Mês: agosto 2011



Palavras e silêncio

Viver o silêncio é muito colocado como negativo. Mas o silêncio tem grande valor, as vezes é necessário, e não é apenas ao lado de alguém falante que sabemos ser amados, silêncio também é sinal de intimidade.

Recebi esta mensagem por e-mail, deixo para vocês….

Por Florian Bernard

Há algumas coisas que são lindas demais para serem descritas por palavras. É necessário admirá-las em silêncio para apreciá-las em toda a sua plenitude. As grandes falas servem, freqüentemente, para confundir ou doutrinar. Às vezes, o silêncio é mais esclarecedor que um fluxo de palavras. Olhe para uma mãe diante do seu filho no berço. Ele consegue muito bem tudo o que quer sem dizer nenhuma palavra.

Na realidade, as palavras devem ser a embalagem dos pensamentos. Não adianta fazer longos discursos para expressar os sentimentos de seu coração. Um olhar diz muito mais que um jorro de palavras.

Creio que, em sua grande sabedoria, a natureza nos deu apenas uma língua e dois ouvidos para escutarmos mais e falarmos menos.

Se as palavras não são mais bonitas do que o silêncio, então é preferível não dizer nada. Quanto mais o coração é grande e generoso menos úteis são as palavras.

É necessário lembrar do provérbio dos filósofos: as verdadeiras palavras não são sempre bonitas e as palavras bonitas nem sempre são verdades.

As grandes mentes fazem com que, em poucas palavras, muitas coisas sejam ouvidas. As mentes pequenas acham que têm, pelo contrário, a concessão para falar e não dizer nada.

Poucas palavras são necessárias para expressar “eu gosto de você.” Portanto, todas as outras que poderiam ser ditas são supérfluas e não são palavras curtas e fáceis de serem ditas. São aquelas que causam as maiores conseqüências.

São necessários apenas dois anos para que o ser humano aprenda a falar e toda uma vida para que ele aprenda a ficar em silêncio.

Ser comedido com as palavras é uma prova de profunda sabedoria.

Saber ouvir também.

2 Comentários


Amor e sexo

Estava relendo a excelente crônica do Jabor Amor é prosa, sexo é poesia. É uma crônioca tão bacana, gostosa de ler e que abre tantas possibilidades de reflexão (no google vocês a encontrarão facilmente, ou no livro do Jabor com o mesmo nome). Rita Lee canta a música homônima de forma também deliciosa. Ao final da matéria deixarei a música para o seu deleite…

Mas gostaria de me prender em um parágrafo que acredito valer a pena refletir um pouco mais:

“O amor tem jardim, cerca, projeto. O sexo invade tudo. Sexo é contra lei. O amor depende de nosso desejop, é uma construção que criamos. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é tomado por ele.”

Me prendi nesta idéia porque sempre acreditei, e a cada dia mais, que amar é uma decisão. Vai além de um sentimento, tem haver tambem com uma postura. Pense num jardim, quanto mais bonito ele é mais trabalho ele proporciona: podar as plantas, aparar a grama, cuidar para que não encha de ervas daninhas, aguar, colocar fertilizantes, e sei lá quantas outras coisas se tem que fazer mas que enfim, é lindo de se ver, mas ter um jardim é pra quem se dispõem a trabalhar.

Será que amar também não é assim?  Na visão romantica e tao difundida em filmes, novelas e livros, amor parece algo simples, automático e super fácil de viver e manter. Como se os outros é que quisessem o mal do casal e eles se dão super bem, sempre. Será? Serpa que se amo não preciso cuidar do amado e do meu amor por ele? Acredito que sim, que há momentos que como quem cuida de um jardim dá preguiça, vontade deixar como está, mas que preciso buscar energia dentro de mim e me dedicar. Tirar as ervas daninhas que tem prejuducado meu sentimento. Encarar minhas falhas, defeitos e buscar novas formas de agir. Aguar o meu amor com lembrancas agradáveis de tempos bons. Renovar a terra deste sentimento com coisas novas, seja na atitude ou na forma de pensar.

