O valor do erro

Quem quer acertar? Todos.

Quem gosta de errar? Ninguém.

Os acertos e erros estão presentes no nisso dia a dia. Fazemos os dois muitas vezes sem nem perceber, sem intenção premeditada. E, mesmo assim, colhemos suas conseqüências. É assim o tempo todo.

Quando diante de uma tarefa específica o desejo de acertar fica em primeiro plano. Algo presente desde a infância, pois faça uma pergunta a uma criança pequena e perceba que se ela não souber a resposta ficará acanhada em responder, afinal ela quer acertar.

Contudo, esquecemos com muita facilidade que só se aprende errando. Como aprendemos a andar? Caindo. A falar? Começa no balbuciar, vai para letras trocadas, até a palavra firme e sem tropeços. E assim é com tudo: desde o treino ao banheiro até o comer sozinho. Depois, na época escolar, aprendemos através dos montes de exercícios que fazemos e erramos e então fazemos de novo até aprender o conteúdo. Pelo menos em matemática era assim na minha época.

Tolerar o erro, vê-lo como parte do processo de desenvolvimento, pressupõe paciência e amor próprio bem desenvolvidos. Precisamos acertar, mas não o faremos fácil assim. Precisamos de alguém que nos  ensine, que indique o caminho, que aguarde as tentativas serem feitas e que não se exaspere diante das falhas. E encontrar alguém que suporte isto, que nos ofereça isto, é artigo raro.

A criança que tem pais com este perfil é bem aventurada. Pois, crescerá entendendo que o erro é parte do aprendizado. Com isto ela irá tolerar melhor as falhas, não desistirá de buscar o acerto, mas não se reprimirá diante dos desacertos.

Aprendemos a nos acalmar diante das adversidades, conforme recebemos de quem amamos esta tolerância. Quando não as temos, ficamos exigentes tanto conosco quanto com os que estão a nossa volta.

Um supergego severo é desenvolvido tanto por cobranças demais, quanto quando temos que aprender sozinho. Alguns, além de cobrados não são ensinados. Precisam saber, acertar, como se o conhecimento viesse pronto. E não vem. Alias, aprender exige paciência, disposição e persistência imensa de quem ensina. Assim, quem está aprendendo desenvolverá, alem do aprendizado, tais qualidades emocionais. Não vale a pena?!

Como dito anteriormente, quem não teve isso em geral é bastante rígido consigo e com os outros. São chamados de intolerantes.  É um comportamento que traz sofrimentos em todas as áreas da vida, dificulta relacionamentos tanto profissionais quanto íntimos. E uma mudança só é possível conforme este indivíduo passar a se amar apesar de suas falhas. Há um provérbio chinês que afirma “me ame quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso”. Podemos receber isto do outro, mas acima de tudo precismos receber isto de nós mesmos.

Isto é amor próprio: se amar quando você menos merece!

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