Fidel Castro, Herói Ou Um Sanguinário? Shalom $$$$$$$

 

Maringá, quarta feira, 03 de Janeiro de 2018.

Jerusalém, 16 de Tevet de 5778.

 

 

 

Que o Eterno de Israel, Nos Proteja e Nos Guarde Neste Dia de Hoje e Sempre B”H! Amém! 

 

 

Curiosidades!!!

Quando o ditador Fidel Castro subiu ao poder em Cuba, em 1959, 94% dos 15,000 judeus cubanos emigraram do país. Eles foram para vários países: Israel, Estados Unidos, Venezuela e Panamá. Nos últimos 40 anos, a comunidade judaica de Cuba – perseguida pelo regime de Fidel e proibida de praticar o judaísmo – foi constituída pelos poucos judeus que permaneceram no país.


Foi Ariel Sharon que atravessou o Canal de Suez durante a Guerra de Yom Kipur (1973), mudando assim o curso da guerra. Esta corajosa estratégia militar de Sharon foi fundamental na vitória de Israel sobre o Egito e a Síria.


Moisés foi o maior profeta de todos os tempos. Sua grandeza é reconhecida não apenas pelo judaísmo, mas por outras religiões também. Seus irmãos Aaron e Miriam são figuras bíblicas bastante conhecidas. Mas como se chamavam os pais deles? Amram, o pai, e Yocheved, a mãe.


Sir Moses Montefiore (1784-1885) fundou uma bolsa de valores em Londres e serviu como xerife da cidade. Foi nesta época que ele recebeu o título de “Sir” pela monarquia inglesa. Posteriormente, Montefiore se aposentou e passou a se dedicar a ajudar judeus oprimidos pelo mundo afora.


No dia 10 de Tevet do ano judaico de 3336 (425 AEC), os exércitos babilônicos do imperador Nabucodonosor sitiaram Jerusalém; trinta meses mais tarde, no dia 9 de Tamuz do ano 3338, as muralhas da cidade foram rompidas. Um mês depois, no dia 9 de Menachem Av (considerado o dia mais triste do calendário judaico), o Primeiro Templo Sagrado de Jerusalém foi destruído. O povo judeu foi exilado para a Babilônia, onde permaneceu em exílio durante 70 anos.


Golda Meir foi a primeira e única mulher a ocupar o maior cargo político do Estado de Israel. Antes de se eleger primeira-ministra, ela foi a embaixadora na União Soviética, ministra do Trabalho e ministra das Relações Exteriores do Estado Judeu.


Os Manuscritos do Mar Morto são, em sua maioria, escritos em hebraico, mas alguns foram escritos em aramaico. Aramaico era a língua comum dos judeus na Terra de Israel durante o início do primeiro século da Era Comum. A descoberta dos Manuscritos contribuiu para um maior conhecimento de ambas as línguas.


Leon Trotski foi um judeu que abriu mão de seu judaísmo em favor da causa comunista. Afirmava que a solução para os problemas dos judeus era a assimilação. Com o passar do tempo, o regime comunista adotou essa política, proibindo aos judeus a prática de sua religião.

 

 Obrigado Pela Leitura! 
Fonte de apoio e agradecimentos especiais: Revista Morashá de Cultura ” Judaísmo Virtual ” Acesse-www.morsha.com.br  
Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom! : ) 
4 Comentários


Tu B’ Shevat 2018 ! Baruch Rabá – Sejam Bem Vindos! Shalom! $$$$$$$.

 

A Kabbaláh, Árvore Mística A Mesma Que Moshe – ” Moysés ” Viu e do Religare e Do Equilíbrio Espiritual e Material! Por isso, ela tem raízes Visíveis e Invisíveis!

 

 

Maringá, terça feira, 02 de Janeiro de 2018.

Jerusalém, 15 de Tevet de 5778.

 

 

Benção da Manha Ou Aurora! 

“Tenho Posto O Eterno, Sempre Diante de Mim!

Bendito Sejas Nosso Eterno Deus, Que Houve As Minhas Orações

“Bendito Sejas Tu, Nosso Eterno Deus, Que Nos Ordenastes Lavar As Mãos!”

Em nome de Hashem – ” Deus “, Jornal O Diário Do Norte Do Paraná, O Projeto Dyaryo Dy Um Hebreu concede as boas vindas a este ano de 2018/ 5778 no ano Hebraico … Que essa etapa possa ser recheada de conquistas e novos sonhos que possam dar vida e sair do campo das idéias e papel!

 

Para Isso, é preciso Emuná-FÉ! E,  muito trabalho termos raízes e comprometimento com a espiritualidade,  além de pessoas a nossa volta que tem a mesma vibração no nosso time e objetivos. Uma Árvore símbolo  Divino do religare e crescimento em todas as Escalas…

 

 

Tu B’Shevat para o ano de 2018 é celebrado / observado na quarta – feira, 31 de janeiro.

Tu B’Shevat é observado no dia 15 do mês de Shevat no calendário hebraico. O dia é sobre plantação de árvores e para tornar a terra saudável e mais vibrante, semelhante ao Dia do Arbor.

Estejamos Prontos Para ” LEKABEL “-Arte de Receber Ou troca ( Kabbalah ) . Inclusive a Prosperidade ! Assim, dessa forma pautaremos num período de Vitórias na nossa caminhada! Vamos Rogar ao Eterno de Israel Elohê – ” DEUS ” Com Seus ” Exércitos Celestes Altivos E Sublimes ” ! Que Nos Oriente e Nos Protejam! 

Muito Importante além do ardor de TU B’ Shevat o ser humano  ” Homem “, acorde urgentemente para com os cuidados da sua casa o Planeta e a Natureza oferecida Pelo Nosso Pai, Nosso Rei .Assim, teremos um equilíbrio entre os Elementos, Minerais, Animais, Vegetais e Humanos na nossa Morada. ” Planeta Terra”

 

Boker Tov Lé Kulam – Bom Dia Á Todos! 

Shalom Lé Kulam – Paz À Todos! 

Obrigado pela leitura! 

Shaná Tová Umetuka – Que Seu Ano Novo, Seja Mais Doce! 

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman.

 

Comente aqui


Shaná Tová Umetuka!Que Seu Ano Novo, Seja Mais Doce!Shalom!!!

 

Shaná Tová Umetuka – Que Seu Ano Novo, Seja Mais Doce! 

Maringá, domingo, 31 de Dezembro de 2017.

Jerusalém, 13 de Tevet de 5778.

Venho com muita alegria trazer votos de Paz, Prosperidade e Muita Alegria com As Graças do Eterno Deus, De Israel Nosso Pai Nosso Rei Altíssimo com Seus Exércitos Celestes Altivos e Sublimes ! Nos Conceda Discernimento Para Eleger Governantes que tenha A Luz Do Amor em Seus Corações!

Em Nome do Jornal O Diário Do Norte do Paraná, O Projeto Blogs e Coluna ” Dyaryo Dy Um Hebreu “, muito agradece a parceria e apoio ! Pois, sem os leitores favoráveis ou críticos não se faz Jornalismo ! Todah Raba ! Muito Obrigado! Pelo valoroso apoio todos esses quase 370 dias .

E Vamos Avante Para mais um Período Cronológico de 365 ou 366 ! Fiquem Com Deus! Um Brinde a Vida! Shalom Lé Kulam – Paz Á Todos!

O$Hêr vê O$Hêr Lé Kulam – Riqueza e Felicidade Á Todos!

Lehitraoot Lé Kulam ! Até Breve Á Todos!

Obrigado Pela Leitura!

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom!!!

 

2 Comentários


Os Pergaminhos Do Mar Morto! Shalom! $$$$$$$…….!

Maringá, quinta feira, 28 de Dezembro de 2017.

Jerusalém, 10 de Tevet de 5778.

 

 

Os pergaminhos do Mar Morto

Uma coleção de manuscritos antigos foram descobertos entre 1947-1956, em cavernas do Deserto da Judeia, e constituem a maior descoberta arqueológica do século 20. poucos achados arqueológicos – quiçá nenhum – são tão conhecidos ou despertaram tanto interesse ou controvérsia. Esses manuscritos revolucionaram o entendimento que se tinha sobre o último período do Segundo Templo, quando emergiram o Judaísmo rabínico e o Cristianismo.


Em 1947 o Oriente Médio estava tumultuado, o que fazia da época o pior momento para se lidar com manuscritos antigos. Mas, para o Povo Judeu, que lutava política e militarmente pela recriação de seu Estado, em sua terra, a Terra de Israel, a descoberta dos primeiros pergaminhos e sua aquisição no exato dia em que as Nações Unidas votaram pela Partilha da Palestina, tinha significado simbólico. Era como se eles estivessem escondidos na escuridão das cavernas durante 2.000 anos, apenas esperando pelo retorno do Povo de Israel a seu Lar ancestral.

A descoberta original se resumia a alguns pergaminhos encontrados em uma caverna próximo a Qumran. Mas, os arqueólogos e beduínos continuaram procurando, durante anos, ao longo da margem oriental do Mar Morto, e encontraram no interior de outras dez das centenas de cavernas existentes milhares de documentos antigos e de fragmentos de textos escritos sobre pele de animal, papiros e até sobre cobre. Hoje, esse tesouro, conhecido como os Pergaminhos do Mar Morto, inclui seis pergaminhos praticamente completos, 80 mil fragmentos agrupados em 20 mil segmentos, que representam mais de 900 diferentes textos. Eles contêm passagens de todos os livros do Tanach, exceto o Livro de Esther, além de textos apócrifos, orações e textos sobre a Leis Judaica. Foram escritos predominantemente em hebraico, sendo apenas 15% deles em aramaico e alguns em grego.