Enfim, amar envolve ação. Sexo não, sexo é momento, é tesão, é rápido. Amor é duradouro e nada que dura é facil de manter.

Esperar uma planta vingar leva tempo. Esperar florescer sentimentos e mudanças num relacionamento também. Mas depois que acontece fica lindo! Contudo, não há amor perfeito, nem jardim. Quem cuida, quem vive nele sabe, mas não abandona, pois vale a pena.

http://www.youtube.com/watch?v=H_fIz_XinrU

1 Comentário


Superação

Normalmente focamos a vida nas dificuldades e nos problemas. A vida não é fácil, há tantos obstáculos, desde criança somos expostos a dores, a angustias que nos incomodam, machucam. Quantas vezes olhamos só para isto e nos esquecemos que as mesmas dificuldades que trazem dores podem trazer, também, crescimento, superação.

Quando passamos a olhar por este prisma a vida fica com mais sentido, com mais valor. A Bíblia diz que somos depurados pelo fogo, que é isto que nos torna pessoas melhores. Os filhos que nunca são expostos a nãos tornam-se mimados e muitas vezes motivo de grande tristezas para os pais. Creio que as dificuldades são os nãos que a vida nos impõem, doe, incomoda, irrita, mas é com isto que nos tornamos melhores.

Até mesmo porque o ser humano é tão capaz de se superar, de ir além das expectativas. Há muita capacidade dentro de todos nós. Quantos exemplos de superação há por aí.  Assistir a estas experiências nos motivam a tambem querer ir mais longe, a não focar nos problemas e sim nas possibilidades de vitória. Todos podemos, talvez não da forma desejada, talvez não com as mesmas armas do outro, mas temos as nossas e por isso não precisa o que falta ser um impedimento. Faça do seu jeito, mas faça!

Deixo algumas destas vivências como exemplo:

http://www.youtube.com/watch?v=uTUx7eALObI&feature=related
1 Comentário


Viver muito X viver bem

Uma frase para reflexão:
“O homem vive preocupado em viver muito e não em viver bem, quando na realidade, não depende dele o viver muito mas sim o viver bem” Sêneca, 4 a.C.
Quantas vezés nossas prioridades ficam trocadas sem nos darmos conta: trabalho mais importante que a presença, presentes ao invés de companhia, bronca no lugar do cuidado, briga no lugar da conversa. Tudo isso porque não somos ensinados a parar e pensar em nossas verdadeiras necessidades. Pois então, pare, pense: o que é viver bem pra você? Coloque em pratica, pois amanha pode ser tarde!

Comente aqui
 

Que medo que dá….

 

O medo é uma emoção natural e até mesmo benéfica a todos nós. O medo nos protege de situações de perigo, nos impede da exposição desnecessária a morte e proporciona a noção do cuidado conosco e com os que estão a nossa volta.

Claro que quando em excesso, assim como tudo, é prejudicial. O medo em excesso pode ser sinal de sindrome do pânico, pode levar a TOC (transtorno obsessivo compulsivo), depressão e tantos outros transtornos. Quando é assim, cabe uma avaliação deste sentimento, na busca de que o individuo posso se sentri na direção da propria vida novamente. Com capacidade de se proteger e, ou, de lidar com as adversidades e contratempos que a vida impõe.

Mas é importante lembrar que mesmo uma pessoa que enfrenta com tranquilidade seus medos, tem como primeira reação diante do perigo no minimo o susto. Por isso deixo para voces um video engraçado que recebi estes dias que é um teste do medo. Segue abaixo:

Comente aqui


Convivências

 

Acredito que se relacionar é uma das maiores dificuldades que existe na vida. E que contraditoriamente é uma das maiores maravilhas. Viver sozinho é doloroso, precisamos de companhia. E aqui não estou me refereindo a só ser feliz estando amorosamente acompanhado e sim, ao valor que uma amizade tem, seja ela de que tipo for. Mas ter companhia significa ter que aprender a conviver com o jeito do outro, com suas belezas e com suas manias. Tarefa necessária, mas nem sempre fácil.

