Mês: janeiro 2012



De médico e louco todo mundo tem um pouco – essa tal de saúde mental.

A linha entre saúde e doença talvez seja mais tenue do que parece. Porque saúde no sentido pleno, indica alguém que não tem nenhum tipo de doença, que esta completamente saudável. E isso, acredito, é quase que impossível.

Todos temos algum tipo de doença mesmo que leve. Uma alergia, uma imunidade baixa, uma gripe de vez em quando, uma dor aqui ou ali. Somos atingidos por estas circunstâncias de tempos em tempos, o que não significa que somos doentes. Então, somos pessoas que estão expostas a situações, externas e internas, que nos colocam na posição de doentes, mas que não indica falta de saúde. Afinal é só uma circunstância. Isto tudo só falando da saúde física. Quanto mais amplo fica quando voltamos os olhos para a saúde mental.

Todos temos sentimentos, a partir deste fato e vivendo num mundo tão atribulado – quanto mais moderno, mais atribulado fica – mais expostos estamos a circunstância que mexem com estas emoções e podem trazer a tona o pior de nos. Uma briga no trânsito, uma indelicadeza no comércio por tão pouco perde-se a cabeça. Dependendo da situação nosso lado mais agressivo pode vir a tona, em outra situação o lado mais dependente se faz visível  e por aí vai… E nem isto indica doença, claro que pode indicar a necessidade de ajuda, mas não de doença propriamente dita.

A partir desta visão a idéia sobre saúde mental é ampliada. Saudável passa a ser alguém que age e reage de acordo com as circunstância em que esta envolvido. Ou seja, diante de uma situação de tristeza se entristece, diante de um susto se assusta, diante de uma alegria se alegra. Parece lógico? Talvez. Mas é comum as reações serem contrárias a realidade. E isso sim, pode indicar que algo não vai bem.

A doença mental pode se caracterizar quando a circunstância é uma e a emocão é outra. Pensemos no exemplo do luto: diante dele surge uma depressão circunstâncial, o não entrar em contato, ficar super bem é que demonstraria problemas. Assim, a contradição entre emoção e vivência pode ser o indicador da falta de saúde.

Com a gama de emoções que há dentro de nós, muitas vezes uma pequena situação traz a baila emoções que nem sabíamos existir, ou lembranças que se acreditava resolvida. Diante de tais sentimentos ficamos mobilizados e nossa reação pode sim contradizer a vivência, sendo inadequada para mais ou para menos.

Precisamos ter em vista que há vivências que ficam mal resolvidas ao longo de nossa história, mas que naquela hora tiramos força nao sei de onde e continuamos, numa outra época por razões inconscientes esta emoção volta a ativa e se faz presente, pedindo para ser cuidada. É como se machucar durante um exercício físico, na hora não dói, mas depois…

Diante do exposto, fica claro como o diagnóstico é delicado e por isso mesmo é tão importante buscar bons profissionais, seja da psiquiatria ou psicologia, para escutar e pensar junto se há ou não a necessidade de algum trabalho.

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Você é normal?

Há uma discussão antiga, com diversas repercussões (algumas até preconceituosas)  sobre o que é ou não saúde mental. O complexo é que tal discussão fica confusa aos olhos da sociedade que não tem acesso, pelo menos pouco acesso, aos estudos em questão. Assim termos como loucura, depressão, ansiedade, psicose e psicopatia acabam banalizados e mal compreendidos.

Por esta razão, a partir desta semana postarei matérias com o objetivo de expandir a compreensão sobre estes termos. Tais como:

O que é saúde mental?

O que significa neurose, psicose e psicopatia?

Depressão e ansiedade como identificar e tratar?

E outros pontos.

Todas as matérias serão refletidas com base na psicanálise.

Convido você leitor a participar, deixar suas dúvidas e pontuações. Acredito que assim pode ficar mais interessante não é mesmo?!

Finalizo com um vídeo cômico da Fernanda Young sobre a normalidade. É para dar risada e inciar a semana melhor, afinal as materias que virão talvez sejam mais pesadas….

http://www.youtube.com/watch?v=dhCNVLKGCTM&feature=youtube_gdata_player
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Em que lado você está?

