Mês: outubro 2013



As verdade sobre os traumas de infância

Todo texto bom que leio gosto de compartilhar e aqui esta uma excelente reflexão sobre os tão ditos traumas da infância, muito bem descrito por Flavio Gikovate.

A verdade sobre os “traumas” de infância

30 de julho de 2012 por Flávio Gikovate (fonte: http://flaviogikovate.com.br/a-verdade-sobre-os-traumas-de-infancia/)

– As carências da vida adulta se devem à razões bem mais complexas que a falta de amor dos pais.

Não é minha intenção subestimar a importância das vivências infantis dolorosas na formação de sintomas chamados de neuróticos na vida adulta. Não gostaria, porém, de continuar a superestimá-los, como têm feito algumas das mais importantes correntes da psicologia contemporânea. A importância da infância na formação de nossas estruturas psíquicas é óbvia. Além de ser dependente, de ter o cérebro pronto para operar e receber informações do meio que a cerca, a criança possui uma intuição sofisticada, fruto da evolução incompleta da sua razão lógica – a razão após estabelecer-se completamente, funciona como “camisa-de-força” para as operações psíquicas sensoriais.

O que me preocupa é a forma dedutiva como muitos raciocinam sobre o tema. Observam, por exemplo, um adulto incapaz de ficar só e que busca com urgência qualquer tipo de vínculo afetivo. Ficam sabendo que ele teve uma mãe que lhe deu pouco carinho, pois vinha de uma família em que não era usual a manifestação física do afeto. Correlacionam os dois fatos e deduzem que, “lógico”, esse adulto carente de afeto é produto de uma criança que teve menos amor que precisava.

Pode ser que seja “lógico”, mas nem tudo que é lógico é verdadeiro. O que define a veracidade de uma firmação é sua comprovação prática. Minha experiência clínica mostra que todos nós, adultos, somos carentes, inseguros e com grande dificuldade para estarmos só, mesmo quando tivemos uma mãe amorosa.

Alguns de nós crescemos carentes porque tivemos pouco amor na infância e ansiamos por preencher essa lacuna. Outros porque tivemos muito, acostumamo-nos a isso e não conseguimos viver com menos. As carências da vida adulta não dependem apenas de nossa mãe e das peculiaridades que marcaram a nossa infância. Atribuo essa sensação de incompletude a um acontecimento geral, próprio de toda a espécie humana: a dramática vivência do nascimento, quando nos desgrudamos da mãe e passamos a sentir toda a sorte de inseguranças, desconfortos e desamparo.

O nascer é um “trauma” infantil, que nos marca a todos. Com o passar dos anos, um outro ingrediente entra em cena: o modo como funciona nossa razão. Já pelos 2-3 anos de idade observamos grandes diferenças na reação de crianças expostas ao mesmo fato externo. Diante da morte de um animal de estimação, por exemplo, algumas sofrerão mais que outras. Algumas tolerarão melhor frustrações, contrariedades e dores de todo o tipo; outras reagirão com violência sempre que contrariadas. Algumas serão facilmente conduzidas pelos argumentos; outras serão guiadas mais pela vontade que pela razão. Não há como negar que algumas dessas diferenças dependem de variáveis inatas e não relacionadas com o ambiente ou às vivências que cada criatura tenha tido de enfrentar.

Não desprezo a possibilidade de certas experiências dolorosas terem forte influência sobre a formação da personalidade de algumas pessoas. Isso, em virtude de terem sido expostas a dores muito graves (estupro, pai que se matou, queimaduras sérias etc.) ou por terem um espírito muito delicado (filhos que se tornam tímidos ou gagos em razão da agressividade dos pais, rapazes que evoluem na direção homossexual por serem objeto de humilhação, pessoas que se tornam obsessivas porque não tiveram espaço para expressão de suas raivas).

O que não me parece correto é generalizarmos esse tipo de reflexão apenas porque nos parece “lógico”. E, o que é mais grave, para explicar condições gerais dos setores humanos: inseguranças, carências afetivas e tantos outros conflitos que todos temos. Esse raciocínio equivocado sobre os “traumas” de infância tem acovardado muitos pais, tornando-os incapazes de agir com rigor e determinação na educação dos filhos.

