Mês: agosto 2013



Benditas

Um musica para alegar o dia:

Benditas – Zélia Duncan

Benditas coisas que eu não sei
Os lugares onde não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Os amores que eu nunca encontrei
Benditas coisas que não sejam benditas

A vida é curta
Mas enquanto dura
Posso durante um minuto ou mais
Te beijar pra sempre o amor não mente, não
mente jamais
E desconhece do relógio o velho futuro
O tempo escorre num piscar de olhos
E dura muito além dos nossos sonhos mais puros
Bom é não saber o quanto a vida dura
Ou se estarei aqui na primavera futura
Posso brincar de eternidade agora
Sem culpa nenhuma

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A fonte de todas as coisas

Dia agitado com atividades cansativas, cheio de exigências, com necessidades e problemas a serem resolvidos. Parece faltar horas no relógio para dar conta de tudo isto. A sensação comum ao deitar é de que algo ficou para traz. E, infelizmente, fica mesmo. Diante de tantas pressões é fácil se perder, troca-se sem se dar conta o importante pelo urgente.

Naturalmente, com o passar dos anos, as prioridades vão mudando, o que era importante numa fase da vida se torna irrelevante em outra, o que doía em uma época passa a ser tolerado de maneira melhor em outra. E o que não era importante vem para um primeiro plano. Este é o caminho natural da vida.

Porem, no meio destas mudanças muitas vezes os valores também são trocados. Claro, que alguns precisam ser revistos de tempos em tempos. Uma avaliação necessária para se conquistar uma vida mais saudável. Entretanto, há os valores que eram bons e foram esquecidos no meio do caminho, levados pelo vento, pelas experiencias dolorosas ou substituídos pelo que é mais fácil, pelo que está mais a mão.

Aqui as coisas podem se complicar e um dia a pessoa se olhar no “espelho” e não mais se reconhecer. O corpo é dela, a face também, mas não se enxerga mais, e o pior é não ter se dado conta de onde as coisas mudaram e como chegaram ao ponto que estão.

Por tal razão a Bíblia nos alerta: “Sobre tudo que se deve guardar, guarda o teu coração. Pois dele é que precedem as veredas da vida.” (Pv. 4:23)

Se sentir sem valor, perdido, sem rumo, angustiado e triste são algumas emoções provenientes de tal comportamento. Por isto a importância de se avaliar, questionar-se no que mudou, o que foi deixado para traz ao longo dos anos, foi bom ou apenas necessário? Somos seres falíveis e por isto capazes de em momentos de grande pressão agir de formas que vão completamente contra tudo o que cremos, e mesmo depois que a pressão acaba podemos permanecer no mesmo movimento, seja por culpa, falta de percepção ou comodismo.

Não é fácil, mas não há valores que não possam ser resgatados e até construídos.

Quais são os seus?

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Ponte entre pais e filhos

O nascimento de um filho é um grande marco na vida de todo ser humano, seja para despertá-lo para uma nova conexão ou para o surgimento de um desconforto, mas ninguém passa incólume por tal experiência. Contudo, infelizmente e contrariando o desejo social, um filho nem sempre desperta automaticamente paixão e apego. Porque isto é dependente de questões intrínsecas a cada ser. Se tornar mãe, se tornar pai é algo a ser construído aos poucos, onde cada genitor aprenderá a entender a linguagem de cada filho, suas necessidades, desejos e como se comportar diante delas. E cada filho despertará emoções diferentes nos pais. As quais são também dependentes de como se estabeleceu a relação com seus próprios pais, os acontecimentos que marcaram estas relações e como elas foram cuidadas ao longo da vida.

Ou seja, ninguém nasce com capacidade para ser pai e mãe, isto é algo que se desenvolve. Ou não. Tanto que hoje em dia há a liberdade para assumir se se quer ou não ter filhos, houve um tempo em que isto era uma afronta. Hoje não. Isto é aceitável.

O que é bom. Pois ter um filho é uma grande responsabilidade, é para a vida toda ter alguém que te terá como modelo, que durante um bom tempo dependerá excessivamente de você, que exigirá seu olhar, tolerância, desejo e negação de outras coisas para estar com ele. E nem todas as pessoas tem tal habilidade, por isso ha mães que conseguem deixar uma criança na lata do lixo e pais que ao saberem da gravidez desaparecem.

