Mês: junho 2012



De que jeito você vê?

Jandira Mansur escreveu o livro “O frio pode ser quente?” para ajudar as crianças a lidarem com as diferenças de pensamento e jeitos de entender as coisas. Penso que essa seja uma leitura obrigatória para muitos adultos também. Afinal, como é difícil para alguns aceitar as diferenças. O livro é uma graça, cheio de ilustrações e permeado pelo lindo poema que deixo abaixo. No youtube há também uma montagem com o livro, deixo pra vocês….

As coisas têm muitos jeitos de ser.

Depende do jeito da gente ver.

Por que será que numa noite

a lua é tão pequena e fininha?

E outra noite ela fica tão redonda e gordinha

pra depois ficar de novo

daquele jeito estrelinha?

Depende do quê?

Depende do jeito que a gente vê.

Uma árvore é tão grande

se a gente olha lá para cima.

Mas do alto de uma montanha, ela parece tão pequeninha.

Grande ou pequena

depende do quê?

Depende de onde a gente vê.

Como será que pode

uma colher cheia de doce

parecer tão pouquinho

que não dá nem pra sentir?

E cheia de remédio

ficar tanto

que não dá nem pra engolir?

Curto e comprido

Bom e ruim

Vazio e cheio

Bonito e feio

São jeitos das coisas ser.

Depende do jeito

Da gente ver.

Jandira Mansur

 

 

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O valor de aprender

Já diziam os antigos que a única coisa que não se perde é o que se sabe. E Leonardo da Vinci disse certa vez que “aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende”.

Aprender é um exercício constante que engloba a vida como um todo. Envolve estudar, se desenvolver racionalmente, mas tambem emocionalmente. E nem sempre um anda de mãos dados com o outro. Afinal, quem não conhece pessoas que apesar de super estudada e inteligente, age de maneiras bastante inadequadas? Ou o contrário, quem intelectualmente sabe tão pouco e demonstra tanta sabedoria no lidar com a vida.

Tudo depende de como usaremos as experiências que passamos e os estudos que fizemos.

Como você tem aplicado aquilo de que sabe?

 

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Segunda-feira: NÃO!!!!!

Há um ódio universal da segunda-feira. Milhões de mensagens, fotos, piadas sobre este tema, enquanto que a sexta-feira é amada, esperada, desejada. Será que é assim por que não gostamos de trabalhar? Mas e as pessoas que amam a profissão?

Bem, sou parte deste último grupo, amo o que faço, não me imagino fazendo outra coisa, tenho prazer em estar na clínica. Porem, contudo e entretanto, é muito bom ficar em casa sem fazer nada! É uma delícia criar raízes no sofá, ter a sensação de liberdade com o tempo. Acordar no meio da noite pensando que amanheceu e ainda faltar uma hora para o despertador tocar não é maravilhoso? É. E  também é assim quando a sexta-feira chega.

Inércia segundo o dicionário é falta de ação, preguiça, indolência, torpor. É, também, falta de energia moral ou intelectual. Ou ainda propriedade que têm os corpos de persistir no estado de repouso (ou de movimento) enquanto não intervém uma força que altere esse estado.

O trabalho é a força que altera este estado, que nos coloca em ação, em movimento. Só que lutamos contra isso, não por não gostar do trabalho ou não querer algo melhor, mas porque nossa natureza tende a falta de movimento. Descansar é bom e necessário, contudo mesmo depois de um fim de semana super relaxante a volta ao trabalho nem sempre parece interessante.

Isto talvez seja porque trabalhar, agir, fazer coisas exige muito de nós. Exige pensar, exige enfrentar angústias, exige sair do comodismo para bater de frente com os problemas. Dizer que tais coisas são fáceis seria mentir. O que não significa que tais ações não valem a pena. Ficar na inércia é bom, mas não possibilita nada de novo e conquistas dão muito trabalho, mas também muito mais prazeres.

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Segredo para relacionamentos duradouros….

