Mês: janeiro 2013



Angustiado sim, perdido não.

Tem dias que nos sentimos angustiados mesmo sem uma razão clara para tal, somos invadidos por um desânimo, as coisas parecem perder o sentido, isto leva a uma irritabilidade e tensão. Sentir-se assim é muito desconfortável. Penso que sempre há um motivo para isto, mas na maior parte das vezes é inconsciente.

Pensar sobre o que levou a esta emoção, buscar entender em que momento isto iniciou, que lembranças e sentimentos estão presentes no corações neste momento podem ajudar a fazer a ligação entre a emoção e seu desencadeante. E a partir disto procurar ajuda seja em si mesmo ou em outro.

Quando Renato Russo compôs a música Quase sem querer penso que ele estava exatamente assim. Porem, ele deixa claro o quanto isto não o fez ficar mal, no sentido de deprimido, ao contrário. Neste momento ele pode refletir sobre os seus atos, repensá-los e perceber como é bom se valorizar, priorizar e ser honesto consigo mesmo.

Que possamos de tempos em tempos nos sentir distraídos e angustiados sem com isto nos sentir perdidos. São emoções facilmente confundidas mas com efeitos completamente diferentes. A primeira leva a reflexão e a última a depressão.

Quase sem querer

Renato Russo

Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Sou tão tranquilo e tão contente.

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.

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A linha do tempo parou

Hoje gostaria de escrever sobre a tragedia que ocorreu em Santa Maria. Vi no Facebook um texto fantástico sobre o assunto. Deixo-o para vocês.

—-

A LINHA DO TEMPO PAROU [por Eduardo Schroeder]

Foi o “Face” que me avisou que alguma coisa de muito ruim havia acontecido nesta madrugada. Havia uma festa, não longe daqui, com pessoas, não diferentes de mim, com projetos acadêmicos, profissionais e de vida, parecidos com os meus.

A primeira coisa que fazemos, numa hora dessas, é procurar saber se há algum conhecido entre as vítimas. Minha mãe, lá do Paraná, deu uma ligadinha, como quem não quer nada, e no final da ligação disse aquele aliviado: “Eu te amo, filho!”. Fico pensando nos telefones tocando sem poder ser atendidos e os centenas de “eu-te-amo-filho’s” reprimidos.

Enquanto navegava pela primeira lista parcial de vítimas, respirei aliviado por não reconhecer nenhum dos nomes e, então, me senti um egoísta. “Aliviado!?” O fato de não ter alguém conhecido não mudava em nada o tamanho da perda e da tragédia.

Este é o problema das listas. Elas costumam ser impessoais, apesar de muitas vezes listar pessoas. Listas são fatalistas: Sim ou não (mesmo quando trazem boas notícias). Quando foram pregadas nas paredes da UFSM, identificando os aprovados nos vestibulares dos cursos de Tec. Em Alimentos, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Tec. Em Agronegócio e Pedagogia, as listas (com muitos nomes em comum com a lista das vítimas que eu estava lendo) não traduziram o drama pessoal de cada um deles, a história, as madrugadas de estudo, as dificuldades financeiras para comprar aquele livro, o orgulho dos pais por mais aquela etapa vencida.

Então tive vontade conhecer um pouco mais daquelas pessoas.

Ao navegar pelas páginas pessoais de alguns deles, meu alívio inicial se dissipou. Eles deixaram de ser nomes em uma lista. Descobri que eles tinham rostos. Eram mais do que números em um levantamento.

Suas linhas do tempo estavam congeladas exatamente onde suas vidas pararam.

