquidade” desse povo, encorajando a violência contra seus membros.

Em 1390, Martinez aproveitou a morte do Arcebispo de Sevilha e do Rei de Castela, que deixara como herdeiro ao trono um filho menor de idade, para intensificar seus ataques. Para a maioria dos historiadores, Martinez foi o principal instigador dos pogroms que, no ano seguinte, varreram a Península. No dia 4 de junho de 1391, os judeus de Sevilha foram atacados. Os pogroms espalharam-se rapidamente de uma cidade a outra, nos reinos de Aragão e Catalunha e nas Ilhas Baleares. Massas ensandecidas impulsionadas por um grande fervor religioso avançavam sobre os bairros judaicos obrigando os judeus a optar entre a cruz e a morte. Milhares escolheram a morte, mas tantos outros aceitaram batismo, sendo poupados, sem exceção. Famosas comunidades judaicas foram destruídas, como a de Gerona, sinagogas foram tomadas e transformadas em igrejas.

Em Castela, como vimos acima, não havia um monarca forte, e a devastação foi terrível; poucas comunidades foram poupadas. Apenas nos Reinos de Navarra e Portugal, governados por reis poderosos, as comunidades judaicas ficaram em segurança.

Estimativas do total da população judaica, em 1391, variam amplamente, mas calcula-se que 300 mil judeus viviam na época em terras ibéricas. Após um ano de distúrbios, quando a ordem foi restaurada, um terço da comunidade havia sido assassinada; um terço havia sobrevivido como judeus praticantes, conseguindo se esconder ou fugir para terras muçulmanas, e cerca de 100 mil haviam-se convertido.

Após a devastação, os judeus tentaram reerguer suas comunidades. A de Aragão foi salva da total destruição, graças ao Rabi Hasdai Crescas, uma das principais autoridades rabínicas de seu tempo, que liderou o judaísmo espanhol durante um de seus períodos mais críticos. As aljamas foram reconstruídas e a normalidade restabelecida. Mas, para os judeus se reerguerem era necessário mais do que a reabilitação física nas juderías arruinadas. Os pogroms de 1391 haviam reduzido seus números, sua riqueza e seu moral.

O judaísmo espanhol conseguiu sobreviver nos Reinos Cristãos durante um século após a catástrofe de 1391, principalmente, por causa da determinação dos monarcas de Castela e Aragão em proteger as comunidades judaicas, e o reconhecimento por parte de cristãos, que viviam em pequenos centros urbanos, de que a presença de uma comunidade judaica lhes era favorável.

O segundo desastre – os anos de 1412 e 1413

Os vinte anos que se seguiram após os eventos de 1391 foram de uma relativa calmaria na intensidade da perseguição. Para a grande maioria, era um indício de que havia um futuro em terras ibéricas para os judeus. Mas muitos haviam perdido a esperança e procuraram deixar a Península estabelecendo-se em volta da bacia do Mediterrâneo. (Os governos passaram a restringir a emigração judaica – não queriam “perder” seus judeus, “apenas” convertê-los.)

A Igreja Católica, por intermédio das suas campanhas contra os judeus, colocava um número cada vez maior de obstáculos na interação entre eles e os cristãos. Queria isolar a população judaica cada vez mais, querendo “preservar” os cristãosde toda “contaminação” judaica.

Nos anos de 1412 e 1413, as comunidades judaicas de Castela e Aragão sofreram novos desastres.O primeiro ocorreu em 2 de janeiro de 1412, quando, no Reino de Castela, foi imposta, pelas Cortes de Valladolid, uma lista de restrições que passaram a regulamentar as relações entre cristãos e judeus, visando minar a economia destes últimos, suprimindo suas liberdades e reduzindo-os à condição de párias. Entre outros, os judeus foram despejados de seus bairros para separá-los dos cristãos, proibidos de coletar impostos para os governantes, que era parte significativa da origem da riqueza judaica.

 

Beleza e Encantamento de Sinagogas na Espanha, ( Fotos )…

 

Os instigadores das novas leis foram o pregador Vincent Ferrer e Pablo Garcia de Santa Maria – um apóstata judeu que Ferrer convertera e que se tornara bispo de Burgos e Castela. Em decorrência da união de Castela e Leon sob um monarca, embora os reinos permanecessem separados, as leis de Valladolid eram válidas tanto em Castela quanto em Leon. Também em Aragão, Fernando I procurou estabelecer ordenações parecidas com as castelhanas contra os judeus. As novas restrições foram um grande golpe para os judeus ainda que continuassem a ser ignoradas pelas classes governantes pelo tempo que lhes conviesse. Na mesma época, com a aproximação entre o Antipapa Benedito XIII – reconhecido como Papa na Espanha, e Fernando I de Aragão, surgiu uma aliança política entre a Igreja e a Coroa contra os judeus. A “guerra contra os judeus” tornou-se uma política oficial desses dois poderes.

Em 1412, Benedito XIII, com o apoio de Fernando I, ordenou que as comunidades de Aragão e Catalunha enviassem delegados para Tortosa, para que fossem debatidas em sua presença as alegações de Gerónimo de Santa Fé, um apostata judeu de nome Joshua Lorki, que dizia poder provar em fontes judaicas a autenticidade do messianismo de Jesus.

 

Carta Emitida Por Reis Católicos !

 

A Disputa de Tortosa, que teve início em 1413 e durou 20 meses, foi a mais longa e importante das disputas cristãs-judaicas impostas aos judeus durante a Idade Média. Essa Disputa de Tortosa, dirigida por Benedito XIII, adquire maior relevância não apenas pelo tempo que durou, mas também pelo número de autoridades eclesiásticas envolvidas: compareceram mais de 60 cardeais, bispos e outras personalidades religiosas e laicas. As fontes judaicas mencionam cerca de 20 participantes do lado judeu, sendo suas personalidades mais proeminentes os Rabis Zerahiah ha-Levi, Astruc ha-Levi, Joseph Albo e Mattathias ha-Yizhari.

A disputa não foi um debate, mas uma exibição pública, e o método utilizado não privilegiou a discussão, mas a instrução. Os judeus tinham que apenas responder aos questionamentos de Jerônimo de Santa Fé, sendo-lhes proibida a oportunidade de réplica. A disputa foi um ataque verbal cristão contra os judeus, acompanhado de pressão psicológica – a ponto de intimidação e ameaças, a fim de obrigá-los a aceitar os argumentos de seus adversários. Como afirmara Benedito XIII na abertura da disputa: “Eu não vos fiz vir aqui para provar qual de nossas religiões é a verdadeira, pois para mim é perfeitamente claro que a minha é verdadeira e que a vossa está ultrapassada”. Para os cristãos era indispensável que os judeus reconhecessem falhas na própria interpretação do Talmud, no que diz respeito ao Messias.

Os motivos que levaram a instituir a disputa são vários. As autoridades eclesiásticas queriam desmoralizar o Judaísmo, em um grande espetáculo público, e despertar o entusiasmo popular pelo Cristianismo como única religião válida, e então efetuar uma conversão em massa dos judeus.

Quanto ao desfecho da Disputa em Tortosa, historiadores concordam que a derrota judaica não foi plena. Mesmo diante das dificuldades e da grande pressão que sofreram, os judeus se comportaram com coragem, fazendo uso de argumentos dignos e sensatos. A contestação judaica aos argumentos cristãos produziu as melhores respostas oferecidas dentre todas as disputas judaico-cristãs na Idade Média.

Para a população judaica, as consequências foram bastante negativas. Enquanto os rabinos eram obrigados a enfrentar as alegações cristãs em Tortosa, os frades andavam pelas comunidades judaicas desprovidas de líderes, e, como consequência, muitos se desesperaram e se converteram. No entanto, a intenção de Benedito XIII, em tornar o Cristianismo um símbolo de identificação para todos os habitantes da Península Ibérica não se realizou.