Há uma fábula que pode ajudar nesta reflexão. Segue abaixo:

“Durante uma glaciação muito remota, quando parte do globo terrestre estava coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil. Foi então, que uma grande vara de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais.  Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro e, juntos, bem unidos agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso. Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. Então, afastaram-se feridos. Dispersaram-se por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito… Mas, essa não foi a melhor solução. Afastados, separados, logo começaram a morrer congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com precaução, de tal forma que, unidos, cada qual conservou uma distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem machucar, sem causar danos recíprocos. Assim suportaram-se, resistindo à longa era glacial. E sobreviveram.” (autor desconhecido)

Uma estorinha bonita e bacana. Que pode nos ajudar a pensar em como manter-se perto, amando, cuidando, mas não tão perto a ponto de se machucar. Todos temos espinhos. E todos precisamos de espaços.

É fácil trocar palavras, difícil é interpretar os silêncios.

É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar.

É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração.

É fácil apertar as mãos, difícil é reter o seu calor.

É fácil sentir o amor, difícil é conter a sua torrente.

Comente aqui


A ameaça da canção de ninar

Por Betty Milan

Quem dorme aceita se retirar da realidade e ficar indefeso. Essa retirada, sem a qual nós não vivemos, pode ser angustiante e deve ser facilitada. Por isso, espera-se  de uma canção de ninar que seja apaziguadora.

No entanto, ainda hoje, no Brasil, ouve-se a canção aterradora com a qual fui criada. Tive o desprazer de constatar isso ligando a Rede Globo e vendo um ator que cantava; enquanto segurava um bebê nos braços; “Dorme, neném, que a Cuca vem pegar. Papai foi pra roça, mamãe foi passear”. O rosto do ator era bonito e do bebê, comovente- dois anjos. Mas, sem ter consciência do que fazia, o ator ameaçava a criança. Dizia-lhe que o pai e a mãe estavam ausentes, e, caso não dormisse, a Cuca a levaria.

Popularmente, a Cuca é uma velha feia parecida com um jacaré. Segundo o Aurélio, um bicho-papão ou papa-gente. E, de acordo com Monteiro Lobato, uma bruxa com unhas compridas como as de um gavião.

Como explicar a vigência de uma canção de ninar tão assustadora, se não pelo sadismo dos adultos em relação ás crianças? Um sadismo cujas consequências podem ser nefastas.

A educação começa no berço, com as primeiras palavras, que tanto podem abrir  quanto fechar os nossos caminhos. Isso significa que o educador — o pai, a mãe ou outra pessoa – precisa atentar para o que diz.

Em vez de fazer menção á Cuca, porque não escolher, por exemplo, uma canção de ninar como as dos Beatles, Good Night? “Hora de dizer boa-noite. Boa noite durma bem. O sol já apagou sua luz. Boa noite durma bem”. Uma canção que associa o sono à desaparição do sol,  fazendo dele um fenômeno natural.

Ninguém é obrigado a procriar.  A obrigação está fora de moda. Mas quem tiver filho precisa se ocupar dele durante a infância com devoção e inteligência. Contrariando os hábitos, se preciso for.

A vida não é fácil e, para evitar dificuldades futuras, a prevenção é sempre melhor do que o tratamento. Nós só nos esquecemos disso porque não somos educados para ser felizes, e sim para repetir o que os outros fizeram sem questionar.

A psicanalista e escritora Betty Milan, assina a coluna Consultório Sentimental em Veja.com. Uma vez por mês ela publica em Veja um artigo especialmente escrito para a revista impressa.

3 Comentários


O que você quer ser?

Um texto da Reverenda Teri Johnson (extraído do livro Histórias para aquecer o coração)

“A imaginação é a maior pipa que se pode empinar.” (Lauren Bacall)

Tive um daqueles momentos felizes e inesperados há algumas semanas. Estava no quarto trocando a fralda de um dos bebês, quando nossa filha de cinco anos, Alyssa, entroue pulou na cama ao meu lado.

