Mês: julho 2012



Entre o tempo e a conquista

Quando desejamos algo o queremos para já, quando não para ontem! Mas há um tempo entre o desejo e sua realização. Por tempo leia-se: obstáculos, medos, desencorajamentos, perigos e assim por diante. Alguns leem nestas coisas sinais de que esta no caminho errado, outros se sentem fracassados e outros ainda se mantem na luta. Não há o certo e nem quem esteja errado, pois cada um tem suas razões. Contudo, para os que ainda tem algum fiapo de esperança talvez a frase de Confucius possa ajudar:

“Não importa o quão devagar você vá, desde que você não pare.”

Comente aqui


Melhor época da vida

Algumas pessoas costumam dizer que a melhor época da vida é a infância ou a adolescência, ou as duas. Isso me soa tão estranho, pois a minha não foi tão maravilhosa assim, e quanto mais atendo na clínica fica mais claro que de uma boa parcela também não foi. No p0ema Filtro solar – aquele que o Bial fez a tradução para um réveillon de alguns anos atrás – há uma frase que eu gosto muito “aceite certas verdades eternas: os preços vão subir; os políticos são todos mulherengos; você vai envelhecer. E quando envelhecer, vai fantasiar que quando era jovem, os preços eram mais acessíveis, os políticos eram nobres de alma e as crianças respeitavam os mais velhos”.

Temos esta tendência de melhorar o passado, talvez assim soframos menos. Mas não é a verdade, ser criança é muito duro: não saber nada, ter que aprender tudo, receber um monte de regras que não se sabe o por que existem, ter perguntas que ninguém sabe ou quer responder e mesmo assim ter que obedecer, precisar urgente e profundamente do outro (que nem sempre esta presente seja de corpo ou de alma) e ter que aprender a lidar com fatos difíceis da vida como a finitude, a limitação, a frustração. Ainda acha que é fácil? E aqui estou citando apenas algumas da dificuldades da infância.

A adolescência então eu acho que é ainda pior: corpo mudando de um jeito que não sei como ficará, opiniões nascendo que não se sabe se devem ou não ser usadas, a imagem dos pais que se altera – deixam de ser heróis para serem visto como reais (e meu Deus como isso dói!), não ser mais criança para um monte de coisa mas também não ter idade suficiente para um monte de outras cosias, ter que decidir por si próprio quando até pouco tempo atrás tinha quem o fazia, ter hormônios em ebulição e  iniciar a vida em sociedade – grupos, sexualidade… É coisa pra caramba e dizer que isso é fácil? É pra nós que já vencemos essa fase, pra quem esta nela é bem difícil.

Claro que os filhos não tem responsabilidades de trabalho, de pagar contas, de enfrentar o mercado de trabalho. Isso eles não sabem como é duro. Nem são casados ou divorciados e por ai vai. Mas facilmente quando adultos esquecemos que eles estão expostos a emoções tão complexas quanto a que os adultos precisam enfrentar. E são indivíduos que não tem uma capacidade mental, emocional e racional desenvolvida o suficiente, afinal estão em desenvolvimento.

Não sei se existe a melhor fase da vida, penso que as dificuldades estão presentes em todas elas, mas as alegrias também. Amenizar o passado é a tendência tão bem descrita no poema, porém muito distante da realidade.

2 Comentários
 

A fonte das mulheres

O filme A Fonte das Mulheres apresenta uma história que se passa em uma aldeia situada entre a África e o Oriente Médio, onde as mulheres são responsáveis por buscarem a água utilizada pelas famílias. Para isso, precisam caminhar grandes distâncias embaixo de sol escaldante, enquanto seus maridos ficam em casa bebendo e jogando. Um dos habitantes do vilarejo fica noivo de Leila, uma francesa que mora há algum tempo na região. A jovem não aceita a tradição e decide pôr fim a isso, exigindo que os homens passem a buscar água. Por se tratar de uma comunidade extremamente machista, a solução encontrada é fazer “greve de sexo”, o que, entre islamistas radicais, causa muitos problemas.

Esta é a sinopse do filme que assisti ontem a noite. É uma produção independente, um drama inteligente, que prende a atenção e ainda por cima é engraçado. Enfim, uma delícia de assistir que vale cada minuto em frente à TV.  A partir desta greve de sexo aparecem questões que vão muito além de quem deve buscar água na fonte – as mulheres, afinal é delas o dever com as coisas que se referem aos cuidados da casa; ou os homens, que são fisicamente mais fortes e por isso capazes de enfrentar o árduo caminho e peso dos baldes cheios. As questões além são:

– por que algo é tradição precisa ser mantido para sempre?

– o que é dito sobre usos e costumes religiosos esta mesmo nos livros sagrados ou nas interpretações humanas?

– o amor pode acontecer mais de uma vez?

– qual a força do não?

São questões que o filme engloba de maneira bacana. Que apesar da dureza dos temas são abordados com leveza e humor e, ao mesmo tempo, seriedade. É muito bom, vale a pena!

