Quando se vai a fundo, nem sempre o que se vê é bonito

A revista Veja lançou uma propaganda excelente sobre a importância de investigações profundas.  A mesma ideia serve para uma psicoterapia. Compreender nossas razoes, emoções e fantasias inconscientes é um trabalho profundo e nem sempre belo. É encontrar o que ha de mais doloroso e também narcísico, e por isso mesquinho, em nós. Talvez por isso se tenha preconceito com o cuidar da saúde mental, não pelo preceito de ser “coisa de louco” e sim pelo que se teme desvendar…

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A arte na loucura

Indicações de filmes são sempre bem vindas não é mesmo?

O filme é novo e ainda não assisti, mas pelo que vi da critica parece fazer jus a historia de Nisa da Silveira, médica que atuou em instituições psiquiátricas humanizando o trabalho com pacientes graves. Sua história de vida é linda, e abriu a visão de que transtornos psiquiátricos podem e devem ser cuidados com seriedade, amor e respeito ao paciente.

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Um degrau por vez

Um degrau por dia.

Um dia de cada vez.

A ansiedade, a pressa, a tristeza, os fracassos de outrora turvam nossos olhos, nos dão a impressão de que não adianta mais tentar. De que não valemos a pena. Contudo, é exatamente o contrário, é na desistência que reside o pior. Temos uma tendência a inércia, à desistência. Sigmund Freud (o pai da psicanálise) chamou este mecanismo de pulsão de morte. É uma força que nos puxa para o nada, para o continuar como esta, para a lei do mínimo esforço. Lutar contra isto nem sempre é tão simples, depende de capacidades que foram ou não desenvolvidas ao longo da vida, da quantidade de perdas ja experimentadas e do contexto em que se esta inserido. Algumas vezes se faz necessário medicação e psicoterapia. Ativar a pulsão de vida é muito mais trabalhoso, exige força, coragem, enfrentamento e muito apoio. O resultado é muito saudável, mas leva um tempo para ser percebido. Mas é muito, muito bom!

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De onde menos se espera

Assisti outro dia o documentário Human que relata historias comoventes sobre o que é ser humano. A cada entrevista somos expostos a vivências que nos levam a refletir sobre o sentido da vida, sobre a capacidade de amar, perdoar e ir alem. Muitos relatos são emocionantes. Deixo aqui um que me tocou de forma especial, chamado de “O amor vem do lugar mais improvável”.

 

 

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Sobre dietas e fracassos

passaros

Dieta talvez seja um dos tema mais comuns em uma conversa, todo mundo sempre quer emagrecer – nem que seja 2k – mas conseguir ja tem outro peso (com perdão do trocadilho…). Toda segunda-feira é mestre em receber objetivos que começam as 8h da manhã e nem sempre chegam vivos ate ao meio dia.

Mas por que é assim? O que impede de pôr ou manter em pratica algo que é desejado ou ate mesmo necessário?

As razões são particulares, contudo por trás dela há um núcleo comum: o por que daquele comportamento.

Toda ação tem uma razão e isto vale não apenas para o alimento, mas para tudo na vida. Tudo que fazemos tem um porquê. Essa resposta depende da circunstância e da pessoa, mas enquanto tais razões não são percebidas não adianta o desejo de mudar. Por mais intenso que este seja será barrado nas necessidades inconscientes.

Pois ninguém fica em um relacionamento ruim por querer, nem ganha quilos por prazer, nem se permanece em condições de vida degradantes por gostar. Para todas essas situações ha um grande sofrimento e desejo de mudança. O tempo todo vemos pessoas sofrendo com a vida que tem, julga-las é fácil, dizer que deve mudar mais fácil ainda. Contudo, só estando na situação é que se pode entender o quão complexo é.

Alejandro Jodorowsky, escritor e psicólogo chileno, afirma que “pássaros criados em gaiolas acreditam que voar é uma doença”. Os motivos que mantém um comportamento são a fonte da doença, que tal como a gaiola servem como prisão. Isso é tão cruel, que muitos ate mesmo temem a mudança, como se o perigo fosse sair da gaiola e não permanecer dentro dela. Assim, enquanto tais razões não são esclarecidas a mudança será sempre fadada ao fracasso.