No início da década de 1950 era costume falar na “batalha dos pergaminhos” em virtude dos inúmeros e candentes debates públicos acerca da identidade de seus autores e sua relevância para o Judaísmo e Cristianismo. Muitas das hipóteses e teorias da época estão hoje sendo questionadas ou descartadas.

Durante décadas, a maioria dos achados arqueológicos ficaram nas mãos da Jordânia e de uma equipe de estudiosos cristãos – a maioria católicos. Por mais absurdo que fosse, apesar dos manuscritos terem sido escritos por judeus e versarem apenas sobre assuntos relativos à vida religiosa judaica, ao Templo de Jerusalém, e ao Tanach – composto de 24 livros: a Torá, os Profetas (Neviim), e das Escrituras Sagradas (Ktuvim). Nenhum judeu podia fazer parte desse grupo. Como veremos adiante, somente em 1980 os estudiosos judeus passaram a fazer parte da equipe.

Hoje, a maioria dos estudiosos acreditam que os pergaminhos foram reunidos por uma seita de judeus- a seita de Qumran ou do Mar Morto – que ocupava uma área adjacente às cavernas, chamada Khirbet Qumran (Ruína de Qumran). A seita viveu na área desde 150 AEC até 68 EC, quando o local foi destruído pelos romanos, durante a Grande Revolta Judaica (66-73 EC). Ainda que na sociologia da religião o uso do termo “seita” implique uma “igreja” normativa à qual a seita possa ser comparada, o termo é usado para descrever os vários grupos que existiam entre os judeus à época do Segundo Templo.

Tanto a análise paleográfica1 quanto a datação por radiocarbono-14 concluíram que os Pergaminhos do mar Morto foram escritos entre o século 2 AEC e o século 1 EC, durante os períodos helenístico e romano. Por outro lado, a composição dos textos varia dentro de um período extenso. Os textos bíblicos incluem os primeiros livros do Tanach; os não-bíblicos foram compostos a partir do século 3 AEC e vão até a virada da Era Comum. Isto significa que a maior parte dos textos não foram compostos pela seita, apenas copiados, e que os textos são pré-Cristianismo.

De acordo com o Prof. Lawrence H. Schiffman, especialista nos Pergaminhos do Mar Morto e em Judaísmo na Antiguidade, História da Lei Judaica e Literatura Talmúdica, “o papel central da Halachá (Lei Judaica) no estudo do Judaísmo à época do Segundo Templo é crucial para a definição de uma seita. Isto porque entre as características que os separavam estava a sua prática da Lei. Mas, temos que ter em mente que a grande maioria das práticas haláchicas – cumprimento da lei do sacrifício, o Shabat, as leis da pureza e outras – eram comuns aos judeus do período do Segundo Templo”.

O período do Segundo Templo foi marcado de diversidade e complexidade na vida religiosa judaica, uma época em que grupos tentavam conquistar e manter a liderança política e religiosa na Terra de Israel. Os Pergaminhos se tornaram uma fonte básica sobre as crenças, a vida e os eventos históricos ocorridos nesse período. Até serem descobertos, nossas principais fontes eram a obra do historiador Flavius Josephus e o livro dos Macabeus.

A descoberta

A história que envolve os Pergaminhos do Mar Morto é legendária2 e se inicia no final do ano de 1946, início de 1947, quando jovens da tribo beduína de Ta’amireh pastoreavam suas cabras nas proximidades de Qumran. Um deles, Muhammad Ahmad el-Hamed, conhecido como edh-Dhib (Muhammad, o Urso), enquanto procurava uma ovelha que se desgarrara, atirou uma pedra dentro de uma caverna e ouviu o som de barro se rachando. Ao explorar a caverna, ele e os companheiros descobriram dois grandes jarros dentro dos quais viram alguns pergaminhos antigos.

Em abril de 1947, os beduínos foram a Bethlehem com os pergaminhos, e contataram dois comerciantes de antiguidades: Faidi Salahi e Khalil Iskander Shahin, mais conhecido como Kando. Este último adquiriu quatro pergaminhos e Salahi, três. Em julho, Kando – membro da Igreja Ortodoxa Siríaca que iria ter um papel importante na saga dos Pergaminhos – vendeu os quatro a Athanasius Yeshue Samuel, Arcebispo Metropolitano da Igreja Ortodoxa Siríaca, conhecido como Mar Samuel (“Mar”, pronome de tratamento usado para os bispos da Igreja Ortodoxa Siríaca).

Salahi, por sua vez, pediu a Levon Ohan, filho de um armênio comerciante de antiguidades da Cidade Velha, para ajudá-lo. Em novembro, Ohan contatou Eliezer Lupa Sukenik, professor de arqueologia na Universidade Hebraica e pai de Yigael Yadin, chefe das operações da Haganá, à época, que se tornaria o arqueólogo mais respeitado de Israel e grande estudioso dos Pergaminhos do Mar Morto.

Sukenik relata os eventos: “Estávamos em 1947, últimos dias do Mandato Britânico. A violência corria solta. Os britânicos tinham dividido Jerusalém em zonas militares, separando as partes judaica e árabe da cidade e delimitando-as com arame farpado. Para se ir de uma zona a outra era necessário um passe militar”. Nem ele nem Ohan tinham esse passe, portanto se encontraram no portão que dava acesso à Zona B. Através do arame farpado, Ohan mostrou um fragmento de um dos pergaminhos e Sukenik percebeu que o formato das letras hebraicas se parecia com o das letras que ele estudara em ossuários de Jerusalém, datados no início da Era Comum. Sukenik decidiu comprar os pergaminhos, mas pediu para ver mais amostras. Conseguiu um passe para entrar na Zona B e, depois de examinar outros fragmentos, resolveu ir a Bethlehem.

Tratava-se de uma viagem perigosa. O clima era de extrema tensão porque as Nações Unidas estavam para votar a partilha da Palestina. Sua esposa foi totalmente contrária à sua ida. Seu filho mais velho, Yigael Yadin, também pediu ao pai que não fosse a Bethlehem, pois a Haganá recebera informações de que haveria atos de violência contra os judeus.

Mas Sukenik estava determinado a comprá-los em nome da Universidade Hebraica. Em 29 de novembro, enquanto a ONU votava o futuro de Israel, ele, junto com Ohan, tomou um ônibus para Bethlehem. Ele era o único judeu. Em seu diário, Sukenik conta o momento em que Salahi trouxe os dois jarros contendo os manuscritos: “Minhas mãos tremiam quando comecei a desembrulhar um deles. Li algumas frases. Estavam escritas em um lindo hebraico bíblico. O linguajar era igual ao dos Salmos, mas o texto me era desconhecido…. De repente, me senti muito privilegiado que o destino me estivesse fazendo contemplar um pergaminho hebraico que não fora lido por mais de 2.000 anos…”.

Sukenik disse a Salahi que “provavelmente” iria comprar os pergaminhos todos, mas levaria dois consigo para examinar. No caminho de volta a Jerusalém, ele estava de posse do “Pergaminho dos Salmos de Ação de Graças” – Hodayot, em hebraico, e do “Pergaminho da Guerra dos Filhos da Luz contra os Filhos da Escuridão”, ou “Pergaminho da Guerra” – em hebraico, Milchamá. Uma semana mais tarde, ele adquiriu o terceiro, um manuscrito do Livro de Isaías, conhecido como “Isaiahb”.

Horas após seu retorno, Sukenik estava em seu escritório quando seu filho menor, Mati, entra correndo para lhe contar que as Nações Unidas tinham aprovado a Resolução da Partilha.

Yigael Yadin, relembra: “Não pude evitar a sensação de que havia algo de simbólico na descoberta dos pergaminhos e em sua aquisição, no momento exato da criação do Estado de Israel. Parecia que os manuscritos ficaram esperando em cavernas, por 2.000 anos, desde o fim da independência de Israel até que Am Israel retornasse a seu Lar ancestral e recuperasse sua liberdade. O simbolismo fica ainda mais forte pelo fato de que os três primeiros pergaminhos foram comprados por meu pai, em nome de Israel, no dia 29 de novembro de 1947, dia exato em que a ONU votou pela recriação de um Estado judeu na Terra de Israel, após 2.000 anos…”.

Em janeiro de 1948, Sukenik recebe uma ligação de Anton Kiraz, da Comunidade Ortodoxa Siríaca, colocando à sua disposição os quatro pergaminhos que estavam em posse de Mar Samuel. Quando Kiraz os mostrou a Sukenik, este percebeu, de imediato, que pertenciam ao mesmo conjunto que os que adquirira. Ofereceu £2.000 libras esterlinas por eles, mas como Israel estava às vésperas da Guerra de Independência, ele não conseguiu o dinheiro. Sukenik nunca mais os viu. Em seu diário, ele conta: “O Povo Judeu perdeu uma herança preciosa”. Mas ele estava enganado, pois, anos mais tarde, seu filho Yigael os adquiriria para o Estado de Israel.

Frustrada a venda, Mar Samuel decide mostrá-los à Escola Americana de Pesquisa sobre o Oriente, em Jerusalém3, então sob a direção de Millar Burrows. O assistente de Mar Samuel, Butros Sowmy, contata o diretor em exercício, John Trever. Arqueólogo e estudioso bíblico, este último lhe pede que leve os pergaminhos à Escola. No dia seguinte, quando Sowmy surge com os quatro manuscritos, Trever fica boquiaberto. A escrita era semelhante à do Papiro Nash, datado de cerca de 150 AEC 4. Ele fotografa os pergaminhos, o Livro de Isaías (Isaiaha), o “Manual da Disciplina”, um comentário sobre o “Livro de Habakuk” (Pesher Habakuk, em hebraico) e o “Livro Apócrifo de Gênesis”. Este último estava tão enrolado e frágil que não pôde ser desenrolado. Trever envia fotos a William Foxwell Albright, renomado arqueólogo bíblico e especialista em epigrafia semita da época, que lhe responde em 15 de maio de 1948, justo o dia em que Israel declarava sua independência: “Minhas congratulações …pela maior descoberta em manuscritos dos tempos modernos! … a escrita é mais arcaica do que a do Papiro Nash… Eu diria que data por volta do ano 100 AEC ”.