Comente aqui


Leituras e lembranças…

Hoje acordei com gosto de infância, com saudades de um tempo que não volta mais e que foi tão bom. Uma boa parte da minha infância morei na casa dos meus avós maternos, lá havia uma biblioteca e a leitura sempre foi muito valorizada. Ali aprendi a gostar de poemas, contos e literatura em geral, passava horas lendo, algo que era muito incentivado, principalmente, pela minha avó.

Duas coleções ficaram na lembrança uma de livros infantis com todas as estórias dos Irmãos Grimm e outros autores, algo que li e reli milhões de vezes, e a outra coleção que eu amava era de poemas e poesias, era uma coletânea de escritores brasileiros e estrangeiros, havia poemas para crianças e para adultos, esses livros eu ganhei após o falecimento dos meus avós. Minha avó se foi primeiro, eu estava entrando na adolescência e o vovô faleceu há poucos anos.

Mas me lembro deles com tanto carinho, dos cabelos pretos da vovó, de sua gargalhada, do jeito inusitado dela dormir no sofá (com o braço dobrado segurando a cabeça! Dormia assim por horas…), de sua mania por doces apesar da diabetes e de adorar tomar sol na varanda de casa toda manhã. Do vovô lembro que adorava andar a pé, de sua inteligência e gentileza e de nossas idas pra fazenda com ele no caminho toda vez me ensinado o que era cada plantação (essa é de milho, isso é soja…e que eu nunca gravava!) parávamos em Itambé pra tomar sorvete antes de voltar pra casa e ele adorava que beliscássemos sua mão onde tinha uma pele morta (algo que sempre fiz tão fraquinho por achar que ia machucá-lo e ele dizia aperta com força!)

Daquela época além de todas essas lembranças guardei o gosto e prazer na leitura. Os textos que mais me marcaram foram: dos contos infantis eu amava A menina da caixa de fósforos e das poesias a que mais amo é Via Láctea de Olavo Bilac, a parte que mais gosto é a XIII. Deixo pra vocês…

“Ora (direis) ouvir estrelas!

Certo perdeste o senso!”

E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto

A Via Láctea, como um pálio aberto, Cintila.

E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!

Que conversas com elas?

Que sentido tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e entender estrelas”

1 Comentário


O alvo ou o trajeto

Outro dia ouvi um estorinha que não sei se é um conto, poema, não entendi, procurei na internet e não encontrei. Vou contar o que entendi, por favor se alguém conhecer e puder me passar mais informações agradeço muito!

“Era uma vez uma menina que queria tocar numa estrela e tentou de várias maneiras, uma dia um anjo resolveu ajudá-la. O trajeto exigia passar por montanhas muito altas, rios muito longos, por desertos, florestas e enfim por lugares diferentes, as vezes belos, as vezes feios, por vezes tranquilos e em outros perigosos. Enfim, uma aventura. Ate que chegaram na estrela e ela a tocou, sentiu sua textura, viu seu brilho tão de perto e se encantou. Chegou a hora de ir embora e ela disse ao anjo “é só isso?” ele respondeu que sim. Ela se chateou e achou que era pouco e o anjo lhe falou: “se o que importa era só a estrela é pouco mesmo, mas e caminho até aqui o que significou?”

As vezes queremos tanto, tanto algo que esquecemos de olhar o trajeto que estamos trilhando para alcança-lo. Até este alvo ser alcançado tantas coisas acontecem, tantas experiências: são pessoas que entram e saem de nossas vidas, oportunidades que vem e vão, alegrias e tristezas, ganhos e perdas e assim por diante. O tempo todo a vida esta acontecendo. Contudo, quando focamos só no alvo esquecemos de viver tudo isto.

E em geral, a cada alvo conquistado um novo em seguida é colocado. Quer passar na faculadade – passou – agora quer terminá-la. Quer um emprego bom – conquistou – agora quer crescer dentro dele. Quer casar – casou – agora quer filhos. Quer uma viagem – foi – depois quer a proxima. E assim vai…. Não somos assim?  Creio que sim e não há erro nisso, afinal ter desejos é estar vivo. Mas lembre-se de olhar o caminho e curti-lo….

Comente aqui


A busca pela adrenalina

Os esportes radicais ou esportes de aventura estão super em alta: montanhismo, paraquedismo, rafting, alpinismo, bungee jumping são apenas alguns deles. O que os define é ter um alto risco de vida. Aliás é exatamente esse risco que tem atraído mais e mais pessoas a cada tempo para tais modalidades. No Fantástico de domingo passou um quadro sobre o assunto chamado Desafio Extremo, o repórter escalou uma montanha no Canadá chamada “A montanha que chora”, é extremamente perigoso, tanto que só na segunda tentativa foi que ele alcançou o topo.