Começo este post com uma frase que li e achei interessante:

Quando tudo parece estar vindo na sua direção, provavelmente você está no lado errado da estrada.

Algumas pessoas se sentem extremamente vítimas diante da vida e de certas circunstâncias. Algumas são, outras não. Há situações que estão alem do nosso controle e responsabilidade. Entretanto, estas são raras. Em geral, somos participantes do que nos acontece, direta ou indiretamente.

Diante disto vale repensar: se tudo esta dando errado, se tantas pessoas estão criticando, será que não estou na contra mão?

Quando adolescente, coisas ruins me aconteciam e eu sempre desabafava com meu pai. Lembro de uma frase que ele sempre usou: se tem 500 soldados, 499 estão marchando em uma direção e 1 em outra, quem esta errado? Essa sua pergunta encerrava minhas defesas e me fazia olhar para os meus atos. Algo que pode ser bem necessário!

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Será que podemos aprender?

 

Durante uma era glacial, muito remota, quando o globo terrestre esteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram indefesos, por não se adaptarem as condições do clima hostil.

Foi então que uma grande manada de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver, começou a se unir, a juntar-se mais e mais. Assim cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso. Porém, vida ingrata, os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital, questão de vida ou morte. E afastaram-se, feridos.

Dispersaram-se por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito…….

Mas, essa não foi a melhor solução: afastados, separados, logo começaram a morrer congelados. Os que não morreram, voltaram a se aproximar, pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma que, unidos, cada qual conservava certa distância do outro, mínima, mas suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem machucar, sem causar danos recíprocos. Assim, aprenderam a estar perto de forma positiva e agradável, o que possibilitou resistirem a longa era glacial. Sobreviveram.

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Esta metáfora é uma dica de sobrevivência na vida em sociedade, fica como reflexão…

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O tempo cura?

Diante de situações de dor há uma frase comumente aplicada, a de que o tempo há de curar. Será que é real?

No facebook tem rolado um post bacana sobre o assunto:

 

Talvez esta frase faça mais sentido. Pois o tempo traz novidades, não sobre o assunto em questão, mas sobre outras coisas. E com elas no centro da vida aquilo que doia se torna menos perceptível. A energia fica concentrada em outros fatos e com isto a dor parece ser amenizada. Contudo, numa conversa em que o asunto vem a tona a dor reaparece, aquilo que estava em silêncio ressurge e com isto a percepção da necessidade de trabalhar tal emoção.

Por esta razão buscar falar – com pessoas adequadas – do assunto e resolve-lo, no mínimo dentro de nós, pode ser realmente a única maneira de cura.

 

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Exijo respeito! Eu te respeito????

Há tantas proibições em tramitação com o governo que daqui a pouco os países serão como um hospital: tudo monocromático, sério, frio e triste. Há lei para poluição visual, auditiva, de religião e assim por diante. O interessante destes projetos de lei é que todos tem como objetivo proteger o outro, ou seja, se uma pessoa é budista não deve ser “obrigada” a conviver em locais que mostram uma cultura católica. A lei contra homofobia tem a mesma ideia.

São projetos dignos de reflexão. Não sobre os projetos em si e sim sobre dois conceitos mais amplos: liberdade de expressão e tolerância. Nossa constituição defende a liberdade de expressão. Cada brasileiro tem como direito crer, se vestir, dizer o que acredita. Há limites para isso? Sim, com certeza. Sair nu é ofensivo. Ferir alguém (física ou psicologicamente) por pensar ou se expressar diferente é crime. E para tanto há leis que punem tais praticas. Pois tais expressões não podem ferir outros cidadãos. Contudo, muitos se sentem feridos, não fisicamente, mas moralmente.

Num mundo dito civilizado, em pleno século XXI o clichê maior é que cada um faz o que quer, assim ter preconceitos é dito como inadequado, visto como alguém que é retrógrado.

