Mês: maio 2012



O valor do erro

Quem quer acertar? Todos.

Quem gosta de errar? Ninguém.

Os acertos e erros estão presentes no nisso dia a dia. Fazemos os dois muitas vezes sem nem perceber, sem intenção premeditada. E, mesmo assim, colhemos suas conseqüências. É assim o tempo todo.

Quando diante de uma tarefa específica o desejo de acertar fica em primeiro plano. Algo presente desde a infância, pois faça uma pergunta a uma criança pequena e perceba que se ela não souber a resposta ficará acanhada em responder, afinal ela quer acertar.

Contudo, esquecemos com muita facilidade que só se aprende errando. Como aprendemos a andar? Caindo. A falar? Começa no balbuciar, vai para letras trocadas, até a palavra firme e sem tropeços. E assim é com tudo: desde o treino ao banheiro até o comer sozinho. Depois, na época escolar, aprendemos através dos montes de exercícios que fazemos e erramos e então fazemos de novo até aprender o conteúdo. Pelo menos em matemática era assim na minha época.

Tolerar o erro, vê-lo como parte do processo de desenvolvimento, pressupõe paciência e amor próprio bem desenvolvidos. Precisamos acertar, mas não o faremos fácil assim. Precisamos de alguém que nos  ensine, que indique o caminho, que aguarde as tentativas serem feitas e que não se exaspere diante das falhas. E encontrar alguém que suporte isto, que nos ofereça isto, é artigo raro.

A criança que tem pais com este perfil é bem aventurada. Pois, crescerá entendendo que o erro é parte do aprendizado. Com isto ela irá tolerar melhor as falhas, não desistirá de buscar o acerto, mas não se reprimirá diante dos desacertos.

Aprendemos a nos acalmar diante das adversidades, conforme recebemos de quem amamos esta tolerância. Quando não as temos, ficamos exigentes tanto conosco quanto com os que estão a nossa volta.

Um supergego severo é desenvolvido tanto por cobranças demais, quanto quando temos que aprender sozinho. Alguns, além de cobrados não são ensinados. Precisam saber, acertar, como se o conhecimento viesse pronto. E não vem. Alias, aprender exige paciência, disposição e persistência imensa de quem ensina. Assim, quem está aprendendo desenvolverá, alem do aprendizado, tais qualidades emocionais. Não vale a pena?!

Como dito anteriormente, quem não teve isso em geral é bastante rígido consigo e com os outros. São chamados de intolerantes.  É um comportamento que traz sofrimentos em todas as áreas da vida, dificulta relacionamentos tanto profissionais quanto íntimos. E uma mudança só é possível conforme este indivíduo passar a se amar apesar de suas falhas. Há um provérbio chinês que afirma “me ame quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso”. Podemos receber isto do outro, mas acima de tudo precismos receber isto de nós mesmos.

Isto é amor próprio: se amar quando você menos merece!

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A exposição nas redes socias

Ontem postei uma reflexão sobre o privado e o público. Gostaria de complementar com o tema da febre das redes sociais. Assim com tudo na vida, as redes sociais tem um lado bom e um lado ruim. O bom é a possibilidade de estar em contato com outros, com tantos outros, fazer novas amizades e reatar antigas. E o ruim é o perigo de que estas amizades fiquem mais importantes do que as reais, bem como o tanto que podemos nos expor.

Parece que exposição esta na moda e errado tem ficado quem se mostra pouco. É uma inversão de valores não é não?! Certas atualizações contam de uma intimidade que não deveria ser dita para tantos. Mas são. Cabe uma reflexão: o que se busca com isto? Há coisas que devem ficar mesmo entre quatro paredes ou entre poucos e bons amigos. Mudar o status de relacionamento a cada nova briga, tirar fotos de pessoas que viram desafetos do dia pra noite, contar pra quem quiser ler suas bravezas e mal humor, tem sido comum, ao menos no que vejo postado pelo facebook.

Será que são atitudes saudáveis? O que se está buscando com isto? Que atenção, olhar, se esta buscando? E mais, será que deste jeito seu alvo será alcançado?

Não sei responder, mas fica a reflexão….

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O público e o privado

Ser alguém com uma imagem pública, como atores, modelos, cantores e afins, significa não ter privacidade? Muitos responderão que não, que todos tem direito ao privado. Mas somos humanos e amamos uma fofoca, não é mesmo? Saber o que acontece na vida dos famosos, na vida do vizinho, de conhecidos e que dirá então de desafetos, é sempre divertido e se o que sabemos é algo ruim, chega a ser um deleite…

Mas da nossa intimidade, dos nossos telhados de vidro, das mancadas e erros que comentemos no meio do caminho, estes preferimos não olhar e ficamos muito mal quando alguém os vê, quanto mais quando os aponta.

