Mês: setembro 2012



Tolerância

Para entender a ideia é necessário antes assistir ao filminho:

Brigar por opniões é acabar assim: os dois mortos! Mesmo que esta morte não seja física. Pode ser a morte do relacionamento, de algumas emoções, coisas que são tão dolorosas quanto a morte física.

Verdade cada um tem a sua, querer obrigar o outro que o seu ponto de vista é melhor será briga na certa e o fim da relação. Só muda de opnião quem esta aberto a pensar, os que não estão precisam viver suas escolhas e os outros respeitar. Se há um certo e um errado só o tempo dirá.

1 Comentário


Todo mundo tem

Algumas pessoas quando diante de um problema tem um pensamento recorrente: “isso só acontece comigo!”

Como é fácil pensar assim. Olhando de longe a vida dos outros parece sempre tão mais bonita, agradável, fácil e cheia de coisas boas.

Contudo, quem se compara sempre sai perdendo, pois de fora tudo é melhor. E não sabemos o que vai dentro do coração do outro. Ninguém coloca nas redes sociais fotos de briga ou choro, ninguém deixa desaforos de outros expostos na sua página de contato. Ninguém sai na balada ou fica no barzinho aos prantos. Ninguém fica contando pra quem nunca viu os dilemas que tem na vida. Ao contrário, todos mostram o bom, o bonito, o elogio, o carinho. Ou ficam em silêncio, vão embora, se afastam.

Só que de perto, no convívio com o outro percebemos que problemas todos tem, sem excessão. Alguns maiores, outros menores, mas sempre há. Há os que não contam, o que não significa que não os tenha. Estar vivo é ter que enfrentar lutas, decepções, fracassos, desentendimentos. Isto todos tem.

A musica Ciranda da bailarina de Chico Buarque e cantada lindamente na voz de Adriana Calcanhoto fala exatamente sobre isto:

“Procurando bem todo mundo tem pereba marca de bexiga ou vacina. E tem piriri, tem lombriga, tem ameba, só a bailarina que não tem. E não tem coceira, verruga nem frieira, nem falta de maneira ela não tem. Futucando bem todo mundo tem piolho ou tem cheiro de creolina. Todo mundo tem um irmão meio zarolho, só a bailarina que não tem. Nem unha encardida, nem dente com comida, nem casca de ferida ela não tem. Não livra ninguém. Todo mundo tem remela quando acorda as seis da matina. Teve escarlatina ou tem febre amarela, só a bailarina que não tem. Medo de subir, gente. Medo de cair, gente. Medo de vertigem quem não tem? Confessando bem, todo mundo faz pecado logo assim que a missa termina. Todo mundo tem um primeiro namorado, só a bailarina que não tem. Sujo atrás da orelha, bigode de groselha, calcinha um pouco velha ela não tem. O padre também pode até ficar vermelho se o vento levanta a batina. Reparando bem todo mundo tem pentelho, só a bailarina que não tem. Sala sem mobília, goteira na vasilha, problema na família quem não tem? Procurando bem todo mundo tem.”

A bailarina que Chico se refere na música eu entendi como sendo a bailarina da caixa de músicas. Lembra aquela caixa de porta-jóias que quando abria levantava uma bonequinha com vestido de bailarina que rodava ao som de uma melodia? Acho que toda menina com mais de 20 anos deve ter tido ou visto uma destas na infância. Era algo como este do modelo abaixo:

Lembrou?

Linda não! Só ela não tem problemas. E não tem porque não esta viva.

Pois as bailarinas de verdade tem dor no pé, joanetes, tem que manter o peso, treinar mesmo esgotadas e isso só pra citar algumas das dificuldades da profissão. Há, ainda, sua vida pessoal.

Desta maneira, todos que estamos vivos temos que aprender a conviver diariamente com as barreiras e buracos que a vida nos impoe. Não há mar de rosas pra ninguém, as lutas são muitas, as angustias constantes e os prazeres nem sempre tão intensos ou duradouros. Mas é muito melhor do que ser um objeto inanimado ou morto.

Ter problemas é sinal de estar vivo. Porem, podemos tambem descobrir que somos mais fortes que eles, que podemos enfrentá-los, vencê-los e ir além, que as dificuldades podem nos abater, mas não nos destruir. Entender isto talvez seja um caminho para viver melhor.

Quando paramos de olhar para o que os outros tem e voltamos este olhar para o que temos, se torna possível descobrir e desenvolver possibilidades e capacidades que são os ingredientes necessários para vencer.