Em janeiro do ano seguinte, Mar Samuel contrabandeia os quatro pergaminhos para fora do Oriente Médio, instalando-se em New Jersey, nos EUA. Uma vez lá, ele recomeça as buscas por um comprador. Nove meses depois, os pergaminhos foram expostos na Biblioteca do Congresso. Despertaram enorme interesse, mas nenhuma instituição se apresentou com uma proposta de compra.

Após a descoberta inicial…

Nesse ínterim, a notícia da descoberta se tinha espalhado pelo mundo arqueológico. Na tentativa de localizar a caverna onde os pergaminhos iniciais haviam sido encontrados, o diretor do Departamento de Antiguidades da Jordânia, o arqueólogo inglês G. Lankester Harding, conseguiu que a Legião Árabe vasculhasse a área onde foram supostamente encontrados. Em 28 de janeiro de 1949, foi descoberta a Caverna 1. Ele próprio encarregou-se da exploração da mesma, junto com o diretor da Escola Bíblica de Jerusalém Oriental, o padre Roland de Vaux. Este padre dominicano francês lideraria a equipe que iria trabalhar nos Pergaminhos.

Organizou-se uma grande expedição arqueológica para escavar a área ao longo da costa noroeste do Mar Morto. À época, a região estava sob domínio jordaniano e nenhum israelense ou judeu podia participar da expedição. Decidiram escavar também as ruínas de Khirbet Qumran (também chamada de Khirbet Yahud) que ficavam a menos de 2 km ao sul da Caverna 1, em uma formação mais baixa de arenito, entre as encostas de calcário e a costa do Mar Morto.

Os membros da tribo de Ta’amireh também estavam atrás de novos achados. Ainda em 1950, o diretor Harding e o padre de Vaux sabiam que seria problemático se os fragmentos encontrados pelos beduínos fossem vendidos para vários compradores. Seria impossível reuni-los de acordo com o manuscrito ao qual pertenciam ou reconstituir qualquer um deles. Assim sendo, procuraram Kando e compraram dele os fragmentos que haviam sidos posteriormente removidos da Caverna 1 e que ainda estavam com ele. Nesse meio tempo, Kando se associara ao xeque dos Ta’amireh, passando a ter um quase monopólio dos achados.

Nos anos seguintes, arqueólogos e beduínos encontram em dez, das centenas de cavernas examinadas, um verdadeiro tesouro arqueológico. Algumas eram riquíssimas em manuscritos e fragmentos. Na Caverna 3, por exemplo, foram descobertos fragmentos do “Livro de Ezequiel” e dos Salmos, textos apócrifos e dois rolos oxidados em cobre martelado (Pergaminho de Cobre), que constituiu o mais envolto em mistério dentre todos os achados arqueológicos do Mar Morto.

Em 1952, enquanto os arqueólogos escavavam em Qumran durante o dia, os beduínos o faziam à noite, e foram eles que descobriram a Caverna 4. Com uma entrada a uns 100 metros de onde os arqueólogos estavam escavando, a caverna continha 15 mil fragmentos de cerca de 500 pergaminhos diferentes. Tendo os beduínos removido a maior parte, mais uma vez Kando foi o caminho para que os arqueólogos os adquirissem.

O material encontrado na Caverna 11, descoberto em 1956, foi extremamente rico. Mas, continua sendo um mistério o número de pergaminhos descobertos pelos beduínos. Entre os achados estava um manuscrito do “Livro Levítico”, da Torá, usado antes do exílio da Babilônia, e um dos Salmos, contendo salmos adicionais.

Harding, à época diretor do Departamento de Antiguidades e curador do Museu Arqueológico da Palestina (PAM), localizado em Jerusalém, tomou uma decisão crucial. Encaminhou os pergaminhos ao PAM ao invés de consigná-los ao Museu Nacional da Jordânia, em Amã. Como veremos adiante, não fosse pela decisão de Harding, os preciosos achados poderiam estar, hoje, em Amã, e não em Israel.

Com a chegada, na década de 1950, de milhares de fragmentos ao Museu Arqueológico da Palestina, reuniu-se uma equipe de estudiosos bíblicos para tratar da enorme quantidade de material. Segundo um relato recente: “Harding e de Vaux queriam uma equipe que representasse, de fato, os países e credos atuantes na pesquisa bíblica, com uma ressalva – não incluiriam nenhum judeu ou israelense. Tem-se falado que o padre de Vaux era antissemita. Certo é que, a exemplo de Burrows, Trever e muitos outros pesquisadores, ele era veementemente contrário à criação do Estado de Israel”.

Khirbet Qumran (a Ruína de Qumran)

Uma equipe de arqueólogos encabeçada por Harding e de Vaux iniciou as escavações em Khirbet Qumran, em 1949, em busca de mais pergaminhos e, principalmente, respostas. Haveria uma relação entre o local e os pergaminhos? Teriam seus habitantes os escondido nas cavernas próximas?

Desencavaram várias estruturas de grande porte que acreditavam ser o centro de uma seita pequena judia, muito religiosa. Seguindo-se às escavações iniciais, de Vaux sugeriu que o local poderia ter sido fundado pelos essênios, uma das diferentes seitas de judeus da época. Atualmente, a teoria dos essênios é amplamente discutida e rejeitada por muitos estudiosos. Todos, porém, concordam que no século 2 AEC , durante a época dos Macabeus, Qumran foi ocupado por um grupo judeu que tinha sido expulso ou se afastado do culto no Templo de Jerusalém. Um dos manuscritos encontrados, a “Carta Haláchica”, lista assuntos sobre os quais os sectários não concordavam com a maneira em que o culto no Templo era praticado. O texto data de 150 AEC e representa um documento formativo da seita, logo após a Revolta dos Macabeus.

A seita chegou a seu ponto alto entre o final do Séc.1 AEC e o Séc.1 desta Era. Foi nesse período que a maioria dos pergaminhos foram escritos. Um terremoto destruiu o local, provavelmente em torno de 31 AEC . Reconstruído alguns anos depois, foi arrasado por tropas romanas à época da Primeira Revolta Judaica (66-73 EC), antes do sítio a Jerusalém.

Os romanos ocupam o local durante 20 anos. Durante a Revolta de Bar Kochba de 132-135, combatentes judeus se estabelecem em Qumran. Depois disso, o local foi abandonado. Acredita-se que grande parte dos manuscritos encontrados tenham sido escondidos nas cavernas durante a guerra contra Roma.

Os Pergaminhos do Mar Morto em mãos de Israel

Foram necessários mais de 20 anos, mais precisamente até a Guerra dos Seis Dias, para que todo o precioso material arqueológico estivesse em mãos israelenses.

Os quatro pergaminhos da descoberta inicial que ainda estavam nas mãos de Mar Samuel, voltaram para Israel em 1954. Em 1o de junho daquele ano, desesperado, ele publica um anúncio no The Wall Street Journal colocando-os à venda. Na época, Yigael Yadin estava nos EUA dando palestras e a Embaixada de Israel o coloca a par do anúncio.

Determinado a comprar os pergaminhos para seu país, ele sabia que tinha que agir com cautela, mantendo seu nome e o de Israel por fora temendo que Mar Samuel não consentisse em vendê-los. Yadin entra em contato com seu amigo, o Dr. Harry Orlinsky, estudioso e tradutor de textos bíblicos, e lhe pede que vá a Nova York. Explica que devia assumir o nome de “Mr. Green” e fazer-se passar por um perito enviado por um possível comprador para autenticar os pergaminhos; e ir ao Chemical Bank and Trust Co, assegurando-se de não estar sendo seguido.

Orlinsky encontra-se no cofre do Banco com o representante de Mar Samuel. Este retira de um cofre preto os quatro manuscritos. Após autenticá-los, Orlinsky vai a um telefone público, liga para um número e diz as palavras-código: Lechaim, Viva! A missão tinha sido um sucesso. O preço acordado pelos quatro pergaminhos foi de US$ 250.000 – uma barganha mesmo para a época. Os pergaminhos são despachados, separadamente, para Israel. Lá, foram reunidos aos outros três rolos que, sete anos antes, o pai de Yadin comprara.

Em fevereiro de 1955, o Primeiro Ministro de Israel à época, Moshe Sharett, convoca uma coletiva de imprensa para anunciar que todos os sete pergaminhos estavam, finalmente em Israel. No início da década de 1960, construiu-se em Jerusalém o Santuário do Livro, Heichal ha-Sefer, para abrigar os sete tesouros encontrados na Caverna 1.

Mais 12 anos se passaram até que todos os achados estivessem, por fim, em mãos de Israel. Durante a Guerra de Seis Dias, de 1967, os jordanianos não os transferiram para um local “mais seguro”, como acontecera em 1956, antecipando um possível avanço de Israel. Eles foram simplesmente levados ao subterrâneo do Museu. No terceiro dia da Guerra, Israel capturou Jerusalém Oriental e arqueólogos israelenses entraram no museu em busca dos Pergaminhos.

Yadin, à época assessor militar do Primeiro Ministro Levi Eshkol, sabia que o “Pergaminho do Templo” estava sendo escondido por um comerciante de antiguidades. Descoberto na Caverna 11 em 1956, até o início dos anos 1960 ninguém no Ocidente sabia de sua existência. Um pastor americano, preposto de um negociante de antiguidades – que, mais tarde se soube ser Kando – escreveu a Yadin oferecendo um pergaminho completo por US$ 100.000. Era o Pergaminho do Templo. O intermediário concordou em enviar um fragmento a Yadin, que, após examiná-lo, garantiu ser autêntico. O texto, em hebraico, que recebera tratava do papel do Sumo Sacerdote. Iniciam-se as negociações, mas o vendedor continuava a subir o preço, e em maio de 1962, cessou toda a comunicação entre as partes.

