Mês: março 2012



Várias faces

 

 

Sou alguém com várias faces

e não, isso não faz de mim, uma pessoa falsa

Sou uma pessoa que ora esta feliz, ora esta triste

as vezes as duas coisas ao mesmo tempo

e não, isso não faz de mim, uma pessoa bipolar

Só sou uma pessoa em constante mudança.

Dependendo da circunstancia fico bem, dependendo da circunstancia fico mal

Dependendo das emoções que aquela circunstancia evoca dentro de mim correspondo,

as vezes com maior alegria,

as vezes com menos,

as vezes com muitas lagrimas,

as vezes com nenhuma

Aos olhos dos outros posso estar errada

E aos meus? Também!

Não sei

E nem acho que tem como saber se estou certa ou errada

Será que há o certo e o errado?

Só sei que estou mudando

A cada dia, a cada tempo, a cada momento

E até que ponto isto é normal, anormal, bom, ruim?

Não sei

Só sei que agora estou de um jeito

Como estarei daqui a pouco, como saberei?

Não sou de lua

Em geral sou até bastante constante

Mas dentro de mim mora uma gama tão grande de emoções,

as vezes tão confusas

que sim, consigo ao mesmo tempo estar muito bem e estar triste

Certo, errado?

Não sei

Só sei que sou alguém em construção.

 

1 Comentário
 

As encrencas de entender as coisas fora do contexto

Tive um professor de Teologia, Pastor Clevenger, que afirmava terem pessoas que usam um texto, fora do contexto e por pretexto. Ele se referia a passagens bíblicas, mais especificamente versículos, que são usados fora do contexto em que foram escritos e são usadas com o intuito diferente do original, as vezes totalmente diferente. Assim, usos e costumes são formados dentro das igrejas, pecados são criados e condições de salvação são dadas fora do propósito bíblico.

É uma ideia fantástica e bastante atual. Mas não somente no mundo religioso, em todos os espaços sociais. Um livro, um texto, um discurso, uma palestra e até uma conversa podem ser citadas por alguem de maneira bem diferente do original. São frases que destacam, mas que numa analise mais profunda vê-se que não era bem aquilo que a pessoa queria dizer.

Assim como um quadro é visto de forma táo única por cada um, o que é dito tambem. Cada pessoa escuta o que quer, dizem alguns. Não sei se tem haver com querer, talvez seja ouvido o que se aguenta. Nossa mente é formada por milhoes de pensamentos, desejos e conceitos, o que escutamos normalmente é confrontado por tais pré conceitos (escrevi assim propositalmente). Desta forma escutamos uma hora de conversa e gravamos quanto? Todo relato de uma conversa sairá diferente do original pois dependerá das emoções e ideias que reverberaram dentro de você.

Dentro deste olhar, o contexto fica perdido, e por vezes, as situações podem tomar uma proporção ou rumo até mesmo incompreensivel. Brigas, desentendimentos, mágoas, fofocas e tantas outras confusões podem surgir daqui.

Isto se chama mundo interno, ou seja o siginificado que há dentro de você para o que escuta, para como te tratam, como te olham, pode ser bem diferente do que o mundo externo esta a lhe dar. Por isso que quando o mundo interno muda tudo pode ficar diferente, mesmo sem o contexto ter mudado em nada.

Então te desafio a pensar: como tem escutado o que as pessoas te falam, como grosseria, carinho, ódio, braveza? Compare com os seus sentimentos, talvez sejam emoções mais suas que da outra pessoa. Observe o contexto, repense a situação como um todo, foi realmente aquilo que aconteceu ou seus sentimentos deram outro sentido aquilo?

Não é uma reflexão agradável, mas pode mudar totalmente sua conduta….

3 Comentários


Ficar!

