Mês: junho 2011



Nostalgia

 

A nostalgia é algo complexo. Há um lado positivo e outro negativo. É bom lembrar o passado, ter viva algumas memórias nos ajuda a fazer escolhas, procurar por novos caminhos. Contudo, nos prender a estas lembranças pode nos impedir de viver o hoje, o novo e até de perceber as boas coisas que estão a nossa volta. A estória do Rei e a Omelete é um reflexão neste sentido. Segue abaixo:

Era uma vez um rei que tinha todos os poderes e tesouros da Terra, mas apesar disso não se sentia feliz e a cada ano ficava mais melancólico.

Um dia ele chamou o seu cozinheiro preferido e disse:

“Você tem cozinhado muito bem para mim e tem trazido para a minha mesa as melhores iguarias, de modo que eu lhe sou agradecido. Agora, porém, quero que você me dê uma última prova de sua arte.Você deve me preparar uma omelete de amoras iguais àquelas que eu comi há cinqüenta anos, na infância. Naquele tempo, meu pai tinha perdido a guerra contra o reino  vizinho e nós precisamos fugir: viajamos dia e noite através da floresta, onde afinal acabamos nos perdendo. Estávamos famintos e cansadíssimos, quando chegamos a uma cabana onde morava uma velhinha que nos acolheu generosamente. Ela preparou para nós uma omelete de amoras, quando a comi, fiquei maravilhado: a omelete era deliciosa e me trouxe novas esperanças ao coração. Na época eu era criança, não dei importância à coisa. Mais tarde, já no trono, vasculhei todo o reino, porém não foi possível localizá-la. Agora quero que você me atenda esse desejo: faça uma omelete de amoras igual à dela. Se você conseguir, eu lhe darei ouro e o designarei meu herdeiro, meu sucessor no trono. Se você não conseguir, entretanto, mandarei matá-lo”.

Então, o cozinheiro falou: “Senhor, pode chamar imediatamente o carrasco. É claro que eu conheço todo o segredo da preparação de uma omelete de amoras, sei empregar todos os temperos. Conheço as palavras mágicas que devem pronunciadas enquanto os ovos são batidos e a melhor técnica para batê-los. Mas não poderei executar, porque a minha omelete jamais será igual à da velhinha. Ela não terá o sabor picante do perigo, a emoção da fuga, não será comida com a sentido alerta do perseguido, não terá a doçura inesperada da hospitalidade calorosa e do ansiado repouso, enfim conseguido. Não terá o sabor do presente estranho e do futuro incerto”. Assim falou o cozinheiro.

O Rei ficou calado, durante algum tempo. Não muito mais tarde, consta que lhe deu muitos presentes,  tornou-o um homem rico e despediu-o do serviço real.

(Walter Benjamin)

 

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Por que mudar é tão difícil?

Ontem postei um poema de Clarice Lispector sobre mudança. Um texto lindo de ler, mas difícil de viver. Como é fácil permanecer onde está, com as coisas como são, mesmo as mais simples e mais ainda com as complexas. Mudanças são desejadas, as vezes necessárias, contudo como são complicadas ! Por que?

Segundo Beth Joseph no livro Equilíbrio psíquico e mudança psiquíca, mudar é tão complexo pelo medo do desconhecido. Mudar significa ousar, ir por um caminho novo, diferente. O que sempre nos amendronta. Pois, por pior que esteja a situação atual, ela é conhecida. Sabemos, ao menos em parte, em que terreno pisamos, como as coisas se comportam e esses “saber” nos alivia. Entretanto, também nos mata aos poucos. Como a estória do sapo na panela. Se você coloca um sapo na água fervente ele pula. Mas se o colocar numa panela com a água fria e esquentar esta água aos poucos o sapo não pulará, ao contrário, vai ficando, se acostumando até morrer cozido.

Este é o perigo do comodismo. Mudar tem um risco, um grande risco: não sabemos como as coisas ficarão. O que pode ser assustador, porem permanecer pode ser mortal.

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Mudança

 

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa. Tome outros ônibus.

Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos. Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama… Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais… leia outros livros.

Viva outros romances.

Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.

Corrija a postura.

Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.

Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.

A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.

Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado… outra marca de sabonete, outro creme dental… Tome banho em novos horários.

Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.

Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.

Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.

Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.

Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.

Mude.

Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente.

Mude, de novo. Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.

O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !

Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!

