Mês: outubro 2011



Se eu quiser falar com Deus…. ou com outras pessoas

Gilberto Gil escreveu uma linda musica sobre como falar com Deus, como se achegar a Ele. É uma reflexão sobre a importância de nos despirmos de nós mesmos, de reconhecermos nossas fraquezas, angustias e limitações diante deste ser supremo.

Contudo, creio que não só para falar com Deus de forma inteira, verdadeira e real, devemos agir assim. Mas também com as pessoas a nossa volta.

Quando nos despimos de nossos conceitos e preconceitos, quando nos dispomos a ouvir o outro pelo que tem a dizer e não pelo que eu desejo ouvir, quando não vou armada para uma conversa, quando vou como sou e não como eu gostaria de ser, o relacionamento sobe para outro patamar, chamado intimidade.

Segue a letra e o clipe….

 “Se eu quiser falar com Deus, tenho que ficar a sós, tenho que apagar a luz, tenho que calar a voz, tenho que encontrar a paz, tenho que folgar os nós.

Dos sapatos, da gravata, dos desejos, dos receios.

Tenho que esquecer a data, tenho que perder a conta, tenho que ter mãos vazias, ter a alma e o corpo nus.

Se eu quiser falar com Deus, tenho que aceitar a dor, tenho que comer o pão que o diabo amassou, tenho que virar um cão, tenho que lamber o chão dos palácios, dos castelos suntuosos do meu sonho.

Tenho que me ver tristonho, tenho que me achar medonho e apesar de um mal tamanho alegrar meu coração.

Se eu quiser falar com Deus, tenho que me aventurar, tenho que subir aos céus sem cordas pra segurar.

Tenho que dizer adeus, dar as costas, caminhar decidido, pela estrada que ao findar vai dar em nada.

Nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada, nada

Do que eu pensava encontrar.”

Gilberto Gil (1980)

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Gostar de quem sou

Gostar de si mesmo parece algo tão óbvio, fácil, tranquilo. No entanto é uma das maiores dificuldades que encontramos. Ser generoso consigo mesmo, aceitar-se como é, dar risada dos próprios tombos, se acalmar, se acolher diante da dor, perdoar-se, não são tarefas fáceis. Porem, somente desta forma podemos ficar bem.

Quantas vezes nos chocamos com o que falam de nós, priorizamos mais o que os outros pensam ou pensarão do que nossa vontade e opinião. Quando aprendemos a gostar de nós, o que os outros dizem continua tendo importância, mas não prioridade.

A Bíblia diz que devemos amar ao próximo como a nós mesmos. Ou seja, só podemos amar alguém se nos amamos. Acredito que vivemos numa era de pouquíssimo amor próprio. Há muito narcisismo, mas não amor próprio. Até porque gostar de holofotes pode ser um grande sinal da necessidade de ser amado, benquisto pelos outros, por haver pouco amor interno. Creio que a violência, a crueldade está tão disseminada pela falta deste amor.

Como conquistá-lo?

O melhor é que venha de berço, ou seja, que no primeiro contato humano o bebê seja amado, cuidado e assim aprenda a se amar pelo amor do outro. Entretanto, nem sempre as coisas acontecem tão naturalmente, e é na vida adulta que este amor precisará ser construído. Uma terapia pode ajudar muitíssimo neste sentido. Claro que deve haver outras maneiras, mas sendo honesta e – por  experiência própria – a análise, em minha opinião, é a forma mais eficaz.

 

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De volta pra casa

O tempo é implacável, mudamos o tempo todo seja no físico ou no psicológico. O amadurecimento acontece nas duas áreas e é bom que seja assim. Mas amadurecer não é um processo tranquilo, é viver lutos: deixar a infância morrer para me tornar adolescente, depois deixar a adolescência para encarar as responsabilidades da vida adulta, e quando nela quantas coisas que faziam sentido numa época não fazem mais em outra. Vamos mudando nosso jeito de pensar, de entender as coisas e até o modo de olhar para o passado. Penso que essas mudanças são mais profundas que as externas. O corpo muda, envelhece, há cremes, academia, porem o envelhecimento virá gostando ou não. Já no campo emocional, o amadurecimento pode nunca chegar, ou chegar cedo demais. Cada vida uma história diferente.