“O que você quer? O que você sabe? Não é fácil prá mim, meu fogo também me arde. Às vezes me vejo tão triste… Onde você vai? Não é tão simples assim. Porque às vezes meu coração não responde, só se esconde e dói… Por favor não vá ainda, espera anoitecer,  a noite é linda, me espera adormecer. Não vá ainda, não, não vá ainda… Me diga como você pode, viver indo embora, sem se despedaçar.  Por favor me diga agora, ou será! Que você nem quer perceber? Talvez você seja feliz sem saber…” (Zelia Duncan – Não vá ainda)

Nossa geração atual vive sem se ligar, milhões de amigos e nenhum íntimo o suficiente para desabafar. Fica, transa, mas não se envolve. Entra de cabeça, se apaixona, sonha, mas não se entrega. Ao primeiro sinal, diante da primeira decepção vai embora.

Se relacionar, se envolver indica ficar. Ficar é viver a dor, o vazio, a falta, as decepções, os desapontamentos sem ir embora. Sem ir embora nem mesmo na fantasia, na mente. É permanecer, é suportar.

E suporta por saber que o outro também ira lhe conhecer. E também ira ficar. Se relacionar inteiramente é se conhecer e ser conhecido. Só que isto indica autoconhecimento, intimidade consigo mesmo e não sair correndo. É se amar, se perdoar, se acolher e perceber que você vale a pena e o outro também.

1 Comentário


Mas é ciúmes, ciúmes de você, ciúmes de você….

Bebes adoram brincar de jogar e pegar, de os pais se esconderem e depois aparecerem, de brincar deles se esconderem e serem encontrados. Para os adultos estas brincadeiras são gostosas no inicio, mas depois da décima vez ficam cansativas, alguns acham ate que a criança esta jogando as coisas no chão para fazer birra. Nada mais longe da verdade, esta é uma brincadeira de elaboração. É a tentativa do pequeno de entender o movimentos da mãe de ir embora e depois voltar. Na mente do pequenino quando o objeto (pessoa que cuidada dele) não esta a sua frente é porque sumiu, o que ele entende como desapareceu, algo que é sentido como desesperador. Demora ate vir a compreensão de que a pessoa voltará, de que se afastar não significa acabar. Por isso a criança brinca tanto.

Mais tarde a criança passa a querer algo que seja da mãe (um paninho, um brinquedinho) pode ser qualquer objeto que a criança entenda como tentativa de elaborar o vai e volta. A separação é algo compreendido devagar, conforme a criança amadurece emocional e racionalmente. Aos poucos esta brincadeira é deixada de lado, pois indica que o pequeno entendeu que a mãe vai voltar e ficou tranquilo com isto. Ou seja, internalizou este sentimento.

Contudo, por razões diversas a internalização pode não ocorrer, não se firmar. Assim o indivíduo cresce e se torna um adulto inseguro(a), cheio de medos e muitas vezes demonstra isto através do ciumes. Então, precisa se certificar o tempo todo de que as pessoas que ama estão disponíveis para ele(a). Atos como: ligar mil vezes até a pessoa atender; não aguentar ficar distante por mais que algumas poucas horas; se sentirem perdidas por um pequena briga, como se aquilo já fosse o fim eterno do relacionamento; precisar ouvir palavras de amor com grande frequencia. São alguns atos do qual este tipo de pessoa lança mão.

E não, não é porque a pessoa esta errada. É que dentro dela, no seu psiquismo, há uma falha, uma dificuldade de assimilação de que as relações são fortes, sustentáveis e duradouras. Por não assimilar isto, vivem angustiadas, inseguras e desconfiadas. É um grande sofrimento.

Cuidar deste sentimento é o caminho para o comportamento a mudar. E este cuidado se dá pela analise de sua história e momento atual de vida. Ou seja, entender como foi a relação familiar, de que maneira as emoções eram demonstradas em sua casa, o acolhimento que havia dos sentimentos demonstrados. O que levou a esta sensação de fragilidade. Que necessidades espera que outros passam suprir, será que é possível? Será que depende do outro ou de voce mesmo? Entender que hoje é um outro momento, com outras possibilidades. É no reconstruir de sua história, e na avaliação do hoje  que se torna possível um novo caminho. Conforme a pessoa aprende a viver uma relação nova consigo mesmo, a se perceber melhor e a se sentir mais segura com suas capacidades, ela passa a se sentir menos ansiosa e com isto mais capaz de esperar, de aguentar as faltas e esperar pelo melhor. Desta maneira os relacionamentos ficam mais leves e agradáveis.