Porem, cada pessoa é fruto de uma família com conceitos muito particulares. Alem do que, dentro da sociedade convivem gerações muito diferentes em que as culturas de cada época ajudaram na criação de visões do mundo também diferentes.

Olhando por este prisma, talvez possamos pensar que da mesma forma que um grupo grita por respeito a sua liberdade de expressão, o outro grupo também merece ser respeitado por pensar de outra maneira. Alcançar um meio termo entre a entre a liberdade de expressão e o excesso de liberdade não é tarefa fácil.

Talvez uma das dificuldades esteja no quanto somos intolerantes. Queremos as coisas do nosso jeito. Torcer para o time que nos encanta e que ninguém fale mal dele. Adorar a crença em que vemos sentido e que ninguém duvide dela. Amar a um estilo e achar ridículo alguém que tem outro. Como somos rápidos em acreditar que estamos certos e sabemos mais. Aí esta a intolerância.

Ser tolerante é aceitar as diferenças. É não se ofender por outra pessoa duvidar do que creio, penso, quero. Cada pessoa se sente ofendido por motivos únicos que podem ir desde como foi sua criação até por dúvidas na crença em questão. Algo que as vezes não é simples, pois para defender uma ideia preciso estar muito convicto de meus conceitos, caso haja nela qualquer tipo de dúvida não suporto a contrariedade.

Ser tolerante não significa ser cúmplice, posso discordar mas preciso ofender? Acho interessante que na época em que em que o Big Brother Brasil esta no ar as redes sociais ficam lotadas de comentários, principalmente contra, sobre o programa. Tudo bem, há os que amam o BBB e os que o detestam. É normal. Entretanto, há pessoas que ofendem quem gosta, os chamam de ignorantes, burros e por ai vai. O mesmo comportamento, mas talvez em nível menor, ocorre com torcedores de times diferentes, os propagadores de fé diferentes, os que optam por uma vida sexual diferente.

Você gosta de uma coisa, eu de outra, por que é tão duro nos respeitarmos? Queremos um pais livre, mas nos irritamos por uma pessoa crer em algo diferente! Muitos homossexuais são desrespeitados, mas também desrespeitam que é contra eles. Algum deles errou menos?

O respeito é uma via de mão dupla. E andar por esta avenida pode ser bastante trabalhoso. Aceitar que muitos não gostarão dos meus conceitos e conviver com o do outro são os quebra-molas e buracos do caminho. Todos precisam andar com cuidado e paciência, dando lugar para o outro passar e buscar sua passagem.

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O orgulho após uma briga

Após uma discussão todos tem razão, cada um tem suas razões, motivos e por aí vai. Na hora da dor só enxergamos o ruim e é muito difícil ponderar os fatos. Facilmente esquecemos que uma relação – seja ela qual for – é feita de duas pessoas e nunca um só erra. O grande problema é que não percebemos, ou não queremos assumir, que de alguma forma fomos cúmplices. Seja na ingenuidade, na escolha inconsciente de tornar aquela pessoa como um pareceiro – de vida, trabalho ou sociedade – sempre temos nossa parcela de contribuição. Parar e avaliar onde deixamos brecha para a situação chegar onde chegou talvez seja um bom caminho para reorganizar os fatos, primeiramente dentro de nos e depois em nossas atitudes para com o outro.

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Faça, faça, faça…

Foi lançado nos últimos tempos alguns livros sobre 1000 coisas para fazer antes de morrer, são lugares para conhecer, livros que valem a pena, filmes fantásticos, e assim por diante. O mesmo ocorre em programas de TV e revistas, dicas e mais dicas de coisas importantes para fazer. Carlos Drumond de Andrade tem uma frase interessante “perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes”.

Ponderar esta frase em relação ao costume atual pode ser importante. Esses livros, programas e artigos são bacanas e podem servir como ideia para algo novo, diferente. Contudo, são feitos por pessoas, assim, o que um achou bom não significa que todos acharão. Algo que deu certo para uma pessoa não significa que terá o mesmo resultado na vida de outra pessoa. Esta, alias, é a grande dificuldade dos livros de auto ajuda.