Falar do problema dos outros é uma forma de não olhar para os nossos. Não ajuda em nada, mas alivia e por vezes até diverte, contudo, pode prejudicar, e muito, quem é alvo do falatório. Pois, em geral, as fofocas são aumentadas por cada um que as conta.

A atriz Carolina Dieckmann acabou de viver isto. Sua privacidade foi invadida e exposta. Ouvi comentários de que por ser atriz ela não tem que achar isto ruim, afinal já se expõe o bastante. Bom, ser atriz é o trabalho dela, o quanto se expõe depende de cada novo papel que faz. E ainda que já tivesse posado nua para alguma revista, tal exposição seria resultado de uma escolha dela. Não está nisto a diferença?

Nossos atos são vistos, sempre há alguém nos olhando e se impressionando conosco,, seja para o bem ou para o mal. Esquecemos disto com muita facilidade. E, por isso mesmo,  somos responsáveis pelas impressões que passamos. O fato de não estarmos na mídia ajuda a ficar mais protegidos, já para os famososo isso seria um previlégio.

É interessante que esquecemos que apesar da fama estamos diante de uma pessoa. E que tal como qualquer outro, ele tambem tem direito a privacidade. A ter coisas que decide expor e outras que mantêm em segredo.

O que você quer manter em segredo?

O que é só seu?

O que quer que poucos saibam?

Isto é o seu privado. Dar o mesmo direito ao outro, independente de ser ou não famoso, não é bacana?

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Sobre o perdão

 

Recebi um e-mail ontem sobre perdão, é uma reflexão interessante e, por isso, deixo para vocês…

Os créditos são do Gabriel Chalita, mas como tudo da internet não dá para ter certeza…

Durante a nossa vida causamos transtornos na vida de muitas pessoas, porque somos imperfeitos. Nas esquinas da vida, pronunciamos palavras inadequadas, falamos sem necessidade, incomodamos. Nas relações mais próximas, agredimos sem intenção ou intencionalmente. Mas agredimos.

Não respeitamos o tempo do outro, a história do outro. Parece que o mundo gira em torno dos nossos desejos e o outro é apenas um detalhe. E, assim, vamos causando transtornos.

Esses transtornos tantos mostram que não estamos prontos, mas em construção. Tijolo a tijolo, o templo da nossa história vai ganhando forma.

O outro também está em construção e também causa transtornos. E, às vezes, um tijolo cai e nos machuca. Outras vezes, é o cal ou o cimento que suja nosso rosto. E quando não é um, é outro. E o tempo todo nós temos que nos limpar e cuidar das feridas, assim como os outros que convivem conosco também têm de fazer.

Os erros dos outros, os meus erros. Os meus erros, os erros dos outros.

Esta é uma conclusão essencial: todas as pessoas erram. A partir dessa conclusão, chegamos a uma necessidade humana e cristã: o perdão.

Perdoar é cuidar das feridas e sujeiras. É compreender que os transtornos são muitas vezes involuntários. Que os erros dos outros são semelhantes aos meus erros e que, como caminhantes de uma jornada, é preciso olhar adiante. Se nos preocupamos com o que passou, com a poeira, com o tijolo caído, o horizonte deixará de ser contemplado. E será um desperdício.

O convite que faço é que você experimente a beleza do perdão. É um banho na alma! Deixa leve! Se eu errei, se eu o magoei, se eu o julguei mal, desculpe-me por todos esses transtornos… Estou em construção!

Gabriel Chalita

Professor, escritor e apresentador da TV Canção Nova.

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O tempo da mente

Certas vivências são difíceis de esquecer, de virar a página e prosseguir. São vivências que marcaram de tal forma, que pequenas situações do hoje bastam para trazer à lembrança tal emoção. Emoções estas, que ficaram presas aquela situação. Tais como medo, insegurança, aflição, pavor, desconfiança e outras. Podem ser fruto de uma perda, de uma tragédia, de uma confusão, porem, do que provém importa menos do que as marcas que foram deixadas. Sendo que para cada pessoa envolvida, tal situação repercutirá de forma diferente e única.

Há um provérbio antigo que diz que “O ontem é história. O amanhã e mistério. E o hoje é uma dádiva, por isso se chama presente.”