Texto de Clarice Lispector

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A dor da espera

 

Esperar não é fácil. Acredito que todos concordem com isto. Seja esperar um taxi, um amigo, um avião, o semáforo abrir, uma mesa num barzinho, um resultado, um namorado(a)… Enfim, seja qual for a situação, se envolve esperar, ativa sentimentos nem sempre dos mais nobres ou agradáveis. Isto porque esperar significa adiar um desejo, e o desejo é atemporal, não conhece e não respeita tempo, regras ou limites. Ter desejo é estar vivo, é saudável, é motivador, é prazeroso. Mas, esperar acontecer é muito doloroso!

Há desejos de todos os modelos e tamanhos, para todo tipo de bolso e gosto, sendo assim, há os que sabemos ser malucos e inalcançáveis que mais do que desejo tornam-se um sonho distante. Enquanto que outros são importantes e até mesmo imprescindíveis. Estes últimos são os mais complicados e detonadores de angustia, tristeza e dor.

Esperar a ligação de uma entrevista de emprego, o resultado do vestibular, uma pessoa que amamos chegar de um lugar ou situação de perigo, o resultado de um exame médico, de uma cirurgia, uma gravidez que nunca vem, ou um salvamento. São situações de grande desespero. Insegurança, medo, dúvidas, culpa, surgem descontroladamente mesmo com esforço para não aparecer. Nesta hora as orações, a família e os amigos, ajudam, mas muitas vezes não são suficientes para aplacar tais sentimentos.

Sentimentos estes que são naturais para a circunstância, porem muitas vezes mal compreendidos por nós mesmos e pelos que estão a nossa volta. Que nos pedem calma, indicam caminhos e não entendem (ou não entendemos) que a dor tomou conta e que palavras de consolo ou indicações de erros não ajudam em nada.

O mais complicado é que cada situação é vivenciada de maneira muito única por cada um, há pessoas que esperam com tranqüilidade mesmo por algo de grande seriedade. Outros, por situações aparentemente simples ficam descontrolados. Não há aqui o certo ou errado, mas a capacidade de tolerar frustração de cada um. Assim como há pessoas que toleram melhor a dor, há pessoas que toleram melhor a espera e conseqüentemente a frustração. Para outros este desconforto pode ser desesperador.

Até mesmo porque, lidar com frustração é entrar em contato com o quanto em muitas situações somos incapazes e até mesmo impotentes diante das pessoas, da vida e até do nosso próprio corpo. É algo muito, muito angustiante. Quem lida bem com frustrações, que vamos concordar são pouquíssimas pessoas, tendem a saber esperar sem se desorganizar. Para todos os outros, a desordem se torna a palavra de ordem.

E frustração e espera, estão intimamente ligados, pois enquanto esperamos nos deparamos com o a frustração do não saber, do fato de não termos as respostas, o que nos faz ver o quanto somos limitados, outra verdade que se luta sempre contra.

Desabafar sem se sentir cobrado pode ser, na maior parte das vezes, a única coisa que realmente alivia. Saber que há alguém seja humano ou espiritual que nos escuta, nos acolhe e nos ama sem nos cobrar faça isso ou aquilo, sem dizer que estamos errando nisto ou naquilo. Pois na hora da dor, essas críticas nem são escutadas, só revoltam, magoam e criam confusão. Se sentir acolhido é o caminho, pois de dor já basta a angustia interna ativada pela espera.

Além do mais, há esperas que só quem vive sabe o que significa aquela dor. Por isso, as frases de efeito como “isso passa”, “não fica pensando no assunto” ou “vai dar tudo certo” podem ser tão irritantes, pois não consolam em nada. Mas ter um ombro amigo que agüente o choro e demonstre que não nos abandonará, isso sim acalma e alivia.

Levando em conta que nem sempre passa, nem sempre dá tudo certo e quando se está no olho do furacão não dá pra simplesmente pensar em outra coisa.

 

 

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O resgate do cuidado

Tem sido tão comum escutar sobre atos de violência, são assaltos, assassinatos, agressões. Ler um jornal, ver um noticiário chega a deprimir, parace que é só escutar coisa ruim. Isso nos angustia, nos faz questionar onde vamos parar?!

Ivan Capelatto no livro Diálogos sobre a afetividade (livro ótimo para pais) considera que uma forma do mundo voltar aos eixos é através do cuidar. Mas o que é cuidar? Cuidar é tornar o outro importante, é algo trabalhoso, difícil mas que vale a pena! Quem ama cuida diz o ditado. E isso é tão verdadeiro. Cuidar é demonstrar que escuto ao outro, que estou disponível a ele para ouvir, pensar juntos e lhe ajudar a achar um caminho. Quando nos sentimos cuidados, nos sentimos amados e qaundo nos sentimos amados isso nos ajuda a amar a nós mesmos e consequentemente aos outros. O que ajuda a diminuir a banalização do mau.