Em 7 de junho, Yadin enviou um coronel do Exército de Israel a Bethlehem, já em mãos israelenses, para confrontar Kando. As suspeitas de Yadin estavam corretas. Ao ser confrontado, Kando removeu alguns ladrilhos do chão de sua casa e de lá tirou uma caixa de sapatos onde tinha colocado o “Pergaminho do Templo”, enrolado em celofane e toalha e embrulhado com papel. As autoridades israelenses o confiscam, pagando a Kando US$ 105.000. Finalmente, o “Pergaminho do Templo” estava a salvo e foi exposto junto dos primeiros sete rolos, no Santuário do Livro, no Museu de Israel. Todos os demais manuscritos e fragmentos de textos estão preservados no Museu Rockefeller, em Jerusalém, onde fica o Departamento de Antiguidades de Israel.

A batalha para publicá-los

Os textos dos sete pergaminhos da descoberta inicial foram publicados por estudiosos israelenses e americanos já na década de 1950 e disponibilizado a outros pesquisadores. No entanto, o tesouro arqueológico que estava nas mãos do time de estudiosos reunidos pelo padre de Vaux publicara uma parte bem reduzida do material, e não permitia que outros pesquisassem o material. Estudiosos acreditavam que após Israel ter assumido o controle, os pergaminhos seriam disponibilizados rapidamente. Mas tudo ficou na mesma. Mesmo sob os auspícios israelenses e apesar da insistência de Yadin, os avanços para sua publicação continuavam emperrados.

O problema era que Israel queria ser visto como “um conquistador de boa paz”. Avraham Biran, diretor do Departamento de Antiguidades, e Yigael Yadin trabalharam em busca de um relacionamento amigável entre Israel e a equipe de publicação, apesar de saber que o sentimento prevalecente na Escola Bíblica era de ressentimento contra Israel – ao ponto de os pesquisadores, todos antissionistas, recusarem-se a pisar em Jerusalém após 1967.

Mas Israel não queria ser acusado de apropriação intelectual e, de início, manteve o status quo, deixando a responsabilidade pela publicação em mãos da equipe original e aceitando a exclusão dos pesquisadores judeus e israelenses. Quando de Vaux procura Biran, este lhe comunica que Israel honraria os direitos de publicação de sua equipe – ou seja, os direitos exclusivos de publicar os pergaminhos sem permitir que outros estudiosos tivessem acesso aos mesmos nesse ínterim. Mas o “monopólio” e a demora na publicação desperta conflitos e controvérsias crescentes.

Em 1980, Emanuel Tov e Elisha Qimron são os primeiros israelenses a trabalhar nos pergaminhos. John Strugnell, chefe da equipe internacional de 1986-1990, aumenta ainda mais o número de participantes e inclui alguns judeus. Em 1990, depois de uma entrevista onde ele se auto descreve como “anti-judaísta”, dizendo entre outros : “… Judaísmo – uma religião horrível”, ele é destituído e Emanuel Tov, professor da Universidade Hebraica, assume como editor-chefe do projeto de publicação dos manuscritos. O Prof. Tov aumentou o número de pesquisadores e ficou na direção até o término dos trabalhos.

Em 2008, Tov presenciou o término real da série oficial de 40 volumes, e sua publicação. Em dezembro de 2012, mediante colaboração com a Google, o Departamento de Antiguidades de Israel disponibilizou on-line os Pergaminhos, constituindo a “Biblioteca Digital Leon Levy de Pergaminhos do Mar Morto”. Essa biblioteca digital pode ser acessada gratuitamente.

Importância dos Pergaminhos

Atualmente há um consenso entre os estudiosos acerca da necessidade de um grande foco no contexto judaico dos Pergaminhos do Mar Morto. Entendem, ainda, que essa abordagem também permite que esses documentos tenham um papel ainda maior em facilitar o entendimento sobre os primórdios do Cristianismo.

A descoberta dos Pergaminhos nos ofereceu a oportunidade de aprender muito não apenas sobre a seita de Qumran, mas também sobre outras seitas do período do Segundo Templo. Somente compreendendo a complexa dialética entre acordo e desacordo podemos traçar corretamente o panorama religioso da antiga Terra de Israel. Uma das várias conclusões do trabalho é que mesmo no contexto das inúmeras disputas entre os diferentes grupos judaicos à época, certos pontos básicos em comum caracterizam o Judaísmo.

A centralidade do estudo da Torá era comum a todas as seitas e, apesar das disputas entre fariseus, saduceus e a seita de Qumran, é importante esclarecer que a observância da lei dos sacrifícios, do Shabat, de pureza e de outras práticas haláchicas eram comuns aos judeus do período do Segundo Templo. Ademais, os Pergaminhos revelam a existência de um grande grau de continuidade entre o Judaísmo antes e após a destruição do Segundo Templo.

1Paleografia estuda a origem, forma e evolução da escrita.

2 Alguns desses eventos têm várias versões, das mais realistas às mais fantasiosas.

3 Hoje, Instituto W.F. Albright de Pesquisa Arqueológica.

4O Papiro Nash, fragmento mais antigo do Tanach conhecido até então, contém o texto dos Dez Mandamentos e do Shemá Israel.

Bibliografia

Lawrence H. Schiffman, Qumran and Jerusalem: Studies in the Dead Sea Scrolls and the History of Judaism. Edição do Kindle.

Shanks, Hershel, The Mystery and Meaning of the Dead Sea Scrolls. Edição do Kindle.

Leonard, Cheryl, The Dead Sea Scrolls: Ancient Secrets Unveiled. Edição do Kindle.

 

 

Obrigado pela leitura! 

Fonte de apoio e agradecimentos especiais: Revista Morashá de Cultura ” Judaísmo Vistual – Acesse: www.morasha.com.br

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom!!! 

Comente aqui


Entidade Israelita Forma Profissionais! Shalom! $$$$$$$…….

Maringá, quarta feira, 27 de Dezembro de 2017.

Jerusalém, 9 de Tevet de 5778. 

 

 

Tsedaka! – Caridade!

Disse O Eterno _ Amaras Ao Teu Próximo Como A Ti Mesmo! 

Baruch Hashem ! 

A Unibes Cultural Associação Filantrópica, Cultural, Social de Origem Judaica Com Sede Na Rua Rodolfo Miranda, Bom Retiro, Próximo a Estação Armenia Localizada Em São Paulo-SP. Traz Luz mais uma vez de outra forma!

Formando Profissionais na sua maioria pessoas que buscas aperfeiçoamento profissional e imigrantes em situação de refugiados de vários países que se  em conflitos desarmonia social ou que tiverem deixar sua casa a pátria e amigos e familiares. Assim, com a formação profissional podem interagir e ter melhor qualidade e dignidade social.

Buscando ter uma vida em paz e saudável ! Mazal Tov a Comunidade Judaica do Brasil, São Paulo-SP e Entidade Unibes! Juntamente, com seus colaboradores, voluntários, diretores e mantenedores através de doações!

 

Shana Tová Umetuka – Que Seu Ano Novo, Seja Mais Doce! 

O programa Raízes na Cozinha formou sua primeira turma, em 9 de dezembro, na Unibes Cultural. Com 20 participantes, a ação da ONG Migraflix promoveu o empreendedorismo gastronômico para refugiados e imigrantes residentes em São Paulo. A cerimônia integrou as comemorações do Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado em 10 de dezembro / Foto: Cômodo/Agência Riguardare

 

 

 

Bruno Assami-Diretor da Unibes Cultural –  Foto: O programa Raízes na Cozinha formou sua primeira turma, em 9 de dezembro, na Unibes Cultural. Com 20 participantes, a ação da ONG Migraflix promoveu o empreendedorismo gastronômico para refugiados e imigrantes residentes em São Paulo. A cerimônia integrou as comemorações do Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado em 10 de dezembro / Foto: Cômodo/Agência Riguardare

 

 

 

Obrigado pela leitura! 

Fonte de Apoio e Agradecimentos Especiais: Assessoria de Imprensa UNIBES ;

Créditos de Imagens:   Cômodo/Agência Riguardare;

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom ! 

 

Comente aqui


Novo Sefer Torá Para Sinagoga Talmud Torá! Shalom!!!

Casal Arbaitman realiza grande mitzvá e reúne comunidade judaica em tradicional sinagoga do Bom Retiro.

Maringá, segunda feira, 25 de Dezembro de 2018.

Jerusalém, 7 de Tevet de 5778.

 

 

Obrigado pela leitura! 

Crédito de imagens: Programa Shalom Brasil.

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom Lé Kulam – Paz À Todos!

Comente aqui


Jerusalém, Ganhou Nova Sinagoga Essa Semana! Shalom!!!

 

 

Maringá, sábado, 23 de Dezembro de 2017.

Jerusalém, 5 de Tevet de 5778.

 

 

Jerusalém Capital Of de Israel .

Jerusalém Cidade Querida E Eterna Dos Profetas! 

Mais Uma Sinagoga Fora Inaugurada Essa Semana Em Jerusalém-israel. Anexada ao Kotel ( Muro das Lamentações ). E, o que restou do Segundo Templo de Salomão …Local onde Judeus e Demais Turistas e Pessoas Do Mundo Inteiro Passa Por Lá ! E, depositam em pequenos papéis seus pedidos de ordem pessoal e espiritual.

Boas Comemorações a Todos!

Shana Tová Umetuka – Que Seu ano Novo, Seja Mais Doce! 

Shavua Tov Lé Kulam – Boa Semana À Todos! 

 

 

 

 

 

 

Obrigado pela leitura! 

Crédito de Imagens: Ministério Do Turismo de Israel!

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom ! Baruch Hashem! 