É uma linda filosofia de vida, quem consegue viver isso é afortunado. Pois não é simples assim.

Angústias pelo ontem e ansiedades pelo amanhã rondam nossas vidas o tempo todo. Dizer que é errado viver assim, não basta, e, decidir mudar, não significa conseguir. Tudo que fazemos é por algum motivo. E entender que motivo é este, é que pode realmente nos liberar para um novo comportamento.

Nosso funcionamento mental é resultado de nossa história de vida. Ou seja, das vivências, contextos e conceitos com os quais crescemos e estamos inseridos atualmente. Contudo, algumas questões foram por vezes tão intensas, que mesmo sendo um outro momento não confiamos, não relaxamos e podemos até, sem perceber, nos sabotar.

É o entendimento do por que disto, do que estamos buscando ou tentando evitar com tais pensamentos e comportamentos,  de que função tais idéias tem dentro de nos, que pode trazer mudanças. Quando nos entendemos podemos nos acalmar, acolher e não atuar. Somente assim conseguimos deixar o que ficou para traz e viver a bênção do hoje. Enquanto estamos ansiosos ou tristes a mente não relaxa e sem relaxamento não há proveito.

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Trabalho ou inspiração?

Quando eu achar algo que gosto, daí sim vou me dedicar.

Isso não é trabalho, é diversão!

Se meu trabalho fosse assim, acordaria sorrindo.

Colocações como essas são ditas aos montes. Muitas pessoas acreditam piamente nisso, que o trabalho bem feito é fruto de uma inspiração ou grande prazer. Mas será que é assim?

Descobrir qual seu dom, suas habilidades, o que combina ou não com seu jeito de ser, pode ser um grande diferencial na hora da escolha de um trabalho. Quem tem a chance de poder fazer tal escolha, quem tem tal oportunidade, não deve perde-la. Algumas pessoas não tem essa chance, precisam trabalhar e ponto. Seja no que for ou onde for. Mesmo assim, podem analisar se aquilo precisará ou não continuar em sua vida a longo prazo. Essa ponderação todos temos a oportunidade de fazer. Independente da condição financeira. Pois, não poder mudar de emprego agora é diferente de não poder mudar nunca.

Mas mesmo num emprego que se gosta, que se tem prazer, há os percalços. Tudo não irá agradar, em emprego algum. Poderá ser o chefe, a equipe de trabalho ou um colega, o local, o horário, algumas das obrigações, o salário, enfim, pedras no sapato farão parte, afinal, esta é a vida real.

O que não significa desprazer. Aprender a tolerar o ruim em nome do que é bom, pode ser de grande ajuda. E é assim no trabalho, nos relacionamentos e em tudo que temos. A busca pela perfeição nos sufoca, nos faz focar somente nos defeitos, os quais quanto mais são olhados mais nos inflam. Um exemplo: pense em algo que não gosta e alimente este pensamento por uma hora, lembre-se de tudo aquilo que esta situação lhe traz de ruim, as consequências e irritações que provém dela. No final desta hora você se sentirá mais irritado e cansado do que qualquer outra coisa. O mesmo exercício pode ser feito só que ao contrário. Não é negar as coisas ruins, e sim valorizar as boas.

Colocar numa balança imaginária o bom e o ruim é necessário. Principalmente quando há uma angústia que não entendemos de onde vem. Pode ser que realmente o trabalho (ou outra coisa) o esteja fazendo infeliz. E aí caberá um planejamento para mudar.

Entretanto, dificuldades haverão de qualquer forma. Dias de cansaço, irritabilidade e até vontade de desistir são emoções naturais à qualquer circunstância. Mas que irá passar. Entender que tal situação é momentânea, e que se continuarmos na jornada coisas boas virão.

Pablo Neruda disse certa vez que a inspiração não depende dele querer ou não, contudo o que ele poderá garantir é que quando ela vier o encontrará trabalhando.

Talvez essa seja a fórmula: enquanto nos dedicamos, batalhamos e não desistimos, a mente fica ativa e disposta a enxergar além.