Além disto, ter um filho é ter alguém que desperta emoções que nem sabíamos que existia, que nos faz entrar em contato com lembranças que nem sabíamos mais ter ou que por muito tentamos esquecer. Porque ter um filho é voltar a se ver como um e nem sempre isto é saboroso.

Enquanto eles são bebes talvez a coisa seja um pouco mais fácil, já que é difícil resistir ao cheiro do bebe – na mesma proporção que é angustiante o seu choro. Porem, conforme eles crescem começam a enfrentar os pais, vem a fase em que os pais cansam de tanto falar não e mesmo assim a criança vai e faz o que não deve. Depois vem a fase das respostas, do enfrentamento verbal e aqui a relação pode começar a se complicar. Ate os 9 anos, mais ou menos, a criança tende a ser mais cordial, a entender que a voz dos pais é lei e tê-los como um grande modelo. Claro que não é assim em todas as casas, mas guia-se o filho com mais facilidade até esta idade.

Mas quando eles entram na puberdade, algo que tem acontecido cada vez mais cedo (na minha época isto começava aos 12 hoje é aos 9!) sua capacidade de raciocínio, seus argumentos e percepção de que os pais são falíveis e não sabem tudo fica a cada dia mais clara e isto os leva a bater de frente.  Se o que se construiu até ali foi uma relação sólida, de respeito, tolerância, carinho e amizade a dupla enfrentará tal fase com menos destemperos, com mais força e capacidade de sobreviver a ela. Se não foi o caso o que virá pode ser muito desagradável para todas as partes.

Responder e contrariar são os pilares do ser adolescente, eles necessitam disto para construir a própria mente, para desenvolver sua personalidade. Cabe aos pais por os limites que entendem como importantes, e suportar a braveza que virá sem se perder pois é certo que ela acontecerá.

É aqui que a ponte que havia com os filhos pode começa a rachar. Quando eles são crianças querem brincar, sentar no colo, ficar junto, então facilita o relacionamento. Na adolescência eles se calam, ficam reservados, acham tudo chato, não há mais brincadeiras que os agradam, ficam muito críticos, enfim, fica tudo muito complicado. E os pais se ressentem e também afastam.

Mas pais entendam que depende de vocês construírem esta ponte, não é o filho quem tem que buscar e tentar se aproximar, são os pais. Eles não têm capacidades emocionais ainda para isto, supõe-se que o adulto tenha. Claro que muitos adultos também não desenvolveram tais habilidades, o que complica bem esta história. Contudo, se o adulto não o fizer, o filho muito menos o fará.

E ai os pais me perguntam: como se aproximar?

Claro que não existe uma única resposta para isto, há varias maneiras. Uma delas é contas historias.

Lembra quando eles eram crianças o tanto que gostavam de ouvir estórias como Pinóquio, Cinderela e etc? Escutam a mesma zilhões de vezes, até saber de cor e salteado as falas e ainda querem mais. Eles gostam tanto porque estas estórias lhes ajudam a acalmar os medos e desejos que os assombram naquela fase. Da mesma maneira, quando os filhos crescem precisam ouvir histórias, mas agora é a história dos pais que precisam conhecer. É contar sobre você, sobre sua vida, suas experiências, sabores e dissabores que já passou. Quanto mais os filhos sabem sobre os pais, maior e mais forte fica a ligação. Porem, isto precisa ocorrer sem o intuito de ser lição de moral, é contar para que ele saiba sobre você, para que te conheça. Quais foram seus sonhos, o que deu certo, o que deu errado, situações engraçadas que viveu, situações difíceis que teve que superar, como era sua relação com seus pais, como conheceu sua esposa… enfim, quem é você.

Pois é conforme o filho souber que se sentirá com liberdade para contar dele mesmo. Nos contos infantis a mensagem é subliminar, mas ali se mostra o erro, a dor, a consequência e a superação – a maldade de um, a mentira do outro, a inveja de um terceiro, a desobediência e assim por diante. Assim também são as historias do adulto: acertos e erros, coisas divertidas e outras dolorosas, mas que mostram que você viveu e é tão humano, falível e esperançoso quanto ele. Isso proporciona identificação e aos poucos intimidade e amizade. De inicio eles podem resistir e ate parecer não dar ouvidos, mas não desista. No fundo os filhos tem sede dos pais, apesar de demonstrarem exatamente o contrario. Não cair nesta armadilha talvez seja o maior desafio que os pais têm que enfrentar.