2 Comentários
 

“Tu B’ Shvat” E As Sete Espécies! Shalom ! $$$$$$$…….!

 Imagem Ilustrativa ( Foto ) 

Maringá, terça feira, 19 de Dezembro de 2107.

Jerusalém, 1 de Tevet de 5778.

Tu B’Shvat e as Sete Espécies

“Porque o Eterno, teu D’us te traz a uma boa terra…
terra de trigo e cevada, de figueira e de romeira;
terra de oliveira que dá azeite, e de tamareira”
(Deuteronômio 8:7-9)


O 15o dia do mês judaico de ShvatTu B’Shvat, é o Ano Novo das Árvores – um dos quatro Anos Novos mencionados no Talmud. Os outros três são 1o de Tishrei (Rosh Hashaná), 1o de Nissan e 1o de Elul.

Qual o propósito de um Ano Novo para as árvores? Segundo a Lei da Torá, o ciclo agrícola na Terra de Israel leva sete anos, e conclui com um ano sabático – a Shemitá. Quando o Templo Sagrado de Jerusalém estava de pé, nos seis primeiros anos de cada ciclo os plantadores eram obrigados a separar uma porção de sua produção anual e reservá-la para os seguintes propósitos sagrados: cerca de 2% da produção eram dados a um Cohen – isso é conhecido como Terumá – e 10% a um Levi – o que se chama de Maaser Rishon(Primeiro Dízimo). Após determinar a Terumá e o Maaser Rishon, nos anos um, dois, quatro e cinco de cada ciclo, os plantadores tinham que separar outros 10% de sua produção e comê-los em Jerusalém. Esse dízimo é chamado Maaser Sheni (Segundo Dízimo). No 3o e 60 anos do ciclo, em vez de comer o Maaser Sheni em Jerusalém, os fazendeiros davam esse Segundo Dízimo aos carentes, que, por sua vez, podiam consumi-lo onde quisessem. Esse dízimo é conhecido como Maaser Ani (Dízimo do Carente). No sétimo ano do ciclo, não havia separação de dízimos, pois toda a produção que cresce durante a Shemitá não tem dono e pode ser colhida por qualquer um.

Como a Torá não nos permite separar dízimos das safras de um ano anterior, era fundamental determinar o início de uma nova safra. Nossos Sábios determinaram que os frutos que floriam antes do dia 15 de Shvat eram safra do ano anterior. Se cresciam a partir desse dia 15, eram produto do novo ano. No entanto, o ano novo para grãos, legumes e verduras é o dia 1º de Tishrei – Rosh Hashaná. Por que, então, o ano novo das frutas é no dia 15 de Shvat e não em Rosh Hashaná? Porque na região do Mediterrâneo, a estação chuvosa se inicia na festa de Sucot. Leva aproximadamente quatro meses – de Sucot (que se inicia no dia 15 de Tishrei) até o dia 15 de Shvat – para que as chuvas do ano novo saturem o solo e as árvores deem frutos. Todos os frutos que florescem antes são produto das chuvas do ano anterior e, portanto, contabilizados para os dízimos juntamente com a safra do ano anterior.

As leis dos dízimos são técnicas. Preenchem muitas páginas do Talmud Yerushalmi, mas têm pouca relevância para a maioria dos judeus. Na verdade, Tu B’Shvat é uma data que não teve significado prático durante os milênios em que o Povo Judeu esteve exilado da Terra de Israel. Contudo, sempre foi uma data festiva no calendário judaico. Ainda que não seja um Yom Tov – um dia sagrado –, é uma data festiva na qual omitimos as preces de Tachanun (pedidos de perdão e confissão). São muitas as razões para esse dia ser festivo. Uma delas é o fato de que durante os 2000 anos em que nós, judeus, vivemos na Diáspora, Tu B’Shvat nos recordava a conexão eterna de nosso povo com a Terra de Israel. Outra razão para sempre termos celebrado Tu B’Shvat é que apesar de ser o Ano Novo das árvores, atribuímos significado especial à data pois, como nos ensina a Torá, “o homem é a árvore do campo” (Deuteronômio 20:19). As leis referentes a essa data podem ser técnicas e irrelevantes para muitos judeus, mas nossos Sábios derivam muitas lições relevantes da comparação que a Torá faz entre o homem e a árvore do campo.

Celebramos Tu B’Shvat consumindo frutas, particularmente as sete espécies destacadas pela Torá como prova da fertilidade da Terra de Israel: trigo, cevada, uvas, figos, romãs, azeitonas e tâmaras.

Shivat HaMinim – as Sete Espécies da Terra de Israel

Ademais de ser um livro de leis e ensinamentos, a Torá é um código. Significa exatamente o que está escrito, mas há infinitos níveis metafóricos e alusivos em suas entrelinhas. Por exemplo, quando a Torá afirma que a Terra Prometida se distingue por meio de suas sete espécies, faz alusão à alma do homem e às sete qualidades que a movem e enriquecem. Como um dos propósitos primordiais do estudo da Torá, e particularmente da Cabalá, é atingir-se o autoconhecimento, é importante nos aprofundarmos no que dizem os livros místicos sobre o simbolismo das Shivat HaMinim – as Sete Espécies da Terra de Israel – que temos o costume de comer na celebração de Tu B’Shvat.

1. Trigo: Transcendência

Aprendemos na Cabalá que cada um de nós tem duas almas distintas: uma Divina, que incorpora nossos impulsos transcendentes, e uma animal, que é a origem de nossos instintos naturais e auto orientados.

Na Torá, o trigo é considerado a base da dieta humana, enquanto a cevada é mencionada como alimento animal (Talmud BavliSotá14a). O trigo simboliza a alma Divina, ao passo que a cevada, a alma animal. O trigo representa o empenho humano em buscar transcendência – ou seja, elevar-se para alcançar o Divino.

O Talmud tece um comentário de que o fruto proibido no Jardim do Éden era o trigo. Ainda que o trigo não seja tecnicamente uma fruta, sua natureza era diferente no Éden. Por que teria Eva sucumbido à tentação e consumido o fruto proibido? Porque a serpente lhe havia dito que se o fizesse, o ser humano se tornaria como D’us. O desejo de comer o fruto proibido surgiu do anseio humano de união com o Divino, ainda que isso fosse autodestrutivo.

Contrariamente à alma animal, que busca a autopreservação e o prazer, a alma Divina busca a comunhão com D’us. Aquele que apenas alimenta sua alma animal e priva a Divina de seu alimento espiritual, nunca encontrará a verdadeira felicidade, satisfação e paz. A alma Divina somente pode ser alimentada com espiritualidade. Não há quantidade de fartura material que a sacie. O trigo – a primeira das Sete Espécies – nos ensina que nossa prioridade na vida tem que ser nutrir, adequada e plenamente, nossa alma Divina.

2. Cevada: Vitalidade

Como vimos acima, a cevada representa a alma animal. Aparentemente, o trigo tem uma conotação positiva e a cevada, negativa. No entanto, é um erro acreditar que a alma animal deva ser menosprezada. Segundo a Cabalá, nosso empenho em nutrir e desenvolver a alma animal é uma tarefa não menos fundamental para nossa missão na vida do que o aperfeiçoamento da alma Divina.

É verdade que, contrariamente à alma Divina, a alma animal é envolta em uma carga de negatividade – egoísmo, ganância, luxúria, vaidade e crueldade, entre muitas outras falhas humanas. Contudo, ela tem certas vantagens sobre a alma Divina: a vitalidade, a determinação e a paixão que o lado mais espiritual do ser humano não possui, em geral. Aqueles que sabem aproveitar a vitalidade da alma animal podem realizar grandes coisas – talvez até mais do que aqueles que são principalmente impulsionados pela alma Divina. O essencial é que se use a alma animal para causar impacto positivo no mundo, pois nada é mais destrutivo do que a vitalidade mal direcionada.

A cevada, segunda das Shivat HaMinim, ensina que se direcionarmos adequadamente nossa alma animal, esta pode ser um excelente aliado de nossa alma Divina em ajudar-nos a executar nossa missão neste mundo.

3. Uva – Alegria

As uvas são associadas com a alegria. Como está no Tanach, “… meu mosto, que alegra a D’us e aos homens…” (Juízes 9:13).

A alegria é um elemento indispensável à vida. A Torá nos ordena servir a D’us com alegria e desaprova a tristeza e a depressão.

A importância da alegria se percebe em tudo. Quando estamos alegres, tudo o que fazemos fica mais evidente: nossa mente fica mais brilhante, nosso amor mais profundo, nossos desejos mais intensos. A alegria permite que as emoções brotem. Como ensina o Talmud, “Quando o vinho entra, os segredos saem”. Quando nos embebemos de alegria, podemos revelar mais facilmente os grandes tesouros que estão profundamente aninhados em nossa alma.

Por outro lado, uma vida sem alegria é rasa e vazia. O ser humano pode ter tudo – pode possuir uma infinidade de bênçãos materiais e espirituais –, mas se não tiver alegria, não viverá toda a plenitude da vida. Tanto a alma Divina como a animal contêm amplos reservatórios de discernimento e sentimento, mas, na ausência de alegria, esse manancial nunca é expresso plenamente porque não há nada que os estimule. A uva representa justamente o elemento que libera esses potenciais, adicionando-lhes cor, profundidade e intensidade em tudo o que fazemos.

4. Figo – Envolvimento

Uma vida plena, no entanto, não exige apenas alegria – mas também envolvimento. Podemos realizar muitas coisas de forma séria e competente, mas podemos não estar envolvidos muito profundamente na tarefa que temos que realizar. Envolvimento significa mais do que executar algo com cuidado e precisão; significa envolver-se plenamente em algo com nossa mente, coração e alma.