Descobri que o Emílio, gostava de jogar futebol. Tentei imaginar qual era a sua posição em campo e, quando me dei conta, estava triste porque ele iria desfalcar seu time no próximo jogo. Sua última postagem trazia o cartaz da festa e a entusiasmada mensagem:

|Emilio compartilhou a foto de Daniele.
|Ontem
|É HOJE GALERA !!!
|CCR em peso.. Será que vai tá bom? haha

Através de sua página pessoal, conheci o Leonardo e, depois de ler algumas mensagens preocupadas de amigos próximos, fiquei feliz ao saber que seu nome estava na lista por engano:

|Thais publicou em Leonardo
|há 4 horas próximo a Santa Maria, Rio Grande do Sul via celular
|Gente dê noticias por favor Leo vc está bem???!
|To ligando pra Dessa e n consigo bjs
||Thais Veiga Consegui falar com a Dessa o Leonardo está bem
|| a lista publicada está equivocada, leo tá em casa já ainda bem
||bjus

|Gabriel publicou em Leonardo
|há 6 horas
|Bah fio que susto!!!!!!! Ainda bem que tu tá bem irmão!!

Ufa! Dessa vez não senti culpa pelo sentimento de alívio. É bom pensar que o Leo vai poder receber o “Eu te amo, filho” [certamente já o recebeu]. Aquilo foi como uma gota de alegria em meio a um oceano de tristeza.

E finalmente conheci a Caprice que, horas antes da fatídica madrugada, estava pintando o quarto com uma amiga.

Confesso que me emocionei, quando li sua postagem da véspera:
“Dizem que antes de morrer sua vida inteira passa diante de seus olhos. Faça com que valha a pena assistir.” [Jô Soares]

Limpando uma lágrima desautorizada, torci de verdade por aquilo.

Notei em seu perfil, que ela não escondia de ninguém que seu pai era o seu herói. E, como também sou pai, fiquei pensando no “eu-te-amo-filha” reprimido naquela madrugada. Consegui me sentir verdadeiramente triste. Não aquela tristeza “institucional”. Não aquele “lamento o fato”. Me senti triste de verdade. Ela havia deixado de ser um número oficial do IML. Havia se transformado para mim em alguém com uma história, com um passado e, infelizmente, com o futuro interrompido.

Até o momento que escrevo esta mensagem, já são 233 vítimas, 233 rostos, 233 histórias, 233 dramas pessoais, 233…

Muitas linhas do tempo paradas para sempre!

Muita gente que deixará saudade, como a própria Caprice já sentiu um dia:

|Capricie compartilhou a foto de Desabafos Deprimidos ஐ.
|20 de janeiro
|Minha Vózinha que amo MUITOOO….sinto muito sua falta!!!
“EU QUERIA… Trazer de volta alguém do céu… e passar um dia com essa pessoa, só mais uma vez, uma última vez, dar um último abraço, um último beijo e dizer adeus ou ouvir a sua voz novamente. Ter outra chance de dizer eu te amo, copia e cola no teu mural, em memória de alguém que você ama e partiu…”

Torço para que, de alguma maneira, este abraço aconteça.

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O poder e a corrupção

É muito conhecida a máxima “Se quer conhecer uma pessoa dê poder a ela”.

Mas por que será assim? O que há no poder que é tão corruptor? Que tira uma pessoa de seu centro, que a coloca em condições e ações antes contrárias a sua ética? E o pior é que leva a pessoa a isto sem ela nem mesmo se dar conta, como se estivesse cega.

Um bom exemplo disto é o nosso ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um homem que no inicio da carreira politica defendia de forma brutal a corrupção, o desvio de dinheiro publico, a compra de votos e tudo o mais que por fim comprovou-se ter ocorrido durante seu mandato. Um homem que tinha intentos éticos. Que mesmo quem não era petista podia perceber nele alguém que lutava por um Brasil diferente – no melhor aspecto que esta ideia engloba. E por fim quando no poder agiu de maneira igual ou pior que seus antecessores, os quais tanto criticou!

Em nome de um fim “justo” (segundo palavras do partido) andou por caminhos tortos. E ainda hoje, mesmo depois de toda comprovação Lula mantem que não soube de nada e até afirma que o mensalão não ocorreu.

É aqui que penso no não se dar conta. Será que ele mente ou realmente acredita que não fez nada errado?

