Mês: maio 2011



O perigo dos boatos

 

Falar dos outros é uma forma prática de desviar os olhos de nos mesmo. Focar no outro é uma maneira de não entrarmos em contato com nossos defeitos, atos e até sentimentos. Contudo, quando falamos dos outros estamos falando de nós. Pois quantas coisas acontecem a nossa volta e por que uma chama atenção e outra não? Porque há elementos nossos que são ativados por certas circunstâncias que nos enchem de medo ou de desejo.

Claro que há situações chocantes como a violência, desastres naturais, a morte e tantas outras. Entretanto, mesmo diante destas ocorrências cada pessoa fala sobre ela de forma muito única, cada um é ativado por emoções diferentes. Por isso poucas vezes os comentários são os mesmo e que cada um que conta um conto aumenta um ponto.

O falar dos outros, os boatos e fofocas seguem este mesmo sentido. É uma maneira de dizer do outro algo que se move dentro de nós que pode ir desde o medo de viver o mesmo até o desejo de fazer igual. Pois só é dito o que faz eco dentro de nós. Por isso não nos enganemos “a boca fala do que o coração está cheio” (Provérbio Bíblico – Mateus 12:34)

 

 

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E agora, José?

 

A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José ?  E agora, você? Você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama protesta, e agora, José?

Está sem mulher, está sem discurso, está sem carinho, já não pode beber, já não pode fumar, cuspir já não pode, a noite esfriou, o dia não veio, o bonde não veio, o riso não veio, não veio a utopia e tudo acabou e tudo fugiu e tudo mofou, e agora, José?

E agora, José? Sua doce palavra, seu instante de febre, sua gula e jejum, sua biblioteca, sua lavra de ouro, seu terno de vidro, sua incoerência, seu ódio – e agora?

Com a chave na mão quer abrir a porta, não existe porta; quer morrer no mar, mas o mar secou; quer ir para Minas, Minas não há mais. José, e agora ?

Se você gritasse, se você gemesse, se você tocasse a valsa vienense, se você dormisse, se você cansasse, se você morresse… Mas você não morre, você é duro, José !

Sozinho no escuro qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José ! José, pra onde?

Carlos Drumond de Andrade

Quantas vezes nos sentimos assim: desolados, sem saída, tristes, assustados. Melancolia, desânimo e nostalgia são sentimentos muito difíceis de transpor. Em momentos assim um rever a vida, um repensar, se faz necessário. Pensar no que move o seu coração? Para onde está indo com sua vida? Onde quer chegar? Sem este repensar o que determina os passos de agora e amanha são as marcas do passado. Dependendo do quão doloroso ele foi o futuro fica sombrio e desesperançoso. E agora José? Não é tarde. Repense, reveja. Dá trabalho, mas vale a pena.


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As correrias e exigências da vida

 

O mundo é tão corrido. Parece faltar tempo para as obrigações do dia. Dinheiro então, nem se fale. Cobrança parece ser a palavra de ordem da sociedade atual: no trabalho, metas; na família, atenção; com o corpo, malhação; com a comida, alimentação saudável; com os amigos, sair; com os desejos, gastar. Só de ler já cansa, não é?! E isso porque faltaram setores como espiritualidade, estudos e outros mais. É muito! E quando percebemos já estamos na roda-viva, fazendo, querendo, nos cobrando…

A rapidez com que as informações chegam, a quantidade de desastres e maldades, os problemas da vida. De início impactam, mas não é a toa a banalização do mau, da violência, essa é a conseqüência ruim do excesso de informações, da globalização.

No meio de todas essas exigências, nos sentimos perdidos, cansados, tristes, e o pior, sem o direito de se sentir assim. O tempo não para e junto com ele aprendemos a acreditar que também não podemos parar. Talvez por isso o índice de insônia no mundo não pare de crescer.

Sair desta roda viva é necessário para não enlouquecer. Se permitir uma parada e se olhar, tentar encontrar o seu ritmo, jeito, personalidade. Para ser e fazer o que dá, do seu jeito. Entender, de verdade, que não dá pra fazer tudo, ser tudo ou ter tudo. E tudo bem!

Finalizo com a música do Lenine, Paciência:

http://www.youtube.com/watch?v=sXmWAOIWg3w

 

 

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O não saber

 

Como é difícil não saber! Vai contra nosso desejo intenso de sermos donos de nós mesmos e das circunstâncias que nos envolve. Contudo, por vezes nem dos nossos sentimentos há como ter certeza ou compreensão.