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Filhos e pipas

pipas

“Os filhos são como as pipas;

Você 

Ensinará a voar, mas não voarão o teu voo

Ensinará a sonhar, mas não sonharão teu sonho.

Ensinará a viver, mas não viverão a tua vida.

Porém em cada voo,

em cada sonho,

e em cada período de suas vidas,

permanecerá para sempre os rastros de teus ensinamentos.”

(Autor desconhecido)

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Qual vida você tem escolhido?

Assistir este vídeo me fez pensar em quantas vezes colocamos nossa felicidade no futuro, em coisas que ainda não conquistamos (e não estou falando de coisas materiais) ou em coisas que nos repreendemos e acreditamos precisar mudar ou melhorar. Como se dependêssemos destas coisas para ser feliz. Bem, após ver este pequeno filme pensei que na verdade precisamos aprender a ver o que já temos, o que já conquistamos(e novamente não estou me referindo a coisas materiais!). Saiu diferente do que sonhou? Bem, esta é uma máxima da vida: sempre sai! A Bíblia diz que “o coração do homem faz planos, mas a resposta certa vem do Senhor” (Provérbios 16:1), esta passagem é uma indicação de que raramente as coisas acontecem a nossa maneira. Há muitas variáveis que não dependem do nosso querer e nem da nossa força, estamos no mundo e nele há coisas que vão além do nosso controle.

Ao mesmo tempo precisamos entender que este negócio de ser completo (como se isso fosse condição para ser feliz) é um mito, uma mentira, somos falíveis, imperfeitos, impotentes diante de muitas coisas e defeituosos, ou seja, deficientes – cada um numa medida, mas todos somos!

E principalmente precisamos entender que felicidade não é uma constante, ser feliz não é uma meta a ser atingida é um sentimento que como alegria, tristeza, amor e raiva vem e vai. E que diferença de verdade isto faz? Nenhuma, afinal a vida, não é feita de perfeição nem de completude e sim de enfreamento, de não desistir diante dos obstáculos, mas ao contrário, se manter buscando seus sonhos apensar das dificuldades, são essas vitórias que quando alcançadas nos dão tanto prazer, não saberíamos como aproveita-los sem antes ter experimentado derrotas e medos.

A vida é feita de escolhas, a cada dia temos que escolher continuar (sair da cama e ir a luta) ou parar (ficar na inércia, desistir). Nossos sentimentos dependem destas escolhas. A maneira como encaramos a vida é que nos traz sentimentos de maior ou menor prazer. Então, o que você tem escolhido?

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Dia das crianças ou um dia para as crianças?

Então amanha é dia das crianças. É o único dia em que os adolescentes ainda querem ser chamados de crianças e que muitos adultos tem vontade de voltar a ser pequeno. Afinal, o que se tornou importante neste dia é o fator presente. E as propagandas não deixam barato exigem dos pais, avós e afins que se organizem para tal.

Historicamente, segundo o Wikipedia:

Dia Mundial da Criança é oficialmente o dia 20 de novembro, data reconhecida pela ONU, por ser a data em que foi aprovada a Declaração dos Direitos da Criança em 1959 e a Convenção dos Direitos da Criança em 1989. Porém, a data efetiva de comemoração varia de país para país. No Brasil em 1924, o deputado federal Galdino do Valle Filho teve a ideia de “criar” o dia das crianças. Os deputados aprovaram e o dia 12 de outubro foi oficializado como Dia da Criança pelo presidente Arthur Bernardes, por meio do decreto nº 4867, de 5 de novembro de 1924. Mas somente em 1960, quando a Fábrica de Brinquedos Estrela fez uma promoção conjunta com a Johnson & Johnson para lançar a “Semana do Bebê Robusto” e aumentar suas vendas, é que a data passou a ser comemorada. A estratégia deu certo, pois desde então o dia das Crianças é comemorado com muitos presentes. Logo depois, outras empresas decidiram criar a Semana da Criança, para aumentar as vendas. No ano seguinte, os fabricantes de brinquedos decidiram escolher um único dia para a promoção e fizeram ressurgir o antigo decreto. A partir daí, o dia 12 de outubro se tornou uma data importante para o setor de brinquedos no Brasil.

