Mês: março 2011



Se sua realidade muda, seus sonhos não precisam mudar

A realidade por vezes é cruel com os sonhos. Ao longo da vida muitos sonhos são modificados, deixados para traz ou esquecidos. Tal circunstância pode causar frustração e sofrimento. Claro que nem todos os sonhos são possíveis de realização, muitos não o são. Principalmente os infantis, baseados em fantasias e expectativas por vezes irreais. Esses precisam ser aprimorados ou até abandonados. E nem sempre sua falta de concretização causa dor.

Contudo, as aspirações mais fortes que nos acompanham por anos e tem um significado todo especial, estes, quando não concretizado pode trazer grande sofrimento. Em alguns casos até o desenvolvimento de uma depressão.

Frente a eles se faz necessário uma reflexão: o que houve? O que faltou? O que dificultou? Era passível de realização? Onde errei? Qual o contexto inserido? São algumas das perguntas importantes para a compreensão desta ocorrência. Tais respostas podem esclarecer, acalmar a alma e até ajudar a retomar esse alvo com uma nova postura.

Mas e quando a vida muda?

Ficar adulto muda tanta coisa! A realidade da maturidade transforma perspectivas, planos, desejos, enfim, muita coisa. Dificilmente a vida nos leva por caminhos que queremos. Muitas vezes diante dos novos contextos os sonhos são engolidos e engavetados. O que à longo prazo pode trazer uma frustração imensa.

Além do fato de que às vezes a realidade muda a despeito da nossa vontade, por exemplo, frente à perda de um amado seja por luto ou separação, uma dispensa de um emprego desejado, uma tragédia da natureza, um acidente com conseqüências desastrosas, enfim, tantas situações podem nos tirar do rumo, do caminho planejado. Diante dessa nova realidade, tanto a vida quanto as aspirações precisam ser refeitas, o que não é nada fácil. Envolvem viver um luto pela situação antiga, restabelecer emoções e só então estar pronto para pensar no futuro.

Re-encontrar o que te proporciona prazer, o que faz o coração pulsar e o que é desejável para a vida pode ser um caminho para se re-compor e colocar a vida novamente nos trilhos.

Comparo a vida a uma construção, pense em uma. Toda construção é trabalhosa, onerosa e demorada. E cheia de contratempos. Uma reforma pode ser tão ou mais desgastante do que construir algo novo. Refazer sonhos é como reformar. Desgastante, mas necessário, por vezes indispensável. E nunca é tarde para recomeçar, pois os sonhos podem ser atemporais. Se realizados causam grande prazer, até mais quando foram complicados de ser alcançados.

Deixo como indicação desta reflexão um vídeo muito interessante, sobre a vida de Marc Herremans. Um triatleta que fraturou a coluna durante um treino e que teve que repensar toda a vida. A realidade deste atleta mudou, sua condição de vida até física se tornou outra. No entanto, ele refletiu, encontrou dentro de si o que o movia e refez sua história. Com novas circunstâncias, até mais difíceis, é verdade. Mas com muita vontade e garra, o que lhe proporcionou vitórias, lindas vitórias. E uma convicção de que: “se sua realidade muda, seus sonhos não precisam mudar”. Ou seja, sonhos podem ser adaptados, não necessariamente abandonados. Esta pode ser a beleza de crescer.

 

 

6 Comentários


Pais iguais, filhos diferentes

Uma das dúvidas mais freqüentes dos pais é por que meus filhos são tão diferentes se os criamos iguais? Bem, algumas reflexões se fazem necessárias frente a esta questão. Primeiro, será que os pais são os mesmos sempre? E segundo, é possível ter filhos iguais?