Enfrentar esse não saber é doloroso, diante dele há pessoas que agem impulsivamente, se enraivecem, outros deprimem. Mas o geral é sentir angustia. Aprender a tolerar, a ter capacidade de viver sem saber, nos possibilita uma vida mais tranqüila, pois o desconhecido está presente a cada esquina.

Termino como uma passagem de Arthur da Távola em Alguém que já não fui:

“A verdade é que a gente só sabe o que já sentiu. A gente pensa que sabe o que sente.

Ninguém sabe o que ainda não sentiu. Nem o que está sentindo. A gente pode intuir, perceber, atinar; pode, até, conhecer. Mas saber jamais. Só se sabe aquilo que já se sentiu. Durante um sentimento é muito difícil saber o que é ele, exatamente. Só depois. (…) Por que saber? Simplesmente sentir já não chega?

Aquele sentimento que nos desafia a definição, é sempre um sentimento verdadeiro, porque novo e, como tal, não sabido por nós. Somos seres capazes de não saber a cada passo. Há sempre um não saber em cada descoberta. Há sempre um novo em tudo o que fazemos. E como o novo assusta, a gente, por defesa, rotula o sentimento, usando a analogia com situações anteriores para defini-lo ou enquadrá-lo. Um erro! (…)

Não se assuste quando não sabe o que sente. (…) Espere florescer a árvore do próprio sentimento. Vivendo, aceitando as podas da realidade e, se possível, fecundando.” (Crônica A gente só sabe o que já sentiu)

 

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Medicação X Psicoterapia

 

Muitas pessoas ficam em dúvida sobre o papel da medicação e o da psicoterapia, alguns crêem que fazendo uso de um não precisam do outro. Nem sempre em assim. Uma boa parte das vezes o uso das duas profissões se faz necessário, elas são complementares. Em outros casos apenas uma.

A psicoterapia tem como alvo refletir com o paciente sobre suas tristezas, angustias, dificuldades, enfim sobre suas emoções. Há sentimentos que machucam, confundem e levam a vivencias que podem ser complicadoras para a vida. No espaço psicoterapêutico se torna possível pensar juntos sobre tais situações na busca de um novo olhar, de um novo sentir, desfazendo os nós do passado, o que possibilitará novas e diferentes escolhas.

Contudo, quando as emoções levam a prejuízos para outros setores da vida, alem do emocional, como na saúde (doenças psicossomáticas), na trabalho ou na vida social, por exemplo: perda de emprego, impossibilidade de se acertar em um, relacionamentos frustrados por comportamentos da própria pessoa, compulsões, fobias e outros. Pode ser necessária a medicação, pois a psicoterapia é a construção de uma história e isso demora um tempo para acontecer, refletir é demorado. Assim, os remédios se tornam auxiliares neste processo, contem a impulsividade e proporcionam um maior equilíbrio, o que ajuda até mesmo no processo psicoterapêutico.

Paulo Mattos psiquiatria e autor dos livros No mundo da lua e Princípios e práticas em TDAH, exemplifica bem esta idéia:

“Para se ter um bom jardim (uma mente em bom funcionamento) a terra precisa estar bem tratada, quimicamente cuidada (esse é o papel da medicina, no caso da mente da psiquiatria). Mas este jardim não será belo caso o jardineiro não saiba como cuidar dele, como podar as folhas, quando e de que maneira retirar as ervas daninhas e se proteger delas, isso precisa ser aprendido (é o papel da psicoterapia)”

Por esta razão o ideal é fazer uma boa avalição ou com um médico ou com psicólogo.

Fica a dica….

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É possível aprender a amar?

Amar é muito descrito como um sentimento natural, arrebatador e indiscritível. Contudo essa visão romântica está muito distante da verdade. Amar é um verbo, o que siginifica ação e como tal é possível sim aprender. Ninguem nasce amando, o amor é desenvolvido. Aprendemos a amar sendo amados por alguém, quem nunca foi amado não tem como saber o que isso significa.

E como se aprende a amar?

Cuidando! Quem ama, cuida. Cuidar indica acolher a dor, perceber que ela existe, viver junto as alegrias e tristezas, ensinar o certo, dar os limites, aguentar as birras, não desistir, não se tornar indiferente. Quem teve alguem que foi presente neste sentido desenvolve amor por outros também.  Quem não teve (não tem) se torna uma pessoa autocentrada, dirigida a si mesma, que não consegue, não sabe amar a ninguém.