– Mamãe, o que você quer ser quando crescer? – perguntou.

Achei que ela estava fazendo algum jogo imaginário e, para entrar na brincadeira, respondi dizendo:

– Huum. Acho que gostaria de ser mãe quando crescer.

– Você não pode ser isso porque você já é mãe. O que você quer ser quando crescer?

– Está bem, talvez eu seja pastor de igreja quando crescer respondi a segunda vez.

– Mamãe, não, você já é isso!

– Desculpe-me, querida – eu disse. – Mas então não estou entendendo o que eu devo dizer.

– Mamãe, só responda o que você quer ser quando crescer. Você pode ser qualquer coisa que quiser!

A esta altura eu estava tão enternecida com a experiência que não pude responder imediatamente. Alyssa desistiu e saiu do quarto. Esta experiência – esta minúscula experiência de cinco minutos – tocou fundo dentro de mim. Fiquei emocionada porque, aos olhos jovens de minha filha, eu ainda podia ser qualquer coisa que quisesse ser!

Minha idade, minha carreira atual, meus cinco filhos, meu marido, meu diploma, meu mestrado – nada disso tinha importância. Aos seus olhos jovens eu ainda podia sonhar e tentar alcançar as estrelas. Aos seus olhos jovens meu futuro não havia acabado. Aos seus olhos jovens eu ainda podia ser astronauta, pianista ou até mesmo cantora de ópera, talvez. Sob seu olhar jovem eu ainda tinha que crescer mais e tinha muito “ser” sobrando em minha vida.

A verdadeira beleza daquele encontro com minha filha foi quando eu percebi que,com toda sua honestidade e pureza, ela teria feito a mesma pergunta a seus avós ou a seus bisavós.

Já foi escrito: “A mulher velha que irei me tornar será bastante diferente da mulher que sou agora. Outro eu está começando…”

Então, o que você quer ser quando crescer?

 

Comente aqui


Construção

Acredito que a vida é uma eterna construção. A cada dia construímos algo novo, reformamos o que não está legal. Há tempos de colher as glorias da construção e fazer a inauguração. Que é viver a alegria das coisas boas. Em outros tempos, nas tribulações, o que foi construído parece desabar e temos que começar tudo de novo, ou refazer uma parede aqui, outra lá. E como toda construção, dá trabalho, é demorado, cheio de novas descobertas, as vezes bastante cansativo e oneroso, mas é a única forma de ter algo seu, só seu.

Há um poema lindo de Walter Moreira Santos que descreve bem esta idéia:

Calma. Derrubar paredes dá trabalho, tijolos de vidro são caros, mas tudo pode a transparência.

Calma, um dia a chuva molhará a parede e minhas mãos, do outro lado, conhecerão a experiência.

Mas tudo pode aquilo que espera, inclusive amadurecer. 

Ser eterno é ser de pedra – posto que dura – mas sobretudo é ser de vento.

Por isso ao invés de pedra uso tijolos de vidro. 

Não é um dia como outro qualquer – é um outro dia.

E a voz de Dinah Washington cantando Mad About the boy atravessa a poeira do quarto, ilesa, incólume, e me diz: vai, sai da imensidão da água, passa pelo mundo e se guarda, assim como o som, assim como a luz.

Por isso derrubei a parede e refaço-a usando tijolos de vidro.

Ontem à noite, ao dizer a um mendigo que me envergonhava por lhe dar apenas uma moeda, este me disse que nada perde quem se aventura.

E eu perco o meu tempo refazendo o reboco, os acabamentos – acabamentos dão trabalho.

Eu sei dos calos nas mãos – fazer paredes, ninhos, pontes, nichos, dá trabalho – e dos calos na alma, estes mais esculturais e invisíveis.

Faço a parede, ela me faz.

Uso tijolos de vidro. 

Comente aqui