A onda de antissemitismo, resultante da disputa em Tortosa acabou perdendo força. Quando Afonso V de Aragão assumiu o poder, tanto ele quanto João II de Castela e Leon, estavam mais interessados em assuntos seculares do que em fanatismo religioso. Ambos queriam a sobrevivência das comunidades judaicas para beneficiar seus reinos. Entre 1419 e 1422, João II, Afonso V e o Papa Martin V aboliram todos os éditos antijudaicos desde 1391, juntamente com algumas das restrições socioeconômicas. Outras restrições caíram em desuso. Algumas sinagogas e o uso do Talmud foram restituídos aos judeus.

No reino de Castela-Leon, onde viviam a maioria dos judeus espanhóis, sua população judaica conseguiu uma recuperação melhor. Ainda restavam comunidades nas principais cidades (Sevilha, Toledo, Burgos), mas os judeus estavam, então, mais dispersos por várias cidades menores.

No entanto, prejuízos irreparáveis tinham sido feito às comunidades, pelos eventos de 1391, 1412 e 1413 não tinham volta. O judaísmo espanhol jamais voltaria à condição que desfrutava antes de 1391. Mas, apesar de todas as depredações, ainda restavam vários judeus de posses nas grandes cidades, com conexões na Corte e no governo, que atuavam como líderes comunitários. Contudo, eles já não gozavam do semi-monopólio das profissões intelectuais, e os cargos que antes possuíam, agora tinham que dividir com cristãos e conversos – sendo que havia agora muitos milhares destes últimos.

Os conversos

A enchente de conversos do Judaísmo resultante da violência e insistente pressão exercida sobre os judeus, durante décadas, foi um verdadeiro desastre para as comunidades judaicas, e um aparente triunfo para a Igreja. Mas para o Cristianismo, foi um cálice de veneno.

Estima-se que até meados de 1415 outros 50 mil judeus se converteram, juntando-se aos 100 mil que já o haviam feito durante os pogroms de 1391.
Como resultado dessas conversões, a população judaica ficou dividida em três grupos: os que haviam permanecido judeus, os que se haviam convertido e viviam como cristãos; e os criptojudeus, que repudiavam os batismos forçados e, no segredo de seus lares, permaneciam judeus. Segundo a lei judaica, os conversos ainda eram judeus, pois as conversões forçadas não têm validade, já que um homem só pode ser responsabilizado pelas atitudes que toma por livre e espontânea vontade.

Precisa ser ressaltado que nem todos os cristãos-novos, como eram também chamados, haviam sido forçados a se converter. Alguns o haviam feito por livre vontade por acreditar na fé cristã, outros por quererem fugir da legislação discriminatória de humilhações às quais os judeus estavam submetidos e poder, assim, alcançar ambições profissionais ou comerciais. Alguns dos cristãos-novos demonstravam grande zelo por sua nova religião, e, voltando-se contra seus irmãos, foram veículo de grande sofrimento.

É difícil para os historiadores estimar o número de conversos que eram criptojudeus. O criptojudaísmo foge ao olho do historiador e escapa de todos os registros escritos. Sabemos, porém, que os conversos mantinham estreitos laços familiares e comerciais, e se casavam apenas entre si. Havia os que, no maior sigilo, frequentavam sinagogas, evitavam alimentos proibidos, jejuavam, mantinham as festas e guardavam, na medida do possível, o Shabat.

Apesar de todas as promessas da Igreja, para os novos cristãos durou pouco a ilusão de viver em paz. Logo descobriram que não podiam fugir ao antagonismo antissemita da população, que os via com uma hostilidade ainda maior do que a que existia em relação aos judeus, e se referia a eles de forma pejorativa. Chamavam-nos de marranos (porcos).

Os conversos e suas famílias tendiam a estar entre as pessoas mais cultas dos Reinos Cristãos e, apesar do preconceito que as cercava, muitas famílias de conversos prosperaram, tornando-se das mais ricas. Ao aceitar o batismo, os recém-convertidos não estavam mais sujeitos às leis que restringiam a vida dos judeus. Nos anos seguintes, vários deles galgariam posições de destaque na administração real, na burocracia civil e até mesmo na Igreja, chegando a casar seus filhos com membro da nobreza.

A rápida ascensão dos conversos provocava inveja e ressentimento, exacerbando o antagonismo cristão. Os conversos acabaram por se transformar em um problema social além de religioso. A judeufobia, o antijudaísmo religioso das massas, fundiu-se com um novo tipo de antissemitismo – o racial. Depois de 1391, o conceito de limpieza de la sangre (pureza de sangue) tornou-se incorporado na vida espanhola nos séculos seguintes. Para um cristão provar sua “pureza de sangue” devia provar que não havia nenhum judeu em sua linhagem. A política de limpieza de la sangre será adotada primeiramente, em 1449, em Toledo, onde um conflito anti-conversos conseguiu bani-los e a seus descendentes da maioria dos cargos oficiais. O objetivo do estatuto de exclusão foi impedir uma maior inserção de cristãos-novos na vida econômica e social, pois essa mistura contrariava os interesses dos cristãos-velhos.

A crescente hostilidade dos cristãos-velhos e o conceito de “limpeza do sangue” – que levaram a um isolamento dos cristãos-novos, foram fatores que levaram um grande número de conversos, assim como seus filhos e netos – nascidos nominalmente no seio do Cristianismo – a traçar o caminho de volta às suas raízes.

Ao longo do século 15 a questão dos conversos começou a preocupar os governantes e a Igreja. Num primeiro momento, as conversões em massa de judeus haviam sido vistas pelas autoridades eclesiásticas como uma vitória do Cristianismo. Elas partiam do pressuposto que, com o passar do tempo, mesmo os que haviam sido convertidos à força se tornariam cristãos sinceros. Mas, no decorrer do século, a Igreja passou a ver o grande contingente de cristãos-novos como um “um perigo oculto”, passando a querer eliminar todos aqueles cuja lealdade a seu credo não fosse confiável.

Como vimos acima, os primeiros motins contra conversos irromperam em Toledo. Em junho de 1449, os que viviam na Ciudad Real, no Reino de Castela, reagiram após terem sido atacados por cristãos-velhos, tendo a luta durado 15 dias. Os ataques se repetiram em 1464, 1467 e 1474, sendo que esse último pogrom foi particularmente grave. A intranquilidade popular causada pela hostilidade dos cristãos-velhos contra os conversos preocupava cada vez mais os governantes.

O ideólogo do antissemitismo que se abateu contra judeus e conversos espanhóis foi um franciscano, frei Alonso de Espinao superior da Casa de Estudos de Salamanca, que os odiava igualmente e defendia a completa extirpação do judaísmo da Espanha por expulsão ou extermínio. Em seu devido tempo, todas as sugestões de frei Alonso foram adotadas pelos governantes ibéricos.

Os Reis Católicos e a Inquisição

A história dos judeus na Espanha vai dar sua guinada final em outubro de 1469, quando Isabel de Castela se casa com o príncipe Fernando de Aragão. Em 1474, Isabel ascendeu ao trono de Castela e, cinco anos depois, Fernando se tornou rei de Aragão. De 1479 em diante eles governaram o que era, de fato, um único reino unificado. Isabel e Fernando gradualmente restauraram a ordem e impuseram sua autoridade sobre toda a Espanha. Num primeiro momento, os reis não eram hostis aos judeus, pelo contrário.

Havia inúmeros judeus e conversos que foram nomeados para ocupar cargos importantes na administração do Reino. Entre outros, havia duas figuras de destaque: Rabi Isaac ben Judah Abravanel – que se refugiou em Castela após a morte do rei D. Afonso V, rei de Portugal, e Don Abraham Senior, de Segóvia, Rabino Chefe da comunidade judaica e Coletor-Chefe de impostos reais, em Castela. Os dois eram encarregados de administrar as receitas e fornecer abastecimentos ao exército real. Outros estadistas cristãos-novos prestavam serviços à Coroa e dentro da casa real, Isabel conseguiu conceber o Príncipe Juan devido ao tratamento médico que recebeu de seu médico judeu, Lorenzo Badoc. Havia também administradores e intelectuais judeus também na corte de Aragão e a serviço de vários nobres e clérigos.