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Sentimento mal resolvido

Hoje vou lançar um texto que uma grande e amada amiga escreveu:

Sentimento mal resolvido

Por Rejane Dias

Por vezes nos envolvemos em relacionamentos que terminam antes do prazo de validade, antes de encerrar o ciclo de começo, meio e fim.

Os motivos dos rompimentos são inúmeros… medo, insegurança, rejeição do outro, etc.

Acontece que as coisas nem sempre saem como desejamos, e nem sempre dependem de nós, e sim do outro. E o outro tem todo o direito de encerar a relação, independente de estarmos prontos para isso ou não. Talvez o outro não esteja pronto também, para a relação que desejamos.

Sinceramente, acho que as pessoas deveriam vir com botão de fábrica, de liga e desliga. Quando o sentimento de um acabasse, o botão do sentimento do outro deveria se desligar automaticamente, em perfeita sincronia.

Mas enquanto os cientistas não desenvolvem esse projeto… Como lidar com a rejeição e o sentimento que ainda existe em nós?

O que fazer com a frustração dos sonhos não realizados, dos planos não concretizados, do sentimento não findado?

Na teoria, virar a página e seguir em frente. Na prática o buraco é mais embaixo.

O fato é que nos apegamos demasiadamente a isso, e daí surge um novo relacionamento amoroso.

Um relacionamento entre nós e o sentimento mal resolvido.

Passamos tempo demais namorando esse sentimento unilateral. Ruminando situações do passado que não temos alcance para resolver.

Nos auto flagelamos… revivendo tudo mentalmente, inúmeras vezes.

Questionamentos infindáveis nos tiram a paz: Porque…? O que…? Por quem…? E se…?

Nessa ânsia de tentar descobrir motivos, e remoer o que já foi, o tempo vai passando…

O coração se enche de poluição sentimental. O que era um arranhão se transforma em uma ferida, as vezes profunda.

E enquanto o ex parceiro segue a vida, a nossa entra em inércia.

Já que não temos domínio sobre o que o outro sente por nós, precisamos lidar com o que nós sentimos por nós mesmos.

Se o outro tomou a decisão de romper conosco, precisamos tomar a decisão de romper com o sentimento mal resolvido.

Claro que essa decisão depende de um grande esforço e inúmeras atitudes, mas se a ação for de findar o boicote a nós mesmos, a reação certamente será de crescimento.

O coração precisa estar livre dos entulhos, para ficar espaçoso de novo. Pronto para uma nova história.

Essa nova história de amor pode ser de nós conosco mesmo. Ponderando os erros e acertos, mas em uma análise sem culpa, que resulte em evolução e amadurecimento.

E apaixonados por nós mesmos poderemos ser surpreendidos com um final feliz!

 

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O saber de cada um

Certa vez estudando filosofia me deparei com uma pergunta que nunca mais esqueci: “Se uma arvore cair no meio da floresta e ninguém ver ou ouvir seu tombo, ela não caiu?”

Isto me tocou porque a pergunta do filosofo levava a pensar no quanto precisamos de fatos concretos para crer em algo. Sabe o tal São Tomé – precisa ver pra crer?! Pois então, é este ai. Quando o que esta em discussão envolve uma opinião tal concretude passa, talvez leve a uma ou outra discussão, mas as coisas em geral terminam bem.

Porem, quando falamos de emoções a coisa se complica. Pois uma mesma vivência é única para cada indivíduo. E nem sempre respeitada e valorizada desta maneira. Nenhuma criação de filhos é igual, nenhum irmão é como o outro, nenhum assalto é vivido igual por todos, nem uma perda. Porque não há como definir padrão de sentimentos. A sociedade tende a definir padrões de comportamentos entre aceitáveis ou não, mas não há como colocar num mesmo bloco reações emocionais. Estas são dependentes de circunstâncias tão amplas e únicas para cada ser que não há como indivíduos diferentes vivenciarem uma mesma situação de forma igual.

Assim sendo, o fato de um indivíduo ter entendido uma resposta como fria enquanto a mesma resposta para outro é ouvida como um alerta, não é de admirar. Outro exemplo: uma pessoa entender apos a perda de alguém próximo que deve aproveitar a vida de forma mais intensa, enquanto o irmão entende que o sentido da vida acabou. Percebe como não podemos julgar a reação das pessoas?