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Vivemos na época da troca: Quebrou? Compra outro. Consertar não vale a pena, fica quase o preço de um novo…. No mundo dos objetos isso tem virado fato, o perigo é que o mesmo conceito tem se estendido para os relacionamentos. E relação que não quebra é impossível! Pois as ilusões se quebram conforme a relação se estende, se firma e a intimidade aumenta. Assim como os sonhos se quebram conforme a realidade se impõem. Contudo, se ao invés de jogar fora, de por um fim, nos decidíssimos a consertar? Permanecer é isso. É não desistir, é brigar, discutir, negociar, conversar e acima de tudo tentar sempre e sempre e de novo. Mas para dar certo a luta precisa ser dos dois lados. Você está disposto a começar?

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Muita calma nessa hora

Essa música do Leoni fala de verdades difíceis de acreditar quando estamos diante da dor. Entender que a vivência do hoje é só uma parte da história, não o fim dela. Crer que ainda há coisas belas a serem vistas, coisas boas a serem vividas, que há amigos e surpresas. Essas são verdades facilmente esquecidas e que elevam em muito o sofrimento que já é grande.

Essa música faz parte da trilha sonora do filme brasileira de mesmo nome, e que tanto quanto a música é muito bom!

Assim, deixo abaixo a letra da música com destaque nas partes que mais gosto e ao fim o clipe…

Muita Calma Nessa Hora

Leoni

O mundo ao seu redor anda esquisito pra você

Falta grana, falta sonho, tá difícil viver

Faz um tempo que você levanta com dois pés esquerdos

Você vê na tv o que já tinha imaginado, a luz no fim do túnel é só um trem desgovernado

As vezes você sente raiva, as vezes sente medo

Abaixa os ombros e respira fundo e conta sempre com os amigos

A vida é boa apesar de tudo, pode acreditar no que eu te digo

Você vai rir de tudo isso, espera um pouco mais pro fim da história

Tudo passa, tudo muda, muita calma nessa hora

Eu sei que por enquanto está difícil enxergar a porta de saída

Outra cena, outro lugar

Tá difícil de lembrar que a vida é cheia de surpresas

Mas só pra começar dá uma olhada ao seu redor, no mar, no por do sol, um gesto de bondade

Porque é que a gente fica cego pra tanta beleza?

Então relaxe e vem com a gente, ninguém pode viver sozinho

O que você pensou que era o final é só o inicio do caminho.

Você vai rir de tudo isso, espera um pouco mais pro fim da história

Tudo passa, tudo muda, muita calma nessa hora

Muita hora nessa calma, só o tempo cura

A gente está no mesmo barco, na mesma procura

Muita calma que o sol já vai nascer

Trazendo um dia novo pra você

Você vai rir de tudo isso, espera um pouco mais pro fim da história

Tudo passa, tudo muda, muita calma nessa hora.

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Você cabe na minha cama?

Desde ontem estou pensando no mito de Procusto que representa a intolerância do homem em relação ao seu semelhante. Este mito  já foi usado como metáfora para criticar tentativas de imposição de um padrão em várias áreas do conhecimento, como na economia, na política, na educação, na história, na ciência e na administração.

Procrusto era um bandido que vivia na serra de Elêsius. Em sua casa, ele tinha uma cama de ferro, que tinha seu exato tamanho, para a qual convidava todos os viajantes a se deitarem. Se os hóspedes fossem demasiados altos, ele amputava o excesso de comprimento para ajustá-los à cama, e os que tinham pequena estatura eram esticados até atingirem o comprimento suficiente. Uma vítima nunca se ajustava exatamente ao tamanho da cama porque Procrusto, secretamente, tinha duas camas de tamanhos diferentes. Ele continuou seu reinado de terror até que foi capturado pelo herói ateniense  Teseu que, em sua última aventura, prendeu Procusto lateralmente em sua própria cama e cortou-lhe a cabeça e os pés, aplicando-lhe o mesmo suplício que infligia aos seus hóspedes.

Como é fácil tentarmos impor uma ideia, um conceito, um modo de pensar ao outro. Como psicóloga preciso me cuidar muito para não cair nisto. O paciente chega com sua historia e, se não cuido, facilmente posso dizer a ele a minha visão daquilo. Mas não é para isso que esta ali, esta para pensar, para refletir, mas não para sair com o meu modo de pensar e sim com o dele.