O figo simboliza esse envolvimento. São várias as opiniões a respeito da identificação do fruto proibido no Jardim de Éden: uva, trigo (como vimos acima) e Etrog (uma das quatro espécies de Sucot). Mas há também uma opinião que diz que o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal era o figo. Como ensina a Cabalá, o conhecimento requer um profundo envolvimento – simbolizado pelo figo – com algo ou com alguém. O pecado original se originou na recusa do ser humano em se reconciliar com o fato de que há certas coisas com as quais não se pode envolver. Adão e Eva comeram do fruto proibido porque queriam se igualar a D’us. Queriam se envolver com cada uma das criaturas Divinas – mesmo com o mal, que D’us proibira.

O figo do Jardim de Éden foi a origem de todas as forças destrutivas do mundo. Contudo, essa fruta também simboliza nossa capacidade de envolvimento profundo e íntimo com nossos esforços positivos – um envolvimento que significa que nos preocupamos profundamente com tudo o que fazemos.

5. Romã – Ação

Romãs simbolizam ação. Há muitas ocasiões, na vida, em que o imperativo nos dita simplesmente realizar algo, sem sentir nem pensar, mas agir. Por exemplo, a Torá nos impõe cumprir seus mandamentos mesmo se os realizarmos sem conscientização, alegria ou envolvimento. Nas palavras dos Sábios: “O mais importante é a ação”. O Judaísmo está muito mais preocupado com as ações de uma pessoa do que com suas intenções. É melhor ajudar pessoas carentes mesmo sem sentirmos compaixão do que estar cobertos de piedade pelos necessitados e nada fazer para socorrê-los.

Há um famoso ensinamento talmúdico que diz que “mesmo os vazios, entre os judeus, estão repletos de boas ações como a romã está repleta de sementes”. Um dos significados desse ensinamento é que mesmo quem é “vazio” – aquele que possui pouco conhecimento e não está ligado com sua alma Divina –, mesmo ele realiza uma enormidade de boas ações. Trata-se de uma característica que redime a alma humana: a capacidade de erguer-se acima de si mesmo e fazer o que é certo mesmo quando não se tem motivação para tal.

6. Azeitona – Desafio

Um dos grandes mistérios da condição humana é que, em geral, somos mais inovadores e capazes quando nos deparamos com limitações, pressões e dificuldades. Damos o melhor de nós quando pressionados; quando nosso “combustível” espiritual é “espremido” de nós devido a uma situação desafiadora ou opressiva. A sexta qualidade da alma é representada pela azeitona, que, espremida, produz azeite de oliva – fonte de sustento e de luz. O fruto da oliveira representa a capacidade humana de transformar dificuldades em forças poderosas para a realização e o crescimento – física e espiritualmente.

7. Tâmara – Tranquilidade

Em contraste com a azeitona temos a sétima fruta, a tâmara, que simboliza nossa aptidão para a paz, tranquilidade e perfeição. É bem verdade que damos o melhor de nós diante de um desafio, mas também é verdade que há muito potencial em nossa alma que apenas emerge quando estamos em paz – apenas quando atingimos o equilíbrio e a harmonia entre os diferentes componentes de nossa alma.

Está escrito no Livro dos Salmos que “Os Tzadikim, os justos, florescerão como a tamareira” (Salmos 92:13). O Zohar, obra fundamental da Cabalá, explica que há uma certa espécie de tamareira que só dá frutos após 70 anos. A alma humana é composta de sete atributos básicos, cada um deles, por sua vez, com 10 subcategorias. Assim, o Tzadik que floresce após cumprir 70 anos é fruto de uma alma cujo caráter, em todas os seus aspectos, foi refinado e está em harmonia consigo mesmo, com os seus semelhantes e com D’us.

Apesar de azeitonas e tâmaras serem antíteses metafóricas, ambas podem existir dentro de todo ser humano. Mesmo em meio a nosso empenho mais ardente, podemos sempre encontrar conforto e força na perfeição que reside na essência de nossa alma. Ao mesmo tempo, mesmo quando encontramos a paz – interna e com o mundo –, sempre podemos encontrar um desafio que nos impulsione a realizações ainda maiores.

Tu B’Shvat é um dia festivo que nos transmite muitas lições. Com as Sete Espécies da Terra de Israel aprendemos que a vida é plena quando o ser humano é guiado pela transcendência de sua alma Divina e impulsionado pela vitalidade de sua alma animal. As Sete Espécies também nos ensinam que uma vida plena requer alegria, envolvimento, vontade de agir, habilidade de vencer as dificuldades e capacidade de encontrar tranquilidade dentro de si próprio e no mundo. Um dos temas centrais de Tu B´Shvat é a comparação entre o homem e a “árvore do campo”. Assim como o fruto é a maior conquista da árvore, D’us conclama os seres humanos a usar seus poderes e recursos espirituais para constantemente dar frutos.

 

Bibliografia:

The Seven Species and Seven Attributes, Rabbi Simon Jacobson, http://www.chabad.org/

Comente aqui


70 Anos Da Partilha! Shalom!!!

” VOTAÇÃO DA ONU EM 29 DE NOVEMBRO DE 1947 “

 

Maringá, segunda feira, 18 de Dezembro de 2017.

Jerusalém, 30 de Kislêv de 5778.

 

70 ANOS DA PARTILHA…

Por  Zevi Ghivelder

O dia 29 de novembro de 1947 ascendeu à condição de data histórica por registrar a decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas que adotou a resolução de dividir a antiga Palestina em dois estados, um árabe, outro judeu. Agora está sendo celebrado o 70º aniversário desta partilha que se desdobrou em um sucesso e um fracasso.


O sucesso corresponde à efetiva criação de Israel, no ano seguinte, e que em sete décadas alcançou êxitos surpreendentes em todos os campos da atividade humana na moldura de um estado democrático de direito. O fracasso diz respeito à recusa dos árabes em aceitar os termos da partilha, tendo deixado de estabelecer sua própria nação no território que lhes competiria, preferindo submeter-se à soberania do rei Abdullah, da então Transjordânia, atual Jordânia.

Entretanto, é importante assinalar que sobre o atual 70o aniversário avulta outro, de 80 anos, igualmente relevante, que foi a semente do conceito da implantação de dois estados na antiga Palestina. Trata-se da Comissão Peel, constituída em maio de 1936 pelos mandatários britânicos, com a finalidade de resolver os dramáticos problemas então existentes naquela região. Sete anos antes, uma rebelião árabe havia massacrado judeus em Jerusalém, Hebron, Safed e outras cidades, resultando em mais de uma centena de mortos e mais de 300 feridos. No mesmo ano de 1936, os árabes promoveram uma greve geral no território sob mandato, sabotando ferrovias, linhas telefônicas e bloqueando estradas, além de incendiarem propriedades e plantações do ishuv (judeus residentes na Palestina) e atacarem os ingleses com operações de guerrilhas.

A chefia da comissão foi confiada ao lorde William Peel, 69 anos, destacado político e empresário inglês. A chamada Comissão Peel chegou à Palestina em novembro, tendo os árabes desde logo anunciado que boicotariam todas as suas ações. Os líderes do ishuv perceberam que seu futuro estava ameaçado e preparam para apresentar à Comissão Peel um memorando com 228 páginas e cinco apêndices, no qual esmiuçaram a história da Palestina e seu vínculo ancestral com o povo judeu, as implicações legais e territoriais que levaram à atribuição do mandato ao Império Britânico e os progressos materiais e agrícolas alcançados pelos colonos judeus nos últimos vinte anos, ou seja, desde a Declaração Balfour. (Trata-se de um documento emitido por Lord Balfour, membro do gabinete inglês, em novembro de 1917, afirmando que o governo de Sua Majestade era favorável à criação de um lar nacional judaico na Palestina). A argumentação do ishuv enfatizava que há três anos os nazistas estavam no poder na Alemanha e, portanto, eram graves as ameaças que pairavam sobre os judeus.

Entre novembro de 1936 e fevereiro de 1937, Chaim Weizmann, David Ben Gurion e Zeev Jabotinsky, líderes proeminentes do movimento sionista, prestaram depoimentos perante a Comissão Peel. Uma leitura atual de suas palavras demonstra que o sionismo jamais foi apresentado e defendido com tanto fervor e precisão desde a atuação de Theodor Herzl no Primeiro Congresso Mundial Sionista, quarenta anos antes. De todos, Ben Gurion foi o mais assertivo: “Nossos direitos na Palestina não decorrem do mandato, nem da Declaração Balfour. Nossos direitos estão no mandato da Bíblia que nós mesmos escrevemos em nosso idioma, aqui nesta terra”. O depoimento de Jabotinsky foi em fevereiro de 1937, na Câmara dos Lordes, com o recinto em Londres lotado e mais milhares de pessoas fazendo vigília em torno do prédio. Weizmann também falou em Londres, a portas fechadas, advertindo aos ingleses que eles se arrependeriam das concessões que estavam sendo estendidas ao Mufti de Jerusalém, um declarado aliado do regime nazista.

Por causa das repercussões internacionais alcançadas por esses depoimentos, os árabes decidiram suspender o boicote à Comissão Peel e o próprio Mufti testemunhou: “Tanto o mandato quanto a Declaração Balfour são inválidos porque resultaram de pressões exercidas pelos judeus que querem reconstruir o Templo de Salomão em nossas sagradas propriedades. A Palestina está plenamente ocupada e não tem como acolher dois povos”. Nos meses seguintes, à medida em que eram colhidos novos depoimentos, os membros da Comissão Peel começaram a concluir que a solução mais plausível seria a partilha da Palestina em dois estados. Chamaram Weizmann informalmente para ouvir sua opinião e este disse: “Não estou autorizado a falar em caráter oficial. Mas acho que é uma boa ideia e que deve ser levada adiante”. Em março, o parlamentar Winston Churchill compareceu perante a Comissão e se opôs à partilha, argumentando que tal divisão daria origem a uma guerra na qual os judeus da Palestina seriam exterminados em face da abissal diferença numérica existente entre os dois lados. Em junho, Sir Archibald Sinclair, líder do Partido Conservador da Inglaterra, ofereceu um jantar a Chaim Weizmann ao qual compareceram Churchill, o líder sionista britânico James de Rothschild e outros ilustres políticos. Quando Weizmann se referiu à ideia da partilha, ainda em gestação, Churchill foi incisivo: “Isso não passa de uma miragem. Vocês, judeus, têm que perseverar, perseverar e esperar!”