Bem vindo a vida real, a vida de quem existe, respira, pensa, deseja, tem profissão, amigos e família. Com tudo isto no currículo, esperar não ter problemas não seria uma ilusão?

4 Comentários


Esquizofrenia: uma pequena reflexão

Ferreira Gullar é considerado um dos maiores poetas brasileiros. Em sua vida pessoal consta uma experiência difícil e dolorosa: ele tem dois filhos com esquizofrenia. Um deles já falecido. A esquizofrenia é uma doença complexa, na qual o indivíduo quando em crise faz uma leitura da vida muito distante da realidade. É acometido de delírios (ouve coisas) e/ou de alucinações (vê pessoas ou coisas) e por estes se sente impelido a agir, desta forma podem se colocar ou a outros em situações de grande risco. Se sentem muito perseguidos pelos que estão a sua volta, desconfiados e agem impulsivamente, com pouca avaliação dos fatos da realidade. Fatos estes que muitas vezes nem são percebidos, se misturam a tal ponto com o que é imaginado (mas que em suas mentes é verdadeiro) que o senso crítico fica inexistente.

O filme Uma mente brilhante conta a história real de John Nash, matemático americano, professor de Harvard, que quase matou o filhinho bebe em um dos momentos de crise da doença. Ele acreditava que havia duas pessoas – um amigo e uma criança – que estavam com ele diariamente e lhe diziam para fazer certas coisas. Assim como também acreditava estar em um projeto do governo que salvaria o país no caso de guerra. Eram crenças e percepções tão poderosas que não havia espaço para dúvida.

Fora da crise o individuo leva uma vida normal. Alguns casam, têm filhos, bons empregos, amigos, são bem sucedidos, felizes e queridos pelos que estão a sua volta. Como qualquer outra pessoa tem suas doses de prazer e desprazer, de alegrias e tristezas. A diferença é que algumas situações, por vezes muito sutis, desencadeiam a crise. E as consequências podem ser muito sérias.

Para controlar as crises é necessário psicoterapia e, principalmente, a medicação. Sem esta última o tratamento não funciona. Acertar a medicação é um processo lento e por vezes confuso, pois cada organismo reage de maneira diferente aos efeitos colaterais do medicamento, alguns se adaptam facilmente e outros precisam mudar o remédio várias vezes até se adaptar a algum.

Conviver com a esquizofrenia é difícil para todos, para o que a tem e para os que amam quem a tem. Mas é possível. A psicoterapia entra neste enfoque, com objetivo de ajudar o indivíduo a perceber a realidade de forma mais ampla, a ampliar sua capacidade de pensar e perceber tanto o que esta a sua volta como o que esta dentro de sua mente, assim o poder de avaliação das atitudes e desejos é aumentado o que o ajuda a proteger a si e aos que ama.

Os que estão em volta muitas vezes também precisam de ajuda. Entender o que é a doença, aprender a separar a pessoa do que ocorre com ela quando em crise é extremamente importante para que a relação possa ser mantida, caso contrário conjugue, filhos e ate pais se afastam de alguém que amam e os ama, mas que quando adoecido não sabem controlar o que sentem. Fora também, poder entender como é feito o tratamento e não se sentirem culpados pela necessidade de internação. Quanto a isto Ferreira Gullar disse algo muito bacana numa entrevista esta semana para a revista Veja:

“Tive dois filhos com esquizofrenia. Um morreu, o outro está vivo, mas não tem mais o problema no mesmo grau. Controlou com o remédio, e a idade também ajuda. A esquizofrenia surge na adolescência e se junta à impetuosidade. Com o tempo, a pessoa vai amadurecendo. Doença é doença, não é a gente. Se estou gripado, a gripe não sou eu. A esquizofrenia é uma doença, mas eu não sou a esquizofrenia. Posso evoluir, me tornar uma pessoa mais madura, debaixo de toda aquela confusão. O esquizofrênico com 50 anos não é o mesmo de quando tinha 17.” (o grifo é meu)

Sobre o pior momento da doença ele diz:

