Mês: outubro 2012



Dupla personalidade ou impulsividade?

A atriz Carolina Ferraz tem feito uns vídeos que contam histórias de amor, normalmente hilárias, de vivências de amigas dela. A do vídeo abaixo conta a história de Marta e Martinha. Assistam, depois volto com os comentários….

Gostaram?

É bom né?!

Quantos de nós já nos pegamos arrependidos por um ato de impulsividade. Marta foi esperta, soube se sair, deu certo e o carinha gostou da ideia. Mas nem sempre é assim, em geral atos impulsivos levam a consequências negativas e difíceis de serem revertidas.

Talvez ajude entender o que nos leva a agir por impulso.

Quando diante de uma angustia nossa mente funciona nos dizendo que precisamos agir, é o nosso sistema de proteção. É assim desde o tempo das cavernas: nossos antepassados ficavam diante de um animal feroz e rapidamente precisavam reagir: fugir, correr, enfrentar, brigar, enfim, algo precisava ser feito. Milênios se passaram, porem conservamos esta veia de ação diante do perigo. E a angustia é um sentimento que nos coloca em perigo, nos tira de nossa estabilidade e nos coloca medo. Aí mil verbos vem a mente e a sensação é de que somente fazendo algo é que ficaremos livres de tal emoção desconfortante, quando não até desesperadora! Portanto um comportamento se mostra imperativo, necessário.

Poucos talvez entendam que pensar também é uma ação. Se colocar a analisar os fatos, a buscar entender os sentimentos é um comportamento e este quando feito com paciência e de maneira crítica, ou seja, analisando qual sua parcela de responsabilidade na situação, sem se colocar apensa como vítima. Possibilita decisões bem diferentes daquelas tomadas no auge da emoção.

Contudo, para se pôr a pensar é necessário, antes de tudo, saber suportar a angústia. Entender que este sentimento não nos destruirá (apesar de ser esta a sensação), entender que somos mais fortes, mais capazes, e que as coisas precisam de tempo para se organizar. Suportar a angustia é uma capacidade emocional que todos, todos nós podemos desenvolver!!!

Pois logo apos uma briga feia talvez não seja o momento de tomar uma decisão como terminar ou não o relacionamento. O mesmo ocorre diante de uma decepção, frustração, desentendimento e etc. Diante de emoções fortes o pensamento fica nublado, confuso e qualquer decisão tende a ser inadequada. Deixar os sentimentos acalmarem e a raiva passar se faz necessário antes de uma reação.

Compare isto a uma grande tempestade: durante a chuva torrencial não há nada que se possa fazer a não ser se proteger e esperar. Depois que a chuva passa o sol volta devagar, aos poucos as nuvens recuam e o sol brilha com força. Não é um processo rápido. Ao contrário, pode demorar dias até tudo ficar normal.

Não será este um ensinamento da natureza? Aprender a esperar, a deixar a chuva de sentimentos negativos ir embora (pois tenha certeza eles irão!) e somente depois analisar os estragos que a tempestade deixou e então pensar em decisões.

É um  processo mais lento, porem com menos efeitos negativos. Afinal, nem sempre dá para pôr a culpa na dupla personalidade.

Comente aqui


Decisões

“Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri no caminho incerto da vida que o mais importante é decidir”

Dizem que esta frase é de Cora Coralina. Não tenho a mínima ideia de quem é essa pessoa ou se foi mesmo ela quem disse isto. Porem sei que se baseia numa grande verdade.

Diariamente estamos expostos a decisões. Engana-se quem crê que não teve opção. Não temos como controlar os acontecimentos, mas o que faremos com ele, isto sim só depende de nós. Por isso é que colhemos os resultados, de alguma forma foi plantado!

É importante lembrar que mesmo na omissão houve escolha. pois se omitir também é uma decisão.

5 Comentários


Dercy e a psicanálise

Dercy Gonçalves sempre foi irreverente, debochada e autêntica. Há os que a amavam e os que odiavam, mas independente do sentimento ela sempre chamou atenção. Achei interessante (e muito verdadeiro) o que Dercy contou sobre sua experiência com a psicanálise. Segue abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=oXWm9rOlXgw&feature=youtube_gdata_player

1 Comentário


Proteção no facebook

No programa Fantástico deste domingo foi mostrado o quanto as redes sociais nos expõe. Com isto acho que mais da metade da população brasileira desde ontem quando abre o Facebook se depara com a seguinte mensagem:

“Bom gente, quem assistiu o Fantástico ontem sabe da falta de proteção no Facebook.
Com as mudanças do Face, agora todos ficam sabendo de coisas de gente que nem estão nos nossos contatos, só porque um contato faz um comentário ou “curte” algo de algo. Então peço a gentileza de…” daí vem uma explicação sobre como impedir que coisas assim aconteçam.