No dia 7 de julho de 1937, o gabinete britânico divulgou o relatório da Comissão Peel, com 435 páginas. O documento assinalou a conexão judaica com a Palestina ao longo de três mil anos, as vantagens obtidas pelos árabes por conta do fluxo do capital judaico investido na Palestina, pelo aumento da população árabe nas áreas urbanas desenvolvidas pelos judeus, pelos novos hospitais e clínicas que atendiam tanto a judeus quanto a árabes, além de destacar que a ação dos judeus contra a malária beneficiava a todos na Palestina, sem distinção. O documento ressaltou que no decorrer dos últimos vinte anos os árabes não tinham se afastado sequer uma polegada de sua forma contrária e irredutível ao abordar a Declaração Balfour e o mandato britânico. Em outro trecho, o relatório afirmou que o maior problema não eram os ataques dos árabes contra os judeus, nem contra os ingleses, mas os ataques dos árabes contra outros árabes que não se submetiam às determinações sectárias do Mufti.

Mais adiante o documento diz que o nacionalismo árabe, em vez de emanar de fatores positivos, só tinha como meta incentivar o ódio aos judeus. Mesmo assim, foram acolhidos os nacionalismos de ambas as partes como movimentos legítimos e, por fim, a Comissão Peel sugeriu uma tragicômica divisão da Palestina: os judeus ficariam com 13% do território e os árabes com 80%, cabendo o pouco restante ao Império Britânico, incluindo Belém e Jerusalém. A Comissão sugeriu, ainda, que os árabes locais se incorporassem à então Transjordânia.

O relatório acirrou ânimos entre os judeus, entre os árabes e também entre os ingleses, chegando a atravessar o Atlântico. Lloyd George, chanceler à época da Declaração Balfour, disse que adotar a proposta divisão seria a “afirmação do fracasso da nossa política externa”.

Dezenas de parlamentares, mesmo os simpáticos ao sionismo, tendo à frente Winston Churchill, também foram contrários. Nos Estados Unidos, o célebre magistrado Louis Brandeis manifestou-se contra aquela proposta de partilha e o fez por escrito numa carta endereçada a Felix Frankfurter, outro famoso magistrado americano. Desgostoso, Weizmann escreveu em seu diário: “O terrorismo árabe acaba de conquistar uma grande vitória”. No 20o Congresso Mundial Sionista, reunido em Zurique poucas semanas depois da divulgação do relatório, Chaim Weizmann pediu aos 484 delegados que aprovassem a partilha tal como fora sugerida porque “trata-se de uma proposta revolucionária que abre caminho para o nosso objetivo”. Ben Gurion também aprovou: “Por menor que seja o estado, de uma forma ou de outra ele poderá ser expandido no futuro”. Depois de acalorados debates, o plano da Comissão Peel foi aprovado por 300 votos contra 158 e 26 abstenções. Por seu turno, os árabes rejeitaram a totalidade do relatório e afirmaram que jamais reconheceriam um território judaico na Palestina por menor que fosse. A violência árabe prosseguiu até 1939, quando os ingleses emitiram o infame White Paper que além de proibir a imigração de judeus para a Palestina também anulou o relatório da Comissão Peel. Mas, a semente da solução por dois estados estava plantada e viria a frutificar dez anos depois de sua concepção.

A Segunda Guerra Mundial, de 1939 a 1945, provocou um hiato nas aspirações sionistas e o ishuv participou do conflito com a criação da Brigada Judaica que lutou incorporada às forças britânicas. Finda a guerra, do ponto de vista britânico, a situação na Palestina se tornara insustentável. No mar, os ingleses faziam de tudo para interceptar os navios da Haganá (exército clandestino judeu), que traziam imigrantes ilegais para a Terra Santa, e muitas vezes não eram bem sucedidos. Em terra, enfrentavam as ações da Irgun, organização também clandestina comandada por Menachem Begin, que atacava e sabotava sem cessar grande número de alvos militares britânicos, incluindo, com grande audácia, seu quartel-general no hotel King David, em Jerusalém.

No dia 27 de janeiro de 1947, teve início uma série de reuniões em Londres, com uma delegação árabe e outra judaica, separadamente. Após dez dias de conversações, os ingleses apresentaram às partes a possibilidade de uma prorrogação de quatro anos do mandato na Palestina, seguido de independência para ambas as partes, caso chegassem a um posterior entendimento e permissão para uma entrada limitada de judeus. Não houve acordo e em abril de 1947, o chanceler Ernest Bevin, ferrenho adversário do sionismo, que já havia remetido para o âmbito das Nações Unidas o problema da Palestina, decidiu jogar mais uma cartada. Propôs a criação de uma Comissão Especial das Nações Unidas Para a Palestina, a United Nations Special Committee on Palestine, ou seja, a sigla Unscopem inglês, que, a partir de junho, percorreria a região e apresentaria novas recomendações para a solução da questão entre árabes e judeus. Bevin julgava que poderia manipular o comitê em favor dos árabes e de seus próprios interesses.

A criação da Unscop agitou a delegação da Agência Judaica (órgão representativo do ishuv), que se encontrava nos Estados Unidos para acompanhar os trabalhos da ONU, instalada num grande rinque de patinação em Flushing Meadows, perto de Nova York. A delegação tinha à frente Moshe Sharett (futuro chanceler e primeiro-ministro de Israel) e seu braço direito, o economista David Horowitz. Ambos decidiram que a Agência Judaica deveria ter dois observadores junto à Unscop. Levaram este pleito à ONU, que o aceitou. Horowitz seria um deles. Àquela altura, encontrava-se em missão em Amsterdã um jovem de 32 anos de idade, militante da Agência Judaica em Londres, nascido na África do Sul, chamado Audrey Sacks, que se tornaria uma celebridade mundial e seria consagrado chanceler de Israel com o nome de Abba Eban. Chamado por Sharett para ir a Nova York e integrar-se como o segundo observador na Unscop, ele conta em sua autobiografia que voltou a Londres e correu para a livraria Foyle’s onde comprou tudo que havia sido publicado até então sobre as Nações Unidas e sobretudo sobre os seus procedimentos internos: “Foi a minha entrada na arena internacional”. Pouco adiante acrescentou: “Como pressenti que o trabalho a partir dos Estados Unidos seria longo, levei comigo, por minha conta, minha mulher Suzy”. Em Londres, antes de partir, Eban narra que se deparou com um ambiente imerso em rancor, a ponto de Bevin ter-se recusado a receber Weizmann, o que era uma absurda quebra no comportamento tradicional da chancelaria britânica. Além disso, membros da Câmara dos Comuns se mostraram céticos quanto à missão da Unscop, tendo um deles afirmado que o problema da Palestina só seria resolvido com guerra e não com um relatório. A propósito, num trecho muito significativo da autobiografia, Eban escreve: “Um dos momentos mais sensíveis da minha vida pública aconteceu quando eu, Horowitz e John Kimche (historiador e jornalista judeu de nacionalidade suíça), fomos ao encontro do diplomata egípcio Azzam Pasha, secretário-geral da Liga Árabe, no hotel Savoy, em Londres.  Horowitz foi o primeiro a falar. Disse que a presença dos judeus no Oriente Médio era um fato consumado e que, mais cedo ou mais tarde, os árabes teriam que aceitar essa realidade. Em seguida, apresentou um plano de acordo político, de garantias mútuas de segurança e de cooperação econômica. Azzam Pasha respondeu que o mundo árabe não estava propenso a nenhum entendimento, acrescentando que o plano de Horowitz era lógico e racional, mas que os destinos das nações não eram determinados por lógicas racionais. E enfatizou que nações não concedem, lutam. Disse que talvez os judeus poderíamos conseguir algo, mas que isso só daria através da força das armas, razão pela qual os árabes tentariam nos derrotar e porque qualquer acordo só seria aceitável segundo os termos da Liga Árabe”. Em seguida, conforme Eban escreve, Pasha foi dura e francamente explícito: “O mundo árabe vê os judeus como invasores e está pronto para lutar contra vocês”. Depois de duas horas de conversa, Kimche, Horowitz e Eban chegaram à rua atônitos. Eles não haviam percebido nenhum sinal de ódio nas palavras de Azzam Pasha que, inclusive, se referira aos judeus como primos. O que lhes aterrorizou foi a impassível postura árabe no sentido de ignorar a lógica, até mesmo a lógica do rancor, dando lugar a um cego fatalismo.