Comente aqui


Tristeza ou depressão – que dor é esta que lhe abate?

 

Tristeza e depressão têm sido usadas nas últimas décadas como correlatos. Mas não o são. Um é uma emoção o segundo um transtorno. Tristeza é algo pontual, é um sentimento que resulta de uma situação específica que angustia, machuca, choca, dói. Não há como saber sua durabilidade, mas em geral, conforme a situação é elaborada interna e externamente este sentimento se apazigua.

Freud escreveu um texto clássico sobre o assunto chamado Luto e Melancolia, nele o psicanalista explica e diferencia tais termos. O luto é usado neste texto como correlato de tristeza, que é compreendido como uma emoção de grande aflição decorrente de uma perda. Perda pode ser de qualquer natureza: falecimento de alguém amado, fim de um relacionamento, divórcio, um acidente que deixa marcas físicas profundas, a morte de um sonho, uma doença, a perda de um emprego, o fim de uma etapa da vida (como faculdade ou aposentadoria), enfim, tudo que significa mudança implica em deixar algo de lado, isto nos faz entrar em luto.

E a perda no luto é real e exige que toda a libido seja retirada de suas ligações com aquele objeto. Ou seja, a pessoa fica sem energia e vontade de fazer as coisas, lembranças e lágrimas parecem ser a única possibilidade deste momento. O semblante fica triste, não há motivação, só vazio. Contudo, quando o trabalho do luto se conclui (sim, a dor aos poucos é amenizada), o individuo retoma suas atividades, capacidades e prazeres.

Já a melancolia, chamada de depressão maior pelo CID 10 (livro que lista a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde). Tem outras características que vão além da tristeza. Há um humor deprimido, um sentimento de menos valia e risco de suicídio. Têm vários graus e vários tipos. A melancolia/ depressão pode se iniciar – em geral é o que acontece – de uma tristeza, porem a dor não consegue elaboração. Pois faz muito uso de projeções, onde sentimentos de inconstância e instabilidade perduram o tempo todo num jogo de vai e vem, ora se sentindo vítima ora culpada.

Isto é resultado de um desenvolvimento emocional precário, no qual a capacidade de amar foi desenvolvida de forma deficiente, com vínculos frágeis e idealizados. Desta maneira, quando ocorre uma perda a sensação de que tudo dará errado, de que não é capaz de superar ou viver novas oportunidades fica muito forte, o que impede a elaboração do luto. Assim, há uma disposição patológica para este transtorno.

O contrário da melancolia é a mania, porem, no fundo ocorre o mesmo processo. No polo da mania a pessoa entra na fantasia do triunfo, do poder, de excessos. Mas quando a realidade se interpõe (as coisas não saem como esperadas) surge a dor, que desencadeia a dor narcísica (olha para si e só vê negativos, incapacidades, deficiências) é quando a melancolia volta a se fazer presente. São os casos de bipolaridade.

Além do que, o melancólico tem uma fragilidade emocional intensa, o que faz situações pequenas, simples, serem vivenciadas de maneira muito mais dolorosa do que a realidade. São conhecidos como casca de ovo, qualquer fala mais alta, ou olhar mais severo já desencadeia sentimentos de desconsideração, desprezo ou desapontamento. A pessoa não faz isto por querer, e sim porque há um sofrimento interno que lhe impede de ter traquejo social, de enfrentar a vida de maneira forte e resoluta.

