Mês: fevereiro 2012



Novos valores

A maior parte dos valores que ensinamos as crianças não são verbais. Valores morais, éticos e religiosos são ensinados na demonstração de nossas atitudes diárias. Os filhos, sobrinhos, e também os adultos, assistem nossos comportamentos e aprendem com eles, seja para o bem ou para o mal.

Nos dias de hoje, em que tantos valores tem mudado, acabamos por ensinar o que mostra a charge abaixo:

 

Não queremos ensinar isto, mas será que não são estes os nossos atos diários?

Quando temos preguiça de ir a esquina para comprar pão, quando levamos uma vida sedentária. Não ensinamos que nossas pernas são o carro? Depois damos bronca nos filhos que vivem somente dentro de casa, diante da TV?!

Quando não buscamos informações em livros, mas só no google. Quando a correria ganha da leitura, do devovional. Não ensinamos que só sabemos pensar através de um computador? Mas chamamos a atenção da criançada por não fazer a tarefa de casa, por não ler o livro indicado pelo professor…

Quando não encontramos tempo para conversar com um amigo, para trocar afeto, carinho. Não ensinamos que o contato humano é restrito a telefonemas? Depois nos ofendemos com os filhos por quando adultos não nos visitarem!

Quando nossa prioridade são os nossos desejos, sem pensar nas necessidades de quem está a nossa volta. Não demonstramos que o mais importante é amar a nós mesmos? Depois nos ressentimos pelos filhos que não valorizam nossos pedidos e necessidades!

E assim por diante há exemplos de condutas que equivalem a todos os quadrinhos da charge exposta. Como pontuei no post de ontem o que colhemos hoje é um produto do que plantamos ontem.

Então, analise o que tem ensinado com seus atos….

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As escolhas e o tempo

Acabei estes dias atras de ler o livro A visita cruel do tempo de Jennifer Egan. O livro é muito bom, daqueles que não se tem vontade de parar de ler, cada capítulo conta a historia de uma pessoa diferente, que de alguma maneira esta ligada a um personagem anterior. Exige atenção, é divertido, triste ao mesmo tempo e acima de tudo desperta reflexões.

A reflexão que mais me marcou foi que o livro deveria se chamar “a visita cruel de nossas escolhas”.

A vida é feita de escolhas, não temos como saber que resultado cada escolha terá, o que nos trará exatamente e de que maneira aquilo afetará a nós e a quem está a nossa volta. Isto é um fato. Contudo, sempre podemos ponderar. Quanto mais séria é a decisão, mais vale uma avaliação! Talvez não seja necessário pensar entre comprar uma blusa amarela ou azul. Mas vale pensar entre iniciar engenharia ou agronomia. Uma decisão impulsiva entre comer ou não um chocolate talvez não traga problemas, mas entre trair ou não a pessoa amada, vale a pena pensar. Decidir que filme assisitir pode ser decidido no mamãe mandou, mas entre casar e comprar uma bicicleta não cabe a mesma conduta.

Dito assim, parece tão óbvio, mas não é. Conheço muitas pessoas – e acredito que você, leitor, também – que decidem a vida com a mesma impulsividade que decidem o que comer. Que agem e reagem sem pestanejar e quando as consequências vem se sentem vítimas da vida, dos outros, e por ai vai. Sem se dar conta de que a vida só está lhe trazendo a visita do resultado de suas escolhas.

Pensar antes de agir pode tirar um pouco da emoção, mas nos protege de emoções dolorosas num momento futuro!

 

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Principe encantado existe?!

Qual menina não cresceu ouvindo lindas histórias de princesas e contos de fadas? Todas com final feliz e homens perfeitos. Era tão gostoso ler, ouvir estas histórias, não era? Não conheço uma garota que não tenha sonhado com o príncipe no cavalo branco vindo resgatá-la de todas as suas dificuldades!!!! Ai, que delícia!!!!

Mas um dia, ficamos adultas e nos deparamos com a vida real, que de fácil não tem nada e de encantadora menos ainda. Príncipes existem? Sim, na Inglaterra e em outros poucos locais, mas mesmo eles não estão em cavalos brancos e a verdade é que depois do casamento a vida continua e com elas as lutas diárias, comuns e necessárias para a vida.