Chegando em Nova York, Eban juntou-se a Horowitz e os dois se dedicaram a analisar os onze nomes internacionais indicados para a constituição da Unscop. Chegaram à conclusão de que, com poucas exceções, não eram homens públicos ou diplomatas de primeira grandeza. O presidente do Comitê era o sueco Emil Sandstrom, juiz da Suprema Corte de Estocolmo em fim de carreira, mas uma pessoa conhecida por suas posições humanitárias. Nicholas Blum, da Holanda, tinha sido governador das Índias Orientais, atual Indonésia. Uma figura central era o juiz da Suprema Corte canadense Ivan Rand, magistrado probo e independente. O diplomata John D.L. Wood representava a Austrália e assim Eban se refere na autobiografia aos três indicados da América Latina: “Salazar, do Peru, era um estereótipo de embaixador de cinema, cabelos brancos, taciturno, austero e dono de um ar de mistério decerto adquirido no Vaticano, aonde servira. O dinâmico e loquaz Rodriguez Fabregat era do Uruguai e García Granados, da Guatemala, tinha experiência com os britânicos no que se referia ao conflito de seu país a respeito do território de Belize”. O nomeado da Checoslováquia foi Karl Lisicky, incerto quanto ao futuro de seu país, prestes a ser dominado pela União Soviética. Da Iugoslávia incorporou-se Vladimir Simic, diplomata veterano. O mundo islâmico se fez representar pelo indiano Sir Abdul Rahman, que, segundo a descrição de Eban, “era 120% britânico no sotaque e nos maneirismos” e o persa Nazrollah Entezam, diplomata de primeira categoria. A Unscop foi oficialmente confirmada pelas Nações Unidas no dia 15 de maio de 1947 e desembarcou na Palestina um mês depois. Abba Eban descreve uma escala em Malta, protetorado britânico, onde por controle remoto de Bevin, o Comitê foi tratado com uma descortesia que beirou à hostilidade.

Dos dias 18 de junho a 3 de julho a Unscop percorreu Jerusalém, Haifa, o Mar Morto, Hebron, Beersheva, Gaza, Jaffa, a Galiléia, Acre, Nablus, Tel Aviv, Tulkarm e Rehovot, além de visitar dezenas de kibutzim (colônias agrícolas coletivas). As audiências públicas da Unscop, constantes de depoimentos de judeus e árabes, aconteceram de 4 a 17 de julho, tendo a Agência Judaica apresentado um inacreditável total de 32 toneladas de documentos. As oitivas foram tão extensas que até mesmo o Partido Comunista da Palestina teve espaço para manifestar sua posição contra o sionismo.

No dia 19 de julho, parte dos membros da Unscop se deslocou até o porto de Haifa, aonde estava em curso o drama do navio Exodus, cujos 4.554 passageiros, sobreviventes do Holocausto, fizeram uma greve de fome que emocionou o mundo, mas mesmo assim foram impedidos pelos ingleses de pisar o solo da Terra Santa e deportados à força de volta para a Europa. Os componentes do Comitê ficaram horrorizados com o macabro espetáculo que presenciaram e ficaram ainda mais sensibilizados quando ouviram o testemunho do reverendo cristão John Stanley, que estivera a bordo do Exodus e implorou à Unscop que decidisse em favor dos judeus. Anos mais tarde, Golda Meir declarou que a intervenção de Stanley tinha sido crucial para a criação do Estado de Israel.

Depois da Palestina, a Unscop foi para o Líbano, onde foi recebida pelo primeiro-ministro Riad al-Sohld e pelo chanceler Hamid Franjieh, e manteve prolongada conferência com representantes da Liga Árabe e breve encontro com maronitas cristãos favoráveis ao sionismo. Em seguida, parte dos componentes do Comitê rumou para a Transjordânia com audiência marcada com o rei Abdullah. O monarca declarou que via com muita dificuldade a aceitação por parte dos árabes do estabelecimento de um estado judeu na Palestina, mas que ele mesmo não era completamente contrário a tal hipótese e que se a mesma se concretizasse, os palestinos deveriam fazer parte de seu reino.

O passo seguinte da Unscop, no dia 26 de julho, foi na direção de Genebra, de onde saiu um sub-comitê para percorrer as zonas da Alemanha e da Áustria ocupadas pelos britânicos e entrevistar centenas de sobreviventes judeus, mantidos em campos de refugiados. Mais de 90 por cento responderam que queriam emigrar para a Palestina. Nas semanas seguintes, a Unscop deu início à tarefa de redigir seu relatório final que constou de dez recomendações, sendo a primeira o fim do mandato britânico da Palestina e outras disposições de natureza econômica, além de dispor claramente que o território deveria ser partilhado entre árabes e judeus, conforme o estipulado e de acordo com um mapa anexado. A cerimônia de assinaturas do documento, em ordem alfabética, pelos onze membros da Unscop foi completada no Palácio das Nações, em Genebra, faltando 15 minutos para a meia-noite do dia 31 de agosto de 1947. O secretariado das Nações Unidas contabilizou que desde o dia de sua investidura até o final dos trabalhos, a Unscop havia recebido 27 mil comunicações, entre cartas e cartões postais. A Palestina a ser dividida contava com uma população de 1 milhão e 200 mil árabes e 570 mil judeus, cabendo às Nações Unidas a tutela de Jerusalém.O futuro Estado Judeu ficaria com 55% do território e 58% do total de seus habitantes. O Estado Árabe, com 45% da área e 99% dos habitantes. A decisão final sobre a partilha caberia à Assembleia Geral.

Abba Eban escreveu em sua autobiografia: “Nós tínhamos bons aliados. O presidente da Assembleia, Oswaldo Aranha, do Brasil, estava religiosamente devotado ao conceito da existência de um estado judaico. Ao seu lado estava a sólida e rotunda figura do secretário-geral, Trygve Lie, que tinha um interesse duplo em nosso sucesso: era necessário um acontecimento que desse ressonância às Nações Unidas na opinião pública mundial e, como socialista norueguês, tinha acompanhado de perto as perseguições nazistas em seu país”. David Horowitz e Moshe Sharett mais outros militantes trabalhavam 24 horas por dia. Telefonemas, cartas e telegramas percorriam febrilmente os continentes. Era preciso encontrar alguém nas Filipinas que tivesse acesso ao presidente e alguém, nos Estados Unidos, que fosse amigo do presidente da Libéria. Faltava convencer diversos países da América Latina e, muito mais difícil ainda, atrair a França e a Bélgica para a causa sionista. Dentre os embaixadores de fala espanhola, García Granados, da Guatemala, ex-Unscop, foi um gigante na defesa da causa sionista.

No dia 27 de novembro, quando a Assembleia Geral se reuniu, os líderes judeus eram uma só depressão. Se houvesse a votação, estava longe a possibilidade de serem alcançados os dois terços dos votos. A única alternativa era pedir aos embaixadores dos países favoráveis à partilha que ocupassem a tribuna e discursassem o máximo possível para que o horário extrapolasse, obrigando o adiamento da sessão. O representante do Uruguai, Rodriguez Fabregat, também ex-Unscop, foi particularmente brilhante, falando por longo tempo, sem, no entanto, deixar transparecer que se tratava de uma obstrução. Ao anoitecer, Oswaldo Aranha cedeu aos apelos da liderança judaica e num gesto amigável deu a sessão por encerrada. O dia seguinte seria feriado nos Estados Unidos, o Dia de Ação de Graças, e, portanto, a Assembleia só voltaria a se reunir dois dias depois. Esse intervalo de 24 horas acabou se tornando crucial. Foi nesse tempo que, a exemplo de outros países, as Filipinas e a Libéria asseguraram seus votos pela partilha. A França, inclinada a votar contra, dava sinais de que poderia mudar de ideia. À última hora, o chefe da delegação árabe, o libanês Camile Chammoun, desencavou uma resolução do comitê político das Nações Unidas, através da qual uma comissão formada pelos embaixadores da Austrália, Tailândia e Islândia tentaria uma solução de compromisso entre as partes. O relatório final caberia ao islandês Thor Thors.

Na manhã do dia 29 de novembro de 1947, o embaixador da Tailândia, Príncipe Wan, deixou Nova York às pressas, alegando que havia um princípio de revolução em seu país. Foi a maneira que encontrou para fugir à pressão árabe de votar contra a partilha.

De qualquer maneira, a sessão seria aberta por Thor Thors; Abba Eban decidiu procurá-lo de manhã cedo no Hotel Barclay. Disse-lhe que se o povo judeu triunfasse com a partilha, estaria realizando um sonho duas vezes milenar. Se fracassasse, esse sonho poderia ficar extinto por muitas gerações. Tudo dependeria da atmosfera que viesse a ser criada por ele na abertura dos trabalhos. A emocionada resposta de Thors deixou Eban desconcertado. Ele disse que a Islândia estava menos remota do destino judaico do que se poderia supor porque a cultura de seu país estava impregnada de lições bíblicas, porque seu povo lutava contra terríveis adversidades da natureza e, portanto, bem compreendia a luta dos judeus.

À tarde, era indescritível a tensão nas Nações Unidas, com frenéticos repórteres, fotógrafos e cinegrafistas de todas as partes do mundo, os embaixadores sendo assediados nos corredores, as galerias lotadas. Aberta a sessão, Oswaldo Aranha deu a palavra a Thor Thors. O embaixador islandês declarou de forma imperativa estar convencido de que era impossível um acordo e que cabia à Assembleia Geral tomar uma decisão. Camille Chamoun ainda tentou obter novo adiamento, mas foi obstado por Aranha, apoiado pelos embaixadores Herschel Johnson, dos Estados Unidos, e Andrei Gromiko, da União Soviética.

Quando os discursos terminaram e Oswaldo Aranha deu início à votação, chamando os países por ordem alfabética, um manto de solenidade cobriu a Assembleia. Os votos foram-se alternando, mais para “sim” do que para “não” e a vitória sionista tornou-se evidente quando a França disse “oui”. Ao término, Aranha declarou com voz firme: “São 33 a favor, 13 contra, 10 abstenções e uma ausência. A resolução está adotada”. Já era madrugada em Jerusalém. A multidão dançava e cantava nas ruas. Sozinho em seu gabinete da Agência Judaica, David Ben-Gurion mantinha a cabeça abaixada e coberta pelas palmas das mãos. Ele avistava a fumaça de uma guerra terrível que viria e que não poderia ser evitada.

 

Obrigado pela leitura! 

Fonte de apoio e agradecimentos especiais: Revista Morashá de Cultura ” JUDAÍSMO VIRTUAL ” -Acesse: www.morasha.com.br 

Pesquisa, tradução e edição: Vital Ben Waisermman, Shalom. : ) 

Comente aqui