“Quando a pessoa entra em surto, ela pode se jogar pela janela. Meu filho, o Paulo, se jogou. Hoje ele anda mancando porque sofreu uma lesão na coluna. Ele conversava comigo, via televisão, brincava, lia meus poemas. Em surto, não tinha controle. Queria estrangular a empregada. Nessas horas, a única maneira é internar e medicar. Nesse estado, sem nenhum socorro, o esquizofrênico pode fazer qualquer coisa. Se mantiver a pessoa em casa, ela poderá tocar fogo em tudo, pegar uma faca e tentar assassinar o pai. Poderá fugir para a rua, desvairada. Essa política contra os hospitais psiquiátricos tem como resultado prático uma tragédia em que os ricos internam seus filhos em clínicas particulares e os pobres morrem na rua. Quando ouço alguém dizer que as famílias internam os filhos porque querem se ver livres deles, só posso pensar que essa pessoa gosta dos meus filhos mais do que eu. Nunca viu meu filho, mas ama meu filho mais do que eu. Absurdo. Você não sabe o que é uma família ter um filho esquizofrênico. Além do problema do tratamento, existe o desespero de não saber o que fazer. Os hospitais psiquiátricos continuam a existir porque os médicos sabem que não há outra saída. Não se interna um doente para que ele fique vinte anos lá dentro, mas sim três dias, três meses. Meus filhos nunca ficaram internados além do tempo necessário. Eles voltavam para casa normais. Era uma alegria. Nenhuma família quer ter seu filho preso.” (o grifo é meu).

Grifei algumas partes para destacar o quanto o tratamento é necessário e os julgamentos inúteis. Cuidar de quem precisa é uma tarefa de todos nós, seja qual for a circunstância.

5 Comentários


Distorções Cognitivas

As distorções cognitivas, presentes principalmente nos transtornos (psiquiátricos, psicológicos, etc) são maneiras que a nossa mente arranja, convencendo-nos de algo que não é realmente verdade.

Estes pensamentos imprecisos são normalmente utilizados para reforçar o pensamento e/ou emoções negativas, dizendo-nos coisas (nosso diálogo interno) que parecem racionais e precisas, mas na verdade só servem para fazer-nos sentir mal acerca de nós mesmos.

Foi o psicólogo Aaron Beck que popularizou as distorções cognitivas. São elas:

Filtragem ou Visão em Túnel:

Focamo os detalhes negativos e os aumentamos, enquanto filtramos todos os aspectos positivos de uma situação. A visão da realidade torna-se distorcida.

Pensamento polarizado (tudo ou nada):

As coisas são “preto ou branco”. Não há meio termo. Você coloca as pessoas ou situações em categorias (ou desta ou daquela), sem tons de cinza.

Leitura mental:

Você acha que sabe o que os outros estão pensando, falhando assim ao considerar outras possibilidades mais prováveis. Exemplo: “Ele está pensando que eu não sei nada sobre esse projeto.”

Supergeneralização:

Chegamos a uma conclusão geral baseada num único incidente ou elemento de prova. Se algo de ruim acontece uma vez, esperamos que aconteça mais vezes.

Tirar conclusões precipitadas:

Sem que as pessoas nos informem, nós julgamos saber o que elas estão sentindo e porque agem de determinada forma e quais as razões que suportam isso. Mais especificamente, somos capazes de determinar como as pessoas estão se sentindo em relação a nós.

Catastrofização:

Esperamos que a catástrofe aconteça, independentemente da razão. Ouvimos falar de um problema e usamos a questão do tipo: “E se…” (ex.: E se a tragédia acontecer? E se isso acontece comigo?).

Magnificação ou minimização:

Uma pessoa pode exagerar a importância de eventos insignificantes (como o seu erro, ou o desempenho de alguém). Ou pode negligenciar/reduzir de forma inadequada a magnitude dos eventos significativos, até que pareçam muito pequenos (por exemplo, as qualidades desejadas de uma pessoa ou as imperfeições de alguém).

Personalização:

Pensamos que tudo o que as pessoas fazem ou dizem está relacionado a nós. E vê-se como a causa de alguns eventos externos indesejáveis dos quais não é responsável. Exemplo: “O encanador foi rude comigo porque eu fiz algo errado.”

Culpa:

Por vezes atribuímos às outras pessoas a responsabilidade da nossa dor, ou então dirigimos a culpa dos problemas para nós mesmos. Por exemplo, dizemos coisas do tipo: “Pare de fazer-me sentir mal comigo mesmo!” Ninguém pode “fazer-nos” sentir de uma determinada forma. Isso é uma ilusão criada por nós mesmos, que funciona como proteção. Apenas nós mesmos temos controle (ou não) sobre as nossas emoções e reações emocionais.

Filtro mental:

Você presta atenção indevida a um detalhe negativo em vez de considerar o quadro geral. Exemplo: “Porque eu tirei uma nota baixa na minha avaliação [que também continha várias notas altas] isso significa que estou fazendo um trabalho deplorável.”