Ademais, em várias ocasiões, Fernando e Isabel intervieram pessoalmente para impedir distúrbios antijudaicos e punir os que haviam fomentado a violência. Para conter os excessos dos nobres e das autoridades municipais em sua tentativa de restringir os direitos dos judeus, Fernando havia deixado claro que não deviam ser prejudicados. Em 1477, ao defender os judeus de Trujillo, Isabel declarou, “Todos os judeus do meu reino são meus e estão sob minha proteção, e cabe a mim defender e protegê-los, e manter seus direitos”. São inúmeras as provas de que, até a véspera da expulsão, os governantes de Aragão e Castela consideravam os judeus como súditos leais e merecedores de proteção. A confiança judaica em seu apoio não se baseava, de fato, como alguns estudiosos alegam, em ilusões fantasiosas.

Mas, Fernando e Isabel eram antes de mais nada monarcas católicos e levavam a sério suas responsabilidades religiosas em relação à Igreja. Não foi apenas por razões políticas que eles receberam do Papa Alexander VI o título de los Reyes Católicos.

Os constantes relatórios sobre as alegadas atividades judaizantes realizadas por conversos alarmavam os Reis, principalmente Isabel. E, uma vez consolidada sua posição política, os Reis Católicos decidiram agir para resolver a questão dos conversos, de acordo com as diretrizes propostas pelos mais extremos fanáticos católicos: extirpar a “heresia” dos conversos e tomar severas medidas contra os judeus para impedi-los de influenciar a população cristã.

Em 1447, Isabel e Fernando foram convencidos pelo prior dominicano de Sevilha, Alonso de Hojeda, de estabelecer a Inquisição em suas terras. O dominicano alegava de que os conversos se reuniam secretamente para praticar seus “ritos antigos”, e essa ameaça só poderia ser adequadamente combatida se fosse instalado na Espanha um Tribunal da Inquisição, sob controle real. Ao contrário dos antigos Tribunais do Santo instituídos no século 13, a Inquisição espanhola não seria um instrumento do Papado. Prestaria contas diretamente a Fernando e Isabel. Como nos domínios dos monarcas espanhóis a Igreja e o Estado atuavam em conjunto, a Inquisição espanhola funcionaria como um instrumento da Igreja, mas também de política real.

Em novembro de 1478, uma Bula do Papa Sisto IV autorizou a criação de uma Inquisição única na Espanha. Concedeu aos monarcas espanhóis o inédito direito de nomear e demitir os inquisidores. Em setembro de 1480, dois dominicanos foram nomeados inquisidores.

O primeiro auto-de-fé se realizou em fevereiro de 1481, e seis conversos foram queimados vivos na estaca. Só em Sevilha, no início de novembro, as chamas ganharam mais 288 vítimas, enquanto 79 foram condenadas à prisão perpétua. Segundo os registros, entre 1481 e 1488, houve 750 autos-de-fé apenas em Sevilha. A Inquisição tomou nova dimensão quando Torquemada foi nomeado Inquisidor Geral. Todos os tribunais da Inquisição, em toda a Espanha cristã, achavam-se sob sua jurisdição. Nos quinze anos seguintes, até sua morte em 1498, ele teve um poder que rivalizava com o dos Reis Católicos. Sob Torquemada, o trabalho da Inquisição prosseguiu com renovada e diabólica energia. Na década seguinte, a Inquisição se ramificou, cobrindo quase todo o país em fins do século. Talvez uns 30 mil conversos tenham sido queimados vivos em todo o reino. Milhares de pessoas ficaram aleijadas ou enlouqueceram por causas das torturas, arruinadas porque seus bens haviam sido confiscados. Desde o momento de sua instalação, a Inquisição cobiçava a riqueza dos conversos e dos judeus. Nada podia deter as atrocidades, cuja relação ocuparia centenas de milhares de páginas. A certa altura, os dignitários de Barcelona escreveram ao Rei Fernando: “Estamos todos arrasados com as notícias que recebemos das execuções e atos que dizem estar tendo lugar em Castela”. Em Castela, havia protestos contra o renascimento de uma instituição bárbara, criada originalmente em um clima mais primitivo espiritual. Mas os críticos foram silenciados.

Desde o início, a Inquisição espanhola moveu-se com brutalidade em seu uso de confissões secretas extorquidas sob tortura, que era considerada “a melhor maneira de capturar o maior número de judeus secretos”. Em sua metodologia e técnicas de intimidação e tortura, não difere da Inquisição Papal, mas foi certamente na Espanha que atingiu novas dimensões de intolerância, cinismo, perversidade e terror. Todo tipo de tortura que a depravada imaginação dos inquisidores idealizava acabava sendo sancionado. Há registros de que um inquisidor falou aos colegas: “Devemos lembrar que o objetivo principal do julgamento e execução não é salvar a alma do acusado, mas alcançar o bem público e impor medo aos demais”.

O Édito de Expulsão de 1492

O ódio da Inquisição não era apenas em relação aos conversos. Era maior o ódio aos judeus praticantes, porque, em teoria, ficavam fora de sua jurisdição legal oficial. Os inquisidores eram autorizados a tratar de hereges, isto é, cristãos que se haviamdesviado da ortodoxia da fé cristã, ou seja, cristãos-novos acusados de judaizar, e, supostamente, não tinham poder sobre membros de outras religiões. Mas, como a Inquisição considerava o judaísmo um inimigo mortal da fé cristã, encontrava meios de implicar, arrastar e destruir os judeus praticantes. A verdade é que todos os que ocuparam cargos importantes no Tribunal do Santo Ofício tinham como objetivo se livrar dos judeus e, no final, conseguiram destruir o judaísmo na Espanha.

Para conseguir seu objetivo final a Inquisição foi em frente em um crescendo de histeria, paranoia e terror. Ironicamente, o horror dessa primeira década, fez com que um número ainda maior de conversos voltassem a procurar suas raízes judaicas. A religião e a tradição, que eram vistas como crime pelos cristãos, novamente se tornaram fonte de honra e orgulho. De fato, os judeus cada vez mais queriam se arriscar mesmo à fogueira do auto-de-fé de modo a permanecerem fieis ao D’us de Israel.

A Inquisição embarcou em sua própria e constante propaganda antissemita, usando técnicas que iriam ser adotadas cerca de quatro séculos e meio mais tarde, na Alemanha nazista, por Josef Goebbels. Reiteravam-se e repetiam-se acusações revoltantes, com o conhecimento de que acabariam por ser aceitas, pois “uma mentira muitas vezes repetida se torna uma verdade”. Utilizando-se do antissemitismo que ela própria dera um jeito de provocar na população, a Inquisição pediu à Coroa medidas apropriadas. A proposta de expulsar todos os judeus da Espanha veio diretamente da Inquisição.

O Rei Fernando reconheceu que a perseguição dos judeus e conversos teria inevitavelmente repercussões econômicas adversas para o país. Nem ele nem a Rainha Isabel, porém, puderam resistir à combinada pressão da Inquisição e do sentimento popular. Numa carta a seus mais influentes nobres e cortesãos, o Rei escreveu: “O Santo Ofício da Inquisição, vendo que alguns cristãos são postos em perigo pelo contato e comunicação com os judeus, estipulou que eles sejam expulsos de todos os nossos reinos e territórios, e convenceu-nos a dar nosso apoio e concordância a isso… fazemo-lo com grande dano para nós, buscando e preferindo a salvação de nossas almas acima do nosso proveito…”.

Em janeiro de 1483, para apaziguar a Inquisição na Andaluzia, os monarcas anunciaram que todos os judeus da região deveriam ser expulsos. Em maio de 1486, todos os judeus foram enxotados de grandes partes de Aragão. Mas a expulsão geral teve de ser adiada porque a Coroa precisava do dinheiro, expertise e outras formas de apoio dos judeus e conversos para a campanha em andamento contra os muçulmanos do Reino de Granada.

Em 1478, a batalha com o Reino de Granada foi retomada e, na década seguinte, Castela perseguiu, incessantemente, a ofensiva contra o último reino muçulmano na Península Ibérica.