Isso porque “aprendemos a amar a partir do momento em que nascemos e da maneira como vamos ser cuidados pelas pessoas que nos desejaram” (Ivan Capelatto em Diálogos sobre a afetividade)

Contudo, isso não se refere apenas ao bebê. Também com amigos, com os namoros, com as pessoas em geral, aprendemos a amá-las nessa troca de cuidados.

Deixo como sugestão o maravilhoso filme “O contador de histórias”, que é uma história real sobre como é possível aprender a amar. Segue o trailer:

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Persistência X frustrações

Receber um não, perceber que tem coisas que não podemos fazer, ter, conquistar, é desagradável. Duro para qualquer pessoa. Ainda mais, com a mídia que vive expondo tantas coisas bacanas, atrativas e com uma mensagem de que só com aquilo é que você poderá ser feliz. E não falo só de compras, mas também de relacionamentos, trabalho, valores, atividades, amizades, enfim tudo que rodeia as nossas vidas. Entretanto, não é possível fazer tudo, temos limites, precisamos fazer escolhas, o que significa deixar uma opção de lado.

Viver esse limite, muitas vezes é entendido como frustração. Como algo extremamente negativo. Que impossibilita levar em conta os dados da realidade, assim, a pessoa se coloca em condições de perigo que abrange do financeiro. Passando pelo físico até desembocar no emocional (dívidas, relacionamentos difíceis, risco de vida, etc) Cabe pensar: será que essa busca é possível, real, adequada????

Desistência não expressa incapacidade e sim cuidado consigo mesmo. Pois, desistir, rever princípios e desejos, em certas circunstâncias é bastante saudável, pode até ser uma salvação, uma pulsão de vida.

Há um estórinha que expressa um pouco desta idéia, segue abaixo:

O URSO E A PANELA

Certa vez, um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento.
A época era de escassez, porém, seu faro aguçado sentiu o cheiro de comida e o conduziu a um acampamento de caçadores.
Ao chegar lá, o urso, percebendo que o acampamento estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas,e dela tirou um panelão de comida.
Quando a tina já estava fora da fogueira,o urso a abraçou com toda sua orça e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo.
Enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo.
Na verdade, era o calor da tina…
Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava.
O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo seu corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida.
Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra seu imenso corpo.
Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o seu corpo e mais alto ainda rugia.
Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso encostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida.
O urso tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela e, seu imenso corpo,mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.

Percebem a idéia?! Mmuitas vezes nos comportamos assim, sem pensar, agimos por impulso, por entender, que deixar aquela “tina” é que é errado, que as circunstâncias é que estão nos querendo tirar o “alimento”, enquanto na verdade são sinais de salve-se.

 

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Presença X Presentes

Na correria do dia a dia nem sempre é fácil encontrar tempo para brincar com um filho, conversar com o conjugue, estar perto de quem se ama. O tempo vai passando, as faltas se cronificando e na tentativa de compensar a ausência, muitos pessoas presenteiam, não para comprar o outro (como é muito dito), mas para amenizar a falta. Contudo, é um método pouco eficaz. Pois nada substitui a presença de pais, marido, esposa ou amigos. O tempo é curto, mas pouco tempo vivenciado com qualidade, ou seja, estar com a pessoa com sua mente livre, deixando os problemas e outras necessidades de lado, é muito mais apropriado até do que um dia inteiro junto com a mente no trabalho.

Luciana Gentilezza, psicanalista paulista, usou de uma idéia para explicar a diferença entre presença e presentes, segue abaixo:

“Imagine que você se perdeu no deserto do Saara, sol, fome, sede, medo, desespero foram os seus acompanhantes por horas e mais horas. Até que você é encontrado. Quando te resgatam a primeira coisa que recebe é um colar de pérolas. Não é o que você precisa, você precisa de água, comida, abraço, acolhimento, mas não pode reclamar, afinal é um colar de pérolas! Mas continua distante de sua necessidade verdadeira.”

Na vida real, os presentes atingem a mesma finalidade, a maior parte das vezes o presenteado se cala, e até se envergonha de reclamar, afinal é um bom presente. Entretanto longe do que ele(a) realmente precisa, que é presença.