Supervalorizar o oposto (hipótese do oposto):

Acreditar que se você não gosta de “X” você vai gostar do oposto de “X”. Exemplo: “Se não gosta de alguém tagarela, vai gostar de alguém calado.”

Os “Deverias”:

Muitos de nós temos uma lista de regras rígidas sobre os outros e acerca da forma como devemos comportar-nos. As pessoas que quebrarem essas regras fazem zangar-nos, e também sentimo-nos culpados quando nós violamos essas regras. Por exemplo, “Eu realmente devia fazer atividade física. Eu não deveria ser tão preguiçoso.” A consequência emocional é o sentimento de culpa.

Argumentação emocional:

Acreditamos que aquilo que sentimos deve ser automaticamente verdade. Se nos sentirmos estúpidos e aborrecidos, então temos de ser estúpidos e enfadonhos. Você assume que as suas emoções não saudáveis refletem coisas que realmente são: “Eu sinto isto, por isso deve ser verdade.”

Falácia da mudança:

Esperamos que as outras pessoas mudem para se adequarem a nós se fizermos pressão ou as convencermos o suficiente. Precisamos mudar as pessoas, porque as nossas esperanças de felicidade parecem depender inteiramente delas.

Rotulagem:

Generalizamos uma ou duas qualidades num julgamento negativo global. Estas são formas extremas de generalizar. Ao invés de descrever um erro no contexto de uma situação específica, uma pessoa irá anexar um rótulo prejudicial para si mesmo. Por exemplo, podemos dizer: “Eu sou um perdedor” numa situação em que falhei numa tarefa específica. Ou, em vez de dizer que deixa as crianças na creche todos os dias, uma pessoa que gosta de rotular, diria que “ela abandona os seus filhos aos estranhos.”

Estar sempre certo:

Estamos constantemente a tentar provar que as nossas opiniões e ações são corretas. Estar errado é impensável. Estar certo (para a pessoa que usa esta distorção cognitiva), muitas vezes é mais importante que os sentimentos dos outros, mesmo com os seus ente queridos.
Buscar lógica em tudo (onde não há lógica):

Exemplo: “ Querer entender o porque de acontecimentos que ocorrem ao acaso [encontrar o motivo ou o culpado para tudo].

 

Referências: Marilene Psiquiatria / Escola Psicologia

http://noranadirsoares.site.med.br/index.asp?PageName=DISTOR-C7-C3O-20-20COGNITIVA
http://evolucientes.wordpress.com/2012/07/14/distorcoes-cognitivas/
http://networkedblogs.com/AVmSN

 

1 Comentário


Uma lição de vida

“Viver com fé eu vou

que a fé a não costuma falhar…”

Com esta música de pano de fundo o programa ‘Viver com a fé’ da GNT se inicia. Ontem foi a primeira vez que o assisti e fiquei encantada com a história de vida de Dona Virgínia. Uma senhora católica que não largou a fé durante as duras lutas que enfrentou na vida. Que não foram poucas.  Na infância, ela teve paralisia infantil e não pode mais andar sozinha. Mesmo sem estímulo da família, Virgínia sempre trabalhou, se casou e teve filhos. Aos 21 anos, perdeu um deles e, anos depois – desacreditada pelos médicos de que não poderia sair da cadeira de rodas e nem ter filhos – nasceu seu temporão. Atualmente ela trabalha com palestra em comunidades e presídios contando sua história e o valor da fé em sua vida, como isto a ajuda a superar as dores e a anima.

Só este breve relato já é lindo, mas o que mais se destacou pra mim foi quando ela disse que entendeu que suas perdas não foram castigos de Deus, não foi por que ela fez algo para merecer aquilo e sim porque a vida é assim. E com esta visão ela afirma buscar aprender com cada situação a ser alguém cada vez melhor.

Que lição de vida não é mesmo?!

Cissa Guimarães, a apresentadora do programa, finalizou o mesmo com a seguinte frase de John Lennon:

“Deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei, se não voltarem é porque nunca as tive.” 

Espero aprender a viver nesta dimensão de fé e de amor.

http://gnt.globo.com/viver-com-fe/noticias/Virginia-encontrou-na-fe-a-chave-para-sua-liberdade.shtml

Comente aqui


Entre o pensar e o agir

Entre o pensar e o agir há um grande buraco – quando não um abismo. Algumas pessoas não toleram o pensar, vão direto para o agir. Pensam que pensam, mas na verdade mais agem do que pensam ou reagem ao que é sentido. Não se dão tempo para entender o sentimento, para pensar o próprio pensamento. Por isso talvez que diziam os antigo que quem pensa não faz. Pois se entendermos o agir como resultado de um pensamento que foi ruminado, compreendido e então elaborado, a ação demonstra bom senso, cautela, vigor mas não pressa. Não é uma reação e sim uma decisão. É muito diferente.