Desta forma, existe uma correlação entre luto e melancolia, no sentido de que as mesmas causas que levam ao luto podem levar, para algumas pessoas, à melancolia. Entretanto, a diferença esta que a melancolia é uma predisposição patológica, onde algo já não estava bem antes, só não havia sido detectado. Enquanto que o luto é um sofrimento inerente à circunstância e que com a devida elaboração é superada.

3 Comentários


O inferno são os outros! Será?!

 

Segundo o Wikepedia o Museu do Louvre (Musée du Louvre), instalado no Palácio do Louvre, em Paris, é um dos maiores e mais famosos museus do mundo. Localiza-se no centro de Paris, entre o rio Sena e a Rue de Rivoli. O seu pátio central, ocupado agora pela pirâmide de vidro, encontra-se na linha central dos Champs-Élysées, e dá forma assim ao núcleo onde começa o Axe historique (Eixo histórico). É onde se encontra a Mona Lisa, a Vitória de Samotrácia, a Vénus de Milo, enormes coleções de artefatos do Egito antigo, da civilização greco-romana, artes decorativas e aplicadas, e numerosas obras-primas dos grandes artistas da Europa como Ticiano, Rembrant, Michelangelo, Goya e Rubens, numa das maiores mostras do mundo da arte e cultura humanas. O museu abrange, portanto, oito mil anos da cultura e da civilização tanto do Oriente quanto do Ocidente. O Louvre é gerido pelo estado francês através da Réunion des Musées Nationaux. É o museu mais visitado do mundo, recebendo em 2011 8,8 milhões de visitantes.

Meu maior sonho é conhecer este lugar, ver suas obras e que emoções elas despertarão em mim. Pois cada um destes 8 milhões de visitantes que estiveram ali no ano passado, sentiram emoções difenrentes frente a cada quadro. Uma mesma imagem pode significar beleza para um e estranheza para outro. Isto tem haver com projeção.

Projeção é um termo usado na psicanálise, que descreve o comportamento que todos temos de colocar nas pessoas ou situações da vida, conteúdos que são meus. Se estou triste entendo as coisas como tristes também, se estou ansioso o mesmo, se estou feliz vejo mais pessoas felizes e assim é com tudo. O mundo é visto através deste filtro emocional. Por isto que uma mudança em mim pode representar tanta diferença no que esta à volta. As falhas de comunicação ocorrem pelo mesmo motivo, as pessoas dizem X e pode ser entendido por mim como Y. Dependendo do que esta dentro do meu coração, resultado do meu contexto, momento e história de vida.

Desta forma, analisar que sentimentos estão em mim, como estou olhando e entendo as coisas, possibilita grandes mudanças de comportamento. É a oportunidade de sair da condição de dependência do outro, de seus atos e comportamentos e entender porque aquilo faz eco em mim, me faz reagir e emocionar. Com isto saio da ideia satriana de que o inferno são os outros e posso entender porque tenho feito a situação ficar como está. E isto só depende de mim, só eu posso fazer.

Deixo abaixo um vídeo com  diversas imagens de pinturas famosas, faça a brincadeira de convidar mais pessoas a olhar e opinar, só tenha cuidado você pode se surpreender!!!

1 Comentário


Em eterno movimento

Estamos sempre em ação, como se houvesse um verbo nos rondando: estou trabalhando, pensando, conversando, namorando, cozinhando, dormindo, enfim, agindo.

Fazer nada, absolutamente nada, parece impossível. E, talvez, o seja mesmo. Pois somos seres em movimento, mesmo parados estamos num contexto movimentado, é o tempo que não para, a vida que esta acontecendo. Lenine na música Paciência afirma “mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma, até quando o corpo pede um pouco mais de alma, eu sei, a vida não para, a vida não para não”.

E nos também não paramos, mesmo dormindo, o inconsciente continua em funcionamento. Tanto que nos coloca a sonhar, a tentar elaborar emoções e vivencias do dia. Desta forma, a movimentação não é negativa, é sinal de vida!