Nunca saberemos. O que vai no coração de um homem, só ele sabe. Porem, esta é uma historia que se repete no dia a dia: pais que agridem (física ou psicologicamente) um filho na intenção de educar, e o que começou como educar se transforma em bater / gritar por qualquer motivo. O uso de drogas – licitas ou ilícitas – que se iniciam com o usar para “relaxar” e terminam no vicio. O flertar com a vizinha que progride para o adultério. A pequena mentira que se embola e transforma em uma rede de inverdades.

Os exemplos são inúmeros e todos se iniciam com pequenas corrupções. Enganamo-nos ao pensar que os poderosos são quem detêm um grande cargo. Todos têm algum tipo de poder, em cada função que temos na vida (pais, irmãos, amigos, trabalho e etc) sempre há um poder embutido. E é muito fácil nos corrompermos diante dele. Abusar deste poder, ir além do que se devia, afinal de contas “eu posso” ou, o mais comum, “eu preciso”.

A corrupção se inicia com o afrouxar de um valor. E como uma coisa leva outra quando se vê já é tarde demais.

Quando eu era adolescente meu pai me disse numa reflexão sobre Deus, que Ele coloca em nossa mente um triangulo chamado pensamento cristão. E que a cada ato contrário a este pensamento o triangulo bate na mente que é redonda. Isto faz doer e ai vem a culpa e dela o arrependimento. Porem, se o ato permanece continuamente a ponta do triangulo vai perdendo sua força, ficando aos poucos mais e mais arredondada até ter se transformado em um circulo. E ai a dor acaba, o ato se acomoda e que antes era considerado errado se torna aceitável e ate agradável.

Mesmo que você não seja cristão pode aplicar esta ideia em sua vida.

De que valores você se afastou?

O que antes fazia sentido ainda faz? Se não, é bom que não faça mais?

Uma grande verdade da vida é que não estamos no controle dela, somos movidos por impulsos e desejos. E é a capacidade de pensar que nos protege da corrupção. A sedução do poder é grande, muito grande. Flertar – seja com o que for – é abrir espaço para perigos.

O que é muito diferente de rigidez. Pensar antes de flertar, ter sempre num bom foco nossos princípios e valores é se cuidar. E isto sempre é válido.

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Desconectar-se

Eu sou louca por tecnologia! Adoro novidades, me divirto com facebook (hoje em dia menos) e estou amando o Instagran. Através destes converso com amigos que vejo pouco ou até há muitos anos, coloco o papo em dia, dou risada, choro junto, coisas que talvez não faria se dependesse de um encontro, algo que nem sempre é possível. Bem como, foi também através dessas redes sociais que tive a possibilidade de marcar encontro com amigos antigos e reviver tais amizades. Por tudo isto, acho a tecnologia fantástica.

E ainda tem a maravilha dos aplicativos, um mais bacana que o outro. Meu livro caixa faço não mais pelo computador e sim pelo celular. Todos os livros de ficção que li no ano passado todo (e olha que sou uma devoradora de livros! rsss) os li através do tablet. Musicas? celular. Revista veja? tablet. Agenda? do Google. E assim vai. Ou seja, uma boa parte das coisas que faço são usando estes seres pequeninos e super gostosos de usar – celular, tablet e computador.

E já me peguei em muitos momentos dando mais atenção a eles do que a quem estava a minha frente. Isto é conhecido por todos nós, desde que as televisões chegaram aos lares. De lá para cá a cultura do conversar para relaxar, da família em volta da mesa batendo papo, de sentar na calçada para se reunir com vizinhos foi sendo substituída pela diversão proporcionada pela tecnologia. Programas de auditório, novelas, seriados, filmes. Depois vieram os videogames, computadores e por ultimo celular e tablets cada vez com programas mais atrativos e divertidos.

Coisas que são muito agradáveis! Muito mesmo!!!