Sair do conto de fadas, parar de procurar o príncipe encantado e uma vida sem lutas é abandonar a infância, é crescer, amadurecer e encarar que a vida real vai muito alem da perfeição. É abandonar o mundo das ilusões e ter que enfrentar que para ser feliz preciso fazer por onde, que minha felicidade não depende do outro e sim do que eu faço para estar ou não bem. É deixar de esperar o mundo dar as coisas para ir em busca e fazer acontecer.

Só que isto dá muuuuuito trabalho!

É mais fácil esperar cair do céu e jogar a culpa no colo do destino, de Deus, dos “homens de hoje em dia”, do que encarar seus próprios erros e defeitos.

E não são somente as mulheres que fazem isto, os homens também. Esperando eternas mães que lhe tragam e entreguem tudo pronto (mas isto é assunto para outra matéria!).

Outro dia ouvi uma frase num filme – desculpe, mas não lembro que filme era – que dizia: Seu príncipe encantado? Alguém enfrente o mundo ao seu lado. Atualize seu conto de fadas!

Achei genial! Pois a vida é uma luta que temos que enfrentar diariamente, ter a sorte de encontrar alguém que a enfrente com você é tudo de bom. Pode não ser o mais bonito, o mais educado, com alguns defeitos irritantes aqui e outros lá. MA te ama? Do jeito dele busca ser seu parceiro? Naquilo que é realmente importante ele está do seu lado?

Então deixe de frescuras, enterre o príncipe e viva com o homem real que tem do seu lado. Até mesmo porque princesas também não existem!

Agora se nas perguntas que fiz, claro que caberia muitas mais, as respostas foram não, cabe avaliar o que te prende ainda nesta relação? Medo da solidão? Lembre que sozinha você já esta! E na vida adulta a verdade é que somos sozinhos, há coisas que são nossas e só nossas, ninguém tem como resolver ou viver por nos!

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O que eu vejo, o que você vê, qual é a verdade?

Tem rolado no facebook algumas fotos como a que está acima com os dizeres como minha mãe (ou namorada, esposa, marido….) vê, como X pessoa acha que é e como é na realidade. Da mesma forma, no programa Big Brother Brasil de terça feira, Pedro Bial contou uma parábola hindu sobre três cegos e um elefante. Tanto uma situação quanto a outra discorrem sobre formas de enxergar um mesmo fato.

Algumas áreas da filosofia defendem que nunca chegamos a verdade absoluta de nada, pois tudo que vemos, vivenciamos ou pensamos passa pela nossa percepção, que é construída a partir de uma história de vida, experiências, contexto, alegrias e tristezas, componentes emocionais inatos, educação e mais um monte de coisas que nos tornam pessoas completamente diferentes umas das outras. Por isso mesmo irmãos gêmeos são tão diferentes um do outro. Sendo assim, o que uma pessoa vai sentir ou entender de uma situação será completamente diferente do que outra pessoa pensará ou sentirá.

Respeitar estas diferenças é muito importante, talvez algo que mais falte na sociedade atual. Ao mesmo tempo, ter a percepção de que não sei a verdade, de que posso estar errada em minha ideia também é algo bastante raro no mundo de hoje (talvez em todas as épocas).

A fábula hindu sobre os três cegos e um elefante, é a seguinte:

O bramido do elefante chamou a atenção de três homens cegos que passavam por ali. “O que foi isso?”, perguntou o primeiro homem. O segundo homem respondeu, com segurança: “Um elefante!”. “E o que é um elefante?”, perguntou o terceiro homem. “Devemos investigar!”, disse o primeiro homem, e se aproximou do elefante, por trás. Pegou a cauda do elefante e a examinou: “Já sei! Um elefante é  fino e comprido como uma corda!”. Então o segundo homem cego chegou perto da cabeça do elefante e acariciou a sua grande orelha. “Não senhor! Um elefante não se parece com um corda. É grande e liso como um tapete!”. Finalmente, o terceiro homem tocou a pata do elefante e tentou abraçá-la e medí-la com os braços: “Vocês dois estão equivocados! Um elefante não se parece com uma corda ou um tapete. Um elefante é como uma grande coluna!”. “Não, é como uma grande corda!”. “Um elefante é como um tapete!”. “É como uma coluna!”. Uma corda! um tapete! uma coluna! Enquanto isso, o elefante, muito grande e muito cinza, continuou a comer as folhas de uma árvore, indiferente à conclusão a que os três nunca chegariam…

Talvez todos sejamos um pouco cegos, só vemos as coisas de um prisma, sabemos uma vertente, o que não significa que seja a verdade absoluta. Os três estavam certos em suas percepções e totalmente errados diante do que é realmente um elefante. Defender esta opnião com unhas e dentes leva a brigas e até guerras (veja o Oriente Médio!).