Todos nós ao menos em algum momento agimos por impulso. Fazemos isto quando diante de uma circunstância que desandeia uma emoção tão intensa e incômoda que pensa-la parece impossível. Só que a angustia foi despertada e se livrar dela é imperativo, para tanto resolvemos agir. Naquele momento qualquer ato é melhor do que permanecer como se esta.

Muitos pensamentos são dificeis, alguns que se destacam em minha opnião são o pensar o ódio que uma pessoa ou situação nos causa. Pensar a solidão, o desamparo que há dentro de si. Pensar onde erramos. E o pensar em desejar algo que se crê incapaz para conquistar. Há outros, todos tão dolorosos que parecem impossíveis de serem pensados, agir parece tão mais fácil.

E é mesmo. Ir e fazer algo ameniza a dor. Só que na hora. Depois a dor volta e o que sobra? Fazer de novo e de novo e mais uma vez? Até quando?

Aquilo que pode ser pensado, sentido, verbalizado (nem que seja dentro de sua própria mente) tem a possibilidade de avaliação, de compreensão e apos isso é que se conclui se realmente é ou não necessário agir.

Comente aqui


Mentes impossibilitadas de pensar

Esta matéria foi lançada semana passada no jornal impresso. Para os que não tiveram oportunidade de lê-la deixo-a aqui…

Mentes impossibilitadas de pensar

O poeta e escritor Czeslaw Milosz presenciou a ocupação nazista na Polônia, seu país de origem. Inicialmente ele acreditou que aquele regime era bom e faria bem a seu país, pois apresentavam um discurso de capacitação, de que os grandes mestres do desenvolvimento intelectual estariam com os alemães e por eles seriam estimulados a mais pesquisar. Doce ilusão. Aos poucos Milosz foi percebendo que na verdade era um regime totalitário, fechado em um saber único e desejoso de manter a mente de todos centradas nas percepções por eles impostas. Com isto o poeta resolveu romper e escreveu sobre sua experiência e percepções no livro Mente Cativa.

Neste material o autor defende o quanto o regime totalitário é perigoso, pois busca impor-se sobre a vida, desejos e escolhas de toda a sociedade. Indicando aos cidadãos o que é ou não aceitável e adequado  em todas as esferas da vida.

O livro parece a base teórica do romance de Geroge Orwenll 1984. O qual inspirou o reality show Big Brother Brasil. Mas diferente do quadro televisivo, o livro narra como um regime político tem poder sobre a vida de uma sociedade, indicando a ela o que pode ser feito e ate conversado. Em alguns países isto ainda existe, a China, a Russia e países islâmicos são bons exemplos, tanto que a religião, a vestimenta e até as opiniões ditas em público tem que estar de acordo com o que o país permite.

Alguns podem então pensar: moramos no paraíso, aqui se pode tudo! Será mesmo?

Houve um tempo em que os governos não queriam povos pensantes, por isso impediam ou dificultavam o acesso ao estudo. Hoje isto já é mais difícil, ao menos no Brasil, todos tem a possibilidade de estudar, tanto que o índice de analfabetismo diminuiu imensamente. Porem, muitos saem da escola semi-analfabetos, sabem ler e escrever mas não são estimulados ainda a pensar. Por que? Talvez, por que pensar dê trabalho e muito trabalho, dá preguiça e mesmo professores, como são pessoas antes de tudo, também tem dificuldade de se por a pensar. Assim, como somos civilizados e principalmente democráticos temos mais possibilidades de escolha e liberdade de expressão. Mas fazemos uso destes dois de forma realmente pensante ou seguimos o que é dito?

E isto não é um problema do Brasil, mas de todo o mundo e não apenas de nossa época, mas desde sempre vivemos com a mente cativa, impossibilitada de pensar.

Pensar significa se independer, pensar diferente, olhar as coisas de um prisma novo, não se contentar com respostas concretas, fechadas. Não se deixar seduzir pelo outro – seja o que ele tem, faz, veste e por ai vai. É não se ver obrigado a ser como ninguém, mas com o direito de ser você mesmo.