E como já dizia minha avó “tudo pode ser bom desde que bem dosado”. O erro não esta nos aparelhos, nem na tecnologia ou nas redes sociais e sim do uso que fazemos deles. Em que quantidade? Com que qualidade? Que função tem tido isto em minha vida? Tal avaliação é cabível de tempos em tempos, pois é muito fácil se perder e estar mais tempo com estas coisas do que com as pessoas.

Talvez porque estar com o outro signifique se conectar com as diferenças, com atos e palavras que vão contra nossos desejos, necessidades e formas de pensar. Aprender a conviver com isto não é fácil e através de um aparelho tecnológico as diferenças ficam abafadas, aparecem menos. No têtê-à-têtê emoções antigas são deflagradas através do toque, do olhar, de um suspiro mais profundo, rusgas aparecem mais rapidamente e saber conviver, tolerar e amar apesar delas exige um grande desenvolvimento emocional. É mais fácil finalizar uma conversa olhando para o celular e nele se aproveitar das redes sociais.

Mais fácil é, mas mais saudável não. Afinal de contas estar rodeado de amigos virtuais,  cheio de informações sobre a vida dos outros e com poucas vivencias reais gera depressão. Vários estudos comprovam isto. Observe como você se sente após algumas horas em frente a uma rede social, no fim a sensação de tristeza e vazio são intensas. Por que? Porque somos seres que precisam de contato real: tocar, abraçar, ouvir a voz, olhar nos olhos nos mostra que fazemos parte da vida do outro e que verdadeiramente não estamos sozinhos no mundo. Algo muito necessário para não se enlouquecer no meio de um mundo em completa transformação.

Deixo o vídeo abaixo como reflexão final…

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Entre o ser e o estar

 

“É de estarrecer

Estar e ser em inglês

É a mesma coisa

Assim como você

Pode ser e não estar

Você pode estar e não ser

Estar e ser

Parece a mesma coisa

Mas não é”

(Itamar Assunção – música É de estarrecer – Zelia Duncan)

É muito fácil nos confundirmos com o que estamos fazendo, confundir atos com caráter, ações com personalidade.

Posso estar triste e não ser triste, ou o contrario posso estar feliz e ser triste. Posso estar trabalhando e detestar trabalhar. Posso estar desempregada e desejosa por um emprego. A ideia se repete em milhões de situações, e ai vale pensar: o que estou fazendo é o que sou?

Há também que se pensar em quantas vezes fazemos coisas não por um querer e sim por impulso, necessidade ou sensação de aquela é a única opção. Depois nos arrependemos, nos julgamos (e somos julgados).

Que jogue a primeira pedra quem nunca ficou numa relação, num emprego, numa amizade, num lugar, numa vivencia não por amor, prazer ou desejo e sim por medos. São mas não estão.

Entre o ser e o estar pode haver um abismo, do mesmo modo entre o estar e o ser.

Onde você esta condiz com quem você é?

Quem você é condiz com o que tem vivido?

Tal avaliação pode ser muito útil na busca pelo encontro entre esses dois estados. Até mesmo para se dar conta de que talvez nesta distancia é que esteja tamanha tristeza.

Deixo abaixo a musica completa cantada por Zélia Duncan.

http://www.youtube.com/watch?v=7Q18oc2KPDA

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Filhos, melhor não tê-los

Enjoadinho

Viniscius de Moraes

Filhos…  Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete…
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos?  Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los…
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!


O texto acima foi extraído do livro “Antologia Poética”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1960, pág. 195.

Ter filhos é um desejo, uma ordem ou uma necessidade?

O Café filosófico é um  amplo programa cultural que promove reflexões sobre os desafios e oportunidades da contemporaneidade. Com convidados de diversas áreas divulga temas atuais e conflituosos. A psicanalista Rosely Sayão faz uma análise do papel de um filho na vida de uma pessoa, uma relfexão importante para quem tem e para os que desejam ter filhos.

São quatro blocos de vídeos de em média 10 minutos cada. Vale cada segundo. Segue abaixo:

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