Legal, acho que todos queremos ser preservados.

Porém, não consigo deixar de pensar que mais do que pedir para os outros me protegerem, não sou eu quem o deve fazer? Não quero que saibam meu telefone particular. Então porque raios o coloco no Facebook. Meus amigos, aqueles com quem converso, já o tem. E os que acabei de conhecer me pedirão por uma mensagem em particular caso o desejem não é mesmo?

Quero tirar fotos para mostrar onde vou, como estava linda e bem acompanhada, quero receber um mente de “curtir”, mas quero que só algumas pessoas vejam isto. Não é uma contradição? Se não quero que me vejam então por que colocar em uma rede social? Porque não mandar por e-mail (lá é realmente privado) ou voltar as antigas e mostrar o álbum de fotos num churrasco entre amigos.

Outra coisa de maluco: não quer se expor, mas coloca no Facebook tudo que sente e pensa. Ah tá, mas só algumas pessoas é que deveriam ver. (????)

Juro, não entendo essas contradições!

Desculpe amigos do face mas não tenho nem ânimo e nem tempo para entrar na fotinho de cada um e fazer as arrumações que me pedem. Uso o face para duvidar o blog e com isto tenho “amigos” ali que nunca vi na vida. Coloquei todos estes como conhecidos. Alguns poucos estão como amigos e vêem coisas a mais como fotos ou comentários que posto. As vezes coloco fotos para todos verem. E sinceramente se algum comentário ou foto minha for curtida, comentada ou compartilhada por alguém e outros a verem não me importo. Pois se divulguei é porque não tenho vergonha ou medo daquilo. Se tivesse não teria postado.

Claro que me arrependo de atos que já tive (quem me dera ser livre de tal emoção!), mas como adulta acho que tenho que colher pelo que plantei e não ficar esperando que outros cuidem por mim.

Estamos numa época interessante, onde queremos ser livres pra tudo, mas sem ter que se responsabilizar por tais escolhas. Só que isto é uma ilusão!

Poste o que pode ser visto. Não coloque o queira esconder. E tenha como amigo quem realmente te interessa ou escolha não expor o que não precisa ou não deseja.

Ah, e sobre ladrões, sequestradores e enfim, sei que devemos nos proteger deles, se cuidar na internet é importantíssimo. Mas não é só no virtual que os cuidados são necessários, no dia a dia da vida estes seres estão bem atentos às brechas que deixamos. Assim como todos que nos rodeiam.

7 Comentários


O sono do bebê

Muitos pais se desesperam diante da falta de sono do filho, principalmente quando este é um bebezinho. Uma amiga divulgou um texto sobre este assunto excelente. Deixo-o para vocês.

A matéria esta disponível no blog: http://www.cientistaqueviroumae.com.br/2012/09/por-que-deixar-chorar-ate-que-se-durma.html

Por que deixar chorar até que se durma realmente funciona? – ou “CÉUS! PARI O DARTH VADER!”

 A mãe passou 9 meses sonhando com a chegada do filho, preparando o ambiente para recebê-lo. Comprou um berço lindo, seguro e confortável, pronto para aquecê-lo quando chegasse, onde ele dormiria como anjo em suas sonecas diurnas e no longo e profundo sono noturno. Providenciou um pijaminha quentinho, que o ajudaria a dormir mais relaxado. Ganhou CDs de músicas para bebês, que sonhava em colocar para embalar o sono da cria.

Ela sonhava com uma rotina pós-nascimento linda: banhos de sol todos os dias (já reparou como nos sonhos não chove?), mamadas frequentes e abundantes, brincadeirinhas fofas, beijos, abraços, muito amor, o banhinho de fim de tarde, o pijaminha quentinho, o embalar para dormir, a música tranquila, a mãe cantando uma suave canção de ninar enquanto embala docemente seu bebê que, aos poucos, fecha os olhinhos e simplesmente dorme. Sonho perfeito: o bebê relaxa, dorme, tranquilo e feliz, até o dia seguinte, enquanto sua mãe aproveita o horário noturno para um tratamento de beleza, um retoque nas unhas, um livrinho bacana, um filme divertido, um estudo mais profundo ou um chamego com o companheiro.