Torquemada aceitou o adiamento pela Coroa da expulsão de todos os judeus da Espanha até que o Reino muçulmano de Granada fosse final e definitivamente conquistado. Mas, nesse meio tempo, passou a preparar o terreno.

Assim surgiu uma acusação de libelo de sangue, conhecida como El Niño de la Guardia. Um converso, Benito Garcia, foi levado perante a Inquisição e acusado de participar da crucificação de uma criança cristã na véspera de Pessach. Submetido à tortura, ele “confessou” o nome de vários conversos e judeus supostamente envolvidos num complô para derrubar o Cristianismo, a Inquisição e matar todos os cristãos. Ainda que nenhuma criança estivesse desaparecida em La Guardia, nem houvesse fundamento na patológica acusação de assassinato ritual, os judeus, uma vez mais, se viram vítimas dessa calúnia medieval. Torquemada indicou uma comissão especial investigadora que, como se previa, “julgou culpados” os acusados. Em novembro de 1491, duas semanas antes da queda de Granada, cinco judeus e seis conversos foram mandados para a fogueira em Ávila.

O intuito de Torquemada era atiçar ainda mais o povo contra os judeus e conversos, e assim preparar os ânimos para o decreto de expulsão, que seria divulgado apenas três meses após o veredicto.

Em 2 de janeiro de 1492, quando o estandarte espanhol foi alçado na torre de Alhambra, palácio-fortaleza em Granada, a sorte dos judeus estava selada. Logo após a queda de Granada, começaram a circular rumores na corte de que um decreto de expulsão para todos os judeus estava para ser decretado. As datas específicas para a formulação, promulgação e anúncio público do decreto continuam alvo de discussão, mas provavelmente foram assinados em fim de janeiro e promulgados no final de março.

Nesse ínterim, Rabi Abrabanel e Rabi Seneor tentaram influenciar os Reis Católicos a revogar o decreto. Na introdução a seu comentário sobre os Profetas, Rabi Abrabanel recorda ter-se reunido três vezes com o Rei, implorando, incessantemente, mas em vão, por seu povo. Apesar de necessitar do apoio dos poderosos cortesãos judeus e conversos, Fernando manteve-se firme, enquanto Isabel o estimulava a manter sua decisão de remover todos os judeus da Espanha.

Rabi Abrabanel é bastante sucinto em sua descrição de seu dramático encontro com o casal real, mas Rabi Moshé Capsali, Rabino Chefe de Istambul no século 15, e cronistas que se basearam nos relatos de Capsali, revelam detalhes da última defesa dos Mestres sefaraditas: “Naquele dia, Don Isaac Abravanel recebeu permissão para falar e defender seu povo. E lá se pôs, como um leão, em sabedoria e força, e, na mais eloquente linguagem, dirigiu-se ao Rei e à Rainha. Don Abram Seneor, também, dirigiu-se aos monarcas, mas vendo que era em vão, eles acabaram concordando em não seguir adiante com o assunto…”.

Apesar de assinado em 31 de março, o Édito da Expulsão foi promulgado somente entre 29 de abril e 1º de maio. A razão dada no documento para a expulsão foi evitar que os judeus infligissem mais injúrias à religião cristã. O Édito enumera, em um estilo que denota ter sido redigido pelos inquisidores, os passos tomados durante os 12 anos anteriores para “evitar que os judeus influenciassem os conversos e para purificar a fé cristã”. Os judeus estavam estarrecidos; eles teriam apenas quatro meses de tempo para deixar a Espanha, onde seus ancestrais tinham vivido durante milênios. Ademais teriam que deixar bens e propriedades e lhes foi proibido levarem consigo ouro, prata ou pedras preciosas. As sinagogas (algumas das quais foram convertidas em igrejas), cemitérios e a propriedade das aljamas foram confiscadas. A pedido dos judeus, a data fatídica de 31 de julho foi adiada para 2 de agosto por causa de Tishá B’av.

Imediatamente após ter sido publicado o Édito, o clero começou uma ampla campanha de conversão. Houve um número significativo de judeus que claramente não tinham condições de enfrentar o exílio e se batizaram. Entre esses, dois dos mais importantes membros da comunidade judaica espanhola, Don Abraham Seneor e seu genro, Rabi Meir Melamed, que foram batizados em uma grande cerimônia, em junho de 1492. Ambos eram favoritos da Rainha Isabel e é possível que eles ou suas famílias tenham sido ameaçados, até se submeterem. Outro líder da comunidade, Rabi Don Isaac Abravanel, recusou-se a se converter e optou pelo exílio, mas teve que renunciar a seus direitos de restituição das grandes somas que emprestara ao governo.

O número de judeus que se converteram para evitar o exílio e aqueles que partiram é puramente especulativo. Entre os que partiram, a grande maioria foi para Portugal. O número destes últimos é estimado entre 100 mil e 120 mil. É possível que mais uns 50 mil tenham-se exilado em vários outros destinos partindo direto da Espanha em 1492, para as terras mediterrâneas, alguns para a África Ocidental, poucos para a Holanda.

A História dos judeus na Península Ibérica chegara ao fim. Uma comunidade judaica famosa, tanto por sua sabedoria e conhecimentos quanto por sua importância econômica e política foi abrupta e cruelmente desarraigada. Mas, sua extraordinária civilização não desapareceu, pois, os judeus expulsos levaram seus conhecimentos, sua sabedoria e tradições para outras terras. Mas isto é um outro capítulo da História dos Judeus Sefaraditas…

BIBLIOGRAFIA:
Cohen, Malcolm, A Short History of the Jews in Spain, eBook Kindle 
Gerber, Jane S., The Jews of Spain, eBook Kindle
Lowney, Christopher, A Vanished World: Medieval Spain’s Golden Age of Enlightenment, eBook Kindl

Fonte e Agradecimento Especial Revista Morashá de Cultura, www.morasha.com.br

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom !!!

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Mobilidade Urbana!!! 28 minutos entre Jerusalém a Tel Aviv !!!

 

Maringá, 22 de Agosto de 2017 .

Jerusalém, 30 de Av de 5777 .

 

Israel, sai na frente no quesito mobilidade Urbana! E traz aos moradores mais uma facilidade e avanço urbanístico!

Esse importante passo irá contribuir em vários setores estreitando os laços entre essas principais cidades e o Turismo irá se beneficiar grandemente!!! Mazal tov ! Parabéns ! Israel!!!

 

28  minutos no final. Foi o tempo que levou para um trem sem passageiros para fazer a viagem de Tel Aviv a Jerusalém no domingo na primeira corrida de testes da nova ligação ferroviária de alta velocidade que liga duas das principais cidades de Israel.

Uma nação de passageiros ficará encantada com a notícia do teste bem-sucedido. A rota, que será inaugurada em abril de 2018, reduzirá significativamente o tempo atualmente exigido para viajar de Tel Aviv para Jerusalém central por estrada.

A ferrovia de alta velocidade está em construção desde 2001 e complementará o caminho-de-ferro mais lento e existente de Tel Aviv – seu ponto de partida original foi nos arredores de Jaffa – a Jerusalém. Os trens que viajam na estrada de ferro construída otomano do século XIX, que serpenteiam entre colinas pitorescas, levam aproximadamente 80 minutos para chegarem ao destino final na estação ferroviária Malha de Jerusalém. Muitos passageiros optam por viajar de carro ou ônibus.

Elogiando o teste, o ministro dos Transportes, Israel Katz, disse no domingo: “O trem de alta velocidade … assegurará o status de Jerusalém e a capacidade de as pessoas viverem lá e abrir negócios. Isso mudará completamente a relação entre Jerusalém e o resto do país “.

Obrigado pela leitura!!!

 

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom !!!

 

 

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Shavua Tov! Boa semana à todos! Shalom!!!

 

Maringá, 21 de Agosto de 2017.

Jerusalém, 29 de Av de 5777 .

 

 

Os ensinamentos do kabbalah center!!!

Tirando todos os seus bens materiais, seu dinheiro, seu estudo e suas realizações, o que resta é o que você é. Pense nisso hoje. O que você é, em essência?