Com relação ao primeiro ponto vamos analisar: a vida é feita de experiências, a cada nova circunstância aprendizados são tirados e impactos sobre o comportamento, os valores e o jeito de ser podem surgir no cotidiano de cada pessoa. Assim, com o passar dos anos as pessoas mudam, mesmo que de forma leve e suave. A partir desta idéia podemos entender que os pais não são os mesmos para seus filhos, porque entre o nascimento de um e outro, muitas coisas aconteceram e os modificaram. E isto só no aspecto individual, que dirá das outras esferas. Pois os filhos nascem em momentos de vida também diferentes. A vida social, econômica, espiritual e do próprio casal também difere ao longo dos anos. E todas essas circunstâncias influenciam em como os pais criarão seus rebentos. Não há comparação entre a postura de uma mãe com o primeiro filho para com o caçula. Sua calma, paciência, disponibilidade e ansiedades serão outras em cada momento.

O desenvolvimento de cada indivíduo depende de três fatores, sendo eles os inatos – características de temperamento com as quais nascemos (mais agitados, mais calmos, por exemplo). Mais as características do mundo externo – ambiente, situação sócio-econômica e cultural. Aliados a própria família – valores, ideais, características de personalidade dos pais, forma de se relacionar com o mundo a sua volta, qualidade e estilo de vida do casal, número de filhos e etc. Todos esses fatores se somam e pesam sobre a construção da personalidade de um indivíduo.

Desta forma, um filho nunca será criado de forma igual a outro. No máximo com critérios semelhantes, mas ainda assim haverá diferenças. Um novo filho, novos pais. Com uma mente e momento de vida diferenciada.

Mesmo para filhos gêmeos. Neste caso a diferença reside na afinidade. Cada filho atrai os pais de forma muito única. Com um há maior afinidade, com outro menos. E isso não significa mais ou menos amor. Tem haver com identificação. Há filhos mais parecidos com o pai, o que por vezes pode aproximá-los ou até repeli-los. E isto pode ocorrer tanto da parte do progenitor, quanto da própria criança. Há uma identificação maior ou menor com cada um. Pense na sua família de origem, em quem você era mais ligado, na sua mãe ou no seu pai? Significava que você amava mais a um e menos ao outro, ou apenas que as afinidades eram diferentes? Isso acontece em toda família, alias até na roda de amigos, gostamos de vários, mas com um se tem uma intimidade e facilidade de conversar maior.

E com situações assim permeando o desenvolvimento não tem como os filhos serem criados iguais.

Em segundo lugar, os filhos são díspares porque são pessoas diferentes. Com temperamento, personalidade, gostos, prazeres e forma de entender o mundo, únicas e particulares. Assim, até uma mesma situação é vivenciada por cada pessoa com impactos distintos. Ou seja, numa mesma família as regras, limites, permissões e amor podem ser iguais, entretanto a forma de compreende-las não será a mesma para todos os filhos. Um aceitará bem, outro não, um pode compreender a situação de forma próxima aos pais, outro não e assim por diante.

Muitas vezes os pais comparam os filhos, destacando tais diferenças. O que traz conseqüências desagradáveis. Ao comparar, se diz que um está certo e o outro errado, os pais tomam partido de um filho e deixam o outro com sentimento de negativa, o que cria mágoa, competição e rivalidades que poderiam não aparecer, ou ao menos em menor intensidade. Pois cada filho, aliás, cada ser humano, é único e não tem como ser / agir como outro.

Alem do mais, ser diferente é ruim? O que será difícil em aceitar cada um como é? Sem estipular que há um único modelo, um jeito certo de ser. Algo que beira a utopia. Claro que pessoas distintas causam na família como um todo impactos e influencias que nem sempre são fáceis de lidar. Um filho que pensa diferente, age de forma diversa, exige dos pais um comportamento também novo, o que é bastante trabalhoso. Todavia, quando estas diferenças são aceitas, acolhidas e valorizadas, essas crianças podem ser ajudadas a desenvolver o melhor que há em si, deixando em segundo plano os defeitos. Mas quem não os tem? Defeitos precisam afastar ou podem ser aprendidos a tolerar, a amar apesar deles? Um aprendizado que poderão levar para toda a vida e usar em outros relacionamentos, elevando seu amor próprio.