Então, enfim, chegou o bebê. E, junto com o bebê, chegou a vida real, pra acabar com tudo. Tchau, sonho, um beijo pra você!

Por que raios a vida insiste em se meter nos nossos sonhos?! Nunca dá muito certo isso.

E então os planos não saem bem como o esperado e, de repente, o bebê não quer dormir.

Ele simplesmente quer ficar acordado com sua mãe, em seu colo quente e confortável, porque, afinal, ela é seu porto seguro e ele ainda não sabe que depois do dormir vem o acordar, que o devolverá a mãe que o sono levou. Ele sabe, apenas, que “DORMIU = SEPAROU”.

Com a recusa do bebê em dormir, lá se foi para a Terra do Nunca o sonho feliz de Pollyanna. Polly – vou chamá-la carinhosamente, porque acredito que ela habite em quase todas nós, ainda que se esconda bem – começa a se questionar sobre o que está fazendo de errado.

Será que mamou demais?
Será que mamou de menos?
Será que é a fralda?
Cólicas?
Coceira?
Dor em algum lugar?
Ansiedade?
Será um “bebê high need”? – não gosto muito desse nome, mas voilá.
“O que está acontecendo com meu filho?!”

Então, aquela amiga super experiente em assuntos de maternidade, ao saber que o filho de Polly não quer saber de dormir no horário e na rotina estabelecida (no sonho), que não quer saber de se comportar e de aceitar a rotina da família, prepara sua voadora, pega impulso, sai correndo e PÁ!, acerta em cheio, com os dois pés, o peito cheio de leite de Polly. E dispara (sem nem que alguém tenha pedido sua opinião): “Polly, amiga, meus filhos dormiam a noite IN-TEI-RI-NHA! Isso é MANHA, minha filha. Você precisa ensinar esse menino a dormir!”.

E então, Polly se sente ainda pior…
Outras amigas, na tentativa de ajudá-la (todo mundo quer ajudar), também palpitam: “Polly, amiga, esse menino está te manipulando! Está de manha, de birra! Você não pode ceder, com o risco de estar criando um pequeno tirano”.
Além de se sentir culpada e de pegar trauma da palavra “amiga” dita logo após seu nome, Polly entristece…
Puxa vida, com que facilidade seu bebezinho se transformou de um bebê normal em um manipulador de adultos! Será mesmo seu filho um pequeno tirano? Um serzinho perverso? Que usa de manhas e artimanhas para manipulá-la? Que fica confabulando sobre qual a melhor estratégia para manipular a tonta da mãe?
Polly entra em crise:

“Céus! Terei parido Darth Vader?!”

Polly se deprime…
Passa a achar que seu filho não é “como os demais”, afinal “os demais” (os de suas amigas) dormem a noite toda. De duas uma: ou ela está fazendo alguma coisa errada mesmo, ou terá que admitir: pariu o rei do lado negro da força. Um bebê indisciplinado, manhoso, birrento, manipulador.

Polly então começa a busca por aprender a fazer o filho dormir. E descobre que existem algumas técnicas divulgadas em livros que GARANTEM que o bebê dormirá facilmente em poucas noites.
Polly ouve e lê alguns comentários sobre esses livros, gente dizendo que “Funcionou! É um milagre!”, enche-se de esperança, o compra, lê e começa a “domar o seu bebê”, no melhor estilo “Como domar o seu dragão”.
Então ela aprende que tudo bem deixar seu bebê chorar até aprender a dormir porque, afinal, “por trás de um filho que dorme tranquilo, há uma mãe que dorme tranquila”. Polly já tinha ouvido algumas mulheres falando sobre os prejuízos de se deixar chorar para que se “aprenda” a dormir. Gente que pesquisava sobre o assunto e que sabia da existência de muitos trabalhos científicos comprovando os prejuízos do choro como forma de treinamento. Mas Polly não as conhece, como pode dar ouvidos a gente que não conhece?

E essa história de ciência, vocês vão me desculpar, mas isso não serve pra cuidar de filho, não. E olha: até aquela grande revista já mostrou que não tem problema deixar criança chorar. Até parece que essa mulherada vai saber mais que essa revista, né? Estou tranquila, estou respaldada, vou continuar com meu plano. Afinal, o doutor pedí diz aqui no livro que é infalível e minha amiga disse que funciona, que é um milagre!“.