Mesmo que um livro seja um best seller ou que um filme ganhe o Oscar, haverão pessoas que os detestarão. É bom? Pode ser, mas não significa que agradará a todos. Gosto é gosto, como diz o ditado. E como é saudável respeitar isto. Conheço muitas pessoas que se sentem na obrigação de se adequar a estes “gostos universais” e se sentem até mesmo deslocados por discordarem.

O que é bom, importante e agradável é variável, depende de cada individuo. Respeitar o gosto do outro e o seu próprio talvez seja a única verdadeira obrigação que temos!

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Paciência consigo mesmo

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Somos seres em desenvolvimento. Do nascimento a morte vivemos em estado de aprendizado. Segundo muitos estudos a infância é lembrada com tanto prazer exatamente por ser uma fonte tão intensa de descobertas. Contudo, sempre estamos aprendendo, descobrindo novidades, tanto nas coisas quanto em nos mesmos.

Diante de circunstâncias novas, as difíceis principalmente, descobrimos sentimentos, reações, forças ou fraquezas das quais não sabíamos ser capazes. Diante disto tendemos a nos julgar. Claro que certas vivências trazem grande arrependimento devido as consequências. Repensar, analisar o que nos levou aquilo pode ser importantíssimo e necessário para uma mudança, um novo caminho.

Mas há também os momentos em que se faz necessário relevar, poder olhar algumas falhas ou mancadas que temos e pensar: estou aprendendo, vou melhorar! Ter esta paciência pode ser tão aliviador. Nao é fechar os olhos para o que não esta bom, nem mesmo não ligar, mas sim assumir o erro porém, sem cobrança. Com uma postura mais calma. Se olhar como alguém em desenvolvimento que a cada dia aprende mais, melhora mais. Creio que quando temos esta paciência a vida anda muito mais e as mudanças para melhor se tornam também mais possíveis. Uma criança com pais calmos se desenvolve de maneira mais saudável que as com pais ansiosos e cobrativos. Não é um bom modelo para a vida pessoal?

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Escolher uma estrada

Sempre amei a pesquisa e na época em que fiz o mestrado a situação se repetia, cada vez que relia os projetos via um monte de coisas para arrumar. Alias até hoje, 7 anos depois, se reler minha dissertação acho coisas para arrumar. Uma frase que poderia ser melhor construída, um parágrafo que poderia ser diferente e assim vai. Olhar para traz e dizer que hoje faríamos diferente é fácil. Esquecemos que naquele momento agimos com as armas que tínhamos.

Hoje tenho outro entendimento. Mas hoje a situação já passou, as consequências – boas ou más – já vieram e olhar para traz depois que tudo aconteceu e julgar chega a ser ingenuidade. Parecido com olhar o problema dos outros e dizer que é fácil resolver. Claro os sentimentos são outros!

A vida acontece no presente, assim olhar para traz pode nos trazer lições, mas não novos resultados. E olhar para frente pode trazer planejamentos, mas não certezas.

Escolher, decidir, sempre é difícil, implica em deixar algo de lado. Se escolho um caminho deixo de ir pelo outro e nunca saberemos o que o outro caminho nos reservaria.

Assim, talvez valha a pena tentar viver como diz a música do Capital Inicial (deixo a letra e clipe abaixo) “Escolha uma estrada e não olhe, não olhe pra traz”.

Não olhe para traz (Capital Inicial)

Nem tudo é como você quer, nem tudo pode ser perfeito, pode ser fácil se você ver o mundo de outro jeito.

Se o que é errado ficou certo, as coisas são como elas são, se a inteligência ficou cega de tanta informação, se não faz sentido, discorde comigo.
Não é nada demais, são águas passadas, escolha uma estrada e não olhe, não olhe prá trás.

Você quer encontrar a solução sem ter nenhum problema, insistir em se preocupar demais

Cada escolha é um dilema, como sempre estou mais do seu lado que você siga em frente em linha reta e não procure o que perder

Se não faz sentido, discorde comigo não é nada demais, são águas passadas escolha uma estrada e não olhe, não olhe prá trás.

 

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