Cuidar é trabalhoso, pois exige disponibilidade por parte do cuidador. E quantas vezes não queremos ter trabalho e sim ser servidos. Contudo, a vida não é assim.

O cuidar é algo para a vida toda, serve em toda relação e em qualquer idade. Mas aprendemos a cuidar sendo cuidados. Por isso precisamos tanto de pais. Pais que se disponibilizem a nos olhar, ouvir, entender e, principalmente, a colocar limites. A mostrar o certo e errado sem medo dos ataques de fúria que virão. E virão mesmo, pois ninguém gosta de receber não, ainda mais uma criança. Quando uma criança é cuidada desta forma ela cresce com noção do que ela pode ou não fazer, até onde pode ou não ir. Quando somos cuidados internalizamos um modelo do que é isto e assim, com o tempo, vamos aprendendo a nos cuidar sozinhos para, então ,mais tarde sabermos cuidar de alguém. Seja ele um amigo, namorado, conjugue, filho e até mesmo os próprios pais na velhice. Um belo e necessário aprendizado.

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Prioridades

Na vida temos muitas necessidades, vontades e responsabilidades. Muitas vezes nos perdemos entre o que é importante e o que é urgente, priorizamos o último e esquecemos do primeiro. Algo que pode ajudar é buscar estabelecer prioridades em nossas vidas. E cada pessoa tem prioridades diferentes da outra. Quais são as suas prioridades? Clarifique-as para você. Pois não temos tempo nem força para fazer tudo. E viver cuidando do urgente, é vida de bombeiro: apagamos o fogo mas o estrago quem limpa?!

Como reflexão deixo a história abaixo:

Vovó Rudy

Sendo mãe de dois meninos muito ativos, de um e sete anos de idade, ás vezes me preocupo que eles transformem minha casa cuidadosamente decorada em um canteiro de demolição. Em meio a sua inocência e ás suas brincadeiras derrubam meu abajur favorito ou desarrumam meus arranjos bem planejados. Nesses momentos, quando nada parece sagrado, lembro-me da lição que aprendi com minha sábia sobra, Rudy.

Rudy é mãe de seis e avó de treze. É a encarnação da gentileza, paciência e do amor.

Num Natal, todos os filhos e netos estavam reunidos, como de costume, na casa de Rudy. Apenas um mês antes Rudy havia comprado um lindo carpete branco., depois de viver com o mesmo carpete durante vinte e cinco anos. Ficara felicíssima com o jeito novo que ele dera à casa.

Meu cunhado, Arnie, tinha acabado de distribuir seus presentes entre todas as sobrinhas e sobrinhos – mel natural premiado de seu apiário. Eles estavam superanimados. Mas quis o destino que a pequena Shenna de 8 anos de idade derramasse seu pote de mel no carpete novo da vovó fazendo uma trilha escada abaixo por toda a casa.

Chorando, Shenna correu para a cozinha e para os braços de Rudy.

– Vovó, eu derramei todo o meu mel em cima do seu carpete novo.

Vovó Rudy, ajoelhou-se, olhou carinhosamente nos olhos chorosos de Shenna e disse:

– Não se preocupe, querida, podemos lhe arranjar mais mel.

Extraído do livro  Histórias para aquecer o coração.

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Rejeição romântica e vício

 

Ninguém morre de amor, mas sentir-se rejeitado é uma situação muito desgastante. Um estudo publicado no periódico Journal of Neurophysiology tenta explicar como sentimentos ligados à rejeição romântica podem ser difíceis de se controlar por estarem associados às respostas do cérebro.

De acordo com a pesquisa realizada com adolescentes na faixa etária dos 15 anos de idade de ambos os sexos, a rejeição pode desencadear um processo similar ao vício, pois o cérebro daqueles que estão vivenciando o rompimento amoroso apresenta sinais similares aos dos indivíduos dependentes de drogas. Com este estudo fica mais fácil compreender por que algumas pessoas têm tanta dificuldade em abandonar de forma definitiva um relacionamento (mesmo que ele esteja muito ruim), pois elas enfrentam o mesmo processo daqueles que tentam largar um vício.