Então Polly começa a colocar em prática o método de treinamento.
Mas aí acontece algo pelo qual ela não esperava: ela não se sente bem.
Não se sente bem porque aquilo, para ela, não parece natural.
Não faz sentido, considerando seus próprios valores, fazer um bebê “aprender” com base no choro. Porque o choro, oras, é um sinalizador de que algo não está bem! Como ignorá-lo? Ler é uma coisa, fazer é outra. Dói em seu coração saber que seu bebê está chorando na tentativa de mostrar que precisa dela, e ela não o atender.
Então Polly decide abandonar as regras ditadas e seguir seu coração.
Vai até o berço, olha para seu filho e sente: não, você não é Darth! Vem com a mamãe, Luke!
O pega com carinho, o aninha em seus braços, junto ao seu peito, e dá seu colo a ele. E então, Luke para de chorar…
Luke queria o colo da mãe, a presença física da mãe, seu calor e as batidas do seu coração. Nesse momento, Polly percebe que, ainda que Luke não durma no horário que ela havia planejado, nem da maneira como havia pensado, uma coisa valiosa acontece: ela está tranquila com sua decisão. Aquela velha história de “o caminho escolhido tem um coração?”…
E por trás de uma mãe tranquila com sua decisão, há, com certeza, um bebê tranquilo.
Polly, então, passa a rever o seu percurso e chega à conclusão de que o erro estava no sonho. Porque embora fosse um sonho lindo, ele pecava em um ponto: desconsiderava totalmente o próprio bebê e sua personalidade. Em nenhum momento se pensou que aquele bebê não conhecia a rotina do lar onde ele chegou, como acontece exatamente com todos os bebês. Ele poderia se adaptar. Ou não. E o fato de se adaptar rapidamente não o torna um super bebê expert pró-master versão uploaded. Ou, ao contrário, o fato de não se adaptar não faz dele um bebê-problema.
Ele apenas é assim. Não quer dormir, quer ficar com a mãe, quer colo. Eu o entendo: colo de mãe é mesmo coisa boa demais.
Mas como é que fica aquele papo de que deixar chorar até que durma funciona mesmo?
Se funciona?
Claro que funciona!
Funciona sim.
E eu vou te explicar porque funciona.
Para isso, façamos algumas analogias.

  1.  Um amigo seu pede para que você faça um grande favor a ele, coisa que vai demandar tempo, esforço e deixar suas próprias coisas de lado para ajudá-lo. Você faz de bom grado. Terminada a tarefa, seu amigo dá  tchau e vai-se embora, sem sequer agradecê-la ou abraçá-la. Qual a chance de você ajudá-lo novamente?
  2. Você conquista uma grande vitória no trabalho, chega em casa animada, feliz, e compartilha com seu companheiro a sua alegria. Conta tudo, nos mínimos detalhes. Assim que termina de contar, seu companheiro diz: “Dá um passinho pro lado, por favor? Tá passando Palmeiras e Santos”. Qual a chance de você fazer a mesma coisa no dia seguinte, e no outro, e durante toda a semana?
  3. Uma amiga querida combina de te ligar para um café, já que faz tempo que quer te reencontrar. Ela liga uma vez, liga duas, liga três, liga quatro, liga cinco, mas você nunca pode. Qual a chance dela continuar tentando?
  4. Um aluno de 8 anos, em meio à aula, cria coragem e levanta a mão para fazer uma pergunta à professora. Ele pergunta e, na sequência, a professora vira as costas e continua falando sobre o que estava falando antes. Qual a chance dessa criança perguntar novamente?
  5. Você votou em um candidato político. Durante seu mandato, ele foi condenado pela justiça, teve seu impeachment decretado e ficou sem poder se candidatar por anos, por ter roubado uma imensa quantia de dinheiro que era destinada para projetos que ajudariam a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos brasileiros. Qual a chance de você votar nele novamente? (Ok, Brasil, pule para a próxima questão, não precisa responder…)

Ok. Acho que deu pra entender a semelhança em todos esses casos, não?
Sabe por que a chance de que esses mesmos comportamentos aconteçam novamente é mínima?
Porque aconteceu o que chamamos de EXTINÇÃO do comportamento.
A extinção de um comportamento acontece quando uma resposta deixa de ser reforçada, ou seja, quando há OMISSÃO do reforço. No caso do aluno de 8 anos que fez uma pergunta, por exemplo, o reforço para que ele continuasse participativo e interessado seria a professora ter dedicado atenção e empatia para responder ao seu questionamento. Como o reforço não aconteceu, então aquele comportamento tende a ser EXTINTO. Ou seja, é um procedimento eficaz para obter a diminuição gradual de algo. “Ahhh, olhaí! Viu?! Então, se eu quero que meu filho pare de chorar e aprenda a dormir, o processo de EXTINÇÃO do comportamento, por meio de não acalentá-lo, não pegá-lo no colinho, está certo mesmo! Ele vai parar de chorar e, enfim, irá dormir!”.
Calma, amiga, ainda não terminamos. É preciso saber tudo sobre o processo…