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De menino ou de menina?

armandinho genero

Ontem a tarde fui buscar minha sobrinha na escola e ao entrar no carro ela me conta que um amiguinho não deixou ela brincar com o carrinho dele “mas tudo bem, eu não queria mesmo, carrinho é coisa de menino” me diz ela em tom de deboche.

Fiquei pensando no quanto desde tão cedo – ela tem apenas 5 anos – se aprende o que é de menino e o que é de menina, como se desejo tivesse gênero. Como se o fato dela ter ficado invejosa com o brinquedo do amiguinho (que sim ela queria muito experimentar) se justificasse porque aquilo não era para o sexo dela. Contudo, não justifica, o deboche é a prova do quanto ficou chateada sim, que ela queria sim brincar e que precisa aprender que tudo bem querer – isso é um direito.

Encontro o tempo todo seja em rodas sociais ou na clinica (nesta principalmente), individuos que se sentem inadequados por não se encaixarem nestes tabus. São homens que gostam de coisas ditas como femininas: são ótimos com trabalhos manuais, ou são muito reflexivos, outros muito sensíveis, outros amam moda, vaidade e etc. O mesmo vejo com mulheres que tem aptidões ditas como masculinas: algumas são muito praticas, outras com muita libido, outras ainda se destacam na área de exatas. Parece besteira, mas o quanto tais comportamentos são julgados como sendo de homem ou de mulher, passando por cima da possibilidade de ter dons, habilidades e desejos. Questões estas que não se limitam ao gênero sexual.

A luta pela quebra das questões de gênero é antiga. Vem desde de que a mulher começou a lutar por um espaço de igualdade dentro da sociedade. Ainda se esta longe de alcançar – os salários são diferentes (ate mesmo em Hollywood), os deveres (lavar louça ainda é coisa de mulher), os direitos (homem é garanhão, mulher é galinha) e principalmente os tabus. E precisamos estar muito atentos para não reverberar tal comportamento. Com criança isto é muito visível – a cor da roupa, o estilo, os brinquedos são muito selecionados pelos tabus. Ja vi muitos pais não deixarem um filho comprar um brinquedo X por não ser o “adequado” ao seu sexo. Sempre com o medo de que aquilo seja um sinal de homossexualidade.

Pais: homossexuais não são fruto dos brinquedos, roupas ou qualquer outro ato deste estilo ditos como errado. A opção sexual é individual e dependente de questões psíquicas que não tem nada a ver com a roupagem ou as brincadeiras.

Ao se ensinar uma criança que independente do sexo ela tem o direito de ser respeitada em seus desejos e aptidões se dá a ela a possibilidade de ser autêntica, e de no futuro ter muito mais facilidade para escolher desde bons amigos até mesmo uma boa profissão. Pelo simples fato de que ela não precisará tentar se adequar a algo que não tem nada haver com quem ela é.

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Sobre saúde mental

Sem-Saude-Mental-nao-ha-Saude

 

Dia 10 de outubro foi o dia mundial da saúde mental. Infelizmente ainda existe muito preconceito sobre este tema. Uma tendência a olhar a saúde mental como algo que deveria ser automático e não algo a ser cuidado. A mente tal como o corpo padece. Vivemos num mundo confuso, numa sociedade com valores estranhos e padrões de conduta contrários ao que exige – isso pode chegar a ser enlouquecedor. Alem do fato de que somos criados numa família composta sempre por pessoas que têm uma história o que indica sofrimentos, perdas, frustrações o que leva a angústias e isso se mostrará no relacionamento com os filhos. Sendo assim ninguém está imune de precisar de cuidados para a mente. Tal como o corpo a mente também merece ser cuidada. Mas é uma pena que em geral quando o problema é do corpo corre-se para o médico, mas quando é emocional se exige resolver sozinho como se procurar ajuda fosse fraqueza, frescura ou qualquer coisa do tipo.

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