Quem está certo?

Quem está errado?

Talvez estejamos os dois.

Reconhecer que só sei o que acredito e posso estar errada em minha percepção é humildade. Creio em algo, acredito ser uma verdade, mas é a minha verdade nada mais do que isto! Olhar a vida deste prisma possibilita respeito ao jeito do outro pensar, crer, agir.

Uma dificuldade neste comportamento é que sair da certeza nos traz insegurança, suportar o não saber nos angustia demais. Mas como dizia Sócrates:

Só sei que nada sei!

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Sua imagem

“A imagem que você projetar de si no espelho é a mesma que os outros estão vendo. Agora sorria e perceba como tudo se transforma à sua volta.” Bruder Klein

Que imagem de você, você tem projetado na vida?

A maneira como você se vê é a forma como permitirá ao mundo te tratar. Enxergar a si mesmo é o primeiro passo para uma mudança de comportamento. Os outros só nos tratam como permitimos. Isto é um fato, mesmo que seja tão difícil assumir.

 

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Ter tudo basta?

 

Beleza, fama, dinheiro, ídolos. Quem não deseja tais coisas? Parecem tão atraentes, tão facilitadoras da vida. Contudo, quem tem muitas vezes demonstra que isto é pouco, ou pelo menos não é suficiente. Whitney Houston, Amy Winehouse, Kurt Cobain, Elis Regina, Heath Ledger, são alguns nomes que me vem a mente de pessoas que tinham aparentemente tudo e por alguma razão se destruiram, seja através das drogas, por um suicídio, ou por razões que nem se explicam. Ha tambem os que não morrem, mas que alcançaram tanto e depois trilharam um caminho tão negativo que cairam no ostracismo. Macaulay Culkin e Britney Spears são alguns exemplos.

Porém, não são apenas com os famosos que acontece tais coisas. Se olhamos a volta, veremos o mesmo entre amigos ou conhecidos. Pessoas que tem tudo: uma condição financiera previlegiada, beleza, trabalho, uma bela família, talentos, amigos. E mesmo assim são tristes. Ou agem de formas que fica claro o quanto se prejudicam. O contrário tambem é verdadeiro: pessoas que tem muito pouco e são felizes, vivem de maneira admirável. Esta reflexão é só uma vertente do problema, pois é um tema amplo e que abarca várias interpretações. Vou me focar, neste momento, nesta contradição em que cabe perguntar “ter tudo basta?”

A essência do ser humano é narcisica, por isto encontramos prazer no ter coisas: beleza, fama, poder e dinheiro são conquistas tão desejadas. Ter estas coisas é muito agradável, realmente abrem portas e facilitam a vida. Mas bastam, são suficientes e a que preço?

Para conquistar estes elementos muitas pessoas se dispõem a tudo e qualquer coisa, passam por cima de princípios, valores e aprendizados, fogem de sua essência, no final da conquistas se sentem vazios e tristes. Adiantou? Provavelmente não! Um exemplo disto é o livro O retrato de Dorian Gray (tem o filme também).

Outras pessoas vivem frustradas por não terem estes elementos, as vezes tem até alguns, mas não todos e se sentem pequenas por esta ou aquela falta. Só que esquecem que há outros elementos em sua vida. Focam tanto no que falta que esquecem o que tem. Este é um dos grandes problemas dos famosos, sempre há alguém mais belo, mais talentoso, mais jovem. Viver com este medo é desorientador, não há mente que aguente. Os atores centrados, que focam mais em suas capacidades que no externo são os que se mantém.

E será que não é assim com todos nos?

Se focar no que pode ser passageiro, entendo que é grande problema. Ter tanto não basta, em minha opinião, por isto. Beleza,fama, poder e dinheiro são bons, mas não são eternos. Reorganizar o que é realmente essencial na vida, o que realmente faz a diferença, o que realmente você não pode ficar sem. Isto pode nos tirar de um lamaçal de tristeza. Pois, todos temos um vazio interno, entender o que realmente vai amenizá-lo é algo pessoal e extremamente necessário, ou então ao alcançar o objetivo a que tanto nos propomos o sentimento de vazio permanecera ali.