2) Quando você deseja alguma coisa, o universo lhe ajuda a chegar lá, sem selecionar pensamentos positivos ou negativos. Por isso, cuidado com o que você deseja.
3) Não devemos nos satisfazer com o bem que fazemos dentro da nossa natureza, devemos nos motivar a fazer aquilo que está além da nossa natureza.
4) Muitas pessoas ficam atoladas na escuridão. Mas há também os que ficam atolados na Luz. Ficamos contentes por estar em um “bom lugar” e não nos esforçamos para seguir em frente. É preciso subir sempre.
5) Estamos nesta vida para crescer constantemente, e nossa meta deve ser deixar este mundo sendo uma pessoa melhor do que a que entrou.
6) Achamos que as metas que definimos são o objetivo, mas o verdadeiro objetivo é o processo e a transformação pela qual passamos.
7) Concentre-se totalmente em ver suas situações negativas como oportunidades positivas. E deixe que pensamentos positivos dominem sua mente.
8) Hoje, pondere suas palavras antes de permitir que elas saiam da sua boca. Cinco segundos de reatividade podem destruir uma amizade de dez anos.
9) Não leve tudo para o lado pessoal. Você não é o centro de tudo que acontece. Quanto mais você conseguir domar sua forma de pensar egocêntrica mais feliz você será.
10) Seja paciente consigo mesmo se você não estiver onde gostaria de estar. Lembre-se: há um processo.
Confira 10 “ensinamentos” do Kabbalah Center (frequentado por Madonna) que fizeram dessa filosofia uma das mais procuradas do momento.
Agradecimento especial!!! Kabbalah Center, Desde 1974 ensinando de uma forma democrática os leigos e interessados!
Obrigado pela leitura!
Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom!!!
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Presença Judaica Na Escócia! Shabat Shalom!!!

Interior da sinagoga de Garnethill, Glasgow .

 

 

Maringá, 18 de Agosto de 2017 .

Jerusalém, 26 de Av de 5777 .

 

 

Vida judaica na Escócia

Há referências históricas da presença judaica na Escócia no final do século 17, mas a primeira comunidade foi criada em Edimburgo, em 1816, e a segunda, em Glasgow, sete anos mais tarde. A população judaica foi crescendo no século 19 com a chegada de judeus vindos da Europa do Leste. Em meados do século 20, viviam no país cerca de 20 mil de nossos irmãos, mas hoje são cerca de seis mil.

 

País de deslumbrantes paisagens, a Escócia cobre o terço norte da ilha da Grã-Bretanha e, desde o início do século 18, quando se uniu com a Inglaterra, é um dos países do Reino Unido1. A Escócia faz fronteira ao sul com a Inglaterra e o Oceano Atlântico, ao leste com o Mar do Norte e a sudeste com o Canal do Norte e o Mar da Irlanda.

Em termos numéricos, a presença judaica jamais foi significativa, sempre representando menos de 1% da população, mas seus membros contribuíram amplamente para o desenvolvimento econômico da nação. Em uma sociedade em que não havia barreiras legais, eles deram significativa contribuição em todos os campos, produzindo cientistas e doutores, juízes e membros do Parlamento, ministros do Governo, artistas, escritores e músicos famosos e campeões nos esportes e destiladores de whisky.

Os judeus se tornaram a maior minoria não cristã a viver na Escócia, “um clã judaico” entre os muitos clãs que compõem a sociedade tradicional escocesa. Em março de 2008 foi desenhado um tartan – um padrão de trama xadrez – especial para o “clã judaico”, encomendado pelo rabino do Chabad de Glasgow, e certificado pela Autoridade de Tartans da Escócia. Na Escócia, os membros dos diferentes clãs são reconhecidos pela padronagem de xadrez geralmente utilizada na confecção dos kilts. Cada clã tem seu próprio conjunto de cores e uma trama diferente. As cores do xadrez do “clã judaico” são azul, branco, prateado, vermelho e dourado. De acordo com o rabino: “Os azuis e brancos representam as cores das bandeiras da Escócia e de Israel; a linha central dourada representa o ouro do Tabernáculo, a Arca da Aliança; o prateado, a decoração que enfeita os Rolos da Lei e o vermelho representa o tradicional vinho do Kidush”.

 

 

O Reino da Escócia

A Escócia é uma nação cuja história é tão fascinante quanto violenta. Os primeiros registros remontam à ocupação do Sul e do Centro da ilha da Grã-Bretanha pelo Império Romano. O território que equivale atualmente à Inglaterra e ao País de Gales passou a ser a província romana da Britânia, no século 1, mas os romanos não conseguiram dominar o norte da ilha, habitado pelos pictos, e no século 5 deixaram a região.

Segundo a tradição, o Reino da Escócia foi fundado em 843 com a união das tribos dos pictos e dos escotos, e, nos séculos seguintes, os escoceses lutaram ferozmente contra quem quer que fosse – vikings, anglo-saxões e ingleses – para manter sua independência.

O que se sabe sobre a presença judaica na Escócia no período que vai da Antiguidade e até o final da Idade Media são suposições históricas, pois são escassas as evidências concretas. É provável que os judeus se aventurassem na Britânia na época em que Roma dominava a região, pois eles costumavam se deslocar para comercializar em praticamente toda a extensão do Império.

E, durante a Idade Média, sabe-se que mantinham interesses comerciais na região sem, porém, lá se estabelecer. Na época, o comércio entre a Escócia e a Europa Continental era intenso, e mercadores de Aberdeen e Dundee mantinham fortes vínculos com os portos bálticos na Polônia e Lituânia. É, portanto, provável que comerciantes judeus tenham ido à Escócia para fazer negócios.

Os judeus são mencionados, em 1180, numa regulamentação oficial do bispo de Glasgow que proibia os cristãos de “contabilizar os benefícios auferidos com dinheiro tomado emprestado aos judeus”. Há dúvidas se esta determinação oficial se refere a judeus que viviam na Inglaterra e emprestavam dinheiro aos escoceses, ou se foi promulgada após a chegada em Glasgow de judeus em fuga face aos distúrbios antissemitas que estavam ocorrendo na Inglaterra. No século 13, os judeus ingleses enfrentavam perseguições por parte da Coroa que culminaram com o Édito de Expulsão de 1290, outorgado pelo rei Eduardo I. É provável que alguns se tenham refugiado na Escócia, na época um reino independente e inimigo dos ingleses.

Praticamente quatro séculos vão-se passar sem que haja evidências da presença judaica na Escócia.

A Escócia nos  século 17 e 18

A história da Escócia deu uma guinada no século 17. Em 1603, o rei da Escócia, James VI, torna-se também rei da Inglaterra, com o nome de James I, e passa a governar as duas Coroas embora as nações permaneçam independentes.

Ainda no século 17 acontecimentos econômicos e políticos mudam o curso da história mundial e pavimentam o surgimento do mundo moderno. Na Europa, Estados Nacionais entram numa acirrada competição econômica, política e colonial. As nações ibéricas perdem sua hegemonia e a França surge como nação dominante, mas, no final do século, a Holanda e a Inglaterra passam a rivalizar seu poder. Ademais, na Inglaterra estavam ocorrendo profundas mudanças agrícolas e comerciais  que abriram o caminho para a Revolução Industrial da qual o país foi pioneiro.

No início do século 18, a Escócia era um dos países mais atrasados e pobres da Europa Ocidental.  Suas classes dirigentes estavam cientes de que não haveria o desenvolvimento econômico sem a participação da Escócia no comércio internacional.  Além de não ter domínios coloniais, o país tampouco possuía uma Marinha capaz de  dar assistência a seus navios mercantes. Essas considerações  os levaram a aceitar, apesar de a medida ser altamente impopular, uma união política com a Inglaterra. A união trazia vantagens para os dois lados. Dava aos ingleses o tão almejado controle político da Escócia e abria aos escoceses o comércio em todas as regiões sob influência inglesa.