Volte aos exemplos de 1 a 5 e responda: o que terá sentido aquela pessoa cujo comportamento não obteve resposta e que, provavelmente, também será extinto?
Como essa pessoa se sentiu? O que sentiu no momento em que a resposta que ela esperava que acontecesse, não aconteceu? É bom esse sentimento? Ele dá origem a boas coisas?
Como você se sentiu quando seu amigo não te agradeceu ou abraçou e como ficou sua relação com ele depois?
Como você se sentiu quando seu companheiro ou companheira não te deram o retorno emocional que você esperava nesse momento importante da sua vida? Será que rolou um DR depois?
Como será que sua amiga se sentiu – ou se sente – sabendo que você não consegue destinar um tempo a ela?
Como se sentiu o gurizinho de 8 anos quando a professora virou as costas à sua dúvida?
Como você se sentiu quando o seu candidato te roubou, e aos seus amigos, e aos seus filhos, e àqueles que passam dificuldades?
Não. Não são bons sentimentos…

Essa é a dimensão do problema.
Se deixar chorar funciona? Claro que funciona. Um comportamento realmente se extingue quando a resposta esperada não vem. Quando um bebê chora por algumas horas, por alguns dias, querendo o colo da mãe e a mãe, porque está colocando em prática um método que promete salvá-la, não dá aquilo que o bebê pede, ele tende a parar de chorar mesmo.
Agora, como será que ele se sente? O que te faz crer que a frustração e chateação que você sente quando não recebe resposta é diferente da dele?
Onde entra a Regra de Ouro nessa relação? Aquela, que sugere que tratemos os outros da maneira como queremos ser tratados (sádicos, vão dar uma voltinha agora, essa pergunta não é para vocês).

Os métodos baseados na extinção do comportamento realmente são válidos. Quase sempre.
Mas será mesmo que devem ser utilizados sempre, como um “guia”?
Pollyana não conseguiu. Ela se sentiu ferida por imaginar que os sentimentos do seu filho também poderiam estar sendo feridos.

Nesse método baseado em tentar extinguir o comportamento de chorar daquele bebê, podem acontecer alguns problemas, totalmente previstos pela teoria psicológica.
Um exemplo: se a mãe decidiu (mesmo que ela mesma esteja sofrendo com isso) ignorar o choro, ou não pegá-lo no colo, deixando o bebê chorar até que durma, mas o pai não conseguiu, ou a avó, ou a amiga, ou qualquer pessoa por perto que se sentiu aflita com o choro, e essa pessoa invadiu o quarto e pegou a criança no colinho, PREVEJA O EFEITO DISSO. A criança sabe que pode ser acalmada por um colinho, a família sabe que pode acalmar o bebê com o colinho, e o bebê sabe quem deu e quem não deu o colinho. E se você acha que, assim, está criando um tirano: desculpe, mas não é ele quem está no lado negro da força. Não acho muito coerente demonizar as crianças quando somos nós quem estamos negando acolhimento para que “aprendam o que queremos que aprendam, com base no nosso sonho ilusório”.
Outra questão: a própria teoria afirma que, em algumas situações, pode ser cruel privar aquele indivíduo da atenção da qual precisava – e o CHORO é uma dessas situações. Porque o choro é um claro sinalizador de que algo não vai bem, indica dor, sofrimento emocional ou outra necessidade. Se uma criança está chorando e já é possível dialogar com ela, então que façamos isso. Mas um bebê tem no choro sua principal forma de comunicação. Não parece muito razoável que os ensinemos a deixarem de se comunicar quando precisam de algo, não é?
Uma última questão: o método da extinção do comportamento apresenta mais um ponto delicado. O processo de extinguir um comportamento (em nosso caso, o choro que antecede o dormir sozinho) pode produzir agressividade. Ah vá, que ninguém te contou?!
Por agressividade não estamos considerando somente a violência em si, mas a amplificação do comportamento que se quer extinguir. Ou seja: se o bebê foi deixado chorando, com a esperança de que, omitindo o acolhimento físico, ele vá se acostumar e finalmente dormir, esteja preparada para o fato de que ele pode, SIM, chorar ainda mais, no lugar de simplesmente dormir. Essa é uma situação prevista pela teoria.