Contudo, para alguns a ação intensa é uma necessidade, estar numa condição de mente menos movimentada, sem tantos compromissos é assustador. Tais pessoas quando podem relaxar encontram o que fazer. Exemplos: esta de férias e arruma uma atividade extra tipo organizar a casa. No fim de semana, mesmo cansados, marcam mil compromissos. Ficam doentes e mesmo com atestado vão para o trabalho ou se ficam em casa estão trabalhando.

Para estes indivíduos o silencio, a falta de um movimento mais concreto é incomodo. Por que?

Quando num ritmo menor, com menos compromissos, temos tempo para pensar, para entrar com contato com nossas emoções, com aquelas mais profundas e, talvez, as mais angustiantes. No momento do silencio, da quietude externa, o interno se faz ouvir. Se dentro há, e sempre há, questões mal resolvidas, nesta hora elas virão a tona. Encará-las indica pensar e pensar é uma capacidade que podemos desenvolver. Ou seja, indica poder se manter calmo diante do que vamos descobrindo nesta reflexão. Sem se desesperar. É tolerar o que é pensado ao mesmo tempo em que buscamos a compreensão daquilo. Algo que não é simples dependendo da intensidade da dor.

É aqui que entra a ação intensa, enquanto focamos a atenção em um comportamento deixamos de sentir a dor. Facilita a vida, só não funciona o tempo todo. Em algum momento teremos que parar, nem que seja para dormir, nesta hora a emoção virá a tona, dia após o outro, ate este sentimento ser resolvido. Que tal começar?

 

Comente aqui


A vida em frações

Encontrei este excelente texto e gostaria de compartilhar com vocês, depois levanto algumas reflexões.

P.S.: não encontrei o autor….

“Sabias que a única época da vida em que gostamos de ficar velhos é quando somos crianças? Se tens menos de 10 anos, estás tão entusiasmado em envelhecer que pensas em frações. “Quantos anos tens? Tenho quatro e meio!” Tu nunca terás trinta e seis e meio. Tens quatro e meio, quase cinco! Esta é a chave!
Quando chegas à adolescência, ninguém mais te segura. Saltas para um número próximo, ou mesmo alguns à frente. Quantos anos tens? Vou fazer 16! Podes ter 13, mas… “vou fazer 16”!
E, então, o maior dia da tua vida completaste 21. Até as palavras soam como uma cerimônia. COMPLETASTE 21… YESSSS! Mas, então, chegas aos 30. Oh, que aconteceu?
Isso faz-te parecer leite estragado! Fica azedo, temos que o deitar fora. Não tem mais graça, agora é apenas um bolo azedo. O que está errado? O que mudou?
COMPLETAS 21, ATINGES 30, aí estás ‘A EMPURRAR’ 40. Putz! Trava, está tudo a derrapar! Antes que te dês conta, CHEGAS aos 50 e os teus sonhos foram-se.
Mas, espera! FIZESTE 60. Nem sequer pensaste que conseguirias!
Assim, COMPLETAS 21, ‘TORNAS-TE’ 30, ‘EMPURRAS’ os 40, CHEGAS aos 50 e ALCANÇAS os 60.
Atingiste tal velocidade que bate nos 70!
Depois disso, é um dia após o outro…
Alcançaste o dia de hoje. Conseguiste chegar aos 80 e cada dia é um ciclo completo: alcançaste o almoço; passaste as 4:30 ; chegaste à hora de deitar. E não acaba nos 90, começas então a voltar atrás: ‘Eu tinha exatamente 92 anos…’
Aí, acontece uma coisa estranha. Se passares dos 100, tornas-te criança outra vez. ‘Eu tenho 100 e meio. Que todos vós chegueis a uns saudáveis 100 e meio!”

É um texto ótimo não é mesmo?

Que delícia poder comemorar tanto, chegar tão longe e com uma mente tão saudável!!!