Isto pode trazer muitas confusões. Iniciando dentro do lar: pais se incomodam quando filhos os questionam, perguntam o por que, mostram querer outras coisas. Há famílias que vivenciam este embate de forma mais leve, mas nunca totalmente tranquila. Há também os que entendem isto como um desafio, como uma prova de que os filhos os estão enfrentando, indo contra sua autoridade. E não que estão se desenvolvendo e adquirindo uma mente própria. O mesmo ocorre no ambiente escolar, nos locais de trabalho, nas igrejas, nas amizades, nos relacionamentos amorosos, enfim em todo lugar.

Ter uma mente pensante é a prova de que estamos vivos, de que somos diferentes do outro. Quem pensa existe disse o Hamlet de Shakespeare. Sendo assim não dá pra concordar com tudo, aceitar tudo. As vezes temos a sorte de concordar em algumas coisas. Alguns chamam isto de sintonia e entendem que há falta dela quando as diferenças começam a vir a tona.

Porem, ser diferente precisa ser encarado como algo ruim? Onde estão o respeito, a tolerância, a percepção de que o outro é outro e por isso diferente de mim? Será que isto precisa ser sinal de que as coisas não vão bem?

Pensar é um exercício e como tal precisa ser vivenciando com frequência para poder se desenvolver. Pensar em meio a multidão é possível, mas muito mais difícil. Este é um exercício mais solitário, ou pelo menos vivenciado com poucas pessoas. E na correria do dia a dia nos embolamos e acabamos por aceitar como certo, necessário ou como único caminho o que vem a nos. Se pôr a pensar é lutar contra isto, é prestar atenção em como as situações são sentidas, em que efeitos aquilo tem, em que lembranças ou outros sentimentos aquilo evoca.

É sedutor ter quem pense por nós, mas é também ficar um fantoche na mão do outro. Que escolha você tem feito?

Comente aqui


Se a vida lhe dá um limão…

Durante os anos 80 e 90 havia o desenho Lippy e Hardy, o qual mostrava aventuras desta duplinha composta pelo leão Lippy que inventava planos mirabolantes para a dupla se dar bem enquanto a hiena Hardy sempre duvidava desta possibilidade. Os que são desta época certamente lembram-se do desenho e da imagem de Hardy com o semblante sempre cansado e com seu famoso bordão: “oh vida, oh céus, oh azar! Isto não vai dar certo!”

Já há algum tempo este desenho tem me vindo a minha mente sempre que entro no facebook, pois umas boas partes das postagens são de reclamações. São pessoas reclamando do tempo, da falta de dinheiro, do comportamento de alguém, e assim por diante. Muda o tema, mas não a ação: reclamação! E o interessante é que se repete por parte do mesmo que reclamou de um assunto, reclamar quando ele muda. Um exemplo:  quando estava frio, a pessoa reclamava do inverno, agora que esta este calorão a pessoa reclama que esta na hora do frio voltar! Quer dizer que nunca está bom?

Esta situação também ocorre na vida diária de muitas pessoas, parece que há uma hiena Hardy dentro delas onde nunca nada esta agradável ou bom. Tudo é sempre visto de um prisma negativo, cheio de duvidas e receios e com a certeza de que o pior acontecerá. Pode ser também a sindrome da Lei de Murphy que defende que se há algo que pode dar errado, certamente ocorrerá. A ideia é engraçada e sim muitas vezes acontece. Mas reclamar ou ficar esperando por isso ajuda em alguma coisa?

Vivemos num mundo caótico, imprevisível e cheio de perigos sejam naturais ou humanos Por naturais me refiro a tempestades, secas, climas intensos, desastres naturais, também a finutude e fragilidade da vida a qual nos expõem a doenças e a morte tanto dos que amamos quanto a nossa. Por perigos humanos me refiro a pessoas violentas, perigosas, mal educadas, maldosas e assim por diante.

Estamos expostos a tudo isto, pode acontecer comigo, com você, com o vizinho. E ninguém passa incólume: por algo ruim todos já passaram ou passarão, isto não é desejar o mau e sim assumir que estamos vivos e assim vulneráveis.

Contudo a vida esta ai, opções para se divertir apesar das circunstâncias sempre há. O que possibilita este prazer é a liberdade interna conhecida como criatividade. Capacidade esta de transformar seja o que for em algo novo, diferente. Assim o tempo, as dificuldades, as circunstâncias ficam menos valorizadas, entendendo que contra o mundo externo não temos como lutar, nem como controlar, mas o que fazemos com o que nos acontece isto é uma decisão possível e, aliás, diariamente necessária.

1 Comentário