É isso.
Se o método funciona?
Claro que funciona.
Ele para de chorar por extinção do comportamento e, com o tempo, dorme sem chorar – ainda que sua mãe não o embale – por condicionamento. A mãe o condicionou a isso. E ele não chora mais quando colocado para dormir sozinho porque aprendeu que não adianta chorar que sua mãe não vai pegá-lo no colo. Se alguém te disse que o que ele aprendia era “a dormir”, te enganaram…
As teorias psicológicas não são mera teorização. Nossos comportamentos cotidianos, dos mais simples aos mais complexos, podem ser explicadas por elas.
Mas há que se ter sempre em mente os resultados das escolhas.
Sempre.
Não é ético ignorar uma parte do processo apenas porque ele não é tão bonito quanto você esperava que fosse. Também não adianta fingir que não existe.
O ideal é conhecer a fundo tudo, para que se possa escolher.
Polly não nasceu sabendo ser mãe – assim como todas as suas amigas. E as amigas das amigas.
Mas Polly preferiu ouvir seu coração que, de certa forma, é muito mais coerente com o que acontece no íntimo do seu bebê. Polly pegou para si a RESPONSABILIDADE de ser guiada por seu sentimento em relação ao filho. E pegar para si a responsabilidade disso é assumir os riscos inerentes. Porque uma coisa é dizer: “Mas eu só fiz o que o livro mandou” e outra bem diferente é dizer: “Sim, eu fiz porque eu quis, porque assim senti que devia fazer”. Ainda assim, para Polly, foi muito mais tranquilizador do que simplesmente seguir um método que – SIM! – funciona.
Às custas de que? Aí é outra história. Que não é todo mundo que quer contar não…
Hoje, Polly e Luke (ou Padmé) vivem mais conectados. Luke sabe que, na hora de dormir, pode contar com o colinho de sua mãe.
Ainda que ele não durma do jeito que ela sempre sonhou…

E quem disse que nossos sonhos contêm aquilo do que realmente precisamos para sermos felizes?
Afinal, é na vida – e não no sonho – que vivemos.
Cuidado você deve ter, com fórmulas e métodos que salvadores se dizem. E também com os que, de manipuladores, as crianças chamam .
Já diria Mestre Yoda.

Comente aqui


Pra refletir

“Algumas pessoas tem amor por você, outras tem raiva. O que sentem nem sempre depende de seu comportamento. As reações delas as vezes são justas, as vezes são injustas. Pouco importa o julgamento dos outros. Os seres são tão contraditórias que é impossível satisfazê-los, tenha em mente apenas ser autêntico e verdadeiro” Dalai Lama

Comente aqui


Natureza humana: Culpa e o PIB

Recebi este excelente artigo de uma amiga, compensa a leitura.

O material é de Francisco Daudt da Veiga que tem uma coluna na Folha de São Paulo e tem um blog: 

http://www.franciscodaudt.com.br/

Dentre as cinco resistências ao tratamento analítico descritas por Freud, a mais curiosa é a reação terapêutica negativa. Ele ficava pasmo de ver que, quando alguns pacientes tinham uma expressiva melhora em suas neuroses, como decorrência da análise, algo de muito errado lhes acontecia. Ora adoeciam, tinham acidentes, tomavam decisões catastróficas, mas, sobretudo, abandonavam o tratamento. “Pioram porque melhoram?” era a questão que intrigava o Professor.  Depois de muita pesquisa, ele concluiu que algo neles se ressentia com seu novo bem-estar. Tinham culpa de se sentir bem.

Depois da segunda guerra, surgiu um acontecimento psíquico que trouxe luz àquele enigma: a síndrome do judeu sobrevivente. Um traço comum unia os que haviam escapado ao campo de concentração: não podiam ser felizes, pois eram assombrados pelos mortos, que lhes sussurravam na alma, “Aí, hein? Você, todo feliz, gozando a vida, e nós, viramos cinza, não é?” O sobrevivente, devastado pela culpa, fazia então a única coisa que lhe poderia dar alguma dignidade: buscava ser infeliz.