Porem, poucos agem assim. O que será que nos acontece que temos tanta dificuldade de viver o hoje? Quando crianças esperamos o amanha, quando velhos pensamos no ontem. E assim, vivemos para o que não esta presente. Brinco que este é o nosso defeito de fábrica e se chama ansiedade. Nos desapontamos com o que temos e então o ontem ou o futuro é que parecem melhor. Não há fórmula mágica, pilula ou alternativas que nos impeçam de ter este sentimento. Creio que uma alternativa seja aprender a sentir a ansiedade, mas sem se entregar a ela. A acolher a angustia sem agir ou reagir e, então, nos exercitar para focar no agora. Talvez desta forma possamos comemorar como criança, em frações: hoje tenho 33 e 1 mes, ou hoje sou tal ou tal coisa, tenho isto ou aquilo, e assim por diante. O que já foi ou o que virá isto não temos poder, porque então focar a vida nisto?

Comente aqui


O silêncio do barulho emocional

 

Ficar em silêncio pode ter diversos significados: de pesar, de alegria, de susto, de surpresa, de incômodo, de raiva, enfim, no ato de silenciar podemos dizer grandes e várias coisas. É um silêncio cheio de palavras, ou no mínimo de muitas emoções. Alguns exemplos: silenciamos quando muito cansados, quando estarrecidos, quando tão felizes que nem sabemos o que dizer, ou tão tristes que a única coisa que nos parece possível é silenciar. Dentro do processo terapêutico o silêncio pode variar desde reflexão até ódio.

Ludwing Wittgenstein escritor do livro Tractatus Logico-Philosophicus afirmou que “Sobre o que não podemos falar, devemos silenciar”. Esta é uma ideia bastante disseminada em nossa cultura e acredito que muito valorizada atualmente, no popular é o mesmo que dizer “se não tem nada de bom para falar, fique calado”. Então nos sentimos pressionados a só falar das vitórias, alegrias, prazeres e nada mais.

Há situações na história mundial, nas sociedades e em nossas vidas que são tão difíceis de compreender que parece não ter explicação, razão, justificativa. Assim, acabamos por nos calar diante daquilo, se tornam silêncios e quando não segredos. Situações como guerra, assassinatos, estupros, perdas, brigas. Não importa a gravidade, desde que a situação seja incompreensível, se torna incômodo falar sobre ela. Algo comum no fim de um relacionamento, tanto que costumamos não comentar do assunto na frente da pessoa, crendo que assim a poupamos da dor.

Contudo, será que o silêncio diminui a dor? Será que o que é silenciado, se torna esquecido? Será que é sinal de que é menos sentido? Será que no silêncio há menos barulhos?

Não! Há silêncios que são muito mais barulhentos que a Sapucaí no carnaval. Há coisas que calamos por não saber o que dizer, como dizer e com quem dizer. O que não significa de forma alguma que esta tudo bem.

Muitas vivências são de uma dor tão alucinante, de uma violência emocional tão absurda que o simples fato de lembrar já dói, quanto mais de falar. Entretanto, é falando, é no vomitar desta emoção, destas dúvidas, destas palavras entrecortadas, é no deixar sair da alma tudo que esta tão confuso e que num primeiro momento sairá entre sussurros, ou berros, no meio de frases mal construídas, com idéias que nem pareçam ter haver uma com a outra e saber que há alguém em sua frente que o ouve sem censura, que o acolhe e sente sua dor, é neste movimento que o silêncio pode ficar real.

Sem o por para fora, a emoção continua, enfraquece, adoece, afasta e deprime. A não ser quando em movimento, no meio de pessoas, ou fazendo coisas é que a emoção fica calada, mas é por a cabeça no travesseiro, é ficar sozinho e bum os pensamentos vem a tona, a dor grita e machuca de novo. Mas quando ela é cuidada e elaborada pode se e nos transformar em algo melhor.

Ainda que explicações externas são sejam encontradas – as vezes não há razão, pois coisas ruins acontecem a pessoas boas – o modo como aquilo mexeu com você, te incomodou, isto é seu e por isto pode ser pensado, falado, cuidado e, então, transformado.

Comente aqui