Um exemplo: o paciente chega falando de amor, de seu modo de amar. Muitas vezes, a maior parte delas na verdade, é diferente da minha forma de amar. Se eu tentar convence-lo da minha verdade, entramos em uma disputa, serei como Procrusto tentando fazer aquela pessoa crer no que creio. E quem disse que a minha forma de amar é que a correta ou melhor?

Cada pessoa tem uma forma de entender o mundo e sim, sempre, será diferente da minha, algumas vezes temos a sorte de encontrar quem pensa parecido e  com estes criamos mais afinidade. Contudo, em tudo não pensaremos igual. Tolerância é aceitar o outro como ele é. É ter na mente várias camas, de vários tamanhos e gostar disso.

Não é algo fácil de praticar, mas creio ser este o único modo de respeitar e ser respeitado.

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Uma re-reflexão sobre o dia dos namorados…

 

Como hoje é dia dos namorados, me lembrei deste post que acho ter tudo a ver com esta data. Faço, assim, seu relançamento… bjos

 

Príncipe encantando existe?

 

 

Qual menina não cresceu ouvindo lindas histórias de princesas e contos de fadas? Todas com final feliz e homens perfeitos. Era tão gostoso ler, ouvir estas histórias, não era? Não conheço uma garota que não tenha sonhado com o príncipe no cavalo branco vindo resgatá-la de todas as suas dificuldades!!!! Ai, que delícia!!!!

Mas um dia, ficamos adultas e nos deparamos com a vida real, que de fácil não tem nada e de encantadora menos ainda. Príncipes existem? Sim, na Inglaterra e em outros poucos locais, mas mesmo eles não estão em cavalos brancos e a verdade é que depois do casamento a vida continua e com elas as lutas diárias, comuns e necessárias para a vida.

Sair do conto de fadas, parar de procurar o príncipe encantado e uma vida sem lutas é abandonar a infância, é crescer, amadurecer e encarar que a vida real vai muito alem da perfeição. É abandonar o mundo das ilusões e ter que enfrentar que para ser feliz preciso fazer por onde, que minha felicidade não depende do outro e sim do que eu faço para estar ou não bem. É deixar de esperar o mundo dar as coisas para ir em busca e fazer acontecer.

Só que isto dá muuuuuito trabalho!

É mais fácil esperar cair do céu e jogar a culpa no colo do destino, de Deus, dos “homens de hoje em dia”, do que encarar seus próprios erros e defeitos.

E não são somente as mulheres que fazem isto, os homens também. Esperando eternas mães que lhe tragam e entreguem tudo pronto (mas isto é assunto para outra matéria!).

Outro dia ouvi uma frase num filme – desculpe, mas não lembro que filme era – que dizia: Seu príncipe encantado? Alguém enfrente o mundo ao seu lado. Atualize seu conto de fadas!

Achei genial! Pois a vida é uma luta que temos que enfrentar diariamente, ter a sorte de encontrar alguém que a enfrente com você é tudo de bom. Pode não ser o mais bonito, o mais educado, com alguns defeitos irritantes aqui e outros lá. Mas te ama? Do jeito dele busca ser seu parceiro? Naquilo que é realmente importante ele está do seu lado?

Então deixe de frescuras, enterre o príncipe e viva com o homem real que tem do seu lado. Até mesmo porque princesas também não existem!

Agora se nas perguntas que fiz, claro que caberia muitas mais, as respostas foram não, cabe avaliar o que te prende ainda nesta relação? Medo da solidão? Lembre que sozinha você já esta! E na vida adulta a verdade é que somos sozinhos, há coisas que são nossas e só nossas, ninguém tem como resolver ou viver por nos!

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Quando enxergamos pelo em ovo…

Todos nós vez ou outra criamos caraminholas na cabeça, vemos coisas onde não tem e, o pior, ficamos péssimos diante disto. O que nos leva a agir assim é fruto de nossas inseguranças e medos. Oliver Goldsmith disse certa vez “Não nos deixemos criar males imaginários, quando sabemos que temos tantos outros reais para enfrentar.”