Isto está longe de se restringir àquele grupo étnico. Jogadores de futebol, que ganham fama e fortuna, afastam-se do subúrbio onde nasceram para desfrutá-las em áreas mais ricas, mas é comum que algo de muito errado ocorra com eles, que se entreguem à dissipação, aos vícios, que entrem em decadência, que sofram de solidão, que se deixem explorar pelas marias-chuteiras. Houve um que abrigou de graça várias famílias por onze anos, num prédio que comprara. Ao ser processado para dar pensão a uma de suas ex, passou a cobrar uma quantia irrisória de aluguel aos familiares, como meio de pagar o estipêndio. Foi o bastante para que os inquilinos corressem aos jornais, acusando o jogador de egoísmo, de ter-se esquecido dos pobres, de sua origem, de trair o seu passado.

O mesmo ocorre com ganhadores de loteria. São raros os que mantêm seu dinheiro. Metem-se em empreendimentos administrados por familiares de baixa competência, e dão com os burros n’água.

Minha motivação para este texto vem dos meus pacientes que sofreram da tal resistência. É curioso, o paciente de psicanálise. Você conhece a anedota que pergunta “quantos psicanalistas são necessários para que se troque uma lâmpada?” A resposta é: “Um só. Mas é preciso que a lâmpada queira muito ser trocada”. Segue disto que, se uma pessoa é capaz de achar que há algo errado consigo, se é capaz deste grau de reflexão, em vez de culpar os outros, as chances de que seja uma pessoa de destacada inteligência são grandes. Ora, a mãe natureza é sabidamente injusta e desigual quando se trata da distribuição desta qualidade. A maior parte da humanidade é principalmente reativa aos acontecimentos. Os reflexivos, contempladores e planejadores formam uma triste e solitária minoria, a desgraça de sua graça é ser difícil encontrar interlocutores.

Alguns clientes se descobriram muito cedo portadores dessa anomalia congênita. Uma delas se lembra de aos seis anos se perguntar, “O que eu estou fazendo no meio dessas pessoas?”, referindo-se à própria família. Não deu outra. Passa a vida se sentindo levemente culpada por se destacar, e seus empreendimentos, a despeito de seu talento ímpar, nunca avançam muito.

Nestes tempos em que o senso comum vai absorvendo como verdade que “pobre é bom; as ‘zelite’ é mau”, o sentimento de culpa ligado à prosperidade tende a crescer, e isto influencia o PIB do país (para baixo). É a herança maldita do Stalin, que, nas palavras de Trotsky, “fez da privação uma virtude”. Que tal as esquerdas começarem a olhar para a China?

Material publicado na coluna “Natureza Humana”, da Folha de São Paulo.

Comente aqui
 

Dia das crianças

O dia das crianças esta chegando e com ele todas as ofertas de compras aumentam estrondosamente, a mídia parece falar somente disto, todas as lojas preparam suas vitrines focando neste assunto. E como para os pais filhos são eternas crianças muitos presentem os seus mesmo com mais de 40 anos, ou seja, o comércio ama esta data. O mesmo ocorre no dia das mães, dos pais, da mulher, do agora dia dos homens, dos namorados, páscoa e principalmente no Natal. São tantas datas a se comemorar e em todas elas o foco é o consumo. E quem não gosta de ganhar presente? Quem não pode dá-lo se sente inadequado, inferior e o mesmo com quem não o recebe.

Isto é uma construção cultural. Ao longo da história esse conceito se constituiu e hoje pensar em uma data festiva automaticamente se relaciona com o que vou levar, que presente vou dar. Parece uma indelicadeza não o fazer. Bem, pelo olhar da educação pode ser mesmo. Porem qual é o foco maior?

O dia de tal comemoração seja ele dia da criança até o Natal  tem uma razão de ser, geralmente se relaciona a um fato histórico que de tanta importância merece ser lembrado e comemorado. Entretanto, ao longo dos anos o fato foi esquecido, desconsiderado ou ficou em segundo (quando não muito abaixo disso) e o que brilha é o presente, o consumo.

Com esta reflexão não digo que o presentear seja errado, ao contrátrio, também é uma demonstração de carinho, de afeto. Contudo, qual é a prioridade? O foco maior é lembrado? Ao longo dos outros dias do ano a valorização desta pessoa (filho, mãe, pai e etc) acontece?

Será que mais que um presente no dia das crianças seu filho não espera estar com você? Poder ter um dia todo dedicado a ele, a brincadeiras e  com vivências em família? Infelizmente, nem sempre é assim, muitos pensam: afinal de contas é feriado e como é bom poder descansar, já dei  presente mesmo não precisa de mais nada!