E afinal de contas quando temos realmente tudo? Sempre há algo faltando, alguém que tem mais, algo que estamos abaixo. Tudo não é possível a ninguém, há que se aprender a viver com algumas faltas, elas são a prova de que somos humanos.

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Quindim na portaria

Hoje peguei um texto emprestado, me perdem meus leitores, mas é que o texto é tão bom que compensa! É da Marhta Medeiros.

Quindim na portaria (Martha Medeiros)

Estava lendo o novo livro do Paulo Hecker Filho, Fidelidades, onde, numa de suas  prosas poéticas, ele conta que, antigamente, deixava bilhetes, livros e quindins na portaria do prédio de Mário Quintana: “Para estar ao lado sem pesar com a presença”.   Há outras histórias e poemas interessantes no livro, mas me detive nesta frase porque não pesar aos outros com nossa presença é um raro estalo de sensibilidade.

Para a maioria das pessoas, isso que chamo de um raro estalo de sensibilidade tem outro nome: frescura.

Afinal, todo mundo gosta de carinho, todo mundo quer ser visitado, ninguém pesa com sua presença num mundo já tão individualista e solitário. Ah, pesa. Até mesmo uma relação íntima exige certos cuidados.

Eu bato na porta antes de entrar no quarto das minhas filhas e na de meu próprio quarto, se sei que está ocupado.

Eu pergunto para minha mãe se ela está livre antes de prosseguir com uma conversa por telefone.

Eu não faço visitas inesperadas a ninguém, a não ser em caso de urgência, mas até minhas urgências tive a sorte de que fossem delicadas.

Pessoas não ficam sentadas em seus sofás aguardando a chegada do Messias, o que dirá a do vizinho.

Pessoas estão jantando.

Pessoas estão preocupadas.

Pessoas estão com o seu blusão preferido, aquele meio sujo e rasgado, que elas só usam quando ninguém está vendo.

Pessoas estão chorando.

Pessoas estão assistindo a seu programa de tevê favorito.

Pessoas estão se amando.

Avise que está a caminho. Frescura, jura? Então tá, frescura, que seja.

Adoro e-mails justamente porque são sempre bem-vindos, e posso retribuí-los, sabendo que nada interromperei do lado de lá.

Sem falar que encurtam o caminho para a intimidade.

Dizemos pelo computador coisas que, face a face, seriam mais trabalhosas.

Por não ser ao vivo, perde o caráter afetivo?

Nem se discute que o encontro é sagrado.

Mas é possível estar ao lado de quem a gente gosta por outros meios.

Quando leio um livro indicado por uma amiga, fico mais próxima dela.

Quando mando flores, vou junto com o cartão.

Já visitei um pequeno lugarejo só para sentir o impacto que uma pessoa querida havia sentido, anos antes. Também é estar junto.

Sendo assim, bilhetes, e-mails, livros e quindins na portaria não é distância: é só um outro tipo de abraço.

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Dia de comemoração!!!!

Hoje é meu aniversário! Parabens pra mim, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!!!! rssss Acho que comemorar é muito bom, gostoso, uma delícia! Acho interessante que algumas pessoas ficam bastante tristes, deprimidas e até não gostam de fazer aniversário. Por que será, o que há por traz disto? Pensei em algumas ideias:

Aniversariar é comemorar o dia do seu nascimento, um dia tão especial, imagina o quanto sua família esperou por isto, o quanto desejaram te ver, saber como você seria?! Isto é algo para ser remeorado, refletido. O quanto voce foi desejado!!!! Talves esqueçamos isto com muita facilidade.

Outro motivo é que no decorrer da vida grandes coisas acontecem. Algumas boas, outras ruins e para algumas pessoas tais lembranças são motivos de tristeza, como se não houvesse o que comemorar. As perdas, as dores ficam tão intensas que o que há de bom fica desfocado. Contudo, se muito, ou até tudo, deu errado até aqui, esta pode ser a data para analisar o que pode dar certo de agora em diante. Independente das circunstâncias sempre há o que podemos fazer para melhorar, seja um comportamento novo, um jeito novo de pensar, de encarar a situação, pequenas mudanças que podem fazer TODA a diferença.