A União foi oficializada em 1707. Os reinos da Inglaterra e Escócia deixaram de ser independentes, sendo criado um novo Estado: o “Reino da Grã-Bretanha”. A Escócia manteve a religião presbiteriana, não adotando a anglicana, e um sistema jurídico independente.

Para os judeus, isso significava que quem fosse se estabelecer na Escócia estaria sujeito às leis que regiam a vida judaica na Inglaterra.  Em 1656, os judeus haviam recebido a permissão de voltar a viver na Inglaterra, porém seu status civil e jurídico se manteve informal e ambíguo até 1664, quando novas leis foram criadas para limitar o acesso à vida pública a qualquer cidadão, judeu ou cristão, que não fosse protestante.

Durante todo o século 18 a Escócia floresce, tornando-se uma das potências econômicas e intelectuais da Europa. A industrialização, principalmente do setor têxtil, o comércio de tabaco, açúcar e algodão, a mineração e a construção naval levaram o país a um rápido crescimento econômico e à urbanização. Glasgow tornou-se um dos polos industriais mais importantes do mundo. Em 1740 viviam na cidade cerca de 20 mil habitantes; 60 anos depois, eram mais de 84 mil.

Os primeiros judeus

Apenas no final do século 17 um pequeno número de judeus se estabeleceu em Edimburgo. Em 1691, as minutas do Conselho Municipal da cidade registraram o pedido do judeu David Brown para lá se estabelecer e comerciar.

Havia também um pequeno número de estudantes e professores que gravitavam em torno da Universidade de Edimburgo, atraídos por sua reputação nas áreas científicas e médicas. E, diferentemente do que acontecia nas universidades na Inglaterra e em outros países da Europa, na Escócia os estudantes não eram obrigados a fazer um juramento religioso (cristão). Durante todo o século 18,19 e 20 a Escócia abrigou estudantes judeus de medicina.

Mas, é no século 19 que realmente aumenta o número de judeus que se estabelecem na Escócia. As primeiras levas vieram da Alemanha e da Holanda e, a partir de 1860, da Rússia, Lituânia e Polônia, crescendo ainda mais na década de 1890, à medida que as perseguições na Europa Oriental tornavam a vida judaica cada vez mais sofrida e precária. O fluxo migratório continuou ao longo do século 20, principalmente após 1914.

As empresas escocesas de navegação atuavam cada vez mais no lucrativo transporte de imigrantes judeus e não judeus da Europa, através da Escócia, rumo à América. Para os milhares de judeus que chegavam aos portos de Leith, perto de Edimburgo, e Dundee, na costa leste, a Escócia era apenas uma escala. As condições de viagem não eram fáceis e muitos chegavam fracos e doentes. Muitos tiveram que ficar no país, pois não tinham condições de seguir viagem, ou de atender os requisitos de saúde exigidos na entrada aos Estados Unidos pelas autoridades norte-americanas. Havia os que, sem recursos suficientes para pagar uma viagem até o Novo Mundo, compravam uma passagem até a Escócia para, em seguida, trabalhar e economizar o suficiente para continuar a viagem. Outros desembarcaram enganados por capitães que os faziam acreditar  que já tinham chegado a seu  destino final na América.  Qualquer que fosse o motivo, milhares ficaram na Escócia. Edimburgo e Glasgow eram as cidades escolhidas pela maioria dos judeus. Até meados do século 19, essas duas comunidades eram numericamente semelhantes, mas o desenvolvimento comercial e econômico de Glasgow começou a atrair um número cada vez maior de judeus.

Edimburgo

Após a permissão dada ao judeu David Brown, em 1691, para viver e comerciar livremente, outros judeus tiveram permissão de fazer transações comerciais na cidade. Entre outros, Moses Mosias, em 1698, e Isaac Queen, em 1717.

Em 1795, Herman Lyon adquiriu um lugar para sepultamento, em Edimburgo. Oriundo da Alemanha, ele se mudara para a Escócia e prosperara. Ainda que o local da sepultura original, em Calton Hill, já não se possa encontrar, pois apenas restam alguns escombros e pedras, está marcado no mapa de 1852 da Agência Nacional de Mapas da Grã-Bretanha, como “Sepultura do Judeu”.

Duas décadas vão se passar antes de ser criada, em 1816, a primeira comunidade judaica organizada da Escócia: a Edinburgh Hebrew Congregation, composta por 20 famílias. Em 1817 foi estabelecida a primeira sinagoga na Escócia, em um quarto alugado em Richmond Street. E, três anos mais tarde, a comunidade comprou o terreno para o cemitério.

A maioria dos judeus que viviam na época em Edimburgo eram abastados comerciantes de origem alemã ou holandesa, mas o perfil da comunidade iria mudar com a chegada, nas décadas finais do século 19, de judeus vindos da Europa Oriental.

Em 1825, a Edinburgh Hebrew Congregation mudou-se para novas instalações, em Richmond Court, onde permaneceu durante 43 anos, até a inauguração da sinagoga em Park Place, próxima à Universidade de Edimburgo.

Os judeus, principalmente imigrantes, cuja condição social não era privilegiada e não tinham condições financeiras de viver nas ruas em torno da Universidade de Edimburgo, estabeleceram-se no porto de Leith e Dalry, na parte oeste da cidade. Como ocorre em toda parte, a sinagoga era o eixo central de cada comunidade.

O número de sinagogas e as mudanças na sua capacidade efetivamente marcam o crescimento e o declínio da população judaica em Edimburgo.

A sinagoga conhecida como Blecheneh Shul foi inaugurada em Dalry por artífices e operários, muitos vindos de Manchester.

Em 1898, a Edinburgh Hebrew Congregation abriu mais uma sinagoga na Rua Graham e, em 1913, foi ampliada. Em 1914 viviam na cidade 1.500 judeus. Essa sinagoga permaneceu sendo a principal até a inauguração da atualmente localizada na Rua Salisbury e aberta em 1932. Esta é a primeira e única sinagoga especialmente construída para esse propósito em Edimburgo. Acomoda 1.500 pessoas e representou a união das duas principais congregações judaicas locais. A nova construção era a prova da prosperidade e ascensão social dos membros da comunidade, cuja maioria à época já vivia nos subúrbios ao sul de Edimburgo.

Glasgow

Embora durante o século 18 vivessem em Glasgow alguns judeus – comerciantes e alunos da Universidade de medicina, não há nenhum registro de judeus que se tenham estabelecido permanentemente na cidade até 1812.

A imigração judaica para Glasgow faz parte de uma tendência mais ampla em que eles eram um dos inúmeros grupos que fizeram da cidade seu novo lar no século 19. Apesar de hoje ser a maior cidade da Escócia, e ter a maior comunidade judaica do país, a Glasgow do século 18 era uma cidade provinciana, com uma população de cerca de 20 mil habitantes, chegando a 80 mil no início do século 19. A população cresceu à medida que florescia o comércio com a América do Norte. A localização da cidade, com acesso à costa oeste da Escócia, é fator de atração para os comerciantes e empresários.

O primeiro judeu admitido como residente da cidade foi Isaac Cohen, um chapeleiro vindo de Londres. De acordo com uma lenda local, foi Cohen quem introduziu o chapéu de seda na Escócia. Nos anos seguintes, outros judeus foram-se estabelecendo em Glasgow, a maioria de origem alemã, holandesa ou londrina. Em 1850 havia apenas 200 judeus em Glasgow, mas à medida que a cidade crescia, o mesmo acontecia com o número de judeus. Em 1879, eram cerca de mil; em 1891, por volta de 2 mil; e, em 1914, já perfaziam 12 mil.

A florescente indústria da Glasgow vitoriana gerava oportunidades para os judeus recém-chegados, que ajudaram no rápido desenvolvimento industrial e comercial, em especial na fabricação de roupas, móveis e cigarros. Parte significativa dos membros da comunidade de Glasgow, assim como ocorria em outros locais, trabalhavam como mascates vendendo vários produtos para as comunidades da área de mineração.

Em 1823 foi aberta a primeira sinagoga, em um pequeno apartamento de dois quartos, na High Street. À medida que a comunidade crescia, ia realizando seus serviços religiosos em diferentes locais. Em 1832 foi comprado o terreno para o primeiro cemitério.