 

1 Comentário


Uma reflexão sobre a verdadeira beleza

Refletir sobre a beleza é um campo bastante amplo, pois há beleza em tudo: na natureza, nos animais, nos homens, na arquitetura, na ciência, na literatura e assim por diante. Esta reflexão se centrará na beleza humana. O que também não é tarefa fácil, tendo em vista, que se precisa levar em conta que a beleza depende de aspectos sociais, históricos, culturais e individuais. E está relacionado tanto a questões físicas quanto psicológicas. Mas então o que faz uma pessoa ser bela? Pode ir alem do físico, ou acaba nele?

No aspecto social a beleza está ligada a um padrão aceitável a uma época, houve o belo como do obeso tão bem retratado nas pinturas de Botticelli, ou do corpo musculoso como das esculturas de Da Vinci, até chegar na magreza da moda tão bem representada por Kate Moss. Assim o conceito de beleza foi e irá se modificando ao longo da história. Havendo em cada época um modelo fortemente definido.

O que faz parte do aspecto histórico, que é fortemente determinado pelas questões econômicas. Aonde, contraditoriamente, a oferta de alimento vai à contra mão das formas corporais valorizadas. Quer dizer, em épocas nas quais há pouca oferta de alimentos, a imagem feminina acima do peso é que indica poder, enquanto que nos períodos de abundancia de comida, como atualmente, o ser magro é o representante tanto de autodisciplina quanto sucesso (Liveira e Hutz, 2010).

Alem do fato da beleza como diferença da maioria. Quando o imperativo de uma época era o trabalho braçal que gasta muita energia, ser obeso e de pele alva era o representante maior da superioridade e realeza. Com o advento da percepção de que a obesidade é perigosa para a saúde, ser magro se tornou o alvo da riqueza. Pois no século XX, com as pesquisas científicas a obesidade foi percebida como doença, classificada até mesmo pela Organização Mundial da Saúde. E estar magro significa pagar um preço por isso, que vão desde os cuidados com alimentação, passando pelos exercícios físicos até as cirurgias plásticas (Freitas, Lima, Costa e Lucena Filho, 2010). Algo nem um pouco barato.

Há também a beleza cultural, no Japão por exemplo a pele bem clara é considerada a mais bonita, enquanto que aqui no Brasil é a pele bronzeada considerado o desejado. No Oriente, a Índia como representante maior, a maquiagem forte e bem marcada é o ápice do belo. Enquanto que na Europa a maquiagem discreta é considerada o ideal. Desta forma, dependendo de cada região a beleza e a forma de destacá-la também serão diferentes.

Quanto mais então no aspecto individual. Entra-se na idéia de que a “beleza depende dos olhos de quem vê”. O que é muito único para cada um. Há de se levar em conta que de acordo com a biologia evolutiva a beleza é resultado da união de simetria, harmonia e unidade, assim o belo é entendido por todos como sendo belo (Macedo e Sandoval, 2011). Como por exemplo, a imagem da rainha egípcia Nefertiti é, mesmo depois de 3000 anos, considerada ainda lindíssima. Então, o belo pode ser definido como igualmente admirado por todos. Contudo, uma pessoa pode se interessar e achar belíssima uma mulher que outra pessoa não acharia. Ou seja, há o belo considerado socialmente como real, e o belo que se destaca individualmente para cada um.

O que indica que a beleza vai alem do constructo social. Há nele questões psicológicas do que cada pessoa desperta em nós, que podem ser os traços do rosto, o tipo de corpo, o olhar, o jeito de caminhar, o estilo, enfim, detalhes que fazem toda a diferença.

Por este aspecto a beleza deixa de ser apenas física para tornar-se parte da existência de cada um. Algo que se têm muito mais possibilidades de esculpir. Pois leva em conta outros atributos tais como a historia de vida de cada um, a educação, a cultura, a auto-estima, o jeito de ver a vida, o estilo, os cuidados consigo mesmo, enfim, uma variedade tão grande que torna cada um tão único e belo ao seu modo.