Fiquei assistindo aquilo e pensando o que leva uma pessoa a fazer isso, a se expor a tão grande risco? Pois é um esporte que se acabar mal, será muito mal! O risco de morte esta presente o tempo inteiro. Eu não tenho uma opinião definida sobre o assunto, já li artigos criticando tais práticas, condenando os praticantes como pessoas que burlam com a morte o tempo todo. Concordo com isto em parte, mas conheço pessoas que praticam com bastante cuidado. Cuidam dos aparelhos, só fazem o esporte na época e com tempo adequado, sempre usando a aparelhagem certa e assim por diante. Baseado nisto, não consigo dizer que são pessoas com grande pulsão de morte, que preferem a morte à vida. Talvez sejam indivíduos que gostem de desafios, que só se satisfaçam diante de grande adrenalina e sejam mais corajosos que a maioria, não sei acho que cada caso é um caso.

Porem, há os que se expõem a morte, que buscam atividades que demonstram um desejo de morte alto. Só que isto não acontece só no esporte radical, mas nos rachas de carro, no uso abusivo de drogas pesadas, nas brigas violentas na rua, nos relacionamentos explosivos e por ai vai….

Estar vivo é ter que lutar contra  morte todos os dias: sair da cama e ir pra vida exige uma força, uma coragem, uma determinação que nem sempre é fácil manter. Os reverses da vida são muitos e em algumas fases bem constantes. Se entregar ao sono, ao desemprego, ao pessimismo, a rabugice, a discussões ou silêncios absolutos pode ser muito mais atrativo do que manter-se na luta. Só que isto tudo também é pulsão de morte e tão perigoso quanto um esporte radical. Talvez a única diferença seja que os esportes de aventura podem matar rapidamente, enquanto que os comportamentos citados matam aos poucos. Mas são tão arriscados quanto o primeiro…

2 Comentários


A surdez de cada dia

Vamos começar com uma estorinha…

Um homem telefona ao médico para marcar uma consulta para a sua mulher.A atendente pergunta:- Qual o problema de sua esposa?- Surdez! Não ouve quase nada.

– Então, o senhor vai fazer o seguinte: antes de trazê-la fará um teste, para facilitar o diagnóstico do médico. Sem que ela esteja olhando, o senhor, a certa distância, falará em tom normal, até que perceba a que distância ela consegue ouvi-lo. Então, quando vier, dirá ao médico a que distância o senhor estava
quando ela o ouviu. Certo?

– Está certo.

À noite, enquanto a mulher preparava o jantar, o marido decidiu fazer o teste. Mediu a distância que estava em relação à mulher e pensou: Estou a 15 metros de distância. Vai ser agora!

– Julia, o que temos para o jantar?

Nada. Silêncio. Aproxima-se a 5 metros.

– Julia, o que temos para jantar? Nada. Silêncio.

Fica a 3 metros de distância:

– Julia, o que temos para o jantar?

Silêncio. Por fim, encosta-se às costas da mulher e volta a perguntar:

– Julia! O que temos para o jantar?

– Frango! É a quarta vez que eu respondo!

Todos temos uma certa surdez: aspectos em que acreditamos que o problema esta no outro e na verdade esta em nós.

Como perceber isto?  Quando a situação se repete com diversas pessoas, em momentos diferentes e com frequência. Nesta hora é bom pensar: é o outro que esta precisando de ajuda ou sou eu?

Comente aqui


Amigo! Até Quando?

Collins disse certa vez que “na prosperidade nossos amigos nos conhecem; na adversidades conhecemos nossos amigos”. E como dói quando este momento chega. A prosperidade em geral está ligada ao dinheiro, quem tem muito, tem muitos amigos. Mas prosperidade pode ser tambem alegria, diversão, pois em momentos bons é muito mais fácil ter amigos, agora basta um momento difícil para poucos ficarem ao lado.

Por que é assim? Talvez, porque dificuldades sejam difíceis de tolerar. Momentos de angustia, sofrimento e de perdas trazem a tona comportamentos e visões do mundo muito negativas, onde pessimismo, irritabilidade e desconfiança ficam em primeiro plano. Quem esta em volta precisa tolerar isto e não é fácil! Quem esta sofrendo muitas vezes não se suporta, é uma fase negra e com grande sensação de que nunca irá passar.

Alem do que, ver alguém falindo, adoecendo, se separando, ou qualquer outra dificuldade nos faz pensar em como somos falhos, em como temos limites e como a vida é imprevisível. E se há um desejo que é muito humano é o de ser super-humano! Queremos crer que tudo dará certo, que não falhamos, que não somos frágeis. Mas somos e muito. E quando a dificuldade bate a porta de alguém que era próspero isso fica ainda mais visível, muitos se afastam para não pensar no assunto, para não enfrentar as emoções que isto desperta.

Contudo, nestes momentos muitos descobrem amizades onde e em quem menos esperava. Em pessoas que suportam a dor e que sabem acolher, estes são chamamos de grandes amigos e só temos como descobri-los nestas horas.  Os outros talvez não sejam maus amigos e sim mais frágeis do que se imagina.

6 Comentários