Em 1859 foi aberta uma sinagoga para abrigar 200 fiéis, na George Street. Vinte anos mais tarde, em 1879, foi inaugurada uma suntuosa sinagoga em Garnethill. Era a primeira na Escócia construída especialmente com esse fim – um empreendimento de grandes proporções para uma comunidade de apenas mil membros. O interior da Sinagoga Garnethill era típico do estilo de “sinagogas catedrais”, construídos no período vitoriano. Predominantemente romanesco,  seu estilo é um exemplo do ecletismo do período. A sinagoga tem uma entrada espaçosa e sensacionais janelas em vitral, com painéis florais em cores vívidas. A área central de orações é praticamente uma basílica; o púlpito imponente colocado  no centro da plataforma em arco.  O armário sagrado para os Sifrei Torá, o Aron HaCodesh, é em madeira folheada a ouro, com uma cúpula e torres.

A maioria dos judeus vivia no Distrito de Gorbals, ao longo do Rio Clyde. Era a parte mais pobre da cidade, uma área habitada principalmente por imigrantes italianos e irlandeses. Foi em Gorbals que surgiu uma comunidade mais tradicional, cujo idioma principal era o iídiche. Em 1901, no coração dos Gorbals, foi aberta a Glascow Central Synagogue, a maior em toda a Escócia.

Os judeus se integraram à vida local e participavam das atividades da política. Michael Simons, um membro proeminente da comunidade de Garnethill e diretor de uma das principais empresas de importação de frutas, foi eleito para o Conselho de Glasgow, em 1880. Acredita-se que sua posição de destaque tenha influenciado na aceitação da comunidade judaica na sociedade maior.

Ao longo do século 20, Glasgow foi uma das principais comunidades judaicas da Grã-Bretanha, sendo superada apenas por Londres, Manchester e Leeds.

Dundee, Greenock, Ayr e Aberdeen

Apesar de sempre a vida judaica escocesa ter-se concentrado em Edimburgo e Glasgow, comunidades menores surgiram em Dundee, Greenock, Ayr e Aberdeen.  O cemitério judaico em Dundee indica ter havido uma congregação na cidade desde o século 19. Aliás, várias indústrias têxteis instaladas em Hamburgo, na Alemanha, abriram seus escritórios em Dundee, no início do século 19. Em Aberdeen, a então recém-criada comunidade judaica foi o centro da atenção nacional poucas semanas após sua fundação, em 1893, quando defendeu com sucesso uma ação contra a aplicação da shechitá2 movida pelo departamento local da Sociedade de Prevenção a Crueldade contra Animais.

Instituições de ajuda comunitária

A comunidade judaica escocesa sempre foi unida, com seus membros apoiando-se uns os outros. Além de fundarem sinagogas e escolas, criaram uma ampla rede de bem-estar social. As instituições de assistência social comunitária assumiram a responsabilidade pela parcela mais carente da comunidade, principalmente os imigrantes recém-chegados. Embora com a Lei para Estrangeiros de 19053 a Grã-Bretanha tenha limitado o número de imigrantes pobres autorizados no país, um número cada vez maior de judeus continuavam a chegar à Escócia nos anos que antecederam a 1ª Guerra Mundial.

O número crescente de recém-chegados levou ao estabelecimento de todo tipo de atividades assistenciais, muitas das quais coordenadas pelos próprios imigrantes. As instituições davam ajuda financeira, além de assistência médica e social.

A primeira instituição assistencial judaica foi fundada em Edimburgo, em 1838. Em Glasgow, em 1858, criou-se a Sociedade Hebraica Filantrópica, que possuía sua própria equipe médica e, em 1899, o Fundo Hospitalar Judaico. A partir do final do século 19, tanto em Edimburgo quando em Glasgow, foram abertos abrigos gratuitos judaicos e acomodações temporárias para os recém-chegados e para os viajantes em trânsito, e criadas sociedades de autoajuda ao custo de um penny semanal.

Um dos problemas enfrentados pela comunidade judaica escocesa foi o advento das missões cristãs escocesas para os judeus. A Igreja da Escócia4 desencadeara uma campanha acirrada para conseguir a conversão dos judeus, e investia somas consideráveis nesse “projeto”. Até a década de 1880 as missões focavam seu trabalho na evangelização dos judeus fora da Escócia, mas a partir desse período, passaram a atuar também dentro do próprio país. A conversão dos judeus tornou-se um dos mais importantes objetivos dos missionários, que ofereciam aos judeus, principalmente aos recém-chegados, ajuda financeira e assistência médica em instalações bem-equipadas, com médicos que falavam iídiche. Embora não obtivessem êxito em suas tentativas de conversão, estavam determinados a perseguir a evangelização dos judeus, provocando protestos e a ira da comunidade judaica.

 

 

Séculos 20 e 21

A comunidade judaica escocesa sempre foi ativa politicamente, tanto internamente quanto em relação aos acontecimentos mundiais, acima de tudo em relação ao destino de nosso povo.

Na década de 1890, o sionismo era a ideologia política dominante entre os judeus. Os grupos sionistas organizavam atividades sociais e esportivas. Foram criadas, também, sociedades de autoajuda, cujos encontros em Glasgow atraíam grandes públicos – até mil pessoas por evento, além de grupos sionistas para mulheres e jovens.  As salas de leitura organizadas pelos movimentos sionistas forneciam um espaço para a comunidade se encontrar, aprender sobre Eretz Israel e os primeiros pioneiros, além de oferecer aulas de hebraico.  Os pogroms perpetrados na Rússia, principalmente o ocorrido em Kishinev em 1905, deram um forte impulso aos esforços sionistas.

A Declaração Balfour, de novembro de 1917, indicando o apoio do governo britânico à criação de um Lar Nacional judaico na então Palestina, foi recebida com muito entusiasmo, fortalecendo ainda  mais as atividades sionistas e aumentando a arrecadação de recursos para assentamentos judaicos em Eretz Israel.

Após a ascensão nazista na Alemanha, em 1933, os esforços comunitários foram direcionados a ajudar refugiados judeus. E estima-se que em 1939, com a chegada dos refugiados da Europa, havia cerca de 15 mil judeus vivendo em Glasgow e pouco mais de 2 mil em Edimburgo.

A Escócia tornou-se lar para algumas das crianças do chamado Kindertransport, organizado para retirar crianças judias da Alemanha, Áustria e Checoslováquia.  A evacuação temporária acabou por se transformar, tragicamente, em permanente. Ao término da 2ª Guerra chegaram ao país os sobreviventes da Shoá, um horror cuja realidade chocaria a comunidade, dando-lhe novos incentivos para seu apoio à causa de Israel.

A fundação do Estado de Israel e a vitória na Guerra dos Seis Dias, em 1967, influenciaram de forma positiva a comunidade e a arrecadação de fundos para instituições israelenses tornou-se uma prioridade.

Situação atual

Na metade do século 20, viviam no país por volta de 20 mil judeus, a maioria de origem asquenazita. Mas a comunidade foi encolhendo e, no início do século 21, eram apenas 6.500. A maioria, por volta de 4.200, vivem em Glasgow, 950 em Edimburgo, a capital, e uma minoria em Dundee e em outras cidades do país.

A Escócia está assistindo o crescimento do antissemitismo, tendo dobrado em 2015 o número de incidentes contra judeus, de acordo com a Community Security Trust. Isso é muito perturbador num país que, como escreveu David Daiches, renomado historiador judeu escocês, em sua autobiografia, Two Worlds: An Edinburgh Jewish Childhood, é o único, em toda a Europa, que não tem uma história de perseguição oficial aos judeus. Não há atos de expulsão, como os ocorridos na Inglaterra e outras nações europeias, nem legislações discriminatórias.