 

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Amor próprio

Muitos pacientes e amigos também, me questionam o que significa amor próprio, auto-estima elevada, se aceitar. Acredito que Érico Veríssimo em Solo de clarineta, descreve muito bem esta idéia:

“O meu amigo mais íntimo é o sujeito que vejo todas as manhãs no espelho do quarto de banho. (…) Estabelecemos diálogos mudos, numa linguagem misteriosa feita de imagens, ecos de vozes, alheias ou nossas, antigas ou recentes, relâmpagos súbitos que iluminam faces e fatos remotos ou próximos, nos corredores do passado (…) enfim, uma conversa que, quando analisamos os sonhos da noite, parece processar-se fora do tempo e do espaço. (…) Sinto, no entanto um pálido e acanhado desconforto por saber que existe no mundo alguém que conhece tão bem os meus segredos e fraquezas, uns olhos assim tão familiarizados com minha nudez de corpo e espírito. Talvez seja por isso que com certa freqüência entramos em conflito. Mas a ridícula e bela verdade é que no fundo, bem feita as contas, nós nos queremos bem.”

Isso é se amar! É conhecer-se bem, nas qualidades e defeitos e se gostar apesar delas. Quem se gosta assim, tem mais facilidade para amar aos outros também e aceitá-los como são.

 

 

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Por que escolher é tão difícil? O dilema da escolha profissional e outras….

 

A vida é feita de escolhas, cada escolha traz em si conseqüências, as quais podem ser boas e /ou ruins. Escolher envolve abrir mão de um caminho diferente, é deixar para traz uma opção, que nunca se terá certeza se seria ou não a melhor. Assim, escolher significa saber lidar com limitações: não podemos tudo, não sabemos tudo. Tal vivência pode ser frustrante, por mais natural e necessária que ela seja. Assim, escolher também significa se despedir de algo, vivenciar um luto pela perda da outra opção, enfim, não é pouco, por isso é tão difícil.

A definição clássica da adolescência é ser um período de transição entre a infância e vida adulta, sendo assim uma fase de grandes mudanças e aprendizagens. Na adolescência há três áreas principais que são atingidas: a vida física, a vida social e a vida familiar. Todas elas são complementares e diferentes para cada um.

É um período em que temas como a sexualidade, a gravidez, a AIDS, e o decidir a profissão tomam a mente. Se conseguir energia para estudar nesta época já não é fácil, imagine para decidir o futuro profissional. Visto por este ângulo, se angustiar é até uma necessidade.

Na adolescência começa a se construir uma percepção do mundo diferente, mais crítica, mais racional, características importantes para se alcançar a maturidade, só que é um processo lento, marcado por discussões, enfrentamentos, idas e voltas, enfim, dificuldades. Eles passam a ter uma percepção de um mundo novo, só que esse mundo é ele mesmo, é o descobrir seus desejos, sua personalidade, sua história. É descobrir quem ele é, sua visão de si mesmo e do mundo a sua volta.

Não é uma tarefa fácil. Por isso mesmo há tantas brigas e contrariedades. Eles lutam para se diferenciar, mas muitas vezes se esquecem de encontrar a si, ficam espelhados/ identificados com os amigos, a mídia, o externo.

Há duas perguntas que os jovens procuram responder: “QUEM SOU EU?” e “QUEM SEREI EU?”, o que significará conhecer a si mesmo, se reavaliar, para enfim, se comprometer com sua identidade. Descobrir “quem sou eu?” é o que possibilita a definição da identidade, e das escolhas futuras, sendo esta a principal tarefa da adolescência. Para tanto, ele se experimenta o tempo todo, ou seja, vive sempre no limite. Aos adultos parece que não pensa antes de agir, ou não pesa as conseqüências, e é isso mesmo, mas não por mau e sim por não terem espaço mental ainda para isto. Porque a mente está em conflito, cheia de crises internas que se mostram principalmente na esfera familiar.

Porém, o que é bacana, belo desta época é a inquietude, a curiosidade, a criatividade, a espontaneidade que são tão comuns a eles. Quando estas características são percebidas o descobrir quem sou eu fica muito mais fácil. E para uma boa escolha profissional se conhecer bem é o primeiro passo.

Se conhecer significa entrar em contato com a própria realidade: enxergar suas qualidades, capacidades, desejos, preferências e também limitações. Aceitar que se é diferente dos outros, mas tendo em vista que todos são. Alguém é igual? Não! E isto é bom, é saudável, aliás, é o que faz a vida ter encanto. O que não significa ser excluído, estar à margem.