Quando o amadurecimento acontece na mente, quando podemos adquirir novos olhares sobre nós mesmos, sobre nossa história, nossos familiares, o tempo pode ser configurado de forma mais ampla, com menos rancores, mais perdão e maior compreensão. Algo que possibilita um envelhecimento mais saudável e agradável. Onde não sentimos o tempo sendo roubado de nós, pois fizemos as pazes com ele.

O pequeno filme abaixo complementa de forma bacana esta ideia, vale a pena….

As imagens são recortes de uma série de reportagens produzida pela BBC de Londres e apresentada pela rede Globo. A musica é do Yanni- Face in the photograph. A música é “Face in the photography” de Yanni Chrysomallis. E o texto de Flavio Siqueira.

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Comercias interessantes

Eu sou vidrada em comerciais. Acho que um bom número deles é de uma genialidade incrível. Alguns nos fazem rir, outros refletir. Claro, que tem os de muito mau gosto. Mas em geral “caem na boca do povo” e o feliz publicitário leva as glórias, pois o produto fica conhecido.

De uns anos para cá houve uma mudança, que em minha opinião foi muito válida, em colocar o produto em segundo plano, destacando uma ideia, um pensamento. E ao final destacar a marca / produto. Entendo como uma sacada publicitária bastante interessante.

O que mais gosto é o comercial do filtro solar, que tanto ficou conhecido, são conselhos bacanas e colocados de forma que nos levam a refletir.

http://www.youtube.com/watch?v=vOkZCop9CUE

Outro que acho lindo é o da ETB, sobre o dia das mães, cada um recebe um gesto de amor de forma muito única e este filho soube demosntrá-la com toda delicadeza.

E o ultimo que me fez refletir foi o da Hope. Foi criada até uma polêmica em cima dele, alguns políticos tentaram tirá-lo do ar como se indicasse falta de respeito a mulher. Com o slogan: você é brasileira, use seu charme. A Hope convida a mulher a usar seu lado sensual para conquistar algumas coisas. Muitas pessoas são contra isso, como se indicasse que a mulher se resume a um corpo. Será? Acredito que a mulher que se valoriza, que gosta de si mesma, que se sente bem sendo quem ela é, pode sim usar de todos os seus atributos – sejam eles físicos, profissionais, intelectuais ou sociais – para conquistar o que necessita ou deseja. Desde que isso não seja feito de forma antiética, que erro há? Será moralmente errado uma esposa usar de sua sensualidade para conquistar algo do amado? Não significa que seja esta a única maneira dela se colocar na vida e sim mais uma de suas alternativas. Que bom ter várias não é mesmo?

 

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Um ponto azul no infinito

Sigmund Freud defendeu que o Homem passou por três grandes “feridas narcísicas”. Primeiro acreditávamos ser a Terra o centro do Universo, vem Copérnico e comprova que somos apenas um pedacinho no meio dos cosmos. Focamos então na ideia de que somos os seres mais elevados da criação, quando vem Darwin com a teoria da evolução e propõe que não somos tão melhores que os outros animais e sim uma evolução deles. O foco vai então para o conceito de sermos donos de nós mesmos, ao que Freud demonstra que somos guiados por forças inconscientes e das quais não temos controle racional.

Perceber tais verdades é incomodo, pois demonstra a nossa pequenez. O quanto não somos melhores que ninguém, o quanto somos pouco. O que não significa que não temos valor. Somos importantes, mas não melhores que outros. Somos especiais, mas não únicos. Somos capazes, mas não de tudo.

É duro nos ver assim? Talvez. Mas possibilita nos enxergar como realmente somos: nem maior, nem menor do que o espelho reflete.

