Mês: março 2013



Felicidade é uma obrigação?

“A depressão e o fracasso fazem parte de qualquer vida, mesmo da mais feliz e bem sucedida. Diria até que especialmente da vida mais feliz e bem sucedida – é o preço que se paga pela alegria e sucesso que se interpõem em seu caminho. Mas o preço que se paga ao tentar espapar do fracasso e da depressão é dez vezes pior. Para começo de conversa a felicidade e o sucesso são coisas muito boas – às custas de si mesmas. Mas o assunto muda de figura se nos sentirmos obrigados a sermos “felizes” e “bem sucedidos” por temermos o fracasso e a depressão. Isto estraga o sucesso pois sentimos que ele está encobrindo alguma coisa e então o fracasso e a depressão se transformam em fantasmas de tal envergadura, que não mais acreditamos tratar-se de coisas que o homem comum consegue suplantar todos os dias.”

Trecho de uma carta de Wilfred Bion (psicanalista que revolucionou a teoria de Freud e Melanie Klein) para um de seus filhos.

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A arte de perder

Perder dói! E como dói!!! Perder um objeto, um emprego, um amigo, um familiar, um grande amor. A dor aumenta conforme a importância daquilo em nossa vida. Pode ser uma dor profunda ou amena, mas sempre há uma dor. Nunca estamos preparados para a perda. Temos uma crença infantil de que será eterno! Racionalmente sabemos que um dia vamos crescer e perder o status de ser criança, que um dia vamos casar e perder o papel de filhos, que nem todos os sonhos se realizarão e com suas faltas teremos que lidar com a perda do desejado, assim como sabemos que certas relações acabam (por não serem fortes o suficiente ou por causa da morte) mas quando ocorre dói imensamente!

Precisamos aprender a perder, a entender no coração e não na mente que isto vai acontecer, mais dia menos dia. O que não significa se apegar menos, ao contrário, ame muito, se envolva muito, só não transforme sua vida naquilo. Pais que se dedicam aos filhos como se fossem as únicas coisas que existissem, se expõem a um sofrimento desnecessário, pois um dia estes filhos crescerão e como será doido aos pais vê-los partir. O mesmo serve para relacionamentos amorosos, coisas materias e por ai a fora.

A vida muda, as coisas mudam e com elas surgem possibilidades de perder coisas e pessoas que amamos. Tudo que temos é uma parte de nossa vida, não a nossa vida em si, porem facilmente confundimos as duas ideias e passamos a girar em volta deste sol chamado alguem ou algo. O risco de que quando aquilo se for o sofrimento ser maior que o necessário é imenso. Afinal de contas, ainda que o outro não seja o centro do meu universo perder já doi, quanto mais se eu o colocar como base da minha vida?!

Elizabeth Bishop no lindo poema A arte de perder faz uma bela reflexão sobre isto:

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Prca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério

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Paradigmas

Entender o que são paradgmas e como eles influenciam nossas vidas pode ser muto útil na busca de uma vida mais satisfatória. O material de Joel Barker é fantástico, de maneira didática e divertida ele explica o conceito e o exemplifica. Infelizmente não o achei em portugues, só em espanhol. O video no total dura uma hora, mas esta em blocos de 10 minutos cada um.

Hoje o apresento a vocês e amanha farei uma reflexão em cima dele…

http://www.youtube.com/watch?v=h7EVNTcqmk8&list=PL48B0A08AC6E3F457

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O mito da perfeição

Vivemos em uma sociedade que impoem que para algo dar certo tem que ser perfeito. Tanto que sempre premia os melhores e critica os mesmos ao primeiro erro cometido. É assim com atletas, musicos, artistas e profissionais de qualquer área.

Este conceito de perfeição leva a um grande sofrimento, visto que ninguem consegue mantê-lo por muito tempo. Podemos ate acertar algumas vezes, nos sairmos muito bem em outras, mas esta não é a regra da vida. Por vezes falhamos, por vezes mesmo sendo bons profissionais as coisas não saem conforme o esperado e em outras tantas circunstâncias nos sentimos perdidos.

Será tais coisas sinais de que somos ruins? De que perdemos a mão? De que tudo a partir de então dará errado?

Claro que não, dirão muitos. Mas o sentimento normalmente é este. Diante das nossas falhas nos sentimos fracassados, inadequados e desmotivados.

Aprender a superar, a dar o devido lugar tanto ao acerto quanto ao erro: não supervalizar nem um nem outro. Se alegrar com o acerto e se entristecer com o erro, mas não enxergar nenhum deles como regra de vida.

Este mito de perfeição faz eco dentro de nós porque vem de encontro com nosso narcisismo. Errar é ralar o narcisismo e isso dói, dói muito! Perceber que não estamos no controle, que as coisas não saem como o planejado, que nem sempre teremos respostas, que somos reativos e cheios de defeitos. Racionalmente sabemos de tudo isto e até acreditamos que isto faz parte da vida. Porem somente ao se deparar com tais situações é que podemos ter noção do quanto isto mexe conosco.

Quanto mais no incomodamos, maior o indício de que precisamos cuidar do nosso ego. Que a visão que temos de nós está irreal e deturpada.

Aceitar que falhamos não é se conformar com pouco, mas entender que não são as falhas que determinam que somos ou deixamos de ser, tal como os acertos elas vem e vão. O máximo que podemos cuidar é de como fazemos, do quanto nos dedicamos, mas do que virá a partir daí não dá para controlar.

Poder focar no caminho e não no resultado. A natureza não é perfeita e nem por isto é menos bela.

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