É também identificar e valorizar o seu estilo, que é o modo próprio de uma pessoa se posicionar na vida. Valorizar isto é valorizar o seu desejo, algo importantíssimo. Quando reconheço o que desejo as escolhas tornam-se mais naturais, mais fáceis. O que implicará em olhar para si, deixar o outro de lado e se enxergar. No mundo atual as exigências e o que é dito como bom/ adequado é muito pesado, dando sempre a impressão de que o do outro é melhor, “que a grama do vizinho é mais verde”. Há uma supervalorização do externo e um deixar de lado a si mesmo. Quando se entra nisso nenhum tipo de escolha é boa, todas são fracas, porque acontecem em nome de algo que muitas vezes nem é real.

Além desta identificação pessoal, a família e o meio social também contribuem nas escolhas da vida.

Cada pessoa pertence a uma família que tem uma história e características muito únicas. Tais como valores, modos de entender o mundo, ações e reações diante das circunstâncias e outras tantas. Todas essas constituirão bases significativas na orientação dos filhos. Pois os desígnios da existência dependem não somente do conhecimento que o jovem tem de si mesmo, mas também do conhecimento dos projetos dos pais, da identificação e do sentimento de pertencimento com este grupo, do valor que essas pessoas dão às profissões, e, finalmente, de que forma este filho utiliza e elabora tais dados.

O meio social, são os amigos, a escola, o momento histórico em que se está inserido. Tudo isto influencia a visão de mundo que um jovem tem e as escolhas que ele fará na vida. Em cada época há uma moda diferente, um status e valor únicos para cada geração. E comumente as escolhas da juventude se baseiam nestes conceitos, mas serão estes os melhores? Os que condizem realmente com que se é?

Fatores como renda, perspectiva de emprego, status associado à carreira ou vocação fazem parte do processo de decisão individual. Contudo, um exemplo de escolha nem sempre acertada recai na profissão que não mudou de status mesmo com o passar do tempo que é a medicina, vista e comentada como a mais pomposa, de maior status e que mais se ganha dinheiro. Entretanto, várias pesquisas comprovam o quanto se estuda muito, trabalha mais ainda e ganha pouco na visão dos médicos já formados. Quantos adolescentes escolhem esta profissão sem saber de tal realidade. Uma coisa é vocação /desejo por uma profissão, outra é pressão seja da família ou da sociedade, falta de tempo ou chance para descobrir suas habilidades. Quando as escolhas são feitas por estes termos a chance de infelicidade é grande.

Diante dessas idéias como pensar em uma profissão? Bem, para os adolescentes eu diria: leve em conta quem você é, sua historia de vida, sua personalidade, seus desejos, sua família e o grupo em que está inserido. Lembre-se que a vida não se resume ao que você vai exercer. A escolha tem que ser por você, não pelo que está na moda, ou dá mais dinheiro, ou mais status. Pois a escolha significará acordar diariamente para fazer aquilo e durante muitas horas do dia, e se for algo e você não gosta?

Para os pais eu diria: ouçam. Escutem o que o seu filho tem a dizer, agüente a indecisão, lembre-se que não é fácil decidir. E olhe para você (e tantos outros adultos a sua volta) sua escolha foi fácil, foi assertiva na primeira ou você também deu voltas? Em geral todos o fazemos. Ao invés de pressionar, acolha, isto ajuda o filho a se decidir.

E para todas as idades diria que dá pra mudar, nenhuma escolha (ou não todas) precisam ser definitivas, vocação é algo a ser descoberto, não está preestabelecido, e às vezes precisa de um bom tempo até ser percebida.

Finalizo com uma música que acredito conter a idéia de se conhecer, é da Zelia Duncan, se chama “Bom pra você”…

 

 

 

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

BARTALOTTI, Otávio  and  MENEZES-FILHO, Naércio. A relação entre o desempenho da carreira no mercado de trabalho e a escolha profissional dos jovens. Econ. Apl.[online]. 2007, vol.11, n.4, pp. 487-505.

SANTOS, Larissa Medeiros Marinho dos. O papel da família e dos pares na escolha profissional. Psicol. estud. [online]. 2005, vol.10, n.1, pp. 57-66. ISSN 1413-7372.

WEINBERG, Cybelle (org). Geração delivery: adolescer no mundo atual. 2 ed. São Paulo:Sá, 2001.

 

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