Uma verdade capaz de mudar pensamentos, comportamentos, reações no contato consigo mesmo e com os que estão a nossa volta.

Recebi esta semana um maravilhoso vídeo que descreve bem esta ideia. Fica como complemento desta pequena reflexão.

 

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O fim de semana

Por que gostamos tanto do fim de semana? Geralmente na sexta a animação chega, enquanto que na segunda não há nem resquícios dela.
O fim de semana tem a marca infantil, na minha opniao, de ferias. Quando crianças os pais não nos obrigavam a fazer os deveres escolares porque afinal de contas era fim de semana! Os pais que tanto trabalhavam ficavam folgados para curtir aqueles dias com os filhos. E essas e outras situações correlatas deixam uma marca de prazer que buscamos repetir por toda a vida: ser o fim de semana os dias de gozo.
Alem do que sempre nos damos folga dos problemas nestes dias. Como se entendêssemos que no sábado e domingo não tem como resolver, então deixa para segunda.
Que bom seria viver na semana com um pensamento mais desacelarado, menos cobrativo. Talvez isto ate ajudasse na resolução de alguns problemas…

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Depois da tempestade vem o sol

Há momentos na vida em que as situações se tornam tão complicadas, tão dolorosas, que nossa tendência é acreditar e, principalmente sentir, que nunca saíremos daquilo. Vem a angúsita, o desespero, o medo, enfim uma multidão de sentimentos, que se não cuidamos tomam conta de nós e trazem prejuízos ainda maiores. pois acabamos por agir por impulso.

Uma colega de profissão me disse outro dia que temos uma nuvem negra dentro de nós, que obscurece nossos pensamentos e nos leva a comportamentos dos quais depois nos arrependemos.

Contudo, se na hora da dor aprendemos a não tomar decisão, a esperar a poeira a baixar, a emoção se acalmar, a chance da ação ser acertiva é muito maior. Esperar é angustiante, mas viver as consequências pode ser ainda pior.

A Bíbila diz que o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem ao amanhecer. Entendo esta passagem como um sinal de esperança, de que não há situação que não passe. A vida sempre dá voltas, assim vale a pena esperar.

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Compreensão ou amor

Se diz muito que é difícil entender as mulhers. Pois amplio a questão: é fácil entender alguém?

Todos, homens ou mulheres, tem seus pontos cegos, suas angistias e mistérios que não são compreensíveis nem a si mesmo. Talvez a mulher exponha isto com mais facilidade, clareza do que o sexo masculino. Mas não significa que eles também não tenham tais crises…

Viniscius de Moraes dizia:

“mulheres existem para serem amadas, não para serem entendidas”

Talvez pudéssemos estender esta noção para todas as pessoas.

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As pressões do dia a dia

Vivemos num mundo em que as pressões são diárias e de todos os lados. É no trabalho, na família, nas amizades, enfim em tudo e o tempo todo. Alguns exemplos simples: na família – se está namorando, quando vão casar, se casam, quando terão filhos, se tem, quando terão o próximo? No trabalho: se entrou na empresa, quando vai subir de cargo, se subiu, quando será a próxima promoção? E por aí vai.

Não entrar nessas pressões, não se sentir na obrigação de supri-las é quase uma arte.

O quanto é importante avaliar se quero aquilo para mim, ou se estou vivendo tal comportamento porque me dizem ser bacana, necessário, adequado ou qualquer coisa do tipo. Será que quero emagrecer? Será que quero me casar? Será que quero trabalhar nesta área? Será que quero ter mais um filho?  Ou será que só quero porque todos me dizem que isto é o certo?

Pensar com a nossa mente – algo que parece tão lógico, mas nem sempre vivenciado – é o que nos protege das pressões. Pense nisso, pense no que você quer, no que faz sentido pra você, independente dos outros concordarem ou não. Até porque quem viverá as consequências e responsabilidades da decisão será você!

 

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