Ou seja, é uma data completamente comercial.

Porem, podemos transformá-la em algo maior do que isto: que tal tornar este dia um momento de ficar com as crianças – passear, brincar, estar com elas, deixa-las propor o que fazer (desde que não seja algo que envolva compras), para ser um dia de viver com os filhos coisas que lhe são importantes?

Não precisa ser o dia todo, que seja algumas horas – uma tarde por exemplo.

Desde que seja o tempo dedicado completamente ao pequeno. Para fazer coisas juntos, coisas que ele proponha. Imagine o quanto este dia será esperado ao longo do ano? E marcado não mais pelo que ele ganhar de material e sim por saber que aquele dia você estará totalmente dedicado a ele.

O ideal seria que este comportamento fosse o comum, o diário. Mas sabemos que isto não é tão fácil, há a correria do trabalho, as exigências do dia, a educação que se tem que exigir para que o filho cresça e se desenvolva bem. Fora que muitos pais não têm paciência para brincar, nem vontade de fazê-lo.

Então, não deixa de ser uma oportunidade de criar este espaço entre pais e filhos. Um dia para ficar junto, para se dedicar ao que o filho deseja. Sem o proposito de ensinar nada, só de brincar e poder se divertir, segundo o que o filho pedir.

Pode não ser fácil dependendo do seu estilo de vida, mas pode marcar a vida do seu filho de forma eterna. Não vale a pena tentar?

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Essa tal da insônia….

Passar a noite em claro.

Dormir pouco.

Dormir mal.

Acordar várias vezes durante a noite.

Tudo isto são variantes de um mesmo problema: insônia.

Em geral pode ser medicada e conquista bons resultados. Contudo, muitos se sentem mal no outro dia, ficam sonolentos, cansados. Para alguns surge a necessidade de um remedio para dormir e outro para acordar.

Na insônia sempre há um fator emocional embutido. E para cada indivíduo o motivo (como também podem ser vários) será muito único.

Sim, sempre esta ligado a ansiedade. Mas seus fatores podem ser inúmeros, cito alguns:

– preocupações com o outro dia

– angústia por um situação que não está resolvida

– medo de algo

– dificuldade de sair do controle (pois sim, dormir é ficar ausente da vida por um tempo)

– dificuldade de entrar em contato com emoções mais profundas (dormir possibilita sonhar e com isto ter acesso a materiais inconscientes).

Há ainda outros motivos. Mas independente de qual for, enquanto não for dissolvido continuará a atrapalhar o tão necessário sono. Então, busque ajude, converse, desabafe, pois somente encontrando o que o está mantendo alerta é que situação pode ser verdadeiramente revertida. E sem efeitos colaterais.

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Eu morreria por você, mas não viveria por você!

Encontrei esta frase no livro As vantagens de ser invisível.

“Eu morreria por você, mas não viveria por você”.

Gostei da colocação. Levou-me a pensar em quantas pessoas se anulam para viver um relacionamento: esquecem de si mesmas, colocando o outro como princípio, meio e fim de suas histórias. E este outro pode ser um amigo, um namorado(a), o pai, a mãe, filhos, emprego e até as opiniões dos outros (todos os outros).

Quantos não vivem angustiados pelo que os outros pensarão dele?

Quantos não colocam sua razão de viver em algo que não ele próprio?

Quantos não vivem preocupados com o que as pessoas estão fazendo quando estão longe dele? E neste sentido são chamados de ciumentos, possessivos e coisas do tipo.

Contudo, tanto em uma situação quanto em outra, o que está presente é a dificuldade deste indivíduo de viver a própria vida. Ocupa-se tanto com o outro – com as opiniões, atitudes, comportamentos, desejos do(s) outro(s) e consequências que podem lhe sobrevir que não conseguem viver a própria vida.