Com isto a cultura do consumo permanece e o indivíduo fica em segundo plano. Não esta na hora de repensarmos isto?

PS: Segue abaixo a razão histórica para esta data:

Segundo o Wikipedia a ONU (Organização das Nações Unidas) criou o Dia Universal das Crianças como comemoração a aprovação da Declaração dos Direitos das Crianças. A data estipulada é dia 20 de novembro, mas cada país comemora numa data diferente (uma pergunta que não me sai da cabeça é o por que disto e o quanto, com isto, o fato histórico e merecido de comemoração se perde ainda mais!!!)

No Brasil o dia das crianças foi criado na década de 1920 pelo deputado federal Galdino do Valle Filho. Os deputados aprovaram e o dia 12 de outubro foi oficializado como Dia da Criança pelo presidente Arthur Bernardes, por meio do decreto nº 4867, de 5 de novembro de 1924.

Mas somente em 1960, quando a Fábrica de Brinquedos Estrela fez uma promoção conjunta com a Johnson & Johnson para lançar a “Semana do Bebê Robusto” e aumentar suas vendas, é que a data passou a ser comemorada. A estratégia deu certo, pois desde então o dia das Crianças é comemorado com muitos presentes.

Logo depois, outras empresas decidiram criar a Semana da Criança, para aumentar as vendas. No ano seguinte, os fabricantes de brinquedos decidiram escolher um único dia para a promoção e fizeram ressurgir o antigo decreto. A partir daí, o dia 12 de outubro se tornou uma data importante para o setor de brinquedos no Brasil.

3 Comentários


O que vai e o que fica

Todos os dias vivemos alegrias e tristezas, há dias com mais de um lado do que de outro, alias há temporadas que parecem repletas de uma coisa só seja ela desgraça ou felicidade. Quando estamos na vivência parece não haver espaço para nada alem daquilo. Se o momento é bom fica fácil, temos coisas boas para contar, fazemos com facilidade vistas grossas para o que não gostamos, toleramos mais, somos mais generosos. Afinal, a máxima de que o momento esta propício e se aborrecer por pouco não vale a pena, fica possível.  Na mesma intensidade ocorre o contrário. Em momentos de dificuldades pequenas coisas são intoleráveis, a irritação fica no auge, só enxergamos as coisas de forma negra e temos a sensação de que nada vai melhorar.

Seja em um momento ou em outro tudo fica crescente: como estamos bem –> temos coisas boas a contar –> ficamos mais agradáveis –> somos mais queridos pelos que estão a volta –> recebemos mais carinhos –> nos sentimos ainda melhor. Bom não é?!

No momento ruim: como estamos péssimos temos só reclamações e lamentações a fazer –> nos tornamos desagradáveis para os que estão a volta –> ficamos mais sozinhos –> nos sentimos ainda pior –> as reclamações aumentam e por ai vai….

Viver momentos ruins desperta nossos sentimentos mais secretos, as angústias mais mal elaboradas e uma visão de mundo e das pessoas em volta em geral negativa. E quanto mais negativo ficamos pior as coisas ficam. Dizem que gentileza gera gentileza, penso que em tudo é assim: grito gera briga, grosseria respostas enviesadas, mágoa gera afastamento, julgamentos geram problemas, inveja gera paralisação, e o mesmo ocorre com o bom.

Sempre que lemos no jornal sobre as guerras dos grupos religiosos contrários podemos ver este fato: um faz um atentado e o grupo contra responde com outro atentado ao qual segue um novo atentado e por ai muitos inocentes são mortos e um ódio cada vez maior é alcançado.

Talvez no nosso dia a dia não vivamos guerras tão profundas, contudo a cada vez que repetimos um fato, que passamos pra frente fofocas, notícias ruins, que nos focamos apenas no que dá errado, entramos na roda viva mas não da vida e sim naquela que montamos para nós mesmos. Nem sempre nos damos conta disto, mas como é bom quando esta percepção é alcançada. Enquanto permanecemos ali nos impedimos de mudar nossa história, de alcançar coisas novas e ai sim reverter a dor.

Assim, analise o que tem ficado em você e o que você tem deixado ir. Não temos controle sobre muitas coisas que nos acontecem, mas temos como controlar o que faremos com aquilo. Perceber qual o é o nosso papel na manutenção do bom e do ruim que vivemos é um caminho necessário para quem deseja novidades de vida. Qual você tem escolhido?

Comente aqui