Mês: fevereiro 2011



A temível volta as aulas…

 

As férias são um tempo de grande alegria para a criança. Representa ficar mais em casa, mais próximo das pessoas que ama, num ambiente que lhe é afetivo e conhecido. Os pais também acabam por se dedicar mais a elas e muitas vezes conciliam suas próprias férias com a da criança. Tornando este tempo ainda mais interessante e agradável.

Contudo, vem o temido dia da volta as aulas. E quase todas as crianças, quanto menores mais comum, dão trabalho aos pais e professores nos primeiros dias. É quase como reviver a entrada na escola: é reclamação, choro, birra, escândalo e até o não conseguir ficar no colégio. Por que isso acontece?

Bem, primeiramente porque é viver uma separação. É ter que se afastar de todo um período agradável e rico afetivamente, para entrar num espaço onde há regras mais firmes, alguns desconhecidos e, principalmente, onde terá que dividir a atenção com muitas outras pessoas. Tudo isso não é fácil para a criança.

Na verdade, nem para o adulto. O retorno das férias muitas vezes é vivenciado com angustia e até mesmo pesar, mesmo para os pais.

Entretanto, precisamos voltar. E é de pequeno que se aprende a tolerar sentimentos como desapontamento, contrariedade e frustração.

Aos pais, cabe entender que este comportamento não irá permanecer caso eles também agüentem. Se os pais cedem a pressão do filho, este se sentirá seguro em permanecer com o mesmo comportamento.

Não é fácil ver um filho chorando e/ou triste. Mas é preciso lembrar que essas frustrações servem para o desenvolvimento emocional da criança. Há tempo de diversão, há tempo de trabalho. Para haver este aprendizado, um quanto de frustração precisará ser enfrentada. E a criança aprenderá a suportar a mesma na proporção em que os pais o fizerem. Ou seja, pais que agüentam o choro, sem se perder nos pedidos do filho. Mostram a eles que entendem sua dor, que também sentirão sua falta, mas que há situações que não se tem escolha, precisam enfrentar.

Aprendizado que servirá para toda a vida, pois a mesma é feita de frustrações o tempo todo. E conforme crescemos a maior parte dos compromissos não se tem como negociar, ao contrário, temos que vivenciar.

Normalmente após a segunda ou terceira semana de aula a criança se re-adapta e passa a tolerar a saudade, a distância e a dinâmica da escola com mais facilidade. E até a perceber oportunidades agradáveis neste local, como os amigos, as brincadeiras e o próprio aprendizado.

Se após este tempo o comportamento da criança permanece, há indicação de que uma ajuda será necessária. Porém, em geral acalma.

 

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Quando os pais se separam

A separação é um momento de muita dor para toda a família. Tanto o casal quanto os filhos precisam rever seus posicionamentos, sonhos e planos frente a nova situação. O que não é fácil para ninguém. Segundo pesquisas, a separação é o segundo maior fator de stress e sofrimento na vida. O primeiro é o luto. Em minha opinião, a separação também é um luto, pois representa a perda de uma condição familiar, de um(a) companheiro(a), onde tudo precisará ser re-organizado e re-planejado. Diante de tantas angustias os pais sentem-se perdidos e confusos frente aos filhos, sem saber como se posicionar ou como ajudá-los. Surgem muitos sentimentos de culpa, o que acaba propiciando um ambiente onde tudo que os filhos pedem acaba por ser permitido na tentativa de diminuir a dor e a culpa.

Bem, vamos refletir sobre isto. Em primeiro lugar, o sofrimento é inerente a esta situação, os pais estão deprimidos, tristes e naturalmente mais angustiados. Isso é natural e um direito. Os filhos também estão sofrendo, o que é natural. Encher os filhos de presentes ou de tudo pode, não ameniza a situação, nem ajuda em nada. Ao contrário, a longo prazo aparecerá outro problema: que é a falta de limites. Sendo assim, os valores, conceitos e limites precisam permanecer na família independente da condição conjugal.

Em segundo lugar, sofrer faz parte da vida. O que é necessário é aprender a enfrentar a situação de forma unida, verdadeira e com paciência. Situações de perda e dor acontecem diariamente com todos nós, algumas vezes com maior intensidade outras com menos, mas sempre acontece! Por isso, assumir que está doendo, que tem dias que se está mais deprimido que o normal é importante, isso é ser verdadeiro consigo próprio. E lembrar que os filhos passarão pela mesma realidade, terá dias mais fáceis e outros mais difíceis. O caminho neste sentido é assumir o sentimento e expor a verdade, dizer “hoje não estou bem, me deixe mais quieto”. A criança precisará escutar que a culpa não é dela, que não foi ela quem causou este sofrimento. E os pais precisam se lembrar que os filhos se entristecerem também não significa que são culpados, mas sim que os rebentos estão tentando elaborar esta nova situação e tem dias que a dor apertará mais. Então diga a eles que está disposto a conversar, ouvir sua dor e respeite caso façam criticas ou silêncio.

Em terceiro lugar, os pais precisam se lembrar que a separação acontece entre o casal NUNCA entre pais e filhos. Deixo de ser esposa, mas não deixo de ser mãe. Deixo de ser marido, mas não deixo de ser pai. Mãe e pai não se tornam amigos dos filhos após a separação, eles precisam continuar a ser pais: que estão presentes apoiando, cuidando, dando limites, regras e broncas. Isso não pode mudar, são esses comportamentos que confirmam para os filhos que os pais continuam vivos em sua vida.

Normalmente quem sai de casa, o tradicional é ser o pai, tende a se afastar dos filhos. Não por falta de amor ou carinho, mas muitas vezes por não saber como se colocar frente a esta nova situação. Uma idéia é se lembrar de que os filhos sentem sua falta e muita. E que independente de quem tenha errado (se é que há um só culpado) os filhos são capazes de perdoar a separação. O que ofende é a ausência!

E por último, lembrar que a imagem dos pais não pode ser denegrida na mente dos filhos. Uma separação nunca se dá pelo casal ter ótima relação. Ao contrário, é sempre porque brigas e diferenças se sobrepõem as coisas boas. Então falar mal do conjugue surge quase que naturalmente. Entretanto, os filhos não devem ser expostos a isso. Não estou dizendo que os filhos não devem saber as verdades sobre os pais, mas que devem eles mesmo descobrirem isto, pela vivencia com cada um. Se a mãe critica o pai ou manda recado, expõe o filho a situações de tristeza e confusão. O mesmo vale para o pai e para os avós e parentes em geral. O filho precisa ser protegido das mágoas dos adultos. Quem se ofendeu foi o casal, os filhos são outro departamento. Mesmo em caso de traição. Quando um filho escuta críticas sobre seus pais, ficam confusos e sem saber como respeitar e até como amar a este outro. Ou seja, não ajuda em nada. Conforme crescerem e ficarem adultos perceberão as falhas de cada um, mas por si mesmo e não pela influencia de outro.

A separação é sempre dolorosa, contudo o posicionamento do casal frente aos filhos é que vai determinar se a situação se tornará traumatizante ou não.

 

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