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O poder da ação

Agir pode ser um grande perigo. Quando agimos ficamos expostos a consequências, a arrependimentos, a críticas e julgamentos. Porém no não agir não ficamos de nenhuma forma imunes a estas mesmas situações. Ir ou não, fazer ou não, falar ou calar, enfim, independente do que fizermos estaremos expostos aos olhares dos outros e aos nossos. Algumas pessoas temem tanto uma mudança que permanecem num mesmo estado, mesmo que de infelicidade, por medo de enfrentar o que virá. Entretanto, se esquecem de que ficando na mesma as consequências também virão. Afinal tristeza, desmotivação e desprazeres não são ruins?
Talvez valha pensar que: A ação pode nem sempre trazer felicidade; mas não existe felicidade sem  ação. (Benjamin Disraeli)

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Os contos de cada um

Atendo pessoas de tão diferentes tipos, com histórias e vivências tão diversas e fico encantada com o desejo de vida que há em todos eles. Uma das coisas que mais me encanta no meu trabalho é conhecer cada um, suas razões, compreensões, pontos de vista, angustias, medos e desejos. Poder viver junto os momentos de sofrimento e compartilhar com eles suas vitórias. Há dias que são mais duros, casos em que o sofrimento esta mais intenso, épocas em que tudo parece perdido. Mas independente do dia, situação e  paciente, é delicioso acompanhar cada desenrolar de histórias. Perceber o quanto as pessoas podem nos e se surpreender, e o melhor, para o bem.

Bion, um grande psicanalista, dizia que é muito mais fácil não ir a terapia do que o contrário, pois ir é enfrentar nossos dilemas mais profundos, perceber onde erramos e no que somos responsáveis pelas situações que estão à nossa vida. Para mim, este é um trabalho que por vezes chega a ser doloroso. Mas que conforme se desenrola pode transformar tanto, tanto a nossa vida, que chega a ser incrível. E digo isso por experiência própria, afinal também faço análise…

Algumas pessoas me perguntam se não é cansativo ouvir tantos problemas. Não acho que seja, pois não encaro assim. Entendo que é como ler um conto ou um livro. A cada sessão é uma parte ou um capítulo novo, com um pouco mais de razões, de motivos, de sentimentos que vem à tona. Claro, que há sessões em que a dor está maior, mas sofremos juntos. Assim, é doloroso, não cansativo. Mas é muito bacana ver como as coisas se desenrolam, que quando o paciente não desiste dele mesmo, quando ele faz uma aliança com a vida, com as coisas boas que existem, ele mesmo se surpreende com conquistas grandiosas. Por isso comparo a leitura de um conto, por tempos o drama esta em ação, mas conforme se desenrola as coisas mudam e tomam outro rumo. Nem sempre tudo acaba bem, contudo, pode sim ficar melhor. Talvez não exatamente como gostaríamos, mas ainda assim bem.

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O que tem dentro?

 

Qualquer mãe ficaria enlouquecida diante desta farra, e não, não seria de orgulho, mas ódio mesmo! Brincadeiras a parte, vamos pensar no que tem dentro de nós? No quanto não estimulamos nossa criatividade, nossa capacidade de sonhar, de ir alem, de fazer diferente. E por que agimos assim? Talvez pelas restrições que tem no mundo ou que nós mesmos nos damos.

Claro que há regras, elas são necessárias. Mas o limiar entre regras para viver bem e para nos prender é muito estreito. Entre o não poder fazer daquele jeito e ter o jeito certo de fazer. Não podemos desenhar na parede, mas somos estimulados a desenhar onde, quando, como, com que olhares e disposição?

A vida pode ser como uma parede:

Alguns a enxergam como obstáculo, proibições. Então não fazem nada, não deixam marcas na vida pelo receio da reprovação (que provavelmente recebeu muito no passado). Ficam, assim, impedidos de ousar. Caminham conforme as regras impostas, não há nada além. Ousam pouco ou nada.

Outros a veem como algo que precisa ser destruída e, por isso, a estraga, detona. Vive a vida de forma a machucar a si e quem esta em volta. Há tanta dor dentro destes indivíduos ou tanta falta de limite, que não sabem como se portar, o que podem ou não fazer. Sempre agem e sempre se arrependem. Constroem pouco e destroem muito.

E há os que enxergam a parede como algo a ser inovado e nela fazem pinturas, grafites, coisas lindas e criativas. Enxergam o certo, veem os limites, mas sabem ousar, ir alem. Fazem da restrição um bem, de um limão uma limonada. Não aceitam a coisa como esta, creem que podem mais, mas sem machucar ninguém. Não permitem que as leis impeçam seu criar, buscam outro jeito, outra oportunidade, não desistem. Muda o jeito, a possibilidade, mas não a criação, a capacidade.

O que diferencia um do outro é o que tem dentro de nós. Na charge acima a criança faz uma bela colocação para a mãe: é incrível o que pode ter dentro um lápis.

O lápis é nossa mente e o que há dentro dela é que determinará o que faremos com a vida.

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