A vida já é complexa o bastante, já tem lutas suficientes e diárias para enfrentar. Diante disto dar espaço para certos pensamentos será que vale a pena?

Assisti esses dias atras o filme brasileiro Malu de bicicleta. A sinopse do filme é: Luiz Mário (Marcelo Serrado) é um empresário mulherengo, que trabalha com a noite paulistana e coleciona casos amorosos. Apesar disto, não consegue realmente se envolver com nenhuma delas. Um dia, no Rio de Janeiro, é atropelado de bicicleta por Malu (Fernanda de Freitas) na ciclovia do Leblon. Eles logo se envolvem e vivem um romance perfeito, que apenas é abalado devido a uma enigmática carta de amor.

Essa tal carta de amor leva o apaixonado Luiz a duvidar de Malu, algo que complica de tal forma a relação deles que tudo que não precisava dar errado, e um pouco mais, acaba acontecendo.

Assim são tantas emoções que têm base na insegurança. As emoções que estão dentro de nós, devem ser cuidadas, analisadas por nós em primeiro lugar antes de ser depositada em outra pessoa. Este cuidado nos possibilita entender de onde vem tal angustia, o porque de estarmos assim e se tem base na realidade. Com isto nos protegemos de deixar uma situação maior do que ela é. Afinal, como muito bem disse Freud: “as vezes um charuto é só um charuto.”

 

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As pontes japonesas

Ontem numa conversa com colegas da profissão num grupo de estudo do qual faço parte, discutimos sobre a visão diferenciada que cada pessoa tem sobre uma mesma situação. Isso me levou a pensar sobre o quanto somos exigidos o tempo todo a ser do jeito x, a entender as coisas do modo tal e a ser de forma y. Como se houvesse o certo e o errado para cada coisa. Mas até que ponto isso não é ser moralista? E entre ser moral e ser você mesmo, será que há contra indicação?

Dizer como devemos ser é muito mais fácil do que ser. Ser é estar vivo e agir e reagir com as forças, capacidades, compreensões e concepções que temos naquele momento. Qualquer avaliação (minha ou de outrem) que vier depois será injusta. Pois de cabeça fria é fácil pensar, mas e na hora da angústia?

Não estou com isto dizendo que todos os atos são corretos ou devem ser relevados. Não. Há momentos em que falamos e muito, erramos e feio, ofendemos e profundamente. A Bíblia diz que devemos dar a Cezar o que é de Cezar, penso que então devemos dar ao erro à sua consequência. As conseqüências existem gostemos dela ou não. E são com elas que temos a possibilidade de amadurecer e desenvolver emocionalmente. Por isso mesmo, é prejudicial quando passamos a mão na cabeça de quem amamos.

Porém, junto com as conseqüências cabe analisar as razões. O que fazemos é por alguma razão, o que pode também estar no plural. E tais razões dependem de cada um.

O grande pintor francês Claude Monet fez uma série de quadros chamados de Ponte Japonesa, segundo Lucia Werneck, do blog homonimo, “em 1900 Monet pintou a ponte japonesa seis vezes. Na última, ele mudou seu ponto de vista e não pintou as duas cabeceiras da ponte e suas pinceladas ficaram mais intensas. Nessa obra ele mudou seu foco principal para o lado esquerdo cortando a ponte em duas, pintou a curva do caminho, as flores e o céu. O artista deu atenção especial às cores rosa e vermelho complementando-as com verde escuro o que deu um contraste exótico ao quadro, levando o expectador a fazer algum tipo de meditação.”

Ao conhecer está história pensei que mesmo sendo o pintor que foi, Monet fez a mesma imagem seis vezes até deixar o quadro do modo como queria. Nao será o mesmo com todos nós? É a mesma ponte, mas retratada de forma tão diferente que pode parecer outra em cada uma das seis pinturas. Assim somos nós: Únicos! O fato pode ser o mesmo, enquanto que as emoções e reações serão completamente diversas. A ponte é a mesma, mas o modo de vê-la muda conforme o tempo passa e depende dos olhos de quem vê. Que bom ter o direito a isto, não é mesmo?

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