O que eu vejo, o que você vê, qual é a verdade?

Tem rolado no facebook algumas fotos como a que está acima com os dizeres como minha mãe (ou namorada, esposa, marido….) vê, como X pessoa acha que é e como é na realidade. Da mesma forma, no programa Big Brother Brasil de terça feira, Pedro Bial contou uma parábola hindu sobre três cegos e um elefante. Tanto uma situação quanto a outra discorrem sobre formas de enxergar um mesmo fato.

Algumas áreas da filosofia defendem que nunca chegamos a verdade absoluta de nada, pois tudo que vemos, vivenciamos ou pensamos passa pela nossa percepção, que é construída a partir de uma história de vida, experiências, contexto, alegrias e tristezas, componentes emocionais inatos, educação e mais um monte de coisas que nos tornam pessoas completamente diferentes umas das outras. Por isso mesmo irmãos gêmeos são tão diferentes um do outro. Sendo assim, o que uma pessoa vai sentir ou entender de uma situação será completamente diferente do que outra pessoa pensará ou sentirá.

Respeitar estas diferenças é muito importante, talvez algo que mais falte na sociedade atual. Ao mesmo tempo, ter a percepção de que não sei a verdade, de que posso estar errada em minha ideia também é algo bastante raro no mundo de hoje (talvez em todas as épocas).

A fábula hindu sobre os três cegos e um elefante, é a seguinte:

O bramido do elefante chamou a atenção de três homens cegos que passavam por ali. “O que foi isso?”, perguntou o primeiro homem. O segundo homem respondeu, com segurança: “Um elefante!”. “E o que é um elefante?”, perguntou o terceiro homem. “Devemos investigar!”, disse o primeiro homem, e se aproximou do elefante, por trás. Pegou a cauda do elefante e a examinou: “Já sei! Um elefante é  fino e comprido como uma corda!”. Então o segundo homem cego chegou perto da cabeça do elefante e acariciou a sua grande orelha. “Não senhor! Um elefante não se parece com um corda. É grande e liso como um tapete!”. Finalmente, o terceiro homem tocou a pata do elefante e tentou abraçá-la e medí-la com os braços: “Vocês dois estão equivocados! Um elefante não se parece com uma corda ou um tapete. Um elefante é como uma grande coluna!”. “Não, é como uma grande corda!”. “Um elefante é como um tapete!”. “É como uma coluna!”. Uma corda! um tapete! uma coluna! Enquanto isso, o elefante, muito grande e muito cinza, continuou a comer as folhas de uma árvore, indiferente à conclusão a que os três nunca chegariam…

Talvez todos sejamos um pouco cegos, só vemos as coisas de um prisma, sabemos uma vertente, o que não significa que seja a verdade absoluta. Os três estavam certos em suas percepções e totalmente errados diante do que é realmente um elefante. Defender esta opnião com unhas e dentes leva a brigas e até guerras (veja o Oriente Médio!).

Quem está certo?

Quem está errado?

Talvez estejamos os dois.

Reconhecer que só sei o que acredito e posso estar errada em minha percepção é humildade. Creio em algo, acredito ser uma verdade, mas é a minha verdade nada mais do que isto! Olhar a vida deste prisma possibilita respeito ao jeito do outro pensar, crer, agir.

Uma dificuldade neste comportamento é que sair da certeza nos traz insegurança, suportar o não saber nos angustia demais. Mas como dizia Sócrates:

Só sei que nada sei!

2 comentários sobre “O que eu vejo, o que você vê, qual é a verdade?

  1. José Ricardo 17 de fevereiro de 2012 15:31

    Muito bom.

  2. AGNALDO 18 de fevereiro de 2012 8:58

    BOM DIA, FERNANDA, INTERESSANTE O TEXTO, COMO MUITAS VEZES SOMOS ASSIM, A MINHA VERDADE É SÓ UMA PARTE DE UM TODO. AGORA FERNANDA QUERO QUE VOCÊ ABORDE OU TALVEZ JÁ TENHA ABORDADO, SOBRE HONESTIDADE, COMO É DIFICIL AS PESSOAS TEREM, CHEGO A PENSAR QUE NÃO SOU DESTE MUNDO, DIANTE DE TANTOS ABSURDOS QUE VEMOS. BOM FINAL DE SEMANA! ABS!

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