Num mundo tão voltado para o externo, pensar em beleza dentro desta visão pode parecer um contra-senso, mas quem sabe seja o único modo possível de encontrar satisfação. Pois o padrão de beleza vigente tem cobrado um alto preço principalmente das mulheres. Transtornos alimentares como bulimia e anorexia acontecendo cada vez mais cedo. Crianças mais preocupadas com o corpo do que o brincar (Oliveira e Hutz, 2010). O envelhecimento visto como negativo, inadequado, indesejado e que deve a todo custo ser evitado (Moreira e Nogueira, 2008). Como se isso fosse possível!

O tempo é implacável, ele chega e não pede licença! Por mais belo que o corpo seja, se a mente não for saudável não é suficiente para manter a chama de um relacionamento amoroso vivo, laços familiares reais e amizades duradouras.

Os aspectos psicológicos são os únicos que nos acompanham durante toda a vida e ao contrário do físico este pode ficar mais belo com o passar do tempo.

Como influenciá-lo então?

Primeiramente olhando para sua auto-estima. Auto-estima é o juízo de valor que um indivíduo tem de si mesmo. Sua construção se inicia na mais tenra idade e influencia por toda a vida o relacionamento consigo mesmo e com as pessoas ao seu redor. Diante de desafios é este atributo emocional que possibilita confiança, força e determinação ou o contrário de tudo isto.

Uma avaliação rápida da autoestima pode ser feito com o tentar descrever 10 características suas positivas e dez negativas. Normalmente se esbarra em não saber o que escrever, principalmente nas positivas. É tão fácil e rápido se julgar, enxergar os defeitos. Ate mesmo quando se recebe um elogio, poucas pessoas agradecem, a maior parte junto com o agradecimento vem uma justificativa. Por exemplo, ao elogio de “que linda sua blusa” vem a resposta “paguei tão barato” ou “é tão velha” e assim por diante.

O fortalecimento deste atributo está relacionado ao autoconhecimento. A saber, quem você é, do que é capaz, quais suas limitações e poder gostar de si neste completo. É ser tolerante consigo mesmo, se aceitar como é. Não significa fechar os olhos para os defeitos, mas se perdoar quando cometê-los. É sair da roda-viva de exigências e cobranças que o mundo faz – cuide da casa, dos filhos, do conjugue, da carreira, dos amigos, do corpo e esteja feliz o tempo todo – para entrar na realidade de que não é possível fazer tudo isto. Há que escolher o que é prioritário e nisto focar, deixar o restante para segundo plano e fazer no seu ritmo, no seu tempo. Ao colocar os compromissos nesta dimensão fica possível encontrar o prazer de viver. Pois os comportamentos deixam de ser mecânicos e necessários, para se tornarem escolhas.

Deixo como indicação dois vídeos, que apesar de serem propagandas de cosméticos, ajudam nesta reflexão:

e

http://www.youtube.com/watch?v=LZka-vFGKFo

Bibliografia:

FREITAS, Clara Maria Silveira Monteiro de; LIMA, Ricardo Bezerra Torres; COSTA, António Silva e  LUCENA FILHO, Ademar. O padrão de beleza corporal sobre o corpo feminino mediante o IMC. Rev. bras. educ. fís. esporte (Impr.) [online]. 2010, vol.24, n.3, pp. 389-404. ISSN 1807-5509.

LIVEIRA, Leticia Langlois  e  HUTZ, Claúdio Simon. Transtornos alimentareso papel dos aspectos culturais no mundo contemporâneo. Psicol. estud. [online]. 2010, vol.15, n.3, pp. 575-582. ISSN 1413-7372.

MOREIRA, Virgínia  e  NOGUEIRA, Fernanda Nícia Nunes. Do indesejável ao inevitávela experiência vivida do estigma de envelhecer na contemporaneidade. Psicol. USP [online]. 2008, vol.19, n.1, pp. 59-79. ISSN 0103-6564.

MACEDO, Daniela e Sandoval, Gabriella. O QI da beleza. Revista veja. 12 de janeiro, 2011. Pg 79-85.

 

2 Comentários