Para outros o aniversário é assutador por indicar amadurecimento, ter que encarar novos desafios e responsabilidades. O novo assuta mesmo, não saber como será, ter que viver mudanças, deixar certas coisas para traz (amigos, escola, familia) as mudanças virão, ficar mais velho nos impulsiona a isto. Porem se ao inves de olhar como perda pudermos olhar como experiência, como crescimento e ganho talvez este crescer fique prazeroso.

Já para outros, a dificuldade em fazer aniversário é o envelhecimento. É encarar a perda da juventude, da beleza (ou de um pouco dela), de ter que encarar um novo rosto, um corpo diferente. Não são perdas fáceis e nem mesmo tão agradáveis. Entretanto, para um corpo bonito há a academia. Para um rosto com menos marcas há os cremes. Para não envelhecer só há a morte. Assim, prefiro continuar a comemorar anos e anos de vida, ate ficar bem velhinha e bem feinha! Talvez não mais bonita como antes, com menos agilidade, mas com muito mais capacicades emocionais.

É isto que o viver pode nos proporcionar: amadurecimento em todos os sentidos, mas principalmente na vida emocional. Características como independência, autonomia, sabedoria, são capacidades que se alcançam com o desenrolar da vida. A isto, penso, vale a pena brindar!!!

Parabens a todos que tambem comemoram hoje o seu dia!!!!!

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Nem tudo é fácil

“É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.

É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada

É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.

É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.

É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.

É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.

É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.

É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.

Se você errou, peça desculpas…

É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?

Se alguém errou com você, perdoa-o…

É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo, diga…

É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, ouça…

É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama, ame-o…

É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida…Mas, com certeza, nada é impossível

Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos.

Mas também tornemos todos esses desejos, realidade!”

Cecília Meirelles

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A casa interna

O lugar onde crescemos tem um grande significado em nossa história. Os que tem a sorte de crescer numa mesma casa fazem desta idéia algo ainda mais amplo. O local onde vivemos nos proporciona senso de localização, espaço, limites e deveres, além de todas as marcas emocionais que ali vivenciamos. Aprender a cuidar deste espaço, a ter por ele carinho é que indica que ali pode ser um lar. Ou seja, um espaço único e pessoal, com significados.

Da mesma forma que com este espaço físico também temos um lar mental. Uma mente com capacidades de nos acolher e cuidar. Contudo, muitas pessoas não conseguem fazer um bom uso deste espaço, cada um por razões diferentes. Mas não é incomum nem o desperdício nem o maltratato com a mente.

Numa casa mal cuidada surgem sujeiras, bichos, brechas, problemas serios e por vezes difíceis – e caros – de se resolver. O mesmo ocorre com nosso psíquismo, cuidar de nossas emoções, parar e pensar antes de reagir, se acolher diante de uma dor, se apoiar mesmo quando outros nos reprovam, se valorizar, se perdoar, são alguns cuidados que podemos ter com nossa casa mental.

Infelizmente não somos ensinados a isto, nossa sociedade nos induz a uma vida mais focado no externo, no outro, no visível. Talves por esta razão as casas sejam mais limpas para os outros verem do que nos cantinhos escondidos, não é a toa os ditados: limpar para inglês ver ou jogar sujeira embaixo do tapete! Uma limpeza de verdade, a tão conhecida faxina, da muito trabalho. Mas é ela que possibilita um espaço agradável para viver. Não será o mesmo com nossas emoções?

Entrar em contato com nossas emoções é remexer com o passado, é entrar em contato com lembranças ou sujeiras nem sempre fáceis de encarar. Metas não alcançadas, sonhos desfeitos, relações perdidas, erros. Isso dói, dói muito! Então deixamos ali, como sujeira embaixo do tapete, o problema é que uma hora o monte fica grande e acabamos tropeçando.

Temos um universo de emoções dentro de nos, como as organizaremos é uma tarefa única, pessoal e intransferivel.

Finalizo com um lindo e profundo trecho do livro O tempo perdido de Marcel Proust:

“Alegam os poetas que, ao aldentrar alguma casa ou algum jardim onde moramos quando jovens, reencontramos por um instante aquilo que já fomos. São peregrinações muito arriscadas, que produzem em igual medida sucessos e desilusões. Esses lugares fixos, contemporâneos de outros anos, é dentro de nos mesmos que mais convém encontra-los”.

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