Viver a própria vida é se importar com o que você pensa. É buscar se conhecer para perceber no que acredita de verdade, no que tem dúvidas e no que não acredita apesar de muitos a sua volta dizerem que aquilo é o certo. É ter coragem de enfrentar seus medos, assumir seus erros, perceber suas fragilidades, enxergar suas diferenças frente ao outro e com isto ter clareza de suas necessidades. É um processo de diferenciação, ou seja, de se tornar único. Com opiniões, vontades e necessidades claras. Capaz de bancar suas escolhas, independente dos resultados que elas lhe trouxerem. Sem depois jogar a culpa em ninguém. Afinal, foi você que escolheu aquele caminho, não o outro. É se sentir livre para concordar ou não com o que lhe disserem conforme aquilo lhe fizer sentido. E não pela necessidade de concordar para ser amado.

Viver a própria vida é difícil. Dá muito trabalho e nenhuma garantia de que as coisas darão certo.

Alguns chamam a isto de egoísmo.

Mas será que não esta havendo aqui uma confusão de termos?

Egoísta é que aquele que não se importa com o outro, não considera as necessidades, vontades e / ou desejos de outrem. Só tem olhar para si mesmo. Não há espaço para outras pessoas. Seu parecer é o único que vale e ponto final. Quem esta a sua volta fica como objeto e não como parceiro. Esta ali para lhe servir.

O que vive a própria vida não faz isto. Apesar de ter opiniões claras, desejos intensos e foco em seus objetivos, está aberto a negociar, a conversar, a pensar junto. Porque sabe no que acredita. Assim, escuta a colocação do outro e se sente livre para mudar de ideia, mas o faz por perceber que aquilo é coerente. E não pelo medo do que pensarão dele.  Nem pelo medo das repercussões.

Viver por ou para alguém (ou algo) é deixar de viver. É se esconder atrás do outro. Não é um ato de amor, mas sim de falta de amor próprio.

Por mais amor que se tenha pelo outro, se anular é deixar de estar vivo. Em certo sentido pode ser mais fácil, pois tudo que der errado pode se culpar a este outro. Mas isto não é garantia nenhuma de que o outro assumirá a culpa por você e nem de que ficará ao seu lado.

Quem ama ao outro é capaz de morrer por tal pessoa caso isto se mostre necessário.

Mas enquanto está vivo, vive sua vida – assume seus desejos, banca suas escolhas e enfrenta as consequências.

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Do mau humor ao mal do humor

Meu carro quebrou ontem, então vim para o trabalho hoje com meu esposo. Trabalhamos em horários diferentes, por isso é raro acontecer de acordarmos na mesma hora. Assim, não o vejo muito pela manha. Hoje, quando ele me deixou em frente a clínica estava irritado e eu brinquei com ele “credo que mau humor” ao que ele responde “credo você que não para de falar logo de manha”. Cai na risada, pensando nos fins de semana em que ele acorda com um desânimo que parece que brigou com alguém de madrugada.

Não, eu não amo acordar cedo, adoro minha cama, tenho um caso de amor eterno com ela. Mas não me importo de acordar e acordo bem. Contudo, em geral as pessoas acordam mal humoradas, com raiva de ter que sair da cama, pode ser por ter dormido mal ou porque enfrentar o dia nem sempre é animador mesmo, conheço varias pessoas que me contam isto e acho que você, leitor, também.

Mas existe diferença entre mau humor e mal do humor. Mau humor tem a ver com um momento, uma circunstância específica que tira o prazer, a alegria. Se destaca pela irritação, tensão e braveza. Porem, conforme a emoção acalma o sentimento passa e o indivíduo volta a ser como é. Meu esposo tende a voltar a ser homem bacana de sempre depois do almoço….

Já o mal do humor é um transtorno que se caracteriza por um mau humor crônico. Ou seja, um comportamento contínuo de irritabilidade, implicância, negatividade e desânimo. E isto tem nome Distimia, tem tratamento – em geral ha necessidade de tratamento psicológico e as vezes medicamentoso.

Já o primeiro caso vai do bom humor de quem esta ao lado, de não levar pro lado pessoal, nem se importar com a cara fechado do mal humorado….

Afinal, quem não fica de mau humor ao menos de vez em quando?

 

 

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