Segundo os pesquisadores da Universidade de Rutgers, Estados Unidos, os estudos realizados demonstraram que a paixão pelos parceiros românticos é orientada por objetivos em que a motivação e a recompensa (a liberação de neurotransmissores associados ao prazer) estão mais presentes do que a emoção em si.

(Fonte: Revista Psicanálise, nº1, pg 6)

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Seu exemplo

 

Falamos sempre em ser um mundo melhor, que queremos filhos melhores. Contudo, esquecemos que exemplos estamos dando aos que estão a nossa volta. É conhecida a afirmação de que palavras são esquecidas mas exemplos são seguidos. Então qual exemplo você tem dado?

O vídeo abaixo mostra um pouco desta realidade.

Crianças veem. Crianças fazem.

 

 

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Você resistiria?

 

Teste do marshmallow. As crianças podem comer ou esperar e assim ganhar dois.

Este vídeo é muito bacana, super engraçado. E possibilita uma reflexão: se para nós adultos é difícil esperar, imagina para uma criança?

Quantas “tentações” temos no dia a dia e ter que dizer não, esperar, aguentar é muuuuuuito duro. E isto não é errado, é humano. Esperar é uma arte, um exercício, que vale a pena, mas é duro de ser vivido….

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Se sua realidade muda, seus sonhos não precisam mudar

Esta é uma postagem mais antiga, mas alguma pessoas me pediram para lançá-la de novo, então aqui está….

A realidade por vezes é cruel com os sonhos. Ao longo da vida muitos sonhos são modificados, deixados para traz ou esquecidos. Tal circunstância pode causar frustração e sofrimento. Claro que nem todos os sonhos são possíveis de realização, muitos não o são. Principalmente os infantis, baseados em fantasias e expectativas por vezes irreais. Esses precisam ser aprimorados ou até abandonados. E nem sempre sua falta de concretização causa dor.

Contudo, as aspirações mais fortes que nos acompanham por anos e tem um significado todo especial, estes, quando não concretizados podem trazer grande sofrimento. Em alguns casos até o desenvolvimento de uma depressão.

Frente a eles se faz necessário uma reflexão: o que houve? O que faltou? O que dificultou? Era passível de realização? Onde errei? Qual o contexto inserido? São algumas das perguntas importantes para a compreensão desta ocorrência. Tais respostas podem esclarecer, acalmar a alma e até ajudar a retomar esse alvo com uma nova postura.

Mas e quando a vida muda?

Ficar adulto muda tanta coisa! A realidade da maturidade transforma perspectivas, planos, desejos, enfim, muita coisa. Dificilmente a vida nos leva por caminhos que queremos. Muitas vezes diante dos novos contextos os sonhos são engolidos e engavetados. O que à longo prazo pode trazer uma frustração imensa.

Além do fato de que às vezes a realidade muda a despeito da nossa vontade, por exemplo, frente à perda de um amado seja por luto ou separação, uma dispensa de um emprego desejado, uma tragédia da natureza, um acidente com conseqüências desastrosas, enfim, tantas situações podem nos tirar do rumo, do caminho planejado. Diante dessa nova realidade, tanto a vida quanto as aspirações precisam ser refeitas, o que não é nada fácil. Envolve viver um luto pela situação antiga, restabelecer emoções e só então estar pronto para pensar no futuro.

Re-encontrar o que te proporciona prazer, o que faz o coração pulsar e o que é desejável para a vida, pode ser um caminho para se re-compor e colocar a vida novamente nos trilhos.

Comparo a vida a uma construção, pense em uma. Toda construção é trabalhosa, onerosa e demorada. E cheia de contratempos. Uma reforma pode ser tão ou mais desgastante do que construir algo novo. Refazer sonhos é como reformar. Desgastante, mas necessário, por vezes indispensável. E nunca é tarde para recomeçar, pois os sonhos podem ser atemporais. Se realizados causam grande prazer, até mais quando foram complicados de ser alcançados.

Deixo como indicação desta reflexão um vídeo muito interessante, sobre a vida de Marc Herremans. Um triatleta que fraturou a coluna durante um treino e que teve que repensar toda a vida. A realidade deste atleta mudou, sua condição de vida até física se tornou outra. No entanto, ele refletiu, encontrou dentro de si o que o movia e refez sua história. Com novas circunstâncias, até mais difíceis, é verdade. Mas com muita vontade e garra, o que lhe proporcionou vitórias, lindas vitórias. E uma convicção de que: “se sua realidade muda, seus sonhos não precisam mudar”. Ou seja, sonhos podem ser adaptados, não necessariamente abandonados. Esta pode ser a beleza de crescer.

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