A árvore caiu. Um ouviu. Outro não. Mas ela deixou de ter caído pelo fato de você não ter escutado?

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O uso e os perigos da ritalina

A hiperatividade tem sido diagnosticada com muita facilidade nos últimos tempos e junto com o diagnóstico vem a indicação para o uso da medicação, sem que se pese as consequências desta utilização. Não sou contra medicação, ao contrário, há fases em que ela se faz necessária, porem quando administrada de forma cuidadosa, bem dosada e somente se estritamente necessária. Não é o que tem ocorrido com crianças e adolescentes “portadores” de TDAH.

Segue abaixo uma entrevista muito esclarecedora e alarmante sobre o uso de tal medicação e seus efeitos deletérios a longo prazo.

Fica o alerta.

http://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2013/08/05/ritalina-e-os-riscos-de-um-genocidio-do-futuro

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Dê!

Baixei várias musicas outro dia de novos nomes da MPB, não as escutei, só baixei para escutar depois. Adoro fazer isto, assim vou aos poucos ouvindo e descobrindo se gosto ou não daquele cantor (a). E que surpresa agradável descobrir entre elas uma música excelente sobre os relacionamentos atuais. Os cantores são Miranda Kassin e André Frateschi. Já de inicio o cantor faz a abertura com uma pequena reflexão que me fez pensar sobre a reclamação maior que se tem hoje: ninguém quer se relacionar de verdade!

E não mesmo! Relacionamentos duradouros estão tão incomuns quanto elefante branco, ficamos surpresos e admirados ao ver um casal juntos há muitos anos. Nas prateleiras das livrarias há montes de livros de auto-ajuda “ensinando” como fazer um relacionamento dar certo. Só que o pior de tudo é que não existe fórmula mágica, quem dera fosse! Coloque um pouquinho disto, outro daquilo e ráráráaaa: felizes para sempre! Quem já passou dos lindos 15 anos sabe: isto não é verdade!!!

Relacionamento depende de duas pessoas que queiram, se disponham, desejem fazer dar certo. Caso contrário, vai naufragar. E hoje temos medo de nos envolver. Ficar é fácil, transar virou obrigação, pulsão não contida, desejo que precisa ser satisfeito sem que se pese consequências. Mas se envolver, se entregar, se abrir e demonstrar que esta interessado virou tabu. As relações se tornaram tão fugazes que um telefonema no dia seguinte já dá medo. Medo pra quem liga e pra quem atende (quando atende!)

Há o desejo de namorar, mas há uma certeza maior de que aquilo não vai durar (esperar e ver no que vai dar?! E a ansiedade deixa?). É a geração do controle: as coisas tem que ser pra ontem, pra já, no minimo. E esta ai algo que um relacionamento não pode ofertar: garantias.

Garantias só se tem a longo prazo e algumas. Pois, por mais amor que se tenha e receba o objeto amado pode vir a faltar, afinal de contas não temos controle sobre quem vive e quem morre. E nem sobre as escolhas do outro. Garantias são construídas dia a dia, a cada escolha que um faz pelo outro, a cada gesto e tentativa de dar certo.

E com a tendência tão atual de evitar sofrimentos futuros, se tem parado de tentar, de se arriscar. Pode até não estar feliz com a vida que tem levado, mas ela é segura, conhecida. E assim, fica-se na reclamação, na vontade, mas não se dispõem a deixar acontecer.

Andre Frateschi diz que temos fugido da melhor luta. E é verdade. Acho que nosso grande problema é que temos nos nivelado por baixo, duvidamos de nossa capacidade de superar a dor. Pois, se posso sofrer posso também sobreviver. Claro que se acabar vai doer, vai chorar, vai deprimir. E dai? Só sente tudo isto quem amou e não é bom enquanto acontece? Pelo medo do que pode vir, então se deixa de viver? Parece loucura quando colocado nestes termos, mas infelizmente é isto que a maior parte das pessoas tem feito.

Continuo pensando que não há fórmula mágica, mas creio que existe um caminho possivel e ele se chama TENTAR. Ou seja, se dar.

Segue a música com letra e clipe:

Miranda Kassin e André Frateschi

Dê amor
Dê paixão
Dê espera
Dê esperma
Dê prazer
Dê fogo
Dê uma nela
De carinho
De sacanagem
De sarro
De fato

Dê amor
Dê segurança

De anca na anca dela
E amanheça de cabeça dentro dela

 

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