A atuação do Parlamento nacional escocês está no centro das preocupações das lideranças comunitárias, pois o Partido Nacional Escocês (SNO), o principal do país, com 63 das 120 cadeiras do Parlamento, apoia os palestinos e conseguiu aprovar um grande número de moções anti-Israel. Entre maio de 2011 até o final do ano passado, das 355 resoluções sobre assuntos internacionais, 65 envolviam Israel, e, por exemplo, apenas 13 se referiam à Síria. Em 2015, a primeira-ministra Nicola Sturgeon reuniu-se com a liderança comunitária, tentando tranquilizar seus membros e garantindo que não serão tolerados no país incidentes antissemitas.

O Conselho Escocês de Comunidades Judaicas (Scottish Council of Jewish Communities-Scojec), após ter realizado inquéritos, em 2012 e 2014, concluiu que a forma como alguns pesquisadores e acadêmicos expressam seus pontos de vista sobre o Oriente Médio em sala de aula, em palestras e na mídia contribui para que estudantes judeus se sintam discriminados. Ademais, o movimento BDS e a Campanha Escocesa de Solidariedade à Palestina têm conseguido infiltrar-se em muitos setores da sociedade civil e nos campi universitários. Muitos estudantes judeus dizem esconder a sua religião em virtude das constantes demonstrações e atividades contra o Estado Judeu. Há relatos de estudantes intimados a prestar exames no Shabat ou então serem reprovados. Outros revelam que não têm mais estudado nas bibliotecas por medo de serem atacados, seja verbal seja fisicamente.

Em 2015 dez professores escoceses integraram uma lista de 300 professores universitários que anunciaram um boicote às instituições israelenses. O pastor Arthur O’Malley, grande defensor de Israel, chegou a afirmar que “BDS e outros grupos palestinos aproveitam todas as vantagens e invadem ativamente as universidades, conselhos municipais e espaços públicos, e têm obtido grande apoio no seio dos movimentos sindicalistas”. E continua: “Quando nossas principais cidades escolhem hastear a bandeira palestina em demonstração de solidariedade…isso demonstra o impacto que está sendo conseguido por esses grupos”, explica o pastor cristão, referindo-se a um incidente ocorrido em agosto de 2016 quando um setor inteiro de fãs no estádio do Celtic, em Glasgow, levantou bandeiras palestinas para protestar contra a “ocupação israelense”.

 

Agradecimento Especial & Fonte: Revista Morshá de Cultura, www.morasha.com.br

Imagens Retirada da Internet…

 

Obrigado pela leitura!!!

 

Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, : )

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Água!!! Um Exemplo Para Ser Implantado Urgente, no Brasil!!! Shalom!!!

 

Maringá, 16 de Agosto de 2017 .

Jerusalém, 24 de Av de 5777 .

 

Em 2008, Israel oscilava à beira da catástrofe. Uma seca de uma década tinha ressecado o Crescente Fértil, e a maior fonte de água doce de Israel, o Mar da Galileia, havia caído para poucas polegadas acima da “linha negra”, a partir da qual a infiltração de sal seria irreversível e arruinaria o lago para sempre.

Agora o país produz mais água do que consome. Essa notável reviravolta foi obtida através de campanhas nacionais para conservar e reutilizar os recursos hídricos escassos de Israel, mas o maior impacto veio de uma nova onda de usinas de dessalinização.

“A Justiça  no Brasil, na minha opinião e uma das mais cegas e absurdas!  Enquanto existem pessoas que clamam a Deus ou as forças espirituais para que se ganha uma Chuva ! O Poder a sua administração só comete abusos e deixando a população sem condições básicas de sobrevivência ( ÁGUA ), com uma estiagem que chega de 6 à 24 meses . Enquanto, que em países como Israel, isso ja foi resolvido com a implantação de uma usina de tratamento especial das Águas Marítimas … Sanando a necessidade de sua população. Alguns pessimistas dizem que é caro!!! Mas, a forma que caminha o Brasil, também não é caro a administração de aventureiros e corruptos? Segundo A ONU, estimasse um desvio de Mais de: 200 Bilhões, por ano. É, claro que cifras são superiores infelizmente! “
( Um Desabafo Pessoal Entre Aspas )

A dessalinização costumava gastar muita energia e custar muito caro, mas as avançadas tecnologias que estão sendo empregadas em usinas como a de Sorek, a maior do país, fora um “divisor de águas”. A água produzida pelo processo de dessalinização hoje, custa apenas um terço do que custava na década de 1990. A usina de Sorek pode produzir mil litros de água potável com 58 centavos. Famílias israelenses pagam cerca de US$ 30 por mês para ter água (Em Los Angeles, por exemplo, se paga US$ 58).
Talvez por isso mesmo a IDE Tecnologies, a empresa priavada que construiu as maiores usinas de Israel, recentemente conclui a construção da usina de Carlsbad no sul da Califórnia, e há muitas mais por vir.
Motivados pela necessidade, Israel está aprendendo a extrair água mais que qualquer outro país na Terra, e muito da aprendizagem para isso está acontecendo no Instituto Zuckerberg, onde os pesquisadores são pioneiros em novas técnicas de irrigação por gotejamento, tratamento e dessalinização de água. Eles desenvolveram sistemas bem resilientes para aldeias africanas e digestores biológicos que podem reduzir pela metade o uso de água da maioria
das casas.
Imagens: Retirada da Internet.
Obrigado pela leitura!
Pesquisa, tradução & edição: Vital Ben Waisermman, Shalom!!!
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Retrocesso nos Estados Unidos??? Shalom!!!

 

Maringá, 15 de agosto de 2017 .

Jerusalém, 23 de Av de 5777 .

Atos de intolerância deve acabar e os organizadores e participantes devem serem punidos com prisão !

Obs: Gostaria de todos os dias, trazer aos leitores de Dyaryo Dy Um Hebreu, assuntos mais leves e tranquilhos!Mas, não posso ficar calado ou fazer de conta que nada existe. Não se mata a serpente! Mata o Ovo dela antes, que ela cresça e se prolifere no consciente coletivo ! Excelente tarde a todos! Shalom – Paz !!!

 

Manifestantes da então supremacia branca de estrema direita!!!

Imagens: Retirada do Facebook.

A comunidade judaica de Charlottesville (EUA) contratou seguranças pela primeira vez em sua história. A cidade foi palco, no último sábado (12) de manifestação violenta de grupos da extrema-direita americana, que portavam bandeiras americana e nazistas. Uma mulher foi morta e dezenas de pessoas feridas, depois que um carro conduzido por um extremista avançou contra uma multidão de manifestantes contrários ao racismo O rabino Tom Gutherz, da Congregação Beth Israel, afirmou: “Tivemos que contratar seguranças. Ficamos tristes, mas não havia escolha”. Apesar das manifestações, a sinagoga manteve a programação. “Não deixaríamos que eles nos intimidassem, não podem nos afastar da nossa sinagoga”, contou ele ao jornal Haaretz. O prefeito da cidade, Michael Singer, que é judeu, criticou a postura do presidente Trump, que não condenou explicitamente os extremistas, no dia do ataque. Em resposta, o senador Bernie Sanders publicou: “Não, Sr. Presidente. Isso é um esforço provocativo de neonazistas para fomentar racismo e ódio e criar violência. Chame pelo nome certo”. Lideranças da comunidade judaica norte-americana condenaram as manifestações. O American Jewish Committee pediu a Trump que encontre “clareza moral”. O presidente do Congresso Judaico Mundial, Ronald Lauder, condenou a “violência inconcebível”: “É extremamente repugnante que tamanho ódio e fanatismo ainda estejam presentes nesse país”, afirmou. O rabino Rick Jacobs, presidente da União Reformista Judaica, declarou: “A presença perversa e retórica de grupos neonazistas que marcharam em Charlottesville é um lembrete da constante necessidade de boas pessoas, que seguirão firmes, falarão alto contra o ódio e agirão para deslegitimar aqueles que espalham as mensagens de ódio e defenderão aqueles que são alvos destas mensagens”. O Museu do Holocausto dos Estados Unidos afirmou que “o neonazismo, em qualquer uma de suas formas é contrário aos valores americanos e não tem lugar em nossa sociedade”.

Fonte:  Conib Brasil.

Obrigado pela leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom Lé Kulam – Paz A Todos!

 

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